MOMENTO LÍTERO CULTURAL
1-MARICELL ZANIRATO
http://www.maricell.com.br/quemsou.htm
De Maria Celia, nascida em final de primavera de um novembro qualquer, surgiu, Maricell; mar de calmarias e turbulências, céu de tempestades e de azuis transparências...
Os contos de fadas e a música, sempre presentes em nossa casa, levaram-me a viagens maravilhosas e a sonhos encantados em minha infância. A meus pais e minhas irmãs devo o encanto e o imenso prazer que tenho ainda hoje pela leitura e pela música.
Cresci... Tive amores, dores, alegrias, tristezas... Vi a beleza da vida, a face da morte, o findar de sonhos e outros sonhos em sementes a germinar... Muita vezes atravessei as muralhas que separam os paralelos (des)caminhos do sonho e da verdade em busca do amor, em busca de mim mesma, em busca de ser feliz...
Recebi dádivas imensas da vida... Meus pais, meus irmãos, meu filhos, meu neto, meus amigos, meu trabalho, a beleza e o encanto de viver.
Moro atualmente na cidade de Bauru/SP. Sou professora da Rede Estadual, mas exerço meu trabalho fora das salas de aula.
Tenho quatro filhos, duas filhas casadas e dois filhos solteiros, o mais novo com 16 anos. Tenho também um neto, o pequeno Leonardo, minha grande paixão.
Adoro ler, ouvir música, escrever... Tempo houve em que escrevia avidamente.. Hoje escrevo pouco, talvez por conta de estar mais consciente de que escrever não é apenas juntar palavras em estrofes.
Vivo em busca de novas aprendizagens e de novos caminhos que me façam crescer espiritualmente e que me levem a entender e aceitar as formas de pensar e de agir que não sejam iguais às minhas.
Creio em Deus... Um Deus de bondade e justiça. Um Deus que doou ao Homem o poder de decidir os caminhos a percorrer durante sua jornada na Terra.
Creio no Amor sob todos os aspectos e penso que somente através do Amor a Terra poderá vir a ser o paraíso sonhado pelo Homem em todos os tempos.
Acredito no ser humano como capaz de mudar os rumos da humanidade e como capaz de salvá-la do caos para onde caminha. Acredito que se cada um de nós que sabe fazer algo, fizer bem feito e fizer com o coração, todos juntos faremos com que a Terra volte a ser o paraíso que perdemos.
Acredito na Paz...
Na Paz que só o verdadeiro Amor pode gerar.
Maricell - Bauru/2005
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Crescer ( infância)
De casinha, de boneca...
De menina bem sapeca
A brincar de esconder.
Na pequenina cidade
Onde a responsabilidade
Era somente viver.
Ser cantora, bailarina...
Era o sonho da menina
Que crescia sem sofrer.
A praça, o coreto, o realejo...
E apenas um desejo
De bem depressa crescer.
Cantigas de roda a cantar
Da briga do cravo e a rosa
(Será que as brigas findaram
Será que enfim se casaram
E tiveram mil cravinhos
e também tantas rosinhas?)
De querer ser um peixinho
Do fundo do mar te tirar
E contigo me casar.
Memórias de um tempo perdido
Porém nunca esquecido
Por ter sonhado... e vivido!
Adolescer
Paisagens da vida a mudar...
Querer ser mulher, namorar...
O garoto da esquina.
O banco da praça, o cinema...
Decorar o teorema...
Pra, à noite, poder sair.
Voltar para casa bem cedo...
Mesmo assim, com muito medo,
Do pai, o namoro, descobrir.
O primeiro bolero dançado
O beijo, que foi roubado...
Viver... Amar... E sorrir!
Adulta ser
São muitos ainda, os sonhos
Ainda há belas paisagens...
Há passeios, há viagens...
Mas há um mundo tristonho...
Dentro deste existir.
Há tanta responsabilidade...
Da infância há a saudade...
Que teima em sempre aqui vir.
Há o amor encontrado...
Os filhos no quarto ao lado...
A vida é quase poesia..
Um dia, há o desalento...
E os sonhos se vão com o vento...
Mergulham no escuro do mar...
Da felicidade que havia...
Não fica nem a poesia...
Nem poentes, nem auroras...
Tudo foi jogado fora...
Tudo esvaeceu no ar.
Hoje ser
Crença de novo na vida...
paisagens desconhecidas...
Volto outra vez a buscar...
Em mares e céus... em encantos...
Enxugo este meu pranto...
Posso de novo amar.
Voltarei a navegar...
Pelo céu e pelo mar...
Em paisagens, em viagens...
Dos meus sonhos de menina...
Mesmo sem ser cantora,
Ou atriz, ou bailarina...
Posso de novo viver
E voltar a ser feliz.
Maricell... em tempos de sonhar...
05/07/2001
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De Maricell... De Mar e Céu...
Ele por Maria me queria
Ela, por Célia me pensou
E por herança, batismo, destino, poesia...
Na vida, um dia, Maricell chegou.
Ele mar revolto me fazia
Ela, só céu azul me sonhou
E o tempo, senhor da vida
A vida de Maricell transformou.
Do mar que ele me queria,
Do céu que ela me sonhou...
O que hoje sou?
Sou mar brando, calmaria,
Rugidos e turbulências...
Sou “calmalência”.
Céu azul de pura inocência,
Relâmpagos e tempestades...
Nascentes... poentes... saudades...
Sou Mar! Vem me conhecer... em minhas águas te banhar.
Me sinta... sou só carinho... em tua pele a tocar.
Te abraço, te acalanto... não temas, sou só encanto...
É doce meu marulhar!
Mas também sou correntezas... abismos... sou natureza...
Ondas gigantes... sou Mar!
Mas venhas, não temas... não quero te machucar...
Te apresento Netuno, sereias, tesouros mil...
Vem pras minhas profundezas me conhecer... vem me amar!
Conhecerás em meus abismos profundos
Tantos outros de teu mundo
Que a mim vieram e decidiram ficar!
As mais belas pérolas te darei
Tesouros dignos de um rei
Pois sou rainha do mar!
Sou Céu... vem me conhecer... em meu infinito voar!
Sou puro céu azul com lindo sol a brilhar.
Em mim encontrarás a paz.
Verás o sol nascer suavemente de minhas entranhas em todas a tuas manhãs
E nos entardeceres terás, a cada dia,
O magnífico espetáculo do meu ninar ao sol
Em diferentes paisagens... em incríveis melodias.
Terás todos os pássaros do mundo em tuas mãos
Beija-flores... toutinegras... bem- te- vis e cotovias.
Verás em mim todo encantamento das constelações...
Áries... Sagitário... Três Marias...
Apanharás Vésper em tuas mãos... viajarás nos cometas...
Brincarás de escorregar na lua nova... te enfeitarás com poeira de estrelas...
Vem pro meu céu... vou te amar!
Só que às vezes meu humor pode mudar!
Meu azul torna-se cinza escuro
Esbravejo... relampejo...
Enfureço... me despejo...
Em torrentes de água a tudo inundar...
(É o preço a pagar para se ver novamente sementes a brotar... de outra vez o sol da paz brilhar.)
E assim sou eu, Maricell,
Por batismo... herança... poesia... paixão... loucura...esperança.
Mas em meu nome firmado, os signos formam areias de rochedos submersos e poeira de estrelas desgastadas pelo tempo...
E nestas areias teus passos ficarão... até a primeira chuva...
Até o primeiro vento... até a primeira maré as apagar.
Maricell... em "calmalências"
2-LÍLIAN MAIAL
Carioca, médica, escritora e poeta, publicou um livro de poemas em 2000 – “Enfim, renasci!”, e tem participação em dezenas de antologias desde 1999.
Autora premiada de concursos de poemas, de contos e crônicas, sendo que sua classificação com 3 poemas sobre o mar fizeram parte de uma antologia “Mar & Amor”, em 2001.
Integrante ativa do MIP (Movimento Internacional Poetrix), da qual é representante regional no Rio de Janeiro, teve seus poetrix publicados, em 2002, na “Antologia Poetrix”, com lançamentos no Ceará, na Bahia, São Paulo e no Rio de Janeiro.
Filiada à REBRA (Rede de Escritoras Brasileiras), já participou de 4 antologias lançadas pela REBRA, através da Editora Scortecci, de 2002 a 2006, com lançamentos nas Bienais do Livro de São Paulo. Filiada à APPERJ (Associação de Poetas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro).
Tem seus trabalhos divulgados em inúmeros sites nacionais e internacionais, é colaboradora de revistas eletrônicas em vários Estados do Brasil (“Click Negócios”, “Jornal ECOS – de Vânia Moreira Diniz,“Portal Blocos” – de Leila Miccolis, “Portal Maytê” – de Maria Tereza Albani, “Jornal Varginha On Line”), assim como em Portugal (“Cá Estamos Nós”), e em língua espanhola “Islas Negras”..
HP: www.lilianmaial.prosaeverso.com – http://lilian.maial.zip.net - http://lilianmt.zip.net – http://www.caraacara.blogger.com.br
e-mail: lilianmt@globo.com
Brincar com os poetas...
Para entender um poema com sabor de mel
há que brincar com o poeta.
Brincar com poetas é fazê-los ouvir as letras.
Ele escreve a palavra, mas nem sempre ouve as letras.
Para ouvir as letras, há que ser surdo de regras,
há que ser cego de nomes,
há que ser mudo de risos.
Mesmo quando vê o vazio dos dias,
a lacuna de idéias,
a maldade dos homens.
Mesmo quando rabisca no peito um soneto,
quando entoa na alma a canção,
e insiste em ver lá dentro,
solitário coração.
O poeta é um velho levado,
meio senil, meio sério, meio assanhado,
mexendo com as rimas fáceis,
sonhando com metáforas virgens.
É um idoso sem tempo,
que não solta e nem prende, somente.
Ele vira de ponta-cabeça todas as vezes que escreve.
Parece palhaço, parece parado, parece pirado.
Brincar com poeta é perigoso,
porque poeta leva tudo na ponta da faca,
na ponta da língua,
na própria palavra de dois gumes.
Poeta sonha que sonha,
enquanto diz as verdades e engole a peçonha.
Sem tempo ou lugar, poeta também gosta de brincar.
Ele brinca de estrela,
ele pisca a paleta,
ele chove no rio,
ele chora no mar,
ele pula a carniça que o verso mandar.
O poeta se esconde no pique da praça,
leva tombo nos cantos,
faz rir de pirraça.
Umas vezes é triste,
outra vez é moleque,
um tinhoso carente,
um castelo sem vela.
Ele finge que sofre,
ele mente que ri,
mas quando a noite chega,
ele olha pra lua,
ele rima comigo,
faz preces nos morros,
recosta na sombra,
que a noite é tão clara,
que o céu é tão grande,
que o sonho é tão logo,
que o sono já vem.
Brincar com poeta é conto de fada.
é cair na cilada de ver só o belo,
mas eu, a palavra, a pena e o passo,
sou mais como um trapo nos braços da fera.
Comigo é Assim
Por trás desse desdém,
dessa mania de me deixar na esquina,
tem muita coisa mal explicada.
É bem você quem não vale nada!
E eu aqui, me sentindo culpada?
Não, comigo não!
Comigo é assim:
dou o que recebo,
sou o que concebo,
sem barganha ou fiado.
Escreveu, não leu, o pau comeu!
E em minha vida, quem mata a cobra sou eu.
Meu papo já está cheio de grão
E ainda não vi a cor do milho.
Antes nunca, do que tarde demais.
Chega!
Não mais esperas,
condições,
imposições.
Sofrer, eu sofro, e daí?
Aceitar o inaceitável por migalha?
Fingir que não lambo o fio da navalha?
Tenho mais é que gargalhar da pretensão.
Foi-se o tempo do aceno e do perdão.
Agora , comigo é assim:
se não quer compartilhar,
respeitar o meu lugar,
antes só, do que sem mim.
ENFIM, RENASCI!!!
Das buscas inúteis por pastos e relvas
Das mentes inertes, sem sons, decadentes
Dos rostos sem traços, de sombras e trevas
Dos anjos noturnos, de vôos dementes.
Busquei meu abraço em portos de mágoas
E por valas e fossas meu reflexo vi
Molhei-me em regatos, cobri minhas chagas
Sem moldes, sem marcas, do sonho bebi.
Tua face, entre tantas, foi mera figura
De atores num palco, numa trama pagã
E o trabalho do mestre, eterna escultura
Doou-te, indolente, uma alma vilã.
Embriaguei-me de infindável juventude
Cicuta, alquimia maldita, vinho sagrado
Ousei sorver a vida, mergulhei no teu açude
Enfeitei-me de mim mesma, de momentos já passados.
Ergui montes de ilusões, fui santa, fui noviça
Escrevi mil bíblias de amor mais que utopia
Morei contigo em castelos de areia movediça
Fui senhora, fui escrava, sem carta de alforria.
Da minha carne, retirei teu alimento
Da minha alegria, construí teu abrigo
Da minha vontade, teu contentamento
Da minha dor, teu troféu, teu castigo.
Navegando por lágrimas, orando em simples lamentos
Houve momentos de luz, em meio ao breu do coração
Em breves lampejos de quem sou, por momentos
Reavivei a mais antiga chama de devoção.
E, enfim, renasci para dentro do corpo
Num parto difícil, solitário, ao inverso
Deixarei o cordão que nos une bem solto
Como um convite a integrar meu novo universo.
E a nova criatura de pernas e braços
Com vontades, desejos, cantares, desditas
Seguirá seu curso, sem bússola ou compasso
Como anfitriã herege de uma casa bendita.
CANTO DE AMOR N° IX
Por onde anda aquele por quem percorri mil léguas?
Aquele da palavra amena, do ombro largo e amigo, do colo quente e macio, das incontáveis cantigas, nas noites sem estrelas e sem luar?
O que tem o hálito de mato, olhos de horizonte e mãos de cais, de ancorar carinhos de espuma do mar, de acalentar madornas e acalmar tempestades.
Professor de línguas de anjos, de palavras aladas, escorregando de nuvens de risos marotos, abanando a solidão com um leque de arco-íris, afagando as cascatas negras com os dedos celestes, que guardam as revelações do destino.
O que dedilha meu corpo e lambe minhas feridas, com a ânsia dos meninos, a loucura dos desesperados, a sabedoria dos anciãos, que traduz meus sonhos e me reescreve em versos.
Aquele em quem repouso meu cansaço, e me deixo guiar na escuridão, segura e tranqüila, plenamente viva, para encontrar os segredos e mistérios da identidade nos braços da verdade.
Eu, tua metade inteira, a que te sabe de cor, a que te morde com fome, a que te alisa dengosa, a que te imprime a fotografia do encontro.
Ah! Quão suave é tua voz de pássaro em revoada! Quão doce o teu sorriso de sol e de garoa! Quão sincera é a tua mão, que se aperta à minha, eu, tua miragem, teu deserto e teu sol!
Aquele, cuja boca dita o meu dia, que me beija as dúvidas e me abraça as escolhas, cujos olhos iluminam meu caminho, sem interferir na jornada.
Eu, tua amada, a delirar esperas, a pressupor prazeres, a suportar a dor do silêncio, com a promessa da chegada, enfeitando as horas com teus humores, preservando a volúpia do vulcão em explosão, poupando tua pele de almíscar das labaredas dos meus olhares sedentos.
Abençoado filho de um jardim de virtudes, que entra por minha janela todas as noites e me observa o sono, me nutre os devaneios de malícia e sedução, e atiça as fagulhas do desejo e da entrega.
Percorre meu corpo e me conhece os atalhos, colhe meus frutos e bebe os orvalhos, pingando cheiros vorazes, que me marcam a ferro e fogo.
Eleita entre tantas, sou a mulher das tempestades, a diva dos vendavais, a dama dos horizontes, que te ordena e ordenha, que te cobra e te serve, que te morde e te sopra, que te expulsa e penetra. A que te elege entre tantos, a que te espera para sempre, a que te possui e te pare, a que te quer mais e mais a cada dia, pelo simples prazer de te saber aqui.
3-O R E Q U E N T A D O
PRODUÇÃO INDEPENDENTE/JAS/RO (37ª EDIÇÃO)
RESPONSABILIDADE EXCLUSIVA DO EDITOR
PORTO VELHO (RONDÔNIA), 07 DE MAIO DE 2007
“ANDO DEVAGAR PORQUE JÁ TIVE PRESSA. LEVO ESTE SORRISO PORQUE JÁ CHOREI DEMAIS ...”, de Renato Teixeira & Almir Sáter, em “Tocando em Frente.”
*Renato Teixeira de Oliveira (61 anos) é natural de Santos/SP; *Almir Eduardo Melke Sáter (50 anos) nasceu em Campo Grande/MS. Teixeira e Sáter são compositores e cantores de prestígio.
CONVITE À REFLEXÃO
Ulysses Guimarães
“... Política não se faz com panelinhas, pois ela não é um privilégio de poucos, é um direito de todos. A Política é filha da consciência, irmã do caráter, hóspede do coração. Eventualmente, ela pode até ser açoitada pela mesma cólera com que Jesus Cristo - o político da Paz e da Justiça - expulsou os vendilhões do Templo. Nunca com a raiva dos que têm fins, mas não têm princípios; dos que confundem autoridade com autoritarismo; dos que são fortes com os fracos e fracos com os fortes; dos transgênicos governistas de ocasião. Sejamos fiéis ao evangelho de Santo Agostinho: ‘Ódio ao pecado, amor ao pecador’. Quem não se interessa pela política, não se interessa pela vida...” Em “www.nossosaopaulo.com.br”
*Ulysses Silveira Guimarães (1916/1992; Rio Claro/SP). Em tempos de falência múltipla da ética. Em tempos em que os homens não possuem o Poder, mas o Poder é quem os possui, o Dr. Ulysses (PMDB/SP) “é uma saudade a mais e uma esperança a menos” - como na bonita canção antiga. Um belo orador constante e um nada feio poeta bissexto, o superior paulista foi advogado, professor de Latim, deputado estadual, deputado federal, ministro de estado etc;* Santo Agostinho (354/430) nasceu em Anabá na Argélia(África). Ele foi filósofo e doutor da Igreja. Escreveu “Confissões” e “A Cidade de Deus” etc. /*Vendilhão do Templo (hoje) = quem, em proveito próprio, explora a boa-fé alheia; *governista de ocasião = quem sempre está com o governo (qualquer governo); *homem (sentido amplo) = ser humano; *poeta bissexto = quem, de vez em quando, faz poesia.
TIRO PELA CULATRA
Em 1955, disputavam a Presidência da República, Juscelino Kubitschek - Diamantina/MG - e Juarez Távora - Jaguaribe/CE. Naquele ano (11 de julho), durante a madrugada, um quinteto de intelectuais boêmios estava sentado a uma mesma mesa do Bar Querubim, João Pessoa/PB. Conversa vai e cachaça vem - e vira-e-mexe de copos.
“ - Juscelino (PSD/MG) é um homem de pensamento, palavra e obra. Tem a estatura de Chefe de Nação. Juarez (UDN/CE) é um militar, aliás, um grande militar. Nada mais. Sucede que Juarez é nordestino como cada um de nós, aqui, presente. É melhor a prata da casa do que o ouro de fora. Devemos votar em Juarez.” Assim, regionalisticamente, tomou sua decisão eleitoral (e buscou conseguir que os seus parceiros de farra lhe seguissem o “exemplo”) o paraibano Mário Santa-Cruz.
“- Seu argumento só serve para imbecil.” Rebateu, numa etílica lógica nacional, Aprígio Manjericão - integrante da mencionada bebedeira porreta (e põe porre nisso).
“- Então meu argumento serve para você.” Passou o recibo, com a mesma “elevação” alcoólica de Majericão, Santa-Cruz. Em “Domínio Público”. / Em tempo: Juscelino Kubitschek venceu a eleição acima.
*Irmão do comediante José Santa-Cruz, o Jojoca, Mário Santa-Cruz, 1931/2001, “veio ao mundo a passeio. Não, a negócio” (a expressão é alheia). Culto, espirituoso, advogado, bebia muito e fumava muito mais (não deixava “serviço” pela metade), Mário fazia parte da paisagem humana de sua terra: João Pessoa, PB; *Juscelino Kubitschek de Oliveira - 1902/1976 - era médico; *Juarez do Nascimento Fernandes Távora -1898/1975 - era marechal do Exército. / *Domínio Público = de quem interessar possa.
FATOR DE RISCO
Giovanni Falcone
“Quando a delinqüência conquista o Judiciário, o magistrado se confunde com o marginal. O Juiz não deve esquecer a sábia lição de Albert Schweitzer: ‘Dar exemplo não é a melhor maneira de influenciar os outros. É a única’.” Em “www.ibgf.org.br”
*Giovanni Falcone (1939/1992; Palermo/Itália). Falcone era juiz. Ele foi assassinado pela máfia italiana da Sicília; *Albert Schweitzer (1875/1965; Alsácia/França). Schweitzer foi médico, filósofo, teólogo e músico. /* Magistrado= juiz, desembargador e ministro de tribunal.
PEGAR NO PESADO
Gustavo Fruet
“Para ser digna do nome, a oposição deve ser igual a um sutiã: oprimir os grandes, proteger os pequenos e levantar os caídos” - em “Veja” (04/04/2007). / *Gustavo Bonato Fruet (44 anos) é paranaense de Curitiba. Deputado federal (PSDB/PR), Fruet é um bom fruto das últimas safras tão más de parlamentares.
NINGUÉM MERECE
Barão de Itararé
“PARA O POLÍTICO BRASILEIRO, A VIDA PÚBLICA É A CONTINUAÇÃO DA PRIVADA.” Em “Máximas” (edição esgotada). /*Barão de Itararé (1895-1971; São Leopoldo/RS). O gaúcho, que traduz tantas saudades, chamava-se Aparício Torelly. Esse homem, não vai longe, foi um gigante do Humor e do Jornalismo brasileiros. / *Máximas= provérbios.
A CORES X EM CORES
Luiz Antônio Sacconi
Alice tem uma televisão a cores (errado). Alice tem uma televisão em cores (correto).
Explicação substituem-se cores por preto e branco. O que resulta? Surge o EM, a saber: Alice tem uma televisão em preto e branco.
EM “1000 ERROS DE PORTUGUÊS” (NOSSA EDITORA; São Paulo/SP, 2002). Fone: 0XX11.3131.1625.
ECO DA PRÓPRIA VOZ
Rio de Janeiro (Distrito Federal), 17 de agosto de 1954. Carlos Luz/UDN/MG - Presidente da Câmara Federal - com a palavra o deputado, Carlos Lacerda, UDN/RJ:
“- ... A tentativa de homicídio, de que fui vítima, à Rua dos Toneleiros, na Cidade Maravilhosa, foi cometida pelas mãos assassinas da Guarda Pessoal do Presidente da República. É verdade. Verdade também o é que a iniciativa do covarde crime contra mim, melhor diria, contra a Democracia, partiu de Sua Excelência, Getúlio Vargas (PTB/RS), com cujo Governo se tornou urgente acabar antes que este Governo acabe com o Brasil ...” Discursava, com seu grande talento e com sua pequena alma, o orador.
“- Pela primeira vez, ouço, no respeitável plenário desta CASA, o latido de um cão.” Bradou, no microfone de apartes, Aristeu Alpendre - deputado federal (PTB/SE) e getulista de carteirinha.
“- A ser verdade, nobre deputado Alpendre, Vossa Excelência está ouvindo o eco da própria voz.” Devolveu, com o mortal veneno de sempre, Lacerda.
Villas-Bôas Corrêa, em “Conversa Com a Memória” (Editora OBJETIVA LTDA; Rio de Janeiro/RJ). Fone: 0XX.21.2556-7824.
*Carlos Coimbra da Luz (1894/1961; Três Corações/MG). Luz era advogado; *Carlos Frederico Werneck de Lacerda (1914/1977; Vassouras/RJ). Lacerda era jornalista; *Getúlio Dornelles Vargas (1882/1954; São Borja/RS). Getúlio era advogado; *Aristeu da Silva Alpendre (1920/1995; Avestruz/SE). Alpendre era médico./*Cidade Maravilhosa= Rio de Janeiro (capital); *DF=Distrito Federal (Capital da República).
“FOI ELE, SIM, SATANÁS
QUEM INVENTOU SOLIDÃO”
Em 14 de junho de 1980, realizou-se um festival de cantoria de viola em Juazeiro do Norte (CE). Juazeiro, a terra adotiva do padre Cícero Romão Batista. Juazeiro, a terra natal de José Wilker de Almeida (59 anos). José Wilker, uma referência da Televisão, do Teatro e do Cinema.
No evento em foco, caiu, para a dupla - Zé Vicente e Antônio Lamparina - o mote: “FOI ELE, SIM, SATANÁS / QUEM INVENTOU SOLIDÃO.” Vicente disparou:
“Quando bate a saudade
Duma pessoa querida,
Dá-se um vazio na vida,
Tem-se aflição de verdade.
Ninguém suporta a metade
Da dor do meu coração,
Lembrando o aceno de mão
Do amor que não voltou mais.
Foi ele, sim, satanás
Quem inventou solidão.”
Em “AO SOM DA VIOLA” (Geraldo Amâncio) & “NORDESTE CABOCLO” (Carneiro Portela).
Os imperdíveis programas acima vão ao ar, nos domingos, das 9h30 às 11h, horário de Rondônia, pela TV DIÁRIO (Fortaleza /CE). *Geraldo Amâncio (Fone: 0XX85.3228.1356); *Carneiro Portela (0XX85.3228.9215). / *Padre Cícero Romão Batista, 1844/1934, era cearense do Crato. O Cratinho de Açúcar na incomparável voz do Gonzagão; *Zé Vicente = José Vicente do Nascimento (85 anos; Pocinhos/PB); *Antônio Lamparina (1910/1998; Areia/PB); *Gonzagão = Luiz Gonzaga do Nascimento (1912/1989; Exu/PE). /*Cantoria de Viola = fazer, de improviso, versos ao som da viola.
COISA DO AMOR
Anésio Leão
“Certa feita, indago, com ironia,
A um bêbado que cambaleia pela praça:
‘Que prazer tu encontras na cachaça
Que não ficas sem beber um só dia?’
Fita-me grave. Neste instante, passa,
Pela alma do ambiente, uma agonia ...
O ébrio responde numa pergunta fria:
‘Não haverá felicidade na desgraça ?
E eu era noivo’, diz. ‘Eis que CRISTO
Levou, pro Céu, a minha noiva.’ Nisto,
Como se lhe cravassem mil punhais,
Solta um grito, que se desfaz em pranto,
E chamando por Elsa (a quem amava tanto)
Entra no botequim pra beber mais.”
Benedito Maia, em “Universidade do Ponto de Cem Réis” (Editora UNIÃO; João Pessoa, PB). Fone: 0XX. 83. 3222.4438.
“Neste mundo, eu choro a dor/ De uma paixão sem fim ... /Quando, lá no céu, surgir/Uma peregrina flor. /Pois todos devem saber/ Que a sorte me causou/Foi uma grande dor... /Esta dor que me consome./... Vou partir pra bem longe daqui/ Já que a sorte não quis/ Me fazer feliz.” Em “Saudade de Matão” (Canção), de Jorge Galati & Raul Torres; * Autoditada, Anésio Leão era gramático e professor da Língua Portuguesa. Anésio nasceu em Patos (PB). Viveu e morreu em Campina Grande (PB) e por Campina Grande(PB). Nesta cidade, o ilustre patoense realizou uma imensa obra silenciosa. Obra que marcou uma época. Época que não lhe pertence mais. Época, no entanto, que assumiu o compromisso de perpetuar o nome do saudoso mestre; *Jorge Galati (1885/1975; Catanzaro/Itália); *Raul Torres (1906/1970; Botocatu/SP). / *Feita = vez; *grave (no texto) = seriamente triste; *autodidata = quem aprende por esforço próprio,isto é, sem ajuda de professores; *patoense = filho de Patos (PB); *patense = filho de Patos (MG).
ATENÇÃO: Nenhuma notícia é originária deste “boletim”. Ele só a reedita. Donde, o nome dele: “O Requentado”. O esclarecimento de palavras não comuns se deve à popularidade (on-line) que este jornaleco - surpreendente e imerecidamente - conseguiu. Que perdoem os letrados. Fones: 0xx69. 3216-3775; 0xx69.3222-4739; 0xx69. 9981-4173. “E-mail”: jackson@mp.ro.gov.br
4-TERESINKA PEREIRA
NOSTALGIA
Nem todos os males
podem ser curados
pelo tempo sozinho.
Há que tecer nas veias
um sangue novo
para esquecer o amor
que ficou seco, sem resposta
e que veio trazer a sede
desta nostalgia
que me cresce na garganta
com a solidão.
SE VOU EMBORA
Se vou para sempre
deixo contigo este poema
feito na tormenta
a luz de um relâmpago
que me cegou os olhos.
Mas não vou só.
Carrego em meu peito
esta falta de crença
no céu e na terra.
Deixo-te um deus
existente em teus jogos
de ser bom, de amar a todos
inclusive aos humanos.
Andarei rápido, sem limites,
levando no corpo a cicatriz
embora te deixe nas mãos
a ferida de meu destino.
O Espetáculo
ou
O Castigo
Tanta gente para ver
a vertigem deste vôo,
o principio da tortura
e os gritos fascinantes
que os atores projetam
na frente do cenário.
O castigo e' a utopia
que persegue nossos inimigos.
De minha parte me limito
a dar minha quota de olvido
multidimensional
neste espaço mínimo
onde as palavras
se quebram como cristais
e o pensamento
e' o nosso pior verdugo.
AUSENTE
"A escritura e', originalmente,
a linguagem do ausente."
Carlos Fernandez
Aprendi a estar presente
sem abalar o ódio
do sagrado vicio de um pais
que vai se deixando levar
pela fé alheia.
Tenho sido voluntária do acaso
e agora, no rincão da noite
entrego-me ao poema
dilatando a longitude do tempo.
Antes eu sabia recorrer
este quarto como se fosse
a rua de uma cidade vazia. Mas
agora o poema me deixa nua
quando penso em teus olhos.
MUDANÇAS
É muito difícil
re-inventar a vida.
A gene sempre carrega
nos ombros
a natureza de nossos erros.
Os que falam deles
ajudam a mudar
a vida dos outros.
5- DOROTY DIMOLITSAS
Nossa querida poetisa, que nos alegra diariamente com suas poesias nos nossos recados do orkut.
Nascida no Acre em Sena Madureira.
Criada em colégio de freiras
Trabalhou e se preparou Profissionalmente no 5º Batalhão de Engenharia e Construção
Em Porto Velho Rondônia. ( Atuando na área de Saúde )
Estando presente na construção da cidade de Vilhena
Vindo para São Paulo em 69
Prestando concurso para o governo federal ( hoje aposentada.)
Prestando serviço no Hospital Brigadeiro Em São Paulo
Laboratorista com vários cursos de especialização em Hematologia
Bioquímica, Hemoterapia, Citologia e Citoquimica. Bacteriologia
Também com Curso de Puericultura e Educação Sanitária.
Participou de varias atividades nacionais de vacinas contra a poliomielite fui membro da Cipa.
Com estagio
Em Analise Clinica
Na Faculdade de filosofia Ciências e letras de São Paulo.
Trabalhou também no Hospital Ipiranga no Período de epidemia de meningite
Atuando ativamente na elaboração de exames para definição da meningite.
Minha homenagem para São Paulo
Falar de São Paulo
Falar de São Paulo é falar de amor.
Amor maduro
Paginas e paginas de vidas
Escritas na historia dessa cidade.
Que começou uma pequena vila
Com ruas estreitas e poucas casas.
Por obra e graça do Padre José de Anchieta e Manuel da Nóbrega
Foi crescendo, tomando forma, adquirindo proporção.
Hoje é quase uma nação.
São Paulo tem problemas sim,
Ruas alagadas, buracos de metrô,
Trânsito infernal até problema de trafego aéreo.
Mas todos sabemos que São Paulo também tem
Uma Avenida Paulista com toda sua imponência e importância
Que daqui é administrada a maior economia do país.
É um dos pontos turísticos da cidade, sua grandeza diferencia
São Paulo das outras cidades do Brasil
Temos também uma Casa das Rosas
Preparando poetas para todo Brasil
Um centro comercial dos melhores
Escolas, bancos e faculdades muito boas
Então eu pergunto
Como deixar de te amar São Paulo?
SABOR DE AMOR
Tantas abelhas,
Beijando as rosas vermelhas,
O beija-flor passou e seu néctar semeou.
A abelha recolheu,
E levou para colméia...
E o amor transformou em mel
Só para você sentir
O sabor do amor
Que a flor mandou
Natureza
A natureza é linda
Observando com cuidado,
ficamos encantados
com o que a natureza
nos proporciona.
Um arco-íris sobre a água,
as flores nas montanhas,
as palmeiras se erguendo,
balançando ao vento,
parecendo cabelos longos.
O barco que passa ao longe
refletindo solidão.
Pequenos animais
insinuando
uma linguagem própria.
A lua no final da tarde,
com o reflexo de luz
sobre a água,
é um convite à oração.
Pássaros coloridos,
imponentes.
A mãe alimentando
os seus filhotes.
Sol poente
com sua cor radiante de luz,
parece querer dar
um beijo ardente na água.
A cascata que
como um véu de noiva
exibe sua beleza,
o verde na água mostrando
os peixes de lá para cá
que insistem em se exibir
para a natureza.
Sem falar dos golfinhos
treinados,
e sua forma inteligente,
em perfeita sincronia
os cavalos-marinhos,
botos, e outros inúmeros animais.
Precisamos preservar a natureza!
6-POESIAS
MÁRCIA LEITE
Tarot
A busca da poesia me desfaz
em múltiplas facetas sobre a mesa
nada me compõe quando persigo
a palavra que dirá o pensamento
me desfaço em lâminas
minuciosamente observadas
através de microscópio cósmico
o único permanente em mim
é o místico.
THEREZA CHRISTINA ROCQUE MOTTA
Me acostumo a tua ausência
como à dor.
Um mar de conchas
se instala onde habito
sem sargaços
sem paisagem marinha
que o vislumbre.
Me acomodo à falta
como um oco.
Largas sendas
amplos desertos
um nada uníssono e bravio
sem oásis
sem vento
que o devasse.
Me moldo ao silêncio
como uma nave.
Janelas, pórticos, enseadas,
narizes aduncos,
rostos marcados de passado
sem dia
sem noite
que os aliviem.
Se florestas houve
se o mar não há
e o visgo das sementes
se interrompe,
nêsperas, tâmaras, olivas,
orquídeas falhas deitam-se
entre teus lábios
e despertam.
ELIAKIN RUFINO
mosquito da malária
hoje quem defende a amazônia
é o mosquito da malária
se não fosse esse mosquito
a floresta virava palha
salve salve salve ele
viva sua febre incendiária
o maior ecologista da amazônia
é o mosquito da malária
não adianta sucam
jogar ddt na sua área
super-defensor da amazônia
é o mosquito da malária
CECÍLIA FIDELLI
HOMENS
Uns a gente ama
com o coração.
Outros, a gente descreve,
com dados precisos.
SILVÉRIO RIBEIRO DA COSTA
INCOMPREENSÃO
Não entendo muito
o mundo dos outros.
No meu, vou sendo
eu mesmo.
No mundo dos outros,
sigo só (vi)vendo,
Não sei porquê...
Talvez seja
porque não me vendo!
NEIDE BARROS RÊGO
DESCOBERTA
Trago-te versos, sonhos concebidos,
nascidos bem no fundo do meu ser.
Lá dentro, eles dormiam esquecidos,
esperando o momento de nascer.
Por certo estavam eles escondidos,
guardados, sem eu mesma perceber.
Tocaste suavemente os meus sentidos
com palavras, mostrando o teu poder.
Vieste na minha alma remexer,
fazendo o que era noite amanhecer,
acordar, descobrir em mim a esteta.
Despertaste, num golpe de magia,
aquilo que nem mesmo eu conhecia:
que eu também poderia ser poeta.
LARÍ FRANCESCHETTO
TORMENTAS
Negras ondas nos jogam
aos rochedos das horas,
de nós mesmos ficamos órfãos
longos dias, noites imensas.
Ah! Pobres presas.
As mãos sangram,
colhemos lições
na cinza das flores mortas.
Facas são trilhos
no universo de tantos caminhos,
amanhece.
As mesmas ondas vão embora,
o mar se acalma,
sobre(vivemos)
até outra tormenta.
Há fotos de pássaros mortos
por onde andamos,
donos de nada somos
nem de nós mesmos.
LUCIANA PESSANHA PIRES
Grão
Apenas grão
semente explodindo
querendo trigo
delito
no tempo
do não
Apenas grão
habitando o
desejo
de ser
Bovary
Em outros tempos
Apenas grão
carícia
premeditada
fitando
o dia
em milagre
ONNA AGAIA
Imigrar e ser mais um chicano
da conexão Manhattam?
Não! aqui nunca terei um Nobel, um Oscar
e pro mundo, como não jogo futebol,
sempre serei um reles fulano
Em compensação posso ser inimigo do rei
e não tenho que defender o pinto
do presidente Bil Clinton
e nem tenho que aparar
galhada de primeira dama
Aqui nada disto conta
já que o do nosso presidente
nem sequer levanta
mas redistribuir a renda
e educar o povo
é deixar em pé os ovos
que a miséria bota deitados
pra chocar sob nossos olhos.
JORGE DOMINGOS
BLUE EYES BALADA
Conhece SACHA MIKALCHENKO?
Ele nasceu em CHERNOBYL,
no Tempo da Tragédia...
É um menino louro,
de olhos azuis
da cor de Mar Despoluído,
Mar Virgem de Detritos Humanos.
Seus olhos parecem
os de um Gato Filhote
quando vêem, pela primeira vez,
o vôo da Mariposa Branca.
Esse garoto tem três anos...
SACHA MIKALCHENKO
nasceu sem o braço direito.
E muitos pensarão: “Mais um canhoto”.
Talvez ele desenvolva o dom
de só fazer coisas bonitas
com esse braço esquerdo.
Ou, quem sabe, ele conseguisse
esboçar uma tela
a Alma dos Culpados por Tragédias...
mas certamente não haveria no mundo
tinta negra suficiente.
Eu não condenaria
SACHA MIKALCHENKO,
se soubesse que ele é odiado
pelas meninas russas
porque arranca os braços direitos
de todas as bonecas...
LUIZ DE AQUINO
Ao imortal caído
Para Bernardo Elis
Falarei às rochas inertes das cachoeiras,
ao pó vermelho dos barrancos
e às águas borbulhantes dos rios inquietos.
Minha voz ferirá o tímpano das árvores
e ecoará no brilho efêmero da caliandra,
ouvirei histórias de lavadeiras, casos muitos
de soldados e putas, bênçãos de mães ingênuas,
prendas de mãos sofridas.
Lembrarei imagens rançosas
de sábados festivos e domingos preguiçosos.
A fuligem dos fogões da infância
forrará de silêncio uma lágrima teimosa
e farei um verso besta qualquer
que não fechará poema algum,
não abrirá a porta dos sonhos
nem me fará amigo dos poderosos
de cobre e de mando.
Serei farto também de odores saudosos,
como o das frutas maduras
preparadas para o tacho em que ferverá o doce
(alguma voz de pai, severa e grave, dirá de carinhos
mas não será para um filho distante, ausente ou triste).
Haverá na lembrança o odor das fêmeas,
o odor químico das perfumarias e o mágico
dos frascos artísticos, mas haverá ainda
o odor onírico do desejo
em que um misto de doce e de acre
excita a carne do macho.
Noites tediosas das amplas cozinhas
à luz do borralho antigo:
Criadores de sonhos e imagens;
fazedores de casos contados em roda,
poetas não agem senão na essência inibida
dos viventes pensantes.
Tudo é forma de se construir saudades.
JUREMA BARRETO DE SOUZA
Retalhar-se
cantando bem aventurânsias
só a dor coloca no lugar
as palavras.
Adrenalina e ira
um corpo vagando entre tudo.
Alimenta a poesia
o contato
de meus lábios de fúria
ciúmidos.
É disso que ela gosta
laço e doma.
Retalhar-se
e encontrá-la
acuada entre as solidões
ainda pulsante, ainda paixão.
TOM ZINE
POEMA COMO MOTE PARA SOLIDÃO SEM FIM
Os tubarões andam se alimentando de surfistas.
Aquele navio asiático permanece ancorado
com porões cheios de carne estragada.
Tenho medo, Mamãe, do Canibal de Milwaulkee.
Tenho medo do assassino que mata casais na praia.
Tenho medo de ser torturado por policiais
por causa do beijo que dou em meu namorado.
Tenho medo de ser currado por eles.
Cobram caro pelo flagrante de um abraço.
Não temos glória, Mamãe.
Só uma luta infinda.
Pedradas. Imprecações.
Eles não nos aceitam, Mamãe, só suportam
nossas cores, nossas gargalhadas,
nossos falsos decotes, nossos quadris, peitos e
bundas
de silicone e anabolizantes.
Mas somos mais desaforadosque eles, Mamãe,
Porque não podem nos eliminar a Todos.
RODRIGO DE SOUZA LEÃO
Olho
Em cada bispo
Um olho no chapéu do olho
Rosário em cada mão
Um chapéu com olho de pato
Um pato com sapato
A cata de cacos de vidro
Bicando o meio fio
A cata do que comer de fato
VIRGÍNIA VENDRAMINI
DEPOIS DO ÉDEN
Serpentes e serpentinas
Se enlaçam e se embaraçam
Eva se repete
Em cem mil faces
Festivamente
Sob chuvas de confetes
Serpentina e adrenalina
Incoerência e inconseqüência
O que foi feito da Sabedoria?
Ou a maçã estava verde
Ou Eva comeu a fruta errada
JANETE CORTEZ
VENTO
Tomei emprestado esse vento
que o tempo esconde da vida.
Esse vento milenar que sopra
desde a cordilheira até o mar alto
e que me leva, leve, livre,
pássaro de mil faces e cores
mas de um só coração; ETERNO...
MARYNÊS BONACINA
Ônibus
No final da tarde,
Em qualquer ônibus,
Diferenças e semelhanças nos aproximam.
Eu, movimento, direção.
Você, o bilhete de entrada.
Eu, lembranças e poesia.
Você, o grito da parada.
Eu, idéias, espírito e carne.
Você, matéria crua, ferro, vidro.
Eu, chegada incerta.
Você, parada certa.
Eu sou pó, no fim da caminhada.
Você, muita poeira na estrada.
SANDRA RAVANINI
Poema de areia
Cadeira azul e desconfortável, parede branca e alta
oprimindo a gentalha que não fala. Senhora da saia
florida, saia da frente desta muleta que ora lhe vaia
e vaia o chão, pranteia o mosaico à linha sem pauta.
Cadeira de rodas tem sede? Não, diz um bebedouro
quebrado soltando tal eco, gargalhada de ar no roto
negro dos aros que fala a todos dos contos do esgoto
e às memórias de madeira deste vivente logradouro.
Mulher dos estranhos odores, que semblante é este?
É a flacidez de tantos filhos e mais quantos abortos,
é a infecção corroendo este útero doente e tão solto?
É solidão, árido castelo da princesa, pó do Nordeste!
Então, um obelisco estandarte acena o pálido cartaz,
ele mal sabe falar e com uma Bíblia nas ávidas mãos,
prega um confuso evangelho para os falidos irmãos;
...dizendo ao mundo do fim, que já é chegada à paz?!
MITSUKO KAWAI
I
Deixou gravado
Nos olhos um fulgor de fogo
Que consome num instante
Estrela incandescente
Desaparece no espaço
Como se fosse
Um sonho impalpável
Desaparece distante
Arco-íris que coloriu
O céu de verão
II
Quanto sinto
Nostalgia do amigo distante
Revive no meu ouvido
A voz que sussurrou
As palavras de despedida
Parece que
Ouço a voz
Quando leio e releio a carta
Do amigo que chamou de longe
Atravessando várias fronteiras.
MARINA DE FÁTIMA DIAS
No papel
Flores pequeninas...
Suave decoração
Deixo em suas linhas
Flores da inspiração
São meus versos
Ornamentos do coração.
ANA MARIA ROSATTO SERVELHERE
A Questão do Não Ser
Nesta vida fui de tudo,
Fui mendigo, vagabundo,
Fui menor abandonado,
Adulto explorado,
Político exilado...
Fui criança sem escola
No vício de cheirar cola...
Fui a mulher desamável,
Na força, discriminada,
Viúva, mal aposentada,
Prostituta explorada...,,
Fui no ventre do pecado
O aborto condenado...
Nas longas horas da noite,
Faminto, sofri o açoite
Da desnutrição que consome
As energias de um homem....
Enquanto ladra a matilha
Passa a caravana, faminta....
Das calçadas fiz abrigo
Perambulando, perdido
Tive meu crânio esmagado
Entre o lixo amontoado...
Passageiro das ruas, ao léu,
Fui catador de papel...
No leito de um hospital
Conheci a dor mortal
No cárcere da prisão
Visitou-me a solidão...
Parceiro constante da dor,
Da maior delas - o desamor...
Excluído, analfabeto,
De todo e qualquer projeto
Herdeiro só da esperança
Das santas bem-aventuranças...
Cheguei sempre tarde na vida:
- A vaga já foi preenchida!
Esta dura questão do não ser
Será tributo ou sina?...
Mas, se é de livre arbítrio o viver
Como é que fica... a chacina?!?...
MIGUEL BARBOSA
A Distância
pássaros
mulheres de virtude com asas
deuses flutuantes de petróleo
barcos de plástico
voam
candeeiros ninfas e posses esquecidas
que se acendem e apagam
voam
entrando pela janela
da minha mansarda
só eu não vôo
limito-me a meter os pés
no éter sagrado do Ganges
e a sonhar na distância
a eternidade que beijo
nos lábios do teu ventre.
JACKSON SALA
ZONA ERÓGENA
A zona erógena dos
poemas concebidos
manifesta-se
perpendicularmente
ao centro gravitacional
das idéias,
uma vez que os
orgasmos literários
sempre ocorrem no
ápice do contato
e troca de carícias
entre a imaginação
e a realidade
PAULINHO TAPAJÓS
BAILADO
Como surgisse um colibri e assim
Bailasse as asas doces sobre mim
Como se eu fosse flor de algum jardim
Como se eu não tivesse fim
Como se eu fosse um pôr de sol de mel
Como se em meu lençol coubesse o céu
E um sabor de loucura melado e água pura
Mistério ou mistura de nós dois
Como se fosse a embriaguez total
Guardasse todo o bem e nenhum mal
Como se fosse o irreal
Sem princípio ou final
Como surgisse um colibri e assim
Bailasse as asas doces sobre mim
Como se eu fosse rosa ou alecrim
Beijasse um anjo querubim
Como se ouvisse o som de um madrigal
Cheirasse a chuva pelo matagal
Coração de arvoredo verdade ou brinquedo
Desejo ou segredo de nós dois
Como surgisse um colibri e assim
Bailasse as asas doces sobre mim
Como se fosse o irreal
Sem princípio ou final
ZHANG ZHI ( EL DIABLO )
O SONHO DE POLICIAR O MUNDO
Vendo um coração
Ou uma bala de plástico
Balançando como carne de canhão
A gente não sabe
( Realmente não sabe )
Se joga a raiva inutilmente
Na cara do ditador
Ou no imperialismo !
Os mísseis voam caoticamente
Como fogos de artifício
( Como um punhado de estrelas )
Ou deslumbrantes poemas...
-
Os USA e o Reino Unido
Grandes poderes atacam
Bombardeando desvairadamente
Sobre Bagdá...
A este ponto, Sr. Diabo
Como uma mosca sem cabeça, ninguém
Podia imaginar a destruição, o fogo,
As bombas, o sangue e os corpos
Queimados na terra do Iraque...
Tradução : Teresinka Pereira, Ohio, EUA.
TONHO FRANÇA
Morto
Pelas dores que não são minhas
E me afligem.
Pelo gosto de desgosto e fuligem.
Pelo amargo da mão mesquinha
Por tudo que esconde as estrelas
E tanto me desalinha.
Aos versos inquietos e covardes,
Aos apelos fracos e sem sons,
Aos que morrem toda tarde,
E viram anjos ou demônios de néon.
Pela insanidade de hoje, eu te perdôo.
Pelo choro de amanhã eu te condeno,
Pela mesmice do caos eu te suplico,
Daí a mim do meu próprio veneno.
7-MARCOS SOUZA
O mais influente disco da história da música pop completa 40 anos
Superlativos, unanimidades burras, controvérsias em fóruns, esmero nas inflexões impostas pelos fãs ao se referir ao famoso álbum dos Beatles, mas é difícil alguém que goste da banda de Liverpool (UK) ficar incólume ao disco “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”, que completou no dia 1º de junho quarenta anos em que foi lançado na Inglaterra.
Oitavo disco da discografia dos Beatles, “Sgt. Pepper’s...” é citado por grande parte da crítica especializada como o mais influente e melhor trabalho fonográfico da história do rock. Repetindo: da história do rock.
Eu tinha 15 anos quando resolvi comprar o disco pra entender os excessos de adjetivos positivos e hiperlativos que para mim pareciam ilações espaciais, beirando o fanatismo, esperando compreender o fenômeno do álbum. Esperava, na minha vã ingenuidade, reconhecer os sons revolucionários, as músicas que deveriam ser inéditas aos meus ouvidos. Que decepção, eu conhecia praticamente todas as músicas e elas soavam déja vu puro. Enfim, ouvia, ouvia e ouvia repetidas vezes as faixas e ficava procurando a tal revolução, confesso que apenas “A Day in the life” me parecia absolutamente genial, como acho até hoje. Mas..
Bom, mas aí na minha santa e ingênua adolescência, claro foi pesquisar mais afundo do que se tratava a tal revolução. Surpresa! Cara, não existia revolução, ao ouvido mais apurado, havia revoluções, transformações e sensações incríveis, e aos olhos mais vívidos a capa do famigerado álbum, com aquela amalgama de rostos famosos por trás dos quatro cavaleiros de Liverpool, paramentados de integrantes da banda do Sargento Pimenta, havia um ícone que sagraria interpretações fantasiosas, estudos gráficos laboriosos e busca de mensagens misteriosas, símbolos que estariam ocultos e que revelavam fatos inusitados dos bastidores da banda mais famosa do planeta.
Mas seria fácil jogar adjetivos e acentuar a aura mítica do disco, com produção complexa e esmerada de George Martin, e a entrega dos integrantes da banda, principalmente Paul Mcartney e John Lennon, recheados de idéias e com maquinações incríveis para levar o som dos Beatles a um estágio novo, inédito em todos os sentidos.
Paul já havia dito que “Sgt. Pepper’s...” era uma resposta a outro genial disco, “Pet Sounds” (1966), dos Beach Boys – e este já era uma resposta do gênio Brian Wilson, principal compositor do B.B., ao maravilhoso disco “Revolver” (1966), dos Beatles -, e por isso mesmo tanto ele, Paul, quanto John buscavam avançar para uma esfera além no conceito de técnicas de gravação sem precedentes até aquele momento. E conseguiram.
Gravado em 129 dias com cerca de 700 horas de estúdio, foi lançado em 1º de junho de 1967 na Inglaterra e no dia seguinte nos Estados Unidos. O disco é precedido de muito disse-me-disse na imprensa da época, principalmente quando a banda decidiu não mais realizar shows ao vivo e se dedicar somente às composições e gravar discos. Muitos deram como certa a decadência do grupo, o que foi contrariado com esse álbum. O incrível é que por se tratar de um disco de difícil elaboração, com as faixas tocadas sem intervalos, como uma suíte ininterrupta, eles criaram o álbum conceitual, antecipando o que as bandas de rock progressivo utilizariam comumente anos mais tardes. Ainda assim conseguiram vender 11 milhões de cópias só nos Estados Unidos.
As influências que fizeram à cabeça dos quatro músicos comportavam uma série de instrumentos exóticos, além de sonoridades atípicas e muito particulares para ser colocada em um repertório de rock, com direito a orquestrações, instrumentos hindus, gravações tocadas ao contrário, sons de animais e estilos que variavam do rock à baladas, do jazz e música oriental. Tudo inserido em uma unidade sonora bem distinta e inspiradora.
As revoluções que citei acima se encontravam nessa junção de instrumentos gravados, com superposições de arranjos e orquestrações que davam a sensação de que o disco soltaria da agulha sem mais nem menos. A seqüência das 13 canções que integram o disco é perfeita. Para cada música existiam inspirações variadas e sonoridades diferentes, absolutamente inéditas para a época. Ou seja, o que me faltava compreender como funcionaria essa propalada revolução alardeada pelos críticos especializados.
Compreendi no exato momento em que as técnicas de gravações desenvolvidas para o disco, assim como o uso de recursos criativos na composição, como a nota orquestrada na música “A Day in the Life”, que dá a sensação de um som que inicia como o ranger de uma tumba sendo aberta até um grito denso propalado em uma câmara de eco, saltaram aos meus ouvidos e pude distinguir a real importância daquele oitavo álbum dos Beatles.
São particularidades sonoras, seja no uso de vocais, no andamento das músicas, que depois foram absorvidas posteriormente por outros artistas e que serviu de inspiração para estilos que surgiram depois, como rock progressivo, o hard rock, a ambient music (do mago Brian Eno, ex-tecladista do Roxy Music), etc.
Ou seja, os Beatles de novo haviam “reinventado a roda” da música pop, jogaram fora de vez os terninhos, os cabelos arrumadinhos, o “iê-iê-iê”, as articulações do pop fácil (que eles faziam de forma genial) e deram ênfase à sua psicodelia, experimentações lisérgicas, ultrapassaram os sentidos e refletiram um novo tempo de transformações não só na música como no comportamento social de sua época.
Por isso eu aprendi e compreendi que “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” é realmente um disco revolucionário e genial. Ainda hoje inovador.
Para estender ainda mais os superlativos que acompanham esse disco, segue abaixo algumas curiosidades que colhi no site Wikipédia.com:
SOBRE A CAPA
O álbum não só se destacou pela música mas também pela capa. Os Beatles foram fotografados por Michael Cooper vestidos como sargentos diante de colagens de rostos de pessoas famosas que o grupo admirava na época, trabalho esse feito por Peter Blake. Foram selecionadas 70 pessoas entre artistas de cinema e televisão, políticos, músicos e escritores. Entre eles Marlene Dietrich (atriz), Bob Dylan (músico), Sigmund Freud (médico psicanalista), Aleister Crowley (escritor e ocultista), Edgar Allan Poe (escritor), Karl Marx (filósofo e economista), Oscar Wilde (escritor), Marlon Brando (artista), os comediantes Stan Laurel e Oliver Hardy (conhecidos como a dupla Laurel and Hardy), Marilyn Monroe (atriz), Shirley Temple (atriz) e Stuart Sutcliffe (antigo baixista dos Beatles), entre outras personalidades.
Houve a intenção de incluir ainda Jesus Cristo (não foi incluído por causa da declaração um ano antes de John dizendo que os Beatles eram mais populares que Jesus Cristo), Gandhi (retirado por receio da gravadora em ofender o mercado indiano ), Elvis Presley e Adolf Hitler.
Para evitar processos a gravadora pediu autorização às personalidades. O ator Leo Gorcey teve sua imagem retirada por pedir um pagamento pelo uso da sua imagem.
ALGUMAS CURIOSIDADES
Beatles gravaram outras canções que não fizeram parte do álbum:
o "Strawberry Fields Forever": escrita por John Lennon em referência ao Orfanato do Exército de Salvação que ficava perto de sua casa em Liverpool. A faixa fez parte do compacto junto a "Penny Lane"'.
o "Penny Lane", escrita por McCartney com canção de Lennon, referência nostálgica a Liverpool.
o "Carnival of Light": canção de McCartney permanece inédita até mesmo em bootlegs.
o "Only a Northern Song": canção de George Harrison somente lançada em 1969 na trilha sonora do filme Yellow Submarine.
• Os Beatles ganharam quatro prêmios Grammy pelo trabalho: "melhor álbum do ano", "melhor capa de álbum", "melhor álbum de música contemporânea" (atualmente conhecido como "melhor álbum vocal Pop") e "melhor engenheiro de som" (Geoff Emerick). Porém perdeu três indicações: "melhor desempenho" (para Anita Kerr), "melhor desempenho de grupo ou dupla" (para The Mamas & The Papas) e melhor arranjo intrumental (perdendo por "A day in the life" para "Strangers in the Night").
• Em 1968 Frank Zappa fez uma paródia da capa de Sgt Pepper's em seu álbum We're Only in It for the Money.
• O jornal britânico The Independent On Sunday afirma que o ditador nazista Adolf Hitler estaria escondido na capa, aparecendo em parte entre o baterista Ringo Starr e pelo atleta e ator Johnny Weissmuller.
http://www.maricell.com.br/quemsou.htm
De Maria Celia, nascida em final de primavera de um novembro qualquer, surgiu, Maricell; mar de calmarias e turbulências, céu de tempestades e de azuis transparências...
Os contos de fadas e a música, sempre presentes em nossa casa, levaram-me a viagens maravilhosas e a sonhos encantados em minha infância. A meus pais e minhas irmãs devo o encanto e o imenso prazer que tenho ainda hoje pela leitura e pela música.
Cresci... Tive amores, dores, alegrias, tristezas... Vi a beleza da vida, a face da morte, o findar de sonhos e outros sonhos em sementes a germinar... Muita vezes atravessei as muralhas que separam os paralelos (des)caminhos do sonho e da verdade em busca do amor, em busca de mim mesma, em busca de ser feliz...
Recebi dádivas imensas da vida... Meus pais, meus irmãos, meu filhos, meu neto, meus amigos, meu trabalho, a beleza e o encanto de viver.
Moro atualmente na cidade de Bauru/SP. Sou professora da Rede Estadual, mas exerço meu trabalho fora das salas de aula.
Tenho quatro filhos, duas filhas casadas e dois filhos solteiros, o mais novo com 16 anos. Tenho também um neto, o pequeno Leonardo, minha grande paixão.
Adoro ler, ouvir música, escrever... Tempo houve em que escrevia avidamente.. Hoje escrevo pouco, talvez por conta de estar mais consciente de que escrever não é apenas juntar palavras em estrofes.
Vivo em busca de novas aprendizagens e de novos caminhos que me façam crescer espiritualmente e que me levem a entender e aceitar as formas de pensar e de agir que não sejam iguais às minhas.
Creio em Deus... Um Deus de bondade e justiça. Um Deus que doou ao Homem o poder de decidir os caminhos a percorrer durante sua jornada na Terra.
Creio no Amor sob todos os aspectos e penso que somente através do Amor a Terra poderá vir a ser o paraíso sonhado pelo Homem em todos os tempos.
Acredito no ser humano como capaz de mudar os rumos da humanidade e como capaz de salvá-la do caos para onde caminha. Acredito que se cada um de nós que sabe fazer algo, fizer bem feito e fizer com o coração, todos juntos faremos com que a Terra volte a ser o paraíso que perdemos.
Acredito na Paz...
Na Paz que só o verdadeiro Amor pode gerar.
Maricell - Bauru/2005
+++++
Crescer ( infância)
De casinha, de boneca...
De menina bem sapeca
A brincar de esconder.
Na pequenina cidade
Onde a responsabilidade
Era somente viver.
Ser cantora, bailarina...
Era o sonho da menina
Que crescia sem sofrer.
A praça, o coreto, o realejo...
E apenas um desejo
De bem depressa crescer.
Cantigas de roda a cantar
Da briga do cravo e a rosa
(Será que as brigas findaram
Será que enfim se casaram
E tiveram mil cravinhos
e também tantas rosinhas?)
De querer ser um peixinho
Do fundo do mar te tirar
E contigo me casar.
Memórias de um tempo perdido
Porém nunca esquecido
Por ter sonhado... e vivido!
Adolescer
Paisagens da vida a mudar...
Querer ser mulher, namorar...
O garoto da esquina.
O banco da praça, o cinema...
Decorar o teorema...
Pra, à noite, poder sair.
Voltar para casa bem cedo...
Mesmo assim, com muito medo,
Do pai, o namoro, descobrir.
O primeiro bolero dançado
O beijo, que foi roubado...
Viver... Amar... E sorrir!
Adulta ser
São muitos ainda, os sonhos
Ainda há belas paisagens...
Há passeios, há viagens...
Mas há um mundo tristonho...
Dentro deste existir.
Há tanta responsabilidade...
Da infância há a saudade...
Que teima em sempre aqui vir.
Há o amor encontrado...
Os filhos no quarto ao lado...
A vida é quase poesia..
Um dia, há o desalento...
E os sonhos se vão com o vento...
Mergulham no escuro do mar...
Da felicidade que havia...
Não fica nem a poesia...
Nem poentes, nem auroras...
Tudo foi jogado fora...
Tudo esvaeceu no ar.
Hoje ser
Crença de novo na vida...
paisagens desconhecidas...
Volto outra vez a buscar...
Em mares e céus... em encantos...
Enxugo este meu pranto...
Posso de novo amar.
Voltarei a navegar...
Pelo céu e pelo mar...
Em paisagens, em viagens...
Dos meus sonhos de menina...
Mesmo sem ser cantora,
Ou atriz, ou bailarina...
Posso de novo viver
E voltar a ser feliz.
Maricell... em tempos de sonhar...
05/07/2001
+++++
De Maricell... De Mar e Céu...
Ele por Maria me queria
Ela, por Célia me pensou
E por herança, batismo, destino, poesia...
Na vida, um dia, Maricell chegou.
Ele mar revolto me fazia
Ela, só céu azul me sonhou
E o tempo, senhor da vida
A vida de Maricell transformou.
Do mar que ele me queria,
Do céu que ela me sonhou...
O que hoje sou?
Sou mar brando, calmaria,
Rugidos e turbulências...
Sou “calmalência”.
Céu azul de pura inocência,
Relâmpagos e tempestades...
Nascentes... poentes... saudades...
Sou Mar! Vem me conhecer... em minhas águas te banhar.
Me sinta... sou só carinho... em tua pele a tocar.
Te abraço, te acalanto... não temas, sou só encanto...
É doce meu marulhar!
Mas também sou correntezas... abismos... sou natureza...
Ondas gigantes... sou Mar!
Mas venhas, não temas... não quero te machucar...
Te apresento Netuno, sereias, tesouros mil...
Vem pras minhas profundezas me conhecer... vem me amar!
Conhecerás em meus abismos profundos
Tantos outros de teu mundo
Que a mim vieram e decidiram ficar!
As mais belas pérolas te darei
Tesouros dignos de um rei
Pois sou rainha do mar!
Sou Céu... vem me conhecer... em meu infinito voar!
Sou puro céu azul com lindo sol a brilhar.
Em mim encontrarás a paz.
Verás o sol nascer suavemente de minhas entranhas em todas a tuas manhãs
E nos entardeceres terás, a cada dia,
O magnífico espetáculo do meu ninar ao sol
Em diferentes paisagens... em incríveis melodias.
Terás todos os pássaros do mundo em tuas mãos
Beija-flores... toutinegras... bem- te- vis e cotovias.
Verás em mim todo encantamento das constelações...
Áries... Sagitário... Três Marias...
Apanharás Vésper em tuas mãos... viajarás nos cometas...
Brincarás de escorregar na lua nova... te enfeitarás com poeira de estrelas...
Vem pro meu céu... vou te amar!
Só que às vezes meu humor pode mudar!
Meu azul torna-se cinza escuro
Esbravejo... relampejo...
Enfureço... me despejo...
Em torrentes de água a tudo inundar...
(É o preço a pagar para se ver novamente sementes a brotar... de outra vez o sol da paz brilhar.)
E assim sou eu, Maricell,
Por batismo... herança... poesia... paixão... loucura...esperança.
Mas em meu nome firmado, os signos formam areias de rochedos submersos e poeira de estrelas desgastadas pelo tempo...
E nestas areias teus passos ficarão... até a primeira chuva...
Até o primeiro vento... até a primeira maré as apagar.
Maricell... em "calmalências"
2-LÍLIAN MAIAL
Carioca, médica, escritora e poeta, publicou um livro de poemas em 2000 – “Enfim, renasci!”, e tem participação em dezenas de antologias desde 1999.
Autora premiada de concursos de poemas, de contos e crônicas, sendo que sua classificação com 3 poemas sobre o mar fizeram parte de uma antologia “Mar & Amor”, em 2001.
Integrante ativa do MIP (Movimento Internacional Poetrix), da qual é representante regional no Rio de Janeiro, teve seus poetrix publicados, em 2002, na “Antologia Poetrix”, com lançamentos no Ceará, na Bahia, São Paulo e no Rio de Janeiro.
Filiada à REBRA (Rede de Escritoras Brasileiras), já participou de 4 antologias lançadas pela REBRA, através da Editora Scortecci, de 2002 a 2006, com lançamentos nas Bienais do Livro de São Paulo. Filiada à APPERJ (Associação de Poetas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro).
Tem seus trabalhos divulgados em inúmeros sites nacionais e internacionais, é colaboradora de revistas eletrônicas em vários Estados do Brasil (“Click Negócios”, “Jornal ECOS – de Vânia Moreira Diniz,“Portal Blocos” – de Leila Miccolis, “Portal Maytê” – de Maria Tereza Albani, “Jornal Varginha On Line”), assim como em Portugal (“Cá Estamos Nós”), e em língua espanhola “Islas Negras”..
HP: www.lilianmaial.prosaeverso.com – http://lilian.maial.zip.net - http://lilianmt.zip.net – http://www.caraacara.blogger.com.br
e-mail: lilianmt@globo.com
Brincar com os poetas...
Para entender um poema com sabor de mel
há que brincar com o poeta.
Brincar com poetas é fazê-los ouvir as letras.
Ele escreve a palavra, mas nem sempre ouve as letras.
Para ouvir as letras, há que ser surdo de regras,
há que ser cego de nomes,
há que ser mudo de risos.
Mesmo quando vê o vazio dos dias,
a lacuna de idéias,
a maldade dos homens.
Mesmo quando rabisca no peito um soneto,
quando entoa na alma a canção,
e insiste em ver lá dentro,
solitário coração.
O poeta é um velho levado,
meio senil, meio sério, meio assanhado,
mexendo com as rimas fáceis,
sonhando com metáforas virgens.
É um idoso sem tempo,
que não solta e nem prende, somente.
Ele vira de ponta-cabeça todas as vezes que escreve.
Parece palhaço, parece parado, parece pirado.
Brincar com poeta é perigoso,
porque poeta leva tudo na ponta da faca,
na ponta da língua,
na própria palavra de dois gumes.
Poeta sonha que sonha,
enquanto diz as verdades e engole a peçonha.
Sem tempo ou lugar, poeta também gosta de brincar.
Ele brinca de estrela,
ele pisca a paleta,
ele chove no rio,
ele chora no mar,
ele pula a carniça que o verso mandar.
O poeta se esconde no pique da praça,
leva tombo nos cantos,
faz rir de pirraça.
Umas vezes é triste,
outra vez é moleque,
um tinhoso carente,
um castelo sem vela.
Ele finge que sofre,
ele mente que ri,
mas quando a noite chega,
ele olha pra lua,
ele rima comigo,
faz preces nos morros,
recosta na sombra,
que a noite é tão clara,
que o céu é tão grande,
que o sonho é tão logo,
que o sono já vem.
Brincar com poeta é conto de fada.
é cair na cilada de ver só o belo,
mas eu, a palavra, a pena e o passo,
sou mais como um trapo nos braços da fera.
Comigo é Assim
Por trás desse desdém,
dessa mania de me deixar na esquina,
tem muita coisa mal explicada.
É bem você quem não vale nada!
E eu aqui, me sentindo culpada?
Não, comigo não!
Comigo é assim:
dou o que recebo,
sou o que concebo,
sem barganha ou fiado.
Escreveu, não leu, o pau comeu!
E em minha vida, quem mata a cobra sou eu.
Meu papo já está cheio de grão
E ainda não vi a cor do milho.
Antes nunca, do que tarde demais.
Chega!
Não mais esperas,
condições,
imposições.
Sofrer, eu sofro, e daí?
Aceitar o inaceitável por migalha?
Fingir que não lambo o fio da navalha?
Tenho mais é que gargalhar da pretensão.
Foi-se o tempo do aceno e do perdão.
Agora , comigo é assim:
se não quer compartilhar,
respeitar o meu lugar,
antes só, do que sem mim.
ENFIM, RENASCI!!!
Das buscas inúteis por pastos e relvas
Das mentes inertes, sem sons, decadentes
Dos rostos sem traços, de sombras e trevas
Dos anjos noturnos, de vôos dementes.
Busquei meu abraço em portos de mágoas
E por valas e fossas meu reflexo vi
Molhei-me em regatos, cobri minhas chagas
Sem moldes, sem marcas, do sonho bebi.
Tua face, entre tantas, foi mera figura
De atores num palco, numa trama pagã
E o trabalho do mestre, eterna escultura
Doou-te, indolente, uma alma vilã.
Embriaguei-me de infindável juventude
Cicuta, alquimia maldita, vinho sagrado
Ousei sorver a vida, mergulhei no teu açude
Enfeitei-me de mim mesma, de momentos já passados.
Ergui montes de ilusões, fui santa, fui noviça
Escrevi mil bíblias de amor mais que utopia
Morei contigo em castelos de areia movediça
Fui senhora, fui escrava, sem carta de alforria.
Da minha carne, retirei teu alimento
Da minha alegria, construí teu abrigo
Da minha vontade, teu contentamento
Da minha dor, teu troféu, teu castigo.
Navegando por lágrimas, orando em simples lamentos
Houve momentos de luz, em meio ao breu do coração
Em breves lampejos de quem sou, por momentos
Reavivei a mais antiga chama de devoção.
E, enfim, renasci para dentro do corpo
Num parto difícil, solitário, ao inverso
Deixarei o cordão que nos une bem solto
Como um convite a integrar meu novo universo.
E a nova criatura de pernas e braços
Com vontades, desejos, cantares, desditas
Seguirá seu curso, sem bússola ou compasso
Como anfitriã herege de uma casa bendita.
CANTO DE AMOR N° IX
Por onde anda aquele por quem percorri mil léguas?
Aquele da palavra amena, do ombro largo e amigo, do colo quente e macio, das incontáveis cantigas, nas noites sem estrelas e sem luar?
O que tem o hálito de mato, olhos de horizonte e mãos de cais, de ancorar carinhos de espuma do mar, de acalentar madornas e acalmar tempestades.
Professor de línguas de anjos, de palavras aladas, escorregando de nuvens de risos marotos, abanando a solidão com um leque de arco-íris, afagando as cascatas negras com os dedos celestes, que guardam as revelações do destino.
O que dedilha meu corpo e lambe minhas feridas, com a ânsia dos meninos, a loucura dos desesperados, a sabedoria dos anciãos, que traduz meus sonhos e me reescreve em versos.
Aquele em quem repouso meu cansaço, e me deixo guiar na escuridão, segura e tranqüila, plenamente viva, para encontrar os segredos e mistérios da identidade nos braços da verdade.
Eu, tua metade inteira, a que te sabe de cor, a que te morde com fome, a que te alisa dengosa, a que te imprime a fotografia do encontro.
Ah! Quão suave é tua voz de pássaro em revoada! Quão doce o teu sorriso de sol e de garoa! Quão sincera é a tua mão, que se aperta à minha, eu, tua miragem, teu deserto e teu sol!
Aquele, cuja boca dita o meu dia, que me beija as dúvidas e me abraça as escolhas, cujos olhos iluminam meu caminho, sem interferir na jornada.
Eu, tua amada, a delirar esperas, a pressupor prazeres, a suportar a dor do silêncio, com a promessa da chegada, enfeitando as horas com teus humores, preservando a volúpia do vulcão em explosão, poupando tua pele de almíscar das labaredas dos meus olhares sedentos.
Abençoado filho de um jardim de virtudes, que entra por minha janela todas as noites e me observa o sono, me nutre os devaneios de malícia e sedução, e atiça as fagulhas do desejo e da entrega.
Percorre meu corpo e me conhece os atalhos, colhe meus frutos e bebe os orvalhos, pingando cheiros vorazes, que me marcam a ferro e fogo.
Eleita entre tantas, sou a mulher das tempestades, a diva dos vendavais, a dama dos horizontes, que te ordena e ordenha, que te cobra e te serve, que te morde e te sopra, que te expulsa e penetra. A que te elege entre tantos, a que te espera para sempre, a que te possui e te pare, a que te quer mais e mais a cada dia, pelo simples prazer de te saber aqui.
3-O R E Q U E N T A D O
PRODUÇÃO INDEPENDENTE/JAS/RO (37ª EDIÇÃO)
RESPONSABILIDADE EXCLUSIVA DO EDITOR
PORTO VELHO (RONDÔNIA), 07 DE MAIO DE 2007
“ANDO DEVAGAR PORQUE JÁ TIVE PRESSA. LEVO ESTE SORRISO PORQUE JÁ CHOREI DEMAIS ...”, de Renato Teixeira & Almir Sáter, em “Tocando em Frente.”
*Renato Teixeira de Oliveira (61 anos) é natural de Santos/SP; *Almir Eduardo Melke Sáter (50 anos) nasceu em Campo Grande/MS. Teixeira e Sáter são compositores e cantores de prestígio.
CONVITE À REFLEXÃO
Ulysses Guimarães
“... Política não se faz com panelinhas, pois ela não é um privilégio de poucos, é um direito de todos. A Política é filha da consciência, irmã do caráter, hóspede do coração. Eventualmente, ela pode até ser açoitada pela mesma cólera com que Jesus Cristo - o político da Paz e da Justiça - expulsou os vendilhões do Templo. Nunca com a raiva dos que têm fins, mas não têm princípios; dos que confundem autoridade com autoritarismo; dos que são fortes com os fracos e fracos com os fortes; dos transgênicos governistas de ocasião. Sejamos fiéis ao evangelho de Santo Agostinho: ‘Ódio ao pecado, amor ao pecador’. Quem não se interessa pela política, não se interessa pela vida...” Em “www.nossosaopaulo.com.br”
*Ulysses Silveira Guimarães (1916/1992; Rio Claro/SP). Em tempos de falência múltipla da ética. Em tempos em que os homens não possuem o Poder, mas o Poder é quem os possui, o Dr. Ulysses (PMDB/SP) “é uma saudade a mais e uma esperança a menos” - como na bonita canção antiga. Um belo orador constante e um nada feio poeta bissexto, o superior paulista foi advogado, professor de Latim, deputado estadual, deputado federal, ministro de estado etc;* Santo Agostinho (354/430) nasceu em Anabá na Argélia(África). Ele foi filósofo e doutor da Igreja. Escreveu “Confissões” e “A Cidade de Deus” etc. /*Vendilhão do Templo (hoje) = quem, em proveito próprio, explora a boa-fé alheia; *governista de ocasião = quem sempre está com o governo (qualquer governo); *homem (sentido amplo) = ser humano; *poeta bissexto = quem, de vez em quando, faz poesia.
TIRO PELA CULATRA
Em 1955, disputavam a Presidência da República, Juscelino Kubitschek - Diamantina/MG - e Juarez Távora - Jaguaribe/CE. Naquele ano (11 de julho), durante a madrugada, um quinteto de intelectuais boêmios estava sentado a uma mesma mesa do Bar Querubim, João Pessoa/PB. Conversa vai e cachaça vem - e vira-e-mexe de copos.
“ - Juscelino (PSD/MG) é um homem de pensamento, palavra e obra. Tem a estatura de Chefe de Nação. Juarez (UDN/CE) é um militar, aliás, um grande militar. Nada mais. Sucede que Juarez é nordestino como cada um de nós, aqui, presente. É melhor a prata da casa do que o ouro de fora. Devemos votar em Juarez.” Assim, regionalisticamente, tomou sua decisão eleitoral (e buscou conseguir que os seus parceiros de farra lhe seguissem o “exemplo”) o paraibano Mário Santa-Cruz.
“- Seu argumento só serve para imbecil.” Rebateu, numa etílica lógica nacional, Aprígio Manjericão - integrante da mencionada bebedeira porreta (e põe porre nisso).
“- Então meu argumento serve para você.” Passou o recibo, com a mesma “elevação” alcoólica de Majericão, Santa-Cruz. Em “Domínio Público”. / Em tempo: Juscelino Kubitschek venceu a eleição acima.
*Irmão do comediante José Santa-Cruz, o Jojoca, Mário Santa-Cruz, 1931/2001, “veio ao mundo a passeio. Não, a negócio” (a expressão é alheia). Culto, espirituoso, advogado, bebia muito e fumava muito mais (não deixava “serviço” pela metade), Mário fazia parte da paisagem humana de sua terra: João Pessoa, PB; *Juscelino Kubitschek de Oliveira - 1902/1976 - era médico; *Juarez do Nascimento Fernandes Távora -1898/1975 - era marechal do Exército. / *Domínio Público = de quem interessar possa.
FATOR DE RISCO
Giovanni Falcone
“Quando a delinqüência conquista o Judiciário, o magistrado se confunde com o marginal. O Juiz não deve esquecer a sábia lição de Albert Schweitzer: ‘Dar exemplo não é a melhor maneira de influenciar os outros. É a única’.” Em “www.ibgf.org.br”
*Giovanni Falcone (1939/1992; Palermo/Itália). Falcone era juiz. Ele foi assassinado pela máfia italiana da Sicília; *Albert Schweitzer (1875/1965; Alsácia/França). Schweitzer foi médico, filósofo, teólogo e músico. /* Magistrado= juiz, desembargador e ministro de tribunal.
PEGAR NO PESADO
Gustavo Fruet
“Para ser digna do nome, a oposição deve ser igual a um sutiã: oprimir os grandes, proteger os pequenos e levantar os caídos” - em “Veja” (04/04/2007). / *Gustavo Bonato Fruet (44 anos) é paranaense de Curitiba. Deputado federal (PSDB/PR), Fruet é um bom fruto das últimas safras tão más de parlamentares.
NINGUÉM MERECE
Barão de Itararé
“PARA O POLÍTICO BRASILEIRO, A VIDA PÚBLICA É A CONTINUAÇÃO DA PRIVADA.” Em “Máximas” (edição esgotada). /*Barão de Itararé (1895-1971; São Leopoldo/RS). O gaúcho, que traduz tantas saudades, chamava-se Aparício Torelly. Esse homem, não vai longe, foi um gigante do Humor e do Jornalismo brasileiros. / *Máximas= provérbios.
A CORES X EM CORES
Luiz Antônio Sacconi
Alice tem uma televisão a cores (errado). Alice tem uma televisão em cores (correto).
Explicação substituem-se cores por preto e branco. O que resulta? Surge o EM, a saber: Alice tem uma televisão em preto e branco.
EM “1000 ERROS DE PORTUGUÊS” (NOSSA EDITORA; São Paulo/SP, 2002). Fone: 0XX11.3131.1625.
ECO DA PRÓPRIA VOZ
Rio de Janeiro (Distrito Federal), 17 de agosto de 1954. Carlos Luz/UDN/MG - Presidente da Câmara Federal - com a palavra o deputado, Carlos Lacerda, UDN/RJ:
“- ... A tentativa de homicídio, de que fui vítima, à Rua dos Toneleiros, na Cidade Maravilhosa, foi cometida pelas mãos assassinas da Guarda Pessoal do Presidente da República. É verdade. Verdade também o é que a iniciativa do covarde crime contra mim, melhor diria, contra a Democracia, partiu de Sua Excelência, Getúlio Vargas (PTB/RS), com cujo Governo se tornou urgente acabar antes que este Governo acabe com o Brasil ...” Discursava, com seu grande talento e com sua pequena alma, o orador.
“- Pela primeira vez, ouço, no respeitável plenário desta CASA, o latido de um cão.” Bradou, no microfone de apartes, Aristeu Alpendre - deputado federal (PTB/SE) e getulista de carteirinha.
“- A ser verdade, nobre deputado Alpendre, Vossa Excelência está ouvindo o eco da própria voz.” Devolveu, com o mortal veneno de sempre, Lacerda.
Villas-Bôas Corrêa, em “Conversa Com a Memória” (Editora OBJETIVA LTDA; Rio de Janeiro/RJ). Fone: 0XX.21.2556-7824.
*Carlos Coimbra da Luz (1894/1961; Três Corações/MG). Luz era advogado; *Carlos Frederico Werneck de Lacerda (1914/1977; Vassouras/RJ). Lacerda era jornalista; *Getúlio Dornelles Vargas (1882/1954; São Borja/RS). Getúlio era advogado; *Aristeu da Silva Alpendre (1920/1995; Avestruz/SE). Alpendre era médico./*Cidade Maravilhosa= Rio de Janeiro (capital); *DF=Distrito Federal (Capital da República).
“FOI ELE, SIM, SATANÁS
QUEM INVENTOU SOLIDÃO”
Em 14 de junho de 1980, realizou-se um festival de cantoria de viola em Juazeiro do Norte (CE). Juazeiro, a terra adotiva do padre Cícero Romão Batista. Juazeiro, a terra natal de José Wilker de Almeida (59 anos). José Wilker, uma referência da Televisão, do Teatro e do Cinema.
No evento em foco, caiu, para a dupla - Zé Vicente e Antônio Lamparina - o mote: “FOI ELE, SIM, SATANÁS / QUEM INVENTOU SOLIDÃO.” Vicente disparou:
“Quando bate a saudade
Duma pessoa querida,
Dá-se um vazio na vida,
Tem-se aflição de verdade.
Ninguém suporta a metade
Da dor do meu coração,
Lembrando o aceno de mão
Do amor que não voltou mais.
Foi ele, sim, satanás
Quem inventou solidão.”
Em “AO SOM DA VIOLA” (Geraldo Amâncio) & “NORDESTE CABOCLO” (Carneiro Portela).
Os imperdíveis programas acima vão ao ar, nos domingos, das 9h30 às 11h, horário de Rondônia, pela TV DIÁRIO (Fortaleza /CE). *Geraldo Amâncio (Fone: 0XX85.3228.1356); *Carneiro Portela (0XX85.3228.9215). / *Padre Cícero Romão Batista, 1844/1934, era cearense do Crato. O Cratinho de Açúcar na incomparável voz do Gonzagão; *Zé Vicente = José Vicente do Nascimento (85 anos; Pocinhos/PB); *Antônio Lamparina (1910/1998; Areia/PB); *Gonzagão = Luiz Gonzaga do Nascimento (1912/1989; Exu/PE). /*Cantoria de Viola = fazer, de improviso, versos ao som da viola.
COISA DO AMOR
Anésio Leão
“Certa feita, indago, com ironia,
A um bêbado que cambaleia pela praça:
‘Que prazer tu encontras na cachaça
Que não ficas sem beber um só dia?’
Fita-me grave. Neste instante, passa,
Pela alma do ambiente, uma agonia ...
O ébrio responde numa pergunta fria:
‘Não haverá felicidade na desgraça ?
E eu era noivo’, diz. ‘Eis que CRISTO
Levou, pro Céu, a minha noiva.’ Nisto,
Como se lhe cravassem mil punhais,
Solta um grito, que se desfaz em pranto,
E chamando por Elsa (a quem amava tanto)
Entra no botequim pra beber mais.”
Benedito Maia, em “Universidade do Ponto de Cem Réis” (Editora UNIÃO; João Pessoa, PB). Fone: 0XX. 83. 3222.4438.
“Neste mundo, eu choro a dor/ De uma paixão sem fim ... /Quando, lá no céu, surgir/Uma peregrina flor. /Pois todos devem saber/ Que a sorte me causou/Foi uma grande dor... /Esta dor que me consome./... Vou partir pra bem longe daqui/ Já que a sorte não quis/ Me fazer feliz.” Em “Saudade de Matão” (Canção), de Jorge Galati & Raul Torres; * Autoditada, Anésio Leão era gramático e professor da Língua Portuguesa. Anésio nasceu em Patos (PB). Viveu e morreu em Campina Grande (PB) e por Campina Grande(PB). Nesta cidade, o ilustre patoense realizou uma imensa obra silenciosa. Obra que marcou uma época. Época que não lhe pertence mais. Época, no entanto, que assumiu o compromisso de perpetuar o nome do saudoso mestre; *Jorge Galati (1885/1975; Catanzaro/Itália); *Raul Torres (1906/1970; Botocatu/SP). / *Feita = vez; *grave (no texto) = seriamente triste; *autodidata = quem aprende por esforço próprio,isto é, sem ajuda de professores; *patoense = filho de Patos (PB); *patense = filho de Patos (MG).
ATENÇÃO: Nenhuma notícia é originária deste “boletim”. Ele só a reedita. Donde, o nome dele: “O Requentado”. O esclarecimento de palavras não comuns se deve à popularidade (on-line) que este jornaleco - surpreendente e imerecidamente - conseguiu. Que perdoem os letrados. Fones: 0xx69. 3216-3775; 0xx69.3222-4739; 0xx69. 9981-4173. “E-mail”: jackson@mp.ro.gov.br
4-TERESINKA PEREIRA
NOSTALGIA
Nem todos os males
podem ser curados
pelo tempo sozinho.
Há que tecer nas veias
um sangue novo
para esquecer o amor
que ficou seco, sem resposta
e que veio trazer a sede
desta nostalgia
que me cresce na garganta
com a solidão.
SE VOU EMBORA
Se vou para sempre
deixo contigo este poema
feito na tormenta
a luz de um relâmpago
que me cegou os olhos.
Mas não vou só.
Carrego em meu peito
esta falta de crença
no céu e na terra.
Deixo-te um deus
existente em teus jogos
de ser bom, de amar a todos
inclusive aos humanos.
Andarei rápido, sem limites,
levando no corpo a cicatriz
embora te deixe nas mãos
a ferida de meu destino.
O Espetáculo
ou
O Castigo
Tanta gente para ver
a vertigem deste vôo,
o principio da tortura
e os gritos fascinantes
que os atores projetam
na frente do cenário.
O castigo e' a utopia
que persegue nossos inimigos.
De minha parte me limito
a dar minha quota de olvido
multidimensional
neste espaço mínimo
onde as palavras
se quebram como cristais
e o pensamento
e' o nosso pior verdugo.
AUSENTE
"A escritura e', originalmente,
a linguagem do ausente."
Carlos Fernandez
Aprendi a estar presente
sem abalar o ódio
do sagrado vicio de um pais
que vai se deixando levar
pela fé alheia.
Tenho sido voluntária do acaso
e agora, no rincão da noite
entrego-me ao poema
dilatando a longitude do tempo.
Antes eu sabia recorrer
este quarto como se fosse
a rua de uma cidade vazia. Mas
agora o poema me deixa nua
quando penso em teus olhos.
MUDANÇAS
É muito difícil
re-inventar a vida.
A gene sempre carrega
nos ombros
a natureza de nossos erros.
Os que falam deles
ajudam a mudar
a vida dos outros.
5- DOROTY DIMOLITSAS
Nossa querida poetisa, que nos alegra diariamente com suas poesias nos nossos recados do orkut.
Nascida no Acre em Sena Madureira.
Criada em colégio de freiras
Trabalhou e se preparou Profissionalmente no 5º Batalhão de Engenharia e Construção
Em Porto Velho Rondônia. ( Atuando na área de Saúde )
Estando presente na construção da cidade de Vilhena
Vindo para São Paulo em 69
Prestando concurso para o governo federal ( hoje aposentada.)
Prestando serviço no Hospital Brigadeiro Em São Paulo
Laboratorista com vários cursos de especialização em Hematologia
Bioquímica, Hemoterapia, Citologia e Citoquimica. Bacteriologia
Também com Curso de Puericultura e Educação Sanitária.
Participou de varias atividades nacionais de vacinas contra a poliomielite fui membro da Cipa.
Com estagio
Em Analise Clinica
Na Faculdade de filosofia Ciências e letras de São Paulo.
Trabalhou também no Hospital Ipiranga no Período de epidemia de meningite
Atuando ativamente na elaboração de exames para definição da meningite.
Minha homenagem para São Paulo
Falar de São Paulo
Falar de São Paulo é falar de amor.
Amor maduro
Paginas e paginas de vidas
Escritas na historia dessa cidade.
Que começou uma pequena vila
Com ruas estreitas e poucas casas.
Por obra e graça do Padre José de Anchieta e Manuel da Nóbrega
Foi crescendo, tomando forma, adquirindo proporção.
Hoje é quase uma nação.
São Paulo tem problemas sim,
Ruas alagadas, buracos de metrô,
Trânsito infernal até problema de trafego aéreo.
Mas todos sabemos que São Paulo também tem
Uma Avenida Paulista com toda sua imponência e importância
Que daqui é administrada a maior economia do país.
É um dos pontos turísticos da cidade, sua grandeza diferencia
São Paulo das outras cidades do Brasil
Temos também uma Casa das Rosas
Preparando poetas para todo Brasil
Um centro comercial dos melhores
Escolas, bancos e faculdades muito boas
Então eu pergunto
Como deixar de te amar São Paulo?
SABOR DE AMOR
Tantas abelhas,
Beijando as rosas vermelhas,
O beija-flor passou e seu néctar semeou.
A abelha recolheu,
E levou para colméia...
E o amor transformou em mel
Só para você sentir
O sabor do amor
Que a flor mandou
Natureza
A natureza é linda
Observando com cuidado,
ficamos encantados
com o que a natureza
nos proporciona.
Um arco-íris sobre a água,
as flores nas montanhas,
as palmeiras se erguendo,
balançando ao vento,
parecendo cabelos longos.
O barco que passa ao longe
refletindo solidão.
Pequenos animais
insinuando
uma linguagem própria.
A lua no final da tarde,
com o reflexo de luz
sobre a água,
é um convite à oração.
Pássaros coloridos,
imponentes.
A mãe alimentando
os seus filhotes.
Sol poente
com sua cor radiante de luz,
parece querer dar
um beijo ardente na água.
A cascata que
como um véu de noiva
exibe sua beleza,
o verde na água mostrando
os peixes de lá para cá
que insistem em se exibir
para a natureza.
Sem falar dos golfinhos
treinados,
e sua forma inteligente,
em perfeita sincronia
os cavalos-marinhos,
botos, e outros inúmeros animais.
Precisamos preservar a natureza!
6-POESIAS
MÁRCIA LEITE
Tarot
A busca da poesia me desfaz
em múltiplas facetas sobre a mesa
nada me compõe quando persigo
a palavra que dirá o pensamento
me desfaço em lâminas
minuciosamente observadas
através de microscópio cósmico
o único permanente em mim
é o místico.
THEREZA CHRISTINA ROCQUE MOTTA
Me acostumo a tua ausência
como à dor.
Um mar de conchas
se instala onde habito
sem sargaços
sem paisagem marinha
que o vislumbre.
Me acomodo à falta
como um oco.
Largas sendas
amplos desertos
um nada uníssono e bravio
sem oásis
sem vento
que o devasse.
Me moldo ao silêncio
como uma nave.
Janelas, pórticos, enseadas,
narizes aduncos,
rostos marcados de passado
sem dia
sem noite
que os aliviem.
Se florestas houve
se o mar não há
e o visgo das sementes
se interrompe,
nêsperas, tâmaras, olivas,
orquídeas falhas deitam-se
entre teus lábios
e despertam.
ELIAKIN RUFINO
mosquito da malária
hoje quem defende a amazônia
é o mosquito da malária
se não fosse esse mosquito
a floresta virava palha
salve salve salve ele
viva sua febre incendiária
o maior ecologista da amazônia
é o mosquito da malária
não adianta sucam
jogar ddt na sua área
super-defensor da amazônia
é o mosquito da malária
CECÍLIA FIDELLI
HOMENS
Uns a gente ama
com o coração.
Outros, a gente descreve,
com dados precisos.
SILVÉRIO RIBEIRO DA COSTA
INCOMPREENSÃO
Não entendo muito
o mundo dos outros.
No meu, vou sendo
eu mesmo.
No mundo dos outros,
sigo só (vi)vendo,
Não sei porquê...
Talvez seja
porque não me vendo!
NEIDE BARROS RÊGO
DESCOBERTA
Trago-te versos, sonhos concebidos,
nascidos bem no fundo do meu ser.
Lá dentro, eles dormiam esquecidos,
esperando o momento de nascer.
Por certo estavam eles escondidos,
guardados, sem eu mesma perceber.
Tocaste suavemente os meus sentidos
com palavras, mostrando o teu poder.
Vieste na minha alma remexer,
fazendo o que era noite amanhecer,
acordar, descobrir em mim a esteta.
Despertaste, num golpe de magia,
aquilo que nem mesmo eu conhecia:
que eu também poderia ser poeta.
LARÍ FRANCESCHETTO
TORMENTAS
Negras ondas nos jogam
aos rochedos das horas,
de nós mesmos ficamos órfãos
longos dias, noites imensas.
Ah! Pobres presas.
As mãos sangram,
colhemos lições
na cinza das flores mortas.
Facas são trilhos
no universo de tantos caminhos,
amanhece.
As mesmas ondas vão embora,
o mar se acalma,
sobre(vivemos)
até outra tormenta.
Há fotos de pássaros mortos
por onde andamos,
donos de nada somos
nem de nós mesmos.
LUCIANA PESSANHA PIRES
Grão
Apenas grão
semente explodindo
querendo trigo
delito
no tempo
do não
Apenas grão
habitando o
desejo
de ser
Bovary
Em outros tempos
Apenas grão
carícia
premeditada
fitando
o dia
em milagre
ONNA AGAIA
Imigrar e ser mais um chicano
da conexão Manhattam?
Não! aqui nunca terei um Nobel, um Oscar
e pro mundo, como não jogo futebol,
sempre serei um reles fulano
Em compensação posso ser inimigo do rei
e não tenho que defender o pinto
do presidente Bil Clinton
e nem tenho que aparar
galhada de primeira dama
Aqui nada disto conta
já que o do nosso presidente
nem sequer levanta
mas redistribuir a renda
e educar o povo
é deixar em pé os ovos
que a miséria bota deitados
pra chocar sob nossos olhos.
JORGE DOMINGOS
BLUE EYES BALADA
Conhece SACHA MIKALCHENKO?
Ele nasceu em CHERNOBYL,
no Tempo da Tragédia...
É um menino louro,
de olhos azuis
da cor de Mar Despoluído,
Mar Virgem de Detritos Humanos.
Seus olhos parecem
os de um Gato Filhote
quando vêem, pela primeira vez,
o vôo da Mariposa Branca.
Esse garoto tem três anos...
SACHA MIKALCHENKO
nasceu sem o braço direito.
E muitos pensarão: “Mais um canhoto”.
Talvez ele desenvolva o dom
de só fazer coisas bonitas
com esse braço esquerdo.
Ou, quem sabe, ele conseguisse
esboçar uma tela
a Alma dos Culpados por Tragédias...
mas certamente não haveria no mundo
tinta negra suficiente.
Eu não condenaria
SACHA MIKALCHENKO,
se soubesse que ele é odiado
pelas meninas russas
porque arranca os braços direitos
de todas as bonecas...
LUIZ DE AQUINO
Ao imortal caído
Para Bernardo Elis
Falarei às rochas inertes das cachoeiras,
ao pó vermelho dos barrancos
e às águas borbulhantes dos rios inquietos.
Minha voz ferirá o tímpano das árvores
e ecoará no brilho efêmero da caliandra,
ouvirei histórias de lavadeiras, casos muitos
de soldados e putas, bênçãos de mães ingênuas,
prendas de mãos sofridas.
Lembrarei imagens rançosas
de sábados festivos e domingos preguiçosos.
A fuligem dos fogões da infância
forrará de silêncio uma lágrima teimosa
e farei um verso besta qualquer
que não fechará poema algum,
não abrirá a porta dos sonhos
nem me fará amigo dos poderosos
de cobre e de mando.
Serei farto também de odores saudosos,
como o das frutas maduras
preparadas para o tacho em que ferverá o doce
(alguma voz de pai, severa e grave, dirá de carinhos
mas não será para um filho distante, ausente ou triste).
Haverá na lembrança o odor das fêmeas,
o odor químico das perfumarias e o mágico
dos frascos artísticos, mas haverá ainda
o odor onírico do desejo
em que um misto de doce e de acre
excita a carne do macho.
Noites tediosas das amplas cozinhas
à luz do borralho antigo:
Criadores de sonhos e imagens;
fazedores de casos contados em roda,
poetas não agem senão na essência inibida
dos viventes pensantes.
Tudo é forma de se construir saudades.
JUREMA BARRETO DE SOUZA
Retalhar-se
cantando bem aventurânsias
só a dor coloca no lugar
as palavras.
Adrenalina e ira
um corpo vagando entre tudo.
Alimenta a poesia
o contato
de meus lábios de fúria
ciúmidos.
É disso que ela gosta
laço e doma.
Retalhar-se
e encontrá-la
acuada entre as solidões
ainda pulsante, ainda paixão.
TOM ZINE
POEMA COMO MOTE PARA SOLIDÃO SEM FIM
Os tubarões andam se alimentando de surfistas.
Aquele navio asiático permanece ancorado
com porões cheios de carne estragada.
Tenho medo, Mamãe, do Canibal de Milwaulkee.
Tenho medo do assassino que mata casais na praia.
Tenho medo de ser torturado por policiais
por causa do beijo que dou em meu namorado.
Tenho medo de ser currado por eles.
Cobram caro pelo flagrante de um abraço.
Não temos glória, Mamãe.
Só uma luta infinda.
Pedradas. Imprecações.
Eles não nos aceitam, Mamãe, só suportam
nossas cores, nossas gargalhadas,
nossos falsos decotes, nossos quadris, peitos e
bundas
de silicone e anabolizantes.
Mas somos mais desaforadosque eles, Mamãe,
Porque não podem nos eliminar a Todos.
RODRIGO DE SOUZA LEÃO
Olho
Em cada bispo
Um olho no chapéu do olho
Rosário em cada mão
Um chapéu com olho de pato
Um pato com sapato
A cata de cacos de vidro
Bicando o meio fio
A cata do que comer de fato
VIRGÍNIA VENDRAMINI
DEPOIS DO ÉDEN
Serpentes e serpentinas
Se enlaçam e se embaraçam
Eva se repete
Em cem mil faces
Festivamente
Sob chuvas de confetes
Serpentina e adrenalina
Incoerência e inconseqüência
O que foi feito da Sabedoria?
Ou a maçã estava verde
Ou Eva comeu a fruta errada
JANETE CORTEZ
VENTO
Tomei emprestado esse vento
que o tempo esconde da vida.
Esse vento milenar que sopra
desde a cordilheira até o mar alto
e que me leva, leve, livre,
pássaro de mil faces e cores
mas de um só coração; ETERNO...
MARYNÊS BONACINA
Ônibus
No final da tarde,
Em qualquer ônibus,
Diferenças e semelhanças nos aproximam.
Eu, movimento, direção.
Você, o bilhete de entrada.
Eu, lembranças e poesia.
Você, o grito da parada.
Eu, idéias, espírito e carne.
Você, matéria crua, ferro, vidro.
Eu, chegada incerta.
Você, parada certa.
Eu sou pó, no fim da caminhada.
Você, muita poeira na estrada.
SANDRA RAVANINI
Poema de areia
Cadeira azul e desconfortável, parede branca e alta
oprimindo a gentalha que não fala. Senhora da saia
florida, saia da frente desta muleta que ora lhe vaia
e vaia o chão, pranteia o mosaico à linha sem pauta.
Cadeira de rodas tem sede? Não, diz um bebedouro
quebrado soltando tal eco, gargalhada de ar no roto
negro dos aros que fala a todos dos contos do esgoto
e às memórias de madeira deste vivente logradouro.
Mulher dos estranhos odores, que semblante é este?
É a flacidez de tantos filhos e mais quantos abortos,
é a infecção corroendo este útero doente e tão solto?
É solidão, árido castelo da princesa, pó do Nordeste!
Então, um obelisco estandarte acena o pálido cartaz,
ele mal sabe falar e com uma Bíblia nas ávidas mãos,
prega um confuso evangelho para os falidos irmãos;
...dizendo ao mundo do fim, que já é chegada à paz?!
MITSUKO KAWAI
I
Deixou gravado
Nos olhos um fulgor de fogo
Que consome num instante
Estrela incandescente
Desaparece no espaço
Como se fosse
Um sonho impalpável
Desaparece distante
Arco-íris que coloriu
O céu de verão
II
Quanto sinto
Nostalgia do amigo distante
Revive no meu ouvido
A voz que sussurrou
As palavras de despedida
Parece que
Ouço a voz
Quando leio e releio a carta
Do amigo que chamou de longe
Atravessando várias fronteiras.
MARINA DE FÁTIMA DIAS
No papel
Flores pequeninas...
Suave decoração
Deixo em suas linhas
Flores da inspiração
São meus versos
Ornamentos do coração.
ANA MARIA ROSATTO SERVELHERE
A Questão do Não Ser
Nesta vida fui de tudo,
Fui mendigo, vagabundo,
Fui menor abandonado,
Adulto explorado,
Político exilado...
Fui criança sem escola
No vício de cheirar cola...
Fui a mulher desamável,
Na força, discriminada,
Viúva, mal aposentada,
Prostituta explorada...,,
Fui no ventre do pecado
O aborto condenado...
Nas longas horas da noite,
Faminto, sofri o açoite
Da desnutrição que consome
As energias de um homem....
Enquanto ladra a matilha
Passa a caravana, faminta....
Das calçadas fiz abrigo
Perambulando, perdido
Tive meu crânio esmagado
Entre o lixo amontoado...
Passageiro das ruas, ao léu,
Fui catador de papel...
No leito de um hospital
Conheci a dor mortal
No cárcere da prisão
Visitou-me a solidão...
Parceiro constante da dor,
Da maior delas - o desamor...
Excluído, analfabeto,
De todo e qualquer projeto
Herdeiro só da esperança
Das santas bem-aventuranças...
Cheguei sempre tarde na vida:
- A vaga já foi preenchida!
Esta dura questão do não ser
Será tributo ou sina?...
Mas, se é de livre arbítrio o viver
Como é que fica... a chacina?!?...
MIGUEL BARBOSA
A Distância
pássaros
mulheres de virtude com asas
deuses flutuantes de petróleo
barcos de plástico
voam
candeeiros ninfas e posses esquecidas
que se acendem e apagam
voam
entrando pela janela
da minha mansarda
só eu não vôo
limito-me a meter os pés
no éter sagrado do Ganges
e a sonhar na distância
a eternidade que beijo
nos lábios do teu ventre.
JACKSON SALA
ZONA ERÓGENA
A zona erógena dos
poemas concebidos
manifesta-se
perpendicularmente
ao centro gravitacional
das idéias,
uma vez que os
orgasmos literários
sempre ocorrem no
ápice do contato
e troca de carícias
entre a imaginação
e a realidade
PAULINHO TAPAJÓS
BAILADO
Como surgisse um colibri e assim
Bailasse as asas doces sobre mim
Como se eu fosse flor de algum jardim
Como se eu não tivesse fim
Como se eu fosse um pôr de sol de mel
Como se em meu lençol coubesse o céu
E um sabor de loucura melado e água pura
Mistério ou mistura de nós dois
Como se fosse a embriaguez total
Guardasse todo o bem e nenhum mal
Como se fosse o irreal
Sem princípio ou final
Como surgisse um colibri e assim
Bailasse as asas doces sobre mim
Como se eu fosse rosa ou alecrim
Beijasse um anjo querubim
Como se ouvisse o som de um madrigal
Cheirasse a chuva pelo matagal
Coração de arvoredo verdade ou brinquedo
Desejo ou segredo de nós dois
Como surgisse um colibri e assim
Bailasse as asas doces sobre mim
Como se fosse o irreal
Sem princípio ou final
ZHANG ZHI ( EL DIABLO )
O SONHO DE POLICIAR O MUNDO
Vendo um coração
Ou uma bala de plástico
Balançando como carne de canhão
A gente não sabe
( Realmente não sabe )
Se joga a raiva inutilmente
Na cara do ditador
Ou no imperialismo !
Os mísseis voam caoticamente
Como fogos de artifício
( Como um punhado de estrelas )
Ou deslumbrantes poemas...
-
Os USA e o Reino Unido
Grandes poderes atacam
Bombardeando desvairadamente
Sobre Bagdá...
A este ponto, Sr. Diabo
Como uma mosca sem cabeça, ninguém
Podia imaginar a destruição, o fogo,
As bombas, o sangue e os corpos
Queimados na terra do Iraque...
Tradução : Teresinka Pereira, Ohio, EUA.
TONHO FRANÇA
Morto
Pelas dores que não são minhas
E me afligem.
Pelo gosto de desgosto e fuligem.
Pelo amargo da mão mesquinha
Por tudo que esconde as estrelas
E tanto me desalinha.
Aos versos inquietos e covardes,
Aos apelos fracos e sem sons,
Aos que morrem toda tarde,
E viram anjos ou demônios de néon.
Pela insanidade de hoje, eu te perdôo.
Pelo choro de amanhã eu te condeno,
Pela mesmice do caos eu te suplico,
Daí a mim do meu próprio veneno.
7-MARCOS SOUZA
O mais influente disco da história da música pop completa 40 anos
Superlativos, unanimidades burras, controvérsias em fóruns, esmero nas inflexões impostas pelos fãs ao se referir ao famoso álbum dos Beatles, mas é difícil alguém que goste da banda de Liverpool (UK) ficar incólume ao disco “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”, que completou no dia 1º de junho quarenta anos em que foi lançado na Inglaterra.
Oitavo disco da discografia dos Beatles, “Sgt. Pepper’s...” é citado por grande parte da crítica especializada como o mais influente e melhor trabalho fonográfico da história do rock. Repetindo: da história do rock.
Eu tinha 15 anos quando resolvi comprar o disco pra entender os excessos de adjetivos positivos e hiperlativos que para mim pareciam ilações espaciais, beirando o fanatismo, esperando compreender o fenômeno do álbum. Esperava, na minha vã ingenuidade, reconhecer os sons revolucionários, as músicas que deveriam ser inéditas aos meus ouvidos. Que decepção, eu conhecia praticamente todas as músicas e elas soavam déja vu puro. Enfim, ouvia, ouvia e ouvia repetidas vezes as faixas e ficava procurando a tal revolução, confesso que apenas “A Day in the life” me parecia absolutamente genial, como acho até hoje. Mas..
Bom, mas aí na minha santa e ingênua adolescência, claro foi pesquisar mais afundo do que se tratava a tal revolução. Surpresa! Cara, não existia revolução, ao ouvido mais apurado, havia revoluções, transformações e sensações incríveis, e aos olhos mais vívidos a capa do famigerado álbum, com aquela amalgama de rostos famosos por trás dos quatro cavaleiros de Liverpool, paramentados de integrantes da banda do Sargento Pimenta, havia um ícone que sagraria interpretações fantasiosas, estudos gráficos laboriosos e busca de mensagens misteriosas, símbolos que estariam ocultos e que revelavam fatos inusitados dos bastidores da banda mais famosa do planeta.
Mas seria fácil jogar adjetivos e acentuar a aura mítica do disco, com produção complexa e esmerada de George Martin, e a entrega dos integrantes da banda, principalmente Paul Mcartney e John Lennon, recheados de idéias e com maquinações incríveis para levar o som dos Beatles a um estágio novo, inédito em todos os sentidos.
Paul já havia dito que “Sgt. Pepper’s...” era uma resposta a outro genial disco, “Pet Sounds” (1966), dos Beach Boys – e este já era uma resposta do gênio Brian Wilson, principal compositor do B.B., ao maravilhoso disco “Revolver” (1966), dos Beatles -, e por isso mesmo tanto ele, Paul, quanto John buscavam avançar para uma esfera além no conceito de técnicas de gravação sem precedentes até aquele momento. E conseguiram.
Gravado em 129 dias com cerca de 700 horas de estúdio, foi lançado em 1º de junho de 1967 na Inglaterra e no dia seguinte nos Estados Unidos. O disco é precedido de muito disse-me-disse na imprensa da época, principalmente quando a banda decidiu não mais realizar shows ao vivo e se dedicar somente às composições e gravar discos. Muitos deram como certa a decadência do grupo, o que foi contrariado com esse álbum. O incrível é que por se tratar de um disco de difícil elaboração, com as faixas tocadas sem intervalos, como uma suíte ininterrupta, eles criaram o álbum conceitual, antecipando o que as bandas de rock progressivo utilizariam comumente anos mais tardes. Ainda assim conseguiram vender 11 milhões de cópias só nos Estados Unidos.
As influências que fizeram à cabeça dos quatro músicos comportavam uma série de instrumentos exóticos, além de sonoridades atípicas e muito particulares para ser colocada em um repertório de rock, com direito a orquestrações, instrumentos hindus, gravações tocadas ao contrário, sons de animais e estilos que variavam do rock à baladas, do jazz e música oriental. Tudo inserido em uma unidade sonora bem distinta e inspiradora.
As revoluções que citei acima se encontravam nessa junção de instrumentos gravados, com superposições de arranjos e orquestrações que davam a sensação de que o disco soltaria da agulha sem mais nem menos. A seqüência das 13 canções que integram o disco é perfeita. Para cada música existiam inspirações variadas e sonoridades diferentes, absolutamente inéditas para a época. Ou seja, o que me faltava compreender como funcionaria essa propalada revolução alardeada pelos críticos especializados.
Compreendi no exato momento em que as técnicas de gravações desenvolvidas para o disco, assim como o uso de recursos criativos na composição, como a nota orquestrada na música “A Day in the Life”, que dá a sensação de um som que inicia como o ranger de uma tumba sendo aberta até um grito denso propalado em uma câmara de eco, saltaram aos meus ouvidos e pude distinguir a real importância daquele oitavo álbum dos Beatles.
São particularidades sonoras, seja no uso de vocais, no andamento das músicas, que depois foram absorvidas posteriormente por outros artistas e que serviu de inspiração para estilos que surgiram depois, como rock progressivo, o hard rock, a ambient music (do mago Brian Eno, ex-tecladista do Roxy Music), etc.
Ou seja, os Beatles de novo haviam “reinventado a roda” da música pop, jogaram fora de vez os terninhos, os cabelos arrumadinhos, o “iê-iê-iê”, as articulações do pop fácil (que eles faziam de forma genial) e deram ênfase à sua psicodelia, experimentações lisérgicas, ultrapassaram os sentidos e refletiram um novo tempo de transformações não só na música como no comportamento social de sua época.
Por isso eu aprendi e compreendi que “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” é realmente um disco revolucionário e genial. Ainda hoje inovador.
Para estender ainda mais os superlativos que acompanham esse disco, segue abaixo algumas curiosidades que colhi no site Wikipédia.com:
SOBRE A CAPA
O álbum não só se destacou pela música mas também pela capa. Os Beatles foram fotografados por Michael Cooper vestidos como sargentos diante de colagens de rostos de pessoas famosas que o grupo admirava na época, trabalho esse feito por Peter Blake. Foram selecionadas 70 pessoas entre artistas de cinema e televisão, políticos, músicos e escritores. Entre eles Marlene Dietrich (atriz), Bob Dylan (músico), Sigmund Freud (médico psicanalista), Aleister Crowley (escritor e ocultista), Edgar Allan Poe (escritor), Karl Marx (filósofo e economista), Oscar Wilde (escritor), Marlon Brando (artista), os comediantes Stan Laurel e Oliver Hardy (conhecidos como a dupla Laurel and Hardy), Marilyn Monroe (atriz), Shirley Temple (atriz) e Stuart Sutcliffe (antigo baixista dos Beatles), entre outras personalidades.
Houve a intenção de incluir ainda Jesus Cristo (não foi incluído por causa da declaração um ano antes de John dizendo que os Beatles eram mais populares que Jesus Cristo), Gandhi (retirado por receio da gravadora em ofender o mercado indiano ), Elvis Presley e Adolf Hitler.
Para evitar processos a gravadora pediu autorização às personalidades. O ator Leo Gorcey teve sua imagem retirada por pedir um pagamento pelo uso da sua imagem.
ALGUMAS CURIOSIDADES
Beatles gravaram outras canções que não fizeram parte do álbum:
o "Strawberry Fields Forever": escrita por John Lennon em referência ao Orfanato do Exército de Salvação que ficava perto de sua casa em Liverpool. A faixa fez parte do compacto junto a "Penny Lane"'.
o "Penny Lane", escrita por McCartney com canção de Lennon, referência nostálgica a Liverpool.
o "Carnival of Light": canção de McCartney permanece inédita até mesmo em bootlegs.
o "Only a Northern Song": canção de George Harrison somente lançada em 1969 na trilha sonora do filme Yellow Submarine.
• Os Beatles ganharam quatro prêmios Grammy pelo trabalho: "melhor álbum do ano", "melhor capa de álbum", "melhor álbum de música contemporânea" (atualmente conhecido como "melhor álbum vocal Pop") e "melhor engenheiro de som" (Geoff Emerick). Porém perdeu três indicações: "melhor desempenho" (para Anita Kerr), "melhor desempenho de grupo ou dupla" (para The Mamas & The Papas) e melhor arranjo intrumental (perdendo por "A day in the life" para "Strangers in the Night").
• Em 1968 Frank Zappa fez uma paródia da capa de Sgt Pepper's em seu álbum We're Only in It for the Money.
• O jornal britânico The Independent On Sunday afirma que o ditador nazista Adolf Hitler estaria escondido na capa, aparecendo em parte entre o baterista Ringo Starr e pelo atleta e ator Johnny Weissmuller.

7 Comentários:
Obrigada, Selmo, pelo carinho de ter publicado o meu "Vento" junto a tantos belos poemas.
Parabéns por esse trabalho tão bonito e importante que você realiza com tanta dedicação.
Um grande abraço.
Janete Cortez
Por
Anônimo, Ã s 4:13 PM
Selmo, estou maravilhada com o MLC desta semana! Vou ler devagar, saboreando cada palavra, pois há tesouros imensos ali. Você sabe, como ninguém, garimpar os tesouros e expô-los com precisão geométricamente poética,onde cada parte se enlaça com a outra e forma-se um todo que nos dá a sensação de embriagues de beleza.
Parabéns, poeta, pelo trabalho cada vez mais perfeito. Parabéns ao jornal O Rebate por ter colocado você aqui!
Por
Anônimo, Ã s 4:31 PM
Querido Selmo,
Agradeço a honra de figurar, mais uma vez, entre seus escritores favoritos. Sua gentileza, delicadeza e trabalho árduo no garimpo e na divulgação dos escritores emergentes, que ainda não conquistaram espaço suficiente na mídia, é exemplar!
Isso sem falar no seu imenso valor como escritor e ícone da literatura em sua terra natal e no mundo.
Grande abraço,
Lílian Maial
Por
Anônimo, Ã s 1:17 PM
Amo o que faço e divulgo com o maior prazer, amo meus amigos e que também são excelentes escritores e poetas, infelizmente a mídia sempre investe nos mesmos de sempre, nunca dando atenção merecida aos que não deveriam ser anônimos. Anônimos para as editoras multinacionais porque nem sequer sabem o potencial de leitores que esses escritores e poetas têm pelo país e exterior.Meus escritores e poetas serão sempre bem-vindos nas minhas "nossas" páginas literárias, Abraços pra todos e grato pelos comentários, que é muito importante pra mim. SELMO VASCONCELLOS
Por
Anônimo, Ã s 8:02 AM
Olá Selmo!
Nesta semana estou chegando atrasada para o comentário desta edição do blog.
Encanta-me perceber o carinho com que você trabalha na divulgação da produção literária dos nossos autores (poderia chamá-los de amigos, pois em cada autor publicado nas suas páginas, também me reconheço um pouco).
Abraços, amigo, e cumprimentos por mais esta edição belíssima do Momento Lítero Cultural!
Por
Anônimo, Ã s 6:53 PM
Boa tarde, meu caro Selmo! Obrigada, por mais uma vez incluir meus poemas, junto de tantas maravilhas já conhecidas na sua coluna. Não imagina a alegria que é, poder deliciar-me com leituras tão extraordinárias! Digo em nome dos colegas que escrevem,o quanto é precioso,ser achado por um profissional de sua estirpe, para mostrar ao mundo o nosso trabalho, ainda desconhecido, pelo fato de que não somos escritores profissionais e não termos acesso aos meios de comunicação. Parabéns, por esse trabalho ímpar, realizado com tanto esmero! Abraços fraternos!
Por
Creusa Lima, Ã s 3:38 PM
Boa tarde, meu caro Selmo! Obrigada, por mais uma vez incluir meus poemas, junto de tantas maravilhas já conhecidas na sua coluna. Não imagina a alegria que é, poder deliciar-me com leituras tão extraordinárias! Digo em nome dos colegas que escrevem,o quanto é precioso,ser achado por um profissional de sua estirpe, para mostrar ao mundo o nosso trabalho, ainda desconhecido, pelo fato de que não somos escritores profissionais e não termos acesso aos meios de comunicação. Parabéns, por esse trabalho ímpar, realizado com tanto esmero! Abraços fraternos!
Por
Creusa Lima, Ã s 3:41 PM
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