.

4.5.07

MOMENTO LÍTERO CULTURAL - XIV

MOMENTO LÍTERO CULTURAL – XIV


PREZADO ( A ) ESCRITOR ( A )

VISITE, PARTICIPE E COMENTE AS PÁGINAS LITERÁRIAS PUBLICADAS NO www.rondoniaovivo.com – MOMENTO LÍTERO CULTURAL
E NO http://orebate-selmovasconcellos.blogspot.com – MOMENTO LÍTERO CULTURAL do jornal www.jornalorebate.com .
O SEU COMENTÁRIO É MUITO IMPORTANTE.
ABRAÇOS FRATERNOS,
SELMO VASCONCELLOS.


1-ALICE SPÍNDOLA

– Alice Spíndola – considerada Cidadã Benemérita de sua terra natal – Nova Ponte, Minas Gerais, desde outubro de 2005. Alice escreve desde criança.

Vive em Goiânia, capital do Estado de Goiás. Articulista literária. Exerce dinâmico intercâmbio cultural. Laureada, inúmeras vezes, com medalhas, títulos, troféus, prêmios e distinções dentro e fora do País. Colabora em diferentes projetos culturais.

– Alice Spíndola – considerada Cidadã Benemérita de sua terra natal – Nova Ponte, Minas Gerais, desde outubro de 2005. Já em tenra idade, os caminhos da Poesia a acompanham e a encantam. Vive em Goiânia, capital do Estado de Goiás.
– Articulista literária. Exerce dinâmico intercâmbio cultural.
– Escritora, homenageada por Jean-Paul Mestas, poeta e pensador francês, em livros, poemas e artigos. Publicada em Jalons.
– Laureada, inúmeras vezes, com medalhas, títulos, troféus, prêmios e distinções dentro e fora do País, por entidades de reconhecido mérito.
– Colabora em diferentes projetos culturais.
– Verbete na Enciclopédia de Literatura Brasileira de Afrânio Coutinho e J. Galante de Sousa – 2ª edição, 2 001.
– Referência em diversos dicionários, entre eles:
. O DICIONÁRIO CRÍTICO DE ESCRITORAS BRASILEIRAS de Nelly Novaes Coelho, Escrituras Editora, 2002.
. DA CAVERNA AO MUSEU: DICONÁRIO DAS ARTES PLÁSTICAS EM GOIÁS. Org. pelo artista plástico AMAURY MENEZES – Fundação Cultural Pedro Ludovico Teixeira – 1998 – Grafopel – Goiânia – Goiás. Neste verbete figura a opinião do escritor Bariani Ortencio sobre o trabalho desta escritora.
. DICIONÁRIO DE MULHERES – org. por HILDA AGNES HÜBNER FLORES. Porto Alegre / RS – 1999. Além do verbete, a autora agradece a Alice Spíndola, e faz referência ao intercâmbio cultural feito em torno da divulgação do dicionário e à descoberta de nomes e endereços para o conteúdo do obra.
. DICIONÁRIO BIOBLIOGRÁFICO DE ESCRITORES BRASILEIROS, organizado por ADRIÃO NETO, “Edições Geração 70”. Teresina / PI – 1999.
. DICIONÁRIO BIOBLIOGRÁFICO DE GOIÁS – org. pelo escritor MÁRIO RIBEIRO MARTINS Anápolis / Goiás – 1999 – Master Editora Ltda – Rio de Janeiro/ RJ.
. DICIONÁRIO DO ESCRITOR GOIANO – org. pelo pesquisador e escritor JOSÉ MENDONÇA TELES. – Goiânia / GO – 2 000 – Editora Kelps.

– Considerada “Exemplo de Trabalho” pelo eminente escritor e jornalista Tobias Pinheiro, em seu livro DESFILE DE VALORES, 2003, Universitária Editora, Lisboa Portugal.
– Personalidade Cultural – UBE-Rio de Janeiro – 1999.
– Otorga de Reconhecimiento – Proyecto Cultural SUR / México – 2000.
– Versão de poemas e de textos por eméritos poetas, como Charles Astruc; Jean-Paul Mestas; Federico Nogara. Ainda: Helena Ferreira; Philippe Dheur; Patrícia Ulhôa; Emmanuel Leveau; Christian Gouraud; Lívia Paulini;Gaudenzio di Lello; Kai Kreutzfeldt e outros. Idiomas: francês;espanhol; alemão; húngaro, italiano.

– Sócia Correspondente da Academia Carioca de Letras; da Academia Espírito-santense de Letras; e da União Brasileira de Escritores do Rio de Janeiro. Membro Efetivo da Academia Municipalista de Letras de Minas Gerais; do Sindicato dos Escritores do Estado do Rio de Janeiro; da Associação Goiana de Imprensa, da União Brasileira de Escritores de São Paulo e de Goiás, e da Comissão Goiana de Folclore. Membro de outras Sociedades Literárias.

– Dentre os inúmeros prêmios, torna-se necessário ressaltar:

. Detentora de vários diplomas e distinções - década de 90 - durante a Oficina Literária da Fundação Pedro Ludovico Teixeira – Goiânia / GO - de modo especial pela Prof.ª Yêda Schmaltz: Jogos Florais, Varal de Poesia e outros.
- Faixa e Diploma de HONRA AO MÉRITO pelo poema Humanidade - 1º lugar do Concurso Poesia da Infância e da Juventude - Colégio Santo Agostinho - Goiânia / GO - 1954.
- Troféu de HONRA AO MÉRITO - Segunda colocada no XI Concurso Nacional de Poesia Falada na cidade de Pires do Rio / GO, com o Poema REDE DE TESOUROS - 1993. Intérprete Aldair da Silveira Aires.
- Primeiro lugar no XII Concurso de Poesia Falada Cidade de Pires do Rio / GO - Poema PALAVRA - Intérprete: Tetê Caetano - 1994.
- Placa em ouro e prata oferecida por Ubirajara Galli, como Presidente da União Brasileira de Escritores de Goiás, pelo Prêmio Jorge Fernandes - livro inédito / autor inédito - livro FIO DO LABIRINTO -, em concurso da UBE - Rio de Janeiro / RJ. Placa entregue em 01/02/1994, nas comemorações do Jantar do Escritor na Lancaster Grill, em Goiânia / GO.
- Diploma de MÉRITO CULTURAL - l994 - Conferido pela União Brasileira Escritores - Rio de Janeiro / RJ - ‘ por seu incansável, admirável labor cultural em Goiás’. Entrega: Auditório do Centro Cultural da Academia Brasileira de Letras.
- Troféu: ÍNDIO BRASILEIRO - Destaque em Literatura - Centro de Cultura da Região Centro Oeste - CECULCO - Ano 17 - Brasília, 26 de abril de l996 - Presidente Sônia Maria Ferreira.
- Prêmio ALEJANDRO JOSÉ CABASSA - CATEGORIA INTERCÂMBIO CULTURAL - Por unanimidade - pela União Brasileira de Escritores - Rio de Janeiro - entrega do Prêmio - 27 de agosto de 1998 - no Auditório da Academia Brasileira de Letras.
- Diploma de PERSONALIDADE CULTURAL - 1999 - Conferido pela União Brasileira de Escritores - Rio de Janeiro, na Festa do 41º aniversário da entidade.
- ALTO MÉRITO SÓCIO CULTURAL - por unanimidade - 27 dezembro de 1999 - União Brasileira Escritores -Rio de Janeiro - por dinâmico e valioso intercâmbio cultural.
- HONRA AO MÉRITO - Agência Goiana de Cultura Pedro Ludovico Teixeira - Instituto Goiano do Livro - pelos projetos Literários e Artísticos no ano de 1999 - Goiânia, 18 / 04 / 2000.
- DIPLOMA DE PERSONALIDADE POÉTICA DO SÉCULO XX - Sociedade de Cultura Latina do Estado de Goiás e Casa do Poeta Brasileiro - 15 de agosto de 2 000, Goiânia - GO.
- Participation au SEMINAIRE CULTUREL DU BRÉSIL através do Projet Culturel Sud / Montréal, realizado na Union des Écrivains du Quebéc, de 14 a 17 de outubro de 2000 - MONTRÉAL, Canada.
. Otorga de Reconocimiento - PROYECTO CULTURAL SUR / MÉXICO por valiosa participación en el encuentro de música, poesía y artes plásticas: “ Resonancias del Septimo Arcoiris” un tributo a la diversidad.- Sabado, 21 de octubre, 2 000 - Teatro Isabela Corona – México /DF.
- DIPLOMA DE HONRA AO MÉRITO – Projeto Cultural SUR / Montreal / Brasil - Encontro de Literatura e Artes Plásticas - Brasília, DF - 29/11/2000 - Presidente Tito Alvarado.
– ELOS CLUBE DE BRASÍLIA - “Diploma de Participação na Antologia ELOS-BRASÍLIA, com reconhecimento pela brilhante contribuição para a cultura brasileira”. 15/12/2000 - Salão Azul do Hotel Nacional - Brasília. Org. Nina Tubino.
- Outorga de RECONHECIMENTO – Festival Internacional do Projeto Cultural SUL e II Semana de Artes e Cultura de BRASÍLIA/DF - maio de 2001- presidiram o evento Adelina Marquez Alcântara; Marlene Henrique e Wellington Labareda - Plenário de Câmara Legislativa do Distrito Federal.
. Hors-concurs do Prêmio João Fagundes de Menezes – União Brasileira de Escritores – Rio de Janeiro / RJ – 2004.

– Entre outras medalhas:
. MEDALHA –“PRÊMIO ALEJANDRO JOSÉ CABASSA” DE MÉRITO CULTURAL, sendo a primeira pessoa a recebê-la – União Brasileira Escritores do Rio de Janeiro – UBE – l995.
. MEDALHA ANNA ELISA GREGORI “por sua obra criativa e seu labor em prol da Cultura” – 38.º aniv. – UBE-Rio de Janeiro. 1997.
. MEDALHA CONCEIÇÃO FAGUNDES – “pela obra literária e incentívo à cultura” – 1997. No auditório do Centro Cultural da Academia Brasileira de Letras.
. MEDALHA PEREGRINO JÚNIOR DE INTERCÂMBIO CULTURAL – União Brasileira de Escritores – Rio de Janeiro / RJ – Teatro R. de Magalhães Júnior da Academia Brasileira de Letras. 2 000.
. MEDALHA JOSÉ ANTÔNIO PEREIRA – reconhecido por José Cardoso – em memória de seu pai – por unanimidade – pela UBE-Rio de Janeiro–Teatro R. de Magalhães Jr. da ABL – 2001.
. MEDALHA DOS 40 ANOS da Academia Municipalista de Letras de Minas Gerais – 1963–2003 – dez.de 2003.
. MEDALHA – PRÊMIO ALFREDO MARQUES VIANNA DE GÓES – para o livro A CHAVE DE VIDRO – menção especial do Júri do concurso interno para contos – outorgada pela Academia Municipalista de Letras de Minas Gerais – Belo Horizonte – 2003.
. MEDALHA HENRI BERNIER – para o livro “O Loire – o poema fluvial da França” – outorgada pela UBE-Rio de Janeiro – no Teatro R. de Magalhães Jr. da Academia Brasileira de Letras – 2005.

– Livros premiados e acolhidos pela crítica especializada do Brasil e de outros países:
. FIO DO LABIRINTO – poemas – 1996; 2001. Coleção Vertentes – Editora da Universidade Federal de Goiás.
. A CHAVE DE VIDRO – contos – 2003 – Ed. Kelps. Goiânia /Goiás – Brasil.
. NA ESSÊNCIA A PALAVRA INTELIGENTE – homenagem /ensaio – 2005 – Ed. Kelps. Goiânia /Goiás – Brasil.

. O LOIRE–POEMA FLUVIAL DA FRANÇA – saga poética – 2005 / 1º semestre de 2006 – Ed. Kelps. Goiânia /Goiás – Brasil.
. ARAGUAIA –ALMA-RIO DE GOIÁS – 2007 – Ed. Kelps – Goiânia /Goiás – Brasil.

– Ensaios publicados em revistas e livros, como exemplo:
. AFIAR INFLUI NA ARTE DE TECER (O simbolismo em A faca pela fio – livro de Reynaldo Valinho Alvarez) – Revista Fabulação – um novo tempo – ano III julho / agosto 2005 – uma publicação do Centro de Estudos Neolatinos da Paraíba.
. A MORTE: CHAVE E MOTIVO DA POESIA – Impressões de leitura do livro SENTIMENTO DA MORTE & POEMAS ANTERIORES do escritor FERNANDO PY – publicado no Jornal Poièsis – Editor Camilo Mota – Saquarema /RJ.
. NAS FRESTAS DO LABIRINTO DE “UILCON PEREIRA: NO CORAÇÃO DOS BOATOS” – obra do poeta Aricy Curvello – editado:
1.In Correio das Artes Ano LII n. 17, João Pessoa, 6 mai. 2001, pp. 12-13.
2. Id. O Galo - Jornal Cultural Ano XIII n. 5, Depto. Est. de Imprensa, Fund. nJosé Augusto, Natal (RN), jun. 2001, pp. 13-15.
3. Ib. Literatura – Revista do Escritor Brasileiro Ano X n. 21, Brasília, ago. 2001, pp. 51-56.
4.O Capital -Jornal de Resistência ao Ordinário Ano XI n. 94, Aracaju, set. 2001, p. 4 (parte do texto).
5.Revista da Academia Mineira de Letras Ano 84 vol. XL, Belo Horizonte, abr-mai-jun. 2006, pp. 171-175.
6. Surge um livro belo e raro. Palavra em Mutação nº zero, Porto (Port.), nov.2001- abr.2002, pp. 55-57.
7. Publicado integralmente, com o mesmo título, 5 (cinco) vezes no Brasil. Uma 7a. vez (em "O CAPITAL.....", Aracaju/SE), apenas um fragmento dele.

– Participa de dezenas de antologias, em maravilhosas edições nacionais, e integra várias e significativas coletâneas no exterior. Como exemplo:
. Figura em POESIASEMPRE – Revista Semestral de Poesia – FUNDAÇÃO BIBLIOTECA NACIONAL, Rio de Janeiro / RJ. Brasil. 2002.
. SAUDADE – Revista de Poesia, n.º 2 – org. por António José Queirós – 2002 – Amarante / Portugal.
. Antologia Poética ELOS DA POESIA, org. por Manuela Rodrigues e Fernando Oliveira – Universitária Editora, Lisboa / Portugal – 2005.
– Artigos e poemas publicados, por várias vezes, no DAS ARTES DAS LETRAS do secular diário O PRIMEIRO DE JANEIRO, sempre a pedido do emérito crítico literário Joaquim Montezuma de Carvalho – Cidade do Porto / Portugal.
– In ARTES & ARTES, em 2002, Universitária Editora. Lisboa/ Portugal.
– Ensaios, artigos, contos e poemas publicados em livros, revistas e jornais brasileiros e de outros países.
– Inéditos em ficção, poesia e ensaio.

– Livros premiados e acolhidos pela crítica especializada do Brasil e de outros países: Fio do Labirinto – poemas – 1996 / 2001. Coleção Vertentes – Editora da Universidade Federal de Goiás. A Chave de Vidro – contos – 2003 – Ed. Kelps. Na Essência a Palavra Inteligente – homenagem / ensaio – 2005 – Ed. Kelps. O Loire–Poema Fluvial da França – saga poética – 2005 – Ed. Kelps. Participa de dezenas de antologias, em maravilhosas edições nacionais. Integra várias e significativas coletâneas no exterior. Publicada em Jalons.


2-MÁRCIO CATUNDA

Os milagres do Divino Mestre

I

Jesus, ao caminhar por Samaria,
clamores escutou de dez leprosos
que acreditavam que Ele os livraria
de seus duros estigmas tenebrosos.
Com pena, então, o Filho de Maria
mandou-lhes procurar os virtuosos
sacerdotes da lei, e nesse dia,
ficaram todos limpos, venturosos.
Mas regressou apenas um dos dez,
a dar-lhe graças e beijar-lhe os pés.
O Mestre viu que era um samaritano,
estrangeiro nas glebas de Moisés.
E ao constatar a fé do ser humano,
mostrou como são poucos os fiéis.

II

Quando Jesus chegava a Jericó,
a multidão parou para saudá-lo.
Um cego meditava triste e só,
mas ao ouvir do povo aquele abalo,
marchou, convicto e firme, como Jó
para louvar Jesus e abraçá-lo
e suplicar misericórdia e dó.
Diante das súplicas do seu vassalo,
humilde e tão sincero entre os judeus,
que ansiava por mirar-lhe o rosto santo,
o Mestre desvendou-lhe os olhos seus,
abrindo-lhe a visão como se um manto
saísse-lhe da fronte, e ele, com espanto,
dava louvores ao bondoso Deus!

III

Jairo chamou Jesus a toda pressa
para que lhe salvasse a filha única,
que à mingua perecia, e sem conversa,
partiu a Onipotência mediúnica.
Aflita, uma mulher toca-lhe a túnica
na multidão carente que o procura.
Quem pede ajuda? Indaga a seus discípulos.
Cai-lhe a devota aos pés, e tem a cura.
Já na casa de Jairo viu jazer
uma jovem exangue sobre o leito
e o seu desígnio decretou, perfeito.
Legando ao mundo o místico preceito,
mostrou Jesus amor, glória e poder
fazendo a moça morta renascer.

IV

A multidão com pedras ameaçava
a contrita mulher, que em seu quebranto,
as fraquezas humanas lamentava,
chorando cabisbaixa num recanto.
A cólera do povo era qual lava
que a ela provocava medo e espanto.
Assim, de atroz justiça, feita escrava,
Jesus a viu em convulsivo pranto.
"Na vida, quem jamais tenha pecado,
jogue a primeira pedra" - o Mestre ordena
à turba que partia em debandada.
Jesus falou então a Madalena:
"segue o teu rumo e leva vida honrada,
o meu juízo a ti não te condena".

V

Navegava Jesus com os pescadores
de uma margem à outra no alto mar,
os turbilhões do vento, com furores,
o barco sacudiam sem parar.
Em noite de tormentas e temores,
repousa o Mestre, quase a cochilar.
Transidos e assaltados de pavores
suplicam-lhe os discípulos pra os salvar.
Jesus ordena o vento serenar
e às águas determina mansuetude.
Grande calma reinou, grande quietude.
Perplexos Pedro e João como a chorar,
louvavam-lhe os poderes e a virtude
de dominar os temporais do mar.

VI

Meditava Jesus, junto a um recanto,
com alguns dos seus discípulos fiéis,
quando num súbito rumor de canto,
sentaram-se as crianças a seus pés.
E ao abraçá-las, com formoso encanto,
perguntou-lhes os nomes - eram dez
ou mais e elas sorriam tanto e tanto!
"Estes infantes são puros vergéis".
o Mestre afirma -- "são vergéis do céu!
da perfeita seara da Beleza.
Deixai que me procurem estas crianças.
De salvar-vos mantei as esperanças,
pois se tiverdes delas a pureza,
desvendareis do paraíso o véu!"

VII

Na aldeia dos gadarenos havia
um homem possuído por demônios,
pelos ermos a errar, sem companhia,
com os olhos desvairados e tristonhos.
Por que no seu delírio proferia
clamores tais, estranhos e medonhos?
Era um mistério, ninguém o sabia...
Ao ver o Mestre, despertou dos sonhos
da horrenda possessão que o estrangulava
e dos mil diabos com que se envolvia.
A legião imunda se rendia,
precipitada, qual ardente lava,
nos porcos atirados pelo abismo,
naquele formidável exorcismo.

VIII

Já Lázaro era morto no seu leito
e todos viam que morto jazia.
Jesus foi despertá-lo, e de tal jeito,
que o certo é que ninguém duvidaria
que embora morto já, no quarto dia,
seria erguido do sepulcro estreito.
Era Marta fiel ao Mestre, e o via
de Deus filho, imortal e sem defeito.
E ao vê-lo, a moça logo se apressura,
o rosto em pranto e a voz toda amargura,
e o seu poder, convicta, então proclama:
"Ó meu divino amigo!" - ao Mestre exclama.
Jesus, que amava Lázaro, então o chama,
e ele obedece, e sai da sepultura!

IX

Junto ao sepulcro inda Maria chorava,
sem encontrar o corpo de Jesus.
Dois anjos avistou, de branca luz
e apenas um lençol que ali restava.
E ouviu alguém que súbito falava:
Era o Senhor, de pé, vivo e sem cruz.
Ó maravilha que se apresentava
na figura do Mestre em Verbo e Luz!
Apareceu depois, no seu encanto,
aos discípulos, onde se escondiam
da vil perseguição dos fariseus.
De paz abençoou os filhos seus,
que arrebatados de grandioso espanto,
receberam do Mestre o Espírito Santo.


3-LUÍS FERNANDO LOPES PEREIRA*

BIZARRO MUNDO NOVO

A brilhante psicanalista paulista Maria Rita Kehl destaca sempre que nossa violenta e intolerante sociedade contemporânea vive com medo ! Medo que nos remete a atitudes conservadoras. Em relação à horda, temos mais que medo : pânico !!! Afinal ele é alimentado pela culpa e por isso liberta nossos desejos mais destrutivos e egoístas.
A multidão de miseráveis que cresce no planeta está cada vez mais próxima de nossos calcanhares e mais distante de nossos projetos; multidão que a modernidade prometeu libertar, que o iluminismo prometeu tratar como igual, que a solidariedade, a cooperação e os valores morais, éticos e religiosos prometeram dar guarida.
Os estabelecidos, os “outros” da horda, que não suportam ver nela seu próprio fracasso social e humano, gostariam de bani-la de seu paraíso. O rico, o fariseu, o hipócrita, o corrupto de todos os níveis, gostaria de desfrutar plenamente o paraíso de seus bens “conquistados” mas não pode porque o miserável está em sua cola.
Nos textos de Kehl, entretanto, não seria possível a exclusão da horda da paisagem cotidiana. Talvez por acreditar demais na civilização, na humanidade e no direito. E por acreditar sepultado o passado recente em que projetos totalitários, de todas as cores e opiniões ideológicas segregavam e exterminavam em nome do progresso e da evolução do homem, em um darwinismo social que se inspirava nas idéias presentes na Origem das espécies de Charles Darwin, publicado nos distantes 1859, segundo o qual os fortes permanecem e os fracos perecem.
Daí a necessidade de deter a propagação dos fracos, das raças inferiores, para fortalecer a sociedade. Nos Estados Unidos entre as décadas de 1920 e 1960 foram esterilizados 70.000 humanos fracos, de corpo e de mente, e de raças inferiores. Tudo fundamentado nas idéias de eugenia, propagadas por Francis J. Galton que forjara o termo que corresponde a bem nascer. Mas o pior estaria por vir com o nacional socialismo alemão. Ali a pretensão cientificista de aperfeiçoamento racial e de proteção dos mais fortes contra a horda dos mais fracos e incapazes chegaria inicialmente a exclusão social de grupos como os judeus, em guetos, para que não contaminassem a pureza do sangue germânico. Ao mesmo tempo os loucos foram exterminados porque eram caros para o Estado e incapazes de colaborar com a construção de uma nação forte. Depois foram os mesmos judeus com a solução final, bem como homossexuais, comunistas, ciganos, mendigos e outros considerados praga a ser eliminada.
Perceber que, em pleno século XXI, esses discursos ainda fazem eco em certas mentes dá uma percepção do fracasso do processo civilizacional, do projeto moderno, da idéia do progresso... De fato o bizarro novo mundo em muito se parece com o admirável descrito por Aldous Huxley, onde o selvagem é isolado e segregado. E o pior é que muitos realmente o admiram.

*Professor de História do Direito (UFPR ) e Doutor em História Social ( USP )


4-P O E S I A S

COLABORADORES DA PÁGINA MOMENTO LÍTERO CULTURAL DESDE 15 DE AGOSTO DE 1991, JORNAL ALTO MADEIRA

SELMO VASCONCELLOS

Amanheci cantando feliz !!!
Minha aura brilhava
Junto com o sol vindo do Leste.
######
JEAN-PAUL MESTAS
OLHAR

Era um fio de chuva que esperavas.
A manhã
encheu-se de pardais de pólens imaginários
que viajaram pelos teus dedos.
De ti brotou a água
para encher os lagos.

(tradução de António Salvado)
######
ALICE SPÍNDOLA
A Chave

No meio da noite, configura
a fragrância das palavras mágicas
Na chave da noite, a ternura,
pluma que verte enigmas

Nas mãos do tempo,
o arado que rasga os mistérios
do sentimento que define
O homem da meia noite,

em seu caminho de volta
que faz

ao adentrar a meia lua
das unhas dos enigmas.
A mão da noite destrava a chave
da fragrância das palavras mágicas
######
ILDÁSIO TAVARES
Meu poema de chuva

Meu poema não visita a antologia
Dos momentos que a chuva salpicou
Nem se curva ao tip-top na janela
Onde sem mais querer
A chuva semissente se instalou, —
Ele se esgueira, calmo e contemplado,
Até a intimidade sem recursos da gota mais minúscula,
E em uniliquescência permanece;
E assim, as palavras feitas chuva
Se escorrem lá pra baixo da ladeira e
São sorvidas sem serem pressentidas
Pela terra,
Pelo lago,
Ou pelas tradicionais bocas de lobo.
#####
IVES GANDRA DA SILVA MARTINS
RETRATO DO BRASIL

No Brasil, o formalismo
Descompassa o bom direito.
Quanto mais eu nele cismo
Mais vejo quanto é mal feito.

A justiça pouco importa
Vale a forma primitiva.
Quem busca do bem a porta
Encontra só negativa.

Complicações cerebrinas
Geram deveres mil,
Que nascem pelas esquinas
Do patético Brasil.

Só é feliz quem viver
Enquistado no poder.

Brasília,
23/01/2007.
######
ADELAIDE PETTERS LESSA
Casa, tempo-modulada

Minha casa é tão pequena
que a porta cabe em tua mão.
No calo da palma. Ela cria
ao faminto esta magia:
acendo o cesto do pão.

Minha casa é tão pequena
que a porta cabe em meu olho.

No retrovisor da noite,
saudade desta magia:
fagulha de teu pernoite.
#####
ANTÔNIO CARLOS SECCHIN
O meu corpo se entrelaça

O meu corpo se entrelaça
ao suspiro, e gira e caça
no intervalo de um soluço
essa pele decifrada
pela força de meu sangue.
E com fúria e flama
não derrubo o que me abarca,
nem revelo em minha posse
as premissas do que sinto:
eu devoro o meu amor,
arbitrário como um cinco.
#####
REYNALDO VALINHO ALVAREZ
A Paz quase impossível

Tudo é parede em torno, tudo é nada
e em vão martelo o crânio contra o muro,
os ladrilhos manchados da prisão,
o cárcere maldito, a solitária,
a cela-surda em que não sento ou deito,
mastigando os insetos do meu dia,
a palavra travada, a fala morta
no tubo amordaçado da garganta,
eu, Sísifo rolando a pedra bruta,
eu, Prometeu acorrentado e exposto
ao abutre infernal, eu, navegante
sem bússola ou sextante, remo ou vela,
eu, estrangeiro indesejado, eu, morto,
insistindo no jogo de estar vivo.
######
RONALDO CAGIANO
Retroviagem

Adiada a chegada
o mar é só vertigem
o porto está distante.

A noite nos oceanos
é uma tragédia de negrumes
onde se perdem
os homens ávidos de idílios
entre cetáceos ressabiados
e atlânticas saudades.

A estrela que me acompanha
(ou a persigo, em solitária romaria?)
restabelece o ancoradouro
que precocemente fugiu
das garras tênues
de um viandante inconcluso.

Mais inquieta é a esperança
se nela não navego
ou galopam outros sonhos.

A geografia dessas águas
fabrica desafios, enquanto no rosto
mareja o sacrifício da espera.
#####
NEIDE ARCHANJO
Neste mezzo del camin

Neste mezzo del camin
carrego comigo obras e cânticos
alguns alheios outros próprios
coisas que escolhi.
Entre vogais e vocábulos
componho a biografia
construção sonora de rostos
reflexos sentimentos
tão grande tão grandes
uns rindo como gralhas
outros mansos
todos não perdidos
pressentida romã entreaberta
assim esta memória existe.
Vou como o discípulo
de um velho pintor chinês
que curvado sob o peso de pincéis
potes de laca
rolos de seda e de papel arroz
sonhava carregar montanhas rios
falcões reais
e se assim sonhava
certamente assim o fazia.
#####
ARICY CURVELLO
O náufrago

O plano que malogra ,
a fortuna que se rende ,
o fado que tem olhos
de acaso e relógio ,
pelos três a grande Barca abalroada ,
três mil passageiros se paralisaram no terror da hora ,
em plena noite, ao mar, na baía da Guanabara .
Alguns, das águas
recuperados . Um , não dos mais belos, porém dos mais
jovens,
fortes ventos e correntes o impeliram para fora
da barra, para as altas águas, o alto mar,
roído de peixes,
que humano já não era, incorporado
a medusas e algas, ao
plenilúnio, às vagas, aos eflúvios do sal .
agora , sua respiração percorre o litoral .
#####
NEUSA ZANIRATO
ROTINA

Me perco nas cálidas luas
Que nascem já crescentes
Adormeço em saudades nuas
Banhadas no exausto poente
Choro cada estrela cadente
Derramando o derradeiro brilho
É quando desperto e retomo o trilho
Que me devolve a você ( ausente ) !
######
JOSÉ NÊUMANNE PINTO
Picasso andaluz

Guernica
África
Hiroxima
meu amor.
Meu coração
sepultado
pela bomba H
pela bomba azul

junto às cinzas
de um templo vago
o relógio espiritual dos séculos.

Estranha esta necessidade de ser carne e música.
######
GILBERTO MENDONÇA TELES
O discurso

Havia a necessidade absurda de falar
para manter o equilíbrio da mesa
e preservar a reputação implícita
nos gestos.

Alguém chegou a reclamar a urgência
de um gravador para medir as vaias.
Outro, mais complacente, se preparava
para pedir bis. Um terceiro mastigou
ruidosamente a ponta da língua.

Neste momento solene... o poeta
burlou a vigilência das moscas
e deu um salto mortal no meio
do discurso.

E ante a curiosidade geral dos convivas,
fabricou um cavalo de miolo de pão
e fugiu a galope, levando à garupa
a garota que estava fingindo que não.
######
ANDERSON BRAGA HORTA
Oração

A Casa de meu Pai tem muitas moradas.
O universo é meu lar.
Não conheço fronteiras.

Pequeno verme num pomar de estrelas,
deu-me o pai infinitas vidas
para em todas ardê-las.

No seio de meu Pai estou, mesmo na queda.
Sem desespero encaro
minha pobre verdade.

E sei, por este mesmo anseio de alto,
que — além da eternidade —
me espera a eternidade.
######
JOANIR DE OLIVEIRA
Os mortos na penumbra

Os mortos na penumbra vão fluindo
as fibras intangíveis de seus corpos
num bailado medroso, a flutuar.
Contudo maneirosos vão sorrindo
a somar luas, píncaros e portos,
e a florescer as tíbias sobre o mar.

São corpos, flutuantes mas pesados
com pedras e destroços milenares.
O pétreo dos olhares seus espanta,
afugentando as mãos soltas nos ares.
São palmas e são dedos rejeitados,
são seres e entidades esquecidas
no ventre dos milênios sem vestígios,
nas conchas abissais de esconsas vidas.
#####
ASTRID CABRAL
Herança

Bênçãos e maldições vem de, bem longe
embaladas em ovos, sangue e esperma
em arquivos que jazem sob a terra
lacrados chaves já perdidas no ontem.
Os vivos farejamos crus mistérios
e giramos perguntas parafusos
que mal roçam a cútis dos arcanos:
o olhar terá nascido no jurássico?
o tom de tez e voz será adâmico?
de quem decorre esta imprevista
herança
de sermos o que, bem ou mal nós
somos?
Família, amor, jogo de sexo e espelhos
por onde assim perplexos nos lançamos
ou, dizendo melhor, lançados fomos.
#####
SONIA SALES
Meditação

No lodo do rio
talhado de sangue dos infiéis
naves contraditórias descem na correnteza
procurando certezas
de uma eternidade
que só Deus nos pode dar.

Como o lótus nascido do silêncio
o monge medita as transições da lua,
a transparência do vidro,
o silêncio,
o nada ser, para alcançar o sempre.
Sentindo que sem a esperança do eterno
não há o sentido da vida.
Sem o saber do infinito
não há para que uma alma.
######
RAQUEL NAVEIRA
Oração

Senhor,
Envia um anjo teu,
Que ele entre em minha casa
E tome lugar de honra
Como quem vem para um banquete.

Pode ser Miguel,
Valente,
Arcanjo poderoso
Com toda milícia celeste
Que percorre os ares.

Pode ser Rafael,
Pajem,
Estrela-guia
Que nos acompanha
Nesta difícil viagem.

Pode ser Ariel,
Jeriel
Nanael,
Qualquer um que desça do céu
E diga que teu reino está próximo
Dentro do meu ouvido.
####
RICARDO ALFAYA
ESTADO DE SÍTIO

Cavalos
Galope
Noite
Trote
Num artifício de último instante
Invento de Estado
Um golpe
Não sei o que fazer
Com tanto Poder
Tomar da fantasia o Reino
É tão fácil
Difícil é viver anônimo
Nas ruas sem dono
Desta cidade.
######
ASCENDINO LEITE
ANTES de Deus.
É só verificar.
É o que faço,
Escrevendo sem tinta
Neste caderno.

O nome de que precisas :
-Alma.
O nome que me tocou :
-David,
pintor de sonhos.
#####
ROSÁLIA MILSTAJN
VITRAIS

Não ser útero do inútil
E o sacrifício

Fechar-me no templo
A tempo de restar senão muralhas
Cobrir-me de peles e véus
Acender minha luz
E refletir na reflexão do pensamento lúcido
Minha cor no cosmos
######
JOSÉ INÁCIO VIEIRA DE MELO
Bênção
Para Aloísio Vieira de Melo

Meu pai,
beijo suas mãos,
não como um homem
pretende beijar as de Deus,
mas como uma árvore
beija suas raízes.
######
MARISA ZANIRATO
ESPELHOS

A imagem reflete-se no espelho
que reflete um outro espelho:
uma face comum,
multiplicada,
invertida,
revertida.
Mais nada.

Um olho é velho e calmo como a lua.
O outro, que sob a pálpebra apenas se insinua,
esconde o medo e o espanto
de caça acuada.
Uma das mãos faz a comida, a cama
e lava e passa e escreve.
A outra, em gesto breve,
acena, entediada.
A mesma boca que às vezes salmodia,
por pura rebeldia
morde a fruta proibida e desejada.
Uma imagem descansa;
a outra tem pressa
de retomar a jornada.
E os pés, que carregam o pó
de mil estradas
percorridas em direção à meta
ou sem destino algum,
num ponto da viagem
esbarram no espelho
que reflete outro espelho
e a imagem
multiplicada.

Só há espelhos
e esta face comum.
Mais nada.
#####
FLÁVIA SAVARY
POEMAS SECRETOS I , II e III )

Que se distraiam teus pés
Em mil passeios .
E tuas mãos despenteiem águas
E tranças de heras .
Mas teus olhos , não .
Teus olhos estão
Sigilados em meus tesouros .

II
O segredo voa
Nas volutas
Do hálito do amado .
Estou presa
Da cadeia de seus lábios .
Mas ainda que se abrissem
Para dizer : “És livre”,
Escolheria ser triturada
Entre seus dentes.

III
Feito de madeiras nobres,
Recende a canela a incenso.
Sua cabeleira de cobre ,
Elmo de comandante ,
Cavaleiro andante ,
Errante guerreiro
Lacrado
Em secretas fontes .
#####
GLENDA MAIER
RAÍZES DO PASSADO

Metálicas raízes plantadas no passado
Agarradas à terra, seguras.
Enfrentaram tempestades, vendavais e desventuras
Resistiram.
Beberam das águas antigas do aqueduto
Secas hoje. Enxurradas perenes.
Nos arcos do inconsciente de uma cidade
ainda viva, apesar da dor.
Pequenina caixa viva de esperança
Conduzes peregrinos cansados, torturados...
Dia a dia de trabalho. Pés na terra.
Teu destino: o céu.
Encontras o ventre arredondado da montanha
Que retém, em si, o canto, a fé, o pensamento,
ar puro, santo...dos artistas que cultuam
A lembrança do que era, será sempre e ainda é.
#####
LEILA MÍCCOLIS
ESTABILIDADE

Vivemos como casal:
você trabalha demais,
me sustenta,
proíbe isso e aquilo,
exige a casa arrumada,
quer almoço à uma hora,
o jantar às sete e meia,
sobremesas variadas...
Com teus caprichos concordo,
e por vingança, te engordo.
######
URHACY FAUSTINO
Eu sou a garça branca que vive em bando

é sempre verde o meu olhar
sobre o povo os campos e o mar.

não rumino miséria nem sentimento hostil
sobre estas terras descobertas num abril.

tenho — sem vergonha de dizer —
uma inexplicada paixão extremada,
por esta minha pátria amada.

minha terra tem olavo castro alvares e palmeiras,
tem helena maju kk cida sandra nilza banderas

minha terra tem cecília coralina alice e garças,
tem leminski behr gutfreind quintana graças.

minha terra tem leila e uma enorme riqueza
de sentimentos, letras, versos e beleza.
######
DIMAS MACEDO
Mistério

Não sei por que destino vago
ou se vegeto.
Minha vida é qual um livro aberto
que atravesso a nado.
Minha solidão tem bases de concreto
e as minhas ânsias claras intenções.
Com as lições da dor eu teço
uma canção ao vento
e reinvento a vida.
A morte é um vendaval e em tudo
o cosmos é uma interrogação.
Meu corpo a fuga. Meu prazer o medo.
E a minha dúvida uma alucinação.
Se vago ou se vegeto, escrevo:
Minha vida é qual um livro aberto.
#####
ANIBAL BEÇA
Sonata para ir à Lua

Desnudo já me dou de mim doendo
na doação das folhas da floresta
que vão caindo sem saber-se sendo
pedaços de nós na noite deserta

A lua imponderável vai ardendo
cúmplice em nossa luz de fogo e festa
Meus braços são dois galhos te dizendo
que o forte às vezes treme em sua aresta

Esta outra face frágil de aparência
que só aos puros é dado conhecer
no abraço da paixão e sua ardência

Mesmo cego de mim eu pude ver
e sentir no teu beijo a clara essência
que faz do nosso amor raro prazer
######
BARROS PINHO
Gramática aos olhos da amada

Qual o adjetivo
para os olhos da amada
os olhos da amada
se confundem com o mar
ora verde ora azul
na cor do triste
no salmo da alegria
semântica da noite
metáfora da madrugada
as sílabas do vento
nos olhos da amada
o verbo amar edifica
os acentos da solidão
olhos do mar olhos do rio
olhos de serpente sem veneno
olhos de mulher olhos de sonhos
que guardei para viver no ponto do luar.
#####
ALCIDES BUSS

Morri pra nascer.
Em cada pedaço do corpo
cravei os signos da paz.
Desfiz a última ceia
no íntimo ardor do pecado.
Compus com as sombras
o quadro da morte.
Deixei que tudo sobrasse
no lado de fora.
Importava era estar
em mim mesmo absolutamente
intocável. E de mais a mais
só queria o descanso
que merece um mortal
cumpridor dos deveres.
####
ANTÔNIO MARIANO LIMA
Mistérios do peito

Latejando
no peito esquerdo
o que não é o coração
nem mola de poesia.

Que é, hein?

Essa vontade absurda de ser
cada vez mais
humano?
#####
NILTO MACIEL
Soneto crepuscular
Para Francisco Carvalho

Nos campos de meu pai antigamente
as chuvas inundavam meus pensares
e do pomar do céu pingavam frutos.

Ventos ninavam aves repousadas
nas árvores vigias de seu sono,
sentinelas da luz crepuscular.

As ovelhas baliam suas crias,
os vaga-lumes alumbravam tudo
e a solidão das vacas nos currais.

Duendes se assustavam co’os trovões.
Na escuridão dos quartos o perfume
do amor gemente à sombra dos lençóis.

Invernos que de mim se evaporaram
nos campos de meu pai antigamente.
######
ANTONIO LÁZARO DE ALMEIDA PRADO
Em Surdina...

Ah! tão machucada
Malva macerada
Alma...

Ah! este secreto
Perfume predileto
Malva...

Ah! tão perseguida
Síntese da vida
Calma...

Ah! tensão contida
Gota reprimida
Lágrima...
#####
JÚLIO POLIDORO
MORTE

A morte e seu cortejo.
Galopa sobre mim
eu passo.
Num jardim qualquer,
o Homem
quer-se afastado deste cálice.
Que posso dizer?
Que não me movo de seu movimento?
Ao seu galope
respondo, chão cicatrizado.
#######
LAU SIQUEIRA
ploft!

escrever poesia
algumas vezes
é como jogar
pedra em açude
as ondas se formam
e a gente conclui
que aquilo não é
poesia
é física
######
LOURIVAL FARIAS SODRÉ
DISPERSÃO

Resumo no tempo
de paz solidão
Tudo sai mais lento
desse aprendizado.
Voz rosto de um corpo
incompleto ou morto.
Transparece, não diz:
em silêncio conhece.
Sol em liberdade
reprime e atrai.
É dia sem fala.
É o ausente que vem
repetir e se esconde
numa noite de gala.
#######
OLGA SAVARY
Dois Poemas

Nas tardes quentes
Nada mais que fazer :
Esquecer as mãos
Aquietadas como aranhas
E amarrar o silêncio
À pura solidão
Do silêncio.
******
Quisera desabar sobre ti
como chuva forte.
As coisas são boas quando destroem
e se deixam destruir.
Só assim eu venho :
eco de profundas grutas,
nada de leve
uma irrealidade
estar aqui.
Só sei amar assim
- e é assim que te lavro, deserto.
#######
NEWTON DE LUCCA
No rimar da sedução

Os meus medos –
perdidos nas delícias
de tua fruta

Os meus dedos –
nas carícias envolvendo
teus receios

Meu desejo firme
como rocha
no pleonasmo sem fim
de tua gruta

E ainda por cima
de sobra a minha língua
depositada sempre nas últimas sílabas
de teus anseios...
######
TANUSSI CARDOSO
Da Paz das Borboletas

Moram em mim animais bravios.
Perigosos, eriçam os pêlos
rangem os dentes
emitem urros
por qualquer motivo.
Mas dormem em mim, tranqüilos
quando lhes conto das borboletas
pousadas sobre os vitrais noturnos.
######
CAMILO MOTA
Alegorias de roda

Olhos infantis
na roda gigante fitos
nada investigam:
quiçá uma vertigem sentem.

que mais sentiriam
se a orquestra em peso
derramasse giros coloridos
sobre a cidade em chamas?

o uivo da ex-secretária
desprende-se alado
sobre túmulos concêntricos.
#######
ANTONIO MIRANDA
para Donaldo Mello

Não há princípio nem fim
na eterna diáspora
dos astros
tresloucados
deslocando-se
aos confins
do universo
em expansão.

O tempo não existe
para as estrelas
mas elas fenecem
e, de vê-las, fico triste.

Sem sombra e destino, também vagarei.
Hei de seguir o mesmo curso de ninguém.
######

3 Comentários:

  • Selmo,
    Mais uma edição do blog, mais uma porta que você abre para este campo vasto e tão diverso da literatura brasileira. Fiquei especialmente feliz por ver um poema seu publicado nesta edição!
    Abraços a parabéns pelo incansável trabalho de divulgação literária!

    Por Anonymous Anônimo, às 12:50 PM  

  • Entre tantos encantos, tantos talentos (lidos, relidos e ainda com a alma sedenta de mais ler), dois encantos particulares: encontrar-me publicada entre os grandes nomes da nossa poesia moderna e ver você, grande divulgador, aqui presente como outro grande talento e encanto.
    Parabéns pelo maravilhoso trabalho nas duas faces: fazer poesia e divulgar a literatura!
    Abraços.

    Por Anonymous Anônimo, às 2:42 PM  

  • Obrigado por divulgar o CONCURSO POESIARTE, meu nobre amigo Selmo.

    Um abraço fraterno e poético do seu poetamigo. Rodrigo Octavio de Cabo Frio-RJ.

    Por Blogger Rodrigo Poeta, às 9:08 AM  

Postar um comentário

<< Home