MOMENTO LÍTERO CULTURAL - XIII
MOMENTO LÍTERO CULTURAL – XIII
JOANYR DE OLIVEIRA
Nasceu em Aimorés, aos 6 de dezembro de 1933. Desde cedo demonstrou pendores para a literatura e o jornalismo. Na cidade natal, aos 15 anos já produzia programas na incipiente Rádio Aimorés. Estudou na Escola Teixeira Soares (destinada aos filhos dos ferroviários da EFVM), terminando o “curso primário” no Grupo Escolar Machado de Assis. Em 1944, escreve seus primeiros poemas, sob influência da professora itabirana Maria Martins de Carvalho. Nessa época (1945) publica seus primeiros versos, no “Jornal do Povo”, de Belo Horizonte. No Ginásio Pan Americano de Aimorés, estuda até a 3ª série ginasial.
Transfere-se com a família para Vitória, em 1949. Na capital espírito-santense, inicia-se no jornalismo (“Folha Capixaba”) e, com artigos sobre folclore e literatura, colabora em “A Gazeta”, ainda hoje o mais importante diário do Estado. Procedente do Rio de Janeiro, onde trabalhava em uma pequena editora (nela fundou e secretariou uma revista chamada “A Seara”), chegou a Brasília em 1960, após aprovação em concurso público para Revisor do Departamento de Imprensa Nacional. No DF, foi cronista na Rádio MEC, ao lado de Alphonsus de Guimaraens Filho, Clemente Luz e Afonso Henriques de Guimarães. Manteve colunas literárias no “DC – Brasília” (edição brasiliense do “Diário Carioca”) e no “Correio Braziliense”. Organizou a primeira obra literária editada no DF (Poetas de Brasília, 1962) e outras obras no gênero, além de ter publicado outros livros de contos e poemas, no Brasil e no exterior. Iniciou o curso de Letras Brasileiras, na UnB (primeira turma, 1962) e cursou Direito na UDF. Candidato a Deputado Constituinte, não se elegeu por problemas de legenda, porém foi o mais votado de sua coligação (cerca de 9.500 votos). Ingressou na Câmara dos Deputados, por concurso, em 1963. Aposentado em 1988, transferiu-se para o exterior (Estados Unidos), onde viveu durante 6 anos na Grande Boston, em Hartford (CT) e no Sul da Califórnia (Santa Ana, Garden Grove e Anaheim).
Retornou ao Brasil em julho de 1994, dando prosseguimento à sua carreira literária, com a publicação de novos livros e a participação em entidades culturais (Associação Nacional de Escritores, Academia de Letras do Brasil, Academia de Letras de Brasília, Instituto Histórico e Geográfico do DF e outras). Participa de várias antologias (poemas, contos, crônicas) e outras publicações, no exterior: Argentina, Canadá, Espanha, EUA, França, Índia, Itália e Portugal. Residiu em Vitória, Rio, São Paulo, Goiânia e cidades do interior goiano (Goiânia, Luziânia e Iporá).
Joanyr de Oliveira é detentor de mais de trinta destaques em concursos literários.
Poesia extraída do livro Raízes do Ser – Poemas para Aimorés
Prêmio “Oficina do Autor” ( Funarte ), 1999
Thesaurus Editora, Brasília, DF, 2007.
As Raízes do Ser
Sigo assim
por trazer
nos meandros de mim,
nas raízes do ser.
As mitologias
da Pedra Lorena,
de esquálido rosto
ancorado no tempo.
O corpo do rio
em seixas macerado.
( Rio Doce, mui doce,
a caminho do sal.)
As areias e micas
sob a infância lépida
a amoldar-se à beleza
invisível dos pés.
A aspereza paterna
de orfandade feita,
de aguçadas pontas
incrustadas no peito.
Sufocados, tênues,
o sorriso no ar
e a voz singeleza
de Idalina Soares.
Flutuantes nas copas,
gestos bons, fraternais
na riqueza do verde
dos coqueirais.
As redes matutinas
e os anzóis, sob o azul,
estendidos na pele
do Manhuaçu.
O minério de ferro
( pétreo sangue de Minas )
nas serpentes de aço
escoando ao Sem-fim.
Os extintos nas guerras
dos partidos feridos
no fervor das idéias
e das cegas retinas.
As bandeiras ocultas,
imprecisas e imensas;
os castelos de insônias
que me espraiam nos ventos.
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UNIÃO BRASILEIRA DE ESCRITORES / RJ
Nova diretoria da União Brasileira de Escritores/RJ eleita em 20 de abril de 2007, tendo como presidente o escritor Edir Meirelles
C H A P A R E N O V A Ç Ã O
DIRETORIA DA UBE – 2007/08
Presidente EDIR MEIRELLES
1º Vice-Presidente ANTÔNIO OLINTO
2º Vice-Presidente ANNA GUASQUE
3º Vice-Presidente MARILU FLYGARE
Secretária Geral STELLA LEONARDOS
1º Secretário ANDERSON FIGUEIREDO BRANDÃO
2º Secretário MARGARIDA FINKEL
3ª Secretário LUIZ GONDIM
1ª Tesoureiro WANDA BRAUER
2ª Tesoureiro YEDA OCTAVIANO
Diret. de Assuntos Jurídicos JOÃO BATISTA PEREIRA DE CARVALHO
Consult. Ass. Internacionais LÚCIA GOMES POGGI DE ARAGÃO
Diretor de Concursos MARIA ANTONIA DA COSTA LOBO
Diretor de Cultura TERESA CRISTINA MEIRELES DE OLIVEIRA
Diretor Social SÉRGIO GERÔNIMO DELGADO
Diretor de Comunicação GERDAL RENNER DOS SANTOS
Diretor de Biblioteca LYGIA MALAGUTI WEGLINSKI
Diretor de Patrimônio WANDA FABIAN
Diretor de Museu JUJU CAMPBELL
CONSELHO FISCAL
GILBERTO MENDONÇA TELES
HELENA FERREIRA
HELENA PARENTE CUNHA
SUPLENTES
ANA HELENA RIBEIRO SOARES
OLYMPIO H. MONAT DA FONSECA
LAURA ESTEVES
CONSELHO CONSULTIVO
ANA MARIA BRAGANÇA
CEILA FERREIRA
MARIA HELENA KÜHNER
TOBIAS PINHEIRO
ASTRID CABRAL
ELIANE MARIATH DANTAS
SÍLVIA JACINTO
SUPLENTES
DORÉE CAMARGO
MARIA HELENA ALVARENGA
MARIA LÚCIA AMARAL
TELÊNIA HILL
MARIA DO CARMO G. DE OLIVEIRA
MARIA JOSÉ DE QUEIROZ
NAUMIM AIZEN
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CLÁUDIA GONÇALVES
É gaúcha, mora em Porto Alegre.
É consultora de moda, poetisa e alto astral.
Tem poemas publicados em vários sites.
Participou da antologia 42 Anos da Casa do Poeta Riograndense.
Sou como as águas dos rios,
a natureza me leva ao encontro de algo grandioso...
Talvez uma cachoeira,
queda livre ao sabor do vento,
talvez um túnel,
submerso num mundo ainda não explorado...
Talvez um outro rio,
abrigo das minhas andanças,
talvez ao encontro do mar,
do mar de emoção que há em mim...
ALMA DE POETA
Carrega sonho
em metáforas...
atenta, aos
amores, as partidas,
o som, o silêncio...
o pensamento navega
no subterrâneo
da emoção
magia que pulsa
nas entrelinhas
do que projeta,
e no delírio
da inquietude
está a alma do poeta.
FLORAL
Aroma de Flores...
Jasmim, Cravo, Rosa,
Lírio, Margaridas...
pincelada de paixão!
ao ultrapassar
a fronteira do abraço.
palavras voam
em bandos...
tangido no tecido pele,
o nervo se contrai...
buscando em cada eco
matizado de arco-íris
som de rouxinóis.
amarelo malva
em luz rubra... fogo
brotam girassóis.
PRELÚDIO
Em um dia branco,
alva era a flor
que o perfume trazia
em sulcos profundos...
embriagando sentidos,
rasgando caminhos
enquanto a esperança
gritava...
tecendo novelos do tempo
que queria encontrar
asas pra fugir
do intenso escuro
que em malas guardava
sonhos sem janelas.
MOMENTO
Um sopro de luar
espalhando
aroma de vinho
o corpo acolhido
em brumas de seda,
aflorando desejos...
a espinha trêmula
e o tempo, em sintonia
movendo-se lento
um silêncio terno
sorvendo o sabor
do momento.
NÓS
Olhar vazio,
Devaneio...
Arrebol em movimento
Entrega
Reencontro, alma ligada
Marca de coisas vividas...
Sentidos atentos
Palavra, gesto, olho,
Boca, tudo conhece
Pele grita...
Alma voa!
Ali só a lua
Doce confidente muda.
CHAMA
Queima...Ativa
De corpos,
Fagulha de medo
Boca, saliva solar
Em fusão veloz...
Num forte pulsar
Ao som do poro aberto,
Sol ao longe a
Borrifar luz,
Paixão e desejo
Em pele crua
Cala noite vermelha
Volúpia em sonho...
Sentir...voltar...
Acordar.
MULHER
Anoitece
e na ante-sala do amor.
transborda néctar
frutal...
rosa chá.
alma desnuda,
saindo do prumo
tal fera selvagem,
bastam, os sentidos.
e explode a paixão...
nas arenas do corpo,
caem folhas de outono
e floresce
...mulher
www.almadepoeta.com
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VI PRÊMIO LITERÁRIO LIVRARIA ASABEÇA – 2007
REGULAMENTO
As inscrições terminam em 30 de junho de 2007 e deverão ser feitas somente pela Internet. Ao fazer a inscrição, o autor estará concordando com as regras do prêmio, inclusive autorizando a publicação dos trabalhos em livro pela Scortecci Editora e responderá por plágio, cópia indevida e demais crimes previstos na Lei do Direito Autoral.
A Livraria Asabeça escolherá uma Comissão Julgadora composta de três membros de renomado prestígio literário por categoria, e uma Comissão Organizadora que resolverá os casos omissos deste regulamento, se houver.
O autor poderá participar das duas categorias ao mesmo tempo desde que proceda em conformidade com as normas de cada categoria, inclusive pagando duas taxas de inscrição. Os trabalhos deverão estar em língua portuguesa, o que não impede o uso de termos estrangeiros no texto.
Para cada categoria será cobrada uma taxa de inscrição no valor de R$ 15,00 podendo ser paga através de Boleto Bancário emitido pelo sistema no ato da inscrição ou por Depósito identificado no Banco:
BANCO BRADESCO
agência 2062-1 / c/c nº 17398-3
em nome de João Ricardo Scortecci Paula Editorial
CNPJ 49.313.554/0005-61 (depósito identificado)
ATENÇÃO:
É vetada a participação na Segunda Fase de autores que já receberam o prêmio da publicação seja como Vencedor ou Menção Honrosa, o que não impede a participação na Antologia dos Vencedores do Prêmio Asabeça.
CATEGORIA POESIA
Cada autor deverá inscrever-se obrigatoriamente com dois poemas de no máximo três páginas cada, formato A-4 (210x297), texto digitado em Word, em corpo 12 e fonte Times New Roman. Os poemas devem ter obrigatoriamente um título. Não há necessidade de pseudônimo. Preencher a ficha de inscrição completa que está na home page, anexar as POESIAS e enviar. No ato da inscrição o sistema emitirá automaticamente um boleto bancário com compensação nacional. Se o autor optar por depósito no Banco Bradesco, deverá fazê-lo através de Depósito Identificado ou enviar por fax cópia do comprovante de depósito para: (11) 3031-2298 Atenção: no corpo do fax colocar nome do inscrito, categoria (POESIA) e o título dos poemas.
CATEGORIA CONTO/CRÔNICA
Cada autor deverá inscrever-se obrigatoriamente com dois contos ou crônicas de no máximo cinco páginas cada, formato A-4 (210x297), digitado em Word, em corpo 12 e fonte Times New Roman. Os contos ou crônicas terão que ter obrigatoriamente um título. Não há necessidade de pseudônimo. Preencher a ficha de inscrição completa que está na home do site, anexar os CONTOS ou CRÔNICAS e enviar. No ato da inscrição o sistema emitirá automaticamente um boleto bancário com compensação nacional. Se o autor optar por pagamento em depósito no Banco Bradesco, deverá fazê-lo através de Depósito Identificado ou enviar por fax cópia do comprovante de depósito para: (11) 3031-2298. Atenção: no corpo do fax colocar nome do inscrito, categoria e nome dos CONTOS ou CRÔNICAS.
2ª ETAPA DO CONCURSO
CATEGORIAS POESIA e CONTO/CRÔNICA
Serão selecionados na 1ª Etapa do concurso 15 (quinze) autores por categoria, com base no conjunto do material entregue pelo autor. Na 2ª Etapa, cada autor CLASSIFICADO deverá entregar, no prazo de até 40 (quarenta) dias a contar da data da divulgação oficial (agosto de 2007), os originais de um livro com até 80 páginas, do mesmo gênero literário de sua inscrição, deixando reservado 12 páginas para folhas de abertura, créditos, dedicatória, prefácio, sumário, selo da gráfica, etc.
A Comissão Organizadora orientará individualmente cada autor, ajudando-o, se necessário, na elaboração do boneco para a 2ª Etapa. Os autores que não cumprirem o prazo serão automaticamente desclassificados.
Atenção: Todos os autores classificados na 1ª Etapa, terão seus trabalhos publicados na Antologia do VI Prêmio Literário Livraria Asabeça – 2007, independentemente de estarem participando ou não da 2a. etapa.
RESULTADO FINAL
O resultado final do VI Prêmio Literário Livraria Asabeça-2007, 2ª Etapa, dar-se-á em dezembro de 2007 e será publicado oficialmente no portal Concursos Literários, no site da Livraria Asabeça e sites do Grupo Editorial Scortecci.
PRÊMIOS
1º Lugar Categoria Poesia: Um contrato de edição com a Scortecci Editora de 250 (duzentos e cinqüenta) exemplares (sendo 200 exemplares para comercialização através da Livraria e Loja Virtual Asabeça e 50 exemplares inteiramente grátis para o autor), com até 80 páginas, formato 14 x 20,7 cm, com capa 4 cores (quadricromia) em papel supremo 250 gramas, com orelhas; local para lançamento na Livraria Asabeça; 250 convites e assessoria de imprensa para o evento.
1º Lugar Categoria Conto / Crônica: Um contrato de edição com a Scortecci Editora de 250 (duzentos e cinqüenta) exemplares (sendo 200 exemplares para comercialização através da Livraria e Loja Virtual Asabeça e 50 exemplares inteiramente grátis para o autor), com até 80 páginas, formato 14 x 20,7 cm, com capa 4 cores (quadricromia) em papel supremo 250 gramas, com orelhas; local para lançamento na Livraria Asabeça; 250 convites e assessoria de imprensa para o evento.
A título de Direito Autoral cada autor, de ambas as categorias, receberá 10% (dez por cento) sobre o preço de capa de sua obra comercializada através da Livraria e Loja Virtual Asabeça, pelo prazo de 1 (um) ano ou o término da edição, o que acontecer primeiro. Após o término do contrato o autor poderá adquirir o saldo com desconto de 80% sobre o preço de capa praticado na época. Não havendo interesse por parte do autor os livros serão distribuídos gratuitamente para bibliotecas, escolas públicas e divulgação do próprio Prêmio Asabeça.
Publicação dos trabalhos
1º ao 15º Lugares – Categorias Poesia e Conto/Crônica: classificados na 1a. Etapa do concurso na Antologia do VI Prêmio Literário Livraria Asabeça - 2007. Cada autor receberá 5 (cinco) exemplares da obra a título de Direito Autoral. Após o lançamento da Antologia do VI Prêmio Literário Livraria Asabeça – 2007, os autores participantes poderão adquirir exemplares da obra com 50% de desconto sobre o preço de capa, havendo livros em estoque.
Mais informações:
Fabiola Santos
(11) 3815-4259
asabeca@asabeca.com.br
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VALÉRIA TARELHO
IF
eu te amo
pouco e mundo
eu te amo
segundo e há tempos
amo sim e sem-razão
sensatamente amo não
amo senão quando
quem sabe um dia
então
eis que
de modo algum
eu te amo
entretanto amo:
toda via
tal vez
por tanto
com tudo
e tão
[só mente
se]
VIÚVA NEGRA
para cada boca
que me sorve
sirvo
o mesmo veneno
vario
conforme o beijo
a dose de ar
cênico
INSTINTO
a presa tem pressa
célere passa :
ensimesmada flecha
alvo de si mesma
quando - possessa -
transmuta-se
de presa fácil
a predadora do que caça
poesia
ora é onça
--------->ora poesia
------------------->é corça
morte & mártir
à mercê da máxima
ínfima sentença
sou poeta
por sobre
vivência
METÁSTASE
este êxtase
que me tira
a sanidade
é razoável
mentira
p o e s i a
:
meias-verdades
fraudes quase
com ênfase
nas frases
(pseudo)feitas
febre
que quando não ferve
fibrila
fabrica
o que nem sempre fui
forja o que não foi
sequer idéia
RECICLAGEM
que se lixem
os velhos moldes
causam-me incômodas
náuseas
como a estante
- estorvo patente -
na sala de estar
sustentando "parnasopáginas"
modelos arcaicos
[ móvel mausoléu nobel ]
precisam - urgente -
de uma pátina
À UNHA
uma dose
de minúcia
: cisco asterisco pulga
coisa mínima
que [no mínimo]
coce a vista
belisque a língua
atice o tímpano
: preciso
poema
sem cílios postiços
sem mamão com açúcar
que salte sugue sangre
soe sem ruído
: persigo
ABISMO
seu beijo cabe
- exato -
no meu desatino
se encaixa
nas lacunas
de minha - única -
loucura
boca que
se ajusta
- lânguida -
à minha angústia
[aquela mais habitué
que habita o oco
de seu hálito]
língua que sela
- lábil -
meu apocalipse
lambe gotas
de meus lapsos
[aqueles que grafitam
sua órbita
traçam meu
obituário]
lábios que
me precipitam
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ANA LUÍSA KAMINSKI
Alma amante da Arte...
Apaixonada por letras e cores,
palavras e pincéis... e pela descoberta dos múltiplos matizes da criação (ou infinita re-criação) artística.
Pintora, professora de desenho e pintura, poeta-aprendiz... desejante de vôos e descobertas nesta viagem em espiral que é a arte de viver!...
Cidade natal: Erechim, RS
Ano de nascimento: 1966
Mora atualmente em: Florianópolis, SC
Formação: LETRAS, BELAS ARTES
Paixões: Pintura e Poesia
Site pessoal: www.ancoraseasas.blogspot.com
Poema-ponte-passagem
POEMA: porta-pulsão
palco-porto-paixão
parede-espelho-escudo
violino-violeta-veludo...
POEMA: ponte-passagem
percurso-rumo-viagem
miragem-paisagem-doçura
delírio-vertigem-ventura...
POEMA: poço-fenda
abismo-teia-trama
tecido-rede-renda
fagulha-fogo-chama...
POEMA: pétala-pérola
pólvora-pedra-pluma
ostra-concha-casulo
onda-cascata-espuma...
POEMA: planeta-poeira
estrela-espaço-espasmo
estudo-cometa-espiral
desejo-orgia-orgasmo...
POEMA: gatilho-explosão
seiva-sangue-alquimia
trânsito-luz-infusão
êxtase-paz-epifania...
POEMA: sonho-constructo
devaneio-desenho-invenção
semente-utopia-gérmen
energia-cosmos-tesão...
********
Fios...
Em forma de fios
cintilantes, cristalinos
escorre a seiva vital
por caminhos curvilíneos
vaza em sonhos e sangue
em mel, lágrimas, desejos
percorrendo labirintos
nos corações humanos
entre terras e céus
sóis ou chuvas azuis
fazendo balançar
a leve nau da alma
conduzida por estrelas...
*****
Naus e véus...
...A nau da alma singra...
...a nau da alma sangra...
...a nau da alma sonha...
Entre véus e turbulências, voa
viaja, espalhando poeira e poesia
nas entrelinhas das vidas, vislumbra
ilhas, vulcões, velas, transparências...
*****
Fadas & Feiticeiras
Algumas fadas-fiandeiras tecem véus, sonhos e asas
Enquanto feiticeiras urdem pesadelos
Algumas fadas-feiticeiras pintam flores, paraísos
Enquanto feiticeiras-bruxas despetalam, dissimulam
Algumas fadas fiam luzes azuladas, névoas
Enquanto feiticeiras mancham com fuligens, esfumaçam
Algumas feiticeiras-fadas luzem seus sorrisos
Enquanto bruxas-disfarçadas riem com sarcasmo
Algumas fadas-encantadas bordam borboletas
Enquanto serpentes-feiticeiras armam botes
Algumas fadas-moças parecem ser ingênuas
Enquanto feiticeiras-mascaradas fingem inocência
Algumas fadas-frágeis firmam-se em estrelas
Enquanto feiticeiras-fortes perdem-se em abismos
Algumas fadas-luas lançam mel e poesia
Enquanto feiticeiras-sombras semeiam amarguras
Algumas feiticeiras-fadas cantam afinadas
Enquanto bruxas-feiticeiras dançam desgrenhadas
Algumas fadas criam céus e fantasias
Enquanto bruxas montam alçapões e labirintos
Algumas fadas-magas adornam e embelezam
Enquanto magas-bruxas ocultam suas verrugas
Algumas feiticeiras inventam seus encantos
Enquanto peçonhentas bruxas compõem suas poções
Algumas fadas buscam cor e néctar nas corolas
Enquanto feiticeiras remexem caldeirões
E, entre tantos movimentos e magias,
O tempo-tecelão entrança, emaranha e recorta
Cerze, alinhava, remenda e costura
Desfia, enlaça, borda e desembaraça
Fios e linhas de almas e vidas enoveladas....
+++++++++++
MARILDA CONFORTIN
Analista de sistemas, poeta, cronista e contista. Mora em Curitiba, dois filhos.
Maria e José
- Oi. Você é São Caetano?
- Não. Sou Santa Maria. Meu santo preferido é São Francisco. E o seu?
- Atlético. Não vai me dizer que é Coxa?
- Sou. Branquinha.
- Ah! Que droga. Então porque está com essa blusa azul-são-caetano?
- Não é azul. É verde-coxa.
- Ainda bem que sou míope. Teus olhos são lindos.... verdes.
- Não são verdes! São azuis e você além de míope é daltônico.
- Não sou Daltônico, sou José. Maria e José. Que romântico. Você faz alguma arte, Maria?
- Faço poesia, serve?
- Não era bem isso que eu tava pensando... sou engenheiro, não entendo de abstrato. Só de concreto.
- Eu sou analista de sistemas e também não entendo os computadores. Informática não tem lógica.
- É...Pra quem você torce na primeira divisão?
- Torço pro resultado ser zero. Tenho pena do resto da divisão. Seja ela primeira ou segunda. Ninguém lembra do resto da divisão. Por isso não gosto de divisão nem subtração. Só multiplicação.
- Eu to falando de futebol, sua loira! Estou falando de campeonato. De bola desenhando uma parábola no ar e procurando um par de pernas, digo, traves pra fazer gol.
- Ah... Eu não entendo nada de futebol e a única parábola que conheço é a do filho pródigo. Porque você me abordou?
- Pra me livrar do cara aqui do lado. Ele é um saco.
- Humm... precisava ser salvo pelo gongo.
- Isso! Por um gongo azul.
- Tinha um gongo no meio do caminho. No meio do caminho tinha um gongo. Lembra desse poema?
- Era um gongo? Pensei que fosse uma pedra. Você tem algum poema publicado?
- Tenho.
- Sério? Você tem um poema publicado?
- Um não. Vários livros. Quer um?
- Agora fiquei nervoso. E quando fico nervoso preciso mijar. Não saia daqui! Nunca conheci uma poetisa... péra aí tá?
E ele foi mijar. Bar da Brahma cheio. Minhas amigas ao lado, mini-saia, bronzeadas, lindas, solteiras e nenhum cristo para dar uma cantada nelas. Eu, recém descasada, cansada, torrada, com uma blusa azul emprestada e um cara pedindo para eu esperar enquanto ele mijava. Pode? Só quero ir pra minha caminha. Sozinha. Tem barulho de trem na cabeça, disse Cinthia. Tem mesmo, confirmou Celita, a dona da blusa azul que eu usava. Pedi uma skol. Não tem. Então me dá uma coca-cola para curar o porre, falei. E o garçom ficou me olhando com aquela cara de ponto de interrogação. Qualé? Apontou a placa com o nome do bar. Não entendi. Ele falou bem baixinho no meu ouvido “a senhora está no bar da Brahma”. É? E daí? È proibido beber skol? Indignado ele disse que só tinha pepsi. Não quero pepsi. Me dá um guaraná antarctica ou uma água tônica. Ficou mais brabo ainda e não me trouxe mais nada. Garçom bobo. E o tal engenheiro voltou.
- Fez xixi?
- Não. Mijei mesmo. Nossa senhora, que pernas!
- Pare de olhar pras pernas das minhas amigas, seu tarado!
- Tira os teus peitos do caminho que eu quero passar com a minha dor... lembra dessa música?
- Lembro. Mas não era peito, era sorriso. Vamos falar de engenharia. Eu gosto de teodolito e papel vegetal. E você?
- Teodolito?
- É divino. Nunca comeu? Mistura de Teo com Pirulito. Um deus pirulito embrulhado numa folha de papel vegetal transparente. Papel vegetal é a salada preferida dos engenheiros vegetarianos, né?
- Você é uma loira louca!
- E você é engraçado.
- Tá me chamando de palhaço? Sou engenheiro. E dos bons. Na última palestra, abri a apresentação com uma foto da Pedra da Gávea para mostrar o que é uma verdadeira obra de arte. Fui aplaudido. Sempre passo um pouco de filosofia e poesia para essa garotada.
- Isso é bom. Você é bom. Desculpe. Eu mostrei as Cidades Invisíveis, do Calvino e citei Leminski na última apresentação.
- Eu li Calvino. E li Leminski. Mas não entendi nada do que ele disse.
- Eu entendi. Tomei umas vodcas com ele.
- Porra... Quem é você? Tomou vodca com o Leminski?
- Tomei.
- Mas ele está morto! Você é fantasma?
- Calma. Estou viva ainda. Mas amanhã vou morrer. Você vai dizer que eu era boa?
- Não sei. Ainda não comi você. Tenho cara de tio?
- Tem. Porquê?
- Porque eu já sou avô. Nasceu ontem.
- Parabéns, vovô!
- É uma coisinha tão bonitinha, uma bolinha enroladinha...
- Que linda! Você deve estar feliz com a netinha.
- To... to muito feliz por ter que sustentar mais um. Eu quero é pegar aquela bolinha de meia, enroladinha em cueiros e fazer embaixadinha com ela no corredor da maternidade e chutar pro gol. Gooooool! Já pensou? Uma bolinha viva saindo pela janela procurando o gol? Uma bola de gente, inteligente. Atlético! Conhecemos seu valor.
- Fanático. Pare com isso. É tua neta.
- É neto. Macho! Duas bolas. Eu tenho três filhas e uma mulher. Não me deixaram chutar a bolinha. Disseram que ia quebrar os vidros do berçário.
- Três mulheres e um neto... era o que me faltava. Você disse que era separado.
- E sou. Durmo na sala.
- Briguinha a toa, não dói.
- A única dor que sinto é nas costas. Faz um ano que durmo no sofá que tem uma mola quebrada.
- E um parafuso solto. Por falar nisso, to com sono.
- Eu também. Vamos dormir?
- Vamos.
E fomos dormir. Literalmente. Cada um no seu sofá. Esperava o quê de uma história de Maria e José acontecida num bar no princípio do século XXI? Que ao invés de neto, nascesse um jesuscristinho que perdoasse todos os nossos pecados e nos devolvesse a juventude e o paraíso? Cai na real, Zé!
E foram infelizes para sempre.
++++++
30 de Abril de 1994 – M.L.C. Nº 147.
*BASE & ADO – Porto Velho, RO – Entrevista. ( Por SELMO VASCONCELLOS & JOSÉ AILTON FERREIRA “BAHIA” ).
Saber onde essa dupla está e descobrir o que anda fazendo é tarefa que nem mil Sherlock Holmes conseguiriam terminar. Mas para nossa surpresa, dias desses toca o telefone ( ligação internacional ! ) e os caras acharam por bem confabular sobre suas “armações políticas” em Rondônia, ainda no presente ano. Confiram a seguir.
??? – ALÔ ! ALÔ !! ALÔ !!!
M.L.C. – Abra o jogo cara, quem é você e o que deseja ?
??? – Vocês não ! Vocês !
M.L.C. – Sim. Quem são vocês ?
??? – A dupla Base & Ado.
M.L.C. – Ah sim, sabemos ! Mas, uma hora dessa ? Duas da madrugada ? è demais !
ADO – Não interessa, é problema do fuso e a saudade pintou, pronto !
M.L.C. – Qual a de vocês e onde estão ?
BASE – Não é da conta de vocês. Vocês são da INTERPOL ?
M.L.C. – Claro que não, somos daqui !
M.L.C. – O que vocês querem mesmo a essa hora ?
ADO – Saber alguns lances daí.
M.L.C. – Aqui, tudo na mesma. É ano político e os muros e postes estão uma merda. Quase todos emporcalhados com os nomes de candidatos a... São os mesmos de sempre, arrotando as mesmas demagogias ácidas e baratas.
BASE – Vamos entrar nessa !
M.L.C. – O que ?
ADO – é isso mesmo. Vamos entrar na política em Rondônia.
M.L.C. – Porra ! Vocês piraram ? Não estacionam aqui !
BASE – Estamos lúcidos ó idiotas ! É que o amigo Múcio nos deu uma dica e vamos entrar com tudo e prometemos desbancar alguns figurões e ganhar votos dos babacas... numa campanha à distância !
M.L.C – E se forem eleitos ?
ADO – Nos escafederemos de novo !
BASE – O que não falta na gente é lábia ah! ah! ah ! ( risos sarcásticos ).
M.L.C. – Vocês são dois sacanas caras ! Vão fazer campanha via satélite ?
ADO – Bem melhor do que uma campanha corpo-a-corpo. Detestamos cheiro de povo e além do mais pode pintar uma bala piroca em direção ao nosso palanque !
BASE – Não está em nossos planos nos transformamos em defuntos Já.
M.L.C. – Por que vocês não param por aqui, pelo menos até outubro e depois...
ADO – Vocês são surdos ?
BASE – Já falamos. Temos alergia ao povão otário. Nosso modo de vida pede algo além !
M.L.C. – Certa vez vocês se auto definiram anarquistas e agora, entram na marca do pênalti da política. Não está havendo uma controvérsia nisso ?
ADO – Não, porque queremos fazer um gol de placa.
BASE – Após lermos jornais com notícias sobre o Brasil, decidimos pela Política.
ADO – A melhor forma de se perceber que o Brasil é uma zorra, é mirando-o de fora, através dos noticiários, sempre irônicos a respeito da “pátria amarga”.
M.L.C. – Sabatina : Responda rápido o que é Política Brasileira ?
BASE – A Política Brasileira é o meio mais rentável para se dar bem a curtíssimo prazo e fica melhor quando sabemos que nossos conterrâneos como bigorna gostam de levar marretadas e vibram felizes quando a seleção faz um gol. Há povo mais idiota que esse ?
ADO – E estão falando aqui, dois sujeitos que já percorreram 93 países em todos os continentes !
M.L.C. – Pô ! Vamos devagar ! Vocês não estão deixando a gente falar, perguntar...
ADO – Não gritem conosco não ó esclerosado!
BASE – Ah, não leve o ADO a sério é que ele está puto, por se deparar com um desses patrícios trajado com a camisa do Flamengo e gritando. Dá-lhe Romário. Você é o número 1 Bebeto ! Isso aconteceu ontem à noite, diante da Embaixada Brasileira, onde todo dia é feriado ou “ponto facultativo”.
M.L.C. – Após eleitos, de que forma vocês vão trabalhar ?
BASE – Trabalhar ? Paciência meu. Queremos é encher os bolsos e só isso !
ADO – E nada de depositar a grana fácil em frágeis bancos brasileiros.
M.L.C. – Na Suíça ?
BASE – Não otários ! Em suas casas ! ( risos estridentes ).
M.L.C. – Pelo que sabemos, vocês correm mundo sem documentos ( inclusive, o título de eleitor ). Como querem galgar os degraus da política sem serem cidadãos ?
BASE – Caras ! Vocês juntos somam quase cem anos de vida e mesmo assim, percebo que nunca decolaram da fase infantil da malandragem. Estou decepcionado com vocês.
ADO – O que é que não se consegue no Brasil com um doce papo e uma salgada propina. Hein seus F.D.P.
BASE – Eu tenho um título : sou o maior driblador de autoridades das Américas.
M.L.C. – Onde vocês nasceram ?
BASE – no vento !
ADO – Num certo ponto do universo chamado Terra ( É esse mesmo o nome ? )...
M.L.C. – Que conselho você dão aqueles que perderam o tesão de votar ?
BASE – Ejacular iras ardentes em urnas latejantes.
ADO – Um título vibratório ! Adquiram-no e votem na gente !
M.L.C. – Vocês vivem de que ?
BASE & ADO – Só respondemos mediante pagamento da Moeda forte... Agora !
M.L.C. – Estamos na pindaíba... ALÔ ! ALÔ !! ALÔ !!! P.Q.P. DESLIGARAM !
JOANYR DE OLIVEIRA
Nasceu em Aimorés, aos 6 de dezembro de 1933. Desde cedo demonstrou pendores para a literatura e o jornalismo. Na cidade natal, aos 15 anos já produzia programas na incipiente Rádio Aimorés. Estudou na Escola Teixeira Soares (destinada aos filhos dos ferroviários da EFVM), terminando o “curso primário” no Grupo Escolar Machado de Assis. Em 1944, escreve seus primeiros poemas, sob influência da professora itabirana Maria Martins de Carvalho. Nessa época (1945) publica seus primeiros versos, no “Jornal do Povo”, de Belo Horizonte. No Ginásio Pan Americano de Aimorés, estuda até a 3ª série ginasial.
Transfere-se com a família para Vitória, em 1949. Na capital espírito-santense, inicia-se no jornalismo (“Folha Capixaba”) e, com artigos sobre folclore e literatura, colabora em “A Gazeta”, ainda hoje o mais importante diário do Estado. Procedente do Rio de Janeiro, onde trabalhava em uma pequena editora (nela fundou e secretariou uma revista chamada “A Seara”), chegou a Brasília em 1960, após aprovação em concurso público para Revisor do Departamento de Imprensa Nacional. No DF, foi cronista na Rádio MEC, ao lado de Alphonsus de Guimaraens Filho, Clemente Luz e Afonso Henriques de Guimarães. Manteve colunas literárias no “DC – Brasília” (edição brasiliense do “Diário Carioca”) e no “Correio Braziliense”. Organizou a primeira obra literária editada no DF (Poetas de Brasília, 1962) e outras obras no gênero, além de ter publicado outros livros de contos e poemas, no Brasil e no exterior. Iniciou o curso de Letras Brasileiras, na UnB (primeira turma, 1962) e cursou Direito na UDF. Candidato a Deputado Constituinte, não se elegeu por problemas de legenda, porém foi o mais votado de sua coligação (cerca de 9.500 votos). Ingressou na Câmara dos Deputados, por concurso, em 1963. Aposentado em 1988, transferiu-se para o exterior (Estados Unidos), onde viveu durante 6 anos na Grande Boston, em Hartford (CT) e no Sul da Califórnia (Santa Ana, Garden Grove e Anaheim).
Retornou ao Brasil em julho de 1994, dando prosseguimento à sua carreira literária, com a publicação de novos livros e a participação em entidades culturais (Associação Nacional de Escritores, Academia de Letras do Brasil, Academia de Letras de Brasília, Instituto Histórico e Geográfico do DF e outras). Participa de várias antologias (poemas, contos, crônicas) e outras publicações, no exterior: Argentina, Canadá, Espanha, EUA, França, Índia, Itália e Portugal. Residiu em Vitória, Rio, São Paulo, Goiânia e cidades do interior goiano (Goiânia, Luziânia e Iporá).
Joanyr de Oliveira é detentor de mais de trinta destaques em concursos literários.
Poesia extraída do livro Raízes do Ser – Poemas para Aimorés
Prêmio “Oficina do Autor” ( Funarte ), 1999
Thesaurus Editora, Brasília, DF, 2007.
As Raízes do Ser
Sigo assim
por trazer
nos meandros de mim,
nas raízes do ser.
As mitologias
da Pedra Lorena,
de esquálido rosto
ancorado no tempo.
O corpo do rio
em seixas macerado.
( Rio Doce, mui doce,
a caminho do sal.)
As areias e micas
sob a infância lépida
a amoldar-se à beleza
invisível dos pés.
A aspereza paterna
de orfandade feita,
de aguçadas pontas
incrustadas no peito.
Sufocados, tênues,
o sorriso no ar
e a voz singeleza
de Idalina Soares.
Flutuantes nas copas,
gestos bons, fraternais
na riqueza do verde
dos coqueirais.
As redes matutinas
e os anzóis, sob o azul,
estendidos na pele
do Manhuaçu.
O minério de ferro
( pétreo sangue de Minas )
nas serpentes de aço
escoando ao Sem-fim.
Os extintos nas guerras
dos partidos feridos
no fervor das idéias
e das cegas retinas.
As bandeiras ocultas,
imprecisas e imensas;
os castelos de insônias
que me espraiam nos ventos.
++++++++++
UNIÃO BRASILEIRA DE ESCRITORES / RJ
Nova diretoria da União Brasileira de Escritores/RJ eleita em 20 de abril de 2007, tendo como presidente o escritor Edir Meirelles
C H A P A R E N O V A Ç Ã O
DIRETORIA DA UBE – 2007/08
Presidente EDIR MEIRELLES
1º Vice-Presidente ANTÔNIO OLINTO
2º Vice-Presidente ANNA GUASQUE
3º Vice-Presidente MARILU FLYGARE
Secretária Geral STELLA LEONARDOS
1º Secretário ANDERSON FIGUEIREDO BRANDÃO
2º Secretário MARGARIDA FINKEL
3ª Secretário LUIZ GONDIM
1ª Tesoureiro WANDA BRAUER
2ª Tesoureiro YEDA OCTAVIANO
Diret. de Assuntos Jurídicos JOÃO BATISTA PEREIRA DE CARVALHO
Consult. Ass. Internacionais LÚCIA GOMES POGGI DE ARAGÃO
Diretor de Concursos MARIA ANTONIA DA COSTA LOBO
Diretor de Cultura TERESA CRISTINA MEIRELES DE OLIVEIRA
Diretor Social SÉRGIO GERÔNIMO DELGADO
Diretor de Comunicação GERDAL RENNER DOS SANTOS
Diretor de Biblioteca LYGIA MALAGUTI WEGLINSKI
Diretor de Patrimônio WANDA FABIAN
Diretor de Museu JUJU CAMPBELL
CONSELHO FISCAL
GILBERTO MENDONÇA TELES
HELENA FERREIRA
HELENA PARENTE CUNHA
SUPLENTES
ANA HELENA RIBEIRO SOARES
OLYMPIO H. MONAT DA FONSECA
LAURA ESTEVES
CONSELHO CONSULTIVO
ANA MARIA BRAGANÇA
CEILA FERREIRA
MARIA HELENA KÜHNER
TOBIAS PINHEIRO
ASTRID CABRAL
ELIANE MARIATH DANTAS
SÍLVIA JACINTO
SUPLENTES
DORÉE CAMARGO
MARIA HELENA ALVARENGA
MARIA LÚCIA AMARAL
TELÊNIA HILL
MARIA DO CARMO G. DE OLIVEIRA
MARIA JOSÉ DE QUEIROZ
NAUMIM AIZEN
++++++++++++++++
CLÁUDIA GONÇALVES
É gaúcha, mora em Porto Alegre.
É consultora de moda, poetisa e alto astral.
Tem poemas publicados em vários sites.
Participou da antologia 42 Anos da Casa do Poeta Riograndense.
Sou como as águas dos rios,
a natureza me leva ao encontro de algo grandioso...
Talvez uma cachoeira,
queda livre ao sabor do vento,
talvez um túnel,
submerso num mundo ainda não explorado...
Talvez um outro rio,
abrigo das minhas andanças,
talvez ao encontro do mar,
do mar de emoção que há em mim...
ALMA DE POETA
Carrega sonho
em metáforas...
atenta, aos
amores, as partidas,
o som, o silêncio...
o pensamento navega
no subterrâneo
da emoção
magia que pulsa
nas entrelinhas
do que projeta,
e no delírio
da inquietude
está a alma do poeta.
FLORAL
Aroma de Flores...
Jasmim, Cravo, Rosa,
Lírio, Margaridas...
pincelada de paixão!
ao ultrapassar
a fronteira do abraço.
palavras voam
em bandos...
tangido no tecido pele,
o nervo se contrai...
buscando em cada eco
matizado de arco-íris
som de rouxinóis.
amarelo malva
em luz rubra... fogo
brotam girassóis.
PRELÚDIO
Em um dia branco,
alva era a flor
que o perfume trazia
em sulcos profundos...
embriagando sentidos,
rasgando caminhos
enquanto a esperança
gritava...
tecendo novelos do tempo
que queria encontrar
asas pra fugir
do intenso escuro
que em malas guardava
sonhos sem janelas.
MOMENTO
Um sopro de luar
espalhando
aroma de vinho
o corpo acolhido
em brumas de seda,
aflorando desejos...
a espinha trêmula
e o tempo, em sintonia
movendo-se lento
um silêncio terno
sorvendo o sabor
do momento.
NÓS
Olhar vazio,
Devaneio...
Arrebol em movimento
Entrega
Reencontro, alma ligada
Marca de coisas vividas...
Sentidos atentos
Palavra, gesto, olho,
Boca, tudo conhece
Pele grita...
Alma voa!
Ali só a lua
Doce confidente muda.
CHAMA
Queima...Ativa
De corpos,
Fagulha de medo
Boca, saliva solar
Em fusão veloz...
Num forte pulsar
Ao som do poro aberto,
Sol ao longe a
Borrifar luz,
Paixão e desejo
Em pele crua
Cala noite vermelha
Volúpia em sonho...
Sentir...voltar...
Acordar.
MULHER
Anoitece
e na ante-sala do amor.
transborda néctar
frutal...
rosa chá.
alma desnuda,
saindo do prumo
tal fera selvagem,
bastam, os sentidos.
e explode a paixão...
nas arenas do corpo,
caem folhas de outono
e floresce
...mulher
www.almadepoeta.com
++++++++++++++++++
VI PRÊMIO LITERÁRIO LIVRARIA ASABEÇA – 2007
REGULAMENTO
As inscrições terminam em 30 de junho de 2007 e deverão ser feitas somente pela Internet. Ao fazer a inscrição, o autor estará concordando com as regras do prêmio, inclusive autorizando a publicação dos trabalhos em livro pela Scortecci Editora e responderá por plágio, cópia indevida e demais crimes previstos na Lei do Direito Autoral.
A Livraria Asabeça escolherá uma Comissão Julgadora composta de três membros de renomado prestígio literário por categoria, e uma Comissão Organizadora que resolverá os casos omissos deste regulamento, se houver.
O autor poderá participar das duas categorias ao mesmo tempo desde que proceda em conformidade com as normas de cada categoria, inclusive pagando duas taxas de inscrição. Os trabalhos deverão estar em língua portuguesa, o que não impede o uso de termos estrangeiros no texto.
Para cada categoria será cobrada uma taxa de inscrição no valor de R$ 15,00 podendo ser paga através de Boleto Bancário emitido pelo sistema no ato da inscrição ou por Depósito identificado no Banco:
BANCO BRADESCO
agência 2062-1 / c/c nº 17398-3
em nome de João Ricardo Scortecci Paula Editorial
CNPJ 49.313.554/0005-61 (depósito identificado)
ATENÇÃO:
É vetada a participação na Segunda Fase de autores que já receberam o prêmio da publicação seja como Vencedor ou Menção Honrosa, o que não impede a participação na Antologia dos Vencedores do Prêmio Asabeça.
CATEGORIA POESIA
Cada autor deverá inscrever-se obrigatoriamente com dois poemas de no máximo três páginas cada, formato A-4 (210x297), texto digitado em Word, em corpo 12 e fonte Times New Roman. Os poemas devem ter obrigatoriamente um título. Não há necessidade de pseudônimo. Preencher a ficha de inscrição completa que está na home page, anexar as POESIAS e enviar. No ato da inscrição o sistema emitirá automaticamente um boleto bancário com compensação nacional. Se o autor optar por depósito no Banco Bradesco, deverá fazê-lo através de Depósito Identificado ou enviar por fax cópia do comprovante de depósito para: (11) 3031-2298 Atenção: no corpo do fax colocar nome do inscrito, categoria (POESIA) e o título dos poemas.
CATEGORIA CONTO/CRÔNICA
Cada autor deverá inscrever-se obrigatoriamente com dois contos ou crônicas de no máximo cinco páginas cada, formato A-4 (210x297), digitado em Word, em corpo 12 e fonte Times New Roman. Os contos ou crônicas terão que ter obrigatoriamente um título. Não há necessidade de pseudônimo. Preencher a ficha de inscrição completa que está na home do site, anexar os CONTOS ou CRÔNICAS e enviar. No ato da inscrição o sistema emitirá automaticamente um boleto bancário com compensação nacional. Se o autor optar por pagamento em depósito no Banco Bradesco, deverá fazê-lo através de Depósito Identificado ou enviar por fax cópia do comprovante de depósito para: (11) 3031-2298. Atenção: no corpo do fax colocar nome do inscrito, categoria e nome dos CONTOS ou CRÔNICAS.
2ª ETAPA DO CONCURSO
CATEGORIAS POESIA e CONTO/CRÔNICA
Serão selecionados na 1ª Etapa do concurso 15 (quinze) autores por categoria, com base no conjunto do material entregue pelo autor. Na 2ª Etapa, cada autor CLASSIFICADO deverá entregar, no prazo de até 40 (quarenta) dias a contar da data da divulgação oficial (agosto de 2007), os originais de um livro com até 80 páginas, do mesmo gênero literário de sua inscrição, deixando reservado 12 páginas para folhas de abertura, créditos, dedicatória, prefácio, sumário, selo da gráfica, etc.
A Comissão Organizadora orientará individualmente cada autor, ajudando-o, se necessário, na elaboração do boneco para a 2ª Etapa. Os autores que não cumprirem o prazo serão automaticamente desclassificados.
Atenção: Todos os autores classificados na 1ª Etapa, terão seus trabalhos publicados na Antologia do VI Prêmio Literário Livraria Asabeça – 2007, independentemente de estarem participando ou não da 2a. etapa.
RESULTADO FINAL
O resultado final do VI Prêmio Literário Livraria Asabeça-2007, 2ª Etapa, dar-se-á em dezembro de 2007 e será publicado oficialmente no portal Concursos Literários, no site da Livraria Asabeça e sites do Grupo Editorial Scortecci.
PRÊMIOS
1º Lugar Categoria Poesia: Um contrato de edição com a Scortecci Editora de 250 (duzentos e cinqüenta) exemplares (sendo 200 exemplares para comercialização através da Livraria e Loja Virtual Asabeça e 50 exemplares inteiramente grátis para o autor), com até 80 páginas, formato 14 x 20,7 cm, com capa 4 cores (quadricromia) em papel supremo 250 gramas, com orelhas; local para lançamento na Livraria Asabeça; 250 convites e assessoria de imprensa para o evento.
1º Lugar Categoria Conto / Crônica: Um contrato de edição com a Scortecci Editora de 250 (duzentos e cinqüenta) exemplares (sendo 200 exemplares para comercialização através da Livraria e Loja Virtual Asabeça e 50 exemplares inteiramente grátis para o autor), com até 80 páginas, formato 14 x 20,7 cm, com capa 4 cores (quadricromia) em papel supremo 250 gramas, com orelhas; local para lançamento na Livraria Asabeça; 250 convites e assessoria de imprensa para o evento.
A título de Direito Autoral cada autor, de ambas as categorias, receberá 10% (dez por cento) sobre o preço de capa de sua obra comercializada através da Livraria e Loja Virtual Asabeça, pelo prazo de 1 (um) ano ou o término da edição, o que acontecer primeiro. Após o término do contrato o autor poderá adquirir o saldo com desconto de 80% sobre o preço de capa praticado na época. Não havendo interesse por parte do autor os livros serão distribuídos gratuitamente para bibliotecas, escolas públicas e divulgação do próprio Prêmio Asabeça.
Publicação dos trabalhos
1º ao 15º Lugares – Categorias Poesia e Conto/Crônica: classificados na 1a. Etapa do concurso na Antologia do VI Prêmio Literário Livraria Asabeça - 2007. Cada autor receberá 5 (cinco) exemplares da obra a título de Direito Autoral. Após o lançamento da Antologia do VI Prêmio Literário Livraria Asabeça – 2007, os autores participantes poderão adquirir exemplares da obra com 50% de desconto sobre o preço de capa, havendo livros em estoque.
Mais informações:
Fabiola Santos
(11) 3815-4259
asabeca@asabeca.com.br
++++++++++++++++
VALÉRIA TARELHO
IF
eu te amo
pouco e mundo
eu te amo
segundo e há tempos
amo sim e sem-razão
sensatamente amo não
amo senão quando
quem sabe um dia
então
eis que
de modo algum
eu te amo
entretanto amo:
toda via
tal vez
por tanto
com tudo
e tão
[só mente
se]
VIÚVA NEGRA
para cada boca
que me sorve
sirvo
o mesmo veneno
vario
conforme o beijo
a dose de ar
cênico
INSTINTO
a presa tem pressa
célere passa :
ensimesmada flecha
alvo de si mesma
quando - possessa -
transmuta-se
de presa fácil
a predadora do que caça
poesia
ora é onça
--------->ora poesia
------------------->é corça
morte & mártir
à mercê da máxima
ínfima sentença
sou poeta
por sobre
vivência
METÁSTASE
este êxtase
que me tira
a sanidade
é razoável
mentira
p o e s i a
:
meias-verdades
fraudes quase
com ênfase
nas frases
(pseudo)feitas
febre
que quando não ferve
fibrila
fabrica
o que nem sempre fui
forja o que não foi
sequer idéia
RECICLAGEM
que se lixem
os velhos moldes
causam-me incômodas
náuseas
como a estante
- estorvo patente -
na sala de estar
sustentando "parnasopáginas"
modelos arcaicos
[ móvel mausoléu nobel ]
precisam - urgente -
de uma pátina
À UNHA
uma dose
de minúcia
: cisco asterisco pulga
coisa mínima
que [no mínimo]
coce a vista
belisque a língua
atice o tímpano
: preciso
poema
sem cílios postiços
sem mamão com açúcar
que salte sugue sangre
soe sem ruído
: persigo
ABISMO
seu beijo cabe
- exato -
no meu desatino
se encaixa
nas lacunas
de minha - única -
loucura
boca que
se ajusta
- lânguida -
à minha angústia
[aquela mais habitué
que habita o oco
de seu hálito]
língua que sela
- lábil -
meu apocalipse
lambe gotas
de meus lapsos
[aqueles que grafitam
sua órbita
traçam meu
obituário]
lábios que
me precipitam
++++++++++++++++++++
ANA LUÍSA KAMINSKI
Alma amante da Arte...
Apaixonada por letras e cores,
palavras e pincéis... e pela descoberta dos múltiplos matizes da criação (ou infinita re-criação) artística.
Pintora, professora de desenho e pintura, poeta-aprendiz... desejante de vôos e descobertas nesta viagem em espiral que é a arte de viver!...
Cidade natal: Erechim, RS
Ano de nascimento: 1966
Mora atualmente em: Florianópolis, SC
Formação: LETRAS, BELAS ARTES
Paixões: Pintura e Poesia
Site pessoal: www.ancoraseasas.blogspot.com
Poema-ponte-passagem
POEMA: porta-pulsão
palco-porto-paixão
parede-espelho-escudo
violino-violeta-veludo...
POEMA: ponte-passagem
percurso-rumo-viagem
miragem-paisagem-doçura
delírio-vertigem-ventura...
POEMA: poço-fenda
abismo-teia-trama
tecido-rede-renda
fagulha-fogo-chama...
POEMA: pétala-pérola
pólvora-pedra-pluma
ostra-concha-casulo
onda-cascata-espuma...
POEMA: planeta-poeira
estrela-espaço-espasmo
estudo-cometa-espiral
desejo-orgia-orgasmo...
POEMA: gatilho-explosão
seiva-sangue-alquimia
trânsito-luz-infusão
êxtase-paz-epifania...
POEMA: sonho-constructo
devaneio-desenho-invenção
semente-utopia-gérmen
energia-cosmos-tesão...
********
Fios...
Em forma de fios
cintilantes, cristalinos
escorre a seiva vital
por caminhos curvilíneos
vaza em sonhos e sangue
em mel, lágrimas, desejos
percorrendo labirintos
nos corações humanos
entre terras e céus
sóis ou chuvas azuis
fazendo balançar
a leve nau da alma
conduzida por estrelas...
*****
Naus e véus...
...A nau da alma singra...
...a nau da alma sangra...
...a nau da alma sonha...
Entre véus e turbulências, voa
viaja, espalhando poeira e poesia
nas entrelinhas das vidas, vislumbra
ilhas, vulcões, velas, transparências...
*****
Fadas & Feiticeiras
Algumas fadas-fiandeiras tecem véus, sonhos e asas
Enquanto feiticeiras urdem pesadelos
Algumas fadas-feiticeiras pintam flores, paraísos
Enquanto feiticeiras-bruxas despetalam, dissimulam
Algumas fadas fiam luzes azuladas, névoas
Enquanto feiticeiras mancham com fuligens, esfumaçam
Algumas feiticeiras-fadas luzem seus sorrisos
Enquanto bruxas-disfarçadas riem com sarcasmo
Algumas fadas-encantadas bordam borboletas
Enquanto serpentes-feiticeiras armam botes
Algumas fadas-moças parecem ser ingênuas
Enquanto feiticeiras-mascaradas fingem inocência
Algumas fadas-frágeis firmam-se em estrelas
Enquanto feiticeiras-fortes perdem-se em abismos
Algumas fadas-luas lançam mel e poesia
Enquanto feiticeiras-sombras semeiam amarguras
Algumas feiticeiras-fadas cantam afinadas
Enquanto bruxas-feiticeiras dançam desgrenhadas
Algumas fadas criam céus e fantasias
Enquanto bruxas montam alçapões e labirintos
Algumas fadas-magas adornam e embelezam
Enquanto magas-bruxas ocultam suas verrugas
Algumas feiticeiras inventam seus encantos
Enquanto peçonhentas bruxas compõem suas poções
Algumas fadas buscam cor e néctar nas corolas
Enquanto feiticeiras remexem caldeirões
E, entre tantos movimentos e magias,
O tempo-tecelão entrança, emaranha e recorta
Cerze, alinhava, remenda e costura
Desfia, enlaça, borda e desembaraça
Fios e linhas de almas e vidas enoveladas....
+++++++++++
MARILDA CONFORTIN
Analista de sistemas, poeta, cronista e contista. Mora em Curitiba, dois filhos.
Maria e José
- Oi. Você é São Caetano?
- Não. Sou Santa Maria. Meu santo preferido é São Francisco. E o seu?
- Atlético. Não vai me dizer que é Coxa?
- Sou. Branquinha.
- Ah! Que droga. Então porque está com essa blusa azul-são-caetano?
- Não é azul. É verde-coxa.
- Ainda bem que sou míope. Teus olhos são lindos.... verdes.
- Não são verdes! São azuis e você além de míope é daltônico.
- Não sou Daltônico, sou José. Maria e José. Que romântico. Você faz alguma arte, Maria?
- Faço poesia, serve?
- Não era bem isso que eu tava pensando... sou engenheiro, não entendo de abstrato. Só de concreto.
- Eu sou analista de sistemas e também não entendo os computadores. Informática não tem lógica.
- É...Pra quem você torce na primeira divisão?
- Torço pro resultado ser zero. Tenho pena do resto da divisão. Seja ela primeira ou segunda. Ninguém lembra do resto da divisão. Por isso não gosto de divisão nem subtração. Só multiplicação.
- Eu to falando de futebol, sua loira! Estou falando de campeonato. De bola desenhando uma parábola no ar e procurando um par de pernas, digo, traves pra fazer gol.
- Ah... Eu não entendo nada de futebol e a única parábola que conheço é a do filho pródigo. Porque você me abordou?
- Pra me livrar do cara aqui do lado. Ele é um saco.
- Humm... precisava ser salvo pelo gongo.
- Isso! Por um gongo azul.
- Tinha um gongo no meio do caminho. No meio do caminho tinha um gongo. Lembra desse poema?
- Era um gongo? Pensei que fosse uma pedra. Você tem algum poema publicado?
- Tenho.
- Sério? Você tem um poema publicado?
- Um não. Vários livros. Quer um?
- Agora fiquei nervoso. E quando fico nervoso preciso mijar. Não saia daqui! Nunca conheci uma poetisa... péra aí tá?
E ele foi mijar. Bar da Brahma cheio. Minhas amigas ao lado, mini-saia, bronzeadas, lindas, solteiras e nenhum cristo para dar uma cantada nelas. Eu, recém descasada, cansada, torrada, com uma blusa azul emprestada e um cara pedindo para eu esperar enquanto ele mijava. Pode? Só quero ir pra minha caminha. Sozinha. Tem barulho de trem na cabeça, disse Cinthia. Tem mesmo, confirmou Celita, a dona da blusa azul que eu usava. Pedi uma skol. Não tem. Então me dá uma coca-cola para curar o porre, falei. E o garçom ficou me olhando com aquela cara de ponto de interrogação. Qualé? Apontou a placa com o nome do bar. Não entendi. Ele falou bem baixinho no meu ouvido “a senhora está no bar da Brahma”. É? E daí? È proibido beber skol? Indignado ele disse que só tinha pepsi. Não quero pepsi. Me dá um guaraná antarctica ou uma água tônica. Ficou mais brabo ainda e não me trouxe mais nada. Garçom bobo. E o tal engenheiro voltou.
- Fez xixi?
- Não. Mijei mesmo. Nossa senhora, que pernas!
- Pare de olhar pras pernas das minhas amigas, seu tarado!
- Tira os teus peitos do caminho que eu quero passar com a minha dor... lembra dessa música?
- Lembro. Mas não era peito, era sorriso. Vamos falar de engenharia. Eu gosto de teodolito e papel vegetal. E você?
- Teodolito?
- É divino. Nunca comeu? Mistura de Teo com Pirulito. Um deus pirulito embrulhado numa folha de papel vegetal transparente. Papel vegetal é a salada preferida dos engenheiros vegetarianos, né?
- Você é uma loira louca!
- E você é engraçado.
- Tá me chamando de palhaço? Sou engenheiro. E dos bons. Na última palestra, abri a apresentação com uma foto da Pedra da Gávea para mostrar o que é uma verdadeira obra de arte. Fui aplaudido. Sempre passo um pouco de filosofia e poesia para essa garotada.
- Isso é bom. Você é bom. Desculpe. Eu mostrei as Cidades Invisíveis, do Calvino e citei Leminski na última apresentação.
- Eu li Calvino. E li Leminski. Mas não entendi nada do que ele disse.
- Eu entendi. Tomei umas vodcas com ele.
- Porra... Quem é você? Tomou vodca com o Leminski?
- Tomei.
- Mas ele está morto! Você é fantasma?
- Calma. Estou viva ainda. Mas amanhã vou morrer. Você vai dizer que eu era boa?
- Não sei. Ainda não comi você. Tenho cara de tio?
- Tem. Porquê?
- Porque eu já sou avô. Nasceu ontem.
- Parabéns, vovô!
- É uma coisinha tão bonitinha, uma bolinha enroladinha...
- Que linda! Você deve estar feliz com a netinha.
- To... to muito feliz por ter que sustentar mais um. Eu quero é pegar aquela bolinha de meia, enroladinha em cueiros e fazer embaixadinha com ela no corredor da maternidade e chutar pro gol. Gooooool! Já pensou? Uma bolinha viva saindo pela janela procurando o gol? Uma bola de gente, inteligente. Atlético! Conhecemos seu valor.
- Fanático. Pare com isso. É tua neta.
- É neto. Macho! Duas bolas. Eu tenho três filhas e uma mulher. Não me deixaram chutar a bolinha. Disseram que ia quebrar os vidros do berçário.
- Três mulheres e um neto... era o que me faltava. Você disse que era separado.
- E sou. Durmo na sala.
- Briguinha a toa, não dói.
- A única dor que sinto é nas costas. Faz um ano que durmo no sofá que tem uma mola quebrada.
- E um parafuso solto. Por falar nisso, to com sono.
- Eu também. Vamos dormir?
- Vamos.
E fomos dormir. Literalmente. Cada um no seu sofá. Esperava o quê de uma história de Maria e José acontecida num bar no princípio do século XXI? Que ao invés de neto, nascesse um jesuscristinho que perdoasse todos os nossos pecados e nos devolvesse a juventude e o paraíso? Cai na real, Zé!
E foram infelizes para sempre.
++++++
30 de Abril de 1994 – M.L.C. Nº 147.
*BASE & ADO – Porto Velho, RO – Entrevista. ( Por SELMO VASCONCELLOS & JOSÉ AILTON FERREIRA “BAHIA” ).
Saber onde essa dupla está e descobrir o que anda fazendo é tarefa que nem mil Sherlock Holmes conseguiriam terminar. Mas para nossa surpresa, dias desses toca o telefone ( ligação internacional ! ) e os caras acharam por bem confabular sobre suas “armações políticas” em Rondônia, ainda no presente ano. Confiram a seguir.
??? – ALÔ ! ALÔ !! ALÔ !!!
M.L.C. – Abra o jogo cara, quem é você e o que deseja ?
??? – Vocês não ! Vocês !
M.L.C. – Sim. Quem são vocês ?
??? – A dupla Base & Ado.
M.L.C. – Ah sim, sabemos ! Mas, uma hora dessa ? Duas da madrugada ? è demais !
ADO – Não interessa, é problema do fuso e a saudade pintou, pronto !
M.L.C. – Qual a de vocês e onde estão ?
BASE – Não é da conta de vocês. Vocês são da INTERPOL ?
M.L.C. – Claro que não, somos daqui !
M.L.C. – O que vocês querem mesmo a essa hora ?
ADO – Saber alguns lances daí.
M.L.C. – Aqui, tudo na mesma. É ano político e os muros e postes estão uma merda. Quase todos emporcalhados com os nomes de candidatos a... São os mesmos de sempre, arrotando as mesmas demagogias ácidas e baratas.
BASE – Vamos entrar nessa !
M.L.C. – O que ?
ADO – é isso mesmo. Vamos entrar na política em Rondônia.
M.L.C. – Porra ! Vocês piraram ? Não estacionam aqui !
BASE – Estamos lúcidos ó idiotas ! É que o amigo Múcio nos deu uma dica e vamos entrar com tudo e prometemos desbancar alguns figurões e ganhar votos dos babacas... numa campanha à distância !
M.L.C – E se forem eleitos ?
ADO – Nos escafederemos de novo !
BASE – O que não falta na gente é lábia ah! ah! ah ! ( risos sarcásticos ).
M.L.C. – Vocês são dois sacanas caras ! Vão fazer campanha via satélite ?
ADO – Bem melhor do que uma campanha corpo-a-corpo. Detestamos cheiro de povo e além do mais pode pintar uma bala piroca em direção ao nosso palanque !
BASE – Não está em nossos planos nos transformamos em defuntos Já.
M.L.C. – Por que vocês não param por aqui, pelo menos até outubro e depois...
ADO – Vocês são surdos ?
BASE – Já falamos. Temos alergia ao povão otário. Nosso modo de vida pede algo além !
M.L.C. – Certa vez vocês se auto definiram anarquistas e agora, entram na marca do pênalti da política. Não está havendo uma controvérsia nisso ?
ADO – Não, porque queremos fazer um gol de placa.
BASE – Após lermos jornais com notícias sobre o Brasil, decidimos pela Política.
ADO – A melhor forma de se perceber que o Brasil é uma zorra, é mirando-o de fora, através dos noticiários, sempre irônicos a respeito da “pátria amarga”.
M.L.C. – Sabatina : Responda rápido o que é Política Brasileira ?
BASE – A Política Brasileira é o meio mais rentável para se dar bem a curtíssimo prazo e fica melhor quando sabemos que nossos conterrâneos como bigorna gostam de levar marretadas e vibram felizes quando a seleção faz um gol. Há povo mais idiota que esse ?
ADO – E estão falando aqui, dois sujeitos que já percorreram 93 países em todos os continentes !
M.L.C. – Pô ! Vamos devagar ! Vocês não estão deixando a gente falar, perguntar...
ADO – Não gritem conosco não ó esclerosado!
BASE – Ah, não leve o ADO a sério é que ele está puto, por se deparar com um desses patrícios trajado com a camisa do Flamengo e gritando. Dá-lhe Romário. Você é o número 1 Bebeto ! Isso aconteceu ontem à noite, diante da Embaixada Brasileira, onde todo dia é feriado ou “ponto facultativo”.
M.L.C. – Após eleitos, de que forma vocês vão trabalhar ?
BASE – Trabalhar ? Paciência meu. Queremos é encher os bolsos e só isso !
ADO – E nada de depositar a grana fácil em frágeis bancos brasileiros.
M.L.C. – Na Suíça ?
BASE – Não otários ! Em suas casas ! ( risos estridentes ).
M.L.C. – Pelo que sabemos, vocês correm mundo sem documentos ( inclusive, o título de eleitor ). Como querem galgar os degraus da política sem serem cidadãos ?
BASE – Caras ! Vocês juntos somam quase cem anos de vida e mesmo assim, percebo que nunca decolaram da fase infantil da malandragem. Estou decepcionado com vocês.
ADO – O que é que não se consegue no Brasil com um doce papo e uma salgada propina. Hein seus F.D.P.
BASE – Eu tenho um título : sou o maior driblador de autoridades das Américas.
M.L.C. – Onde vocês nasceram ?
BASE – no vento !
ADO – Num certo ponto do universo chamado Terra ( É esse mesmo o nome ? )...
M.L.C. – Que conselho você dão aqueles que perderam o tesão de votar ?
BASE – Ejacular iras ardentes em urnas latejantes.
ADO – Um título vibratório ! Adquiram-no e votem na gente !
M.L.C. – Vocês vivem de que ?
BASE & ADO – Só respondemos mediante pagamento da Moeda forte... Agora !
M.L.C. – Estamos na pindaíba... ALÔ ! ALÔ !! ALÔ !!! P.Q.P. DESLIGARAM !

4 Comentários:
Selmo, lindo poeta! Linods poemas aqui encontro...pérolas da literatura brasileira...encantei-me com os poemas de Claudia Gonçalves, poeta dos pampas, poeta das metáforas, poeta de todos nós! Parabéns por este teu magnífico trabalho em prol de noss literatura!Poetabeoijos/Benvinda Palma...bemtevi
Por
Benvinda Palma, Ã s 3:33 PM
Selmo amigo, mais uma vez, quero agradecer a delicadeza e generosidade de publicar alguns poemas meus aqui neste espaço!... Encantador o "Raízes do Ser", e também um prazer encontrar as suaves tessituras de Cacau, com suas luas, asas, flores: sensuais pinturas com palavras!... Apreciei os poemas-veneno de Valéria, muito singulares, fortes...
Sugiro colocar os nomes dos autores em negrito, como o texto é corrido, ou separar a postagem em ítens, para que seja melhor para comentar (por ex., os poemas poderiam estar num bloco, e as informações sobre o concurso literário em outro.) Parabéns por tudo, e obrigada, querido! Abraços alados azuis.
Por
ANALUKAMINSKI PINTURAS, Ã s 2:38 AM
Selmo boa noite.
Meu amigo estou grata e surpresa em ver publicado os meus poemas. Quero agradecer seu gesto gentil na divulgação da nossa literatura.
Parabéns por sua iniciativa. Incentivando a cultura, dando respaldo a tantos talentos
Obrigado abraços da Dora
Por
Dora Dimolitsas , Ã s 9:39 PM
Obrigado pela publicação de meu poema. Você é um grande incentivador. Agora me manda de novo seu endereço para que eu lhe envie a edição mais recente do Tom Zine
Por
Unknown, Ã s 5:09 AM
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