MOMENTO LÍTERO CULTURAL - XVIII
MOMENTO LÍTERO CULTURAL – XVIII
01-IVO FEITOSA
ivofeitosa@gmail.com
PORTO VELHO EM DESTAQUE
VOCÊ SABIA ... QUE
A Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Franklin Dellano Roosevelt, já foi conhecida como a Escola do Morro do Triângulo ?
Está localizada na rua Rio Machado, 888 – bairro Triângulo, identificada pela Secretaria de Estado da Educação e Cultura – Seduc, como Pólo VII.
Criada através do Decreto n.º 866 de 1977 e Decreto de Denominação n.º 9.165 de 2.000, porém desde o ano de 1950, a escola existia com o mesmo nome.
Tudo foi acontecendo após a construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré. Aquela região foi habitada por pessoas que vieram em busca de novos horizontes e com isto o bairro Triângulo foi habitado pelos próprios funcionários da Estrada de Ferro e com isto surgiu a necessidade de uma escola para atender a comunidade e a classe estudantil que ali começava a surgir, uma demanda, na maioria de famílias de baixa renda, assalariados, desempregados e outros que ali residiam.
Surge a Escola Franklin Roosevelt. A escola recebeu este nome em homenagem ao presidente dos Estados Unidos da América que aqui esteve no auge do ciclo da borracha.
Era o ano de 1950. A escola possuía apenas duas salas de aula que funcionavam nos períodos da manhã e tarde.
O primeiro diretor da Escola foi o professor Lourival Chagas da Silva e sua primeira merendeira e servente a senhora Paulina Ferreira de Souza que por muitos anos acompanhou o crescimento não só da escola como também do bairro, pois ainda hoje ali reside. Podemos dizer que dona Paulina é um verdadeiro exemplo pelos grandes serviços que ali prestou na época em que não existia os grandes recursos de hoje.
Com o passar dos anos a escola precisava de uma ampliação, pois tinha crescido o número de alunos, tanto que hoje a escola já está bem diferente da época
de sua inauguração. Uma nova infra-estrutura foi montada dando melhores condições aos alunos e professores. Hoje, a escola já dispõe de sete salas de aula, uma biblioteca e aos poucos vem alcançando o patamar de uma grande escola para atender à demanda de alunos que chega a casa de quinhentos.
Por lá passaram muitos educadores como: Yolanda Ferreira da Silva Gravatá, Alzira Moreira Feitosa, Eliza Corsino do Carmo, Maria de Nazaré dos Anjos Feitosa e muitos outros.
Hoje, ocupa a Direção da Escola a professora Salomé Conde Shockness, graduada em Letras e pós-graduada em Língua Portuguesa pela Universidade Federal de Rondônia – Unir, residente do bairro e ex-aluna da escola, que teve na sua época de estudante os ensinamentos de sua genitora, dona Ruth Conde Shockness que além de professora também era a secretária da Escola. Já aposentada, dona Ruth se dedica ao Coral da I Igreja Batista, ministrando aula de música.
Passam-se os anos e a professora Salomé dá a continuação de sua família contribuindo na área cultural, sendo eleita para o cargo através de eleição do corpo discente da escola, pelos alunos com idade acima de dezoito anos e pelos pais dos alunos, concorrendo com três professores.
Em 2005 a Escola homenageia os alunos das 4ª séries com a Formatura Geral pela participação no Programa Educacional de Resistência às Drogas e a Violência – Proerd/RO, promovido pela Polícia Militar e, para essa comemoração foi criada a Bandeira Oficial da Escola que tem seu tamanho no padrão normal, nas cores azul, branco e amarelo. Na parte central destaca-se a logomarca da escola, estilizada, com uma locomotiva sobre os trilhos da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré.
Muitos casos nos foram passados através de suas professoras que por ali atuaram. Como histórias vividas na época das chuvas que, era um verdadeiro desafio para ali se chegar, uma ladeira bem acentuada que se tornava bem escorregadia dificultando o acesso e a meninada aproveitava o momento para deslizar fazendo um escorregador no barro molhado.
Outra curiosidade era que as professoras antes do início das aulas tinham que fazer a limpeza, pois os animais da redondeza pernoitavam na pátio, isto pelo fato de que na época não existia muro ao seu redor, dando uma visão bem ampla de toda a fachada da escola, coisa que hoje não mais acontece. Pelas mudanças que passaram a nossa cidade, muitas vezes pelo fato da violência, a escola está totalmente mudada, rodeada de muros tirando toda a sua característica, existente da época passada.
Uma das atuais professoras, Raquel Messias Shockness também faz parte da história da escola e também do bairro, pois já é de uma nova geração, sua mãe Clarisse, trabalhou como professora e secretária da escola, hoje aposentada ainda residente na Vila Candelária.
Raquel relata que na opinião de sua mãe, o termo usado hoje aos professores ‘tio / tia’ tira muito da autoridade, pois em sua época o professor era tido com mais respeito, fez uso de palmatória e a famosa tabuada aos seus alunos.
Pelo que se nota a escola continua com o propósito de educar, pois de lá já saíram várias pessoas que hoje se destacam no cenário do nosso Estado de Rondônia, mostrando com isto a dedicação dos grandes educadores que passaram seus conhecimentos aos jovens daquela comunidade e arredores.
Fonte: Pesquisa em Proposta de Gestão Pedagógica, documentos da própria Escola e informações prestadas pela diretora.
02-SONINHA PORTO
Sônia Maria Ferraresi, pseudônimo Soninha Porto, que criou para o orkut, em homenagem a cidade que ama e vive desde os quatro anos de idade, nasceu no interior, Cruz Alta, nas Missões, terra de Érico Veríssimo.
Casada duas vezes, 54 anos, três filhos e se considera uma pessoa feliz.
Descobriu os versos, que se transformam em poesia, na internet, conversando com amigos, tem pouco mais de dois anos começou e não parou mais... Escreve num estilo simples, conversando consigo mesma... Diz que “adora brincar com as palavras... Descobri-las... Dar-lhes a forma dos meus sentimentos”...
Admira Quintana e Clarice, fala que são “poetas sem papas na língua, o que faz se identificar com eles"... E aponta esta citação que, segunda ela, a define:
"... eu só escrevo quando eu quero, eu sou uma amadora e faço questão de continuar a ser amadora. Profissional é aquele que tem uma obrigação consigo mesmo de escrever, ou então em relação ao outro. Agora, eu faço questão de não ser profissional, para manter minha liberdade". (Clarice Lispector).
No sul, participou de dois concursos, em 2006, pela Associação dos Aposentados da Caixa Federal, com a poesia “Brilho”, feita em parceria com um poeta de São Paulo, Jorge da Matta, teve menção honrosa, e outro pela Casa do Poeta Rio-Grandense, também menção honrosa, com a poesia “Quintana”, poeta imortal que conheceu nas ruas de Porto Alegre, foram momentos gratificantes que a estimularam e acreditou no novo caminho e prosseguiu poetando...
Faz parte do livro “Coletânea 42 anos da Casa do Poeta”, e tem projetos de escrever “pockets”, por julgar estar mais ao alcance de todos, por serem livros baratos, acessíveis em bancas de revista e supermercados... Diz: - “Quero popularizar a poesia... Isso é um sonho”...
Este ano está participando da Antologia do CF4, comunidade do orkut, administrada por Chris Hermann, com cinco poesias, o que considera ser mais um passo na caminhada, que lhe garante a presença no Congresso de Poesia de Bento Gonçalves, que se realiza no período de 1º a 6 de outubro de 2007.
No Recanto das Letras, tem quase 100 poesias, e um E - book, elaborado por Kate Weiss,
“Olhar à flor da pele”
http://recantodasletras.uol.com.br/visualizar.php?idt=482244
Está no orkut, com o perfil - Soninha Porto - e tem uma comunidade, voltada exclusivamente para a poesia, com quase 700 membros.
“POEMAS À FLOR DA PELE”
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=12590356
A comunidade, garante, “é meu xodó”, considera como ponto encontro de amigos que amam a poesia. Em 29 de abril completou e realizou, junto com moderadores, a Coletânea poética, reunindo 52 poetas de todos os pontos do Brasil, de vários estilos literários, e se entusiasmou, para ela foi um dos melhores momentos de sua vida de poeta, por reunir-se com todos aqueles que acreditam no seu trabalho!
“SONINHA PORTO E CONVIDADOS”
http://recantodasletras.uol.com.br/visualizar.php?idt=468489
Participa de Associações Culturais de Porto Alegre como a Casa do Poeta Rio-Grandense – sócia e assessora da Presidente; do Parthenon Literário, Fala – Rs – associação que está se formando e como participante da Confraria dos Poetas Del Mundo.
Suas poesias estão espalhadas pelo mundo virtual, em muitas páginas de poetas amigos, que lhe deram esta alegria e sente-se uma privilegiada de estar com eles, em suas páginas:
Prosa em Verso
http://www.prosaemverso.com.br/
Alma de Poeta
http://www.almadepoeta.com/soninhaporto.htm
Literatura Baiana
http://groups.msn.com/LiteraturaBahiana/poetasdocorao.msnw
Momento Lítero – Cultural página de Selmo Vasconcelos
www.rondoniaovivo.com
Nestes sites podem encontrar seus trabalhos
http://soninhaporto.blogspot.com/
http://recantodasletras.uol.com.br/autores/soninhaferraresi
Poetas Del Mundo
http://www.poetasdelmundo.com/verInfo_america.asp?ID=2266
Os E-mails de contatos são:
soniaferraresi@hotmail.com
heisoninha@gmail.com
FILOSOFAR SOBRE A VIDA
A poesia filosofa sobre a vida...
filosoficamente...
Mente entre dentes
e correntes.
Sente a prisão
visão das abstrações...
Liberdade, verdades
Realidades do ser ou não ser
do poder, do querer,
do viver
Simetrias, analogias
Tudo é poesia
Inquietude, atitudes
Plenitude a arder
Morder o imaginário
Binário do homo
efervescência do pensar...
filosofar sobre o tudo e o nada
cada filo, cada sépala
pétalas do cálice que derramam-se
poesia é o lírico, o épico
picos entre o banal e o ardente
do casual e do vicio
de ter a alma nas mãos.
É a curiosidade de ver
Investigação do saber ser
Publicado no Recanto das Letras em 20/05/2007
Código do texto: T493937
NINA, MÃE DE CRUZ ALTA
Em “Pouso de Cruz Alta”
nas ribaltas do Érico
é Veríssimo...
nasceu a Nina menina
do “Tempo e o Vento”
a flor que intumesce
floresce esta guarani,
em si Nina menina
linda 'Sapoti'
da cor trigueira
guerreira do olho de mel
Nina, bela indiazinha...
arroios e cachoeiras
ligeiros lavavam e
beijavam os pés-de-vento
da Nina menina
pintava a terra no corpo
e com flechas nas mãos
cabeceava as nuvens
Ventaneava mato e capões
esta terra abençoada
encravada nas Missões
Ninguém viu ou ouviu
falar da Nina, índia menina
pastos e ribanceiras
da Praça da Bandeira
Até o cume da Cruz
Pranteiam saudades da Nina
Cada pedra, cada canto
Canta o encanto da
Nina menina mulher
Que se foi perdida pelo mundo
Do jeito que Deus quer.
Eu, com traços da Nina
menina de jeito peralta,
pareço a índia que viveu
E morreu sendo de Cruz Alta
Publicado no Recanto das Letras em 06/05/2007
Código do texto: T476900
J A N E L A S
Há mil janelas
nos casarios
ali, logo ali
no Rio
fechadas
entreabertas
em frestas
trancadas
rabiscadas
na tela do meu olhar
a mirar...
milhares de pontos escuros
d'onde procuro brilhos
cor nos traços
e nos passos
cansados
cansaços transversos
em versos
em dor
esplendor reflexo
de vivências
das essências
e indecências do viver
a beber o descolorido
contraído
dividido
rabiscado
disperso
o adverso do universo da pobreza
sem nobreza
fraquezas bem burguesas
a vida por um fio ...
13.04.2007
Publicado no Recanto das Letras em 13/04/2007
Código do texto: T448820
3-VALQUÍRIA GESQUI MALAGOLI
Nasceu em Jundiaí, em 27/9/68. Ingressou na literatura em 2004, embora escrevesse desde criança. Desde então, já foi premiada em diversos concursos literários.
Há trabalhos seus nas seguintes antologias: Uma Cidade Contada em Verso e Prosa, Sempre é tempo de Natal, De Prosa com a Poesia, Animais Amigos e Importantes, Nossas Mulheres e Palavras de Amor da Editora In House; VIII Coletânea da Editora Komedi; além das coletâneas do ano de 2006 da Academia Jundiaiense de Letras e da Academia Feminina de Letras e Artes de Jundiaí, e 2007 da Academia Infantil de Letras e Artes de Jundiaí.
Integrou em 2005 e 2006 a equipe de produção editorial e revisão gramatical da Editora In House, de Jundiaí.
Atua como jurada em concursos literários.
Visita escolas da rede municipal de ensino que utilizam seu trabalho em sala de aula, em virtude da Semana Literária, evento realizado anualmente pela Prefeitura de Jundiaí e Secretaria Municipal de Educação, Cultura e Esportes. Em 2005, sua biografia e seu trabalho foram materiais de estudo para os alunos da EMEB Nassib Cury. No ano seguinte, isso ocorreu em quatro unidades; são elas: EMEB Carlos Foot Guimarães, EMEB Maria de Almeida Schledorn, EMEB Glória da Silva Rocha Genovese e EMEB Profª Leonita Faber Ladeira.
Lançou em novembro de 2005, seu primeiro livro de poesias, intitulado Versos versus Versos. Em 2006, em parceria com Renata Iacovino, publicou Missivas, e, ao lado de outros quatro escritores, Meu pai foi ferroviário – memórias dos trabalhadores da estrada de ferro. Nesse mesmo ano, Segredo do Japi, composição que tem letra de sua autoria e música de Renata Iacovino, foi classificada para a semifinal do Festival Canta Encanto. Também em 2006 participou pela primeira vez de uma exposição – Encontros Culturais –, em Jundiaí e Itu, contribuindo com o varal de poesias Cenas Cotidianas, num trabalho que reuniu poesia, música e artes plásticas.
Ocupa a cadeira de nº 01 na Academia Jundiaiense de Letras; a cadeira de nº 04 na Academia Feminina de Letras e Artes de Jundiaí; a cadeira de nº 28 (campo adulto) na Academia Infantil de Letras e Artes de Jundiaí; é membro do Grêmio Cultural Prof. Pedro Fávaro, e do Grupo Arte em Ação. Com este último, participou da organização e realização do evento denominado EmCantos do Japi, que se deu em maio de 2006, no centro de Jundiaí. Em 2007, da mesma forma, foi uma das coordenadoras da área literária, na segunda edição que recebeu o nome Arte em Ação na Praça e envolveu artistas, produtores, apoiadores e apreciadores de arte das diversas áreas (música, dança, teatro, artes visuais, literatura, patrimônio histórico).
É articulista do Jornal de Jundiaí Regional, escrevendo quinzenalmente para a coluna Opinião, e vice-presidente da Comissão de Literatura que integra o Conselho Municipal de Cultura, em Jundiaí.
http://paginas.terra.com.br/arte/versosversusversos
http://vmalagodi.blog.uol.com.br
e-mail: vmalagodi@uol.com.br
Diálogo
– “O que penso eu do mundo? Sei lá o que penso do mundo! Se eu adoecesse pensaria nisso.”
Esse é Fernando Pessoa, na voz de seu heterônimo Alberto Caeiro, indicando-me o quão doente já estou, pois não consigo fugir das incessantes indagações que dia-a-dia se nos apresentam. Eu, que me pergunto: por que é que não fecho a boca para a água e o alimento, num impulso suicida que tudo, por certo, haveria de encerrar?; por que razão continuo a mover os lábios, pondo neles um sorriso, quando o meu desejo é o de chorar?; por que motivo eu insisto em driblar as adversidades, se tudo o que eu queria era poder dar as costas à dança grotesca do inevitável?
– E então, Pessoa... O que me diz da altura em que, acomodado nas nuvens está, declamando aos anjos, ou da profundeza onde, eternamente, forjará no fogo mais versos, acorrentado ao seu próprio dilema interior? Como o ladrão crucificado ao lado de Cristo, eu, meio cética, bastante chagada e semimorta, lhe questiono: por que, entre tantos mistérios, o meu é este de não compreender a mensagem óbvia cotidiana (não porque a cantemos noutro idioma, pois até sobre as línguas há uma dominante), na qual se lê: “Money makes the world go around”?
– “O mistério das cousas? Sei lá o que é mistério! O único mistério é haver quem pense no mistério.” – eis que me responde. E continua: – “...a luz do sol vale mais que os pensamentos de todos os filósofos e de todos os poetas. A luz do sol não sabe o que faz e por isso não erra e é comum e boa.”
Contra isso, de fato, não tenho argumento. Ao contrário, ouso juntar a minha voz à antiga e sábia conclusão de Sócrates: “só sei que nada sei”. Conclusão que, no entanto, não segura o cavalgante ímpeto do pensar da raça humana.
– Sabe, Pessoa, é que da mesma maneira que os demais de minha espécie, menos hábeis com a elaboração de teses e palavras, (talvez porque vivamos aquém dos grandes poetas e filósofos que não se prendem – nem em vida – à matéria), se eu juntar um a um os pensamentos que em minha cabeça se amontoam como cartas num baralho, o destino mais útil que poderei dar-lhes... será cortá-los e distribuí-los para que o jogo da vida não se interrompa.
E por falar nisso, o que é essa vida, senão um jogo que prossegue em meio à fumaça entorpecente dos salões, a confundir e excitar a visão dos jogadores? Um vício do qual não se liberta, a não ser pela falência decretada, a morte que só virá num tão imprevisível quanto decisivo lance do Crupiê?
– O que me diz, Fernando?
– “Não acredito em Deus porque nunca o vi. Se ele quisesse que eu acreditasse nele, sem dúvida que viria falar comigo e entraria pela minha porta dentro dizendo-me, Aqui estou!” ...“Mas se Deus é as flores e as árvores e os montes e sol e o luar, então acredito nele, então acredito nele a toda a hora, e a minha vida é toda uma oração e uma missa, e uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.”
– Então, poeta, ainda não lhe contei, não é mesmo? Deus tem conversado comigo. E como Ele fala! Admiro-Lhe a disposição de vir cá em terra, todas as vezes que não me encorajo a procurá-Lo... Só que, já viu, não é? Assim como Seu Filho tinha a mania de falar por meio de parábolas... o Pai não nega o hábito familiar e também conversa de forma incomum. Pelo menos, conversa vai, conversa vem... ora veja, ando gastando mais forças tentando ouvir o eco sagrado que sopra o vento, buscando sentir o perfume celestial que vem das rosas, levantando cedo para, talvez, com sorte, ser aspergida e abençoada pelo orvalho, educando a vista para com ela enxergar as coisas todas menos com os olhos deste corpo que voltará ao pó. Por que todo o resto, Pessoa, esse dilema diário de acordar feliz e ir dormir triste; despertar rodeado e ir deitar alvejado pelas costas, dizer “tudo bem, e você, como vai?” porque é o mais conveniente, ah... Tudo isso nos faz crer que mais valeria mesmo se pudéssemos ser Pessoas diferentes, ter outros nomes, outras vidas... Você, folgo em sabê-lo, já encontrou seu lugar! Quanto a mim, amigo, bem vê que não chegou minha vez...
4-RENATA IACOVINO
Natural de Jundiaí- SP, nascida em 16/03/68, formada em Ciências Sociais pela PUC – SP, é escritora, poetisa, compositora e cantora. Participou das seguintes antologias: Uma Cidade Contada em Verso e Prosa, Sempre é Tempo de Natal, De Prosa com a Poesia, Animais Amigos e Importantes, Nossas Mulheres e Palavras de Amor, da Editora In House; Antologia Poética de Cidades Brasileiras e Poetas Brasileiros de Hoje, da Editora Shogun Arte; Grandes Escritores de São Paulo, da Litteris Editora; Letras Acadêmicas Volumes IX, X, XI e XII (Academia Jundiaiense de Letras); Coletânea AFLAJ 2006 (Academia Feminina de Letras e Artes de Jundiaí); e Academia Infantil de Letras e Artes (Jundiaí/2007).
Editou em 1996 seu primeiro livro individual de poesias (Ilusões Amanhecidas) pela Literarte Editora, e em 2003, Poemas de Entressafra, segundo trabalho no mesmo segmento.
Atua como jurada em concursos literários. Foi homenageada por ocasião do Dia Internacional da Mulher, no Grêmio CP, Jundiaí, por seu trabalho voltado à arte. Em 2003 ingressou na Academia Jundiaiense de Letras. Em março de 2005, por ocasião do Jubileu de Prata da AJL, compôs o hino que se tornou o Hino Oficial da Academia Jundiaiense de Letras. Recebeu homenagem da Prefeitura de Jundiaí, nos anos de 2005 e 2006 pela participação no projeto Semana Literária e Escritores Jundiaienses, tendo visitado, em 2006, as seguintes EMEBs: Irmã Flórida Mestag, Fazenda Conceição, José Sciamarelli Sobrinho e Lázaro Miranda Duarte.
Ainda em 2005 obteve 3º lugar na Categoria Adulto (conto) da 1ª Olimpíada de Redação promovida pela Biblioteca Pública Municipal Prof. Nelson Foot. Em abril de 2006 ingressou na Academia Feminina de Letras e Artes de Jundiaí, em agosto no Grêmio Cultural Prof. Pedro Fávaro e em outubro na Academia Infantil de Letras e Artes (Jundiaí). Com música de sua autoria e Valquíria Gesqui Malagoli foi classificada para a semifinal do Festival Canta Encanto 2006, em Jundiaí. Foi uma das responsáveis pela produção editorial e revisão gramatical da publicação literária Revista J Letras, da Editora In House, em 2005 e 2006.
Em 2006: organizou o livro 1ª Olimpíada de Redação – Ano 2005/Os 35 anos da Biblioteca Pública Municipal Prof. Nelson Foot Jundiaí-SP, Editora In House; integrou o livro Meu pai foi ferroviário, da Editora In House, juntamente com outros escritores, a partir de entrevistas e textos sobre famílias ferroviárias jundiaienses; e em outubro lançou o livro de poesias Missivas (Editora In House), parceria com a poetisa e escritora Valquíria Gesqui Malagoli. É articulista do Jornal de Jundiaí Regional. Atua como membro da Comissão de Literatura que integra o Conselho Municipal de Cultura, de Jundiaí.
Site: www.renataiacovino.com.br
e-mail: reiacovino@yahoo.com.br
Sessenta anos de Chico
No próximo dia 19 de junho, Francisco Buarque de Hollanda completa 60 anos de vida. Mais conhecido com Chico Buarque de Hollanda, ou mesmo Chico Buarque, ou ainda, se preferirem, somente Chico.
Somente não, pois este Chico é um nome carregado de significados e vertentes.
O homem que tinha dois sonhos: ser jogador de futebol ou cantor de rádio. Tornou-se compositor, escritor, adaptador, autor de trilhas para cinema, teatro e balé.
Quando criança já vivia em meio aos livros e ao universo intelectual. Herdou de seu pai, Sérgio Buarque de Hollanda – historiador que na época deixaria registrado seu rompimento com a tradição elitista do nosso pensamento social, privilegiando o advento das camadas populares à liderança – o chamado “pensamento radical” (como menciona o crítico literário Antônio Cândido), caracterizado por uma oposição fundamental ao pensamento conservador.
E por conta, inclusive, desta herança, o foco de Chico Buarque concentra-se nas figuras populares: os marginais, os despossuídos, os malandros, os pivetes, as prostitutas, os sambistas, os pequenos funcionários, os sem-terra, as mulheres abandonadas, dentre outros personagens da realidade brasileira, dando voz àqueles que, em geral, não têm voz. Afora a abordagem específica da mulher, fato este que se tornou lugar-comum citar, culminando em teses acadêmicas, livros específicos, os quais buscam destrinchar exclusivamente o aspecto do universo feminino abordado nas centenas de canções produzidas pelo compositor, singular naquilo que executa e plural no que nos oferece enquanto produção artística.
Há quem critique sua qualidade como cantor – ninguém é perfeito! – no entanto, nota-se que Chico é um excelente intérprete de suas canções, pois suas letras são poesias cantadas e ele atribui a elas o ritmo exato com o qual as concebeu, quando empresta sua voz, sua respiração, suas pausas, a acentuação de uma sílaba ou de um fonema específicos, a divisão precisa, enfim, a “leitura cantada” impregnada de todos os elementos por ele genialmente construídos.
O aspecto estilístico que mais se destaca na obra de Chico é a rima. Para ser um escritor de canção (e só para citar alguns grandes nomes da música norte-americana e universal, temos Cole Porter e Gershuwin) há de se ter o emprego notável das rimas.
Surgiu no cenário artístico nos anos 60, como uma espécie de prossecutor da tradição de grandes compositores populares, recebido, então, como sucessor de Noel Rosa.
Detentor da fluência e coloquialidade que mais se aproximaram de Noel – um dos maiores cronistas da canção popular brasileira -, Chico trouxe nova pauta ao repertório da MPB: a temática do social, aliando o samba legítimo à filtragem dos elementos da Bossa Nova, mesclando e transformando as características mais tradicionais presentes na música brasileira.
São inúmeros os elementos poéticos encontrados nas canções de Chico Buarque. Ele nos presenteia com anagramas, aliterações, paradoxos, polissemia, rimas toantes, versos esdrúxulos, poesia práxis, aspectos do modernismo, aliando ironia a lirismo e alcançando certa alquimia verbal e musical.
Maior tradutor da alma brasileira no campo da música popular, conseguiu o feito de musicar a obra Morte e Vida Severina de João Cabral de Mello Netto, poeta conhecido por sua racionalidade. Chico trabalhou habilmente com as características mais complexas impregnadas na poesia de João Cabral, como a secura, a concretude e a construção estrutural, conquistando não apenas o prêmio no Festival Universitário de Nancy, na França, como também a aprovação do exigente e arredio poeta pernambucano.
Em 40 anos de carreira Chico produziu, além de centenas de canções, quatro peças teatrais, sete livros (dentre romances, infantil e novela), seis filmes e seis projetos especiais (para balés, trilhas sonoras e livro com fotógrafo).
Boa parte de suas músicas foram adaptadas ou sofreram versões para o alemão, espanhol, francês e italiano.
Suas músicas podem ser encontradas nas dezenas de discos gravados por ele, como também nos discos dos maiores intérpretes da música nacional e alguns intérpretes de outras nacionalidades, como a portuguesa Eugênia Mello e Castro e o cubano Pablo Milanez.
O talento de Chico vai além de sua múltipla capacidade. A professora de teoria literária e autora de dois livros sobre a obra deste artista, Adélia Bezerra de Menezes, fala sobre sua “capacidade de nomear situações existenciais de alta densidade, proporcionando uma leitura do humano, nos traduzindo.” E complementa: “ninguém sabe como ele captar os grandes movimentos que se processam no corpo social e político, mesmo que incipientes, e antecipá-los, formulando-os por vezes sintética e corrosivamente.”
Além de ser um mestre em unir os dois elementos fundamentais da música popular – música e letra – ele é, também, primoroso em harmonizar suas canções, habilidade desenvolvida com o passar dos anos.
Nas canções de Chico pode-se encontrar qualquer ritmo: valsa, samba, tango, charleston, baião, xote, bolero, ópera, rumba, rock e o quanto mais se queira.
A verdade é que Chico Buarque não é superficial em nada que faz. Além da profundidade e da conduta extremamente disciplinada que impõe a todo novo trabalho que vai criar, ele tem uma consciência e uma lucidez presentes em raros produtores de canção popular.
Os estudantes de sociologia, política, história, poesia e música encontram em Chico Buarque rica fonte de aprendizagem. Basta mergulhar em seu universo e em sua obra, explorar todos os sentidos de sua palavra cantada, seus livros, filmes e peças, pesquisar sua biografia e a bibliografia que prolifera a seu respeito.
É assunto para mais de ano, portanto, deixo aqui registrada uma módica homenagem a este homem/ artista que, mesmo com sua aparente indiferença e notória humildade e timidez, comprometeu-se com o universal. E eis outro aspecto relevante de sua produção artística. O poeta e teórico de arte e literatura, Affonso Romano de Sant´Anna, observa em seu livro Música Popular e Moderna Poesia Brasileira, que “som universal, deve significar, em resumo, que acima de qualquer fronteira e particularidades regionalistas existe matéria de pesquisa que interessa a todos independentemente de sua localização no mapa de hoje. Som universal é maturidade artística e de pensamento.”
Pode-se e deve-se desfrutar as obras deste que é um dos artistas mais perseguidos pela censura. E engana-se aquele que apregoa que as músicas de Chico são elitistas e que o povo não é capaz de entender o que dizem suas letras. Dá-se o inverso, à medida que ele popularizou a canção, no sentido mais amplo que isto possa significar, trazendo à tona personagens esquecidos e ignorados, traduzindo-os em sua melhor essência, foi e é o porta-voz de sentimentos e temas comuns a todos nós, como a dor, o desespero, a esperança, a repressão, o futebol, o carnaval, o amor, a corrupção, a política, o engajamento, a prostituição, a cidadania, o ser brasileiro, o cotidiano, a submissão, a hipocrisia e o que mais se buscar.
O cantor e compositor Chico César tece um interessante comentário a respeito: “nós amamos Chico Buarque porque ele é uma denúncia de nossas imperfeições. Toda vez que começamos a nos achar o máximo basta pensar nele para lembrar o quão somos tortos e tortas são nossas linhas. Chico Buarque é o aniquilamento de nossas vaidades e veleidades intelectuais e morais. De nosso ego. A comparação é desigual e dolorosa, mas sempre nos coloca no nosso devido lugar.”.
E só para jogar um pouco mais de confete no sexagenário Chico, Antônio Cândido declara que na obra literária do compositor (e podemos considerar, aqui, na sua obra como um todo) não há concessões. Diz o crítico: “É um homem realmente exemplar, cuja integridade pode servir de modelo e cuja variedade de aptidões chega a causar espanto.”
Nos dias de hoje lê-se pouca poesia, mas ela chega até as pessoas através da canção popular. A canção é o veículo da poesia.
Diante de tudo que Chico já realizou, criou e produziu é possível imaginar que seu papel foi mais que cumprido e não haveria necessidade de nos presentear com sua luminosidade, no entanto, torna-se impraticável o pensamento de tal heresia. Portanto, Chico, desejamos que você viva pelo menos mais 60 anos, para que outras gerações também possam desfrutar in loco sua genialidade, discreta em seu íntimo mas avassaladora em seu alcance popular.
Texto publicado no Jornal de Jundiaí em 18/06/04 e no livro Letras Acadêmicas Volume X – 2004 (coletânea anual da Academia Jundiaiense de Letras)
5-INTEGRAÇÃO ENTRE OS COLUNISTAS DO JORNAL O REBATE – JOSÉ MILBS DE LACERDA GAMA, DIRETOR/EDITOR-CHEFE
(A cada semana a coluna Zani / Arte e http://orebate-selmovasconcellos.blogspot.com - página Momento Lítero Cultural, jornal www.jornalorebate.com estarão divulgando links de blogs e colunas dos colaboradores do jornal O Rebate)
5.1-ZANI / ARTE
http://www.jornalorebate.com.br/site/index.php
(Zani/Arte, a arte da família Zanirato)
Mayda Zanirato - licenciada em Letras pela Unesp/Campus de Assis, é professora da rede pública de ensino.
Marisa Zanirato - licenciada em Filosofia pela Unesp/Campus de Assis. Lecionou na rede pública de ensino e no curso de Pedagogia da Unesp/Marília.
Maria Célia Zanirato - cursou Pedagogia e Psicologia. Atualmente trabalha na rede pública de ensino.
Neusa Maria Zanirato - licenciou-se em Letras pela Unesp/Assis. Atualmente é gerente financeira, professora de francês e italiano e tradutora da Editora Larousse.
Angela Maria Zanirato - formada em História, é professora na rede pública de ensino e no ensino superior.
Sílvia Helena Zanirato - licenciada em História, leciona atualmente na Universidade Estadual de Maringá/PR.
Adalgisa Cláudia Maria Zanirato - bacharel em Ciências Sociais pela Unesp/Marília.
5.2-ADRIANA DE CENZO
decenzoadvocacia@terra.com.br
SOMOS TODOS HERÓIS !
Filho! Levanta, vai, acorda! Anda meu filho, sai da cama! Já é tarde! Toma banho!Escova os dentes!Penteia os cabelos!Anda menino!
Todo dia a mesma rotina, as mesmas palavras, os mesmos gestos, e a mesma ilusão de um dia melhor.
Somos todos heróis, cavaleiros andantes em seus cavalos coloridos, movidos por uma força invisível que nos faz atravessar os limites das cidades, dos muros, e de nossas próprias vidas.
Somos sonhadores, somos as crianças perdidas por entre olhares das outras milhares de crianças que andam pelas ruas da cidade em busca da terra do nunca.
Pulamos, e brincamos saltitantes por entre a fumaça dos carros e dos ônibus, em um vai e vem histérico e alucinante, embriagados pelo vício do estresse.
Todo dia a mesma rotina!
Cuidado meu amor! Vai com Deus! Deus lhe proteja! Segura a bolsa heim! Não dá bobeira! Te espero para o jantar!
Quantos milhares de vezes as mesmas palavras?
Uma coisa eu tenho certeza, acordei, logo estou VIVA!
Hoje é sábado, dia de praia, me vejo sentada em minha cadeira, é alugada, é da barraca da Regina, é Ipanema, que Paz!
Estou VIVA!
Será mesmo? Será que já morri e não sei?
É que é muita PAZ, nossa! O Mar é lindo!
Lembro-me de Fernão Capelo Gaivota, lembro-me das músicas do Chico, da poesia do Vinícius, e de como era importante a Garota de Ipanema.
Nossa já é tarde! O sol já está se pondo, nem percebi.
Tá! Tá bom!!! Já estou levantando a barraca, a cadeira, a toalha, e deixando para o mar o que restou de meus sonhos.
Estou VIVA?
Ou será que morri e não sei?
Aos heróis da resistência, que não abandonam os seus postos diante da guerrilha urbana, diante das balas perdidas, diante do medo e da impotência perante a morte, somos todos heróis! Que Deus nos proteja !
5.3-ANSELMO VASCONCELLOS
www.anselmovascncellos.com.br
EASY RIDERS
Easy riders. Andavam pelas estradas e eram bardos provocadores. Artistas corajosos e eloqüentes. Itinerantes músicos de instrumentos mouros. A Rabeca, por exemplo. Um antepassado do violino.
Enalteciam as mulheres, com composições dedicadas ao “Espírito Feminino” e, claro, suas manifestações físicas, criando um movimento que mudaria o conceito de relações amorosas entre mulher e homem. Apenas quatrocentos indivíduos, prova de que um pequeno grupo pode mudar o curso da história.
Esses músicos de rua, vindo de baixa classe social eram os trovadores que cruzaram o sul da França, a Espanha mediterrânea e o norte da Itália entre 1100 e 1300, séculos conhecidos como Alta Idade Média. Este nome trovador vem do árabe, seria aproximadamente “inventor de canções”. Entre eles algumas mulheres, as troveiras , as primeiras mulheres a fazer poesia, atestam registros.
Viveram concentrados na região de Provença. O amor pela mulher, seus cantos, cresceu até o ponto de “devoção religiosa”. Eram patrocinados por damas nobres que os levavam em suas viagens e permitiam assim suas apresentações nos palácios. Isso bombou ao ponto de logo seduzir os ouvidos da Europa.
Mas eram igualmente brincalhões. Faziam uso de muito humor e erotismo, descontraiam esses ambientes e a capacidade de rir de si mesmo aliada à subversão das convenções e da moralidade divertiam seus patrocinadores. Livres pensadores com idéias originais e pessoais a respeito de política, religião e negócios. Eram tolerados? Mais que isso: foram incentivados por príncipes e princesas de uma nova nobreza.
Pesquisando sobre a profunda influencia destes sonhadores na contracultura dos anos 60, eu recortei alguns apontamentos de leituras:
Em The Troubadours , Robert Brifault analisa: “O trovador açoita todas as formas de egoísmo, trapaça e falsidade, tanto nas mulheres quanto em senhores de súditos, e sua revolta dá a esse poeta arcaico um sabor moderno”. Outra:
“Os trovadores foram expostos às influências poéticas e musicais mouras, transmitindo-as a toda Europa Ocidental. Agindo assim, os trovadores abriram um canal de inseminação cultural que desempenharia vários papéis importantes nas rápidas mudanças que ocorriam na cristandade européia”
Um papel importante foi na transformação do conceito de união matrimonial por interesses econômicos e políticos de família. O amor árido da cristandade foi substituído pelo romantismo de que a união pudesse ser uma escolha do coração. Isto se opunha diretamente a séculos de sólidas tradições à força de convenções sociais.
“graças aos trovadores, hoje as parcerias ocidentais não são arranjadas e impostas por interesses sociais, mas determinadas (pelo menos idealisticamente) entre duas pessoas que escolhem uma à outra”. Diz outro escritor:
“Uma revolução de enorme alcance. Aqueles poetas arcaicos que hoje ninguém lê (...) escreveram suas obras para séculos de posteridade e cravaram bem fundo em nossas mentes a característica fundamental de nossa civilização”
Imagine isso na época logo após a Cruzada onde a idéia de união atrelava-se a de reprodução da espécie! Foi o ato de criação moral mais original da Idade Média? Descubro e corro para anotar aqui:
“Além de outros aspectos da influência do movimento, a herança de composição dos trovadores, sozinha, mudou para sempre a face da poesia e da canção no mundo ocidental. Ao longo de dois séculos eles praticaram, melhoraram, e refinaram um estilo de verso e canção que se tornou fundamental para muitos desenvolvimentos posteriores da literatura e da música folclórica e popular do Ocidente. A linguagem do trovador está, por exemplo, na origem da balada de amor em todas as suas muitas formas.”
Mas eis a reação engendrada nesta época de “heresias” em que se tinha transformado esta pequena região, a Provença medieval, onde os trovadores se desenvolveram. A Inquisição no final do século XII persegue o movimento dos trovadores. Os religiosos declararam que a poesia em si era um pecado. Miraram sua força militar contra os nobres que patrocinaram e tomaram suas propriedades e muitas vezes os executaram.
Sem organização ou estruturas hierarquizadas os trovadores foram facilmente alvejados por esta estratégia das autoridades religiosas. Na França a poesia foi propositalmente enterrada! Condenada ao esquecimento
Mas o surpreendente acontece na história. Justamente a mulher foi quem não permitiu o desaparecimento desta arte. Eleanor da Aquitânia foi a grande defensora da cultura dos trovadores. Tornou-se rainha e por sua força e de outros caminhos a influência dos trovadores se espalhou e se reinventou como matriz da música e da poesia ocidentais.
De volta a minha pesquisa sobre os uivos contraculturais dos beats, nos anos 60, encontro os herdeiros deste movimento. Gente como Bob Dylan, Donovan, The Byrds, Jefferson Airplane criaram um audacioso projeto musical que, no declarado estilo trovador, empreendeu um levante popular contra o conservadorismo.
“Essa revolução no som pode ser historicamente tão importante quanto movimento original dos trovadores, na medida em que deu à luz uma linguagem rock hoje ouvida diariamente em todo mundo”
Diante desses apontamentos a pausa, para o entendimento na tal pesquisa para um personagem. Procuro um antigo vinil do Gilberto Gil. Ponho no pick-up e agora ouço:
“(...) Quem sabe o super homem venha nos restituir a glória
Mudando como um deus o curso da história,
Por causa da mulher.”
5.4-SÍLVIO ALVAREZ
Colunista, radialista e artista plástico paulistano, 40 anos de idade, natural de São Paulo. Em 2002, criou a personagem Perdido na Metrópole para narrar suas aventuras frente às mudanças sócio-culturais e aos avanços tecnológicos das grandes cidades.
Mantém o bom-humor como linha mestra do seu trabalho. Com ironia mordaz, salpicada de cinismo, escreve sobre política e outros "assuntos humorísticos" para jornais, revistas e sites no Brasil e no exterior.
silvioalvarez@uol.com.br
Visite www.perdidonametropole.com.br
Não ganhei um ovo de chocolate sequer, mas a vida continua...
Com as mãos chocólatras abanando... Fica a "Sensação" que não tenho mais lá muito "Prestígio" com o senhor coelhinho, aquele, o distribuidor do "Diamante Negro". Me "Ferrero"!
Dondeuvim? Prondeuvô? Onqueutô?
Parem a Páscoa que eu quero descer!
Este feriadão foi mais "calmim" nos aeroportos do país. Finalmente!
Os controladores de vôo, após bagunçarem todo coreto aéreo com uma greve no final do mês passado, às vésperas da Páscoa e da visita do papa, resolveram pedir perdão à população...
"Nóis perdoa ou não perdoa"?
Já que os nossos amiguinhos controladores se comportaram bem, foram bons meninos com o coelhinho, com o povo e com Papai do Céu, demonstrando tal grau de espiritualidade... Pensei cá com meus terrenos botões como é que ficaria a oração do Padre Nosso em versão controladora aérea...
Pai nosso que controla o céu
Descongestionado seja o nosso tráfego
Venha a nós o vosso bom senso
Seja feita a vossa vontade assim nas torres como aí em riba...
O atraso nosso de cada dia tirai-nos hoje
Perdoai as nossas greves
Assim como nós perdoamos o Valdir Pires
Não nos deixeis cair em apagão
Livrai-nos dos militares
Amém
Pois bem! Trabalhemos...
Agradecendo a obrigação
Nesta segunda-feira, durante o seu programa radiofônico semanal, o presidente Lula agradeceu os controladores de tráfego aéreo pela tranqüilidade verificada nos aeroportos no decorrer do feriado prolongado de Páscoa...
Uai! Eles não "apenasmente" cumpriram uma obrigação? Não ganham para trabalhar?
Errar é humano e nós perdoamos, mas... Elogiar já é demais, né não?
6-DENISE TEIXEIRA VIANA
nasceu em São Gonçalo dos Campos, Bahia. É jornalista, aquariana, rubro-negra, torcedora da Escola de Samba Estácio de Sá, carioca de coração.
Aspectos
por teus mexidos moídos fedidos
trazidos de álcool e capim
por teus caldos ensopados enlatados
tarados de rabo e pudim
me faço débil estéril pixaim
por teus reproches broches camafeus
seguidos de crentes descrentes ateus
por teus prospectos septos
proscritos de árabes sírios judeus
me faço hábil lábil tátil
por teus estercos enxertos litígios
testados de calos cabaços vestígios
por teus fricotes calotes chicotes
descritos de moda modismo machismo
me faço modelo escalpelo
por teus trambolhos ferrolhos escolhos
escolhidos de nata naja nojo
por teus estrilos grilos estribos
me disfarço púgil grácil
por teus derivados detergentes dirigentes
enxeridos de dedeiras joelheiras ombreiras
por teus bambolês buquês bilboquês
me refaço vígil flébil volátil
Oitavo lugar no II Concurso Poiésis Literatura de Poesia, Petrópolis, RJ, 1997
Óculos & vapor
como um vapor
a te evaporar
em meus poros
como um tricô
a te tricotar
neste namoro
de óculos e perversão
como um sopro
a te soprar
em meus esgotos
de tinhas e depressão
como um arroto
a te arrotar
em meu suposto desejo
de flanela e cetim
como um fim
a te findar
em meus escândalos
permitidos de vândalos e querubins
Menção honrosa no 2º Concurso Literário do Servidor Público do Estado do Rio de Janeiro, RJ, 1993
Terceiro andar
fomos nós
foz de primícias e mênstruo
por convicção iguais
idênticas fatais
exímias de suicídio éter urinol
tramar escândalo de carícia
sevícia sândalo
lacrar na sentina cutícula
resina ruína
mútuas sinas de educar seios túmidos
úmidos de ungüento
ó foges no trajeto de corvo
(ele não diz que me ama
mas é leal)
estorvo estupro
para alçar-te no vôo
do antegozo pressional
no terceiro andar
diagonais de suspiro
sigilo surto
resquícios de amor grávido
ávido de ruídos
rígidos de mar
como delatar todo molejo
vicioso de nós
Contos & Poemas da Zona Oeste - 1ª Coletânea, Secretaria Municipal de Cultura, Turismo e Esportes, RJ, 1992
7-POESIAS
7.1-MANO MELO
LIBERDADE
Foi uma menina que viajou de cidade em cidade
Procurando saber onde morava a Liberdade
Procurou do Oiapoque ao Chuí
Em Mossoró no Pinhém no Piauí
Perguntou ao Sací ao Sagüi
Ao Pereirinha ao Pererê
Ao Guará e à Marli
Na estrada que descia pra baixo
Na estrada que subia pra cima
Esta menina procurou a Liberdade a cada esquina
De Petrolina
A João Monlevade
Em Minas
Liberdade é uma lata de óleo de soja
- Falou a dona da loja
Não, é um bife com batatas
- Rebateu uma gata de botas
Já para o português Liberdade parecia mais
Com doces em compotas e sardinhas em lata
Liberdade é ilusão,
Uma bolha de sabão
- Falou o lírico
É liquidação,
Artigos de ocasião
- Piscou o anúncio de acrílico
Liberdade é viver sem inflação
- Discursou o Chefe da nação
Não é não,
- Protestou a oposição
Liberdade é ser poliglota
- Falou o idiota
É morrer pela pátria
- Rebateu o patriota
Não é nada disso,
Liberdade é ser sem compromisso
- Corrigiu o omisso
Para Jesus
Liberdade foi carregar uma cruz
Enquanto para os hindus
É andar com os pés nus
Em busca da luz
Mas um dia a menina encontrou com a Liberdade
Que era uma cigana que vivia encantando
E que fugia do aperto de mão e do abraço
Porém ficava á espreita
Nas brechas da porta
Pronta a pular na pele
UM PARNASIANO BILAC TEMPORÃO
Você é uma ânsia vermelha adoçada com mel de abelha
De uma doçura que chega a ser cruel
Me desperta sensações ancestrais de boleros e sambas-canção
Incorporado num parnasiano Bilac temporão
Tem gente que fala de amor como uma ameaça
Amor em pequenas dosagens com pesos e medidas
Existem coisas tuas que só para mim são nuas
Que ninguém mais acarinhou ou conhece
Uma parte de nós só pelo outro que será preenchido
Você me remoça
Me adoça
Me dá força
Me nasce outra vez ( mais uma)
E me chama de filho
Me chama de cavalo
Faz teu cabelo capim
Cavalga em mim
Me alimenta de milho
Me dá tua língua
Vem ser minha égua
Beber minha água
Abrandar tua sede
Me chama de porta
E atravessa a parede
7.2-ROSANI ABOU ADAL
Nua
Sinto-me como um cabide
que pendura a própria roupa.
Estou nua diante de mim,
completamente nua.
Minha nudez é como o silêncio,
horas que param no tempo
com os ponteiros na mesma posição
por um longo período.
Sinto frio, muito frio.
É verão mas parece estar nevando
- o agasalho esquenta o guarda-roupa.
Não tenho cobertas,
durmo feito estátua no cimento.
Não há amigo dentro do armário
apenas suportes, pedaços de pano.
Abro as portas e procuro alguém,
não há ninguém no móvel imóvel.
Tento me vestir e não consigo,
troco de roupa a cada segundo
e não me sinto bem.
Talvez a cor, é melhor mudar.
Experimento outra, mais outra,
as roupas não me vestem, desnudam.
O guarda-roupa está vazio,
totalmente vazio, sem cabides,
suéter, paletó e linho.
Com certeza deve estar blefando
ou me dando um xeque-mate,
mas ele não sabe jogar.
É um pedaço de madeira
esculpida e esmaltada,
não se veste nem se despe
e não precisa de coberta para dormir.
Sinto frio, muito frio.
Deito na cama e não conquisto sonhos,
estão solitários, divagando
no porta-jóias do inconsciente.
Os pesadelos dormem como chumbo
e não acordam.
Eu grito e não escutam.
Estou nua diante de mim mesma.
Não tenho cobertores nem cobertas.
Brahma
O piano tocava notas melodiosas
que vibravam das mãos suaves.
O chope e o bolinho de bacalhau sobre a mesa.
Vozes murmuravam nos bancos rubros.
Abajures solitários iluminavam
a expressão sem sorriso das lâmpadas.
O zunzum do happy-hour,
a falação dos corpos cansados,
as gargalhadas que se equilibravam
no ambiente ébrio como plumas,
deslizavam no vácuo sem fronteiras.
O piano não parava de sussurrar
notas e mais notas harmoniosas.
Don't Cry for me Argentina
gritavam as teclas brancas e pretas.
Gravatas borboletas conduziam
copos de levedura e tira-gosto
para acalentar as peles vermelhas,
brancas, amarelas e negras que se apoiavam
na privacidade de um assento frio/quente.
Homens de negócios, secretárias,
profissionais liberais, poetas e artistas
compartilhavam o do-re-mi-fá-sol-lá-si-do,
falavam de suas tristezas, angústias, felicidades,
frustrações, alegrias, de mais um dia de trabalho,
de negócios satisfatórios ou sem frutos,
de prazeres, desamores, de...
Eu acompanhada da esferográfica
esperava teus passos ofegantes
pousarem sobre os pelos gastos do tapete.
7.3-ELAINE PAUVOLID
Nós
Quem sou, senão o misto de uma centena de gentes que correm?
Sou esta velha mineira,
ou a velha judia comunista?
Sou a filha da Ucrânia
ou a da França?
Tenho os traços da Itália, da Alemanha?
Sou a que guarda imagens da Guatemala,
de Espanha, do Peru e da Urca,
que não se define.
Gozo com Piazzola a entrar em mim
e o Villa entendo
quando ouço Cartola.
Tremo quando ouço falar em tortura,
estremeço diante da Copa.
Orgulho-me de Leila Diniz, de Elis.
Falo mal minha própria língua
e admiro Tolentino,
ou uma atriz de teatro idosa
quando tão bem a utilizam.
Divirto-me e aprendo com Jorge Amado,
compartilho da alegria autêntica de Caetano,
Meu queixo cai enquanto Paulo Coelho escreve.
Assisto a tudo isso
e tento esboçar o que percebo.
Conseguem escutar o que digo
quando escrevo-lhes poemas?
Espero que sim;
Que não esteja
falando para mim mesma.
trago-o,
fim
Diálogo
Sinto-me grafiteira pichando o muro de sua sensibilidade.
Daí, ouvi um estranho diálogo em mim:
“Elaine, pare de escrever bobagens.
Você já parou e pensou que as pessoas lerão isso e farão imagens a seu respeito?"
"Imagens errôneas decerto."
"Elaine, pare com isso."
"Para quê, Pauvolid?"
"Deixe-me fora disso.
Sou um intelectual autodidata que em tudo vê beleza."
"Então, é você, Pauvolid, que anda mandando a Elaine, pobrezinha, escrever aquelas
inúteis e infundadas sílabas pseudo-poéticas?"
"E se fosse, o quê, você, senhor gélido pederasta, iria fazer?"
"Vejo preconceito."
"Preconceito? Chamar-lhe do adjetivo devido ofende-lhe os brios?
Quem tem preconceito aqui, amigo?"
"Pauvolid, você pode ser bom nas palavras, mas não sabe nada da vida"
"É mesmo?
E, você, que sabe fazer, além de ler o segundo caderno, escrever seus versos
mórbidos e vazios?"
"Nunca me intitulei poeta"
"Porque não é."
"Pauvolid, você é mesmo um arrogante vil pretensioso...
Mas o amo."
"Ah, pare com isso, leitor."
7.4-CARLOS GILDEMAR PONTES
O ABISMO DO OLHAR *
Teus olhos são halos de mistérios
portões de minha alma andrógina
teus olhos dissipam as nuvens
construo asas no cristal dos sonhos
vôo-partitura do cântico-desejo: tua voz
Seria capaz de voltar à gênese
brincar com o homem-barro de Deus
colher todas as maçãs do paraíso
para te isentar do pecado original
teus olhos são magmas
a lamber o caminho dos hemisférios
o caminho dos argonautas
dos desbravadores das arenas
quem me deteria por teus olhos?
nem Caim
nem a Medusa com tantos horrores
perdoaria Nero ao ver sua cabeça em chamas
seu corpo na boca de leões famintos
não, ninguém me deteria
teus olhos margeiam o tempo
e o espaço da imensidão
teus olhos mergulham
nas hastes de metais dos pára-raios
luz que viaja absoluta para dentro de mim
teus olhos são duas andorinhas perdidas
que asas-batem em meus sonhos
persigo-os na arquitetura dos seus vôos
me bastam por serem assim
cristais divinos de amor
teus olhos meus olhos sugam
silenciosos como o amanhecer
pudesse eu tê-los às mãos
seriam faróis de tudo
a incendiar o medo e a solidão
pudesse eu vingar-me de tanta beleza
te amaria mais ainda
lentamente
para não perder de vista
o evanescente crepúsculo da minha razão
teus olhos entronizados por Deus
me ordenam a luz do dia
e tudo passa a brilhar
teus olhos têm o silêncio dos lagos
madressilvas sobre as pedras
colibris sobre os muros da ilusão
os anjos estão sorrindo
são teus olhos que anunciam
o vento das manhãs
teus olhos me extasiam
porque são o que são
diz-me alguma coisa
tuas palavras
incendeiam minha solidão
* 5º LUGAR NO I CONCURSO NACIONAL DE POESIA AUDIFAX DE AMORIM, 2005, promovido pela Prefeitura de Colatina – ES
A esperança bate
Bate a esperança
a esperança bate
crio este refrão:
a esperança bate
busco a rima inútil
a pancada do coração
a esperança bate
e eu escuto
vou além do fútil
corro o horizonte
que não vai além
de livros e papéis espalhados
teus olhos surgem/ fogem de mim
flores que eu queria em nenhum jarro
cato-os, migalhas sobre a mesa
coloco-os no papel
a luz acesa
enxergo tua boca
agora de frente
beijo a parede
tudo está fechado
portas e janelas
tenho as chaves
mas estou preso
a esperança bate
vou atender:
era engano;
volto a ler
os anos
as imagens voltam como ondas
furiosas atrás de mim
perguntando-me de mim
rindo de mim
eu não digo nada
a esperança bate
tem dias em que quero franzir a testa
por isso não penso
nem vou ver o sol
cubro o espelho e deito-me
o vento anuncia teu perfume
abro a porta sorrateiramente
tu entras vestida de ilusão
ou sou eu que me iludo
dá no mesmo
a noite paira, pairo sobre ela
sentado, remexendo papéis
minha vida é feita de papéis
a sorte um dia disse que vinha
todos esperaram na cidade
a esperança bate
minh’alma de sonhar-te anda perdida
e a esperança bate
florbelamente em meu peito
ser herói seria bom
ter tantas vidas
revistas, fitas coloridas
álbum de figuras
hoje perdi as andorinhas
a esperança bate
amanhã chego cedo no portão
espero que uma delas pouse no muro
e me leve para ti.
7.5-ARTUR GOMES
É poeta, ator, produtor cultural, ativista ecológico.
rio em pele feminina
o rio com seus mistérios
molha seu cio em silêncio
desejo o que nos separa
a boca em quantos minutos
as flores soltas na fala
o pó dos ossos dos anos
você me diz não ter pressa
seus olhos fogo na sala
o beijo um lance de dados
cuidado cuidado cuidado
que sou um anjo de fadas
não beije assim meus segredos
meus olhos faróis nos riachos
meus braços dois afluentes
pedaços do corpo do rio
meus seios ilhas caladas
das chamas não conhece o pavio
se você me traz para o cio
assim que o sexo aflora
esta palavra apavora
o beijo dado mais cedo
quebra meu ser no espelho
meu cerne é carne de vidro
na profissão dos enredos
quanto mais água me sinto
presa ao lençol dos seus dedos
o rio retrata meu centro
na solidão de mim mesma
segundo a segundo nas águas
lá onde o sol é vazante
lá onde a lua é enchente
lá onde o rio é estrada
onde coloca seus versos
me encontro peixe e mais nada
Quintana sempre me dizia
o amor é um rio vermelho de sangue
os caranguejos desovam nos mangues
os rios deságuam no mar
o mário é um poeta solitário
um dia vai pousar em teu aquário
e no outro vai nadar em pleno ar
o amor se esgota pelos mangues
caranguejos não têm veias nem sangue
os rios se evaporam pelo ar
o mário é um poeta centenário
um dia se esfinge solitário
e no outro se transborda pelo mar
8- ANA PAULA MAIA
Língua Geral lança segundo romance de
Ana Paula Maia, A guerra dos bastardos
Escritora é precursora de folhetins pulp para a internet
Arrojo, inconformismo e muito estilo são características da literatura de Ana Paula Maia, desde as primeiras linhas escritas pela autora fluminense para a net brasileira, batizadas de folhetins pulp, até o seu début impresso em O habitante das falhas subterrâneas (2003). Obras que deixaram nomes como João Gilberto Noll, Marcelino Freire e Luiz Ruffato impressionados. A Editora Língua Geral lança agora a segunda obra da romancista, A guerra dos bastardos, parte da coleção Ponta-de-Lança. “Neste livro o que mais existe são homens de espécie diferentes. Um punhado de bastardos vistos de modo peculiar”, aponta Ana Paula.
A guerra dos bastardos é um romance urbano, bem-humorado, emocionante e violento. Mais do que degenerados, encontram-se personagens frágeis, inseguros e solitários, que canalizam suas frustrações em gestos desmedidos e inconseqüentes. A psicologia dos personagens é tecida mediante descrições breves e pungentes. Nesse sentido, a narrativa da escritora parece sair das telas do cinema: um personagem toca um serrote e detona-se uma gama de sensações aos olhos de quem lê a cena.
A obra revela uma conjunção de matrizes: o tom tragicômico lembra as cores fortes de Almodóvar; o ritmo fluido, vibrante, parece o rock-jazz de Miles Davis em seu Tributo a Jack Johnson, grande boxeador negro; a luz ofuscante, lançada à intimidade sórdida de seus personagens, remete os mais atentos a pop art de Andy Warhol ou à colisão plástica de Francis Bacon; o estilo despido de ornatos é vizinho das narrativas de Kerouac.
Um dado significativo, que particulariza a violência urbana desse romance, é o fato de sair do cenário das favelas. Os personagens estão no asfalto, trabalham no coração da cidade, estressam-se como um secretário de empresa multinacional. Os criminosos parecem homens comuns, exauridos por um cotidiano maçante. O ator de filme pornô sente-se esgotado depois de tantas ereções; a boxeadora talvez prefira uma casa no campo, por mais que tenha amor pelo punho em riste. É dessa maneira que A guerra dos bastardos absorve os leitores.
Texto da orelha do livro assinada por Santiago Nazarian:
“A maleta aberta e vazia permanece respingada de sangue sobre a mesa. No chão, próximos aos pés de Salvatore, uma bolsa de náilon vermelha semi-aberta. Amadeu abaixa-se para abri-la e, numa primeira revista, não lhe diz nada. São pacotes pequenos e bem fechados, pacotes que ainda não sabe, mas mudarão algumas vidas.”
Ana Paula Maia é uma pistoleira. Não sei exatamente se “no bom sentido”, pois então qual seria o mal? O que importa, é que ela tem munição, tem pontaria e não tem medo de apertar o gatilho, provando ser uma escritora matadora. Neste seu segundo romance, narra a saga de homens perdidos, assassinos, traficantes, cineastas da boca-do-lixo que tentam salvar suas peles sempre das piores maneiras possíveis. Tudo começa quando Amadeu, um decadente ator pornô, encontra uma sacola cheia de cocaína, no escritório de seu poderoso patrão. Tentando repassar a mercadoria, ele vai cruzando, trombando e atropelando personagens insólitos: Horácio, um pobre operário do cinema brasileiro; Edwiges D’Lambert, uma produtora manca e mafiosa; Gina Trevisan, uma boxeadora esmurrada pelas dívidas; além de, quem sabe, açougueiros, ladrões de órgãos, uma pompoarista cuspidora de fogo. É uma verdadeira guerra do submundo, que parece pronta a virar filme. Inteligente, divertido, kitsch, “A Guerra dos Bastardos” revela uma jovem autora que sabe muito bem o que está fazendo, e é disparado a melhor contadora de histórias desta geração.
Visite seu blog: www.killing-travis.blogspot.com
Site do folhetim pulp: www.folhetimpulp.blogspot.com
Site do livro
www.aguerradosbastardos.blogspot.com
9- VISITE, PARTICIPE E COMENTE AS PÁGINAS LITERÁRIAS PUBLICADAS NO www.rondoniaovivo.com – MOMENTO LÍTERO CULTURAL E NO http://orebate-selmovasconcellos.blogspot.com – MOMENTO LÍTERO CULTURAL do jornal www.jornalorebate.com . O SEU COMENTÁRIO É MUITO IMPORTANTE. ABRAÇOS FRATERNOS, SELMO VASCONCELLOS.
01-IVO FEITOSA
ivofeitosa@gmail.com
PORTO VELHO EM DESTAQUE
VOCÊ SABIA ... QUE
A Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Franklin Dellano Roosevelt, já foi conhecida como a Escola do Morro do Triângulo ?
Está localizada na rua Rio Machado, 888 – bairro Triângulo, identificada pela Secretaria de Estado da Educação e Cultura – Seduc, como Pólo VII.
Criada através do Decreto n.º 866 de 1977 e Decreto de Denominação n.º 9.165 de 2.000, porém desde o ano de 1950, a escola existia com o mesmo nome.
Tudo foi acontecendo após a construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré. Aquela região foi habitada por pessoas que vieram em busca de novos horizontes e com isto o bairro Triângulo foi habitado pelos próprios funcionários da Estrada de Ferro e com isto surgiu a necessidade de uma escola para atender a comunidade e a classe estudantil que ali começava a surgir, uma demanda, na maioria de famílias de baixa renda, assalariados, desempregados e outros que ali residiam.
Surge a Escola Franklin Roosevelt. A escola recebeu este nome em homenagem ao presidente dos Estados Unidos da América que aqui esteve no auge do ciclo da borracha.
Era o ano de 1950. A escola possuía apenas duas salas de aula que funcionavam nos períodos da manhã e tarde.
O primeiro diretor da Escola foi o professor Lourival Chagas da Silva e sua primeira merendeira e servente a senhora Paulina Ferreira de Souza que por muitos anos acompanhou o crescimento não só da escola como também do bairro, pois ainda hoje ali reside. Podemos dizer que dona Paulina é um verdadeiro exemplo pelos grandes serviços que ali prestou na época em que não existia os grandes recursos de hoje.
Com o passar dos anos a escola precisava de uma ampliação, pois tinha crescido o número de alunos, tanto que hoje a escola já está bem diferente da época
de sua inauguração. Uma nova infra-estrutura foi montada dando melhores condições aos alunos e professores. Hoje, a escola já dispõe de sete salas de aula, uma biblioteca e aos poucos vem alcançando o patamar de uma grande escola para atender à demanda de alunos que chega a casa de quinhentos.
Por lá passaram muitos educadores como: Yolanda Ferreira da Silva Gravatá, Alzira Moreira Feitosa, Eliza Corsino do Carmo, Maria de Nazaré dos Anjos Feitosa e muitos outros.
Hoje, ocupa a Direção da Escola a professora Salomé Conde Shockness, graduada em Letras e pós-graduada em Língua Portuguesa pela Universidade Federal de Rondônia – Unir, residente do bairro e ex-aluna da escola, que teve na sua época de estudante os ensinamentos de sua genitora, dona Ruth Conde Shockness que além de professora também era a secretária da Escola. Já aposentada, dona Ruth se dedica ao Coral da I Igreja Batista, ministrando aula de música.
Passam-se os anos e a professora Salomé dá a continuação de sua família contribuindo na área cultural, sendo eleita para o cargo através de eleição do corpo discente da escola, pelos alunos com idade acima de dezoito anos e pelos pais dos alunos, concorrendo com três professores.
Em 2005 a Escola homenageia os alunos das 4ª séries com a Formatura Geral pela participação no Programa Educacional de Resistência às Drogas e a Violência – Proerd/RO, promovido pela Polícia Militar e, para essa comemoração foi criada a Bandeira Oficial da Escola que tem seu tamanho no padrão normal, nas cores azul, branco e amarelo. Na parte central destaca-se a logomarca da escola, estilizada, com uma locomotiva sobre os trilhos da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré.
Muitos casos nos foram passados através de suas professoras que por ali atuaram. Como histórias vividas na época das chuvas que, era um verdadeiro desafio para ali se chegar, uma ladeira bem acentuada que se tornava bem escorregadia dificultando o acesso e a meninada aproveitava o momento para deslizar fazendo um escorregador no barro molhado.
Outra curiosidade era que as professoras antes do início das aulas tinham que fazer a limpeza, pois os animais da redondeza pernoitavam na pátio, isto pelo fato de que na época não existia muro ao seu redor, dando uma visão bem ampla de toda a fachada da escola, coisa que hoje não mais acontece. Pelas mudanças que passaram a nossa cidade, muitas vezes pelo fato da violência, a escola está totalmente mudada, rodeada de muros tirando toda a sua característica, existente da época passada.
Uma das atuais professoras, Raquel Messias Shockness também faz parte da história da escola e também do bairro, pois já é de uma nova geração, sua mãe Clarisse, trabalhou como professora e secretária da escola, hoje aposentada ainda residente na Vila Candelária.
Raquel relata que na opinião de sua mãe, o termo usado hoje aos professores ‘tio / tia’ tira muito da autoridade, pois em sua época o professor era tido com mais respeito, fez uso de palmatória e a famosa tabuada aos seus alunos.
Pelo que se nota a escola continua com o propósito de educar, pois de lá já saíram várias pessoas que hoje se destacam no cenário do nosso Estado de Rondônia, mostrando com isto a dedicação dos grandes educadores que passaram seus conhecimentos aos jovens daquela comunidade e arredores.
Fonte: Pesquisa em Proposta de Gestão Pedagógica, documentos da própria Escola e informações prestadas pela diretora.
02-SONINHA PORTO
Sônia Maria Ferraresi, pseudônimo Soninha Porto, que criou para o orkut, em homenagem a cidade que ama e vive desde os quatro anos de idade, nasceu no interior, Cruz Alta, nas Missões, terra de Érico Veríssimo.
Casada duas vezes, 54 anos, três filhos e se considera uma pessoa feliz.
Descobriu os versos, que se transformam em poesia, na internet, conversando com amigos, tem pouco mais de dois anos começou e não parou mais... Escreve num estilo simples, conversando consigo mesma... Diz que “adora brincar com as palavras... Descobri-las... Dar-lhes a forma dos meus sentimentos”...
Admira Quintana e Clarice, fala que são “poetas sem papas na língua, o que faz se identificar com eles"... E aponta esta citação que, segunda ela, a define:
"... eu só escrevo quando eu quero, eu sou uma amadora e faço questão de continuar a ser amadora. Profissional é aquele que tem uma obrigação consigo mesmo de escrever, ou então em relação ao outro. Agora, eu faço questão de não ser profissional, para manter minha liberdade". (Clarice Lispector).
No sul, participou de dois concursos, em 2006, pela Associação dos Aposentados da Caixa Federal, com a poesia “Brilho”, feita em parceria com um poeta de São Paulo, Jorge da Matta, teve menção honrosa, e outro pela Casa do Poeta Rio-Grandense, também menção honrosa, com a poesia “Quintana”, poeta imortal que conheceu nas ruas de Porto Alegre, foram momentos gratificantes que a estimularam e acreditou no novo caminho e prosseguiu poetando...
Faz parte do livro “Coletânea 42 anos da Casa do Poeta”, e tem projetos de escrever “pockets”, por julgar estar mais ao alcance de todos, por serem livros baratos, acessíveis em bancas de revista e supermercados... Diz: - “Quero popularizar a poesia... Isso é um sonho”...
Este ano está participando da Antologia do CF4, comunidade do orkut, administrada por Chris Hermann, com cinco poesias, o que considera ser mais um passo na caminhada, que lhe garante a presença no Congresso de Poesia de Bento Gonçalves, que se realiza no período de 1º a 6 de outubro de 2007.
No Recanto das Letras, tem quase 100 poesias, e um E - book, elaborado por Kate Weiss,
“Olhar à flor da pele”
http://recantodasletras.uol.com.br/visualizar.php?idt=482244
Está no orkut, com o perfil - Soninha Porto - e tem uma comunidade, voltada exclusivamente para a poesia, com quase 700 membros.
“POEMAS À FLOR DA PELE”
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=12590356
A comunidade, garante, “é meu xodó”, considera como ponto encontro de amigos que amam a poesia. Em 29 de abril completou e realizou, junto com moderadores, a Coletânea poética, reunindo 52 poetas de todos os pontos do Brasil, de vários estilos literários, e se entusiasmou, para ela foi um dos melhores momentos de sua vida de poeta, por reunir-se com todos aqueles que acreditam no seu trabalho!
“SONINHA PORTO E CONVIDADOS”
http://recantodasletras.uol.com.br/visualizar.php?idt=468489
Participa de Associações Culturais de Porto Alegre como a Casa do Poeta Rio-Grandense – sócia e assessora da Presidente; do Parthenon Literário, Fala – Rs – associação que está se formando e como participante da Confraria dos Poetas Del Mundo.
Suas poesias estão espalhadas pelo mundo virtual, em muitas páginas de poetas amigos, que lhe deram esta alegria e sente-se uma privilegiada de estar com eles, em suas páginas:
Prosa em Verso
http://www.prosaemverso.com.br/
Alma de Poeta
http://www.almadepoeta.com/soninhaporto.htm
Literatura Baiana
http://groups.msn.com/LiteraturaBahiana/poetasdocorao.msnw
Momento Lítero – Cultural página de Selmo Vasconcelos
www.rondoniaovivo.com
Nestes sites podem encontrar seus trabalhos
http://soninhaporto.blogspot.com/
http://recantodasletras.uol.com.br/autores/soninhaferraresi
Poetas Del Mundo
http://www.poetasdelmundo.com/verInfo_america.asp?ID=2266
Os E-mails de contatos são:
soniaferraresi@hotmail.com
heisoninha@gmail.com
FILOSOFAR SOBRE A VIDA
A poesia filosofa sobre a vida...
filosoficamente...
Mente entre dentes
e correntes.
Sente a prisão
visão das abstrações...
Liberdade, verdades
Realidades do ser ou não ser
do poder, do querer,
do viver
Simetrias, analogias
Tudo é poesia
Inquietude, atitudes
Plenitude a arder
Morder o imaginário
Binário do homo
efervescência do pensar...
filosofar sobre o tudo e o nada
cada filo, cada sépala
pétalas do cálice que derramam-se
poesia é o lírico, o épico
picos entre o banal e o ardente
do casual e do vicio
de ter a alma nas mãos.
É a curiosidade de ver
Investigação do saber ser
Publicado no Recanto das Letras em 20/05/2007
Código do texto: T493937
NINA, MÃE DE CRUZ ALTA
Em “Pouso de Cruz Alta”
nas ribaltas do Érico
é Veríssimo...
nasceu a Nina menina
do “Tempo e o Vento”
a flor que intumesce
floresce esta guarani,
em si Nina menina
linda 'Sapoti'
da cor trigueira
guerreira do olho de mel
Nina, bela indiazinha...
arroios e cachoeiras
ligeiros lavavam e
beijavam os pés-de-vento
da Nina menina
pintava a terra no corpo
e com flechas nas mãos
cabeceava as nuvens
Ventaneava mato e capões
esta terra abençoada
encravada nas Missões
Ninguém viu ou ouviu
falar da Nina, índia menina
pastos e ribanceiras
da Praça da Bandeira
Até o cume da Cruz
Pranteiam saudades da Nina
Cada pedra, cada canto
Canta o encanto da
Nina menina mulher
Que se foi perdida pelo mundo
Do jeito que Deus quer.
Eu, com traços da Nina
menina de jeito peralta,
pareço a índia que viveu
E morreu sendo de Cruz Alta
Publicado no Recanto das Letras em 06/05/2007
Código do texto: T476900
J A N E L A S
Há mil janelas
nos casarios
ali, logo ali
no Rio
fechadas
entreabertas
em frestas
trancadas
rabiscadas
na tela do meu olhar
a mirar...
milhares de pontos escuros
d'onde procuro brilhos
cor nos traços
e nos passos
cansados
cansaços transversos
em versos
em dor
esplendor reflexo
de vivências
das essências
e indecências do viver
a beber o descolorido
contraído
dividido
rabiscado
disperso
o adverso do universo da pobreza
sem nobreza
fraquezas bem burguesas
a vida por um fio ...
13.04.2007
Publicado no Recanto das Letras em 13/04/2007
Código do texto: T448820
3-VALQUÍRIA GESQUI MALAGOLI
Nasceu em Jundiaí, em 27/9/68. Ingressou na literatura em 2004, embora escrevesse desde criança. Desde então, já foi premiada em diversos concursos literários.
Há trabalhos seus nas seguintes antologias: Uma Cidade Contada em Verso e Prosa, Sempre é tempo de Natal, De Prosa com a Poesia, Animais Amigos e Importantes, Nossas Mulheres e Palavras de Amor da Editora In House; VIII Coletânea da Editora Komedi; além das coletâneas do ano de 2006 da Academia Jundiaiense de Letras e da Academia Feminina de Letras e Artes de Jundiaí, e 2007 da Academia Infantil de Letras e Artes de Jundiaí.
Integrou em 2005 e 2006 a equipe de produção editorial e revisão gramatical da Editora In House, de Jundiaí.
Atua como jurada em concursos literários.
Visita escolas da rede municipal de ensino que utilizam seu trabalho em sala de aula, em virtude da Semana Literária, evento realizado anualmente pela Prefeitura de Jundiaí e Secretaria Municipal de Educação, Cultura e Esportes. Em 2005, sua biografia e seu trabalho foram materiais de estudo para os alunos da EMEB Nassib Cury. No ano seguinte, isso ocorreu em quatro unidades; são elas: EMEB Carlos Foot Guimarães, EMEB Maria de Almeida Schledorn, EMEB Glória da Silva Rocha Genovese e EMEB Profª Leonita Faber Ladeira.
Lançou em novembro de 2005, seu primeiro livro de poesias, intitulado Versos versus Versos. Em 2006, em parceria com Renata Iacovino, publicou Missivas, e, ao lado de outros quatro escritores, Meu pai foi ferroviário – memórias dos trabalhadores da estrada de ferro. Nesse mesmo ano, Segredo do Japi, composição que tem letra de sua autoria e música de Renata Iacovino, foi classificada para a semifinal do Festival Canta Encanto. Também em 2006 participou pela primeira vez de uma exposição – Encontros Culturais –, em Jundiaí e Itu, contribuindo com o varal de poesias Cenas Cotidianas, num trabalho que reuniu poesia, música e artes plásticas.
Ocupa a cadeira de nº 01 na Academia Jundiaiense de Letras; a cadeira de nº 04 na Academia Feminina de Letras e Artes de Jundiaí; a cadeira de nº 28 (campo adulto) na Academia Infantil de Letras e Artes de Jundiaí; é membro do Grêmio Cultural Prof. Pedro Fávaro, e do Grupo Arte em Ação. Com este último, participou da organização e realização do evento denominado EmCantos do Japi, que se deu em maio de 2006, no centro de Jundiaí. Em 2007, da mesma forma, foi uma das coordenadoras da área literária, na segunda edição que recebeu o nome Arte em Ação na Praça e envolveu artistas, produtores, apoiadores e apreciadores de arte das diversas áreas (música, dança, teatro, artes visuais, literatura, patrimônio histórico).
É articulista do Jornal de Jundiaí Regional, escrevendo quinzenalmente para a coluna Opinião, e vice-presidente da Comissão de Literatura que integra o Conselho Municipal de Cultura, em Jundiaí.
http://paginas.terra.com.br/arte/versosversusversos
http://vmalagodi.blog.uol.com.br
e-mail: vmalagodi@uol.com.br
Diálogo
– “O que penso eu do mundo? Sei lá o que penso do mundo! Se eu adoecesse pensaria nisso.”
Esse é Fernando Pessoa, na voz de seu heterônimo Alberto Caeiro, indicando-me o quão doente já estou, pois não consigo fugir das incessantes indagações que dia-a-dia se nos apresentam. Eu, que me pergunto: por que é que não fecho a boca para a água e o alimento, num impulso suicida que tudo, por certo, haveria de encerrar?; por que razão continuo a mover os lábios, pondo neles um sorriso, quando o meu desejo é o de chorar?; por que motivo eu insisto em driblar as adversidades, se tudo o que eu queria era poder dar as costas à dança grotesca do inevitável?
– E então, Pessoa... O que me diz da altura em que, acomodado nas nuvens está, declamando aos anjos, ou da profundeza onde, eternamente, forjará no fogo mais versos, acorrentado ao seu próprio dilema interior? Como o ladrão crucificado ao lado de Cristo, eu, meio cética, bastante chagada e semimorta, lhe questiono: por que, entre tantos mistérios, o meu é este de não compreender a mensagem óbvia cotidiana (não porque a cantemos noutro idioma, pois até sobre as línguas há uma dominante), na qual se lê: “Money makes the world go around”?
– “O mistério das cousas? Sei lá o que é mistério! O único mistério é haver quem pense no mistério.” – eis que me responde. E continua: – “...a luz do sol vale mais que os pensamentos de todos os filósofos e de todos os poetas. A luz do sol não sabe o que faz e por isso não erra e é comum e boa.”
Contra isso, de fato, não tenho argumento. Ao contrário, ouso juntar a minha voz à antiga e sábia conclusão de Sócrates: “só sei que nada sei”. Conclusão que, no entanto, não segura o cavalgante ímpeto do pensar da raça humana.
– Sabe, Pessoa, é que da mesma maneira que os demais de minha espécie, menos hábeis com a elaboração de teses e palavras, (talvez porque vivamos aquém dos grandes poetas e filósofos que não se prendem – nem em vida – à matéria), se eu juntar um a um os pensamentos que em minha cabeça se amontoam como cartas num baralho, o destino mais útil que poderei dar-lhes... será cortá-los e distribuí-los para que o jogo da vida não se interrompa.
E por falar nisso, o que é essa vida, senão um jogo que prossegue em meio à fumaça entorpecente dos salões, a confundir e excitar a visão dos jogadores? Um vício do qual não se liberta, a não ser pela falência decretada, a morte que só virá num tão imprevisível quanto decisivo lance do Crupiê?
– O que me diz, Fernando?
– “Não acredito em Deus porque nunca o vi. Se ele quisesse que eu acreditasse nele, sem dúvida que viria falar comigo e entraria pela minha porta dentro dizendo-me, Aqui estou!” ...“Mas se Deus é as flores e as árvores e os montes e sol e o luar, então acredito nele, então acredito nele a toda a hora, e a minha vida é toda uma oração e uma missa, e uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.”
– Então, poeta, ainda não lhe contei, não é mesmo? Deus tem conversado comigo. E como Ele fala! Admiro-Lhe a disposição de vir cá em terra, todas as vezes que não me encorajo a procurá-Lo... Só que, já viu, não é? Assim como Seu Filho tinha a mania de falar por meio de parábolas... o Pai não nega o hábito familiar e também conversa de forma incomum. Pelo menos, conversa vai, conversa vem... ora veja, ando gastando mais forças tentando ouvir o eco sagrado que sopra o vento, buscando sentir o perfume celestial que vem das rosas, levantando cedo para, talvez, com sorte, ser aspergida e abençoada pelo orvalho, educando a vista para com ela enxergar as coisas todas menos com os olhos deste corpo que voltará ao pó. Por que todo o resto, Pessoa, esse dilema diário de acordar feliz e ir dormir triste; despertar rodeado e ir deitar alvejado pelas costas, dizer “tudo bem, e você, como vai?” porque é o mais conveniente, ah... Tudo isso nos faz crer que mais valeria mesmo se pudéssemos ser Pessoas diferentes, ter outros nomes, outras vidas... Você, folgo em sabê-lo, já encontrou seu lugar! Quanto a mim, amigo, bem vê que não chegou minha vez...
4-RENATA IACOVINO
Natural de Jundiaí- SP, nascida em 16/03/68, formada em Ciências Sociais pela PUC – SP, é escritora, poetisa, compositora e cantora. Participou das seguintes antologias: Uma Cidade Contada em Verso e Prosa, Sempre é Tempo de Natal, De Prosa com a Poesia, Animais Amigos e Importantes, Nossas Mulheres e Palavras de Amor, da Editora In House; Antologia Poética de Cidades Brasileiras e Poetas Brasileiros de Hoje, da Editora Shogun Arte; Grandes Escritores de São Paulo, da Litteris Editora; Letras Acadêmicas Volumes IX, X, XI e XII (Academia Jundiaiense de Letras); Coletânea AFLAJ 2006 (Academia Feminina de Letras e Artes de Jundiaí); e Academia Infantil de Letras e Artes (Jundiaí/2007).
Editou em 1996 seu primeiro livro individual de poesias (Ilusões Amanhecidas) pela Literarte Editora, e em 2003, Poemas de Entressafra, segundo trabalho no mesmo segmento.
Atua como jurada em concursos literários. Foi homenageada por ocasião do Dia Internacional da Mulher, no Grêmio CP, Jundiaí, por seu trabalho voltado à arte. Em 2003 ingressou na Academia Jundiaiense de Letras. Em março de 2005, por ocasião do Jubileu de Prata da AJL, compôs o hino que se tornou o Hino Oficial da Academia Jundiaiense de Letras. Recebeu homenagem da Prefeitura de Jundiaí, nos anos de 2005 e 2006 pela participação no projeto Semana Literária e Escritores Jundiaienses, tendo visitado, em 2006, as seguintes EMEBs: Irmã Flórida Mestag, Fazenda Conceição, José Sciamarelli Sobrinho e Lázaro Miranda Duarte.
Ainda em 2005 obteve 3º lugar na Categoria Adulto (conto) da 1ª Olimpíada de Redação promovida pela Biblioteca Pública Municipal Prof. Nelson Foot. Em abril de 2006 ingressou na Academia Feminina de Letras e Artes de Jundiaí, em agosto no Grêmio Cultural Prof. Pedro Fávaro e em outubro na Academia Infantil de Letras e Artes (Jundiaí). Com música de sua autoria e Valquíria Gesqui Malagoli foi classificada para a semifinal do Festival Canta Encanto 2006, em Jundiaí. Foi uma das responsáveis pela produção editorial e revisão gramatical da publicação literária Revista J Letras, da Editora In House, em 2005 e 2006.
Em 2006: organizou o livro 1ª Olimpíada de Redação – Ano 2005/Os 35 anos da Biblioteca Pública Municipal Prof. Nelson Foot Jundiaí-SP, Editora In House; integrou o livro Meu pai foi ferroviário, da Editora In House, juntamente com outros escritores, a partir de entrevistas e textos sobre famílias ferroviárias jundiaienses; e em outubro lançou o livro de poesias Missivas (Editora In House), parceria com a poetisa e escritora Valquíria Gesqui Malagoli. É articulista do Jornal de Jundiaí Regional. Atua como membro da Comissão de Literatura que integra o Conselho Municipal de Cultura, de Jundiaí.
Site: www.renataiacovino.com.br
e-mail: reiacovino@yahoo.com.br
Sessenta anos de Chico
No próximo dia 19 de junho, Francisco Buarque de Hollanda completa 60 anos de vida. Mais conhecido com Chico Buarque de Hollanda, ou mesmo Chico Buarque, ou ainda, se preferirem, somente Chico.
Somente não, pois este Chico é um nome carregado de significados e vertentes.
O homem que tinha dois sonhos: ser jogador de futebol ou cantor de rádio. Tornou-se compositor, escritor, adaptador, autor de trilhas para cinema, teatro e balé.
Quando criança já vivia em meio aos livros e ao universo intelectual. Herdou de seu pai, Sérgio Buarque de Hollanda – historiador que na época deixaria registrado seu rompimento com a tradição elitista do nosso pensamento social, privilegiando o advento das camadas populares à liderança – o chamado “pensamento radical” (como menciona o crítico literário Antônio Cândido), caracterizado por uma oposição fundamental ao pensamento conservador.
E por conta, inclusive, desta herança, o foco de Chico Buarque concentra-se nas figuras populares: os marginais, os despossuídos, os malandros, os pivetes, as prostitutas, os sambistas, os pequenos funcionários, os sem-terra, as mulheres abandonadas, dentre outros personagens da realidade brasileira, dando voz àqueles que, em geral, não têm voz. Afora a abordagem específica da mulher, fato este que se tornou lugar-comum citar, culminando em teses acadêmicas, livros específicos, os quais buscam destrinchar exclusivamente o aspecto do universo feminino abordado nas centenas de canções produzidas pelo compositor, singular naquilo que executa e plural no que nos oferece enquanto produção artística.
Há quem critique sua qualidade como cantor – ninguém é perfeito! – no entanto, nota-se que Chico é um excelente intérprete de suas canções, pois suas letras são poesias cantadas e ele atribui a elas o ritmo exato com o qual as concebeu, quando empresta sua voz, sua respiração, suas pausas, a acentuação de uma sílaba ou de um fonema específicos, a divisão precisa, enfim, a “leitura cantada” impregnada de todos os elementos por ele genialmente construídos.
O aspecto estilístico que mais se destaca na obra de Chico é a rima. Para ser um escritor de canção (e só para citar alguns grandes nomes da música norte-americana e universal, temos Cole Porter e Gershuwin) há de se ter o emprego notável das rimas.
Surgiu no cenário artístico nos anos 60, como uma espécie de prossecutor da tradição de grandes compositores populares, recebido, então, como sucessor de Noel Rosa.
Detentor da fluência e coloquialidade que mais se aproximaram de Noel – um dos maiores cronistas da canção popular brasileira -, Chico trouxe nova pauta ao repertório da MPB: a temática do social, aliando o samba legítimo à filtragem dos elementos da Bossa Nova, mesclando e transformando as características mais tradicionais presentes na música brasileira.
São inúmeros os elementos poéticos encontrados nas canções de Chico Buarque. Ele nos presenteia com anagramas, aliterações, paradoxos, polissemia, rimas toantes, versos esdrúxulos, poesia práxis, aspectos do modernismo, aliando ironia a lirismo e alcançando certa alquimia verbal e musical.
Maior tradutor da alma brasileira no campo da música popular, conseguiu o feito de musicar a obra Morte e Vida Severina de João Cabral de Mello Netto, poeta conhecido por sua racionalidade. Chico trabalhou habilmente com as características mais complexas impregnadas na poesia de João Cabral, como a secura, a concretude e a construção estrutural, conquistando não apenas o prêmio no Festival Universitário de Nancy, na França, como também a aprovação do exigente e arredio poeta pernambucano.
Em 40 anos de carreira Chico produziu, além de centenas de canções, quatro peças teatrais, sete livros (dentre romances, infantil e novela), seis filmes e seis projetos especiais (para balés, trilhas sonoras e livro com fotógrafo).
Boa parte de suas músicas foram adaptadas ou sofreram versões para o alemão, espanhol, francês e italiano.
Suas músicas podem ser encontradas nas dezenas de discos gravados por ele, como também nos discos dos maiores intérpretes da música nacional e alguns intérpretes de outras nacionalidades, como a portuguesa Eugênia Mello e Castro e o cubano Pablo Milanez.
O talento de Chico vai além de sua múltipla capacidade. A professora de teoria literária e autora de dois livros sobre a obra deste artista, Adélia Bezerra de Menezes, fala sobre sua “capacidade de nomear situações existenciais de alta densidade, proporcionando uma leitura do humano, nos traduzindo.” E complementa: “ninguém sabe como ele captar os grandes movimentos que se processam no corpo social e político, mesmo que incipientes, e antecipá-los, formulando-os por vezes sintética e corrosivamente.”
Além de ser um mestre em unir os dois elementos fundamentais da música popular – música e letra – ele é, também, primoroso em harmonizar suas canções, habilidade desenvolvida com o passar dos anos.
Nas canções de Chico pode-se encontrar qualquer ritmo: valsa, samba, tango, charleston, baião, xote, bolero, ópera, rumba, rock e o quanto mais se queira.
A verdade é que Chico Buarque não é superficial em nada que faz. Além da profundidade e da conduta extremamente disciplinada que impõe a todo novo trabalho que vai criar, ele tem uma consciência e uma lucidez presentes em raros produtores de canção popular.
Os estudantes de sociologia, política, história, poesia e música encontram em Chico Buarque rica fonte de aprendizagem. Basta mergulhar em seu universo e em sua obra, explorar todos os sentidos de sua palavra cantada, seus livros, filmes e peças, pesquisar sua biografia e a bibliografia que prolifera a seu respeito.
É assunto para mais de ano, portanto, deixo aqui registrada uma módica homenagem a este homem/ artista que, mesmo com sua aparente indiferença e notória humildade e timidez, comprometeu-se com o universal. E eis outro aspecto relevante de sua produção artística. O poeta e teórico de arte e literatura, Affonso Romano de Sant´Anna, observa em seu livro Música Popular e Moderna Poesia Brasileira, que “som universal, deve significar, em resumo, que acima de qualquer fronteira e particularidades regionalistas existe matéria de pesquisa que interessa a todos independentemente de sua localização no mapa de hoje. Som universal é maturidade artística e de pensamento.”
Pode-se e deve-se desfrutar as obras deste que é um dos artistas mais perseguidos pela censura. E engana-se aquele que apregoa que as músicas de Chico são elitistas e que o povo não é capaz de entender o que dizem suas letras. Dá-se o inverso, à medida que ele popularizou a canção, no sentido mais amplo que isto possa significar, trazendo à tona personagens esquecidos e ignorados, traduzindo-os em sua melhor essência, foi e é o porta-voz de sentimentos e temas comuns a todos nós, como a dor, o desespero, a esperança, a repressão, o futebol, o carnaval, o amor, a corrupção, a política, o engajamento, a prostituição, a cidadania, o ser brasileiro, o cotidiano, a submissão, a hipocrisia e o que mais se buscar.
O cantor e compositor Chico César tece um interessante comentário a respeito: “nós amamos Chico Buarque porque ele é uma denúncia de nossas imperfeições. Toda vez que começamos a nos achar o máximo basta pensar nele para lembrar o quão somos tortos e tortas são nossas linhas. Chico Buarque é o aniquilamento de nossas vaidades e veleidades intelectuais e morais. De nosso ego. A comparação é desigual e dolorosa, mas sempre nos coloca no nosso devido lugar.”.
E só para jogar um pouco mais de confete no sexagenário Chico, Antônio Cândido declara que na obra literária do compositor (e podemos considerar, aqui, na sua obra como um todo) não há concessões. Diz o crítico: “É um homem realmente exemplar, cuja integridade pode servir de modelo e cuja variedade de aptidões chega a causar espanto.”
Nos dias de hoje lê-se pouca poesia, mas ela chega até as pessoas através da canção popular. A canção é o veículo da poesia.
Diante de tudo que Chico já realizou, criou e produziu é possível imaginar que seu papel foi mais que cumprido e não haveria necessidade de nos presentear com sua luminosidade, no entanto, torna-se impraticável o pensamento de tal heresia. Portanto, Chico, desejamos que você viva pelo menos mais 60 anos, para que outras gerações também possam desfrutar in loco sua genialidade, discreta em seu íntimo mas avassaladora em seu alcance popular.
Texto publicado no Jornal de Jundiaí em 18/06/04 e no livro Letras Acadêmicas Volume X – 2004 (coletânea anual da Academia Jundiaiense de Letras)
5-INTEGRAÇÃO ENTRE OS COLUNISTAS DO JORNAL O REBATE – JOSÉ MILBS DE LACERDA GAMA, DIRETOR/EDITOR-CHEFE
(A cada semana a coluna Zani / Arte e http://orebate-selmovasconcellos.blogspot.com - página Momento Lítero Cultural, jornal www.jornalorebate.com estarão divulgando links de blogs e colunas dos colaboradores do jornal O Rebate)
5.1-ZANI / ARTE
http://www.jornalorebate.com.br/site/index.php
(Zani/Arte, a arte da família Zanirato)
Mayda Zanirato - licenciada em Letras pela Unesp/Campus de Assis, é professora da rede pública de ensino.
Marisa Zanirato - licenciada em Filosofia pela Unesp/Campus de Assis. Lecionou na rede pública de ensino e no curso de Pedagogia da Unesp/Marília.
Maria Célia Zanirato - cursou Pedagogia e Psicologia. Atualmente trabalha na rede pública de ensino.
Neusa Maria Zanirato - licenciou-se em Letras pela Unesp/Assis. Atualmente é gerente financeira, professora de francês e italiano e tradutora da Editora Larousse.
Angela Maria Zanirato - formada em História, é professora na rede pública de ensino e no ensino superior.
Sílvia Helena Zanirato - licenciada em História, leciona atualmente na Universidade Estadual de Maringá/PR.
Adalgisa Cláudia Maria Zanirato - bacharel em Ciências Sociais pela Unesp/Marília.
5.2-ADRIANA DE CENZO
decenzoadvocacia@terra.com.br
SOMOS TODOS HERÓIS !
Filho! Levanta, vai, acorda! Anda meu filho, sai da cama! Já é tarde! Toma banho!Escova os dentes!Penteia os cabelos!Anda menino!
Todo dia a mesma rotina, as mesmas palavras, os mesmos gestos, e a mesma ilusão de um dia melhor.
Somos todos heróis, cavaleiros andantes em seus cavalos coloridos, movidos por uma força invisível que nos faz atravessar os limites das cidades, dos muros, e de nossas próprias vidas.
Somos sonhadores, somos as crianças perdidas por entre olhares das outras milhares de crianças que andam pelas ruas da cidade em busca da terra do nunca.
Pulamos, e brincamos saltitantes por entre a fumaça dos carros e dos ônibus, em um vai e vem histérico e alucinante, embriagados pelo vício do estresse.
Todo dia a mesma rotina!
Cuidado meu amor! Vai com Deus! Deus lhe proteja! Segura a bolsa heim! Não dá bobeira! Te espero para o jantar!
Quantos milhares de vezes as mesmas palavras?
Uma coisa eu tenho certeza, acordei, logo estou VIVA!
Hoje é sábado, dia de praia, me vejo sentada em minha cadeira, é alugada, é da barraca da Regina, é Ipanema, que Paz!
Estou VIVA!
Será mesmo? Será que já morri e não sei?
É que é muita PAZ, nossa! O Mar é lindo!
Lembro-me de Fernão Capelo Gaivota, lembro-me das músicas do Chico, da poesia do Vinícius, e de como era importante a Garota de Ipanema.
Nossa já é tarde! O sol já está se pondo, nem percebi.
Tá! Tá bom!!! Já estou levantando a barraca, a cadeira, a toalha, e deixando para o mar o que restou de meus sonhos.
Estou VIVA?
Ou será que morri e não sei?
Aos heróis da resistência, que não abandonam os seus postos diante da guerrilha urbana, diante das balas perdidas, diante do medo e da impotência perante a morte, somos todos heróis! Que Deus nos proteja !
5.3-ANSELMO VASCONCELLOS
www.anselmovascncellos.com.br
EASY RIDERS
Easy riders. Andavam pelas estradas e eram bardos provocadores. Artistas corajosos e eloqüentes. Itinerantes músicos de instrumentos mouros. A Rabeca, por exemplo. Um antepassado do violino.
Enalteciam as mulheres, com composições dedicadas ao “Espírito Feminino” e, claro, suas manifestações físicas, criando um movimento que mudaria o conceito de relações amorosas entre mulher e homem. Apenas quatrocentos indivíduos, prova de que um pequeno grupo pode mudar o curso da história.
Esses músicos de rua, vindo de baixa classe social eram os trovadores que cruzaram o sul da França, a Espanha mediterrânea e o norte da Itália entre 1100 e 1300, séculos conhecidos como Alta Idade Média. Este nome trovador vem do árabe, seria aproximadamente “inventor de canções”. Entre eles algumas mulheres, as troveiras , as primeiras mulheres a fazer poesia, atestam registros.
Viveram concentrados na região de Provença. O amor pela mulher, seus cantos, cresceu até o ponto de “devoção religiosa”. Eram patrocinados por damas nobres que os levavam em suas viagens e permitiam assim suas apresentações nos palácios. Isso bombou ao ponto de logo seduzir os ouvidos da Europa.
Mas eram igualmente brincalhões. Faziam uso de muito humor e erotismo, descontraiam esses ambientes e a capacidade de rir de si mesmo aliada à subversão das convenções e da moralidade divertiam seus patrocinadores. Livres pensadores com idéias originais e pessoais a respeito de política, religião e negócios. Eram tolerados? Mais que isso: foram incentivados por príncipes e princesas de uma nova nobreza.
Pesquisando sobre a profunda influencia destes sonhadores na contracultura dos anos 60, eu recortei alguns apontamentos de leituras:
Em The Troubadours , Robert Brifault analisa: “O trovador açoita todas as formas de egoísmo, trapaça e falsidade, tanto nas mulheres quanto em senhores de súditos, e sua revolta dá a esse poeta arcaico um sabor moderno”. Outra:
“Os trovadores foram expostos às influências poéticas e musicais mouras, transmitindo-as a toda Europa Ocidental. Agindo assim, os trovadores abriram um canal de inseminação cultural que desempenharia vários papéis importantes nas rápidas mudanças que ocorriam na cristandade européia”
Um papel importante foi na transformação do conceito de união matrimonial por interesses econômicos e políticos de família. O amor árido da cristandade foi substituído pelo romantismo de que a união pudesse ser uma escolha do coração. Isto se opunha diretamente a séculos de sólidas tradições à força de convenções sociais.
“graças aos trovadores, hoje as parcerias ocidentais não são arranjadas e impostas por interesses sociais, mas determinadas (pelo menos idealisticamente) entre duas pessoas que escolhem uma à outra”. Diz outro escritor:
“Uma revolução de enorme alcance. Aqueles poetas arcaicos que hoje ninguém lê (...) escreveram suas obras para séculos de posteridade e cravaram bem fundo em nossas mentes a característica fundamental de nossa civilização”
Imagine isso na época logo após a Cruzada onde a idéia de união atrelava-se a de reprodução da espécie! Foi o ato de criação moral mais original da Idade Média? Descubro e corro para anotar aqui:
“Além de outros aspectos da influência do movimento, a herança de composição dos trovadores, sozinha, mudou para sempre a face da poesia e da canção no mundo ocidental. Ao longo de dois séculos eles praticaram, melhoraram, e refinaram um estilo de verso e canção que se tornou fundamental para muitos desenvolvimentos posteriores da literatura e da música folclórica e popular do Ocidente. A linguagem do trovador está, por exemplo, na origem da balada de amor em todas as suas muitas formas.”
Mas eis a reação engendrada nesta época de “heresias” em que se tinha transformado esta pequena região, a Provença medieval, onde os trovadores se desenvolveram. A Inquisição no final do século XII persegue o movimento dos trovadores. Os religiosos declararam que a poesia em si era um pecado. Miraram sua força militar contra os nobres que patrocinaram e tomaram suas propriedades e muitas vezes os executaram.
Sem organização ou estruturas hierarquizadas os trovadores foram facilmente alvejados por esta estratégia das autoridades religiosas. Na França a poesia foi propositalmente enterrada! Condenada ao esquecimento
Mas o surpreendente acontece na história. Justamente a mulher foi quem não permitiu o desaparecimento desta arte. Eleanor da Aquitânia foi a grande defensora da cultura dos trovadores. Tornou-se rainha e por sua força e de outros caminhos a influência dos trovadores se espalhou e se reinventou como matriz da música e da poesia ocidentais.
De volta a minha pesquisa sobre os uivos contraculturais dos beats, nos anos 60, encontro os herdeiros deste movimento. Gente como Bob Dylan, Donovan, The Byrds, Jefferson Airplane criaram um audacioso projeto musical que, no declarado estilo trovador, empreendeu um levante popular contra o conservadorismo.
“Essa revolução no som pode ser historicamente tão importante quanto movimento original dos trovadores, na medida em que deu à luz uma linguagem rock hoje ouvida diariamente em todo mundo”
Diante desses apontamentos a pausa, para o entendimento na tal pesquisa para um personagem. Procuro um antigo vinil do Gilberto Gil. Ponho no pick-up e agora ouço:
“(...) Quem sabe o super homem venha nos restituir a glória
Mudando como um deus o curso da história,
Por causa da mulher.”
5.4-SÍLVIO ALVAREZ
Colunista, radialista e artista plástico paulistano, 40 anos de idade, natural de São Paulo. Em 2002, criou a personagem Perdido na Metrópole para narrar suas aventuras frente às mudanças sócio-culturais e aos avanços tecnológicos das grandes cidades.
Mantém o bom-humor como linha mestra do seu trabalho. Com ironia mordaz, salpicada de cinismo, escreve sobre política e outros "assuntos humorísticos" para jornais, revistas e sites no Brasil e no exterior.
silvioalvarez@uol.com.br
Visite www.perdidonametropole.com.br
Não ganhei um ovo de chocolate sequer, mas a vida continua...
Com as mãos chocólatras abanando... Fica a "Sensação" que não tenho mais lá muito "Prestígio" com o senhor coelhinho, aquele, o distribuidor do "Diamante Negro". Me "Ferrero"!
Dondeuvim? Prondeuvô? Onqueutô?
Parem a Páscoa que eu quero descer!
Este feriadão foi mais "calmim" nos aeroportos do país. Finalmente!
Os controladores de vôo, após bagunçarem todo coreto aéreo com uma greve no final do mês passado, às vésperas da Páscoa e da visita do papa, resolveram pedir perdão à população...
"Nóis perdoa ou não perdoa"?
Já que os nossos amiguinhos controladores se comportaram bem, foram bons meninos com o coelhinho, com o povo e com Papai do Céu, demonstrando tal grau de espiritualidade... Pensei cá com meus terrenos botões como é que ficaria a oração do Padre Nosso em versão controladora aérea...
Pai nosso que controla o céu
Descongestionado seja o nosso tráfego
Venha a nós o vosso bom senso
Seja feita a vossa vontade assim nas torres como aí em riba...
O atraso nosso de cada dia tirai-nos hoje
Perdoai as nossas greves
Assim como nós perdoamos o Valdir Pires
Não nos deixeis cair em apagão
Livrai-nos dos militares
Amém
Pois bem! Trabalhemos...
Agradecendo a obrigação
Nesta segunda-feira, durante o seu programa radiofônico semanal, o presidente Lula agradeceu os controladores de tráfego aéreo pela tranqüilidade verificada nos aeroportos no decorrer do feriado prolongado de Páscoa...
Uai! Eles não "apenasmente" cumpriram uma obrigação? Não ganham para trabalhar?
Errar é humano e nós perdoamos, mas... Elogiar já é demais, né não?
6-DENISE TEIXEIRA VIANA
nasceu em São Gonçalo dos Campos, Bahia. É jornalista, aquariana, rubro-negra, torcedora da Escola de Samba Estácio de Sá, carioca de coração.
Aspectos
por teus mexidos moídos fedidos
trazidos de álcool e capim
por teus caldos ensopados enlatados
tarados de rabo e pudim
me faço débil estéril pixaim
por teus reproches broches camafeus
seguidos de crentes descrentes ateus
por teus prospectos septos
proscritos de árabes sírios judeus
me faço hábil lábil tátil
por teus estercos enxertos litígios
testados de calos cabaços vestígios
por teus fricotes calotes chicotes
descritos de moda modismo machismo
me faço modelo escalpelo
por teus trambolhos ferrolhos escolhos
escolhidos de nata naja nojo
por teus estrilos grilos estribos
me disfarço púgil grácil
por teus derivados detergentes dirigentes
enxeridos de dedeiras joelheiras ombreiras
por teus bambolês buquês bilboquês
me refaço vígil flébil volátil
Oitavo lugar no II Concurso Poiésis Literatura de Poesia, Petrópolis, RJ, 1997
Óculos & vapor
como um vapor
a te evaporar
em meus poros
como um tricô
a te tricotar
neste namoro
de óculos e perversão
como um sopro
a te soprar
em meus esgotos
de tinhas e depressão
como um arroto
a te arrotar
em meu suposto desejo
de flanela e cetim
como um fim
a te findar
em meus escândalos
permitidos de vândalos e querubins
Menção honrosa no 2º Concurso Literário do Servidor Público do Estado do Rio de Janeiro, RJ, 1993
Terceiro andar
fomos nós
foz de primícias e mênstruo
por convicção iguais
idênticas fatais
exímias de suicídio éter urinol
tramar escândalo de carícia
sevícia sândalo
lacrar na sentina cutícula
resina ruína
mútuas sinas de educar seios túmidos
úmidos de ungüento
ó foges no trajeto de corvo
(ele não diz que me ama
mas é leal)
estorvo estupro
para alçar-te no vôo
do antegozo pressional
no terceiro andar
diagonais de suspiro
sigilo surto
resquícios de amor grávido
ávido de ruídos
rígidos de mar
como delatar todo molejo
vicioso de nós
Contos & Poemas da Zona Oeste - 1ª Coletânea, Secretaria Municipal de Cultura, Turismo e Esportes, RJ, 1992
7-POESIAS
7.1-MANO MELO
LIBERDADE
Foi uma menina que viajou de cidade em cidade
Procurando saber onde morava a Liberdade
Procurou do Oiapoque ao Chuí
Em Mossoró no Pinhém no Piauí
Perguntou ao Sací ao Sagüi
Ao Pereirinha ao Pererê
Ao Guará e à Marli
Na estrada que descia pra baixo
Na estrada que subia pra cima
Esta menina procurou a Liberdade a cada esquina
De Petrolina
A João Monlevade
Em Minas
Liberdade é uma lata de óleo de soja
- Falou a dona da loja
Não, é um bife com batatas
- Rebateu uma gata de botas
Já para o português Liberdade parecia mais
Com doces em compotas e sardinhas em lata
Liberdade é ilusão,
Uma bolha de sabão
- Falou o lírico
É liquidação,
Artigos de ocasião
- Piscou o anúncio de acrílico
Liberdade é viver sem inflação
- Discursou o Chefe da nação
Não é não,
- Protestou a oposição
Liberdade é ser poliglota
- Falou o idiota
É morrer pela pátria
- Rebateu o patriota
Não é nada disso,
Liberdade é ser sem compromisso
- Corrigiu o omisso
Para Jesus
Liberdade foi carregar uma cruz
Enquanto para os hindus
É andar com os pés nus
Em busca da luz
Mas um dia a menina encontrou com a Liberdade
Que era uma cigana que vivia encantando
E que fugia do aperto de mão e do abraço
Porém ficava á espreita
Nas brechas da porta
Pronta a pular na pele
UM PARNASIANO BILAC TEMPORÃO
Você é uma ânsia vermelha adoçada com mel de abelha
De uma doçura que chega a ser cruel
Me desperta sensações ancestrais de boleros e sambas-canção
Incorporado num parnasiano Bilac temporão
Tem gente que fala de amor como uma ameaça
Amor em pequenas dosagens com pesos e medidas
Existem coisas tuas que só para mim são nuas
Que ninguém mais acarinhou ou conhece
Uma parte de nós só pelo outro que será preenchido
Você me remoça
Me adoça
Me dá força
Me nasce outra vez ( mais uma)
E me chama de filho
Me chama de cavalo
Faz teu cabelo capim
Cavalga em mim
Me alimenta de milho
Me dá tua língua
Vem ser minha égua
Beber minha água
Abrandar tua sede
Me chama de porta
E atravessa a parede
7.2-ROSANI ABOU ADAL
Nua
Sinto-me como um cabide
que pendura a própria roupa.
Estou nua diante de mim,
completamente nua.
Minha nudez é como o silêncio,
horas que param no tempo
com os ponteiros na mesma posição
por um longo período.
Sinto frio, muito frio.
É verão mas parece estar nevando
- o agasalho esquenta o guarda-roupa.
Não tenho cobertas,
durmo feito estátua no cimento.
Não há amigo dentro do armário
apenas suportes, pedaços de pano.
Abro as portas e procuro alguém,
não há ninguém no móvel imóvel.
Tento me vestir e não consigo,
troco de roupa a cada segundo
e não me sinto bem.
Talvez a cor, é melhor mudar.
Experimento outra, mais outra,
as roupas não me vestem, desnudam.
O guarda-roupa está vazio,
totalmente vazio, sem cabides,
suéter, paletó e linho.
Com certeza deve estar blefando
ou me dando um xeque-mate,
mas ele não sabe jogar.
É um pedaço de madeira
esculpida e esmaltada,
não se veste nem se despe
e não precisa de coberta para dormir.
Sinto frio, muito frio.
Deito na cama e não conquisto sonhos,
estão solitários, divagando
no porta-jóias do inconsciente.
Os pesadelos dormem como chumbo
e não acordam.
Eu grito e não escutam.
Estou nua diante de mim mesma.
Não tenho cobertores nem cobertas.
Brahma
O piano tocava notas melodiosas
que vibravam das mãos suaves.
O chope e o bolinho de bacalhau sobre a mesa.
Vozes murmuravam nos bancos rubros.
Abajures solitários iluminavam
a expressão sem sorriso das lâmpadas.
O zunzum do happy-hour,
a falação dos corpos cansados,
as gargalhadas que se equilibravam
no ambiente ébrio como plumas,
deslizavam no vácuo sem fronteiras.
O piano não parava de sussurrar
notas e mais notas harmoniosas.
Don't Cry for me Argentina
gritavam as teclas brancas e pretas.
Gravatas borboletas conduziam
copos de levedura e tira-gosto
para acalentar as peles vermelhas,
brancas, amarelas e negras que se apoiavam
na privacidade de um assento frio/quente.
Homens de negócios, secretárias,
profissionais liberais, poetas e artistas
compartilhavam o do-re-mi-fá-sol-lá-si-do,
falavam de suas tristezas, angústias, felicidades,
frustrações, alegrias, de mais um dia de trabalho,
de negócios satisfatórios ou sem frutos,
de prazeres, desamores, de...
Eu acompanhada da esferográfica
esperava teus passos ofegantes
pousarem sobre os pelos gastos do tapete.
7.3-ELAINE PAUVOLID
Nós
Quem sou, senão o misto de uma centena de gentes que correm?
Sou esta velha mineira,
ou a velha judia comunista?
Sou a filha da Ucrânia
ou a da França?
Tenho os traços da Itália, da Alemanha?
Sou a que guarda imagens da Guatemala,
de Espanha, do Peru e da Urca,
que não se define.
Gozo com Piazzola a entrar em mim
e o Villa entendo
quando ouço Cartola.
Tremo quando ouço falar em tortura,
estremeço diante da Copa.
Orgulho-me de Leila Diniz, de Elis.
Falo mal minha própria língua
e admiro Tolentino,
ou uma atriz de teatro idosa
quando tão bem a utilizam.
Divirto-me e aprendo com Jorge Amado,
compartilho da alegria autêntica de Caetano,
Meu queixo cai enquanto Paulo Coelho escreve.
Assisto a tudo isso
e tento esboçar o que percebo.
Conseguem escutar o que digo
quando escrevo-lhes poemas?
Espero que sim;
Que não esteja
falando para mim mesma.
trago-o,
fim
Diálogo
Sinto-me grafiteira pichando o muro de sua sensibilidade.
Daí, ouvi um estranho diálogo em mim:
“Elaine, pare de escrever bobagens.
Você já parou e pensou que as pessoas lerão isso e farão imagens a seu respeito?"
"Imagens errôneas decerto."
"Elaine, pare com isso."
"Para quê, Pauvolid?"
"Deixe-me fora disso.
Sou um intelectual autodidata que em tudo vê beleza."
"Então, é você, Pauvolid, que anda mandando a Elaine, pobrezinha, escrever aquelas
inúteis e infundadas sílabas pseudo-poéticas?"
"E se fosse, o quê, você, senhor gélido pederasta, iria fazer?"
"Vejo preconceito."
"Preconceito? Chamar-lhe do adjetivo devido ofende-lhe os brios?
Quem tem preconceito aqui, amigo?"
"Pauvolid, você pode ser bom nas palavras, mas não sabe nada da vida"
"É mesmo?
E, você, que sabe fazer, além de ler o segundo caderno, escrever seus versos
mórbidos e vazios?"
"Nunca me intitulei poeta"
"Porque não é."
"Pauvolid, você é mesmo um arrogante vil pretensioso...
Mas o amo."
"Ah, pare com isso, leitor."
7.4-CARLOS GILDEMAR PONTES
O ABISMO DO OLHAR *
Teus olhos são halos de mistérios
portões de minha alma andrógina
teus olhos dissipam as nuvens
construo asas no cristal dos sonhos
vôo-partitura do cântico-desejo: tua voz
Seria capaz de voltar à gênese
brincar com o homem-barro de Deus
colher todas as maçãs do paraíso
para te isentar do pecado original
teus olhos são magmas
a lamber o caminho dos hemisférios
o caminho dos argonautas
dos desbravadores das arenas
quem me deteria por teus olhos?
nem Caim
nem a Medusa com tantos horrores
perdoaria Nero ao ver sua cabeça em chamas
seu corpo na boca de leões famintos
não, ninguém me deteria
teus olhos margeiam o tempo
e o espaço da imensidão
teus olhos mergulham
nas hastes de metais dos pára-raios
luz que viaja absoluta para dentro de mim
teus olhos são duas andorinhas perdidas
que asas-batem em meus sonhos
persigo-os na arquitetura dos seus vôos
me bastam por serem assim
cristais divinos de amor
teus olhos meus olhos sugam
silenciosos como o amanhecer
pudesse eu tê-los às mãos
seriam faróis de tudo
a incendiar o medo e a solidão
pudesse eu vingar-me de tanta beleza
te amaria mais ainda
lentamente
para não perder de vista
o evanescente crepúsculo da minha razão
teus olhos entronizados por Deus
me ordenam a luz do dia
e tudo passa a brilhar
teus olhos têm o silêncio dos lagos
madressilvas sobre as pedras
colibris sobre os muros da ilusão
os anjos estão sorrindo
são teus olhos que anunciam
o vento das manhãs
teus olhos me extasiam
porque são o que são
diz-me alguma coisa
tuas palavras
incendeiam minha solidão
* 5º LUGAR NO I CONCURSO NACIONAL DE POESIA AUDIFAX DE AMORIM, 2005, promovido pela Prefeitura de Colatina – ES
A esperança bate
Bate a esperança
a esperança bate
crio este refrão:
a esperança bate
busco a rima inútil
a pancada do coração
a esperança bate
e eu escuto
vou além do fútil
corro o horizonte
que não vai além
de livros e papéis espalhados
teus olhos surgem/ fogem de mim
flores que eu queria em nenhum jarro
cato-os, migalhas sobre a mesa
coloco-os no papel
a luz acesa
enxergo tua boca
agora de frente
beijo a parede
tudo está fechado
portas e janelas
tenho as chaves
mas estou preso
a esperança bate
vou atender:
era engano;
volto a ler
os anos
as imagens voltam como ondas
furiosas atrás de mim
perguntando-me de mim
rindo de mim
eu não digo nada
a esperança bate
tem dias em que quero franzir a testa
por isso não penso
nem vou ver o sol
cubro o espelho e deito-me
o vento anuncia teu perfume
abro a porta sorrateiramente
tu entras vestida de ilusão
ou sou eu que me iludo
dá no mesmo
a noite paira, pairo sobre ela
sentado, remexendo papéis
minha vida é feita de papéis
a sorte um dia disse que vinha
todos esperaram na cidade
a esperança bate
minh’alma de sonhar-te anda perdida
e a esperança bate
florbelamente em meu peito
ser herói seria bom
ter tantas vidas
revistas, fitas coloridas
álbum de figuras
hoje perdi as andorinhas
a esperança bate
amanhã chego cedo no portão
espero que uma delas pouse no muro
e me leve para ti.
7.5-ARTUR GOMES
É poeta, ator, produtor cultural, ativista ecológico.
rio em pele feminina
o rio com seus mistérios
molha seu cio em silêncio
desejo o que nos separa
a boca em quantos minutos
as flores soltas na fala
o pó dos ossos dos anos
você me diz não ter pressa
seus olhos fogo na sala
o beijo um lance de dados
cuidado cuidado cuidado
que sou um anjo de fadas
não beije assim meus segredos
meus olhos faróis nos riachos
meus braços dois afluentes
pedaços do corpo do rio
meus seios ilhas caladas
das chamas não conhece o pavio
se você me traz para o cio
assim que o sexo aflora
esta palavra apavora
o beijo dado mais cedo
quebra meu ser no espelho
meu cerne é carne de vidro
na profissão dos enredos
quanto mais água me sinto
presa ao lençol dos seus dedos
o rio retrata meu centro
na solidão de mim mesma
segundo a segundo nas águas
lá onde o sol é vazante
lá onde a lua é enchente
lá onde o rio é estrada
onde coloca seus versos
me encontro peixe e mais nada
Quintana sempre me dizia
o amor é um rio vermelho de sangue
os caranguejos desovam nos mangues
os rios deságuam no mar
o mário é um poeta solitário
um dia vai pousar em teu aquário
e no outro vai nadar em pleno ar
o amor se esgota pelos mangues
caranguejos não têm veias nem sangue
os rios se evaporam pelo ar
o mário é um poeta centenário
um dia se esfinge solitário
e no outro se transborda pelo mar
8- ANA PAULA MAIA
Língua Geral lança segundo romance de
Ana Paula Maia, A guerra dos bastardos
Escritora é precursora de folhetins pulp para a internet
Arrojo, inconformismo e muito estilo são características da literatura de Ana Paula Maia, desde as primeiras linhas escritas pela autora fluminense para a net brasileira, batizadas de folhetins pulp, até o seu début impresso em O habitante das falhas subterrâneas (2003). Obras que deixaram nomes como João Gilberto Noll, Marcelino Freire e Luiz Ruffato impressionados. A Editora Língua Geral lança agora a segunda obra da romancista, A guerra dos bastardos, parte da coleção Ponta-de-Lança. “Neste livro o que mais existe são homens de espécie diferentes. Um punhado de bastardos vistos de modo peculiar”, aponta Ana Paula.
A guerra dos bastardos é um romance urbano, bem-humorado, emocionante e violento. Mais do que degenerados, encontram-se personagens frágeis, inseguros e solitários, que canalizam suas frustrações em gestos desmedidos e inconseqüentes. A psicologia dos personagens é tecida mediante descrições breves e pungentes. Nesse sentido, a narrativa da escritora parece sair das telas do cinema: um personagem toca um serrote e detona-se uma gama de sensações aos olhos de quem lê a cena.
A obra revela uma conjunção de matrizes: o tom tragicômico lembra as cores fortes de Almodóvar; o ritmo fluido, vibrante, parece o rock-jazz de Miles Davis em seu Tributo a Jack Johnson, grande boxeador negro; a luz ofuscante, lançada à intimidade sórdida de seus personagens, remete os mais atentos a pop art de Andy Warhol ou à colisão plástica de Francis Bacon; o estilo despido de ornatos é vizinho das narrativas de Kerouac.
Um dado significativo, que particulariza a violência urbana desse romance, é o fato de sair do cenário das favelas. Os personagens estão no asfalto, trabalham no coração da cidade, estressam-se como um secretário de empresa multinacional. Os criminosos parecem homens comuns, exauridos por um cotidiano maçante. O ator de filme pornô sente-se esgotado depois de tantas ereções; a boxeadora talvez prefira uma casa no campo, por mais que tenha amor pelo punho em riste. É dessa maneira que A guerra dos bastardos absorve os leitores.
Texto da orelha do livro assinada por Santiago Nazarian:
“A maleta aberta e vazia permanece respingada de sangue sobre a mesa. No chão, próximos aos pés de Salvatore, uma bolsa de náilon vermelha semi-aberta. Amadeu abaixa-se para abri-la e, numa primeira revista, não lhe diz nada. São pacotes pequenos e bem fechados, pacotes que ainda não sabe, mas mudarão algumas vidas.”
Ana Paula Maia é uma pistoleira. Não sei exatamente se “no bom sentido”, pois então qual seria o mal? O que importa, é que ela tem munição, tem pontaria e não tem medo de apertar o gatilho, provando ser uma escritora matadora. Neste seu segundo romance, narra a saga de homens perdidos, assassinos, traficantes, cineastas da boca-do-lixo que tentam salvar suas peles sempre das piores maneiras possíveis. Tudo começa quando Amadeu, um decadente ator pornô, encontra uma sacola cheia de cocaína, no escritório de seu poderoso patrão. Tentando repassar a mercadoria, ele vai cruzando, trombando e atropelando personagens insólitos: Horácio, um pobre operário do cinema brasileiro; Edwiges D’Lambert, uma produtora manca e mafiosa; Gina Trevisan, uma boxeadora esmurrada pelas dívidas; além de, quem sabe, açougueiros, ladrões de órgãos, uma pompoarista cuspidora de fogo. É uma verdadeira guerra do submundo, que parece pronta a virar filme. Inteligente, divertido, kitsch, “A Guerra dos Bastardos” revela uma jovem autora que sabe muito bem o que está fazendo, e é disparado a melhor contadora de histórias desta geração.
Visite seu blog: www.killing-travis.blogspot.com
Site do folhetim pulp: www.folhetimpulp.blogspot.com
Site do livro
www.aguerradosbastardos.blogspot.com
9- VISITE, PARTICIPE E COMENTE AS PÁGINAS LITERÁRIAS PUBLICADAS NO www.rondoniaovivo.com – MOMENTO LÍTERO CULTURAL E NO http://orebate-selmovasconcellos.blogspot.com – MOMENTO LÍTERO CULTURAL do jornal www.jornalorebate.com . O SEU COMENTÁRIO É MUITO IMPORTANTE. ABRAÇOS FRATERNOS, SELMO VASCONCELLOS.

2 Comentários:
Selmo,
Lendo a edição de hoje do seu blog, ocorreu-me a idéia de fartura na produção literária brasileira. Quantos autores excelentes postados nesta página! Parabéns pela seleção e um abraço para Anselmo Vasconcellos, que me fez viajar com trovadores e beatniks através de seu belíssimo texto.
Abraços, amigo!
Marisa Zanirato
Por
Selmo Vasconcellos, Ã s 1:42 PM
Caro Selmo:
Agradeço pela publicação de meu texto "Ser mulher" e minha biografia. É uma honra participar de seu seleto blog literário.
Parabéns pelo ótimo conteúdo e pela beleza dos textos que publica aqui.
Forte abraço:
Lou de Olivier
Por
Unknown, Ã s 7:38 PM
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