MOMENTO LÍTERO CULTURAL - XII
MOMENTO LÍTERO CULTURAL - XII
ANDERSON BRAGA HORTA
1ª participação na página Lítero Cultural / jornal Alto Madeira / Porto Velho / Rondônia, 21 de junho de 1996, daí em diante várias outras participações.
Participação com uma poesia na Antologia “Leonardo, meu neto”, Editora Opção2, Porto Alegre, RS, 2004.
Participação da Revista Antológica “Membros da Galeria dos Amigos do Lítero Cultural”, nº 01, abril/2005.
Poesia publicada no http://orebate-selmovasconcellos.blogspot.com - página Momento Lítero Cultural II, de 24/01/2007, do jornal www.jornalorebate.com , do diretor/ editor-chefe José Milbs de Lacerda Gama.
Citado em www.selmovasconcellos-curriculoliterario.blogspot.com
( Selmo Vasconcellos )
Para a notícia biográfica do autor, acrescida de uma profissão de fé poética, transcrevemos as palavras com que abre sua Antologia Pessoal, editada pela Thesaurus, de Brasília, em 2001:
O AUTOR POR ELE MESMO
Nasci na cidade mineira de Carangola, em 17 de novembro de 1934. Meu pai, o advogado Anderson de Araújo Horta, e minha mãe, Maria Braga Horta, eram professores e poetas. Assim, criado num ambiente de respeito à cultura e amor aos livros, posso dizer que recebi em casa mesmo os primeiros estímulos literários.
A família morou, sucessivamente, em Carangola, Manhumirim, Belo Horizonte, novamente em Manhumirim, depois em Resplendor, Mutum, outra vez em Carangola. Já então acrescida dos manos Arlyson, Augusto Flávio e Maria da Glória. Em 1942 fomos para Goiás, passando três anos na antiga e dois na nova capital do Estado. Em Goiás Velho nasceu o caçula, Goiano.
De volta a Minas, novo périplo em redor de Manhumirim, onde residiam meus avós maternos: Aimorés, Mantena, Lajinha, cidades que eu visitava nas férias, pois, tendo começado o ginásio em Goiânia, fiz, nesse período (de 1947 a 1953, para ser exato), as três últimas séries em Manhumirim e o clássico em Leopoldina. Já me encontrava no Rio de Janeiro, cursando Direito, quando para lá se mudou a família, em 1956.
Transferi-me para Brasília em julho de 1960, como redator da Câmara dos Deputados, a cujo serviço fora admitido em 1957 como datilógrafo. Os irmãos foram também atraídos pelo Planalto Central, a que finalmente aportaram os pais, em 15 de novembro de 1964.
Exerci ainda o jornalismo e o magistério, tanto no Rio quanto em Brasília. Meu primeiro trabalho, contudo, foi como securitário, na Velha Capital, a não ser pelos meses em que lecionei no Seminário de Leopoldina, cidade em que prestei, após o curso clássico, o serviço militar (tiro-de-guerra).
Já radicado em Brasília, casei-me no Rio, em 1962, com a capixaba (de Cachoeiro de Itapemirim) Célia Santos. No ano seguinte nasceram os gêmeos, brasilienses, Anderson e Marília.
Meus pais aqui faleceram, mamãe em 1980, papai cinco anos depois.
As primeiras impressões literárias que retenho datam da cidade de Goiás: uma página de Humberto de Campos em que o autor, na primeira pessoa, confessava um furto de menino —o que me deixou consternado—; e o “Pequenino Morto”, de Vicente de Carvalho, cujos melodiosos hendecassílabos encheram minha alma infantil de tristeza. Em Goiânia me tornei leitor voraz de histórias em quadrinhos e de todos os livros que havia em casa — Gato Preto em Campo de Neve e Clarissa, Ecce Homo e Assim Falava Zaratustra, Meu Destino É Pecar (isso mesmo, o livro proibido de Nélson Rodrigues) e o mais em que pude pôr a mão e os olhos. A impossibilidade de compreender tudo não era obstáculo ao entusiasmo do jovem devorador de letras.
Por essa época, apesar da força atrativa dos quadrinhos, que me guiou a mão numa série de rabiscos, até mesmo numa historieta de texto e desenhos típicos, o autor mais amado foi, sem dúvida, Monteiro Lobato, por sua obra infanto-juvenil, que reputo ainda hoje incomparável.
Mas quem me levou a escrever poesia, conforme tenho repetido em páginas de depoimento literário, foi mesmo Castro Alves. As primeiras tentativas, frustradas, resultantes em prosa ritmada, datam de Manhumirim, ao tempo em que freqüentava o Colégio Pio XI. As primeiras realizações, de Leopoldina, em 1950.
A outra grande influência de então foi Bilac. E, depois, tantos poetas que nem convém enumerar! Dos clássicos aos românticos, dos parnasianos aos simbolistas, desses aos modernos, que me ensinaram a quebrar o verso, sem descartar a tradição.
Penso que o poeta não pode deixar de se assenhorear das técnicas do verso, embora a técnica, obviamente, não seja tudo. Que ao escritor compete extrair do potencial de sua língua toda a cintilação que possa, dignificando-a sempre. Que escrever é atividade intelectual, sim, mas não se esgota no âmbito do intelecto; que o poeta há de comover-se e comover, sim, mas não se há de entregar, ingenuamente, à emoção desassistida da inteligência, porque a emoção, por si só, não é ainda arte, não é ainda poesia. Que a esse amálgama de pensamento, emoção, sentimento que é o poema não se deve tolher o voltar-se para a sorte do homem no espaço e no tempo, seja do ponto de vista filosófico, seja do social; pois à poesia, arte da palavra, interessa necessariamente tudo o que de humano se possa representar nela. E que, portanto, a arte do poeta há de ser mais complexa, mais completa, mais abrangente e mais profunda do que tendem a fazê-la os jogos —algumas vezes brilhantes— a que pretendem reduzi-la correntes revolucionárias.
Isso posto, confessadas, via de conseqüência, as minhas próprias limitações, passo, com a possível humildade, ao balanço de quatro décadas de produção poética —omitida, quase totalmente, a inicial—, balanço em que, de algum modo, se traduz a seleção de poemas que ofereço ao leitor.
BIBLIOGRAFIA (até abril de 2007)
I – POESIA
Altiplano e Outros Poemas. EBRASA – Editora de Brasília S.A. / INL. Brasília, 1971. Apresentação de Almeida Fischer (4.ª da capa). Capa de Willy Mello. 64 pp. (O livro saiu datado de 1970, tendo-se corrigido o erro em parte da edição, mediante encarte.)
Marvário. Clube de Poesia de Brasília. (Centro de Serviços Gráficos do IBGE, Rio de Janeiro, RJ.) Brasília, maio de 1976. Vol. 2 da Série Buriti. [Fotografia de Goiano Braga Horta.] 48 pp.
Incomunicação. Editora Comunicação / INL. Belo Horizonte / Brasília, 1977. Apresentação de Alan Viggiano. Capa e ilustrações de Tércio L. Rimoli. [Fotografia de Goiano Braga Horta.] 98 pp.
Exercícios de Homem. Comitê de Imprensa / Gráfica do Senado Federal. Brasília, 1978 (agosto). Vol. 13 da Coleção Machado de Assis. Apresentação de Henriqueta Lisboa (4.ª da capa). Capa de Gaetano Re [e Edmun]. 138 pp.
Cronoscópio. Civilização Brasileira / Pró-Memória – INL. Rio de Janeiro/Brasília, 1983. Apresentação de Moacyr Félix (dobras da capa). Capa de Graça Lima. Vol. 71 da Coleção Poesia Hoje. 96 pp.
O Cordeiro e a Nuvem. Antologia. Thesaurus, Brasília, 1984. Estudo introdutório de Antonio Roberval Miketen. Apresentação de Omar Brasil (dobra da capa). Fotografia de Anderson Santos Horta. Antologia; vol. 1 da Série Altiplano. 122 pp.
O Pássaro no Aquário. Comitê de Imprensa do Senado Federal / André Quicé – Editor. Brasília, 1990. 124 pp.
Dos Sonetos na Corda de Sol. Editora Guararapes – EGM. Jaboatão dos Guararapes, abril e maio de 1999. Seleção e apresentação de EGM (Edson Guedes de Morais), prefácio de José Jeronymo Rivera. Parte da edição com fotografia de Anderson Santos Horta. 16 pp. iniciais não numeradas mais 62. [Miniedição artesanal, computadorizada.]
Pulso. Barcarola, São Paulo, janeiro de 2000 [recebi em outubro]. 102 pp.
Quarteto Arcaico. Editora Guararapes – EGM. Jaboatão dos Guararapes, maio de 2000 [saiu em agosto]. Prefácio de João Carlos Taveira, posfácio de Cleonice Rainho, texto da capa de José Eduardo Degrazia. 120 pp.
Fragmentos da Paixão: Poemas Reunidos. Massao Ohno Editor / Apoio Cultural FAC – Secretaria de Cultura do DF. São Paulo, 12-4-2000 [saiu em setembro]. Dobras da capa: José Santiago Naud. Capa: óleo de Carlos Bracher [?]. 344 pp.
Pentagrama. Sonetos, com Antonio Carlos Osorio, Antônio Temóteo dos Anjos Sobrinho, Fernando Mendes Vianna e José Geraldo. (Variações na Forma Soneto.) Thesaurus, Brasília, 2001. 132 pp.
Dos Fragmentos da Paixão: Trinta e Três Sonetos. Editora Guararapes – EGM. Jaboatão dos Guararapes, setembro de 2001. Ilustrações: detalhes de obras de Van Gogh. Retrato do poeta: EGM. 28 pp. não numeradas. [Folheto-sanfona. Miniedição artesanal computadorizada.]
Antologia Pessoal. Thesaurus, Brasília, 2001. Vol. 1 da Coleção Antologia Pessoal Thesaurus. Capa de Vitor Tagore. 144 pp.
Carta-Oração em Feitio de Poema à Força Jovem da América. Thesaurus, Brasília, 2002. Vol. X da Biblioteca do Cidadão – O Livro na Rua – Série Escritores Brasileiros. Bico-de-pena de Mário Viggiano. 12 pp.
Cinqüenta Sonetos. Série Porta-Fólio. Editora Guararapes–EGM, Jaboatão, 2003. Seleção e arte gráfica de Edson Guedes de Morais. [Miniedição artesanal, computadorizada.]
50 Poemas Escolhidos pelo Autor. N.° 2 da coleção desse título. Edições Galo Branco, 2003. Fotografia de Marília Santos Horta. 120 pp.
Zoopoemas. Livro na Rua, Série Escritores Brasileiros Contemporâneos, n.º 14. Thesaurus, Brasília, 2005. 16 pp.
II – PROSA
O Horizonte e as Setas. Contos, com Elza Caravana, Izidoro Soler Guelman e Joanyr de Oliveira. Gráfica Horizonte Editora, Brasília, 1967. (Três Quadros do Inferno: “Inferno — Ida e Volta”, “Poisson au Poison” e “Mulher de Santo”.) Capa de Paulo Iolovitch. 160 pp.
Normas de Elaboração dos Trabalhos da Assessoria Legislativa da Câmara dos Deputados. Em colaboração. Câmara dos Deputados, Brasília, 1976, 1984, 1989 e 1990.
Semana de Estudos sobre Manuel Bandeira. Com Aderbal Jurema e Domingos Carvalho da Silva. Centro de Ensino Unificado de Brasília (CEUB), 1982. (“Aspectos da Linguagem Poética de Manuel Bandeira”.) 84 pp.
Na Cadeira de Álvares de Azevedo. Discursos acadêmicos, com H. Dobal. [Brasília, agosto de 1986.] 36 pp.
Erotismo e Poesia. Conferência. Thesaurus, Brasília, 1994. Vol. 8 dos Cadernos de Literatura, col. dirigida por Cassiano Nunes e João Carlos Taveira. Capa de Glória Horta. 40 pp.
A Aventura Espiritual de Álvares de Azevedo. Estudo e antologia temática. Thesaurus, Brasília, 2002. Capa de Tagore Alegria. Revisão de José Jeronymo Rivera. 199 pp.
Sob o Signo da Poesia: Literatura em Brasília. Thesaurus, Brasília, 2003. Capa de Tagore Alegria. Revisão de Deodato Rivera e José Jeronymo Rivera. 515 pp.
Uma Noite de Poesia. Discursos acadêmicos, com Romeu Barbosa Jobim. – “Romeu Jobim e a Fuga Profícua dos Dias”. Trianas Edições, Brasília, 2004. 56 pp.
Cinco Histórias de Bichos. Livro na Rua, Série Escritores Brasileiros Contemporâneos, n.º 2. Thesaurus, Brasília, 2004. 16 pp.
Posse de José Jeronymo Rivera. Discursos acadêmicos, com JJR. – “Poeta e Tradutor”. – Thesaurus, Brasília, 2005. 50 pp.
Testemunho & Participação: Ensaio e Crítica Literária. Thesaurus, Brasília, 2005. Capa de Tagore Alegria. Revisão de José Jeronymo Rivera. 375 pp.
O Benzedor de Cobras. L. na R., série E.B.Cont., n.º 32. Thesaurus, Brasília, 2006. 16 pp.
III – TEATRO
Dramaturgia: Antologia do II Concurso Nacional de Dramaturgia Álvaro de Carvalho. Com Valnir Farias, Sérgio Parreira Abritta e Alex Barbosa. Fundação Catarinense de Cultura, Florianópolis, 1997. (Auto das Trevas.) 158 pp.
IV – TRADUÇÕES
Fugitiva. Trina Quiñones. Thesaurus, Brasília, 1993.
Caminhos de Integração / Caminos de Integración / Paths of Integration. Sofía Vivo. Thesaurus, Brasília, 1993. “Matemos a Rosa”, “O Tempo do Homem”, “Escorpião”, “Vôos” e “Flecha” (traduzidos para o inglês por Asta-Rose Alcaide e para o espanhol por ABH, estes com revisão de Trina Quinõnes). Coube a ABH a tradução do espanhol para o português dos poemas de Mabel Cháneton, Manila Cháneton, Sofía Vivo (metade) e Trina Quiñones (menos um).
Vértigo del Verbo. Sofía Vivo. Brasília, 1995. – Traduções: “Larva”, “À Coreógrafa Denise Zenícola”, “Existência”, “Alegre”, “Morte”, “Quem Sou?”, “Labirinto”, “Vertigem”, “Tecedura”, “Saudade” e “Tenho Árvores”.
Colóquio dos Centauros (trad. de Rubén Darío). Separata do Anuario Brasileño de Estudios Hispánicos, n.º VIII, 1997.
Poetas do Século de Ouro Espanhol / Poetas del Siglo de Oro Español. Seleção, tradução e notas, com Fernando Mendes Vianna e José Jeronymo Rivera; estudo introdutório de Manuel Morillo Caballero. Thesaurus / Consejería de Educación y Ciencia de la Embajada de España, Brasília, 2000. 343 pp.
Sac-Nic-Te y sus Memorias de Olvido. Sofía Vivo. André Quicé, Brasília, 2001.
Uma Noite de Poesia Ibero-Americana. Asociación de Agregados Culturales Iberoamericanos. Folheto de declamação de Fernando Mendes Vianna. Brasília, 18-7-2001. – Tradução para o português de “Un jour rappelle-toi”, de Emmelie Prophète (Haiti), e, para o espanhol, de “Ismália”, de Alphonsus de Guimaraens.
Poetas Portugueses y Brasileños de los Simbolistas a los Modernistas. Org. de José Augusto Seabra. Instituto Camões / Embaixada de Portugal em Buenos Aires / Thesaurus Editora de Brasília, Buenos Aires, 2002. Capa de Victor Tagore. 472 pp. – Traduções para o espanhol, com Rodolfo Alonso, José Jeronymo Rivera, José Antonio Pérez, Kori Bolivia, Manuel Graña Etcheverry, Rumen Stoyanov e Ángel Crespo. Notas sobre os poetas brasileiros por José Santiago Naud.
Victor Hugo: Dois Séculos de Poesia. Tradução e notas, com Fernando Mendes Vianna e José Jeronymo Rivera. Thesaurus, Brasília, 2002. Capa de Tagore Alegria, com cabeça do poeta esculpida por Auguste Rodin. [Foto de ABH por Marília Santos Horta.] 86 pp.
O Sátiro e Outros Poemas. De Victor Hugo. Tradução com Fernando Mendes Vianna (autor de estudo introdutório) e José Jeronymo Rivera. Edições Galo Branco, Rio de Janeiro, 2002. Capa de Victor Tagore, sobre Sátiro e Ninfa, de James Pradier. 176 pp.
Antologia Pessoal. Rodolfo Alonso. Tradução com José Augusto Seabra e José Jeronymo Rivera. Thesaurus, Brasília, 2003.
25 Sonetos Descaradamente Eróticos. José Antonio Pérez-Montoro. Tradução com José Jeronymo Rivera. Círculo de Estudos Clássicos de Brasília, 2003.
Traduzir Poesia. Thesaurus, Brasília, 2004. Capa de Tagore Alegria. 296 pp.
Contos de Tenetz. Antologia de Yordan Raditchkov. Trad. com Rumen Stoyanov, que fez a seleção. Thesaurus, Brasília, 2004. Capa de Momchil Rumenov Stoyanov. 125 pp.
Poemas Menores. José Antonio Pérez-Montoro. Livro na Rua, Série Escritores Brasileiros – Contemporâneos, n.º 9. Thesaurus, Brasília, 2005. 16 pp.
História dos Ideais. Eduardo Mora-Anda (Historia de los Ideales: Valores e Ideales a lo Largo de la Historia). Thesaurus, Brasília, 2006.
Antologia Poética Ibero-Americana. Com Fernando Mendes Vianna e José Jeronymo Rivera. Org. Pavel Égüez. Asociación de Agregados Culturales Iberoamericanos, Cuiabá, 2006.
V – ORGANIZAÇÃO
Participação do Trabalhador nos Lucros da Empresa, Vol. 1 – Projetos. Série Documentos Parlamentares, n.º 120. Câmara dos Deputados, Brasília, 1967. / Vol. 2 – Textos Constitucionais, Debates. Série Documentos Parlamentares, n.º 121. Câmara dos Deputados, Brasília, 1968.
Caminho de Estrelas. Poesia, de Maria Braga Horta. Massao Ohno Editor, São Paulo, 1996. Capa de Glória Braga Horta (foto de Gabriel Gondim Filho); ilustrações de Ivanir Geraldo Vianna. (Ver item IX — Apresentações.)
Invenção do Espanto. Poesia, de Anderson de Araújo Horta. Edições Galo Branco, Rio de Janeiro, 2004. Capa de Glória Braga Horta. (Ver item IX Apresentações.)
Gonçalves Dias. Livro na Rua (coleção de minilivros de 16 pp.), Série Escritores Brasileiros Clássicos, n.º 1. Thesaurus, Brasília, 2004. [Erros.] Nova tiragem, com correção dos erros, em 2006. / Laurindo Rabelo. Id., n.º 2. / Álvares de Azevedo. Id., n.º 3. / Junqueira Freire. Id., n.º 4. / Casimiro de Abreu. Id., n.º 5. / Fagundes Varela. Id., n.º 6. / Castro Alves. Id., n.º 7. / Cruz e Sousa. Id., n.º 9. / Olavo Bilac. Id., n.º 10. / Alphonsus de Guimaraens. Id., n.º 11. / Augusto dos Anjos. Id., n.º 12. / Nossa História de Amor. Poesia, de Maria Braga Horta. Livro na Rua, Série Escritores Brasileiros Contemporâneos, n.º 1. Thesaurus, Brasília, 2004. 16 pp. / Gavião-de-Penacho. Conto de Maria Braga Horta. Id., n.º 15, 2005. / Alguns Poemas. De Anderson de Araújo Horta. Id., n.º 16, 2005. / Antero de Quental. Poesia. Livro na Rua, Série Escritores Portugueses Clássicos, n.º 2. Thesaurus, Brasília, 2005. / Fernando Pessoa. Poesia. Id., n.º 7. / Waldemar Lopes. Sonetos. Brasileiros Contemporâneos, n.º 27. Thesaurus, Brasília, 2006. / Bocage. Poesia. Portugueses Clássicos, n.º 10. Thesaurus, Brasília, 2006.
VI – OUTROS
Brasília 2000 – Poesia Viva – Poemas Cartões. Editora Guararapes–EGM, Jaboatão, PE. Contém 40 dos 60 incluídos em Dos Sonetos na Corda de Sol. [Miniedição artesanal, computadorizada.]
Caixa de sonetos-cartões de Natal e ano-novo: "Fluxo", "Nascimento do Dia", "Dia Nascendo em Teus Olhos" e "Tanto Mar, e se Acaba". Editora Guararapes–EGM, Jaboatão, 2002. [Miniedição artesanal, computadorizada; caixa de madeira trabalhada.]
Caixa de sonetos-cartões de Natal e ano-novo: “À Moda Antiga”, “Disfarce”, “Espera”, “In Extremis”, “Intervalo”, “Nada Mais”, “Perpetuação”, “Platônicos”, “Rio”, “Soneto Amargo”, “Soneto Antigo”, “Um Puro Amor”, “Visão do Século sem Alma”. Editora Guararapes–EGM, Jaboatão, 2003. [Miniedição artesanal, computadorizada; caixa de madeira trabalhada.]
Poesia Solo n.º 1: “Navegantes”, “O Tempo”, “Perda” e “Olhos”. Seleção e apresentação de Henrique Wagner. Folheto-sanfona, Salvador, 2005.
2007 Calendário Poético e Marcador. EGM, Jaboatão, 2007. – “Lasciva Embriaguez”, “Rio”, “Imperfeição”, “Perpetuação”, “Canção Lúcida”, “Arrebatamento”, “Soneto de Despedida”, “Soneto de Saudade”, “Soneto de Ciúme”, “Soneto de Paixão”, “Porta”, “Nirvânico”.
VII – PARTICIPAÇÃO EM ANTOLOGIAS
A Novíssima Poesia Brasileira. Walmir Ayala. Associação Brasileira do Congresso pela Liberdade da Cultura, Série Cadernos Brasileiros, n.º 2, Rio de Janeiro, 1962. – “Transfiguração pelo Tempo” e “União”.
Poetas de Brasília. Joanyr de Oliveira. Editora Dom Bosco, Brasília, 1962. – “Soneto” (“Marionetes”), “Noturno iii” (“Noite Alta”), “Celacanto” e “Mar Vário ii” (“Marvário, vii”).
100 Trovas de Saudade. Luiz Otavio e J. G. de Araujo Jorge. Vecchi, Rio de Janeiro, 1962. – “Estrelas da minha angústia” e “No meu peito inda perdura”.
100 Trovas de Ciúme. Luiz Otavio e J. G. de Araujo Jorge. Vecchi, Rio de Janeiro, 1963. – “Estranha dor, que persiste”, “O amor me fez tresloucado” e “São coisas inseparáveis”.
Coletânea dos I Jogos Florais de Valença. Academia Valenciana de Letras, [1965]. – “Nada tão belo e tão santo”.
Contistas de Brasília. Almeida Fischer. Editora Dom Bosco, Brasília, 1965. – “Os Olhos da Virgem”.
Trovadores do Brasil. 2.º vol. Aparício Fernandes. Minerva, Rio de Janeiro, 1967. – “Vida melhor não existe”, “No meu peito inda perdura”, “A vida está numa planta”, “São coisas inseparáveis”, “Estrelas da minha angústia”, “As rosas do amor, colhi-as”, “Nada tão belo e tão santo”, “Sorrindo colheste um cravo”, “Não tinha amor e cantava”, “Vivamos em plenitude”.
As mais Belas Poesias de Exaltação às Mães. Aparício Fernandes. Minerva, Rio de Janeiro, 1967. – “Nada tão belo e tão santo”.
O Rei dos Reis. Aparício Fernandes. Minerva, Rio de Janeiro, 1968. – “Soneto da Idade de Ouro”, I e II, e “Meditação do Natal”.
1.º Torneio Nacional da Poesia Falada. Governo do Estado do Rio de Janeiro, Niterói, 1968. – “Marvário”.
2.º Torneio Nacional da Poesia Falada. Governo do Estado do Rio de Janeiro, Niterói, 1969. –“Babel” (“Semântica”, “9... 8... 7...” e “Anteluz no Caos”).
Poetas Novos do Brasil. Walmir Ayala. Instituto Nacional do Livro, Rio de Janeiro, 1969. Apresentação individual por Afonso Felix de Sousa. – “Eu, o Homem”, “Aéreo”, “Pelas Alamedas Opacas”, “Sobre um Tema de Nathaniel Hawthorne”, “Poema quase Teológico”, “Evolução”, “Aglossia”, “Sétima Sinfonia”, “Armadilha”, “Instantes”, “Minha Filha”, “Trevalume” e “Infra”.
3.º Torneio Nacional da Poesia Falada. Governo do Estado do Rio de Janeiro, Niterói, 1970. – “O Tempo do Homem”.
Antologia dos Poetas de Brasília. Joanyr de Oliveira. Coordenada, Brasília, 1971. – “Altiplano”, “Sétima Sinfonia”, “Poema quase Teológico”.
A Trova no Brasil — História & Antologia. Aparício Fernandes. Artenova, Rio de Janeiro, 1972. – “Amor — um sol de ternura”, “Estrelas da minha angústia” e “A vida está numa planta”.
As mais Belas Quadrinhas de Amor. Minilivro destacável da revista Capricho, n.º 310, de 27-9-1972. – “Amor — um sol de ternura”.
O Amor na Primavera. Folheto. Maria Thereza Cavalheiro. Capricho, São Paulo, 1972. – “A vida está numa planta”.
Nova Antologia Brasileira da Árvore. Maria Thereza Cavalheiro. Iracema, São Paulo, 1974. – “A vida está numa planta”.
Poetas do Brasil. 2.º vol. Aparício Fernandes. Folha Carioca, Rio de Janeiro, 1975. Maramor: “(A)mar(o)”, “Descobrimento”, “Noturno da Guanabara”, “Encontro”, “Tanto Mar, e se Acaba”, “Celacanto”.
Em Canto Cerrado. Salomão Sousa. Coordenada, Brasília, 1979. – “Pureza”, “Crianças”, “Haicai Conseqüente”, “Os Bilros”, “Jogo Cego”.
Conto Candango. Salomão Sousa. Coordenada, Brasília, 1980. – “Tambores”.
Horas Vagas — Coletânea 2. Joanyr de Oliveira. Comitê de Imprensa do Senado Federal, Brasília, 1981. – “Jardineira” (apresentação de José Jeronymo Rivera).
Brasília na Poesia Brasileira. Joanyr de Oliveira. Cátedra / INL, Rio de Janeiro / Brasília, 1982. – “Altiplano” e “Planalto”.
Nem Madeira nem Ferro Podem Fazer Cativo Quem na Aventura Vive. José Santiago Naud. Thesaurus, Brasília, 1986. – “Eus”.
Planalto em Poesia. Napoleão Valadares. Thesaurus, Brasília, 1987. – Poemas de Argila (1964–1965): “Verde Era o Limo”, “Da Vasa dos Charcos”, “Deuses de Barro” e “Como nos Chamará o Homem”.
Contos Correntes. Napoleão Valadares. Thesaurus, Brasília, 1988. – “Continho Triste”, “A Bomba”, “Trilogia” (“Monólogo da Pedra”, “Dissolução” e “Pulso Instantâneo”).
Poesia & Crítica: Antologia de Textos Críticos sobre a Poesia de Gilberto Mendonça Teles. Dulce Maria Viana. Secretaria de Estado da Cultura, Goiânia, 1988. –“Poesia: o Raro Equilíbrio”.
Segredos do Bom Trovar. Maria Thereza Cavalheiro. Scortecci, São Paulo, 1989. – “Estrelas da minha angústia”.
Capital Poems — Brazilian Poets in Portuguese English and Spanish. Victor Alegria. Thesaurus, Brasília, 1989. – “Vôos”; “El Dios que Llora” (trad. de Francisco R. Bello); e “Madrigal” (trad. de José Jeronymo Rivera). (Com deturpações os dois primeiros poemas.)
Poemas de Amor. Walmir Ayala. Ediouro, Rio de Janeiro, 1991. – “Amor”.
Caminhos de Integração / Caminos de Integración / Paths of Integration. Sofía Vivo. Thesaurus, Brasília, 1993. “Matemos a Rosa”, “O Tempo do Homem”, “Escorpião”, “Vôos” e “Flecha” (traduzidos para o inglês por Asta-Rose Alcaide e para o espanhol por ABH).
Anuário da Poesia Brasileira. Laís Costa Velho. CODPOE, Rio de Janeiro, 1994. – “Poema Fraudulento” (truncado).
Alma Gentil: Novos Sonetos de Amor. Nilto Maciel. Códice, Brasília, 1994. – “Soneto de Alegria”, “Um Puro Amor”, “Soneto Antigo”.
Cronistas de Brasília. Aglaia Souza. André Quicé — Editor, Brasília, 1995. – “História de Passarinho”, “Memória e Vida”, “Meu Pai e os Bichos”.
Sincretismo: a Poesia da Geração 60. Pedro Lyra. Topbooks, Rio de Janeiro, 1995. –“Matemos a Rosa”, “Celacanto”, “Olhos”, “9... 8... 7...”, “Anteluz no Caos”, “O Tempo do Homem”, “Descobrimento”, “Tangente”, “Soneto Cósmico”, “Naquele Tempo”, “O Caos e o Fiat”, “Elegia de Varna”, “Da Humana Angústia”, “Fragmentos da Paixão, V”.
Parnassus of World Poets 1995. Ramasamy Devaraj. Madras, Índia. – “Órfica”.
Caliandra: Poesia em Brasília. André Quicé — Editor, Brasília, 1995. – “Romance de Filipe dos Santos”. Bico-de-pena de Mário Viggiano.
Pedras de Toque da Poesia Brasileira. José Lino Grünewald. Rio de Janeiro, 1996. – 1.º quarteto de “Tranqüila Voragem”.
Solo para Quinze Vozes. Rumen Stoyanov (seleção e tradução para o búlgaro). Ango Boy, Sófia, 1996. – “Elegia de Varna”, “Telex”, “Nós, o Homem” e “Espelho”.
Trovas. Geraldo Gonçalves de Souza. Brasília, 1997. – “A noite ganha uma flor”, “Dormes sorrindo. E eu espero”, “Se perguntasses, querida”, “Duas saudades colhi”, “Sempre resta alguma coisa”, “Já vem bater-me na face”, “Estranha dor que persiste”, “Rirás, talvez, desdenhosa”, “Ora, ciúmes... Mas isto”, “Não sei de maior loucura”, “A vida está numa planta”, “Por entre risos, por entre” e “Ontem, argila. Hoje, a graça”.
Poemas do Amor Maior: Os Melhores Sonetos Cristãos. Jefferson Magno Costa. Mundo Cristão, São Paulo, 1997. – “Jesus”.
O Prazer da Leitura. Jacinto Guerra, Nilce Coutinho, Ronaldo Cagiano e Claudia Barbosa. Thesaurus, Brasília, 1997. – “O Benzedor de Cobras”.
Poeti Brasiliani Contemporanei. Sílvio Castro. Traduções de Giampaolo Tonini. Centro Internazionale della Grafica di Venezia, 1997. – “O Rio”, “Tempo”, “Olhos”, “Nós, o Homem”, “Os Centauros” e “O Pássaro no Aquário”.
Poesia de Brasília. Joanyr de Oliveira. Sette Letras, Rio de Janeiro, 1998. – “Stella Nubila”, “Rústica”, “Passarim”, “O Aleijadinho”, “Transubstanciação”, “Planalto”, “Mão”, “Os Cães” e “Sétima Sinfonia”.
Setevozes. Editora do Escritor, São Paulo, 1998. – “O Jequitibá de Carangola”.
A Poesia Mineira no Século XX. Assis Brasil. Imago, Rio de Janeiro, 1998. – “Atlântida” e “Canto Alheio”.
As Árvores e seus Cantores. Sergio Faraco e Maria do Carmo Conceição Sanchotene. Editora Unisinos, São Leopoldo, 1999. – “O Jequitibá de Carangola”.
Antologia da Saudade. Waldir Vitral. Edições Galo Branco, Rio de Janeiro, 1999. – “Saudade”.
Dobrados, v. 1. Edson Guedes de Morais. (Caixa com 30 dobrados de outros tantos poetas.) Editora Guararapes–EGM, Jaboatão dos Guararapes, 1999. – “Pulso”, “Órfica” e “A Tartaruga”.
100 Anos de Poesia – Um Panorama da Poesia Brasileira no Século XX. Org. de Claufe Rodrigues e Alexandra Maia. O Verso Edições, Rio de Janeiro, 2001. – “Órfica”.
Dobrados, v. 2. “Com os temas infância, escola, busca, memória.” Edson Guedes de Morais. (Caixa com 36 dobrados de outros tantos poemas.) Editora Guararapes–EGM, Jaboatão, dez. de 2001. – “Azul”, “O Menino que Fui Sou”, “Pulso”, “Pureza”, “Espelho”, “Voto para minha Neta Fernanda”, “Crianças”, “Rapto”, “Pórtico Escolar”, “Melancólico” e “Soneto Amargo”.
Antologia da Poesia Brasileira / Antología de la Poesía Brasileña. Xosé Lois García. Edicións Laiovento, Santiago de Compostela, 2001. – “O Tempo”, “Azul”, “Duas Lições”, “Criança Chorando”, “Rosa, Rosácea”.
Poetas Mineiros em Brasília. Ronaldo Cagiano. Prefácio de Affonso Romano de Sant'Anna. Varanda, Brasília, 2002. – "Salmo para Célia", "Perguntas na Sombra", "Semáforo", "A um Solitário", "A uma Pianista", "Vésperas", "Sazão", "Ser, não Ser", "O Jequitibá de Carangola".
Povos e Poemas / Peuples et Poèmes. Jean-Paul Mestas. Universitária Editora, Lisboa, 2003. – "Limpeza" / "Propreté". [Alterados os versos 13 e 14 do poema em português e, conseqüentemente, equivocada a respectiva tradução.]
Antologia de Haicais Brasileiros. Napoleão Valadares. André Quicé, Brasília, 2003. – "A noite tremeu..."
Poemas para Brasília. Joanyr de Oliveira. Projecto Editorial, Brasília, 2004 (lançado em 2003). – "Altiplano", "Planalto", "Passarim", "Brasília, 43".
Antologia do Conto Brasiliense. Ronaldo Cagiano. Projecto Editorial, Brasília, 2004. – “Três Mulheres: Perla – Joana – Marie e Eu”.
Leonardo, meu Neto. Selmo Vasconcellos. Opção2, Porto Alegre, 2004. – “Um Neto”.
Sonata Poética. Anome Livros, Belo Horizonte, 2005 (sem indicação de organizador). – “Incidente Noturno”, “Perguntas ao Tempo e ao Vento”, “Entre a Mão e a Alma”, “Vôo sem Pássaro” e “Campo sem Tempo”.
Encontro Poético Brasília–Turim / Incontro Poetico Brasilia–Torino. Thesaurus, Brasília, 2005. Bilíngüe, 128 pp. Com Fernando Mendes Vianna, Joanyr de Oliveira, José Antonio Pérez Gutiérrez, José Santiago Naud, Ronaldo Cagiano e Eliana Rossi Machado. – “Invenção da Noite”, “Dos Instrumentos de Caim”, “Vazio”, “Pureza”, “União”, “O Tempo”, “O Rio”, “Olhos”, “Nós, o Homem”, “Os Centauros”, “O Pássaro no Aquário”, “Terceto Pagão”, “Indagações”, “Haicai da Terceira Idade”, “Hermética”, “Semáforo” e “Carta-Oração em Feitio de Poema à Força Jovem da América”, traduzidos por Mercedes La Valle, Vera Lucia de Oliveira, Giampaolo Tonini e Salvator d’Anna (Renzo Mazzone).
Chuva de Poesias, Cores e Notas no Brasil Central. Sônia Ferreira. Ideal, Brasília, 2005. – “Literatura em Brasília” (os quatro parágrafos sobre o Ceculco são de S.F.), “Multímoda”.
Vozes na Paisagem: Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos. Waldir Ribeiro do Val. Edições Galo Branco, Rio de Janeiro, 2005. – “Ode a Olavo Bilac e à Língua Portuguesa” e “Brindisi”.
Todas as Gerações: o Conto Brasiliense Contemporâneo. Ronaldo Cagiano. LGE, Brasília, 2006. – “Viagem”.
Saciedade dos Poetas Vivos – Digital – Vol. 1. Urhacy Faustino e Leila Míccolis. Blocos, outubro de 2006. – “Telex”, “Discurso Microcósmico”, “Poética”, “Tangente”, “A Tartaruga” e “Órfica”.
Antologia Comentada de Literatura Brasileira: Poesia e Prosa. Magaly Trindade Gonçalves, Zélia Thomaz de Aquino e Zina C. Bellodi. Editora Vozes, Petrópolis, 2006. – “Meditação sob a Chuva”, “Anoitecer na Cidade Morta” e “Transubstanciação”.
VIII – PARTICIPAÇÃO EM OUTRAS OBRAS
História da Literatura. Elza Caravana. 3.º vol. Brasília, 1969. – “Sétima Sinfonia”.
Depoimento Literário. Ézio Pires. Brasília, 1978. – Entrevistas, com os poemas “Transfiguração” e “Luta”.
Serial, n.º 9. Edições Cordel, Salvador, 1978. – “A Morte do Homem”.
Escritores Brasileiros ao Vivo. Danilo Gomes. 1.º vol. Comunicação / INL, Belo Horizonte / Brasília, 1979. – Entrevista: “Sob o Rótulo de Poesia, Há muitos Jogos Verbais/Intelectuais de pouca Profundidade”.
Cruz e Sousa. Coleção Fortuna Crítica, 4, dir. de Afrânio Coutinho. Civilização Brasileira / MEC, Rio de Janeiro / Brasília, 1979. – “Cruz e Sousa: o Longo Aprendizado”.
Hotel do Tempo. Brasigóis Felício. Civilização Brasileira / Massao Ohno, Rio de Janeiro / São Paulo, 1981. – Nota sobre Escrito no Muro.
Serial, n.º 10. Edições Cordel, Salvador, 1981. – Tangentes: “Antemanhã”, “Da Inspiração”, “Linguagem I”, “Linguagem II”, “Poema Plagiado”, “Multímoda”, “Telex” e “Tangente”.
Sonetos de Beira-Mar e Elegias do Espaço Imaginário. Artur Eduardo Benevides. Fortaleza, 1983. – “Soneto de Artur Eduardo Benevides”.
Caderno de Lembranças. Jorge Azevedo. Belo Horizonte, 1983. – “A vida está numa planta”.
Ritmo e Rima na Poesia Moderna. Itabajara Catta Preta e Clairê de Sousa Pires. Brasília, 1989. – “Gestação”, “Sonata ao Luar”, “Cantilena”, “Emergiremos” e “Esoterismo”.
45 Anos de Literatura. Artur Eduardo Benevides. Brasília, 1989. – “Soneto de Artur Eduardo Benevides”.
Posse do Acadêmico José Túlio Barbosa. Academia Sul-Brasileira de Letras, Pelotas, [1991]. – Carta.
Árias do Silêncio. Brasigóis Felício. Goiânia, 1992. – Nota sobre O Rosto da Memória.
Recortes & Menções. Eno Teodoro Wanke. Edições Plaquette, Rio de Janeiro, 1992. – Nota sobre Ilha Verde.
O Olho Reverso. José Santiago Naud. Thesaurus, Brasília, 1993. – “Esoterismo e Poesia” e trecho de “Erotismo e Poesia”.
Dossiê Grupo dos Sete: Os Povos e Países de Língua Portuguesa. Alan Viggiano. Brasília, 1994. – “Ortografia: Acordo e Desacordos”.
Geração de 45/50 Anos (catálogo da exposição comemorativa), de Emilie e Mário Chamie. São Paulo, SESC, 1995. – “A Bomba”.
[Poesia Completa. Augusto Frederico Schmidt. Topbooks, Rio de Janeiro, 1995. – Cronologia (sem indicação de autoria).]
Discurso de Posse de Danilo Gomes na Academia Mineira de Letras. Belo Horizonte, 1996. – “Soneto do Pobre Alphonsus”.
Waldemar Lopes e os Outros. José Rafael de Menezes. Recife, 1997. – “Soneto sem Despedida” e trecho de “Sobre o Novo Livro de um Mestre do Soneto”.
Como se. Luís Antonio Cajazeira Ramos. Salvador, 1997. – Carta.
Agenda Brasília & Poesia. Vili Santo Andersen. RTK, Brasília, 1997. – Frags. de “Altiplano”.
Mineiridade que Sobrevive ao Tempo (Nos Oitenta Anos do Poeta Alphonsus de Guimaraens Filho). Danilo Gomes. Brasília, 1998. – “Soneto do Pobre Alphonsus” e “Soneto de Alphonsus de Guimaraens Filho”.
Agenda Brasília & Poesia, 1999. Vili Santo Andersen. RTK, Brasília, 1998. – “Soneto Cósmico”, “Olhos”, “Incomunicações” (n.º 3), “Aéreo”, “O Amor” (2.º quarteto), “Chuva Múltipla”. [Não distribuída, devido a defeitos de edição.]
Literatura na Criação de Brasília. Ézio Pires. Brasília, 1999. Depoimento (p. 35).
Agenda Brasília & Poesia, 2000. Vili Santo Andersen. RTK, Brasília, 1999. – “Incomunicações” (n.º 3), “Rústica”, “Olhos” e frags. de “Aéreo”, “Soneto Cósmico”, “O Amor” e “Passarim”.
Poesia Completa. Alphonsus de Guimaraens. Org. de Alphonsus de Guimaraens Filho. Editora Nova Aguilar, Rio de Janeiro, 2001. – Trecho de “Relendo Alphonsus” e “Soneto do Pobre Alphonsus”.
Pensamentos da Literatura Brasileira. Napoleão Valadares. André Quicé Editor, Brasília, 2002.
Tempo de Ceifar. Joanyr de Oliveira. Thesaurus, Brasília, 2002. – "Pluricanto de Joanyr de Oliveira", "Velas e Âncoras", "Um Puro Poeta", "Casulos do Silêncio", "O Pluricanto de Joanyr de Oliveira", Introdução a Cantares, "Mistério e Claridade da Poesia", "A Madura Palavra de Joanyr de Oliveira".
Só a Noite é que Amanhece. Alphonsus de Guimaraens Filho. Record, Rio de Janeiro, 2003. – “Soneto de Alphonsus de Guimaraens Filho”.
Calendário Voltar a Minas. Com Anderson de Araújo Horta e Maria Braga Horta. Ed. de Edson Guedes de Morais, Jaboatão dos Guararapes, 2006. – Trecho da auto-apresentação da Antologia Pessoal; “Soneto Amargo”, “Arrebatamento”, “Velho Navio Bêbedo”, “Tanto Mar, e se Acaba”, “Sísifo”. AAH: “Quando Ela Fala”, “Ser Poeta”, “O Teu Sorriso”, “Rosas”, “Mil...”. MBH: “Obrigada, Amor!”, “Exortação”, “Velho Tema, em Velho Estilo”.
IX – APRESENTAÇÕES
Romanceiro Goiano. Jesus Barros Boquady. Goiânia, 1971. – “O Romanceiro de Boquady”.
A Fome dos Rebanhos. Izidoro Soler Guelman. Ebrasa, Brasília, 1971.
Poemas. Julio Cezar. Coordenada, Brasília, 1975.
Observatório. Liubomir Levtchev, tradução de Rumen Stoyanov. Montanha Editora (Albert Haimoff), São Paulo, 1975. – “Uma Janela para a Poesia Búlgara”.
Cantares. Joanyr de Oliveira. Rio de Janeiro, 1976.
Ofício do Medo. Fernando Braga. São Luís, 1977.
Ir entre os Vivos. Esmerino Magalhães Jr. Brasília, 1978. – “Um Poeta que se Cumpre”.
Água-Marinha ou Tempo sem Palavra. Lourdes Teodoro. Brasília, 1978. – “Uma Estréia Madura” (encarte solto).
Poemas Necessários. Ángel Crespo, tradução de Domingos Carvalho da Silva. Clube de Poesia e Crítica, Brasília, 1979. – “Dois Mestres-Poetas”.
Horas Vagas — Coletânea 2. Joanyr de Oliveira. Brasília, 1981. – Apresentação do conto “A Catequese ou Feliz 1953”, de J.O.
A Porta Range no Fim do Corredor. Vera Lucia de Oliveira. João Scortecci e Fumiko Hayashi, São Paulo, [1982].
Azul no Céu e no Mar. José Geraldo. André Quicé, Brasília, 1983. – “A Poesia Fluente e Suave de José Geraldo”.
O Sacrifício de Arlete. Antonio Roberval Miketen. Thesaurus, Brasília, 1983. – “Estes Contos”.
Colibri. Ana Helena Fagundes de Lima. Brasília, 1984.
Ícones da Terra. Hugo Mund Júnior. Thesaurus, Brasília, 1985. – “Do Risco à Palavra”.
A Brevilonga Jornada de Sélen Rumo ao Poente. Omar Brasil. Thesaurus, Brasília, 1985. – “Da Estrutura do Poeta” (estudo introdutório).
Marinheiro no Tempo (1956–1986). Antologia. Fernando Mendes Vianna. Thesaurus, Brasília, 1986. – Poesia-Libertação” (estudo introdutório).
10 Contos Escolhidos de Lêdo Ivo. Horizonte / INL, Brasília, 1986. – “O Conto-Poema de Lêdo Ivo” (estudo introdutório).
A Figura Humana em Suas Diversas Formas. Folheto-apresentação de exposição das pintoras Cléo (Cleonice Gozzer) e Mírian (Pereira) no Anexo II da Câmara dos Deputados, de 24 a 28-12-1987.
Menino sem Fim. Wilson Pereira. Thesaurus, Brasília, 1988. – “Uma Poiesis de Reinvenção e Eternização da Infância” (estudo introdutório).
Haicais. Ymah Théres. Juiz de Fora, 1989.
Canto Só. João Carlos Taveira. Brasília, 1989. – “Entre o Só e o Solidário”.
Infinita Espiral. Luiz Manzolillo. Thesaurus, Brasília, 1991. – “Nas Voltas de uma Espiral Mística e Lírica”.
Soberanas Mitologias e A Cidade do Medo. Joanyr de Oliveira. Anaheim, CA, USA, 1991. – “Mistério e Claridade da Poesia”.
Aceitação do Branco. João Carlos Taveira. Thesaurus / Asefe, Brasília, 1991. – “A Poesia destes Poemas”.
Um Auto na Praça & Agridoce Poesia do Dia a Dia. Carlos K. Couto. Niterói, 1991.
Encontros e Desencontros. Maria Thereza Cavalheiro. Scortecci, São Paulo, 1992. – “Encontro com a Poesia”.
Metônia (O Dia Estava de Cortar o Coração). Emanuel Medeiros Vieira. Thesaurus, Brasília, 1992. – “A Miséria e o Milagre da Vida”.
Profecía al Viento. Sofía Vivo. Jolan, Rio de Janeiro, 1993.
Murmúrio. Aglaia Souza. Thesaurus / Asefe, Brasília, 1993. – “Música e Feminilidade”.
Asas da Utopia. Eugênio Santana. Brasília, 1993. – “Carregando as Dores do Mundo”.
O Homem Submerso. Valdir de Aquino Ximenes. Brasília, 1993.
Em Tom Menor. Romeu Jobim. Brasília, 1993. – “Dupla Síntese Poética”.
Fugitiva. Trina Quiñones. Thesaurus, Brasília, 1993. – Tradução e apresentação (“A Fuga-Libertação de Trina Quiñones”).
Almas Emendadas. Julio Cezar. Thesaurus, Brasília, 1993 e 1997. – “Poemas com Força de Vida”.
O Gato de Curitiba: Crônicas e Histórias Acontecidas pelo Mundo Afora. Jacinto Guerra. Thesaurus, Brasília, 1994; 2.ª ed. 2004. – “A Moderna Crônica Brasileira”.
Meus Mortos Caminham Comigo nos Domingos de Verão. Emanuel Medeiros Vieira. Códice, Brasília, 1995. “Uma Bela e Forte Ficção”.
Para Elza. Geraldo de Vasconcellos Barcellos. Rio de Janeiro, 1996. “Poeta e Mestre de Poesia”.
O Sal do Tempo. Paulo Nunes Batista. Goiânia, 1996. – “Carta-Crítica de Anderson Braga Horta”.
Baladas e Moinhos. Ciro José Tavares. Brasília, 1996. “Uma Poesia Requintada”.
Caminho de Estrelas. Maria Braga Horta. Massao Ohno Editor, São Paulo, 1996. “Legado Poético”.
Pássaros Embriagados. Zita de Andrade Lima. Brasília, 1997. “Uma Prosa de Feminina Poesia”.
Rubi. Amneres. Rio de Janeiro, 1997. “Milagre da Poesia”. [Com modificações não autorizadas.]
Despeinando Sueños. Kori Bolivia. Thesaurus, Brasília, 1997. – “Suave-Onírico Lirismo” (inclui algumas traduções de poemas).
Poesia Francesa: Pequena Antologia Bilíngüe. José Jeronymo Rivera. Thesaurus, Brasília, 1998. – “Traduzir Poesia”. (Parc. repr. em Cidades Tentaculares, 1999.)
Viagem: Caminhos. José Hélder de Souza. Verano, Brasília, 1999.
Dois Oceanos. José Carlos Peliano. Bárbara Bela, Brasília, 1999. – Trecho de um prefácio inédito (“As Marcas do Poeta”), na 1.ª dobra.
Lisábria de Jesus ou O Estigma de Cam (Tragédia em muitos Atos). Alan Viggiano. André Quicé, Brasília, 2000.
Canção dentro da Noite. Ronaldo Cagiano. Thesaurus, Brasília, 2000. – “Protesto e Lirismo”.
Remanso. Napoleão Valadares. André Quicé, Brasília, 2000. – “Uma História para Gente Grande”.
De Olhos no Céu. Alcir Pimenta. Nórdica, Rio de Janeiro, 2001. – “Belas Narrativas em Boa Linguagem”.
As Horas do Mundo. Henrique Wagner. Secretaria da Cultura e Turismo, Salvador, 2001. – “Clamor de Juventude”.
Amanhã Cedo É Primavera. Romeu Jobim. Trianas, Brasília, 2001. – Textos nas dobras e na 4.ª capa; reprodução de textos nas pp. 229-232.
O Vôo Inverso. Paulo Nunes Batista. Idéia, João Pessoa, 2001. – “Ar, Música, Estrela”.
Rosa dos Ventos. Gisele Lemper. Thesaurus, Brasília, 2001. – Palavras na 4.ª da capa.
Lençóis de Outras Eras, II. Nadir Ganem. Thesaurus, Brasília, 2001. “Diamantes da Chapada” (4.ª da capa).
Figuras de Estilo e Teoria do Ritmo Poético. José Geraldo Pires-de-Mello. Rideel/UniCEUB, São Paulo/Brasília, 2001. – “Fecundo Magistério”.
O Manto de Vega. Luiz Paulo Pieri. Efcaz, Brasília, 2002. – “O Mundo sob o Manto de Vega”.
O Livro sem Título. Poema em Três Livros. Jaques Jesus. Thesaurus, Brasília, 2002. – "O Poeta e a Boa Sereia".
Cantos do Caminho. Romeu Jobim. Trianas, Brasília, 2003. – “Fidelidades de uma Poesia”; repr. (com “Um Cronista de Alta Linhagem”, “Dupla Síntese Poética” e nota sobre Em Tom Menor) em Pássaros de Meus Bosques, Brasília, 2007.
A Senhora Diretora e Outros Contos. Antonio Miranda. Thesaurus, Brasília, 2003. – “Intriga, Paixão e Sexo”.
Gaspard de la Nuit. Aloysius Bertrand, trad. de José Jeronymo Rivera. Thesaurus, Brasília, 2003. – "Conjugação Feliz".
As Raparigas da Rua de Baixo. Reynaldo Domingos Ferreira. Edições Inteligentes, São Paulo, 2004. – “Sabor de Vida”. [Com uma alteração indevida e incorreta da editora.]
Invenção do Espanto. Anderson de Araújo Horta. Galo Branco, Rio, 2004. – “Testemunho de Vida e Poesia”.
O Intérprete do Mal. Elias Costa. Thesaurus, Brasília, 2004. – “Poesia, Pedra Filosofal”.
A Rosa Anfractuosa. Fernando Mendes Vianna. Thesaurus, Brasília, 2004. – “Raízes e Algumas Pétalas Desta Rosa”.
Histórias que a Vida Inventa. José Geraldo. Thesaurus, Brasília, 2004. – “Pedaços de Vida”.
A Orquestra das Cigarras. Leon Szklarowsky. Thesaurus, Brasília, 2005. – Nota s/tít.
Ensaios Literários. José Geraldo. Thesaurus, Brasília, 2005. “Saber e Savoir-Faire”.
Arquitetura do Homem. João Carlos Taveira. Thesaurus, Brasília, 2005. – “Rigor Arquitetônico”.
Voltar a Minas – Poemas de Dispersão. Fotos e texto de Edson Guedes de Morais. Editora Guararapes – EGM, Jaboatão, PE, outubro de 2006. – “Um Mago da Poesia e da Boa Vontade”.
Poemas por Amor. Alexandre Marino. Varanda, Brasília, 2007. – “Abra-se este livro com reverência”.
X – TRABALHOS MULTICOPIADOS
Proposições Legislativas e Processo Técnico de Elaboração dos Projetos. Apostilas-resumo de aulas proferidas no IBAP – Instituto Brasileiro de Assessoramento Parlamentar, no Rio de Janeiro, em julho de 1959.
Breve Memória sobre o Assessoramento Legislativo na Câmara dos Deputados. Brasília, jun. e out./1989 e 1991.
PRÊMIOS LITERÁRIOS
Dentre os prêmios literários que recebeu destacam-se: Jean Cocteau, da revista A Época (Rio, 1957); Gavião, da Livraria Antunes, e Antonio Botto, do Ipase (1959); Alberto Rangel, de O Cruzeiro, Clube de Poesia de Campos, e Canção do Mar, do Diário de Notícias (1960); Revista do Funcionário Público, conto e poesia (1961); Medalha da Amicizia Italo-Brasiliana (Roma, 1962); Nacional de Poesia, Rio (1964); Olavo Bilac (1964 e 1966) e Machado de Assis (1966), do Estado da Guanabara; Bicentenário de Bocage (2.º; Setúbal, 1965); Alphonsus de Guimaraens, da Academia Mineira de Letras (1966); Rubén Darío (3.º; OEA, 1967); Fernando Chinaglia II, da UBE-RJ (1969); Lupe Cotrim Garaude, da UBE-SP (1978); Álvaro de Carvalho (Florianópolis, 1996); Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, São Paulo (2001).
FORTUNA CRÍTICA
Alguns recortes da fortuna crítica de Anderson Braga Horta, acumulada ao longo de mais de cinqüenta anos de atividade literária:
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
Quer no longo poema sobre a fundação de Brasília, que abre o livro, quer no conjunto do volume, registra-se uma intensidade de expressão que afirma a personalidade do poeta .... É uma poesia enérgica, de poderosa carga emocional, e trabalhada com bastante apuro técnico.
JOANYR DE OLIVEIRA
Anderson Braga Horta construiu, com “Altiplano”, o magno poema da “Capital da Esperança”.
(“‘Altiplano’, Epopéia Brasiliense”, Correio Braziliense, 20-3-65.)
STELLA LEONARDOS
.... livro que revela um grande poeta, senhor de seu instrumento, de excepcional talento, substrato-poesia e técnica admirável — poeta que inova e honra a moderna poesia brasileira.
(Do Parecer, também assinado por Peregrino Junior, Valdemar Cavalcanti, Santos Moraes e Fagundes de Menezes, que atribuiu o Prêmio Fernando Chinaglia II, da UBE, a Cronoscópio, em 1969.)
ALMEIDA FISCHER
Altiplano e Outros Poemas assinala a estréia em livro de um dos melhores poetas jovens do Brasil, ganhador de vários prêmios literários de âmbito nacional e com trabalhos incluídos em várias antologias .... Seus versos, construídos com absoluta correção formal, trazem em si poderosa carga poética, que se transmite de imediato e por inteiro a quem os lê. E vale a pena lê-los, pois são dos mais belos da literatura brasileira de nossos dias.
(Apresentação do livro, 1971.)
A. GARIBÁLDI
Jovem, Anderson Braga Horta é considerado, pela crítica responsável, um dos maiores poetas brasileiros de sua geração.
Seu estilo martelado, trabalhado, apresenta-se-nos como uma transição ousada entre o clássico e o moderno. Dá-nos uma forma literária que se entende e que se ama.
É poesia que tem a adustez dos desertos varridos por poeiras de séculos, onde ficaram lágrimas e angústias: as angústias e as lágrimas de todos os homens que morreram enleados na estrela duma esperança, que morreram por redimir.
E por isso, e sobretudo por isso, a obra literária de Anderson Braga Horta é profunda como o som dos búzios, que nos ensinam profecias indefiníveis que fincam as suas raízes em certezas ansiosas.
(Jornal de Felgueiras, Portugal, 16-10-71.)
HENRIQUES DO CERRO AZUL
Os efeitos sonoros, que o A. tira das palavras que utiliza na elaboração de seus poemas, é algo de surpreendente. Não está ali o ritmo mecânico, martelado nas cesuras e ictos em lugares pré-estabelecidos da Poética tradicional. Não é tampouco o ritmo interior, subjetivo, oriundo exclusivamente da emoção do Poeta ou do leitor. São os efeitos sonoros das próprias palavras, justapostas, cuja conexão independe do ritmo mecânico, gramatical ou interior, mas resulta de uma harmonia própria das palavras, ou seja um ritmo “ontológico”, ainda não catalogado nos compêndios didáticos de teoria literária...
(“O Poeta do Altiplano”, O Povo, Fortaleza, 10-2-73.)
CAMPOMIZZI FILHO
É ilustre a estirpe de Anderson Braga Horta. Remonta a um passado de muitos séculos. Segue a linha não corrompida e não ultrapassada da beleza. Nesse seu “Marvário”, monta-nos por sobre bases líricas todo um universo de ternura e de compreensão. Não luta contra moinhos de vento. Pelo contrário, sabe o que quer e para onde vai. E nos transmite as suas sensações. Anda pelo cerrado. Debruça-se à janela e descobre nas distâncias do planalto os ruídos do oceano que lhe acenam um convite e que se misturam nos seus ouvidos ao segredo da mulher amada. Esse “Marvário” está nítido na tradição mediterrânea de atração para as grandes águas. Vai ficar.
(“Marvário”, Gazeta Comercial, Juiz de Fora, 14-10-77.)
ALAN VIGGIANO
Um prêmio é um prêmio. Pode revelar uma preferência pessoal, surgir de uma amizade ou resultar até mesmo de conchavos espúrios. Quando, porém, uma produção poética acumula tal lista de láureas, extensas em número e elevadas em valor intrínseco; quando, à latitude dos prêmios, se juntam a longitude e diversidade das entidades que os concederam, como é o caso; e quando, nas assinaturas dos pareceres, estão nomes de autoridades no assunto como Carlos Drummond de Andrade e Manuel Bandeira, desaparece toda e qualquer margem de dúvida sobre o trabalho desse autor ....
(Apresentação de Incomunicação, 1977.)
HENRIQUETA LISBOA
Itinerário bem planejado, bem articulado e bem construído, num todo harmônico e severo, de linhas e formas que se procuram e se sustentam estruturalmente, partindo de uma razão profunda para uma expressão poética paradoxal e conflitiva. Os problemas do indivíduo, em ampliação, alcançam a área da problemática social, com muita felicidade em certos poemas, como “A Engrenagem”, e agressividade em outros, como “Apartheid (Suláfrica)” e “Os Espantalhos”.
Os conceitos do Autor encontram forma adequada, indiretamente, numa linguagem analógica de sons, ritmos e metáforas de intensa vibração — testemunho de sua força imaginativa.
É cuidadosa e eficaz, para a associação das idéias e ressonâncias, a escolha dos vocábulos, ora contundentes, ora puramente criativos: trevalume, anteluz, siderurgente, vitrígneos.
Enquanto o texto se afirma como expressão do humano, prevalece a palavra como valor essencial do poético.
(Apresentação de Exercícios de Homem, 1978.)
OLNEY BORGES PINTO DE SOUZA
Poesia social do mais alto nível é a que flui, de começo a fim, em Exercícios de Homem de Anderson Braga Horta.
Poesia social, diga-se desde logo, completamente diferente da que, via de regra, nos chega às mãos.
O autor não procede a uma glosa de acontecimentos, não erige seus poemas com fulcro em fatos isolados, ou isoladas amostras do amiúde desconcertante comportamento humano. Não, o poeta faz descer aos mais fundos escaninhos da personalidade humana sua arguta sonda de lúcido artista participante e leva a cabo um penetrante levantamento do condicionamento da humanidade ao qual, concomitantemente, adere uma dicção poética positivamente exímia.
(“Os Lúcidos Exercícios”, O Diário de São José dos Campos, 17-10-78.)
IVAN JUNQUEIRA
Nos Exercícios de homem, Braga Horta revela uma pujança e uma criatividade dignas de todos os possíveis encômios. Todas as artimanhas da arte poética e segredos da poesia parecem estar sob o jugo de sua mão habílima e versátil. Trata-se de um livro de funda e pertinaz reflexão, de graves acentos bíblicos, crivado de fantasmagorias e augúrios, vazado numa linguagem de absoluta limpidez e plasticidade, de uma riquíssima e insólita imagérie, de inumeráveis inventos e engenhos e, enfim, de um ímpeto contestatório cuja frontal contundência política raramente se vê até mesmo em nossos mais contumazes poetas engagés.
(“Dois Poetas”, em À Sombra de Orfeu, 1984.)
ABELARDO DE PAULA GOMES
Hay, en la poesía de Anderson Braga Horta, una preocupación fundamental por el Hombre. Por su completa substancia de barro y de luz. Por su pasado y por su presente. Interrogantes, angustiados, a veces, sobre la construcción del futuro, donde escepticismo y esperanza, en un horizonte de dudas, se vislumbran. Preocupación y interrogantes consustanciados en un lenguage poético, denso, conciso y bien trabajado y realizados por un sugestivo simbolismo.
(Hoy, Asunción, maio/jun.-79.)
AURELIO GONZALEZ CANALE
Altiplano e Outros Poemas es una prueba de los quilates poéticos del escritor brasileño. En efecto, en el presente poemario observamos el logro de una técnica personal, segura donde la palavra adquiere ora imágenes impactantes, ora se proyecta con hondura en las regiones de un pensamiento permanentemente reflexivo. Naturaleza u espírito son coordenadas unitivas de una misma realidad: el Hombre, real de polvo, sudor y sueño; Altiplano e Outros Poemas es una bandera al viento de la joven lírica brasileña.
(Hoy, maio/jun.-79.)
NAHUEL SANTANA
En Exercícios de Homem resaltan: el pulso artesanal de quien conoce los elementos que deben componer una poética cierta; la actitud del poeta con el hombre y el elquilibrio justo, a través del estrecho paso de la necesidad comunicante y el logro significante de la poesía actual.
.... A.B.H. sin procurar, ni prefijarse, metas vanguardistas en su poesía, arriba a un lenguaje claro y renovador, profundo y de una alta intensidad líricamente actual.
(“Exercícios de Homem”, Amaru, Buenos Aires, ago.-79, p. 16.)
MAURO GAMA
Mineiro de ritmos exatos, Anderson Braga Horta nos deu Altiplano e outros poemas (reedição) e Exercícios de homem, frutos de uma poética madura, de intimidade compensadora com os ingredientes da língua e corajosa atenção para com os problemas da humanidade presente.
(“Os Poetas Estão na Praça”, Ele Ela, dez.-79.)
CARLOS GARCÍA DE LA FUENTE
Los poetas brasileños se caracterizan por su fuerza. Son una fuerza de la naturaleza, que canta con voz de selva y de sertón, de mar y de montaña, con grandilocuencia de trópico. De ahí que no es extraño que los versos de Anderson Braga Horta reproduzcan fielmente aquellas características y nos hagan evocar, de inmediato, paisajes formidables, horizontes sin límites, tiempo de siglo, con palabra creadora.
Si recorremos el itinerario de Ejercicios de Hombre: del barro, del verbo, de Caín, de Babel, de las tinieblas, de las rebeliones, nos encontraremos sumergidos en un panorama de tempestad, iluminado de relámpagos, donde el hombre vive en una caverna sombría, construyendo artefactos, de los cuales “con uno mató a su hermano”.
Apenas una esperanza se vislumbra en esta poesía trascendente, pero no es una esperanza para hoy, sino para mañana, un mañana que llegará después del “todavía de iniquidades y miedo, del tiempo de rebeldía, de gestación, de los odios proliferantes, del tiempo amargo”; pero en aquella débil esperanza reside, precisamente, la belleza del poema que es Exercícios de Homem, nuevo aporte del Brasil, por intermedio de Anderson Braga Horta, a la cultura latinoamericana.
(Repertorio Latinoamericano, Buenos Aires, jan./fev./mar.-80.)
ARTIGAS MILANS MARTÍNEZ
Bastaría solamente el poema .... inspirado en la fundación de la ciudad de Brasilia, para dar brillo al nombre de un poeta. En ciento nueve versos de audaces, insólitas imágenes, en ágil fábrica idiomática, el poeta procesa esa fundación, partiendo desde el desolado y áspero sertón. Entona, vigoriza el poema, un sostenido ritmo musical de marcha, como acompañando la urgencia de conquista, en la batalla del hombre con la Naturaleza y su propio destino humano. ....
No dudo: este Braga Horta, ya está en el camino de los mejores poetas que dan renombre a la cultura de la patria de Olavo Bilac...
(Tribuna Salteña, Salto, Uruguay, 15-6-80.)
CRISTINA TSERNOTOPULOS
Si tuviéramos que destacar los rasgos sobresalientes de Anderson Braga Horta, poeta brasileño contemporáneo, deberíamos señalar en primer lugar su “ser” poético y en segundo lugar, su incesante buceo que parece no tener límites. ....
Sus temas predominantemente filosófico-sociales, algunos de extrema vigencia, evidencian con claridad el afán indagatorio del poeta; afán que también se manifiesta en el aspecto formal, en su lúcido distanciamiento de lo establecido, ya que no sólo utiliza elementos considerados poéticos por tradición, sino que además incorpora otros que escapan a encasillamientos rígidos ....
Por todo lo observado, concluimos que lo poético y el sondeo psíquico, metafísico o social, emana de ambos libros, a pesar de que en “Marvário” predomine lo lírico y tradicional, y en “Ejercicios de hombre”, haya una mayor preocupación social y metafísica y un alejamiento de lo convencional que lo tornan a veces extraño y chocante.
(“El Buceo Poético”, Letras da Província, dez.-80.)
PASCHOAL RANGEL
Recebi um dia “Exercícios de Homem”. Como antes recebera “Altiplano” e “Marvário”. E a dedicatória amiga de Anderson Braga Horta. Ex-aluno de outros tempos, sempre poeta, desde os tempos meninos. Hoje, poeta premiado, repremiado, federal. ....
Os poemas são dos anos 1964-1967, quando não era fácil — hoje também não é, antes também não era, depois não será também — fazer os “exercícios de homem”. Mas Anderson os fez e continua fazendo... Ele vai buscando todos os dias descobrir os caminhos noturnos dessas minas de angústia que somos nós quando mantemos um pouco de lucidez e consciência. Ele vai escavando a caminho de si, a caminho de nós. Esses “exercícios de homem” descobrem em “nós, o Homem”, pedaços do Barro, do Verbo, de Caim, de Babel, das Trevas, das Rebeliões, do Homem enfim, permanentemente evoluindo... Somos de fato essa inóspita mistura e nos habitamos mal-e-mal.
O poema maravilhoso de Anderson Braga Horta acompanha essa “divina comédia” de ser homem, às vezes sofrido, quase sempre esperançoso, de uma nada doce, antes áspera Esperança, iluminada pelo Infinito... Não sem passar por momentos de dúvida, de tédio, de cepticismo: “O Homem donde vem? Caiu donde não era. / Para onde vai? Não sabe. E o que deseja? A volta.” ....
(O Lutador, Belo Horizonte, 22/28-2-81.)
ANTONIO ROBERVAL MIKETEN
Altiplano e Outros Poemas foi o livro que lançou, dentro do cenário de Brasília, a poesia nacionalmente premiada de Anderson Braga Horta. Nele se antecipa o procedimento de uma arte vigorosa, sensível, de atento labor artesanal, que culmina em Exercícios de Homem: o quarto livro do poeta. ....
Enfim, em todos os procedimentos do poema — que coloca em relevo seus elementos de estruturação artística, capazes de gerar seu próprio mundo significativo — o universo de “Altiplano” torna Anderson Braga Horta o mais legítimo e altissonante poeta da alvorada de Brasília.
(“Altiplano: a Saga de Brasília”, Correio Braziliense, 19-12-81.)
JOSÉ ROBERTO DE ALMEIDA PINTO
Do ponto de vista da publicação em livro, Anderson Braga Horta é, dentre os autores da “poesia culta”, o mais ligado a Brasília e talvez o único ao qual se pode atribuir a qualificação de poeta essencialmente brasiliense. ....
Como uma espécie de cartão de apresentação ou certidão de naturalidade, Brasília se faz presente como tema no texto que abre a série de publicações em livro de Anderson — “Altiplano”, o longo poema, de acentos épicos, sobre a construção da cidade no “sertão, só e ríspido”. ....
Justamente por assumir a sintaxe da língua como um código cujas regras devem ser respeitadas, Anderson valoriza e torna expressivos os momentos de ruptura sintática ....
(Poesia de Brasília: Duas Tendências, Thesaurus, 2002.)
MOACYR FÉLIX
Anderson Braga Horta, de 48 anos de idade e mineiro residente em Brasília, já é poeta de inclusão obrigatória nos mapas da nossa literatura. Entre seus vários livros de poesia —é também ensaísta e tradutor— podemos relembrar —graças aos aplausos, que ainda ressoam, de suas críticas— Altiplano e outros Poemas, Marvário e Exercícios de Homem.
Cronoscópio, eis um título que bem revela a pre-ocupação constante nesta amostra a mais do fazer poético de Anderson. O tempo, a renda das horas, o seu infindável novelo, o seu tricotar-se sem pausa no silêncio dos instantes na paisagem geral ou na aparente imobilidade de cada coisa, as muralhas da treva sempre mais altas que o salto da percepção consciente, a alma dos minutos pulsando como pássaros, a auscultação dos relógios como quem ausculta as raízes de uma árvore crescendo — essa a matéria-prima desses seus versos. Com ela, e argamassada por mãos que se fizeram mestras de uma determinada e própria técnica de expressão, típica dos melhores momentos da escola estética a que pertence, com ela, com essa matéria é que ele, o poeta, constrói os seus seres verbais como anzóis de som e de palavras a buscarem, na profundeza do que vê como um abismo inconsútil, o menino que ele foi, a infância que teima em não morrer e que aparece diluída, como águas de lembranças, no espanto aristotélico com que não entende a noite, a longa noite embutida no asfalto das ruas e no interior das casas, a noite em que de sua poesia “brota um áspero perfume/ como de flor machucada”. É então que ele se prende, com suas pastas de dúvidas, às antenas de um socialismo utópico, que não vê claramente porque “os faróis estão cegos de névoa”. ....
(“Poesia em Brasília”, apresentação de Cronoscópio, 1983.)
OMAR BRASIL
Não que beleza não haja, ou emoção; mas a elas não se reduz. Algo resta, inconsútil (mágico talvez). Seria esse resíduo a poesia? Não sei. Nem mesmo sei o que é poesia! Certeza, apenas do que não o é. Não adianta apegarmo-nos à nítida cantuária de sua pedra-palavra, à resultante arquitetura de imagens dessacralizadas, à sua música inefável. Não é só a sensibilidade do poeta que ela nos desvela, mas também nossa própria sensibilidade, evadida das sombrias masmorras em que a encerramos, a aflorar e a nos violentar. Não encontrar é achar-se. Não ter é compreender-se. E nos perdemos na impetuosa corrente de sua força lírica. Encontrar-se é morrer. (...) portanto, queimar-se, e só, sem mais filosofia.
Torrente, embora incontida e avassaladora, o sentimento represa-se nas margens de seus tempos e circunstancialidade. Tem a coragem de não lhes refugir, enfrenta-os temerária e criticamente. É um solapar incessante, que vai criando reentrâncias (onde o remanso, num refazer de forças, para de novo despenhar-se em ondas e remoinhos), um espraiar-se, aqui e ali, em lagoas transcendentes. ....
Deixemo-nos levar pelo turbilhão. .... Queimemo-nos, pois, sem mais filosofia.
(“Do Transcender Poético”, dobra da capa de O Cordeiro e a Nuvem, 1984.)
SAMUEL PENIDO
Cronoscópio, de Anderson Braga Horta, recém-editado, reitera as qualidades apontadas nos outros livros do poeta, com ressalva, é claro, para aqueles elementos de ordem estrutural que, em última análise, constituem a especificidade de toda obra literária. Em síntese, sua mensagem é forte e tocante; as imagens, arrojadas e candentes; a temática e o ritmo, variados. Trata-se de autor que seduz, particularmente, pelo calor humano, pela paixão acumulada em cada verso. ....
A problemática da poesia — sua natureza, função e mistério — igualmente se faz presente neste livro, ocupando um capítulo inteiro. “A poesia é uma explosão controlada”; assim se encerra o poema “Telex”. Definição que se ajusta perfeitamente ao trabalho poético de Anderson Braga Horta, todo ele espelho da mais pura inquietação moral e de absoluta técnica formal.
(“Um Poeta, uma Poeta”, O Escritor, jun./jul.-84.)
REYNALDO BAIRÃO
Sem favor algum, Cronoscópio é um livro surpreendente, de uma certa forma perturbante, um contínuo desvendar de uma técnica de expressão absolutamente própria, o que coloca Anderson Braga Horta entre os nossos melhores poetas atuais. O espanto e a solidão são a matéria inconsútil do fazer deste poeta ímpar entre os da sua geração. .... É poesia adulta, que nos mostra um poeta em plena maturidade de sua força criadora, um autêntico “triturador de angústias”, um verdadeiro “lapidador de rochas”, um “sabedor de todas as águas” que abriga em seu âmago “a serenidade do céu”.
(“Cronoscópio ou uma Árvore que Cresce”, Jornal de Letras, ago.-84.)
HERMANN JOSÉ REIPERT
A vibração estala, ora através do ritmo, ora através de uma seiva estranha que brota de cada poema num desfilar febril de palavras modernas, antiquíssimas, fantasmagóricas e contundentes — palavras — nesse belo Exercícios de Homem que Anderson Braga Horta nos envia agora.
Dir-se-ia uma Poesia telúrica — panteísmo transcendental — de um ímpeto vital subterrâneo que ora esplende no ritmo gracioso de “Rosazul” ora na exigência urgente com que pede o afastamento das coisas mortas: a rosa insossa, insípida, inodora em “Cruento”.
Dizendo forte através de neologismos e arcaísmos, a linguagem dobra-se à idéia no mais íntimo de sua concepção.
Uma ou outra vez cede ao discurso, quando “participa” com mais veemência, talvez. Muito raro esse momento, porque o seu é o momento do mundo esplendendo em brotos, raízes, barro e limo, um mundo estalando no milagre de viver.
Tirando o divino do humano, do barro a frauta, do mineiro a gema, há uma esperança funda nesses Poemas, o ideológico fundindo-se no artístico donde brota um incenso de puro humanismo enriquecendo, multicolorindo e dignificando a Poesia.
Poesia onde o ébrio dionisíaco entra com a força da raiz. Anderson Braga Horta é bem um sacerdote de um culto panteísta, como quando modela o barro para dele tirar a “frauta” sabendo extrair de um objeto um estado de alma.
Quanto ao formal, nada de soluções estereotipadas: o Poeta não só diz mas prefere viver o “dizer”. E o diz sugerindo, não explicitando, introduzindo a Poesia no mistério da Poesia.
(“Exercícios de Homem — Ímpeto Vital”, Boletim da ANE, dez.-84.)
FRANCISCO HERNÁNDEZ AVILÉS
El poeta Anderson Braga Horta (1934) nació en Minas Gerais, Brasil. Constituye una de las sensibilidades más críticas frente a la intolerancia de la sociedad contemporánea. Su poesía es contundente contra la injusticia social, sea niño hambriento, selva abrasada o esclavitud; sin embargo, inmerso en ese mundo despiadado, bestial, anticipa otro tiempo más lúcido en el cual el hombre pueda finalmente erguirse como tal.
(Nota a tradução de “Sul áfrica”, Lá Rosa Náutica, n.º 3, México, out.-90.)
JOÃO CARLOS TAVEIRA
A trajetória poética de Anderson Braga Horta, cuja estréia se deu na maturidade, aos 37 anos, tem sido, desde então, a manifestação inequívoca de um talento artístico harmonioso, plenamente voltado para o mistério do Verbo, da Beleza e da condição humana. ....
Desde o primeiro livro, o premiadíssimo Altiplano e Outros Poemas, de 1971, passando por Marvário, Incomunicação, Exercícios de Homem (título que de per si corrobora estas reflexões) e Cronoscópio, até o recente O Pássaro no Aquário —coletânea que veio ombrear com as dos principais e mais expressivos nomes no cenário da moderna poesia brasileira—, podemos confirmar o compromisso de Anderson Braga Horta com a palavra, no seu exercício cotidiano de busca da essencialidade humana. Nesta poesia nada é gratuito, artificial. Todo o seu corpo formal e conteudístico se alicerça na estrutura da poesia clássica, pelo que ela possui de barroco, de romântico, de simbolista.
A força expressional verificada em sua obra, aliada ao conhecimento intelectivo e ao apuro técnico, confere ao autor de O Cordeiro e a Nuvem uma dicção e uma especificidade criacional incomuns, porque dotadas de uma característica pessoal, intransferível: o caráter e o talento elevando-se como matriz da vida e da obra de um homem. Aquela associação ou fusão que Manuel Bandeira ressaltou em Murilo Mendes e que, posteriormente, Edson Nery da Fonseca vislumbrou no seu conterrâneo Mauro Mota. ....
O poema que fecha o conjunto de Quarteto Arcaico, denominado “A Tartaruga”, além de nos confirmar a polifonia da linguagem musical, devido ao seu clímax, pode ser lido tranqüilamente como uma viagem cinematográfica. Entre os vários pontos sugeridos, parece-nos que esta viagem foi elaborada a partir de um filmograma de Fellini, em La Dolce Vita. Trata-se de uma das mais belas realizações poéticas de Anderson Braga Horta, concebida sem nenhuma preocupação especial no tocante a certos preconceitos formais dominantes. Ao contrário, sente-se que é um poema nascido da fluidez da inspiração e realizado com simplicidade e leveza comumente constatadas só em poetas maduros e experientes como o autor de O Pássaro no Aquário.
Com este livro, ponto de altíssimo nível de iluminação da obra de Anderson Braga Horta, por representar, dentro de sua criação artística, um mergulho dos mais felizes nas fontes da poesia brasileira, tenho motivos de sobra para vaticinar a consagração de uma vocação humanista, sempre voltada poeticamente para os reais valores do Homem, na construção de um mundo mais justo, mais generoso e mais fraterno.
(“O Verbo, o Belo e a Condição Humana”, apresentação de Quarteto Arcaico, 2000.)
KORI BOLIVIA
Estando yo en el aula universitaria, un día de los años 70, conocí a Anderson Braga Horta y a Marly de Oliveira. Oía poemas en la voz de los propios autores. Me emocioné como toda estudiante extranjera que por vez primera podía disfrutar de ese tipo de actividad. Pero el tiempo pasó y ahora, el reencuentro no sólo con la persona pero con la poesía de Braga Horta, me mostró que el interconocimiento entre nuestros países es necesario. Bolivia conoce poco sobre la poesía brasileña actual, no sólo sobre la brasiliense y la recíproca es más que verdadera. ....
Poeta premiado en varios concursos nacionales, marca con su presencia serena y firme las noches bohemias de la cultura brasiliense ....
La creación literaria muchas veces se enfrenta con alguna limitación en el campo de la palabra, pero Braga Horta consigue nuevas imágenes fundiendo y refundiendo palabras, recreándolas en trabajo a veces juguetón. En sus poemas la metáfora lírica fluye cual manantial tranquilo que a veces encuentra paisajes pedregosos y nos emociona, nos lleva a experimentar sentimientos antiguos en nosotros mismos. Es una poesía rica y a veces sensorial y otras racional, pero un racional que sueña siempre y se pregunta sobre sí mismo haciéndonos partícipes de sus otros yos, ésos que también pueden repetirse en cualquiera de nosotros.
En sus versos hay fluidez y movimiento, las imágenes y sus asociaciones trascienden las experiencias de la vida y advertimos al mismo tiempo, una soledad ligada a un poco de melancolía, quizá identificada con su propio espíritu. Sin embargo, el poeta es pleno y mantiene una actitud totalizadora, sana y absoluta.
(“Anderson Braga Horta en 5 Poemas Traducidos”, Literatura, out./dez.-97.)
MANOEL HYGINO DOS SANTOS
Da nossa capital federal, já se disse quase tudo. “Quase”, porque nenhuma criação humana, nenhum julgamento, nenhuma idéia é completa. Há sempre a acrescentar. Digo-o, com serena convicção, ao ler, periodicamente, o conteúdo de Poesia de Brasília, antologia dos autores ali nascidos, ali residentes, os que por lá passaram.
... a capital federal já tem alma própria, sente e pulsa, como os seres humanos. Pode-se aferir e conferir pela leitura do livro em questão, obra de Joanyr de Oliveira, mineiro de Aimorés, que andou aí pelos brasis, para finalmente estabelecer-se com armas, bagagens, méritos e disposição, inclusive para revelar ao resto do território que, no planalto central, se faz mais do que política. Faz-se poesia, e de excelente qualidade. ....
Somente agora consinto que “Brasília nasceu sob o signo da poesia”, como definiu Anderson Braga Horta, por sinal mineiro, de Carangola, que comparece à obra com peças de fino lavor.
(“Alma Citadina”, Hoje em Dia, Belo Horizonte, 26-4-99.)
ANTONIO OLINTO
É mister que se inclua o nome de Anderson Braga Horta na lista dos grandes poetas deste País. Seu verso tem ecos longínquos, mas brota de um período de transe, quando um milênio se desfaz e as coisas se modificam. Volume de bela feitura gráfica, “Dos sonetos na corda de sol” aparece com apresentação de José Jeronymo Rivera, em lançamento da Editora Guararapes EGM, de Jaboatão dos Guararapes, Pernambuco.
(“O Mistério do Ritmo”, Tribuna da Imprensa, Rio, 7.7.99.)
JOSÉ SANTIAGO NAUD
O primeiro livro de Anderson Braga Horta publicou-se em 1971 na cidade de Brasília, com trabalhos de 1959 a 1964. Natural de Minas Gerais, para aqui veio desde o Rio, em julho de 1960, e viveu a infância também no interior goiano. Dura portanto quatro décadas completas o longo e largo percurso lírico do autor, que parece já haver nascido maduro e tem sido, inalteravelmente, luminoso. Estrela de primeira grandeza, hoje cintila na constelação da poesia nacional.
Por herança de sangue e de berço, ele é senhor com certeza de sólido patrimônio cultural. Seus pais eram poetas de vôo seguro e a casa familiar foi sempre morada do espírito. Deste modo, este livro — Fragmentos da paixão, que reúne obras editadas até 1997, espelha com limpidez a suma do seu caminho. Exemplar de beleza, ofício de humanidade. O título sugere: a aventura não acabou. Paixão deve entender-se como Vida ou Poesia. O primeiro substantivo, secundário, indica apenas parcelas da verdade maior, felizmente ainda em ação. É a existência inteira do Anderson.
Desde o primeiro, Altiplano e outros poemas, ao último, Auto das trevas, os livros se sucedem: Marvário (1976), Incomunicação (1977), Exercícios de homem (1978), Cronoscópio (1983), O pássaro no aquário (1990). Num horizonte de obras em que, sem altibaixos, podemos vislumbrar a linha nítida e impecável de uma cordilheira, ascende vertical o fogo serpentino. Profunda inspiração e competência formal fixam nas palavras o mistério da vida e o mistério poético. Um arco, irisado e completo, lhe são bases de arrimo aqueles dois livros extremos. Sejam, as singularidades, que transcendem a saga da capital planaltina, ao sopro épico do antigo; e a objetividade, reflexa na crítica social que retoma as fontes dramáticas da língua portuguesa. Mas o tradicional, que Anderson domina sabendo afeiçoá-lo à invenção moderna, representa o suporte capaz de fazer consistente e homogênea sua criação. Até garante a validade inclusiva de ludismos concretistas, canhestramente gratuitos noutras tentativas de gente menos feliz. Quanto aos livros que ficam pelo meio, poderiam vir a compor o vazio, conforme ocorre no espaço de um arco qualquer. Poderiam, não fora a coesão da obra, o intenso vigor da fatura, exercício de um homem fiel ao seu destino, solidário com os outros, atento ao valor das coisas — visíveis e invisíveis. Teve o bom alvitre de incluir peças antes postas à margem, e agora presentes com o nome de Poemas escritos com raiva (inédito). Além de patentearem sagrada indignação contra a estupidez e a violência, servem esses versos para entendermos os critérios que informam a perícia da sua composição e a alquimia utilizada no processo estético. Com unanimidade (e nenhuma burrice), a crítica situou-se exata na avaliação destes sete livros, e os prêmios de alta categoria o confirmam. Juízo idôneo, apenas ultrapassável na descoberta jubilosa que haverá de fazer cada leitor, se dispuser-se honestamente à verdade e à beleza neles contidas. Os prefácios de escritores competentes ou as introduções do próprio autor servirão de roteiro em tal senda, na realidade mágica. Ao fim, uma notícia biobibliográfica e o índice do que se escreveu sobre o poeta, orientarão toda inteligência propensa a refletir ante esforço tão fecundo.
Na fértil poética brasileira, de norte a sul e de leste a oeste são inumeráveis os nomes que já escreveram palavras definitivas. No entanto, ninguém terá um direito maior do que Anderson Braga Horta para honrar a derradeira afirmativa de Hölderlin: “Was bleibet aber, stiften die Dichter”. Mas o que permanece, fundam os poetas.
(Dobras da capa de Fragmentos da Paixão, 2000.)
NILTO MACIEL
A vasta Fortuna Crítica de Anderson Braga Horta demonstra a sua importância dentro do panorama da Poesia Brasileira. Sua obra vem sendo construída lenta e serenamente, como deveria ser a construção da obra de todo escritor. Talvez a sua mineiridade o ajude a ser assim sossegado, sem açodamentos. ....
O erotismo requintado aparece em diversos poemas de Quarteto Arcaico, em belíssimas imagens, sem nenhuma concessão ao trivial. O soneto “Marinha” é exemplo de como se deve ou se pode fazer poema erótico sem deixar de fazer poesia. ....
Anderson homenageia poetas de sua predileção e de sua amizade, sem resvalar no discurso prosaico, sem se valer do mero registro ou navegar nas águas por demais límpidas do circunstancial. Seus poemas dedicados aos poetas são construídos a partir da poesia deles, e não da aparência, dos olhos, da boca deles.
Escrito em linguagem poética apurada, sem nenhuma transigência com o linguajar da prosa jornalística (como acontece a torto e a direito por aí, inclusive em poetas de alguma nomeada na mídia), utilizando formas fixas e livres, redondilhas, decassílabos, versos polimétricos, valendo-se de todo o leque de temas poéticos mais conhecidos – Quarteto Arcaico é de deliciosa leitura. Merecem destaque inúmeros poemas e alguns versos, os quais constarão das antologias da Poesia Brasileira: “Eu vou para onde ireis: / para Além, para o Enigma. / Eu vou para onde vai o infinito da Vida.” (A Tartaruga). Para tornar-se enigmático? Não e pelo contrário: para compreender-se e compreender o mundo. A imagem é ascética. O poeta parece sentir-se anterior à criação do mundo. Pois poesia é criação. Ou pré-criação. O que não deixa de ser enigma.
(“Anderson Braga Horta: Cultivador de Enigmas”, LB – Revista da Literatura Brasileira, n.º 21, São Paulo, 2001.)
FERNANDO PY
Esta seção hoje principia registrando três livros do poeta mineiro Anderson Braga Horta: Dos sonetos na corda de sol (Jaboatão, PE: Editora Guararapes–EGM, 1999), Quarteto arcaico (Jaboatão, PE: Guararapes–EGM, 2000) e Fragmentos da paixão (S. Paulo: Massao Ohno, 2000). Em todos eles temos a já consabida mestria do poeta no acabamento formal dos versos e dos poemas, o que fica evidente nos sonetos do primeiro dos livros citados. Os sonetos de Anderson, sem nenhum favor, são peças de extremo rigor na forma e neles o poeta se dá o requinte de versejar de maneira um tanto arcaica, como no soneto inicial, propriamente chamado “Soneto antigo”. Porém Anderson não se limita, como excelente poeta que é, a versejar dentro de uma forma fixa, muito embora domine amplamente a técnica do soneto. Nas quatro partes do Quarteto arcaico, vemo-lo perfeitamente à vontade no manejo de todo tipo de verso, não só os bem metrificados e rimados, mas também os de caráter mais livre, em que a métrica é eventual — ou até não existe — e o poeta não se prende à contagem de sílabas, bastando-lhe seguir o ritmo do próprio ouvido.
Já em Fragmentos da paixão, reunião geral da obra poética de Anderson, temos em um volume todos os seus livros anteriores aos editados pela Guararapes, desde a estréia com Altiplano e outros poemas (1971) até O pássaro no aquário (1990), além dos inéditos Poemas escritos com raiva e Auto das trevas. Na estréia, Anderson Braga Horta já mostrava sua madureza e a habilidade no trato das formas fixas, o que é demonstrado nos “Quatro sonetos em lá”, todos ingleses, isto é, com três quartetos e um dístico final rimado. O segundo livro, Marvário (1976), denota claramente uma evolução. Mas essa evolução se dá sobretudo na ampliação da temática, que chega inclusive ao contexto social, como vemos nos poemas finais do livro, principalmente “Celacanto” (p. 54), mas por igual oferece a gratuidade das “Canções”, onde o poeta exibe todo seu talento nos versos medidos. Incomunicação (1977), Exercícios de homem (1978) e o inédito Poemas escritos com raiva, são livros em que é acentuada a temática social e o poeta, sem deixar de lado seu lirismo visceral, se coloca na vanguarda dos poemas engajados da época. Daí decorre o fato desses poemas serem muito datados, sobretudo o último deles; mas em Cronoscópio (1983), Anderson alcança a plena maturidade poética, está senhor de seu instrumental, a palavra, e daí em diante sua obra se cristaliza, o que se faz mais nítido em O pássaro no aquário. Como já tive ocasião de escrever, o poeta se volta para indagações existenciais que se espalham pelo livro todo, assumindo por vezes conotações de angústia, e domina plenamente sua linguagem e a técnica do verso.
(“O Poeta Anderson”, “Tribuna Literária”, Tribuna de Petrópolis, 18.2.2001.)
RONALDO CAGIANO
.... No oito livros coligidos, sua temática centra-se no homem e no amor, com ênfase na dicotomia entre a vida e a morte. Detecta-se em sua artesania uma articulação entre as diversas correntes literárias, o trânsito entre uma escola e outra, a simbiose de estilos, a intertextualidade — particularidades de quem tem se dedicado a erguer o sólido edifício de sua poesia, sem preocupar-se com êxitos editoriais, livre das controvérsias de mercado, sem aprisionar-se aos encantos da mídia. Poesia madura desde cedo, vigorosa, pulsante, polissêmica, como encarnação da inevitável necessidade de contextualizar os paradoxos que caracterizam a trajetória humana em meio às rupturas deste fin de siècle.
.... Mesmo com toda a liberdade criativa ao erguer a ponte entre a tradição do clássico e o arejamento do moderno, o autor não descuida da qualidade: labora dentro de uma perspectiva estética que não faz concessões à mediocridade, ao mau gosto e rejeita o incensamento da pseudovanguarda. .... Constrói, pois, uma obra do mais alto padrão, situada acima de modismos e tendências, voltada unicamente para a poesia como elemento de identidade universal. E deixa claro nesses versos de concisa, mas profunda reflexão, o seu desafio aos leitores: “Não interrogues o poeta. / Que sabe o rio de suas águas? / Bebamos o poema, esse / caminho venturoso / e sacrificial / entre / a rosa revelada e a rosa alquímica.”
(“Paixão Poética”, Jornal de Letras, Rio de Janeiro, mar./1.)
SAMUEL PENIDO
Anderson Braga Horta é, sem favor algum, poeta dos mais importantes do país. A glória visitou-o cedo, no início dos anos 60, quando em concursos literários, recebeu o voto entusiasta de mestres como Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade. Quantos poetas poderiam ostentar tal galardão? Na verdade, esse mineiro de nascimento e por conquista, já que sábio minerador de palavras, acabou se tornando também um mestre da poesia, credenciado por diversos livros, agora reunidos em Fragmentos da Paixão (Massao Ohno Editor, São Paulo, 2000). Uma coletânea inédita – Poemas Escritos com Raiva – foi incorporada ao volume.
Fragmentos da Paixão traz-nos a obra de um poeta que nasceu maduro; a obra de um poeta que soube renovar-se através do tempo. Renovação que não se deu por acaso, mas à custa de muita “luta com a palavra”, de muito rigor técnico. Seu texto está recheado de alusões, de achados formais, que lembram os grandes mestres da poesia; apenas lembram, pois o que prepondera sempre é sua criatividade: uma idéia a gerar outra, ou a descoberta de uma nova solução expressional. Assim, nada mais natural que componha, ora um soneto, com métrica e rima, ou não – forma, aliás, em que se mostra exímio – ora construa um poema utilizando da maneira mais plástica possível, os espaços da página.
Anderson Braga Horta é um poeta lírico, acima de tudo. Mas de um lirismo que não se fecha em si mesmo, pois aceita interferências várias, como as de origem metafísica ou social e da vida cotidiana, no que esta tem de mais raso ou mais complexo. Amplo, bastante amplo é o espectro de suas preocupações; não se furta a trabalhar nenhum tema, por mais áspero que possa ser.
(“Fragmentos da Paixão”, O Escritor – Jornal da UBE, São Paulo, mar.-1.)
IRANILDO SAMPAIO
Anderson Braga Horta é, sem qualquer dúvida, um dos mais importantes poetas brasileiros de todos os tempos. Os poemas por ele reunidos, sob o título geral de Fragmentos da Paixão, representam uma obra do mais extraordinário conteúdo metafísico, eivada de momentos poéticos verdadeiramente alucinantes, onde tudo é beleza, lirismo e coerência formal. É uma poesia fora dos padrões poéticos rotineiros ....
(“Dois Livros”, Literatura, n.º 20, abr.-1.)
MÁRCIO CATUNDA
Fragmentos da Paixão congrega oito livros que constituem a maior parte de sua obra poética. Na edição, aos seus sete primeiros livros de poesia, Anderson agregou o formidável Auto das Trevas, poema dramático de absoluta síntese, que entrega ao sol da verdade o problema da injustiça social. .... Em Pulso se verifica mais uma vez versatilidade com que o autor maneja os elementos da composição, a mesma habilidade com que combina os tons e as inflexões temáticas de variado espectro. Da ironia do testemunho existencial ao ímpeto de ascensão espiritual, Anderson perscruta a alma humana, a Natureza e o mundo com sua peculiar argúcia de artífice da palavra. Com esse instrumental que se vem afinando cada vez mais, Anderson sabe unir as cogitações do inefável às vicissitudes do cotidiano, alma e memória a um só tempo embevecendo-se com a música do mundo e abominando a miséria do mundo. A generosa voz do poeta a serviço dos humaníssimos princípios, que o verbo poético transfigura em metáforas instigantes, reveladoras de universais verdades. Para que o leitor tenha uma idéia do livro, citarei apenas estes três versos do poema “Subumanidade”, de espantosa incandescência, contundentes como um facho de luz: “O universo é infinito? / Para quem tem fome / é melhor que haja um fim.”
(“Anderson Braga Horta, Mineiro Noturno, Devoto da Poesia”, em Na Trilha dos Eleitos — Volume II, Komedi, Campinas, 2001.)
LITERATURA – Revista do Escritor Brasileiro
O vencedor do “Prêmio Jabuti 2001”, categoria Poesia, é o livro Fragmentos da Paixão – Poesia Reunida, de Anderson Braga Horta. Alguns jornalistas se disseram surpresos, porque, segundo eles, Anderson “é conhecido por poucos”. Na observação de Nilto Maciel, “na verdade, os poetas são conhecidos por poucos, mesmo aqueles que, vez por outra, aparecem nos jornais e nas televisões, como Ferreira Gullar e Afonso Romano. Na verdade, Anderson é poeta muitas vezes premiado e tem diversos livros publicados. Na verdade, Anderson é um dos melhores poetas brasileiros e está e estará ao lado de poetas como Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, João Cabral, Francisco Carvalho e mais uns poucos”.
(“Anderson Braga Horta: Jabuti de Poesia”. N.º 21, agosto de 2001.)
ILDÁSIO TAVARES
Anderson Braga Horta há muito tem seu lugar guardado na poesia brasileira, presença obrigatória de toda antologia que se fizer desta poesia na contemporaneidade. Se ele lá não estiver, esta antologia não estará completa. Recebo sua Antologia Pessoal. Que dizer? É o filé do poeta, a partir de sua própria seleção e, como tal, o leitor pode fechar os olhos e abrir em qualquer página à toa que irá achar boa poesia.
(“Três Livros de Qualidade”, Tribuna da Bahia, Salvador, 12/13-1-2.)
XOSÉ LOIS GARCÍA
[Cronoscópio] es un excelente libro de poesía de Anderson Braga Horta, un sobresaliente poeta de Minas Gerais que vive en Brasilia. Su preocupación creativa está presente en una técnica de expresividad depurada. La ancestralidad y lo telúrico se manifiestan en sus versos como conocimiento que indaga en el futuro.
(Na intr. à Antología de la Poesía Brasileña, Edicións Laiovento, Santiago de Compostela, 2001.)
FERNANDO PY
Poeta dos melhores em sua geração, Anderson mostra sobejamente neste Pulso todas as suas qualidades. Nos dois poemas iniciais ('Indagações', p. 9, e 'Poética', p. 11) questiona o nascimento da poesia e propõe um texto que seja produto direto do inconsciente ("deixa que a mão escreva", verso que se repete com insistência até o final do poema). Isto indica naturalmente uma forma de encarar a poesia e como realizar um texto poético. E o poeta Anderson mostra, ao longo do livro, de que maneira exercita sua habilidade de fazer poesia, sem temer assunto nem meios. Está visivelmente à vontade, tanto nas formas fixas, como o soneto (veja-se o 'Soneto entusiástico', p. 26), quanto nas formas livres ou irregulares. E seu virtuosismo chega ao auge da recriação poética nas duas versões que faz da tradução do poema A Ballade of Dreamland, do poeta inglês Algernon Charles Swinburne (com o título de 'Balada do país do sonho', pp. 90 e 92). Anderson Braga Horta é, certamente, um dos melhores poetas do Brasil na atualidade.
(Tribuna de Petrópolis, 15-9-2.)
JALONS
Une personnalité remarquable dans la mouvance spirituelle de sa mère, l'inoubliable Maria Braga Horta. Son dire colle aux réalités de ce monde, cependant qu'il les accompagne avec sensibilité de réflexions et de regards qui en appellent ensemble à la lucidité et à la compassion. Une poésie de chair et d'esprit, dans tous ses éclairages.
(Sobre Antologia Pessoal. N.° 73, 4ème trimestre 2002, Vichy.)
ZORA SELJAN
Está Anderson Braga Horta entre os melhores poetas brasileiros da geração que sucedeu a Carlos Drummond de Andrade, Murilo Mendes, Manuel Bandeira e João Cabral. Silenciosamente, muito ao jeito de um bom mineiro entregue à faina de interpretar o mundo através da palavra poética, veio construindo sua obra, num domínio crescente de uma técnica vocabular e rítmica, num entendimento exato de que a palavra é capaz de tudo, capaz mesmo de surpreender o mistério que cerca os passos de cada um no rumo de um fim ou de um começo. As respostas, que Anderson Braga Horta dá às perguntas que lhe fiz, revelam a força de seu compromisso de extrair poesia de tudo o que nos rodeia. ....
Um completo e novo domínio do soneto levou o poeta Anderson Braga Horta a renová-lo de tal maneira que, nas suas mãos, podemos considerar o soneto como técnica avançada de fazer poesia, como se tivéssemos dado um salto de Camões até hoje.
(Da entr. "Anderson Braga Horta e o Mistério da Poesia" – Jornal de Letras, n.° 52, Rio, dez.-2002.)
SÉRGIO DE CASTRO PINTO
Muito antes de conhecer Anderson Braga Horta pessoalmente, conheci a poesia desse poeta mineiro de Carangola justamente num suplemento das Minas Gerais. O poema? “O Escorpião”, cuja picada poética de pronto me levou a considerá-lo um dos mais antológicos da lírica brasileira de todos os tempos.
.... a poesia de Anderson é ágil, não obstante reivindique às vezes uma leitura lenta, em consonância com o que ela está mais a sugerir do que a dizer. E já mesmo por ser um sonetista primoroso, ele mais se assenhoreia dessa forma fixa do que se deixa subordinar por ela. O que é, convenhamos, muito difícil. ....
(“O Poeta Anderson Braga Horta” – Jornal da Paraíba, 21-3-4.)
ANTONIO MIRANDA
A poesia de Anderson Braga Horta fica no ponto de transição humanista-redentorista, que acredita na superação do homem, na salvação e em certo determinismo que nos leva sempre ao progresso (garantido pela evolução histórica) e, em sentido contrário, conforme a assertiva moriniana, levanta a questão da impossibilidade de qualquer progresso, numa aventura incerta, e também à certeza de que toda conquista é efêmera e requer reconstruções infinitas, avanços e recuos, riscos constantes. ....
(“A Tese de Edgar Morin e a Poesia Exemplar de Anderson Braga Horta” –Prosa, rev. da Uniderp, Campo Grande, MS, v. 4, n.º 1, 2004.)
F. PIRES LOPES
O próprio poeta nos elucida que o seu objetivo é salientar ao máximo as cintilações da língua não como técnica mas como ‘coisa mental’ e de ‘comoção’ (portanto pensamento-emoção-sentimento), em ideal de complexa simplicidade humana.
Para ver como programa a realização, eis os títulos dos cinco conjuntos aduzidos: erótica, eus, círculo de família, ser com os outros, limites. Do seu auto-retrato citamos ainda traços identificantes, como homem, como literato, como político: “O homem ainda não completou a sua humanidade. Atento às dolorosas encruzilhadas em que se crucifica o Planeta, acredita no ser humano, confia no Brasil e crê na poesia, vendo nesta um dos caminhos capazes de levar à redenção espiritual, que implica e é implicada pela redenção social do homem” (104).
Com toques de lirismo luso e altissonâncias telúricas do mundo brasileiro, desenvolve o poeta vasta gama de motivos, incluindo zona espiritualista. Poesia forte, imagem dos Brasis percorridos, até à síntese que Brasília talvez anuncia: “No altiplano das nossas esperanças, / rosa-dos-homens / construímos-te futura” para “quando chegar o tempo do Homem” (80-1).
(Nota sobre 50 Poemas Escolhidos pelo Autor – Brotéria, Lisboa, 2004.)
ANTÔNIO CARLOS SANTINI
A poesia é intraduzível, dizem alguns. Coado o licor lírico pelo alambique da tradução, perde-se o bouquet. Traduzir o poema é arrancar as asas da borboleta cujo mistério se pretende decifrar...
Talvez seja hora de discordar. Se foi elogiado e premiado o tradutor alemão de Guimarães Rosa (aquele inventor de palavras que até Riobaldo Tatarana hesita em escandir e silabar!), se Antônio Houaiss foi celebrado por sua tradução do “Ulisses”, de Joyce – e de propósito lembro dois autores tidos como “intraduzíveis” –, nenhum outro texto pode já ser considerado imune à tradução.
Acabo de receber (e de ler, sorrindo) o novo livro de Anderson Braga Horta, “Traduzir poesia” (Ed. Thesaurus, Brasília, 2004, 294p. – fone (061) 344-3738), em que o poeta veste a capa de alquimista para narrar seus experimentos de transmutação da pedra filosofal, digo, de poemas estrangeiros para o idioma português.
Não contente de mostrar a tradução propriamente dita, HORTA revolve os canteiros (perdão pelo trocadilho!) da construção, deixando perceber – para desespero de Bilac – os andaimes do edifício. O poeta-tradutor mostra o produto final, mas revela também as tentativas anteriores, mais ou menos felizes, as hesitações e o suor de cada escolha. Só para o famoso “Voyelles”, de Rimbaud, dá-nos, ad libitum, seis versões! Ele confessa: “Gastei todo um mês nesse trabalho.”
As traduções vêm entremeadas de reflexões que compõem uma pequena “teoria literária”. ....
O tradutor é ambicioso: Baudelaire, Petrarca, Quevedo, Rilke, Shakespeare – ninguém o assusta. ....
Acabo por aqui. Mas fica a lembrança: o livro interessa diretamente a estudantes de Literatura, professores de Teoria Literária e Estilística, aprendizes de poeta. Os segredos de carpintaria da escritura saem direto do laboratório do mago...
(“Traduzir Poesia?” – O Lutador, B. Horizonte, 11/20-12-4.)
EDUARDO FERREIRA
Na seara da tradução, o ramo da poesia é talvez o que apresente os desafios mais desalentadores. Um poema, como diria Noel Delamare, é um núcleo de sugestões de sentidos múltiplos. Irradia idéias, atira setas para todos os lados, de maneira irresistível. Desespero real para quem pensa em traduzir letra por letra, ou mesmo sentido por sentido.
Traduzir um poema não é compreender todas as suas partes e elementos; é construir sentido a partir dessas partes e elementos. Nem mesmo ajudaria perguntar ao autor do poema original o que ele quis dizer; ol tradutor de poesia é um solitário recriador, dependente de sua criatividade, experimentação, paciência e mesmo ousadia. Traduzir poesia requer escrituras e reescrituras, às vezes versões e versões sucessivas.
Campo tão vasto e rico não deveria carecer de reflexões de maior fôlego. Não deveria carecer de obras e obras dedicadas a ele. Mas carece. Anderson Braga Horta, com seu Traduzir poesia (Thesaurus, 2004), vem suprir essa falta. Reúne num único volume copiosa coleção de poemas traduzidos (ao lado dos originais) e inspirados textos de reflexão sobre o ofício. É coisa que não se vê nem se lê todo dia.
O fio condutor é a tradução da poesia em si. Não é obra dedicada a este ou àquele poeta. Nem à poesia desta ou daquela língua. Horta traduz poemas de nada menos que seis idiomas: alemão, espanhol, francês, galego, inglês e italiano. Os poetas são inúmeros: Baudelaire, Petrarca, Quevedo, Borges, José Martí, Neruda, Rilke, Shakespeare, William Blake, dentre outros. Seleção de craques. O resultado é uma viagem pela poesia e pela arte da tradução.
Nela vemos não só os produtos acabados – não só os poemas originais e suas traduções. Também é possível vislumbrar um pouco do processo criador envolvido na montagem de um novo poema em outra língua. Ao expor as variantes anteriores de um mesmo verso, Horta nos mostra o quanto pode haver de dificuldade, criatividade e transformação nessa passagem.
A complexidade de um poema resume todos os percalços que se podem encontrar no ato tradutório. Para Horta, o poema é aquela “construção vocabular para a qual tem o poeta à disposição a palavra e tudo que ela é capaz de abrigar/ocultar/revelar, vale dizer, um infinito”. Diante do infinito, o poeta se abisma e se arrebata. Diante do poema original, outro infinito se abre na mente do tradutor, com aquelas múltiplas possibilidades de sentidos apontadas por Delamare, sem falar nas alternativas de ritmo e efeitos sensoriais diversos. ....
(“Traduzir Poesia: Homenagem e Transgressão” – Rascunho n.º 59, Curitiba, mar.-5.)
ROMEU JOBIM
Exímio artista da palavra, capaz de usá-la na medida de sua plasticidade e magia, Anderson Braga Horta conhece, em profundidade, os segredos do ofício que exercita. Sua poética, por isso, no afã de chegar às rutilâncias e culminâncias a que chega, às vezes lança mão de recursos infreqüentes no mister, entre eles disposições visuais e termos com inserções que lhes multiplicam o significado. ....
Por certo que, com os textos lidos, não consegui mostrar o poeta em sua inteireza, tamanha é a quantidade, a diversidade e a qualidade de seus poemas, ao longo de uma vida dedicada à Literatura, sobretudo no gênero da poesia, mas também no da prosa, em que, com igual mestria, se dedica à crônica, ao conto, ao ensaio, à crítica literária e à tradução.
A verdade entretanto é que, se melhor houvesse sabido escolher, para esta amostragem, os poemas acaso mais representativos da arte poética de Anderson, ainda assim dele não teria dado uma visão plena. Troncos de grandes árvores não se estreitam num só abraço. Assim acontece com O Jequitibá de Carangola, título de um de seus belos poemas (PULSO, 2000). Assim acontece, afinal, com Anderson Braga Horta. Só seus sonetos, por exemplo – e nenhum deles cheguei a dizer – exigiriam mais de uma noitada, como esta.
De qualquer modo, creio haver alcançado meu intento: o de homenagear o grande poeta, ao ensejo de seus setenta anos, a esta altura acrescidos de quase mais um, tantos foram os meses que tive de aguardar, na fila.
Mas um ponto me absolve e reconforta. De tanta constância e equilíbrio é o valor dos textos de Anderson Braga Horta, que todos os seus poemas, como se um apenas, à semelhança da flor tentada explicar por Marcel Proust, são, a rigor e simplesmernte, uma esplendorosa realidade artística. Apenas isso. Apenas isso? Não, tudo isso.
(Noite com a Poesia de Anderson Braga Horta, Brasília, 2006.)
GERSON VALLE
Para Anderson Braga Horta, “O culto aos valores tradicionais não é incompatível com a modernidade”. E esta me parece uma afirmativa essencial na apreciação de sua obra. Ele participa de achados das várias correntes do século XX, mas nunca com a exclusividade ou o fechamento de uma escola ou corrente. Aparecem-lhe até resquícios de concretismo em algumas colocações “desenhadas” de frases ou palavras, sem ser, entretanto, nem de longe, concreto ou seguidor estrito de outras correntes que lhe passaram ao largo ao longo das experiências literárias. As marcas deixadas pelos poetas brasileiros do passado, que conhece melhor que a maior parte dos professores de nossa Literatura, não desaparecem nunca. E com razão! Pobre da cultura que perde sua tradição! Os sonetos bem acabados – e como ele permeia a forma com grande conhecimento de causa!, o que é cada vez mais raro hoje em dia – são constantes, ao lado de poemas de versos livres e uso de metáforas que recendem a surrealismo.
A tradição brasileira de sua obra insere-se em seu próprio percurso por cidades e vivências culturais. Mas, sua paixão pela Literatura, estando em nível maior, aprofundou-o no conhecimento de bons autores de sempre e de toda parte, que o fez tornar-se num excepcional tradutor, não só, aliás, de Poesia (e sua colaboração com José Jeronymo Rivera e Fernando Mendes Vianna na tradução de “O Sátiro e outros poemas de Victor Hugo” é de um virtuosismo raro em nossos tradutores) como também em prosa, abrangendo aí o moderno e bem original contista búlgaro Yordan Raditchkov.
Dentre outras fortes características de sua poética, quero chamar a atenção para duas marcas inconfundíveis. Diz-se metalinguagem poética a confabulação dentro da Poesia da própria Poesia. E não há poeta que não a utilize, expressando sua visão da arte com que se expressa. O fenômeno se amplia em Braga Horta. A experiência poética forma-lhe uma linguagem própria, onde os “achados” de autores de outros tempos se incorporaram de tal forma à sua cosmovisão, que se tornam em signos como palavras referentes. Não é citação nem colagem. É como, comparando em outra arte, a célula rítmica inicial e temática da 5ª sinfonia de Beethoven se repete na 5ª de Mahler, não mais em sua melodia, orquestração ou mesmo intenção, mas como referência indireta, que já se inclui num sentimento, ou se se quiser, no caso literário, num raciocínio ....
A outra característica que quero aqui frisar diz respeito a seu “sentimento do mundo” político e contemporâneo. Tal como na definição de Manuel Bandeira do que seja o “poeta maior”, Horta, na percepção de seu tempo (e aí inserido no sentimento planetário), não se coloca dentro da perspectiva exclusiva de uma experiência pessoal. Ele é mais que uma testemunha. Seus versos, por vezes, se afastam de si, colocando-se como o observador distante, não importando sua pessoal tendência pelo lírico, belo e/ou esperançoso (E é nossa glória irmos virando esterco / enquanto a grande noite aperta o cerco). Com isto o fenômeno (ou sentimento, ou fato) descrito aparece por si, no destaque que o pode tornar repulsivo, e causar o sentimento vinculado à expressão poética. .... Por este distanciamento, aliás, Horta atinge uma visão de si mesmo sem a postura divina de que os poetas normalmente se mascaram. Ao contrário. Eu diria que tão grande é sua compreensão cultural do mundo, que se vê com uma humildade até exagerada, não merecida, mas exemplar pelo que todos deveríamos ter ante a magnitude existencial (Parece a si mesmo referir-se, quando descreve assim o escorpião, seu signo zodiacal: Ridículo animálculo romântico / e parnasiano, síntese grotesca: / sólida, fria construção de engastes rígidos / e formas libertando-se dinâmicas).
.... quero apontar para uma outra característica de Braga Horta, que é a da constância de certos temas ao longo de seus livros. Como se construísse uma só obra cíclica, reveladora de uma cultura lírica que se aflige com a realidade que parece a ela contrária. Construção com características cíclicas, abordando exatamente uma tal visão, é o seu bem acabado quarto livro: “Exercícios de Homem” (Gráfica do Senado Federal, 1978). Temas recorrentes como a destruição pela bomba, a incomunicabilidade da Torre de Babel, a arma homicida de Caim são como uma “reflexão lírica” sobre a guerra fria dos tempos que passavam. A indefinição da posição humana (Há na vida dois / lados, a saber: / um que é / e outro / que devia ser), na esperança do triunfo “lírico-cultural”, traz a colocação de que o Homem ainda não está acabado, que, evoluído, transcende o mar, o espaço, o tempo, e fixa-se / puro Espírito adiante do Infinito. Curiosa semelhança com o posicionamento nietzschiano do “super-homem” do futuro, sem ter expressamente as mesmas posições ou razões de crítica. ....
(“A Poesia de Anderson Braga Horta” – Poiésis, n.º 132, mar-7.)
ANDERSON BRAGA HORTA
1ª participação na página Lítero Cultural / jornal Alto Madeira / Porto Velho / Rondônia, 21 de junho de 1996, daí em diante várias outras participações.
Participação com uma poesia na Antologia “Leonardo, meu neto”, Editora Opção2, Porto Alegre, RS, 2004.
Participação da Revista Antológica “Membros da Galeria dos Amigos do Lítero Cultural”, nº 01, abril/2005.
Poesia publicada no http://orebate-selmovasconcellos.blogspot.com - página Momento Lítero Cultural II, de 24/01/2007, do jornal www.jornalorebate.com , do diretor/ editor-chefe José Milbs de Lacerda Gama.
Citado em www.selmovasconcellos-curriculoliterario.blogspot.com
( Selmo Vasconcellos )
Para a notícia biográfica do autor, acrescida de uma profissão de fé poética, transcrevemos as palavras com que abre sua Antologia Pessoal, editada pela Thesaurus, de Brasília, em 2001:
O AUTOR POR ELE MESMO
Nasci na cidade mineira de Carangola, em 17 de novembro de 1934. Meu pai, o advogado Anderson de Araújo Horta, e minha mãe, Maria Braga Horta, eram professores e poetas. Assim, criado num ambiente de respeito à cultura e amor aos livros, posso dizer que recebi em casa mesmo os primeiros estímulos literários.
A família morou, sucessivamente, em Carangola, Manhumirim, Belo Horizonte, novamente em Manhumirim, depois em Resplendor, Mutum, outra vez em Carangola. Já então acrescida dos manos Arlyson, Augusto Flávio e Maria da Glória. Em 1942 fomos para Goiás, passando três anos na antiga e dois na nova capital do Estado. Em Goiás Velho nasceu o caçula, Goiano.
De volta a Minas, novo périplo em redor de Manhumirim, onde residiam meus avós maternos: Aimorés, Mantena, Lajinha, cidades que eu visitava nas férias, pois, tendo começado o ginásio em Goiânia, fiz, nesse período (de 1947 a 1953, para ser exato), as três últimas séries em Manhumirim e o clássico em Leopoldina. Já me encontrava no Rio de Janeiro, cursando Direito, quando para lá se mudou a família, em 1956.
Transferi-me para Brasília em julho de 1960, como redator da Câmara dos Deputados, a cujo serviço fora admitido em 1957 como datilógrafo. Os irmãos foram também atraídos pelo Planalto Central, a que finalmente aportaram os pais, em 15 de novembro de 1964.
Exerci ainda o jornalismo e o magistério, tanto no Rio quanto em Brasília. Meu primeiro trabalho, contudo, foi como securitário, na Velha Capital, a não ser pelos meses em que lecionei no Seminário de Leopoldina, cidade em que prestei, após o curso clássico, o serviço militar (tiro-de-guerra).
Já radicado em Brasília, casei-me no Rio, em 1962, com a capixaba (de Cachoeiro de Itapemirim) Célia Santos. No ano seguinte nasceram os gêmeos, brasilienses, Anderson e Marília.
Meus pais aqui faleceram, mamãe em 1980, papai cinco anos depois.
As primeiras impressões literárias que retenho datam da cidade de Goiás: uma página de Humberto de Campos em que o autor, na primeira pessoa, confessava um furto de menino —o que me deixou consternado—; e o “Pequenino Morto”, de Vicente de Carvalho, cujos melodiosos hendecassílabos encheram minha alma infantil de tristeza. Em Goiânia me tornei leitor voraz de histórias em quadrinhos e de todos os livros que havia em casa — Gato Preto em Campo de Neve e Clarissa, Ecce Homo e Assim Falava Zaratustra, Meu Destino É Pecar (isso mesmo, o livro proibido de Nélson Rodrigues) e o mais em que pude pôr a mão e os olhos. A impossibilidade de compreender tudo não era obstáculo ao entusiasmo do jovem devorador de letras.
Por essa época, apesar da força atrativa dos quadrinhos, que me guiou a mão numa série de rabiscos, até mesmo numa historieta de texto e desenhos típicos, o autor mais amado foi, sem dúvida, Monteiro Lobato, por sua obra infanto-juvenil, que reputo ainda hoje incomparável.
Mas quem me levou a escrever poesia, conforme tenho repetido em páginas de depoimento literário, foi mesmo Castro Alves. As primeiras tentativas, frustradas, resultantes em prosa ritmada, datam de Manhumirim, ao tempo em que freqüentava o Colégio Pio XI. As primeiras realizações, de Leopoldina, em 1950.
A outra grande influência de então foi Bilac. E, depois, tantos poetas que nem convém enumerar! Dos clássicos aos românticos, dos parnasianos aos simbolistas, desses aos modernos, que me ensinaram a quebrar o verso, sem descartar a tradição.
Penso que o poeta não pode deixar de se assenhorear das técnicas do verso, embora a técnica, obviamente, não seja tudo. Que ao escritor compete extrair do potencial de sua língua toda a cintilação que possa, dignificando-a sempre. Que escrever é atividade intelectual, sim, mas não se esgota no âmbito do intelecto; que o poeta há de comover-se e comover, sim, mas não se há de entregar, ingenuamente, à emoção desassistida da inteligência, porque a emoção, por si só, não é ainda arte, não é ainda poesia. Que a esse amálgama de pensamento, emoção, sentimento que é o poema não se deve tolher o voltar-se para a sorte do homem no espaço e no tempo, seja do ponto de vista filosófico, seja do social; pois à poesia, arte da palavra, interessa necessariamente tudo o que de humano se possa representar nela. E que, portanto, a arte do poeta há de ser mais complexa, mais completa, mais abrangente e mais profunda do que tendem a fazê-la os jogos —algumas vezes brilhantes— a que pretendem reduzi-la correntes revolucionárias.
Isso posto, confessadas, via de conseqüência, as minhas próprias limitações, passo, com a possível humildade, ao balanço de quatro décadas de produção poética —omitida, quase totalmente, a inicial—, balanço em que, de algum modo, se traduz a seleção de poemas que ofereço ao leitor.
BIBLIOGRAFIA (até abril de 2007)
I – POESIA
Altiplano e Outros Poemas. EBRASA – Editora de Brasília S.A. / INL. Brasília, 1971. Apresentação de Almeida Fischer (4.ª da capa). Capa de Willy Mello. 64 pp. (O livro saiu datado de 1970, tendo-se corrigido o erro em parte da edição, mediante encarte.)
Marvário. Clube de Poesia de Brasília. (Centro de Serviços Gráficos do IBGE, Rio de Janeiro, RJ.) Brasília, maio de 1976. Vol. 2 da Série Buriti. [Fotografia de Goiano Braga Horta.] 48 pp.
Incomunicação. Editora Comunicação / INL. Belo Horizonte / Brasília, 1977. Apresentação de Alan Viggiano. Capa e ilustrações de Tércio L. Rimoli. [Fotografia de Goiano Braga Horta.] 98 pp.
Exercícios de Homem. Comitê de Imprensa / Gráfica do Senado Federal. Brasília, 1978 (agosto). Vol. 13 da Coleção Machado de Assis. Apresentação de Henriqueta Lisboa (4.ª da capa). Capa de Gaetano Re [e Edmun]. 138 pp.
Cronoscópio. Civilização Brasileira / Pró-Memória – INL. Rio de Janeiro/Brasília, 1983. Apresentação de Moacyr Félix (dobras da capa). Capa de Graça Lima. Vol. 71 da Coleção Poesia Hoje. 96 pp.
O Cordeiro e a Nuvem. Antologia. Thesaurus, Brasília, 1984. Estudo introdutório de Antonio Roberval Miketen. Apresentação de Omar Brasil (dobra da capa). Fotografia de Anderson Santos Horta. Antologia; vol. 1 da Série Altiplano. 122 pp.
O Pássaro no Aquário. Comitê de Imprensa do Senado Federal / André Quicé – Editor. Brasília, 1990. 124 pp.
Dos Sonetos na Corda de Sol. Editora Guararapes – EGM. Jaboatão dos Guararapes, abril e maio de 1999. Seleção e apresentação de EGM (Edson Guedes de Morais), prefácio de José Jeronymo Rivera. Parte da edição com fotografia de Anderson Santos Horta. 16 pp. iniciais não numeradas mais 62. [Miniedição artesanal, computadorizada.]
Pulso. Barcarola, São Paulo, janeiro de 2000 [recebi em outubro]. 102 pp.
Quarteto Arcaico. Editora Guararapes – EGM. Jaboatão dos Guararapes, maio de 2000 [saiu em agosto]. Prefácio de João Carlos Taveira, posfácio de Cleonice Rainho, texto da capa de José Eduardo Degrazia. 120 pp.
Fragmentos da Paixão: Poemas Reunidos. Massao Ohno Editor / Apoio Cultural FAC – Secretaria de Cultura do DF. São Paulo, 12-4-2000 [saiu em setembro]. Dobras da capa: José Santiago Naud. Capa: óleo de Carlos Bracher [?]. 344 pp.
Pentagrama. Sonetos, com Antonio Carlos Osorio, Antônio Temóteo dos Anjos Sobrinho, Fernando Mendes Vianna e José Geraldo. (Variações na Forma Soneto.) Thesaurus, Brasília, 2001. 132 pp.
Dos Fragmentos da Paixão: Trinta e Três Sonetos. Editora Guararapes – EGM. Jaboatão dos Guararapes, setembro de 2001. Ilustrações: detalhes de obras de Van Gogh. Retrato do poeta: EGM. 28 pp. não numeradas. [Folheto-sanfona. Miniedição artesanal computadorizada.]
Antologia Pessoal. Thesaurus, Brasília, 2001. Vol. 1 da Coleção Antologia Pessoal Thesaurus. Capa de Vitor Tagore. 144 pp.
Carta-Oração em Feitio de Poema à Força Jovem da América. Thesaurus, Brasília, 2002. Vol. X da Biblioteca do Cidadão – O Livro na Rua – Série Escritores Brasileiros. Bico-de-pena de Mário Viggiano. 12 pp.
Cinqüenta Sonetos. Série Porta-Fólio. Editora Guararapes–EGM, Jaboatão, 2003. Seleção e arte gráfica de Edson Guedes de Morais. [Miniedição artesanal, computadorizada.]
50 Poemas Escolhidos pelo Autor. N.° 2 da coleção desse título. Edições Galo Branco, 2003. Fotografia de Marília Santos Horta. 120 pp.
Zoopoemas. Livro na Rua, Série Escritores Brasileiros Contemporâneos, n.º 14. Thesaurus, Brasília, 2005. 16 pp.
II – PROSA
O Horizonte e as Setas. Contos, com Elza Caravana, Izidoro Soler Guelman e Joanyr de Oliveira. Gráfica Horizonte Editora, Brasília, 1967. (Três Quadros do Inferno: “Inferno — Ida e Volta”, “Poisson au Poison” e “Mulher de Santo”.) Capa de Paulo Iolovitch. 160 pp.
Normas de Elaboração dos Trabalhos da Assessoria Legislativa da Câmara dos Deputados. Em colaboração. Câmara dos Deputados, Brasília, 1976, 1984, 1989 e 1990.
Semana de Estudos sobre Manuel Bandeira. Com Aderbal Jurema e Domingos Carvalho da Silva. Centro de Ensino Unificado de Brasília (CEUB), 1982. (“Aspectos da Linguagem Poética de Manuel Bandeira”.) 84 pp.
Na Cadeira de Álvares de Azevedo. Discursos acadêmicos, com H. Dobal. [Brasília, agosto de 1986.] 36 pp.
Erotismo e Poesia. Conferência. Thesaurus, Brasília, 1994. Vol. 8 dos Cadernos de Literatura, col. dirigida por Cassiano Nunes e João Carlos Taveira. Capa de Glória Horta. 40 pp.
A Aventura Espiritual de Álvares de Azevedo. Estudo e antologia temática. Thesaurus, Brasília, 2002. Capa de Tagore Alegria. Revisão de José Jeronymo Rivera. 199 pp.
Sob o Signo da Poesia: Literatura em Brasília. Thesaurus, Brasília, 2003. Capa de Tagore Alegria. Revisão de Deodato Rivera e José Jeronymo Rivera. 515 pp.
Uma Noite de Poesia. Discursos acadêmicos, com Romeu Barbosa Jobim. – “Romeu Jobim e a Fuga Profícua dos Dias”. Trianas Edições, Brasília, 2004. 56 pp.
Cinco Histórias de Bichos. Livro na Rua, Série Escritores Brasileiros Contemporâneos, n.º 2. Thesaurus, Brasília, 2004. 16 pp.
Posse de José Jeronymo Rivera. Discursos acadêmicos, com JJR. – “Poeta e Tradutor”. – Thesaurus, Brasília, 2005. 50 pp.
Testemunho & Participação: Ensaio e Crítica Literária. Thesaurus, Brasília, 2005. Capa de Tagore Alegria. Revisão de José Jeronymo Rivera. 375 pp.
O Benzedor de Cobras. L. na R., série E.B.Cont., n.º 32. Thesaurus, Brasília, 2006. 16 pp.
III – TEATRO
Dramaturgia: Antologia do II Concurso Nacional de Dramaturgia Álvaro de Carvalho. Com Valnir Farias, Sérgio Parreira Abritta e Alex Barbosa. Fundação Catarinense de Cultura, Florianópolis, 1997. (Auto das Trevas.) 158 pp.
IV – TRADUÇÕES
Fugitiva. Trina Quiñones. Thesaurus, Brasília, 1993.
Caminhos de Integração / Caminos de Integración / Paths of Integration. Sofía Vivo. Thesaurus, Brasília, 1993. “Matemos a Rosa”, “O Tempo do Homem”, “Escorpião”, “Vôos” e “Flecha” (traduzidos para o inglês por Asta-Rose Alcaide e para o espanhol por ABH, estes com revisão de Trina Quinõnes). Coube a ABH a tradução do espanhol para o português dos poemas de Mabel Cháneton, Manila Cháneton, Sofía Vivo (metade) e Trina Quiñones (menos um).
Vértigo del Verbo. Sofía Vivo. Brasília, 1995. – Traduções: “Larva”, “À Coreógrafa Denise Zenícola”, “Existência”, “Alegre”, “Morte”, “Quem Sou?”, “Labirinto”, “Vertigem”, “Tecedura”, “Saudade” e “Tenho Árvores”.
Colóquio dos Centauros (trad. de Rubén Darío). Separata do Anuario Brasileño de Estudios Hispánicos, n.º VIII, 1997.
Poetas do Século de Ouro Espanhol / Poetas del Siglo de Oro Español. Seleção, tradução e notas, com Fernando Mendes Vianna e José Jeronymo Rivera; estudo introdutório de Manuel Morillo Caballero. Thesaurus / Consejería de Educación y Ciencia de la Embajada de España, Brasília, 2000. 343 pp.
Sac-Nic-Te y sus Memorias de Olvido. Sofía Vivo. André Quicé, Brasília, 2001.
Uma Noite de Poesia Ibero-Americana. Asociación de Agregados Culturales Iberoamericanos. Folheto de declamação de Fernando Mendes Vianna. Brasília, 18-7-2001. – Tradução para o português de “Un jour rappelle-toi”, de Emmelie Prophète (Haiti), e, para o espanhol, de “Ismália”, de Alphonsus de Guimaraens.
Poetas Portugueses y Brasileños de los Simbolistas a los Modernistas. Org. de José Augusto Seabra. Instituto Camões / Embaixada de Portugal em Buenos Aires / Thesaurus Editora de Brasília, Buenos Aires, 2002. Capa de Victor Tagore. 472 pp. – Traduções para o espanhol, com Rodolfo Alonso, José Jeronymo Rivera, José Antonio Pérez, Kori Bolivia, Manuel Graña Etcheverry, Rumen Stoyanov e Ángel Crespo. Notas sobre os poetas brasileiros por José Santiago Naud.
Victor Hugo: Dois Séculos de Poesia. Tradução e notas, com Fernando Mendes Vianna e José Jeronymo Rivera. Thesaurus, Brasília, 2002. Capa de Tagore Alegria, com cabeça do poeta esculpida por Auguste Rodin. [Foto de ABH por Marília Santos Horta.] 86 pp.
O Sátiro e Outros Poemas. De Victor Hugo. Tradução com Fernando Mendes Vianna (autor de estudo introdutório) e José Jeronymo Rivera. Edições Galo Branco, Rio de Janeiro, 2002. Capa de Victor Tagore, sobre Sátiro e Ninfa, de James Pradier. 176 pp.
Antologia Pessoal. Rodolfo Alonso. Tradução com José Augusto Seabra e José Jeronymo Rivera. Thesaurus, Brasília, 2003.
25 Sonetos Descaradamente Eróticos. José Antonio Pérez-Montoro. Tradução com José Jeronymo Rivera. Círculo de Estudos Clássicos de Brasília, 2003.
Traduzir Poesia. Thesaurus, Brasília, 2004. Capa de Tagore Alegria. 296 pp.
Contos de Tenetz. Antologia de Yordan Raditchkov. Trad. com Rumen Stoyanov, que fez a seleção. Thesaurus, Brasília, 2004. Capa de Momchil Rumenov Stoyanov. 125 pp.
Poemas Menores. José Antonio Pérez-Montoro. Livro na Rua, Série Escritores Brasileiros – Contemporâneos, n.º 9. Thesaurus, Brasília, 2005. 16 pp.
História dos Ideais. Eduardo Mora-Anda (Historia de los Ideales: Valores e Ideales a lo Largo de la Historia). Thesaurus, Brasília, 2006.
Antologia Poética Ibero-Americana. Com Fernando Mendes Vianna e José Jeronymo Rivera. Org. Pavel Égüez. Asociación de Agregados Culturales Iberoamericanos, Cuiabá, 2006.
V – ORGANIZAÇÃO
Participação do Trabalhador nos Lucros da Empresa, Vol. 1 – Projetos. Série Documentos Parlamentares, n.º 120. Câmara dos Deputados, Brasília, 1967. / Vol. 2 – Textos Constitucionais, Debates. Série Documentos Parlamentares, n.º 121. Câmara dos Deputados, Brasília, 1968.
Caminho de Estrelas. Poesia, de Maria Braga Horta. Massao Ohno Editor, São Paulo, 1996. Capa de Glória Braga Horta (foto de Gabriel Gondim Filho); ilustrações de Ivanir Geraldo Vianna. (Ver item IX — Apresentações.)
Invenção do Espanto. Poesia, de Anderson de Araújo Horta. Edições Galo Branco, Rio de Janeiro, 2004. Capa de Glória Braga Horta. (Ver item IX Apresentações.)
Gonçalves Dias. Livro na Rua (coleção de minilivros de 16 pp.), Série Escritores Brasileiros Clássicos, n.º 1. Thesaurus, Brasília, 2004. [Erros.] Nova tiragem, com correção dos erros, em 2006. / Laurindo Rabelo. Id., n.º 2. / Álvares de Azevedo. Id., n.º 3. / Junqueira Freire. Id., n.º 4. / Casimiro de Abreu. Id., n.º 5. / Fagundes Varela. Id., n.º 6. / Castro Alves. Id., n.º 7. / Cruz e Sousa. Id., n.º 9. / Olavo Bilac. Id., n.º 10. / Alphonsus de Guimaraens. Id., n.º 11. / Augusto dos Anjos. Id., n.º 12. / Nossa História de Amor. Poesia, de Maria Braga Horta. Livro na Rua, Série Escritores Brasileiros Contemporâneos, n.º 1. Thesaurus, Brasília, 2004. 16 pp. / Gavião-de-Penacho. Conto de Maria Braga Horta. Id., n.º 15, 2005. / Alguns Poemas. De Anderson de Araújo Horta. Id., n.º 16, 2005. / Antero de Quental. Poesia. Livro na Rua, Série Escritores Portugueses Clássicos, n.º 2. Thesaurus, Brasília, 2005. / Fernando Pessoa. Poesia. Id., n.º 7. / Waldemar Lopes. Sonetos. Brasileiros Contemporâneos, n.º 27. Thesaurus, Brasília, 2006. / Bocage. Poesia. Portugueses Clássicos, n.º 10. Thesaurus, Brasília, 2006.
VI – OUTROS
Brasília 2000 – Poesia Viva – Poemas Cartões. Editora Guararapes–EGM, Jaboatão, PE. Contém 40 dos 60 incluídos em Dos Sonetos na Corda de Sol. [Miniedição artesanal, computadorizada.]
Caixa de sonetos-cartões de Natal e ano-novo: "Fluxo", "Nascimento do Dia", "Dia Nascendo em Teus Olhos" e "Tanto Mar, e se Acaba". Editora Guararapes–EGM, Jaboatão, 2002. [Miniedição artesanal, computadorizada; caixa de madeira trabalhada.]
Caixa de sonetos-cartões de Natal e ano-novo: “À Moda Antiga”, “Disfarce”, “Espera”, “In Extremis”, “Intervalo”, “Nada Mais”, “Perpetuação”, “Platônicos”, “Rio”, “Soneto Amargo”, “Soneto Antigo”, “Um Puro Amor”, “Visão do Século sem Alma”. Editora Guararapes–EGM, Jaboatão, 2003. [Miniedição artesanal, computadorizada; caixa de madeira trabalhada.]
Poesia Solo n.º 1: “Navegantes”, “O Tempo”, “Perda” e “Olhos”. Seleção e apresentação de Henrique Wagner. Folheto-sanfona, Salvador, 2005.
2007 Calendário Poético e Marcador. EGM, Jaboatão, 2007. – “Lasciva Embriaguez”, “Rio”, “Imperfeição”, “Perpetuação”, “Canção Lúcida”, “Arrebatamento”, “Soneto de Despedida”, “Soneto de Saudade”, “Soneto de Ciúme”, “Soneto de Paixão”, “Porta”, “Nirvânico”.
VII – PARTICIPAÇÃO EM ANTOLOGIAS
A Novíssima Poesia Brasileira. Walmir Ayala. Associação Brasileira do Congresso pela Liberdade da Cultura, Série Cadernos Brasileiros, n.º 2, Rio de Janeiro, 1962. – “Transfiguração pelo Tempo” e “União”.
Poetas de Brasília. Joanyr de Oliveira. Editora Dom Bosco, Brasília, 1962. – “Soneto” (“Marionetes”), “Noturno iii” (“Noite Alta”), “Celacanto” e “Mar Vário ii” (“Marvário, vii”).
100 Trovas de Saudade. Luiz Otavio e J. G. de Araujo Jorge. Vecchi, Rio de Janeiro, 1962. – “Estrelas da minha angústia” e “No meu peito inda perdura”.
100 Trovas de Ciúme. Luiz Otavio e J. G. de Araujo Jorge. Vecchi, Rio de Janeiro, 1963. – “Estranha dor, que persiste”, “O amor me fez tresloucado” e “São coisas inseparáveis”.
Coletânea dos I Jogos Florais de Valença. Academia Valenciana de Letras, [1965]. – “Nada tão belo e tão santo”.
Contistas de Brasília. Almeida Fischer. Editora Dom Bosco, Brasília, 1965. – “Os Olhos da Virgem”.
Trovadores do Brasil. 2.º vol. Aparício Fernandes. Minerva, Rio de Janeiro, 1967. – “Vida melhor não existe”, “No meu peito inda perdura”, “A vida está numa planta”, “São coisas inseparáveis”, “Estrelas da minha angústia”, “As rosas do amor, colhi-as”, “Nada tão belo e tão santo”, “Sorrindo colheste um cravo”, “Não tinha amor e cantava”, “Vivamos em plenitude”.
As mais Belas Poesias de Exaltação às Mães. Aparício Fernandes. Minerva, Rio de Janeiro, 1967. – “Nada tão belo e tão santo”.
O Rei dos Reis. Aparício Fernandes. Minerva, Rio de Janeiro, 1968. – “Soneto da Idade de Ouro”, I e II, e “Meditação do Natal”.
1.º Torneio Nacional da Poesia Falada. Governo do Estado do Rio de Janeiro, Niterói, 1968. – “Marvário”.
2.º Torneio Nacional da Poesia Falada. Governo do Estado do Rio de Janeiro, Niterói, 1969. –“Babel” (“Semântica”, “9... 8... 7...” e “Anteluz no Caos”).
Poetas Novos do Brasil. Walmir Ayala. Instituto Nacional do Livro, Rio de Janeiro, 1969. Apresentação individual por Afonso Felix de Sousa. – “Eu, o Homem”, “Aéreo”, “Pelas Alamedas Opacas”, “Sobre um Tema de Nathaniel Hawthorne”, “Poema quase Teológico”, “Evolução”, “Aglossia”, “Sétima Sinfonia”, “Armadilha”, “Instantes”, “Minha Filha”, “Trevalume” e “Infra”.
3.º Torneio Nacional da Poesia Falada. Governo do Estado do Rio de Janeiro, Niterói, 1970. – “O Tempo do Homem”.
Antologia dos Poetas de Brasília. Joanyr de Oliveira. Coordenada, Brasília, 1971. – “Altiplano”, “Sétima Sinfonia”, “Poema quase Teológico”.
A Trova no Brasil — História & Antologia. Aparício Fernandes. Artenova, Rio de Janeiro, 1972. – “Amor — um sol de ternura”, “Estrelas da minha angústia” e “A vida está numa planta”.
As mais Belas Quadrinhas de Amor. Minilivro destacável da revista Capricho, n.º 310, de 27-9-1972. – “Amor — um sol de ternura”.
O Amor na Primavera. Folheto. Maria Thereza Cavalheiro. Capricho, São Paulo, 1972. – “A vida está numa planta”.
Nova Antologia Brasileira da Árvore. Maria Thereza Cavalheiro. Iracema, São Paulo, 1974. – “A vida está numa planta”.
Poetas do Brasil. 2.º vol. Aparício Fernandes. Folha Carioca, Rio de Janeiro, 1975. Maramor: “(A)mar(o)”, “Descobrimento”, “Noturno da Guanabara”, “Encontro”, “Tanto Mar, e se Acaba”, “Celacanto”.
Em Canto Cerrado. Salomão Sousa. Coordenada, Brasília, 1979. – “Pureza”, “Crianças”, “Haicai Conseqüente”, “Os Bilros”, “Jogo Cego”.
Conto Candango. Salomão Sousa. Coordenada, Brasília, 1980. – “Tambores”.
Horas Vagas — Coletânea 2. Joanyr de Oliveira. Comitê de Imprensa do Senado Federal, Brasília, 1981. – “Jardineira” (apresentação de José Jeronymo Rivera).
Brasília na Poesia Brasileira. Joanyr de Oliveira. Cátedra / INL, Rio de Janeiro / Brasília, 1982. – “Altiplano” e “Planalto”.
Nem Madeira nem Ferro Podem Fazer Cativo Quem na Aventura Vive. José Santiago Naud. Thesaurus, Brasília, 1986. – “Eus”.
Planalto em Poesia. Napoleão Valadares. Thesaurus, Brasília, 1987. – Poemas de Argila (1964–1965): “Verde Era o Limo”, “Da Vasa dos Charcos”, “Deuses de Barro” e “Como nos Chamará o Homem”.
Contos Correntes. Napoleão Valadares. Thesaurus, Brasília, 1988. – “Continho Triste”, “A Bomba”, “Trilogia” (“Monólogo da Pedra”, “Dissolução” e “Pulso Instantâneo”).
Poesia & Crítica: Antologia de Textos Críticos sobre a Poesia de Gilberto Mendonça Teles. Dulce Maria Viana. Secretaria de Estado da Cultura, Goiânia, 1988. –“Poesia: o Raro Equilíbrio”.
Segredos do Bom Trovar. Maria Thereza Cavalheiro. Scortecci, São Paulo, 1989. – “Estrelas da minha angústia”.
Capital Poems — Brazilian Poets in Portuguese English and Spanish. Victor Alegria. Thesaurus, Brasília, 1989. – “Vôos”; “El Dios que Llora” (trad. de Francisco R. Bello); e “Madrigal” (trad. de José Jeronymo Rivera). (Com deturpações os dois primeiros poemas.)
Poemas de Amor. Walmir Ayala. Ediouro, Rio de Janeiro, 1991. – “Amor”.
Caminhos de Integração / Caminos de Integración / Paths of Integration. Sofía Vivo. Thesaurus, Brasília, 1993. “Matemos a Rosa”, “O Tempo do Homem”, “Escorpião”, “Vôos” e “Flecha” (traduzidos para o inglês por Asta-Rose Alcaide e para o espanhol por ABH).
Anuário da Poesia Brasileira. Laís Costa Velho. CODPOE, Rio de Janeiro, 1994. – “Poema Fraudulento” (truncado).
Alma Gentil: Novos Sonetos de Amor. Nilto Maciel. Códice, Brasília, 1994. – “Soneto de Alegria”, “Um Puro Amor”, “Soneto Antigo”.
Cronistas de Brasília. Aglaia Souza. André Quicé — Editor, Brasília, 1995. – “História de Passarinho”, “Memória e Vida”, “Meu Pai e os Bichos”.
Sincretismo: a Poesia da Geração 60. Pedro Lyra. Topbooks, Rio de Janeiro, 1995. –“Matemos a Rosa”, “Celacanto”, “Olhos”, “9... 8... 7...”, “Anteluz no Caos”, “O Tempo do Homem”, “Descobrimento”, “Tangente”, “Soneto Cósmico”, “Naquele Tempo”, “O Caos e o Fiat”, “Elegia de Varna”, “Da Humana Angústia”, “Fragmentos da Paixão, V”.
Parnassus of World Poets 1995. Ramasamy Devaraj. Madras, Índia. – “Órfica”.
Caliandra: Poesia em Brasília. André Quicé — Editor, Brasília, 1995. – “Romance de Filipe dos Santos”. Bico-de-pena de Mário Viggiano.
Pedras de Toque da Poesia Brasileira. José Lino Grünewald. Rio de Janeiro, 1996. – 1.º quarteto de “Tranqüila Voragem”.
Solo para Quinze Vozes. Rumen Stoyanov (seleção e tradução para o búlgaro). Ango Boy, Sófia, 1996. – “Elegia de Varna”, “Telex”, “Nós, o Homem” e “Espelho”.
Trovas. Geraldo Gonçalves de Souza. Brasília, 1997. – “A noite ganha uma flor”, “Dormes sorrindo. E eu espero”, “Se perguntasses, querida”, “Duas saudades colhi”, “Sempre resta alguma coisa”, “Já vem bater-me na face”, “Estranha dor que persiste”, “Rirás, talvez, desdenhosa”, “Ora, ciúmes... Mas isto”, “Não sei de maior loucura”, “A vida está numa planta”, “Por entre risos, por entre” e “Ontem, argila. Hoje, a graça”.
Poemas do Amor Maior: Os Melhores Sonetos Cristãos. Jefferson Magno Costa. Mundo Cristão, São Paulo, 1997. – “Jesus”.
O Prazer da Leitura. Jacinto Guerra, Nilce Coutinho, Ronaldo Cagiano e Claudia Barbosa. Thesaurus, Brasília, 1997. – “O Benzedor de Cobras”.
Poeti Brasiliani Contemporanei. Sílvio Castro. Traduções de Giampaolo Tonini. Centro Internazionale della Grafica di Venezia, 1997. – “O Rio”, “Tempo”, “Olhos”, “Nós, o Homem”, “Os Centauros” e “O Pássaro no Aquário”.
Poesia de Brasília. Joanyr de Oliveira. Sette Letras, Rio de Janeiro, 1998. – “Stella Nubila”, “Rústica”, “Passarim”, “O Aleijadinho”, “Transubstanciação”, “Planalto”, “Mão”, “Os Cães” e “Sétima Sinfonia”.
Setevozes. Editora do Escritor, São Paulo, 1998. – “O Jequitibá de Carangola”.
A Poesia Mineira no Século XX. Assis Brasil. Imago, Rio de Janeiro, 1998. – “Atlântida” e “Canto Alheio”.
As Árvores e seus Cantores. Sergio Faraco e Maria do Carmo Conceição Sanchotene. Editora Unisinos, São Leopoldo, 1999. – “O Jequitibá de Carangola”.
Antologia da Saudade. Waldir Vitral. Edições Galo Branco, Rio de Janeiro, 1999. – “Saudade”.
Dobrados, v. 1. Edson Guedes de Morais. (Caixa com 30 dobrados de outros tantos poetas.) Editora Guararapes–EGM, Jaboatão dos Guararapes, 1999. – “Pulso”, “Órfica” e “A Tartaruga”.
100 Anos de Poesia – Um Panorama da Poesia Brasileira no Século XX. Org. de Claufe Rodrigues e Alexandra Maia. O Verso Edições, Rio de Janeiro, 2001. – “Órfica”.
Dobrados, v. 2. “Com os temas infância, escola, busca, memória.” Edson Guedes de Morais. (Caixa com 36 dobrados de outros tantos poemas.) Editora Guararapes–EGM, Jaboatão, dez. de 2001. – “Azul”, “O Menino que Fui Sou”, “Pulso”, “Pureza”, “Espelho”, “Voto para minha Neta Fernanda”, “Crianças”, “Rapto”, “Pórtico Escolar”, “Melancólico” e “Soneto Amargo”.
Antologia da Poesia Brasileira / Antología de la Poesía Brasileña. Xosé Lois García. Edicións Laiovento, Santiago de Compostela, 2001. – “O Tempo”, “Azul”, “Duas Lições”, “Criança Chorando”, “Rosa, Rosácea”.
Poetas Mineiros em Brasília. Ronaldo Cagiano. Prefácio de Affonso Romano de Sant'Anna. Varanda, Brasília, 2002. – "Salmo para Célia", "Perguntas na Sombra", "Semáforo", "A um Solitário", "A uma Pianista", "Vésperas", "Sazão", "Ser, não Ser", "O Jequitibá de Carangola".
Povos e Poemas / Peuples et Poèmes. Jean-Paul Mestas. Universitária Editora, Lisboa, 2003. – "Limpeza" / "Propreté". [Alterados os versos 13 e 14 do poema em português e, conseqüentemente, equivocada a respectiva tradução.]
Antologia de Haicais Brasileiros. Napoleão Valadares. André Quicé, Brasília, 2003. – "A noite tremeu..."
Poemas para Brasília. Joanyr de Oliveira. Projecto Editorial, Brasília, 2004 (lançado em 2003). – "Altiplano", "Planalto", "Passarim", "Brasília, 43".
Antologia do Conto Brasiliense. Ronaldo Cagiano. Projecto Editorial, Brasília, 2004. – “Três Mulheres: Perla – Joana – Marie e Eu”.
Leonardo, meu Neto. Selmo Vasconcellos. Opção2, Porto Alegre, 2004. – “Um Neto”.
Sonata Poética. Anome Livros, Belo Horizonte, 2005 (sem indicação de organizador). – “Incidente Noturno”, “Perguntas ao Tempo e ao Vento”, “Entre a Mão e a Alma”, “Vôo sem Pássaro” e “Campo sem Tempo”.
Encontro Poético Brasília–Turim / Incontro Poetico Brasilia–Torino. Thesaurus, Brasília, 2005. Bilíngüe, 128 pp. Com Fernando Mendes Vianna, Joanyr de Oliveira, José Antonio Pérez Gutiérrez, José Santiago Naud, Ronaldo Cagiano e Eliana Rossi Machado. – “Invenção da Noite”, “Dos Instrumentos de Caim”, “Vazio”, “Pureza”, “União”, “O Tempo”, “O Rio”, “Olhos”, “Nós, o Homem”, “Os Centauros”, “O Pássaro no Aquário”, “Terceto Pagão”, “Indagações”, “Haicai da Terceira Idade”, “Hermética”, “Semáforo” e “Carta-Oração em Feitio de Poema à Força Jovem da América”, traduzidos por Mercedes La Valle, Vera Lucia de Oliveira, Giampaolo Tonini e Salvator d’Anna (Renzo Mazzone).
Chuva de Poesias, Cores e Notas no Brasil Central. Sônia Ferreira. Ideal, Brasília, 2005. – “Literatura em Brasília” (os quatro parágrafos sobre o Ceculco são de S.F.), “Multímoda”.
Vozes na Paisagem: Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos. Waldir Ribeiro do Val. Edições Galo Branco, Rio de Janeiro, 2005. – “Ode a Olavo Bilac e à Língua Portuguesa” e “Brindisi”.
Todas as Gerações: o Conto Brasiliense Contemporâneo. Ronaldo Cagiano. LGE, Brasília, 2006. – “Viagem”.
Saciedade dos Poetas Vivos – Digital – Vol. 1. Urhacy Faustino e Leila Míccolis. Blocos, outubro de 2006. – “Telex”, “Discurso Microcósmico”, “Poética”, “Tangente”, “A Tartaruga” e “Órfica”.
Antologia Comentada de Literatura Brasileira: Poesia e Prosa. Magaly Trindade Gonçalves, Zélia Thomaz de Aquino e Zina C. Bellodi. Editora Vozes, Petrópolis, 2006. – “Meditação sob a Chuva”, “Anoitecer na Cidade Morta” e “Transubstanciação”.
VIII – PARTICIPAÇÃO EM OUTRAS OBRAS
História da Literatura. Elza Caravana. 3.º vol. Brasília, 1969. – “Sétima Sinfonia”.
Depoimento Literário. Ézio Pires. Brasília, 1978. – Entrevistas, com os poemas “Transfiguração” e “Luta”.
Serial, n.º 9. Edições Cordel, Salvador, 1978. – “A Morte do Homem”.
Escritores Brasileiros ao Vivo. Danilo Gomes. 1.º vol. Comunicação / INL, Belo Horizonte / Brasília, 1979. – Entrevista: “Sob o Rótulo de Poesia, Há muitos Jogos Verbais/Intelectuais de pouca Profundidade”.
Cruz e Sousa. Coleção Fortuna Crítica, 4, dir. de Afrânio Coutinho. Civilização Brasileira / MEC, Rio de Janeiro / Brasília, 1979. – “Cruz e Sousa: o Longo Aprendizado”.
Hotel do Tempo. Brasigóis Felício. Civilização Brasileira / Massao Ohno, Rio de Janeiro / São Paulo, 1981. – Nota sobre Escrito no Muro.
Serial, n.º 10. Edições Cordel, Salvador, 1981. – Tangentes: “Antemanhã”, “Da Inspiração”, “Linguagem I”, “Linguagem II”, “Poema Plagiado”, “Multímoda”, “Telex” e “Tangente”.
Sonetos de Beira-Mar e Elegias do Espaço Imaginário. Artur Eduardo Benevides. Fortaleza, 1983. – “Soneto de Artur Eduardo Benevides”.
Caderno de Lembranças. Jorge Azevedo. Belo Horizonte, 1983. – “A vida está numa planta”.
Ritmo e Rima na Poesia Moderna. Itabajara Catta Preta e Clairê de Sousa Pires. Brasília, 1989. – “Gestação”, “Sonata ao Luar”, “Cantilena”, “Emergiremos” e “Esoterismo”.
45 Anos de Literatura. Artur Eduardo Benevides. Brasília, 1989. – “Soneto de Artur Eduardo Benevides”.
Posse do Acadêmico José Túlio Barbosa. Academia Sul-Brasileira de Letras, Pelotas, [1991]. – Carta.
Árias do Silêncio. Brasigóis Felício. Goiânia, 1992. – Nota sobre O Rosto da Memória.
Recortes & Menções. Eno Teodoro Wanke. Edições Plaquette, Rio de Janeiro, 1992. – Nota sobre Ilha Verde.
O Olho Reverso. José Santiago Naud. Thesaurus, Brasília, 1993. – “Esoterismo e Poesia” e trecho de “Erotismo e Poesia”.
Dossiê Grupo dos Sete: Os Povos e Países de Língua Portuguesa. Alan Viggiano. Brasília, 1994. – “Ortografia: Acordo e Desacordos”.
Geração de 45/50 Anos (catálogo da exposição comemorativa), de Emilie e Mário Chamie. São Paulo, SESC, 1995. – “A Bomba”.
[Poesia Completa. Augusto Frederico Schmidt. Topbooks, Rio de Janeiro, 1995. – Cronologia (sem indicação de autoria).]
Discurso de Posse de Danilo Gomes na Academia Mineira de Letras. Belo Horizonte, 1996. – “Soneto do Pobre Alphonsus”.
Waldemar Lopes e os Outros. José Rafael de Menezes. Recife, 1997. – “Soneto sem Despedida” e trecho de “Sobre o Novo Livro de um Mestre do Soneto”.
Como se. Luís Antonio Cajazeira Ramos. Salvador, 1997. – Carta.
Agenda Brasília & Poesia. Vili Santo Andersen. RTK, Brasília, 1997. – Frags. de “Altiplano”.
Mineiridade que Sobrevive ao Tempo (Nos Oitenta Anos do Poeta Alphonsus de Guimaraens Filho). Danilo Gomes. Brasília, 1998. – “Soneto do Pobre Alphonsus” e “Soneto de Alphonsus de Guimaraens Filho”.
Agenda Brasília & Poesia, 1999. Vili Santo Andersen. RTK, Brasília, 1998. – “Soneto Cósmico”, “Olhos”, “Incomunicações” (n.º 3), “Aéreo”, “O Amor” (2.º quarteto), “Chuva Múltipla”. [Não distribuída, devido a defeitos de edição.]
Literatura na Criação de Brasília. Ézio Pires. Brasília, 1999. Depoimento (p. 35).
Agenda Brasília & Poesia, 2000. Vili Santo Andersen. RTK, Brasília, 1999. – “Incomunicações” (n.º 3), “Rústica”, “Olhos” e frags. de “Aéreo”, “Soneto Cósmico”, “O Amor” e “Passarim”.
Poesia Completa. Alphonsus de Guimaraens. Org. de Alphonsus de Guimaraens Filho. Editora Nova Aguilar, Rio de Janeiro, 2001. – Trecho de “Relendo Alphonsus” e “Soneto do Pobre Alphonsus”.
Pensamentos da Literatura Brasileira. Napoleão Valadares. André Quicé Editor, Brasília, 2002.
Tempo de Ceifar. Joanyr de Oliveira. Thesaurus, Brasília, 2002. – "Pluricanto de Joanyr de Oliveira", "Velas e Âncoras", "Um Puro Poeta", "Casulos do Silêncio", "O Pluricanto de Joanyr de Oliveira", Introdução a Cantares, "Mistério e Claridade da Poesia", "A Madura Palavra de Joanyr de Oliveira".
Só a Noite é que Amanhece. Alphonsus de Guimaraens Filho. Record, Rio de Janeiro, 2003. – “Soneto de Alphonsus de Guimaraens Filho”.
Calendário Voltar a Minas. Com Anderson de Araújo Horta e Maria Braga Horta. Ed. de Edson Guedes de Morais, Jaboatão dos Guararapes, 2006. – Trecho da auto-apresentação da Antologia Pessoal; “Soneto Amargo”, “Arrebatamento”, “Velho Navio Bêbedo”, “Tanto Mar, e se Acaba”, “Sísifo”. AAH: “Quando Ela Fala”, “Ser Poeta”, “O Teu Sorriso”, “Rosas”, “Mil...”. MBH: “Obrigada, Amor!”, “Exortação”, “Velho Tema, em Velho Estilo”.
IX – APRESENTAÇÕES
Romanceiro Goiano. Jesus Barros Boquady. Goiânia, 1971. – “O Romanceiro de Boquady”.
A Fome dos Rebanhos. Izidoro Soler Guelman. Ebrasa, Brasília, 1971.
Poemas. Julio Cezar. Coordenada, Brasília, 1975.
Observatório. Liubomir Levtchev, tradução de Rumen Stoyanov. Montanha Editora (Albert Haimoff), São Paulo, 1975. – “Uma Janela para a Poesia Búlgara”.
Cantares. Joanyr de Oliveira. Rio de Janeiro, 1976.
Ofício do Medo. Fernando Braga. São Luís, 1977.
Ir entre os Vivos. Esmerino Magalhães Jr. Brasília, 1978. – “Um Poeta que se Cumpre”.
Água-Marinha ou Tempo sem Palavra. Lourdes Teodoro. Brasília, 1978. – “Uma Estréia Madura” (encarte solto).
Poemas Necessários. Ángel Crespo, tradução de Domingos Carvalho da Silva. Clube de Poesia e Crítica, Brasília, 1979. – “Dois Mestres-Poetas”.
Horas Vagas — Coletânea 2. Joanyr de Oliveira. Brasília, 1981. – Apresentação do conto “A Catequese ou Feliz 1953”, de J.O.
A Porta Range no Fim do Corredor. Vera Lucia de Oliveira. João Scortecci e Fumiko Hayashi, São Paulo, [1982].
Azul no Céu e no Mar. José Geraldo. André Quicé, Brasília, 1983. – “A Poesia Fluente e Suave de José Geraldo”.
O Sacrifício de Arlete. Antonio Roberval Miketen. Thesaurus, Brasília, 1983. – “Estes Contos”.
Colibri. Ana Helena Fagundes de Lima. Brasília, 1984.
Ícones da Terra. Hugo Mund Júnior. Thesaurus, Brasília, 1985. – “Do Risco à Palavra”.
A Brevilonga Jornada de Sélen Rumo ao Poente. Omar Brasil. Thesaurus, Brasília, 1985. – “Da Estrutura do Poeta” (estudo introdutório).
Marinheiro no Tempo (1956–1986). Antologia. Fernando Mendes Vianna. Thesaurus, Brasília, 1986. – Poesia-Libertação” (estudo introdutório).
10 Contos Escolhidos de Lêdo Ivo. Horizonte / INL, Brasília, 1986. – “O Conto-Poema de Lêdo Ivo” (estudo introdutório).
A Figura Humana em Suas Diversas Formas. Folheto-apresentação de exposição das pintoras Cléo (Cleonice Gozzer) e Mírian (Pereira) no Anexo II da Câmara dos Deputados, de 24 a 28-12-1987.
Menino sem Fim. Wilson Pereira. Thesaurus, Brasília, 1988. – “Uma Poiesis de Reinvenção e Eternização da Infância” (estudo introdutório).
Haicais. Ymah Théres. Juiz de Fora, 1989.
Canto Só. João Carlos Taveira. Brasília, 1989. – “Entre o Só e o Solidário”.
Infinita Espiral. Luiz Manzolillo. Thesaurus, Brasília, 1991. – “Nas Voltas de uma Espiral Mística e Lírica”.
Soberanas Mitologias e A Cidade do Medo. Joanyr de Oliveira. Anaheim, CA, USA, 1991. – “Mistério e Claridade da Poesia”.
Aceitação do Branco. João Carlos Taveira. Thesaurus / Asefe, Brasília, 1991. – “A Poesia destes Poemas”.
Um Auto na Praça & Agridoce Poesia do Dia a Dia. Carlos K. Couto. Niterói, 1991.
Encontros e Desencontros. Maria Thereza Cavalheiro. Scortecci, São Paulo, 1992. – “Encontro com a Poesia”.
Metônia (O Dia Estava de Cortar o Coração). Emanuel Medeiros Vieira. Thesaurus, Brasília, 1992. – “A Miséria e o Milagre da Vida”.
Profecía al Viento. Sofía Vivo. Jolan, Rio de Janeiro, 1993.
Murmúrio. Aglaia Souza. Thesaurus / Asefe, Brasília, 1993. – “Música e Feminilidade”.
Asas da Utopia. Eugênio Santana. Brasília, 1993. – “Carregando as Dores do Mundo”.
O Homem Submerso. Valdir de Aquino Ximenes. Brasília, 1993.
Em Tom Menor. Romeu Jobim. Brasília, 1993. – “Dupla Síntese Poética”.
Fugitiva. Trina Quiñones. Thesaurus, Brasília, 1993. – Tradução e apresentação (“A Fuga-Libertação de Trina Quiñones”).
Almas Emendadas. Julio Cezar. Thesaurus, Brasília, 1993 e 1997. – “Poemas com Força de Vida”.
O Gato de Curitiba: Crônicas e Histórias Acontecidas pelo Mundo Afora. Jacinto Guerra. Thesaurus, Brasília, 1994; 2.ª ed. 2004. – “A Moderna Crônica Brasileira”.
Meus Mortos Caminham Comigo nos Domingos de Verão. Emanuel Medeiros Vieira. Códice, Brasília, 1995. “Uma Bela e Forte Ficção”.
Para Elza. Geraldo de Vasconcellos Barcellos. Rio de Janeiro, 1996. “Poeta e Mestre de Poesia”.
O Sal do Tempo. Paulo Nunes Batista. Goiânia, 1996. – “Carta-Crítica de Anderson Braga Horta”.
Baladas e Moinhos. Ciro José Tavares. Brasília, 1996. “Uma Poesia Requintada”.
Caminho de Estrelas. Maria Braga Horta. Massao Ohno Editor, São Paulo, 1996. “Legado Poético”.
Pássaros Embriagados. Zita de Andrade Lima. Brasília, 1997. “Uma Prosa de Feminina Poesia”.
Rubi. Amneres. Rio de Janeiro, 1997. “Milagre da Poesia”. [Com modificações não autorizadas.]
Despeinando Sueños. Kori Bolivia. Thesaurus, Brasília, 1997. – “Suave-Onírico Lirismo” (inclui algumas traduções de poemas).
Poesia Francesa: Pequena Antologia Bilíngüe. José Jeronymo Rivera. Thesaurus, Brasília, 1998. – “Traduzir Poesia”. (Parc. repr. em Cidades Tentaculares, 1999.)
Viagem: Caminhos. José Hélder de Souza. Verano, Brasília, 1999.
Dois Oceanos. José Carlos Peliano. Bárbara Bela, Brasília, 1999. – Trecho de um prefácio inédito (“As Marcas do Poeta”), na 1.ª dobra.
Lisábria de Jesus ou O Estigma de Cam (Tragédia em muitos Atos). Alan Viggiano. André Quicé, Brasília, 2000.
Canção dentro da Noite. Ronaldo Cagiano. Thesaurus, Brasília, 2000. – “Protesto e Lirismo”.
Remanso. Napoleão Valadares. André Quicé, Brasília, 2000. – “Uma História para Gente Grande”.
De Olhos no Céu. Alcir Pimenta. Nórdica, Rio de Janeiro, 2001. – “Belas Narrativas em Boa Linguagem”.
As Horas do Mundo. Henrique Wagner. Secretaria da Cultura e Turismo, Salvador, 2001. – “Clamor de Juventude”.
Amanhã Cedo É Primavera. Romeu Jobim. Trianas, Brasília, 2001. – Textos nas dobras e na 4.ª capa; reprodução de textos nas pp. 229-232.
O Vôo Inverso. Paulo Nunes Batista. Idéia, João Pessoa, 2001. – “Ar, Música, Estrela”.
Rosa dos Ventos. Gisele Lemper. Thesaurus, Brasília, 2001. – Palavras na 4.ª da capa.
Lençóis de Outras Eras, II. Nadir Ganem. Thesaurus, Brasília, 2001. “Diamantes da Chapada” (4.ª da capa).
Figuras de Estilo e Teoria do Ritmo Poético. José Geraldo Pires-de-Mello. Rideel/UniCEUB, São Paulo/Brasília, 2001. – “Fecundo Magistério”.
O Manto de Vega. Luiz Paulo Pieri. Efcaz, Brasília, 2002. – “O Mundo sob o Manto de Vega”.
O Livro sem Título. Poema em Três Livros. Jaques Jesus. Thesaurus, Brasília, 2002. – "O Poeta e a Boa Sereia".
Cantos do Caminho. Romeu Jobim. Trianas, Brasília, 2003. – “Fidelidades de uma Poesia”; repr. (com “Um Cronista de Alta Linhagem”, “Dupla Síntese Poética” e nota sobre Em Tom Menor) em Pássaros de Meus Bosques, Brasília, 2007.
A Senhora Diretora e Outros Contos. Antonio Miranda. Thesaurus, Brasília, 2003. – “Intriga, Paixão e Sexo”.
Gaspard de la Nuit. Aloysius Bertrand, trad. de José Jeronymo Rivera. Thesaurus, Brasília, 2003. – "Conjugação Feliz".
As Raparigas da Rua de Baixo. Reynaldo Domingos Ferreira. Edições Inteligentes, São Paulo, 2004. – “Sabor de Vida”. [Com uma alteração indevida e incorreta da editora.]
Invenção do Espanto. Anderson de Araújo Horta. Galo Branco, Rio, 2004. – “Testemunho de Vida e Poesia”.
O Intérprete do Mal. Elias Costa. Thesaurus, Brasília, 2004. – “Poesia, Pedra Filosofal”.
A Rosa Anfractuosa. Fernando Mendes Vianna. Thesaurus, Brasília, 2004. – “Raízes e Algumas Pétalas Desta Rosa”.
Histórias que a Vida Inventa. José Geraldo. Thesaurus, Brasília, 2004. – “Pedaços de Vida”.
A Orquestra das Cigarras. Leon Szklarowsky. Thesaurus, Brasília, 2005. – Nota s/tít.
Ensaios Literários. José Geraldo. Thesaurus, Brasília, 2005. “Saber e Savoir-Faire”.
Arquitetura do Homem. João Carlos Taveira. Thesaurus, Brasília, 2005. – “Rigor Arquitetônico”.
Voltar a Minas – Poemas de Dispersão. Fotos e texto de Edson Guedes de Morais. Editora Guararapes – EGM, Jaboatão, PE, outubro de 2006. – “Um Mago da Poesia e da Boa Vontade”.
Poemas por Amor. Alexandre Marino. Varanda, Brasília, 2007. – “Abra-se este livro com reverência”.
X – TRABALHOS MULTICOPIADOS
Proposições Legislativas e Processo Técnico de Elaboração dos Projetos. Apostilas-resumo de aulas proferidas no IBAP – Instituto Brasileiro de Assessoramento Parlamentar, no Rio de Janeiro, em julho de 1959.
Breve Memória sobre o Assessoramento Legislativo na Câmara dos Deputados. Brasília, jun. e out./1989 e 1991.
PRÊMIOS LITERÁRIOS
Dentre os prêmios literários que recebeu destacam-se: Jean Cocteau, da revista A Época (Rio, 1957); Gavião, da Livraria Antunes, e Antonio Botto, do Ipase (1959); Alberto Rangel, de O Cruzeiro, Clube de Poesia de Campos, e Canção do Mar, do Diário de Notícias (1960); Revista do Funcionário Público, conto e poesia (1961); Medalha da Amicizia Italo-Brasiliana (Roma, 1962); Nacional de Poesia, Rio (1964); Olavo Bilac (1964 e 1966) e Machado de Assis (1966), do Estado da Guanabara; Bicentenário de Bocage (2.º; Setúbal, 1965); Alphonsus de Guimaraens, da Academia Mineira de Letras (1966); Rubén Darío (3.º; OEA, 1967); Fernando Chinaglia II, da UBE-RJ (1969); Lupe Cotrim Garaude, da UBE-SP (1978); Álvaro de Carvalho (Florianópolis, 1996); Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, São Paulo (2001).
FORTUNA CRÍTICA
Alguns recortes da fortuna crítica de Anderson Braga Horta, acumulada ao longo de mais de cinqüenta anos de atividade literária:
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
Quer no longo poema sobre a fundação de Brasília, que abre o livro, quer no conjunto do volume, registra-se uma intensidade de expressão que afirma a personalidade do poeta .... É uma poesia enérgica, de poderosa carga emocional, e trabalhada com bastante apuro técnico.
JOANYR DE OLIVEIRA
Anderson Braga Horta construiu, com “Altiplano”, o magno poema da “Capital da Esperança”.
(“‘Altiplano’, Epopéia Brasiliense”, Correio Braziliense, 20-3-65.)
STELLA LEONARDOS
.... livro que revela um grande poeta, senhor de seu instrumento, de excepcional talento, substrato-poesia e técnica admirável — poeta que inova e honra a moderna poesia brasileira.
(Do Parecer, também assinado por Peregrino Junior, Valdemar Cavalcanti, Santos Moraes e Fagundes de Menezes, que atribuiu o Prêmio Fernando Chinaglia II, da UBE, a Cronoscópio, em 1969.)
ALMEIDA FISCHER
Altiplano e Outros Poemas assinala a estréia em livro de um dos melhores poetas jovens do Brasil, ganhador de vários prêmios literários de âmbito nacional e com trabalhos incluídos em várias antologias .... Seus versos, construídos com absoluta correção formal, trazem em si poderosa carga poética, que se transmite de imediato e por inteiro a quem os lê. E vale a pena lê-los, pois são dos mais belos da literatura brasileira de nossos dias.
(Apresentação do livro, 1971.)
A. GARIBÁLDI
Jovem, Anderson Braga Horta é considerado, pela crítica responsável, um dos maiores poetas brasileiros de sua geração.
Seu estilo martelado, trabalhado, apresenta-se-nos como uma transição ousada entre o clássico e o moderno. Dá-nos uma forma literária que se entende e que se ama.
É poesia que tem a adustez dos desertos varridos por poeiras de séculos, onde ficaram lágrimas e angústias: as angústias e as lágrimas de todos os homens que morreram enleados na estrela duma esperança, que morreram por redimir.
E por isso, e sobretudo por isso, a obra literária de Anderson Braga Horta é profunda como o som dos búzios, que nos ensinam profecias indefiníveis que fincam as suas raízes em certezas ansiosas.
(Jornal de Felgueiras, Portugal, 16-10-71.)
HENRIQUES DO CERRO AZUL
Os efeitos sonoros, que o A. tira das palavras que utiliza na elaboração de seus poemas, é algo de surpreendente. Não está ali o ritmo mecânico, martelado nas cesuras e ictos em lugares pré-estabelecidos da Poética tradicional. Não é tampouco o ritmo interior, subjetivo, oriundo exclusivamente da emoção do Poeta ou do leitor. São os efeitos sonoros das próprias palavras, justapostas, cuja conexão independe do ritmo mecânico, gramatical ou interior, mas resulta de uma harmonia própria das palavras, ou seja um ritmo “ontológico”, ainda não catalogado nos compêndios didáticos de teoria literária...
(“O Poeta do Altiplano”, O Povo, Fortaleza, 10-2-73.)
CAMPOMIZZI FILHO
É ilustre a estirpe de Anderson Braga Horta. Remonta a um passado de muitos séculos. Segue a linha não corrompida e não ultrapassada da beleza. Nesse seu “Marvário”, monta-nos por sobre bases líricas todo um universo de ternura e de compreensão. Não luta contra moinhos de vento. Pelo contrário, sabe o que quer e para onde vai. E nos transmite as suas sensações. Anda pelo cerrado. Debruça-se à janela e descobre nas distâncias do planalto os ruídos do oceano que lhe acenam um convite e que se misturam nos seus ouvidos ao segredo da mulher amada. Esse “Marvário” está nítido na tradição mediterrânea de atração para as grandes águas. Vai ficar.
(“Marvário”, Gazeta Comercial, Juiz de Fora, 14-10-77.)
ALAN VIGGIANO
Um prêmio é um prêmio. Pode revelar uma preferência pessoal, surgir de uma amizade ou resultar até mesmo de conchavos espúrios. Quando, porém, uma produção poética acumula tal lista de láureas, extensas em número e elevadas em valor intrínseco; quando, à latitude dos prêmios, se juntam a longitude e diversidade das entidades que os concederam, como é o caso; e quando, nas assinaturas dos pareceres, estão nomes de autoridades no assunto como Carlos Drummond de Andrade e Manuel Bandeira, desaparece toda e qualquer margem de dúvida sobre o trabalho desse autor ....
(Apresentação de Incomunicação, 1977.)
HENRIQUETA LISBOA
Itinerário bem planejado, bem articulado e bem construído, num todo harmônico e severo, de linhas e formas que se procuram e se sustentam estruturalmente, partindo de uma razão profunda para uma expressão poética paradoxal e conflitiva. Os problemas do indivíduo, em ampliação, alcançam a área da problemática social, com muita felicidade em certos poemas, como “A Engrenagem”, e agressividade em outros, como “Apartheid (Suláfrica)” e “Os Espantalhos”.
Os conceitos do Autor encontram forma adequada, indiretamente, numa linguagem analógica de sons, ritmos e metáforas de intensa vibração — testemunho de sua força imaginativa.
É cuidadosa e eficaz, para a associação das idéias e ressonâncias, a escolha dos vocábulos, ora contundentes, ora puramente criativos: trevalume, anteluz, siderurgente, vitrígneos.
Enquanto o texto se afirma como expressão do humano, prevalece a palavra como valor essencial do poético.
(Apresentação de Exercícios de Homem, 1978.)
OLNEY BORGES PINTO DE SOUZA
Poesia social do mais alto nível é a que flui, de começo a fim, em Exercícios de Homem de Anderson Braga Horta.
Poesia social, diga-se desde logo, completamente diferente da que, via de regra, nos chega às mãos.
O autor não procede a uma glosa de acontecimentos, não erige seus poemas com fulcro em fatos isolados, ou isoladas amostras do amiúde desconcertante comportamento humano. Não, o poeta faz descer aos mais fundos escaninhos da personalidade humana sua arguta sonda de lúcido artista participante e leva a cabo um penetrante levantamento do condicionamento da humanidade ao qual, concomitantemente, adere uma dicção poética positivamente exímia.
(“Os Lúcidos Exercícios”, O Diário de São José dos Campos, 17-10-78.)
IVAN JUNQUEIRA
Nos Exercícios de homem, Braga Horta revela uma pujança e uma criatividade dignas de todos os possíveis encômios. Todas as artimanhas da arte poética e segredos da poesia parecem estar sob o jugo de sua mão habílima e versátil. Trata-se de um livro de funda e pertinaz reflexão, de graves acentos bíblicos, crivado de fantasmagorias e augúrios, vazado numa linguagem de absoluta limpidez e plasticidade, de uma riquíssima e insólita imagérie, de inumeráveis inventos e engenhos e, enfim, de um ímpeto contestatório cuja frontal contundência política raramente se vê até mesmo em nossos mais contumazes poetas engagés.
(“Dois Poetas”, em À Sombra de Orfeu, 1984.)
ABELARDO DE PAULA GOMES
Hay, en la poesía de Anderson Braga Horta, una preocupación fundamental por el Hombre. Por su completa substancia de barro y de luz. Por su pasado y por su presente. Interrogantes, angustiados, a veces, sobre la construcción del futuro, donde escepticismo y esperanza, en un horizonte de dudas, se vislumbran. Preocupación y interrogantes consustanciados en un lenguage poético, denso, conciso y bien trabajado y realizados por un sugestivo simbolismo.
(Hoy, Asunción, maio/jun.-79.)
AURELIO GONZALEZ CANALE
Altiplano e Outros Poemas es una prueba de los quilates poéticos del escritor brasileño. En efecto, en el presente poemario observamos el logro de una técnica personal, segura donde la palavra adquiere ora imágenes impactantes, ora se proyecta con hondura en las regiones de un pensamiento permanentemente reflexivo. Naturaleza u espírito son coordenadas unitivas de una misma realidad: el Hombre, real de polvo, sudor y sueño; Altiplano e Outros Poemas es una bandera al viento de la joven lírica brasileña.
(Hoy, maio/jun.-79.)
NAHUEL SANTANA
En Exercícios de Homem resaltan: el pulso artesanal de quien conoce los elementos que deben componer una poética cierta; la actitud del poeta con el hombre y el elquilibrio justo, a través del estrecho paso de la necesidad comunicante y el logro significante de la poesía actual.
.... A.B.H. sin procurar, ni prefijarse, metas vanguardistas en su poesía, arriba a un lenguaje claro y renovador, profundo y de una alta intensidad líricamente actual.
(“Exercícios de Homem”, Amaru, Buenos Aires, ago.-79, p. 16.)
MAURO GAMA
Mineiro de ritmos exatos, Anderson Braga Horta nos deu Altiplano e outros poemas (reedição) e Exercícios de homem, frutos de uma poética madura, de intimidade compensadora com os ingredientes da língua e corajosa atenção para com os problemas da humanidade presente.
(“Os Poetas Estão na Praça”, Ele Ela, dez.-79.)
CARLOS GARCÍA DE LA FUENTE
Los poetas brasileños se caracterizan por su fuerza. Son una fuerza de la naturaleza, que canta con voz de selva y de sertón, de mar y de montaña, con grandilocuencia de trópico. De ahí que no es extraño que los versos de Anderson Braga Horta reproduzcan fielmente aquellas características y nos hagan evocar, de inmediato, paisajes formidables, horizontes sin límites, tiempo de siglo, con palabra creadora.
Si recorremos el itinerario de Ejercicios de Hombre: del barro, del verbo, de Caín, de Babel, de las tinieblas, de las rebeliones, nos encontraremos sumergidos en un panorama de tempestad, iluminado de relámpagos, donde el hombre vive en una caverna sombría, construyendo artefactos, de los cuales “con uno mató a su hermano”.
Apenas una esperanza se vislumbra en esta poesía trascendente, pero no es una esperanza para hoy, sino para mañana, un mañana que llegará después del “todavía de iniquidades y miedo, del tiempo de rebeldía, de gestación, de los odios proliferantes, del tiempo amargo”; pero en aquella débil esperanza reside, precisamente, la belleza del poema que es Exercícios de Homem, nuevo aporte del Brasil, por intermedio de Anderson Braga Horta, a la cultura latinoamericana.
(Repertorio Latinoamericano, Buenos Aires, jan./fev./mar.-80.)
ARTIGAS MILANS MARTÍNEZ
Bastaría solamente el poema .... inspirado en la fundación de la ciudad de Brasilia, para dar brillo al nombre de un poeta. En ciento nueve versos de audaces, insólitas imágenes, en ágil fábrica idiomática, el poeta procesa esa fundación, partiendo desde el desolado y áspero sertón. Entona, vigoriza el poema, un sostenido ritmo musical de marcha, como acompañando la urgencia de conquista, en la batalla del hombre con la Naturaleza y su propio destino humano. ....
No dudo: este Braga Horta, ya está en el camino de los mejores poetas que dan renombre a la cultura de la patria de Olavo Bilac...
(Tribuna Salteña, Salto, Uruguay, 15-6-80.)
CRISTINA TSERNOTOPULOS
Si tuviéramos que destacar los rasgos sobresalientes de Anderson Braga Horta, poeta brasileño contemporáneo, deberíamos señalar en primer lugar su “ser” poético y en segundo lugar, su incesante buceo que parece no tener límites. ....
Sus temas predominantemente filosófico-sociales, algunos de extrema vigencia, evidencian con claridad el afán indagatorio del poeta; afán que también se manifiesta en el aspecto formal, en su lúcido distanciamiento de lo establecido, ya que no sólo utiliza elementos considerados poéticos por tradición, sino que además incorpora otros que escapan a encasillamientos rígidos ....
Por todo lo observado, concluimos que lo poético y el sondeo psíquico, metafísico o social, emana de ambos libros, a pesar de que en “Marvário” predomine lo lírico y tradicional, y en “Ejercicios de hombre”, haya una mayor preocupación social y metafísica y un alejamiento de lo convencional que lo tornan a veces extraño y chocante.
(“El Buceo Poético”, Letras da Província, dez.-80.)
PASCHOAL RANGEL
Recebi um dia “Exercícios de Homem”. Como antes recebera “Altiplano” e “Marvário”. E a dedicatória amiga de Anderson Braga Horta. Ex-aluno de outros tempos, sempre poeta, desde os tempos meninos. Hoje, poeta premiado, repremiado, federal. ....
Os poemas são dos anos 1964-1967, quando não era fácil — hoje também não é, antes também não era, depois não será também — fazer os “exercícios de homem”. Mas Anderson os fez e continua fazendo... Ele vai buscando todos os dias descobrir os caminhos noturnos dessas minas de angústia que somos nós quando mantemos um pouco de lucidez e consciência. Ele vai escavando a caminho de si, a caminho de nós. Esses “exercícios de homem” descobrem em “nós, o Homem”, pedaços do Barro, do Verbo, de Caim, de Babel, das Trevas, das Rebeliões, do Homem enfim, permanentemente evoluindo... Somos de fato essa inóspita mistura e nos habitamos mal-e-mal.
O poema maravilhoso de Anderson Braga Horta acompanha essa “divina comédia” de ser homem, às vezes sofrido, quase sempre esperançoso, de uma nada doce, antes áspera Esperança, iluminada pelo Infinito... Não sem passar por momentos de dúvida, de tédio, de cepticismo: “O Homem donde vem? Caiu donde não era. / Para onde vai? Não sabe. E o que deseja? A volta.” ....
(O Lutador, Belo Horizonte, 22/28-2-81.)
ANTONIO ROBERVAL MIKETEN
Altiplano e Outros Poemas foi o livro que lançou, dentro do cenário de Brasília, a poesia nacionalmente premiada de Anderson Braga Horta. Nele se antecipa o procedimento de uma arte vigorosa, sensível, de atento labor artesanal, que culmina em Exercícios de Homem: o quarto livro do poeta. ....
Enfim, em todos os procedimentos do poema — que coloca em relevo seus elementos de estruturação artística, capazes de gerar seu próprio mundo significativo — o universo de “Altiplano” torna Anderson Braga Horta o mais legítimo e altissonante poeta da alvorada de Brasília.
(“Altiplano: a Saga de Brasília”, Correio Braziliense, 19-12-81.)
JOSÉ ROBERTO DE ALMEIDA PINTO
Do ponto de vista da publicação em livro, Anderson Braga Horta é, dentre os autores da “poesia culta”, o mais ligado a Brasília e talvez o único ao qual se pode atribuir a qualificação de poeta essencialmente brasiliense. ....
Como uma espécie de cartão de apresentação ou certidão de naturalidade, Brasília se faz presente como tema no texto que abre a série de publicações em livro de Anderson — “Altiplano”, o longo poema, de acentos épicos, sobre a construção da cidade no “sertão, só e ríspido”. ....
Justamente por assumir a sintaxe da língua como um código cujas regras devem ser respeitadas, Anderson valoriza e torna expressivos os momentos de ruptura sintática ....
(Poesia de Brasília: Duas Tendências, Thesaurus, 2002.)
MOACYR FÉLIX
Anderson Braga Horta, de 48 anos de idade e mineiro residente em Brasília, já é poeta de inclusão obrigatória nos mapas da nossa literatura. Entre seus vários livros de poesia —é também ensaísta e tradutor— podemos relembrar —graças aos aplausos, que ainda ressoam, de suas críticas— Altiplano e outros Poemas, Marvário e Exercícios de Homem.
Cronoscópio, eis um título que bem revela a pre-ocupação constante nesta amostra a mais do fazer poético de Anderson. O tempo, a renda das horas, o seu infindável novelo, o seu tricotar-se sem pausa no silêncio dos instantes na paisagem geral ou na aparente imobilidade de cada coisa, as muralhas da treva sempre mais altas que o salto da percepção consciente, a alma dos minutos pulsando como pássaros, a auscultação dos relógios como quem ausculta as raízes de uma árvore crescendo — essa a matéria-prima desses seus versos. Com ela, e argamassada por mãos que se fizeram mestras de uma determinada e própria técnica de expressão, típica dos melhores momentos da escola estética a que pertence, com ela, com essa matéria é que ele, o poeta, constrói os seus seres verbais como anzóis de som e de palavras a buscarem, na profundeza do que vê como um abismo inconsútil, o menino que ele foi, a infância que teima em não morrer e que aparece diluída, como águas de lembranças, no espanto aristotélico com que não entende a noite, a longa noite embutida no asfalto das ruas e no interior das casas, a noite em que de sua poesia “brota um áspero perfume/ como de flor machucada”. É então que ele se prende, com suas pastas de dúvidas, às antenas de um socialismo utópico, que não vê claramente porque “os faróis estão cegos de névoa”. ....
(“Poesia em Brasília”, apresentação de Cronoscópio, 1983.)
OMAR BRASIL
Não que beleza não haja, ou emoção; mas a elas não se reduz. Algo resta, inconsútil (mágico talvez). Seria esse resíduo a poesia? Não sei. Nem mesmo sei o que é poesia! Certeza, apenas do que não o é. Não adianta apegarmo-nos à nítida cantuária de sua pedra-palavra, à resultante arquitetura de imagens dessacralizadas, à sua música inefável. Não é só a sensibilidade do poeta que ela nos desvela, mas também nossa própria sensibilidade, evadida das sombrias masmorras em que a encerramos, a aflorar e a nos violentar. Não encontrar é achar-se. Não ter é compreender-se. E nos perdemos na impetuosa corrente de sua força lírica. Encontrar-se é morrer. (...) portanto, queimar-se, e só, sem mais filosofia.
Torrente, embora incontida e avassaladora, o sentimento represa-se nas margens de seus tempos e circunstancialidade. Tem a coragem de não lhes refugir, enfrenta-os temerária e criticamente. É um solapar incessante, que vai criando reentrâncias (onde o remanso, num refazer de forças, para de novo despenhar-se em ondas e remoinhos), um espraiar-se, aqui e ali, em lagoas transcendentes. ....
Deixemo-nos levar pelo turbilhão. .... Queimemo-nos, pois, sem mais filosofia.
(“Do Transcender Poético”, dobra da capa de O Cordeiro e a Nuvem, 1984.)
SAMUEL PENIDO
Cronoscópio, de Anderson Braga Horta, recém-editado, reitera as qualidades apontadas nos outros livros do poeta, com ressalva, é claro, para aqueles elementos de ordem estrutural que, em última análise, constituem a especificidade de toda obra literária. Em síntese, sua mensagem é forte e tocante; as imagens, arrojadas e candentes; a temática e o ritmo, variados. Trata-se de autor que seduz, particularmente, pelo calor humano, pela paixão acumulada em cada verso. ....
A problemática da poesia — sua natureza, função e mistério — igualmente se faz presente neste livro, ocupando um capítulo inteiro. “A poesia é uma explosão controlada”; assim se encerra o poema “Telex”. Definição que se ajusta perfeitamente ao trabalho poético de Anderson Braga Horta, todo ele espelho da mais pura inquietação moral e de absoluta técnica formal.
(“Um Poeta, uma Poeta”, O Escritor, jun./jul.-84.)
REYNALDO BAIRÃO
Sem favor algum, Cronoscópio é um livro surpreendente, de uma certa forma perturbante, um contínuo desvendar de uma técnica de expressão absolutamente própria, o que coloca Anderson Braga Horta entre os nossos melhores poetas atuais. O espanto e a solidão são a matéria inconsútil do fazer deste poeta ímpar entre os da sua geração. .... É poesia adulta, que nos mostra um poeta em plena maturidade de sua força criadora, um autêntico “triturador de angústias”, um verdadeiro “lapidador de rochas”, um “sabedor de todas as águas” que abriga em seu âmago “a serenidade do céu”.
(“Cronoscópio ou uma Árvore que Cresce”, Jornal de Letras, ago.-84.)
HERMANN JOSÉ REIPERT
A vibração estala, ora através do ritmo, ora através de uma seiva estranha que brota de cada poema num desfilar febril de palavras modernas, antiquíssimas, fantasmagóricas e contundentes — palavras — nesse belo Exercícios de Homem que Anderson Braga Horta nos envia agora.
Dir-se-ia uma Poesia telúrica — panteísmo transcendental — de um ímpeto vital subterrâneo que ora esplende no ritmo gracioso de “Rosazul” ora na exigência urgente com que pede o afastamento das coisas mortas: a rosa insossa, insípida, inodora em “Cruento”.
Dizendo forte através de neologismos e arcaísmos, a linguagem dobra-se à idéia no mais íntimo de sua concepção.
Uma ou outra vez cede ao discurso, quando “participa” com mais veemência, talvez. Muito raro esse momento, porque o seu é o momento do mundo esplendendo em brotos, raízes, barro e limo, um mundo estalando no milagre de viver.
Tirando o divino do humano, do barro a frauta, do mineiro a gema, há uma esperança funda nesses Poemas, o ideológico fundindo-se no artístico donde brota um incenso de puro humanismo enriquecendo, multicolorindo e dignificando a Poesia.
Poesia onde o ébrio dionisíaco entra com a força da raiz. Anderson Braga Horta é bem um sacerdote de um culto panteísta, como quando modela o barro para dele tirar a “frauta” sabendo extrair de um objeto um estado de alma.
Quanto ao formal, nada de soluções estereotipadas: o Poeta não só diz mas prefere viver o “dizer”. E o diz sugerindo, não explicitando, introduzindo a Poesia no mistério da Poesia.
(“Exercícios de Homem — Ímpeto Vital”, Boletim da ANE, dez.-84.)
FRANCISCO HERNÁNDEZ AVILÉS
El poeta Anderson Braga Horta (1934) nació en Minas Gerais, Brasil. Constituye una de las sensibilidades más críticas frente a la intolerancia de la sociedad contemporánea. Su poesía es contundente contra la injusticia social, sea niño hambriento, selva abrasada o esclavitud; sin embargo, inmerso en ese mundo despiadado, bestial, anticipa otro tiempo más lúcido en el cual el hombre pueda finalmente erguirse como tal.
(Nota a tradução de “Sul áfrica”, Lá Rosa Náutica, n.º 3, México, out.-90.)
JOÃO CARLOS TAVEIRA
A trajetória poética de Anderson Braga Horta, cuja estréia se deu na maturidade, aos 37 anos, tem sido, desde então, a manifestação inequívoca de um talento artístico harmonioso, plenamente voltado para o mistério do Verbo, da Beleza e da condição humana. ....
Desde o primeiro livro, o premiadíssimo Altiplano e Outros Poemas, de 1971, passando por Marvário, Incomunicação, Exercícios de Homem (título que de per si corrobora estas reflexões) e Cronoscópio, até o recente O Pássaro no Aquário —coletânea que veio ombrear com as dos principais e mais expressivos nomes no cenário da moderna poesia brasileira—, podemos confirmar o compromisso de Anderson Braga Horta com a palavra, no seu exercício cotidiano de busca da essencialidade humana. Nesta poesia nada é gratuito, artificial. Todo o seu corpo formal e conteudístico se alicerça na estrutura da poesia clássica, pelo que ela possui de barroco, de romântico, de simbolista.
A força expressional verificada em sua obra, aliada ao conhecimento intelectivo e ao apuro técnico, confere ao autor de O Cordeiro e a Nuvem uma dicção e uma especificidade criacional incomuns, porque dotadas de uma característica pessoal, intransferível: o caráter e o talento elevando-se como matriz da vida e da obra de um homem. Aquela associação ou fusão que Manuel Bandeira ressaltou em Murilo Mendes e que, posteriormente, Edson Nery da Fonseca vislumbrou no seu conterrâneo Mauro Mota. ....
O poema que fecha o conjunto de Quarteto Arcaico, denominado “A Tartaruga”, além de nos confirmar a polifonia da linguagem musical, devido ao seu clímax, pode ser lido tranqüilamente como uma viagem cinematográfica. Entre os vários pontos sugeridos, parece-nos que esta viagem foi elaborada a partir de um filmograma de Fellini, em La Dolce Vita. Trata-se de uma das mais belas realizações poéticas de Anderson Braga Horta, concebida sem nenhuma preocupação especial no tocante a certos preconceitos formais dominantes. Ao contrário, sente-se que é um poema nascido da fluidez da inspiração e realizado com simplicidade e leveza comumente constatadas só em poetas maduros e experientes como o autor de O Pássaro no Aquário.
Com este livro, ponto de altíssimo nível de iluminação da obra de Anderson Braga Horta, por representar, dentro de sua criação artística, um mergulho dos mais felizes nas fontes da poesia brasileira, tenho motivos de sobra para vaticinar a consagração de uma vocação humanista, sempre voltada poeticamente para os reais valores do Homem, na construção de um mundo mais justo, mais generoso e mais fraterno.
(“O Verbo, o Belo e a Condição Humana”, apresentação de Quarteto Arcaico, 2000.)
KORI BOLIVIA
Estando yo en el aula universitaria, un día de los años 70, conocí a Anderson Braga Horta y a Marly de Oliveira. Oía poemas en la voz de los propios autores. Me emocioné como toda estudiante extranjera que por vez primera podía disfrutar de ese tipo de actividad. Pero el tiempo pasó y ahora, el reencuentro no sólo con la persona pero con la poesía de Braga Horta, me mostró que el interconocimiento entre nuestros países es necesario. Bolivia conoce poco sobre la poesía brasileña actual, no sólo sobre la brasiliense y la recíproca es más que verdadera. ....
Poeta premiado en varios concursos nacionales, marca con su presencia serena y firme las noches bohemias de la cultura brasiliense ....
La creación literaria muchas veces se enfrenta con alguna limitación en el campo de la palabra, pero Braga Horta consigue nuevas imágenes fundiendo y refundiendo palabras, recreándolas en trabajo a veces juguetón. En sus poemas la metáfora lírica fluye cual manantial tranquilo que a veces encuentra paisajes pedregosos y nos emociona, nos lleva a experimentar sentimientos antiguos en nosotros mismos. Es una poesía rica y a veces sensorial y otras racional, pero un racional que sueña siempre y se pregunta sobre sí mismo haciéndonos partícipes de sus otros yos, ésos que también pueden repetirse en cualquiera de nosotros.
En sus versos hay fluidez y movimiento, las imágenes y sus asociaciones trascienden las experiencias de la vida y advertimos al mismo tiempo, una soledad ligada a un poco de melancolía, quizá identificada con su propio espíritu. Sin embargo, el poeta es pleno y mantiene una actitud totalizadora, sana y absoluta.
(“Anderson Braga Horta en 5 Poemas Traducidos”, Literatura, out./dez.-97.)
MANOEL HYGINO DOS SANTOS
Da nossa capital federal, já se disse quase tudo. “Quase”, porque nenhuma criação humana, nenhum julgamento, nenhuma idéia é completa. Há sempre a acrescentar. Digo-o, com serena convicção, ao ler, periodicamente, o conteúdo de Poesia de Brasília, antologia dos autores ali nascidos, ali residentes, os que por lá passaram.
... a capital federal já tem alma própria, sente e pulsa, como os seres humanos. Pode-se aferir e conferir pela leitura do livro em questão, obra de Joanyr de Oliveira, mineiro de Aimorés, que andou aí pelos brasis, para finalmente estabelecer-se com armas, bagagens, méritos e disposição, inclusive para revelar ao resto do território que, no planalto central, se faz mais do que política. Faz-se poesia, e de excelente qualidade. ....
Somente agora consinto que “Brasília nasceu sob o signo da poesia”, como definiu Anderson Braga Horta, por sinal mineiro, de Carangola, que comparece à obra com peças de fino lavor.
(“Alma Citadina”, Hoje em Dia, Belo Horizonte, 26-4-99.)
ANTONIO OLINTO
É mister que se inclua o nome de Anderson Braga Horta na lista dos grandes poetas deste País. Seu verso tem ecos longínquos, mas brota de um período de transe, quando um milênio se desfaz e as coisas se modificam. Volume de bela feitura gráfica, “Dos sonetos na corda de sol” aparece com apresentação de José Jeronymo Rivera, em lançamento da Editora Guararapes EGM, de Jaboatão dos Guararapes, Pernambuco.
(“O Mistério do Ritmo”, Tribuna da Imprensa, Rio, 7.7.99.)
JOSÉ SANTIAGO NAUD
O primeiro livro de Anderson Braga Horta publicou-se em 1971 na cidade de Brasília, com trabalhos de 1959 a 1964. Natural de Minas Gerais, para aqui veio desde o Rio, em julho de 1960, e viveu a infância também no interior goiano. Dura portanto quatro décadas completas o longo e largo percurso lírico do autor, que parece já haver nascido maduro e tem sido, inalteravelmente, luminoso. Estrela de primeira grandeza, hoje cintila na constelação da poesia nacional.
Por herança de sangue e de berço, ele é senhor com certeza de sólido patrimônio cultural. Seus pais eram poetas de vôo seguro e a casa familiar foi sempre morada do espírito. Deste modo, este livro — Fragmentos da paixão, que reúne obras editadas até 1997, espelha com limpidez a suma do seu caminho. Exemplar de beleza, ofício de humanidade. O título sugere: a aventura não acabou. Paixão deve entender-se como Vida ou Poesia. O primeiro substantivo, secundário, indica apenas parcelas da verdade maior, felizmente ainda em ação. É a existência inteira do Anderson.
Desde o primeiro, Altiplano e outros poemas, ao último, Auto das trevas, os livros se sucedem: Marvário (1976), Incomunicação (1977), Exercícios de homem (1978), Cronoscópio (1983), O pássaro no aquário (1990). Num horizonte de obras em que, sem altibaixos, podemos vislumbrar a linha nítida e impecável de uma cordilheira, ascende vertical o fogo serpentino. Profunda inspiração e competência formal fixam nas palavras o mistério da vida e o mistério poético. Um arco, irisado e completo, lhe são bases de arrimo aqueles dois livros extremos. Sejam, as singularidades, que transcendem a saga da capital planaltina, ao sopro épico do antigo; e a objetividade, reflexa na crítica social que retoma as fontes dramáticas da língua portuguesa. Mas o tradicional, que Anderson domina sabendo afeiçoá-lo à invenção moderna, representa o suporte capaz de fazer consistente e homogênea sua criação. Até garante a validade inclusiva de ludismos concretistas, canhestramente gratuitos noutras tentativas de gente menos feliz. Quanto aos livros que ficam pelo meio, poderiam vir a compor o vazio, conforme ocorre no espaço de um arco qualquer. Poderiam, não fora a coesão da obra, o intenso vigor da fatura, exercício de um homem fiel ao seu destino, solidário com os outros, atento ao valor das coisas — visíveis e invisíveis. Teve o bom alvitre de incluir peças antes postas à margem, e agora presentes com o nome de Poemas escritos com raiva (inédito). Além de patentearem sagrada indignação contra a estupidez e a violência, servem esses versos para entendermos os critérios que informam a perícia da sua composição e a alquimia utilizada no processo estético. Com unanimidade (e nenhuma burrice), a crítica situou-se exata na avaliação destes sete livros, e os prêmios de alta categoria o confirmam. Juízo idôneo, apenas ultrapassável na descoberta jubilosa que haverá de fazer cada leitor, se dispuser-se honestamente à verdade e à beleza neles contidas. Os prefácios de escritores competentes ou as introduções do próprio autor servirão de roteiro em tal senda, na realidade mágica. Ao fim, uma notícia biobibliográfica e o índice do que se escreveu sobre o poeta, orientarão toda inteligência propensa a refletir ante esforço tão fecundo.
Na fértil poética brasileira, de norte a sul e de leste a oeste são inumeráveis os nomes que já escreveram palavras definitivas. No entanto, ninguém terá um direito maior do que Anderson Braga Horta para honrar a derradeira afirmativa de Hölderlin: “Was bleibet aber, stiften die Dichter”. Mas o que permanece, fundam os poetas.
(Dobras da capa de Fragmentos da Paixão, 2000.)
NILTO MACIEL
A vasta Fortuna Crítica de Anderson Braga Horta demonstra a sua importância dentro do panorama da Poesia Brasileira. Sua obra vem sendo construída lenta e serenamente, como deveria ser a construção da obra de todo escritor. Talvez a sua mineiridade o ajude a ser assim sossegado, sem açodamentos. ....
O erotismo requintado aparece em diversos poemas de Quarteto Arcaico, em belíssimas imagens, sem nenhuma concessão ao trivial. O soneto “Marinha” é exemplo de como se deve ou se pode fazer poema erótico sem deixar de fazer poesia. ....
Anderson homenageia poetas de sua predileção e de sua amizade, sem resvalar no discurso prosaico, sem se valer do mero registro ou navegar nas águas por demais límpidas do circunstancial. Seus poemas dedicados aos poetas são construídos a partir da poesia deles, e não da aparência, dos olhos, da boca deles.
Escrito em linguagem poética apurada, sem nenhuma transigência com o linguajar da prosa jornalística (como acontece a torto e a direito por aí, inclusive em poetas de alguma nomeada na mídia), utilizando formas fixas e livres, redondilhas, decassílabos, versos polimétricos, valendo-se de todo o leque de temas poéticos mais conhecidos – Quarteto Arcaico é de deliciosa leitura. Merecem destaque inúmeros poemas e alguns versos, os quais constarão das antologias da Poesia Brasileira: “Eu vou para onde ireis: / para Além, para o Enigma. / Eu vou para onde vai o infinito da Vida.” (A Tartaruga). Para tornar-se enigmático? Não e pelo contrário: para compreender-se e compreender o mundo. A imagem é ascética. O poeta parece sentir-se anterior à criação do mundo. Pois poesia é criação. Ou pré-criação. O que não deixa de ser enigma.
(“Anderson Braga Horta: Cultivador de Enigmas”, LB – Revista da Literatura Brasileira, n.º 21, São Paulo, 2001.)
FERNANDO PY
Esta seção hoje principia registrando três livros do poeta mineiro Anderson Braga Horta: Dos sonetos na corda de sol (Jaboatão, PE: Editora Guararapes–EGM, 1999), Quarteto arcaico (Jaboatão, PE: Guararapes–EGM, 2000) e Fragmentos da paixão (S. Paulo: Massao Ohno, 2000). Em todos eles temos a já consabida mestria do poeta no acabamento formal dos versos e dos poemas, o que fica evidente nos sonetos do primeiro dos livros citados. Os sonetos de Anderson, sem nenhum favor, são peças de extremo rigor na forma e neles o poeta se dá o requinte de versejar de maneira um tanto arcaica, como no soneto inicial, propriamente chamado “Soneto antigo”. Porém Anderson não se limita, como excelente poeta que é, a versejar dentro de uma forma fixa, muito embora domine amplamente a técnica do soneto. Nas quatro partes do Quarteto arcaico, vemo-lo perfeitamente à vontade no manejo de todo tipo de verso, não só os bem metrificados e rimados, mas também os de caráter mais livre, em que a métrica é eventual — ou até não existe — e o poeta não se prende à contagem de sílabas, bastando-lhe seguir o ritmo do próprio ouvido.
Já em Fragmentos da paixão, reunião geral da obra poética de Anderson, temos em um volume todos os seus livros anteriores aos editados pela Guararapes, desde a estréia com Altiplano e outros poemas (1971) até O pássaro no aquário (1990), além dos inéditos Poemas escritos com raiva e Auto das trevas. Na estréia, Anderson Braga Horta já mostrava sua madureza e a habilidade no trato das formas fixas, o que é demonstrado nos “Quatro sonetos em lá”, todos ingleses, isto é, com três quartetos e um dístico final rimado. O segundo livro, Marvário (1976), denota claramente uma evolução. Mas essa evolução se dá sobretudo na ampliação da temática, que chega inclusive ao contexto social, como vemos nos poemas finais do livro, principalmente “Celacanto” (p. 54), mas por igual oferece a gratuidade das “Canções”, onde o poeta exibe todo seu talento nos versos medidos. Incomunicação (1977), Exercícios de homem (1978) e o inédito Poemas escritos com raiva, são livros em que é acentuada a temática social e o poeta, sem deixar de lado seu lirismo visceral, se coloca na vanguarda dos poemas engajados da época. Daí decorre o fato desses poemas serem muito datados, sobretudo o último deles; mas em Cronoscópio (1983), Anderson alcança a plena maturidade poética, está senhor de seu instrumental, a palavra, e daí em diante sua obra se cristaliza, o que se faz mais nítido em O pássaro no aquário. Como já tive ocasião de escrever, o poeta se volta para indagações existenciais que se espalham pelo livro todo, assumindo por vezes conotações de angústia, e domina plenamente sua linguagem e a técnica do verso.
(“O Poeta Anderson”, “Tribuna Literária”, Tribuna de Petrópolis, 18.2.2001.)
RONALDO CAGIANO
.... No oito livros coligidos, sua temática centra-se no homem e no amor, com ênfase na dicotomia entre a vida e a morte. Detecta-se em sua artesania uma articulação entre as diversas correntes literárias, o trânsito entre uma escola e outra, a simbiose de estilos, a intertextualidade — particularidades de quem tem se dedicado a erguer o sólido edifício de sua poesia, sem preocupar-se com êxitos editoriais, livre das controvérsias de mercado, sem aprisionar-se aos encantos da mídia. Poesia madura desde cedo, vigorosa, pulsante, polissêmica, como encarnação da inevitável necessidade de contextualizar os paradoxos que caracterizam a trajetória humana em meio às rupturas deste fin de siècle.
.... Mesmo com toda a liberdade criativa ao erguer a ponte entre a tradição do clássico e o arejamento do moderno, o autor não descuida da qualidade: labora dentro de uma perspectiva estética que não faz concessões à mediocridade, ao mau gosto e rejeita o incensamento da pseudovanguarda. .... Constrói, pois, uma obra do mais alto padrão, situada acima de modismos e tendências, voltada unicamente para a poesia como elemento de identidade universal. E deixa claro nesses versos de concisa, mas profunda reflexão, o seu desafio aos leitores: “Não interrogues o poeta. / Que sabe o rio de suas águas? / Bebamos o poema, esse / caminho venturoso / e sacrificial / entre / a rosa revelada e a rosa alquímica.”
(“Paixão Poética”, Jornal de Letras, Rio de Janeiro, mar./1.)
SAMUEL PENIDO
Anderson Braga Horta é, sem favor algum, poeta dos mais importantes do país. A glória visitou-o cedo, no início dos anos 60, quando em concursos literários, recebeu o voto entusiasta de mestres como Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade. Quantos poetas poderiam ostentar tal galardão? Na verdade, esse mineiro de nascimento e por conquista, já que sábio minerador de palavras, acabou se tornando também um mestre da poesia, credenciado por diversos livros, agora reunidos em Fragmentos da Paixão (Massao Ohno Editor, São Paulo, 2000). Uma coletânea inédita – Poemas Escritos com Raiva – foi incorporada ao volume.
Fragmentos da Paixão traz-nos a obra de um poeta que nasceu maduro; a obra de um poeta que soube renovar-se através do tempo. Renovação que não se deu por acaso, mas à custa de muita “luta com a palavra”, de muito rigor técnico. Seu texto está recheado de alusões, de achados formais, que lembram os grandes mestres da poesia; apenas lembram, pois o que prepondera sempre é sua criatividade: uma idéia a gerar outra, ou a descoberta de uma nova solução expressional. Assim, nada mais natural que componha, ora um soneto, com métrica e rima, ou não – forma, aliás, em que se mostra exímio – ora construa um poema utilizando da maneira mais plástica possível, os espaços da página.
Anderson Braga Horta é um poeta lírico, acima de tudo. Mas de um lirismo que não se fecha em si mesmo, pois aceita interferências várias, como as de origem metafísica ou social e da vida cotidiana, no que esta tem de mais raso ou mais complexo. Amplo, bastante amplo é o espectro de suas preocupações; não se furta a trabalhar nenhum tema, por mais áspero que possa ser.
(“Fragmentos da Paixão”, O Escritor – Jornal da UBE, São Paulo, mar.-1.)
IRANILDO SAMPAIO
Anderson Braga Horta é, sem qualquer dúvida, um dos mais importantes poetas brasileiros de todos os tempos. Os poemas por ele reunidos, sob o título geral de Fragmentos da Paixão, representam uma obra do mais extraordinário conteúdo metafísico, eivada de momentos poéticos verdadeiramente alucinantes, onde tudo é beleza, lirismo e coerência formal. É uma poesia fora dos padrões poéticos rotineiros ....
(“Dois Livros”, Literatura, n.º 20, abr.-1.)
MÁRCIO CATUNDA
Fragmentos da Paixão congrega oito livros que constituem a maior parte de sua obra poética. Na edição, aos seus sete primeiros livros de poesia, Anderson agregou o formidável Auto das Trevas, poema dramático de absoluta síntese, que entrega ao sol da verdade o problema da injustiça social. .... Em Pulso se verifica mais uma vez versatilidade com que o autor maneja os elementos da composição, a mesma habilidade com que combina os tons e as inflexões temáticas de variado espectro. Da ironia do testemunho existencial ao ímpeto de ascensão espiritual, Anderson perscruta a alma humana, a Natureza e o mundo com sua peculiar argúcia de artífice da palavra. Com esse instrumental que se vem afinando cada vez mais, Anderson sabe unir as cogitações do inefável às vicissitudes do cotidiano, alma e memória a um só tempo embevecendo-se com a música do mundo e abominando a miséria do mundo. A generosa voz do poeta a serviço dos humaníssimos princípios, que o verbo poético transfigura em metáforas instigantes, reveladoras de universais verdades. Para que o leitor tenha uma idéia do livro, citarei apenas estes três versos do poema “Subumanidade”, de espantosa incandescência, contundentes como um facho de luz: “O universo é infinito? / Para quem tem fome / é melhor que haja um fim.”
(“Anderson Braga Horta, Mineiro Noturno, Devoto da Poesia”, em Na Trilha dos Eleitos — Volume II, Komedi, Campinas, 2001.)
LITERATURA – Revista do Escritor Brasileiro
O vencedor do “Prêmio Jabuti 2001”, categoria Poesia, é o livro Fragmentos da Paixão – Poesia Reunida, de Anderson Braga Horta. Alguns jornalistas se disseram surpresos, porque, segundo eles, Anderson “é conhecido por poucos”. Na observação de Nilto Maciel, “na verdade, os poetas são conhecidos por poucos, mesmo aqueles que, vez por outra, aparecem nos jornais e nas televisões, como Ferreira Gullar e Afonso Romano. Na verdade, Anderson é poeta muitas vezes premiado e tem diversos livros publicados. Na verdade, Anderson é um dos melhores poetas brasileiros e está e estará ao lado de poetas como Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, João Cabral, Francisco Carvalho e mais uns poucos”.
(“Anderson Braga Horta: Jabuti de Poesia”. N.º 21, agosto de 2001.)
ILDÁSIO TAVARES
Anderson Braga Horta há muito tem seu lugar guardado na poesia brasileira, presença obrigatória de toda antologia que se fizer desta poesia na contemporaneidade. Se ele lá não estiver, esta antologia não estará completa. Recebo sua Antologia Pessoal. Que dizer? É o filé do poeta, a partir de sua própria seleção e, como tal, o leitor pode fechar os olhos e abrir em qualquer página à toa que irá achar boa poesia.
(“Três Livros de Qualidade”, Tribuna da Bahia, Salvador, 12/13-1-2.)
XOSÉ LOIS GARCÍA
[Cronoscópio] es un excelente libro de poesía de Anderson Braga Horta, un sobresaliente poeta de Minas Gerais que vive en Brasilia. Su preocupación creativa está presente en una técnica de expresividad depurada. La ancestralidad y lo telúrico se manifiestan en sus versos como conocimiento que indaga en el futuro.
(Na intr. à Antología de la Poesía Brasileña, Edicións Laiovento, Santiago de Compostela, 2001.)
FERNANDO PY
Poeta dos melhores em sua geração, Anderson mostra sobejamente neste Pulso todas as suas qualidades. Nos dois poemas iniciais ('Indagações', p. 9, e 'Poética', p. 11) questiona o nascimento da poesia e propõe um texto que seja produto direto do inconsciente ("deixa que a mão escreva", verso que se repete com insistência até o final do poema). Isto indica naturalmente uma forma de encarar a poesia e como realizar um texto poético. E o poeta Anderson mostra, ao longo do livro, de que maneira exercita sua habilidade de fazer poesia, sem temer assunto nem meios. Está visivelmente à vontade, tanto nas formas fixas, como o soneto (veja-se o 'Soneto entusiástico', p. 26), quanto nas formas livres ou irregulares. E seu virtuosismo chega ao auge da recriação poética nas duas versões que faz da tradução do poema A Ballade of Dreamland, do poeta inglês Algernon Charles Swinburne (com o título de 'Balada do país do sonho', pp. 90 e 92). Anderson Braga Horta é, certamente, um dos melhores poetas do Brasil na atualidade.
(Tribuna de Petrópolis, 15-9-2.)
JALONS
Une personnalité remarquable dans la mouvance spirituelle de sa mère, l'inoubliable Maria Braga Horta. Son dire colle aux réalités de ce monde, cependant qu'il les accompagne avec sensibilité de réflexions et de regards qui en appellent ensemble à la lucidité et à la compassion. Une poésie de chair et d'esprit, dans tous ses éclairages.
(Sobre Antologia Pessoal. N.° 73, 4ème trimestre 2002, Vichy.)
ZORA SELJAN
Está Anderson Braga Horta entre os melhores poetas brasileiros da geração que sucedeu a Carlos Drummond de Andrade, Murilo Mendes, Manuel Bandeira e João Cabral. Silenciosamente, muito ao jeito de um bom mineiro entregue à faina de interpretar o mundo através da palavra poética, veio construindo sua obra, num domínio crescente de uma técnica vocabular e rítmica, num entendimento exato de que a palavra é capaz de tudo, capaz mesmo de surpreender o mistério que cerca os passos de cada um no rumo de um fim ou de um começo. As respostas, que Anderson Braga Horta dá às perguntas que lhe fiz, revelam a força de seu compromisso de extrair poesia de tudo o que nos rodeia. ....
Um completo e novo domínio do soneto levou o poeta Anderson Braga Horta a renová-lo de tal maneira que, nas suas mãos, podemos considerar o soneto como técnica avançada de fazer poesia, como se tivéssemos dado um salto de Camões até hoje.
(Da entr. "Anderson Braga Horta e o Mistério da Poesia" – Jornal de Letras, n.° 52, Rio, dez.-2002.)
SÉRGIO DE CASTRO PINTO
Muito antes de conhecer Anderson Braga Horta pessoalmente, conheci a poesia desse poeta mineiro de Carangola justamente num suplemento das Minas Gerais. O poema? “O Escorpião”, cuja picada poética de pronto me levou a considerá-lo um dos mais antológicos da lírica brasileira de todos os tempos.
.... a poesia de Anderson é ágil, não obstante reivindique às vezes uma leitura lenta, em consonância com o que ela está mais a sugerir do que a dizer. E já mesmo por ser um sonetista primoroso, ele mais se assenhoreia dessa forma fixa do que se deixa subordinar por ela. O que é, convenhamos, muito difícil. ....
(“O Poeta Anderson Braga Horta” – Jornal da Paraíba, 21-3-4.)
ANTONIO MIRANDA
A poesia de Anderson Braga Horta fica no ponto de transição humanista-redentorista, que acredita na superação do homem, na salvação e em certo determinismo que nos leva sempre ao progresso (garantido pela evolução histórica) e, em sentido contrário, conforme a assertiva moriniana, levanta a questão da impossibilidade de qualquer progresso, numa aventura incerta, e também à certeza de que toda conquista é efêmera e requer reconstruções infinitas, avanços e recuos, riscos constantes. ....
(“A Tese de Edgar Morin e a Poesia Exemplar de Anderson Braga Horta” –Prosa, rev. da Uniderp, Campo Grande, MS, v. 4, n.º 1, 2004.)
F. PIRES LOPES
O próprio poeta nos elucida que o seu objetivo é salientar ao máximo as cintilações da língua não como técnica mas como ‘coisa mental’ e de ‘comoção’ (portanto pensamento-emoção-sentimento), em ideal de complexa simplicidade humana.
Para ver como programa a realização, eis os títulos dos cinco conjuntos aduzidos: erótica, eus, círculo de família, ser com os outros, limites. Do seu auto-retrato citamos ainda traços identificantes, como homem, como literato, como político: “O homem ainda não completou a sua humanidade. Atento às dolorosas encruzilhadas em que se crucifica o Planeta, acredita no ser humano, confia no Brasil e crê na poesia, vendo nesta um dos caminhos capazes de levar à redenção espiritual, que implica e é implicada pela redenção social do homem” (104).
Com toques de lirismo luso e altissonâncias telúricas do mundo brasileiro, desenvolve o poeta vasta gama de motivos, incluindo zona espiritualista. Poesia forte, imagem dos Brasis percorridos, até à síntese que Brasília talvez anuncia: “No altiplano das nossas esperanças, / rosa-dos-homens / construímos-te futura” para “quando chegar o tempo do Homem” (80-1).
(Nota sobre 50 Poemas Escolhidos pelo Autor – Brotéria, Lisboa, 2004.)
ANTÔNIO CARLOS SANTINI
A poesia é intraduzível, dizem alguns. Coado o licor lírico pelo alambique da tradução, perde-se o bouquet. Traduzir o poema é arrancar as asas da borboleta cujo mistério se pretende decifrar...
Talvez seja hora de discordar. Se foi elogiado e premiado o tradutor alemão de Guimarães Rosa (aquele inventor de palavras que até Riobaldo Tatarana hesita em escandir e silabar!), se Antônio Houaiss foi celebrado por sua tradução do “Ulisses”, de Joyce – e de propósito lembro dois autores tidos como “intraduzíveis” –, nenhum outro texto pode já ser considerado imune à tradução.
Acabo de receber (e de ler, sorrindo) o novo livro de Anderson Braga Horta, “Traduzir poesia” (Ed. Thesaurus, Brasília, 2004, 294p. – fone (061) 344-3738), em que o poeta veste a capa de alquimista para narrar seus experimentos de transmutação da pedra filosofal, digo, de poemas estrangeiros para o idioma português.
Não contente de mostrar a tradução propriamente dita, HORTA revolve os canteiros (perdão pelo trocadilho!) da construção, deixando perceber – para desespero de Bilac – os andaimes do edifício. O poeta-tradutor mostra o produto final, mas revela também as tentativas anteriores, mais ou menos felizes, as hesitações e o suor de cada escolha. Só para o famoso “Voyelles”, de Rimbaud, dá-nos, ad libitum, seis versões! Ele confessa: “Gastei todo um mês nesse trabalho.”
As traduções vêm entremeadas de reflexões que compõem uma pequena “teoria literária”. ....
O tradutor é ambicioso: Baudelaire, Petrarca, Quevedo, Rilke, Shakespeare – ninguém o assusta. ....
Acabo por aqui. Mas fica a lembrança: o livro interessa diretamente a estudantes de Literatura, professores de Teoria Literária e Estilística, aprendizes de poeta. Os segredos de carpintaria da escritura saem direto do laboratório do mago...
(“Traduzir Poesia?” – O Lutador, B. Horizonte, 11/20-12-4.)
EDUARDO FERREIRA
Na seara da tradução, o ramo da poesia é talvez o que apresente os desafios mais desalentadores. Um poema, como diria Noel Delamare, é um núcleo de sugestões de sentidos múltiplos. Irradia idéias, atira setas para todos os lados, de maneira irresistível. Desespero real para quem pensa em traduzir letra por letra, ou mesmo sentido por sentido.
Traduzir um poema não é compreender todas as suas partes e elementos; é construir sentido a partir dessas partes e elementos. Nem mesmo ajudaria perguntar ao autor do poema original o que ele quis dizer; ol tradutor de poesia é um solitário recriador, dependente de sua criatividade, experimentação, paciência e mesmo ousadia. Traduzir poesia requer escrituras e reescrituras, às vezes versões e versões sucessivas.
Campo tão vasto e rico não deveria carecer de reflexões de maior fôlego. Não deveria carecer de obras e obras dedicadas a ele. Mas carece. Anderson Braga Horta, com seu Traduzir poesia (Thesaurus, 2004), vem suprir essa falta. Reúne num único volume copiosa coleção de poemas traduzidos (ao lado dos originais) e inspirados textos de reflexão sobre o ofício. É coisa que não se vê nem se lê todo dia.
O fio condutor é a tradução da poesia em si. Não é obra dedicada a este ou àquele poeta. Nem à poesia desta ou daquela língua. Horta traduz poemas de nada menos que seis idiomas: alemão, espanhol, francês, galego, inglês e italiano. Os poetas são inúmeros: Baudelaire, Petrarca, Quevedo, Borges, José Martí, Neruda, Rilke, Shakespeare, William Blake, dentre outros. Seleção de craques. O resultado é uma viagem pela poesia e pela arte da tradução.
Nela vemos não só os produtos acabados – não só os poemas originais e suas traduções. Também é possível vislumbrar um pouco do processo criador envolvido na montagem de um novo poema em outra língua. Ao expor as variantes anteriores de um mesmo verso, Horta nos mostra o quanto pode haver de dificuldade, criatividade e transformação nessa passagem.
A complexidade de um poema resume todos os percalços que se podem encontrar no ato tradutório. Para Horta, o poema é aquela “construção vocabular para a qual tem o poeta à disposição a palavra e tudo que ela é capaz de abrigar/ocultar/revelar, vale dizer, um infinito”. Diante do infinito, o poeta se abisma e se arrebata. Diante do poema original, outro infinito se abre na mente do tradutor, com aquelas múltiplas possibilidades de sentidos apontadas por Delamare, sem falar nas alternativas de ritmo e efeitos sensoriais diversos. ....
(“Traduzir Poesia: Homenagem e Transgressão” – Rascunho n.º 59, Curitiba, mar.-5.)
ROMEU JOBIM
Exímio artista da palavra, capaz de usá-la na medida de sua plasticidade e magia, Anderson Braga Horta conhece, em profundidade, os segredos do ofício que exercita. Sua poética, por isso, no afã de chegar às rutilâncias e culminâncias a que chega, às vezes lança mão de recursos infreqüentes no mister, entre eles disposições visuais e termos com inserções que lhes multiplicam o significado. ....
Por certo que, com os textos lidos, não consegui mostrar o poeta em sua inteireza, tamanha é a quantidade, a diversidade e a qualidade de seus poemas, ao longo de uma vida dedicada à Literatura, sobretudo no gênero da poesia, mas também no da prosa, em que, com igual mestria, se dedica à crônica, ao conto, ao ensaio, à crítica literária e à tradução.
A verdade entretanto é que, se melhor houvesse sabido escolher, para esta amostragem, os poemas acaso mais representativos da arte poética de Anderson, ainda assim dele não teria dado uma visão plena. Troncos de grandes árvores não se estreitam num só abraço. Assim acontece com O Jequitibá de Carangola, título de um de seus belos poemas (PULSO, 2000). Assim acontece, afinal, com Anderson Braga Horta. Só seus sonetos, por exemplo – e nenhum deles cheguei a dizer – exigiriam mais de uma noitada, como esta.
De qualquer modo, creio haver alcançado meu intento: o de homenagear o grande poeta, ao ensejo de seus setenta anos, a esta altura acrescidos de quase mais um, tantos foram os meses que tive de aguardar, na fila.
Mas um ponto me absolve e reconforta. De tanta constância e equilíbrio é o valor dos textos de Anderson Braga Horta, que todos os seus poemas, como se um apenas, à semelhança da flor tentada explicar por Marcel Proust, são, a rigor e simplesmernte, uma esplendorosa realidade artística. Apenas isso. Apenas isso? Não, tudo isso.
(Noite com a Poesia de Anderson Braga Horta, Brasília, 2006.)
GERSON VALLE
Para Anderson Braga Horta, “O culto aos valores tradicionais não é incompatível com a modernidade”. E esta me parece uma afirmativa essencial na apreciação de sua obra. Ele participa de achados das várias correntes do século XX, mas nunca com a exclusividade ou o fechamento de uma escola ou corrente. Aparecem-lhe até resquícios de concretismo em algumas colocações “desenhadas” de frases ou palavras, sem ser, entretanto, nem de longe, concreto ou seguidor estrito de outras correntes que lhe passaram ao largo ao longo das experiências literárias. As marcas deixadas pelos poetas brasileiros do passado, que conhece melhor que a maior parte dos professores de nossa Literatura, não desaparecem nunca. E com razão! Pobre da cultura que perde sua tradição! Os sonetos bem acabados – e como ele permeia a forma com grande conhecimento de causa!, o que é cada vez mais raro hoje em dia – são constantes, ao lado de poemas de versos livres e uso de metáforas que recendem a surrealismo.
A tradição brasileira de sua obra insere-se em seu próprio percurso por cidades e vivências culturais. Mas, sua paixão pela Literatura, estando em nível maior, aprofundou-o no conhecimento de bons autores de sempre e de toda parte, que o fez tornar-se num excepcional tradutor, não só, aliás, de Poesia (e sua colaboração com José Jeronymo Rivera e Fernando Mendes Vianna na tradução de “O Sátiro e outros poemas de Victor Hugo” é de um virtuosismo raro em nossos tradutores) como também em prosa, abrangendo aí o moderno e bem original contista búlgaro Yordan Raditchkov.
Dentre outras fortes características de sua poética, quero chamar a atenção para duas marcas inconfundíveis. Diz-se metalinguagem poética a confabulação dentro da Poesia da própria Poesia. E não há poeta que não a utilize, expressando sua visão da arte com que se expressa. O fenômeno se amplia em Braga Horta. A experiência poética forma-lhe uma linguagem própria, onde os “achados” de autores de outros tempos se incorporaram de tal forma à sua cosmovisão, que se tornam em signos como palavras referentes. Não é citação nem colagem. É como, comparando em outra arte, a célula rítmica inicial e temática da 5ª sinfonia de Beethoven se repete na 5ª de Mahler, não mais em sua melodia, orquestração ou mesmo intenção, mas como referência indireta, que já se inclui num sentimento, ou se se quiser, no caso literário, num raciocínio ....
A outra característica que quero aqui frisar diz respeito a seu “sentimento do mundo” político e contemporâneo. Tal como na definição de Manuel Bandeira do que seja o “poeta maior”, Horta, na percepção de seu tempo (e aí inserido no sentimento planetário), não se coloca dentro da perspectiva exclusiva de uma experiência pessoal. Ele é mais que uma testemunha. Seus versos, por vezes, se afastam de si, colocando-se como o observador distante, não importando sua pessoal tendência pelo lírico, belo e/ou esperançoso (E é nossa glória irmos virando esterco / enquanto a grande noite aperta o cerco). Com isto o fenômeno (ou sentimento, ou fato) descrito aparece por si, no destaque que o pode tornar repulsivo, e causar o sentimento vinculado à expressão poética. .... Por este distanciamento, aliás, Horta atinge uma visão de si mesmo sem a postura divina de que os poetas normalmente se mascaram. Ao contrário. Eu diria que tão grande é sua compreensão cultural do mundo, que se vê com uma humildade até exagerada, não merecida, mas exemplar pelo que todos deveríamos ter ante a magnitude existencial (Parece a si mesmo referir-se, quando descreve assim o escorpião, seu signo zodiacal: Ridículo animálculo romântico / e parnasiano, síntese grotesca: / sólida, fria construção de engastes rígidos / e formas libertando-se dinâmicas).
.... quero apontar para uma outra característica de Braga Horta, que é a da constância de certos temas ao longo de seus livros. Como se construísse uma só obra cíclica, reveladora de uma cultura lírica que se aflige com a realidade que parece a ela contrária. Construção com características cíclicas, abordando exatamente uma tal visão, é o seu bem acabado quarto livro: “Exercícios de Homem” (Gráfica do Senado Federal, 1978). Temas recorrentes como a destruição pela bomba, a incomunicabilidade da Torre de Babel, a arma homicida de Caim são como uma “reflexão lírica” sobre a guerra fria dos tempos que passavam. A indefinição da posição humana (Há na vida dois / lados, a saber: / um que é / e outro / que devia ser), na esperança do triunfo “lírico-cultural”, traz a colocação de que o Homem ainda não está acabado, que, evoluído, transcende o mar, o espaço, o tempo, e fixa-se / puro Espírito adiante do Infinito. Curiosa semelhança com o posicionamento nietzschiano do “super-homem” do futuro, sem ter expressamente as mesmas posições ou razões de crítica. ....
(“A Poesia de Anderson Braga Horta” – Poiésis, n.º 132, mar-7.)

5 Comentários:
Selmo, mais uma vez você nos presenteia com um autor de primeira linha ilustrando as páginas do seu blog. Homenagem justa e merecida ao grande escritor Braga Horta, de quem sou admiradora há muito tempo.
Obrigada por mais este brinde literário!
Abraços,
Marisa.
Por
Anônimo, Ã s 6:39 PM
Meu caro Selmo Vasconcellos:
Fico-lhe gratíssimo pelo espaço imenso e imerecido que me deu no
jornal O Rebate. Tendo eu já reduzido em muito a matéria, sua opção
pelo texto integral me torna ainda mais devedor.
Abaixo vai cópia da mensagem que enderecei ao José Milbs.
Abraço amigo de
Anderson.
Por
Anônimo, Ã s 11:38 AM
Prezado José Milbs:
Permita-me cumprimentá-lo pelo jornal O Rebate, especialmente pelo
espaço generoso destinado à literatura. E, muito particularmente,
agradecer a acolhida que nele me é dada, por intermédio do amigo
Selmo Vasconcellos.
Abraço cordial de
Anderson Braga Horta
Por
Anônimo, Ã s 11:39 AM
Belíssima e completa homenagem ao Braga Horta, que admiro e de quem já li muitos livros.
Seus poemas são de carne e coração, do metafísico ao "pé no chão", de forma perfeita e inovadora, e de lirismo comovente.
Parabéns a você, Selmo, pela publicação, e parabéns também ao Rebate por ter você entre os colunistas.
Por
Anônimo, Ã s 6:00 PM
Muito justa a homenagem a Braga Horta.Parabéns pelo trabalho que vc desenvolve Selmo. Abraços.
Por
Angela, Ã s 5:58 PM
Postar um comentário
<< Home