MOMENTO LÍTERO CULTURAL - XXII
VISITE E COMENTE a 1ª ANTOLOGIA POÉTICA MOMENTO LÍTERO CULTURAL :
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1-CREUSA FRANCISCA LIMA
Creusa Francisca Lima, nascida em Mucurici - Esp. Santo, Habilitada em Letras pela Universidade Federal de Rondônia, Pós-Graduada em Língua Portuguesa pela UNESC - Cacoal - RO, trabalho na SEDUC - PVH - profissional da área desde 1989 - leciono, elaboro do projetos pedagógicos na SEDUC, já coordenei e ministrei cursos para docentes e participei de vários congressos no estado e em outros estados.
RAIO DE SOL !
Poema para minha neta
Maria Luiza
RAIO DE SOL !
Encheste minha vida do mais puro amor,
Maria Luiza!
Maria - nome da mãe de Jesus.
Luíza - iluminada, cheia de luz...
Hoje, botão em flor,
amanhã, flor desabrochada.
Mulher! forte guerreira...
capaz de amar infinitamente.,
capaz de sorrir e de chorar...
de sonhar e lutar pelos sonhos...
de crer com todas as forças,
no Deus vivo e imortal!
de ser vitoriosa!
de ser muito feliz!!!
(2007)
INCÓGNITA
Há folhas mortas
soltas pelo chão
sombras tristes de solidão
pairam no ar...
Brisa suave
acaricia-lhe a face
cansada... vivida...
de sonhos...
de amores...
de realizações...
O espelho do quarto
reflete a face
marcada pelas lembranças
caminho longo percorrido
à frente um horizonte...
vê-se o ontem e o hoje...
o amanhã, é uma incógnita!!!
(1992)
RECOMEÇO
Psiu!
O Silêncio, parceiro da solidão?
Não! não!
O Silêncio é amigo
dos pensamentos rotineiros,
das reflexões ousadas,
dos segredos bem guardados,
dos desejos escondidos,
das maiores fantasias,
das melhores ilusões,
das decisões acertadas...
da retomada da vida,
após noite bem dormida,
o alvorecer de um novo dia,
pra recomeçar do nada!
(1988)
DESILUDIDO
Pela fresta da janela
uma luz desencadeia
abrandando a escuridão.
De um sofrer desatinado,
de desejos, de paixão...
Amargura dói no peito
num querer quase incontido
corpo nu, lençóis desalinhados,
Ah! amor desalmado!
que a sorte tem mantido.
E a dor sangrando n'alma,
mostrando o pulsar da vida;
resignada, sem forças...
pronta para a partida.
Sangra, sangra, alma demente!
enrijece o coração,
se de amor, nunca se morre!
Renasce nova ilusão!
(1978)
O RIO
Águas caudalosas, transparentes
banham encostas e colinas,
desvirginando a terra
entre rochas cristalinas,
rasgando sem piedade
as planícies imponentes!
A paisagem sorridente
curva-se ao líquido borbulhante
serpenteando às vertentes,
numa pressa exacerbante.
Corre planícies, faz cachoeira
cantarolando animado,
dando vida a tantas vidas
e doando a própria vida
ao maior rei do reinado...
(1991)
VIDA
És tu sopro divino, dádiva infinita.
Habitas aqui, força suprema!
escondo-me os olhos, pois, és bendita!
Curvo-me os joelhos graça serena!
Teu molde é perfeito, porque vês,
tuas ações fluem, porque crês,
teu sono é tranqüilo, porque choras,
mil graças recebes, porque imploras!
Tendo fé, tudo podes realizar.
O supremo ser, vela sempre, por ti.
És templo de amor a se zelar.
Tua massa é pó - tua essência, porvir!
Porvir é o amanhã, certamente será assim:
Hoje, sendo massa - há que se moldar,
amar, respeitar, proteger...
Tornar-se, por fim, espírito de luz, enfim!
(1997)
EMPATIA
Estrelas salpicam a negritude do céu.
Sereno morno da noite
a banhar-lhe o corpo.
Brisa suave, cheiro de mar.
Chuá...chuá...chuá...
ondas rebeldes açoitam as rochas,
lambem a areia da praia,
varrem-na com sofreguidão.
Corpo estendido em contemplação.
Sentimento e universo vivos.
Natureza pulsante, exuberante.
Percebe, escuta, sente...
aguça-lhe os sentidos.
Tateia a areia molhada
que lhe escorre dos dedos.
Desenho do corpo marcado na areia.
Espécies diferentes que se curtem,
num doce sabor de estarem sós.
(2007)
2-REGINA LYRA
REGINA LYRA nasceu em João Pessoa, Ponto mais Oriental das Américas, capital do Estado da Paraíba.
É escritora, poeta e professora universitária. Sua poética lírica penetra em um contexto imaginário, cuja criação estimula o sentimento, a fantasia. Publicou cinco livros: O Livro das Emoções , 1998. Sonhos & Fantasias, 2000. Insensatas Palavras, 2003. Tempo de Encanto, 2004. Pela Editora Universitária - PB. Seu mais recente livro, Atos em Arte. São Paulo: Ed. Scortecci, 2006.
Atos em Arte lançou no Rio
de Janeiro no dia 22 de agosto de 2006, no Hotel Everest, Grill 360º. Participou do FLIP (Festival Internacional de Paraty de 09 a 13 de agosto de 2006. Ocorreram novos lançamentos no Rio de Janeiro em 23 de novembro na Livraria Prefácio na Rua Voluntários da Pátria. Na livraria Arteplex, na Rua Botafogo no dia 29 de novembro. Palestra no 1º Salão de Leitura de Niterói no dia 24 de novembro. Lançou o livro no Espírito Santo, em Vila Velha, no restaurante Mais uma Dose e em Vitória na Livraria Nobel. Participação em 16 Antologias nacionais e internacionais até 2006.
Participação de mais duas Antologias em 2007. Talento Delas lançamento no dia 08 de março em São Paulo. Roda Mundo, Roda Gigante, 2007. Lançamento previsto para julho de 2007 em São Paulo.
O livro Atos em Arte, com prefácio de Reynaldo Valinho Alvarez, lançamento em 18/05/07 em João Pessoa, na Fundação Casa de José Américo de Almeida.
SEM TÍTULO
Dentre tantas provocações,
a poesia parece não encontrar solo tenro,
mas um grande areal...
Felizes os que encontram um porto,
mesmo não tão seguro...
E o teto,
vidro ou palha,
não pode sentir fogo
nem pedra que o valha.
Assim vão-se os dias,
uns amados
outros flagelados,
pedintes de amor...
IN: Antologia VMD. São Paulo: Ed. Ottoni, 2004.
ESPANTO
I
Mando-te
meu espanto,
espasmódico,
estranho!
Endereço incerto,
permitiu vazio
pranto!
Desaparecido,
bairros da cidade,
terras do país.
Bares ocultos,
marginais,
luto do discurso
intelectual,
solitário,
por uma participação nacional!
II
No espanto,
em que me encontro
deixo-te partir
sem despedidas,
busca reconhecimento,
da vida!
III
O gosto do sentimento
deseja penetrar em ti,
mas foi despejado
pelo descrédito do sentir!
O vento leva em bloco,
sopra aos quatro cantos,
da terra lavrada,
semeando,
momentos de ternura.
IV
Desconheces
sopro do vento
canto do rosto.
Vento parte
sem dar-te recado.
Em outro canto,
as letras se perdem,
não formam palavras.
Versos se confundem
nas barbas do vento,
extraviando a mensagem
do pensamento.
Perdem-se palavras
soltas ao vento...
(IN: Antologia Talento Feminino em Prosa e Verso V. II. São Paulo: Ed. Scortecci, 2004).
VESTIDA COM A MINHA NUDEZ
Se olhos firmes me pudessem falar...
O absurdo instalar-se-ia,
Minha nudez não seria vista.
Sem vestes,
Nem trapos,
Seria vencida.
Com a indumentária despida
Encontrei mãos para cobrir-me,
- Não era preciso.
A natureza refeita do espanto
Refletiu meu pranto n’água
Fez-se um manto,
Deste manto
Nunca me desfiz.
Criou raiz
Na minha cantiga.
IN: Antologia Talento Delas. São Paulo: Ed. Scortecci, 2007
[cinco poemas do livro Atos e Arte, Editora Scortecci, 2006]
SENTIDO INCOMPREENDIDO
O perdão que envio
Talvez não encontre fio!
Mesmo sendo assim,
Perdoado está!
Atos
Provocam dores
Vazias!
Encontro frio,
Desajuste climático
Dentro dos Eu's...
Arte provoca desafio.
No contexto imaginário,
Mente insana!
Em terra semeada
Amor atraca!
Nasce a flor do deserto...
CHAMADO
Não sentes,
Amor chamando?
Não sentes,
Mágoa instalada?
Sem perceber,
Fenece ao teu lado...
Amor...
Via de mão dupla,
Quando um fraqueja,
Outro ajuda!
DISFARCE
Se encontrares uma flor no caminho,
Não passa sem vê-la!
- Recado do pensamento...
Se uma rajada de vento
Refrescar-lhe o rosto
Pela mão da natureza,
Deposita carícia,
Sem malícia,
- Sua face trigueira.
Aceita-a sem desgaste,
Mesmo desfeita...
Se o sol queimar a pele,
Bronzear rosto,
Chama!
Clama!
— Não disfarça!
POEMA SEM RUMO
Desaparecido
Tira tapete,
Pés reagem!
Chão foge...
Rapto,
Terra longínqua!
Morre a míngua...
Ver água pelo ralo,
Noutros regalos.
Manjar de estalos
Inútil momento,
Procura estéril!
— É o deserto da sala!
AMEAÇA
Naquele instante,
Loucura vã,
Impropérios ditos,
Sentimento triste.
Empalidece, ameaça!
Crueldade humana...
Solta, às traças!
3-JOSÉ SOLHA
Arquiteto, engenheiro mecânico, estudou também filosofia como formação mas, sua paixão sempre foi o desenho, tanto técnico como o artístico. Fez parte do quadro associativo da Associação Paulista de Belas Artes, convivendo com os mais eminentes artistas de São Paulo, como os do Grupo Sta. Helena, como Mario Zanini, Rebolo, Volpi, Durval Pereira, Collete Pujol. Foi aluno de pintura de Dario Mecatti, com quem aprendeu a mais refinada técnica da pintura italiana. Trabalhou como desenhista na Shell do Brazil S/A e Gasbrás do Brasil e como analista de processos na Ford Motor Company onde se aposentou, para se dedicar profissionalmente à pintura durante 3 anos. Quando estudante em Bragança Paulista, participou do Teatro Bragantino de Comédia, foi fundador da Federação Estudantil Bragantina, do Legionários Futebol Clube e do CCBC, estudou inglês na Aliança Brasil Estados Unidos e japonês, por 3 anos, na Aliança Cultural Brasil Japão. Foi sempre um amante da leitura, principalmente da poesia.
B U S C A
Te procurei nas asas da gaivota
Quando o mar sereno convidava-nos ao banho,
E nessa busca, minha calma se esgota,
Dando lugar à esse sentimento estranho.
Tentei ouvir tua voz no som do vento,
Porém tão calmo era a brisa nesse dia,
E quanto mais ardente era meu intento,
Tanto maior se punha a calmaria.
No sol busquei a luz do teu olhar,
Como um sedento busca louco sua fonte,
Porém não pude muito tempo assim ficar,
E o sol tão lindo escondeu-se no horizonte.
Busquei-te então no brilho das estrelas,
Tão preso estava pelo teu encantamento,
E me lancei tão perto para vê-las,
Que me perdi no grande firmamento.
Depois, cansado nessa busca inglória,
De tanta pena e tanto sofrimento,
Fui te encontrar no fim da minha história,
Para acalmar meu triste desalento,
Como uma palma, meu laurel e glória,
No coração onde te pus; - Cá dentro.....
DESTE PEITO AMANTE
Menina linda
De olhar tão verde,
De falar macio
Que a mim encanta ...
De sorriso franco,
De piadas fortes,
Sei que és "de morte!".
Mas, te amo tanto !
Menina meiga
De Carinho pronto,
De beijar tão doce
E suspirar baixinho...
Menina gente,
Que mentir não sabe,
Nem que o mundo acabe
Quero estar presente;
Deste olhar tão verde
E teu falar macio,
Do carinho pronto
E do teu beijo quente...
Ai que bom menina
Se possível fosse
Suspirar contigo
Ao menos um instante !
Pra seguir avante
Meu caminho incerto,
Tendo a ti mais perto
DESTE PEITO AMANTE !
MEU GIGANTE
Sentado ao umbral da porta
Uma figura impoluta
Cuja presença conforta
Nosso viver, nossa luta...
Inda quando pequenino
Esse gigante incansável
Deu formas a meu destino
Sempre gentil e amável
Hoje, já velho, cansado
Sentado ao umbral da porta,
Lança um olhar ao passado
Saudoso das coisas mortas.
Me achego reconhecido
Pouso a cabeça em seu peito,
Como a dizer-lhe "Querido",
Tu fostes mais que perfeito.
Esse é um quadro importante
Que do meu peito não sai,
Lembra-me sempre "o gigante"
Que sempre fostes, PAPAI !.
ETERNO APAIXONADO
Quando as marcas do tempo
atingirem tua face,
quero estar contigo.......
Quando as rugas implacáveis
mudarem teu semblante,
quero estar contigo......
Mesmo se não forem tão negros os teus cabelos,
e a tua voz tão firme como outrora,
quero estar contigo o tempo inteiro,
quero estar contigo, como estou agora.
Se as tuas mãos não forem tão macias,
e se tua face perder esse rosado,
quero estar contigo, ainda mais um dia,
quero estar assim: juntinhos lado a lado.
Quando o corpo esbelto, escultural figura,
deixar seu formato num verão passado,
quero estar contigo com maior ternura,
quero estar contigo como tenho estado.
Quando forem flácidos teus lindos seios,
ou nenhum encanto teu tiver restado,
quero estar contigo sem qualquer receio,
de n'algum momento haver te abandonado.
E se a tua vida, um dia, a morte infame,
o aço frio do alfanje houver ceifado,
mais do que nunca eu estarei contigo,
igual a sempre, ETERNO APAIXONADO...
PONTO AÇÃO
Nos encontramos
em pontos reticentes
e numa vírgula
fiz a minha pausa.
Entre colchetes
mostrei-me ser carente
apostrofado defensor
da tua causa.
O teu olhar
foi ponto exclamativo
e meu espanto
em síntese grifado.
Entre dois pontos
o verde de teus olhos
a me fitar
num quê interrogativo.
Tornou-se agudo
o impasse do momento
pondo em parêntesis
o meu real motivo.
Senti-me preso
ao til dos teus encantos
e num parágrafo
mostrei-te o coração.
Mas fostes embora
como a graça da cedilha
nos separando
por um grande travessão.
Da estória que acima
lhes relato,
que parece um evento
casual,
Só ficou a lembrança
do retrato,
dum lacônico e cruel
PONTO FINAL.
4-NEYDE NORONHA
Nasci em Niterói, RJ de uma família luso-brasileira. Sempre fui muito inquieta, curiosa e insistente nas minhas buscas de informações sobre qualquer tipo de arte.
Formei-me professora do fundamental. Fiz diversos cursos de pintura com diversos pintores.
Desde 1978 comecei a fazer rascunhos de pensamentos, assim como a mostrar em exposições as minhas pinturas.
Na poesia até a pouco timidamente me apresentei, seguindo os dois caminhos.
Lembro-me que pela minha timidez fiz um book manual (um livreto artesanal).Guardei rascunhos e a partir do ano de 1996, editei alguns, que hoje estão entre outros poemas atualizados em sites de poesias e-books,em livro- A minha primeira participação em Virtualismo, entre outros poetas-E o site Letras & Artes, a primeira edição.
Hoje através do meu computador fiz diversos contatos na área das Artes e da Poesia.
Lancei como Owner o grupo sitiado no Yahoo : Redescobrir_Arte_Poesia, mais tarde Letras & Artes, onde passei a conhecer outro mundo, sempre acompanhada de escritores, poetas, artistas plásticos, que me incentivam até hoje a poetisar.
O que não sonhei, se realizou de uma forma contundente,imagino esta HP e desejo futuramente, peneirar alguns dos meus escritos e lançar um livro com a ilustração dos meus trabalhos artísticos.
"Sou assim, me conduzi ao caminho da liberdade de criar e de me expressar,não tenho preconceitos,me preocupo com limites,aos quais não ouso extrapolar.
Amo a Vida e a tudo o que ela sempre me ofereceu.
O que não tenho ou o que já tive e perdi guardo no coração,sempre desejando que venham mutantes nas minhas esperanças de renovação".
A Beleza do Momento
Vida, que te quero Viva
Onde tudo se faz
Se destaca
Perdemos ou ganhamos
De uma forma ou de outra
A beleza se ganha, nunca se perde
Segura e bonita
Tem seu nome próprio
Se veste de caridade
Se entrega de amor
Aquele que ama é belo
Quem se deixa amar
Brilha, em qualquer idade
Concorda com o esplêndido
Se conduz a imortalidade
A beleza não está apenas na estética
A autenticidade da alma
Impregna-se com seus adornos
Envolvida em luz
Serenidade e paz
Alegria, alegria
Flor com espinhos
Deixam marcas
Que se apagam
Quando o Sol
Desfaz o desencanto
Apagando a dor sentida
Num leve amanhecer
Primavera
Sensível
Colorindo pensamentos
Estação das flores
Que na relva se espalham
Contentando corações
Verão
Inverno
Lágrimas afogadas
Sorrisos de alento
Esperança
Divino
Natal de Cristo!
Alegria! Alegria!
Dedico ao meu querido amigo Rui Pais
Outono de 2005,Niterói/RJ Brasil
Certeza de Paz
Silencio para meditar
Fecho os olhos
Viajo nos meus sonhos
No paraíso e no amor
" Sinto alívio na dor"
Vejo luz
Que vem do infinito
E braços que me acolhem
Sinto frio...e o meu coração palpita
Aos poucos se acalma
Certeza de Paz!
Seduzida me transformo
E não fujo mais
Viajo nos seus sonhos
Porque são deles que vivo os meus.
5-SIMONE SANTANA
Terra Antropófaga
Escolhera aquela terra e aquelas sementes por pensá-las boas. A enxada empunhada, pronta para o primeiro golpe sobre sua umidade orvalhada. Fecundaria a terra agora. Forçá-la-ia a aceitar a semente a germinar em seu ventre, deformando sua superfície plana. Forçá-la-ia. Alimentar-se-ia, depois, no banquete antropofágico, de seus filhos, brotados da escuridão generosa. Ouviu um rugido vindo das entranhas que encetara penetrar. Rápido colou o ouvido em seu ventre. Ela reclamava os filhos naturais que ele lhe roubara, fecundados pelo vento. Sentira-os ardendo sobre sua face, secando a água de seus corpos frescos. As chamas lamberam e levaram tudo o que possuía de mais precioso. Queimada, seria violentada agora pelas mãos rudes, pela lâmina afiada. Nada queria dar. Sobre si sentia o cheiro da carne queimada acariciando o vento fresco. A chuva caíra depois da fumaça, refrescando seu corpo quente, ardido, seco. As cinzas transformaram-se em barro venenoso, a adentrar suas entranhas, intoxicando-a de tudo que lhe era mais caro. Trêmula, não podia mais controlar os enjôos de seu estômago doente. Suas entranhas se revolveram. Arreganhou a boca, engolindo o ouvido, as mãos rudes, a lâmina afiada. Ele, atônito, sentiu-a sugá-lo para dentro de si. O peso de seus braços envolvendo seu corpo. Continuou caindo. Levitava. Viu-se em pé. A enxada ali ao lado. O céu não era mais azul. Amarronzado, da cor da terra. “Muita terra”, constatou feliz, cavando-a. Retirou sementes do bolso e as lançou na cova, cobrindo-as delicadamente. Rapidamente elas brotaram. Satisfeito com o resultado, lançou mais sementes, cada vez mais. A cada semente que lançava, sentia-se a transformar em terra. Seus braços foram ficando cada vez mais pesados. Úmidos. Chegou um momento em que não conseguiu mais levantá-los. Deitado, observava as raízes germinando. Os olhos cada vez mais baços, azulados. Simplesmente estava. Suas costas sentindo o contato fresco da terra. Seu rosto perdera a expressão agoniada de antes. Estava satisfeito. Sentia-se leve. A terra o sentia dentro de si, alimentando suas entranhas. Suas feridas sararam. Uma penugem verde recobria a sua pele. Satisfeita, viu seus filhos brotarem, os bichos ornamentando os galhos fortes. Dentro, as raízes se aprofundavam na carne macia, nas proteínas do corpo azulado. Cumprira a sua sina, afinal. Alimentaria a terra, a terra alimentaria as raízes, as raízes alimentariam seus filhos, os filhos a terra. Ele se transformou em água, depois em suave barro, acalmando o ventre ensandecido. Ela se fechou serena. Antropofagicamente satisfeita.
6-DÉLIO PINHEIRO
Auto-retrato
Antes de mais nada sou caos. Mas também sou silêncio nas noites regadas à blues. Sou fotografia analógica, sou fusível, sou vinil e filmes em preto e branco. Sou história muito mais que geografia. Sou mil vezes literatura à qualquer tipo de arte. Portanto sou livros, muitos livros. Sou mais livros que cinema. Sou de fazer listas para tudo, menos para fazer compras. Sou vintage e sou saraus. Sou café forte, muito forte, quente e em boa companhia. Não sou água mineral com gás. Sou cheiro de mofo, sou revistas antigas e sou páginas amareladas. Sou fazer poesias nas madrugadas, sou acordar com cara de sono. Não sou dormir com nenhum barulho, que não seja o eco de meu sonhos. Sou finais de semana na roça, mas apenas finais de semana. Sou cachoeira muito mais que praia. Sou apenas o pseudônimo do que pretendo ser, e sou anônimo em minha relativa notoriedade. Sou velocidade. Sou informação. Não sou demonstrações de afeto, embora me farte deles. Sou um eterno aprendiz de violão, que está pousado num canto de meu quarto, como um mausoléu de melodias. Sou hiperatividade cerebral. Gostaria de ser trabalho voluntário. Gostaria de trabalhar menos. Sou começar a malhar, para depois me entregar à ociosidade. Sou viajar. De preferência sem rumo. Mas muito bem acompanhado. Sou Bach, manhãs de domingo, Goethe, Google, Kafka, cerveja gelada, jornais empilhados, papo cabeça, Chico Buarque, cinema europeu, rock, chiado de vinil, Jack Daniels, lojas de conveniência nas madrugadas. Sou as paisagens que vi, as pessoas de cuja companhia desfrutei. Não sou bate-bocas. Não sou cinto de segurança. Sou jornalismo e sou absolutamente apaixonado por essa profissão. Sou cobrir alguma guerra, embora torça para que elas não aconteçam. Sou Minas. Sou Cruzeiro. Sou Clube da Esquina. Sou jeans. Não sou discutir a vida alheia. Não sou horário de verão. Sou água quente no chuveiro em qualquer estação. Não sou fanatismo de qualquer espécie. Não sou protocolos. Não sou formalidades. Não sou inveja. Sou escrever. Sou ouvir. Não sou carne. Não sou carência de nenhuma espécie. Não sou saudade. Não sou fantasmas do passado. Não sou Carnaval.
Imagético
Gigantes, imaginários ou não
sopram os ventos de julho
encrespando as águas do rio
e arrepiando as crinas dos corcéis.
Corcéis, imaginários ou não
cavalgam rentes ao precipício
com sua ferraduras douradas
refugando apenas diante de Deus.
Deus, imaginário ou não
ri de tudo isso.
Ruas encantadas
Ouço os cascos do cavalo invisível
solapar o asfalto recém colocado
pelo prefeito ou o distante deputado
quando percebemos o que é imperceptível.
Já que cavalos encantados não tem mais,
foram soterrados pela eletricidade,
que deu vida às ruas da cidade
que vicejam atentas por demais.
Mas meu ouvido alcança o passado
e capta o exato instante
em que o cavaleiro cruza a rua.
Não o vejo, mas consigo imaginá-lo
jogando pedras nas lâmpadas de mercúrio
que apagaram o brilho da sua lua.
Conhaque barato
O conhaque barato desce amargo
através da garganta ressecada
enquanto as luzes bêbadas da madrugada
se apagam, uma a uma, à espera de um último trago.
Que parece expurgar as desgraças do mundo
soluçando aflito palavras de amor
encontrando no barman um estertor
que assiste ao triste monólogo do vagabundo.
Apenas mais uma dose e nada mais
depois o mesmo ônibus e a mesma vida
e a mesma cara de reprovação.
Que assoma na janela e na alma
e que era a mesma imagem distorcida
que ele já vira na garrafa, de antemão.
Portal do sem fim da alma
O azul inominável de seus olhos
azul quase céu de brigadeiro
que paira solene em mim
e se perde nos meus olhos vãos.
Que tem cor de não sei o quê
mas que passa a ter a cor que se queira
quando seus olhos de um azul-ilusão
pousam-se nos meus, eis o milagre!
Eu, um rosto na multidão
e você, no outdoor imenso sobre todos nós
velando-me no frio entardecer
enquanto vem a noite, que tem a cor de meus olhos vãos.
Nódoa
A saudade tem um lado bom
talvez um dia eu consiga encontrá-lo
em meio aos fragmentos e cacos
que você deixou para enfeitar meu lar.
Que ainda tem suas fotos nas paredes
e seu cheiro a impregná-lo
feito nódoa que não sai
nem com simpatias de avó.
7-ANA PAULA PEDRO
Ana Paula Pedro, 28 anos, paulista.
É atriz, psicóloga e poeta.
Formada pela USP, leciona expressão corporal e interpretação.
Têm em seu currículo espetáculos teatrais
como "Alice através do espelho" Armazém Cia de Teatro,
curtas metragens e alguns trabalhos em televisão.
Participa da Ponte de Versos desde seu primeiro dia e
em diversos eventos poéticos tais como
Segundas com Arte, Sábado de Poesia,
Quarta Capa e Terça ConVerso no Café.
Santa
Afundar sobre a quente névoa de tuas ruas
Soprar como vento em constante persistência das horas
Lambuzar-me em tuas densas águas agridoces
Escalar as falésias de tua incoerente geografia
Renascer como oásis de teus secretos redutos
Esquecer de vez o deserto que há em mim
Cobrir a memória com o tênue lençol de algodão
Um sítio para minha pequena
Um sítio florido
que seja perto
céu claro
sonhos são copa de árvore
raízes fincadas
sólidas
tardes da velhice
chá de pêssego
rede na varanda
cercado branco
viola caipira, flauta e violão
amanhece
cheiro de café
manteiga derretida no pão
geléias, amoras, damasco
cachorros, pássaros, gatos
tartaruga e peixes cintilantes
de repente até uma vaca
bezerro
ninguém gosta de ser só
xale sobre os ombros
lareira
memória
rugas, dragão, flores e furos
corpos que ainda se amam
dois pássaros azuis se aproximam
quartos alguns
é preciso ter família sempre perto
bons amigos já conhecem Sebastiana
sabem abrir a porteira
fumo na palha do milho
orquídeas do Itamar
é preciso ter fartura sobre a mesa
reivindico um pomar
vinho do porto se queres ser Hilda
papel e tinta
com que escrevo o amanhã.
Primeira Chuva no deserto
Fecho os olhos e imagino a primeira chuva no deserto.
Vejo-te sentado no estreito balcão, mudo,
olhos vidrados no trajeto de cada gota.
Fico ao teu lado observando esta imprevista chuva
e após alguns instantes
atiro-me nos úmidos braços celestiais;
deixo a chuva lavar minha alma e meu corpo,
entrego-me às surpresas do deserto,
refaço-me inteira.
Quando volto meu olhar para ti,
vejo que, assim como o deserto,
tu também estás a chover.
Lágrimas que parecem não ter fim.
Não me apiedo de ti,
o tempo por vezes parece demasiadamente curto,
a eternidade se encerra em um segundo,
a vida por vezes é urgente.
Precipito meus braços em tua direção.
Observo teu lento caminhar
e quando finalmente estás diante de mim,
dançamos ao som dos estalos
do encontro da água com a areia...
esfoliando nossas almas das dores da vida,
vimos um novo dia raiar,
dançando juntos
a música que nos habita.
8-MARISTELA TRINDADE
Maristela Trindade é taurina, carioca, moradora de Botafogo,
terapeuta e preparadora corporal, atriz, educadora artística, produtora,
diretora e autora teatral ... poetisa, sim senhor!
Rainha da gang de poetas Ratos Di Versos ...
essa senhora mátria, rotineiramente sai dos bueiros da cidade,
toda rima, roe e corroe, redentora, as desesperanças da ratoeira e
é salva pela poética da alma brasileira!
Que os deuses do asfalto protejam os passos da bailarina encantada
sob as poças de luz da cidade maravilhosa!
Pedrapalavra
Você escreve poemas
Por vezes escrevo pedras.
Elas pontiagudas me encontram
acústica.
Escrevo duro fazendo barulhos!
Dou minhas pedras as águas,
aos animais,
às possibilidades.
Escrevo e dou.
Provoco sons
com escrita dura.
Você escreve,
o outro inspira e eu
expiro pedraspalavras
Pego o soro como um bicho sedento,
coloco na narina e agüento.
Debocho do contínuo ....
pois, amanhã,
o que será?
Zombo dessa desordem orgânica
que me faz quase calcário em mutação.
Um pedaço de tonteira na beira do rio.
Rolo as pedras sem discernimento
do lugar para onde vamos.
Com pedras se pode brincar.
Já eu, por vezes.
escrevo pedras,
construo pedras
pedrapalavras
Danço mais
Minha mente inventa amor, meu corpo, não.
Nada de amor quero inventar sozinha,
como não quero um corpo magro,
ressentido sem carícias.
Prefiro o desmanche de tudo que provocas.
Ouço "vamos com calma", do mesmo que me acelera.
Confusa, lembro a mim que minha calma é plena de sentir,
beijar, acoplar, dormir...
mas é em mim.
No outro, é outro jogo.
Eu não sei dançar bem esse carteado de homem caloso.
Sou dança espontânea com pés descalços.
Você vem, eu danço também.
Você vai, eu danço mais.
Vermelho
O amor, mesmo o branco é vermelho.
Vermelho.
Eu digo que te amo e digo "não te quero".
Não quero seu amor nem quero o meu.
Eu muito menos "quero" do que amo.
Não quero sua gaiola na minha cabeça.
Tão pouco nossas cabeças em nenhuma gaiola.
O amor sendo mundano te penetra,
sem pertences, sem tridentes, me acerta.
Faz parte do "eu amo" e não do “eu quero”.
Eu muito menos "quero", do que amo.
O amor, mesmo o branco é vermelho.
Vermelho.
Te amo.
9-MAGALY GRESPAN
Magaly Grespan e pedagoga, pós graduada em Educação Especial.
É poeta e trabalha com Artes na sua área de atuação, a educação.
Vive na cidade de Três Lagoas, em Mato Grosso do Sul.
Tem trabalhos publicados em vários sites da Internet.
"Sou uma pessoa extremamente romântica e feliz,
vejo no poema uma companhia que me traz muitas alegrias,
nele posso pousar meu olhar, viver, afora o mundo, nele sonho,
tudo que já tive e o que ainda não tenho, acho que o poeta é isso,
um misto de alegrias e tristezas, alçando vôos através da imaginação e da palavra."
Meu Inteiro
Não dominaria meu pensamento teimoso
Na fração em que reparto meu inteiro
E sutilmente receio não ser essa
Mas a outra alma que tenho
Sem virtudes, povoada de inconfessáveis verdades
E no olhar confuso vejo uma criança estraga –prazeres
E eloqüente são os artifícios
De sempre fazer barulho
Quando tudo em mim é silêncio.
Farta de Ver
Desço sobre as montanhas
E nas ondas ouço os estrondos dos chicotes
Cortando as águas do mar
Farta de ver
As nuvens varrendo o céu levando ao longe o amor
E a felicidade feito pluma sobre as alturas
E desliza a alma plainando sobre o céu uma lágrima
Farta de saber
Que no mundo a vida foge
Na felicidade de outro mundo
Acolhe-me senhor
E de bom grado
Minha felicidade há de cochilar sozinha.
Sons de Violão
Agora,
Vendo o verde,
Ouvindo acordes de um violão,
Bem distante,
Por entre as campinas,
Enxergo a memória dos pássaros.
Esqueço a vida da cidade.
A anatomia do teu corpo.
E o mundo desaparece coalhado
Na esperança da última luz acesa.
E sai o verbo do coração,
Palavra torta feito redenção.
10-MARCO ARAÚJO
Marco Araújo é gaúcho e mora em Porto Alegre.
É poeta, cantor, compositor e violonista.
Trabalha com educação não formal.
É um artista em atividade.
Gosta de conviver com pessoas simples e inteligentes.
Quando lembrares de mim
Quando lembrares de mim
Procura no céu uma estrela
Na terra uma estrada amarela
No mar um destino de rio
Quando lembrares de mim
Entrega ao vento um desejo
Revela no tempo um segredo
E canta a canção do prazer
Quando lembrares de mim
Descobre no sol um caminho
No olhar um sinal de carinho
Na boca o sabor das manhãs
Quando lembrares de mim
Que seja por conta do dia
Que a vida se fez poesia
Um sonho que deus permitiu
soneto seco
Precipitando a madrugada
a chuva não chegou
Dava dó ver tanta gente
dando nó em pingo d'água
Depois do amanhecer
o tempo não mudou
Nem amor, nem alegria
nem tormenta ou calmaria
Pane seca, sol a pino
fritura, meio-dia
correria, banco, loteria
Fim da linha
ruptura, pinga, rapadura
e nem sinal de ventania
11-CANTINHO DOS ILUMINADOS E MUITO QUERIDOS POETAMIGOS
ANDERSON BRAGA HORTA
Brasília / DF
O AMOR
Não é o amor os relâmpagos,
as cataratas do poeta.
Amor é coisa mais intima
e mais discreta.
Nem é o amor as delícias
sem fel que pinta o poeta.
Amor é coisa mais áspera
e mais completa.
O amor é uma luta do eu
contra si mesmo
( Sendo o outro o vencedor.)
Amor é quando o Universo,
sem reduzir-se,
cabe no cálix da flor.
REYNALDO VALINHO ALVAREZ
RIO DE JANEIRO / RJ
LAMPIÕES CANSADOS
ah luzes coloridas dos anúncios
visões desencontradas e prenúncios
do que nunca viria ah movimento
sincopado ou mais rápido ou mais lento
das lâmpadas acesas nos painéis
como chamados doces ou cruéis.
quanto à rua do tio
o lavradio
não tinha luzes
doces ou cruéis
mas só honestos
lampiões cansados
amigos prestos
dos retardatários
olvidados
de todos os horários
NEUSA ZANIRATO
SÃO PAULO / SP
AMPLITUDE
(Meu olhar largo e profundo vasculha todo seu mundo)
Porque meu coração muitas vezes quer voar,
Mas os pés teimosamente se fincam na terra
Qual raízes centenárias:
Maculam o chão molhado
Pela última tempestade,
Deixando suas marcas impiedosas
Na lama sagrada.
Porque meus pés são a razão
Soterrada por lavas incandescentes.
Porque meus olhos são a contradição
De tudo que foi regrado,
De tudo que foi sagrado.
Porque meus olhos se vestiram
Em forma e cores de um coração,
Subiram além do horizonte,
-Limite da razão-
E se queimaram ao sol nascente
E ao sol poente.
E ao te encontrarem
Romperam a inutilidade das raízes
-Corajosamente-
E sobreviveram sem âncoras ou amarras.
E flutuaram no espaço
-Teimosamente-
Acompanhando os teus passos.
IVES GANDRA DA SILVA MARTINS
RIO DE JANEIRO / RJ
LANÇA CRAVADA
Lança cravada pelo peito aberto,
No silêncio da noite desmedida,
E o cavaleiro lancetado incerto
Cavalga a morte, cavalgando a vida.
Eu, procurando o meu próprio deserto,
Encontro o panorama da partida
E firo-me buscando o que anda perto
Do que anda atrás da senda conhecida.
Lança cravada pela carne nua
Em pleno profundor da alma silente,
Ferida nova, informe e diferente.
E eu desvendando o som que continua
Na chaga insone da distância interna,
Em busca de mim mesmo... em busca eterna.
MARISA ZANIRATO
ASSIS / SP
AMOR EM ÓRION
Tuas flechas, Arqueiro, sondam o céu.
Teu alvo sempre o mesmo: Aldebarã,
a mais formosa das fulvas estrelas.
Colecionador de astros e falenas,
não cobiças nenhuma.
Miras a Fulva apenas...
Aldebarã é sonho e sol,
filha do céu e da aurora,
brilho instigante para teu olhar de predador.
Há quanto tempo fixas o mesmo ponto, Arqueiro?
E a estrela, alvo sedutor, brinca de esconde, pisca...
Olha de frente a seta, ri
das mãos que entesam o arco
e, pulsante de desejo, desafia o Caçador:
- Atira, Sírius! diz a Ruiva em brilho terno.
Se me acertares, explodirei
amor e luz no céu;
mas se errares - juro por mim! -
o brilho de uma estrela inacessível
será sempre o teu inferno.
MÁRCIO CATUNDA
Lisboa / Portugal
DELEITAÇÕES
Bem-te-vis e bem-me-queres na janela,
Água lustral plantada nas mãos do vento.
Vitória-régia no ano 2000.
Deleitações na voz do tempo.
Água marinha nos portos da imensidão.
Estrela do mar na vegetação sideral.
As eras sempre são, nas transmutações.
http://antologiamomentoliterocultural.blogspot.com
1-CREUSA FRANCISCA LIMA
Creusa Francisca Lima, nascida em Mucurici - Esp. Santo, Habilitada em Letras pela Universidade Federal de Rondônia, Pós-Graduada em Língua Portuguesa pela UNESC - Cacoal - RO, trabalho na SEDUC - PVH - profissional da área desde 1989 - leciono, elaboro do projetos pedagógicos na SEDUC, já coordenei e ministrei cursos para docentes e participei de vários congressos no estado e em outros estados.
RAIO DE SOL !
Poema para minha neta
Maria Luiza
RAIO DE SOL !
Encheste minha vida do mais puro amor,
Maria Luiza!
Maria - nome da mãe de Jesus.
Luíza - iluminada, cheia de luz...
Hoje, botão em flor,
amanhã, flor desabrochada.
Mulher! forte guerreira...
capaz de amar infinitamente.,
capaz de sorrir e de chorar...
de sonhar e lutar pelos sonhos...
de crer com todas as forças,
no Deus vivo e imortal!
de ser vitoriosa!
de ser muito feliz!!!
(2007)
INCÓGNITA
Há folhas mortas
soltas pelo chão
sombras tristes de solidão
pairam no ar...
Brisa suave
acaricia-lhe a face
cansada... vivida...
de sonhos...
de amores...
de realizações...
O espelho do quarto
reflete a face
marcada pelas lembranças
caminho longo percorrido
à frente um horizonte...
vê-se o ontem e o hoje...
o amanhã, é uma incógnita!!!
(1992)
RECOMEÇO
Psiu!
O Silêncio, parceiro da solidão?
Não! não!
O Silêncio é amigo
dos pensamentos rotineiros,
das reflexões ousadas,
dos segredos bem guardados,
dos desejos escondidos,
das maiores fantasias,
das melhores ilusões,
das decisões acertadas...
da retomada da vida,
após noite bem dormida,
o alvorecer de um novo dia,
pra recomeçar do nada!
(1988)
DESILUDIDO
Pela fresta da janela
uma luz desencadeia
abrandando a escuridão.
De um sofrer desatinado,
de desejos, de paixão...
Amargura dói no peito
num querer quase incontido
corpo nu, lençóis desalinhados,
Ah! amor desalmado!
que a sorte tem mantido.
E a dor sangrando n'alma,
mostrando o pulsar da vida;
resignada, sem forças...
pronta para a partida.
Sangra, sangra, alma demente!
enrijece o coração,
se de amor, nunca se morre!
Renasce nova ilusão!
(1978)
O RIO
Águas caudalosas, transparentes
banham encostas e colinas,
desvirginando a terra
entre rochas cristalinas,
rasgando sem piedade
as planícies imponentes!
A paisagem sorridente
curva-se ao líquido borbulhante
serpenteando às vertentes,
numa pressa exacerbante.
Corre planícies, faz cachoeira
cantarolando animado,
dando vida a tantas vidas
e doando a própria vida
ao maior rei do reinado...
(1991)
VIDA
És tu sopro divino, dádiva infinita.
Habitas aqui, força suprema!
escondo-me os olhos, pois, és bendita!
Curvo-me os joelhos graça serena!
Teu molde é perfeito, porque vês,
tuas ações fluem, porque crês,
teu sono é tranqüilo, porque choras,
mil graças recebes, porque imploras!
Tendo fé, tudo podes realizar.
O supremo ser, vela sempre, por ti.
És templo de amor a se zelar.
Tua massa é pó - tua essência, porvir!
Porvir é o amanhã, certamente será assim:
Hoje, sendo massa - há que se moldar,
amar, respeitar, proteger...
Tornar-se, por fim, espírito de luz, enfim!
(1997)
EMPATIA
Estrelas salpicam a negritude do céu.
Sereno morno da noite
a banhar-lhe o corpo.
Brisa suave, cheiro de mar.
Chuá...chuá...chuá...
ondas rebeldes açoitam as rochas,
lambem a areia da praia,
varrem-na com sofreguidão.
Corpo estendido em contemplação.
Sentimento e universo vivos.
Natureza pulsante, exuberante.
Percebe, escuta, sente...
aguça-lhe os sentidos.
Tateia a areia molhada
que lhe escorre dos dedos.
Desenho do corpo marcado na areia.
Espécies diferentes que se curtem,
num doce sabor de estarem sós.
(2007)
2-REGINA LYRA
REGINA LYRA nasceu em João Pessoa, Ponto mais Oriental das Américas, capital do Estado da Paraíba.
É escritora, poeta e professora universitária. Sua poética lírica penetra em um contexto imaginário, cuja criação estimula o sentimento, a fantasia. Publicou cinco livros: O Livro das Emoções , 1998. Sonhos & Fantasias, 2000. Insensatas Palavras, 2003. Tempo de Encanto, 2004. Pela Editora Universitária - PB. Seu mais recente livro, Atos em Arte. São Paulo: Ed. Scortecci, 2006.
Atos em Arte lançou no Rio
de Janeiro no dia 22 de agosto de 2006, no Hotel Everest, Grill 360º. Participou do FLIP (Festival Internacional de Paraty de 09 a 13 de agosto de 2006. Ocorreram novos lançamentos no Rio de Janeiro em 23 de novembro na Livraria Prefácio na Rua Voluntários da Pátria. Na livraria Arteplex, na Rua Botafogo no dia 29 de novembro. Palestra no 1º Salão de Leitura de Niterói no dia 24 de novembro. Lançou o livro no Espírito Santo, em Vila Velha, no restaurante Mais uma Dose e em Vitória na Livraria Nobel. Participação em 16 Antologias nacionais e internacionais até 2006.
Participação de mais duas Antologias em 2007. Talento Delas lançamento no dia 08 de março em São Paulo. Roda Mundo, Roda Gigante, 2007. Lançamento previsto para julho de 2007 em São Paulo.
O livro Atos em Arte, com prefácio de Reynaldo Valinho Alvarez, lançamento em 18/05/07 em João Pessoa, na Fundação Casa de José Américo de Almeida.
SEM TÍTULO
Dentre tantas provocações,
a poesia parece não encontrar solo tenro,
mas um grande areal...
Felizes os que encontram um porto,
mesmo não tão seguro...
E o teto,
vidro ou palha,
não pode sentir fogo
nem pedra que o valha.
Assim vão-se os dias,
uns amados
outros flagelados,
pedintes de amor...
IN: Antologia VMD. São Paulo: Ed. Ottoni, 2004.
ESPANTO
I
Mando-te
meu espanto,
espasmódico,
estranho!
Endereço incerto,
permitiu vazio
pranto!
Desaparecido,
bairros da cidade,
terras do país.
Bares ocultos,
marginais,
luto do discurso
intelectual,
solitário,
por uma participação nacional!
II
No espanto,
em que me encontro
deixo-te partir
sem despedidas,
busca reconhecimento,
da vida!
III
O gosto do sentimento
deseja penetrar em ti,
mas foi despejado
pelo descrédito do sentir!
O vento leva em bloco,
sopra aos quatro cantos,
da terra lavrada,
semeando,
momentos de ternura.
IV
Desconheces
sopro do vento
canto do rosto.
Vento parte
sem dar-te recado.
Em outro canto,
as letras se perdem,
não formam palavras.
Versos se confundem
nas barbas do vento,
extraviando a mensagem
do pensamento.
Perdem-se palavras
soltas ao vento...
(IN: Antologia Talento Feminino em Prosa e Verso V. II. São Paulo: Ed. Scortecci, 2004).
VESTIDA COM A MINHA NUDEZ
Se olhos firmes me pudessem falar...
O absurdo instalar-se-ia,
Minha nudez não seria vista.
Sem vestes,
Nem trapos,
Seria vencida.
Com a indumentária despida
Encontrei mãos para cobrir-me,
- Não era preciso.
A natureza refeita do espanto
Refletiu meu pranto n’água
Fez-se um manto,
Deste manto
Nunca me desfiz.
Criou raiz
Na minha cantiga.
IN: Antologia Talento Delas. São Paulo: Ed. Scortecci, 2007
[cinco poemas do livro Atos e Arte, Editora Scortecci, 2006]
SENTIDO INCOMPREENDIDO
O perdão que envio
Talvez não encontre fio!
Mesmo sendo assim,
Perdoado está!
Atos
Provocam dores
Vazias!
Encontro frio,
Desajuste climático
Dentro dos Eu's...
Arte provoca desafio.
No contexto imaginário,
Mente insana!
Em terra semeada
Amor atraca!
Nasce a flor do deserto...
CHAMADO
Não sentes,
Amor chamando?
Não sentes,
Mágoa instalada?
Sem perceber,
Fenece ao teu lado...
Amor...
Via de mão dupla,
Quando um fraqueja,
Outro ajuda!
DISFARCE
Se encontrares uma flor no caminho,
Não passa sem vê-la!
- Recado do pensamento...
Se uma rajada de vento
Refrescar-lhe o rosto
Pela mão da natureza,
Deposita carícia,
Sem malícia,
- Sua face trigueira.
Aceita-a sem desgaste,
Mesmo desfeita...
Se o sol queimar a pele,
Bronzear rosto,
Chama!
Clama!
— Não disfarça!
POEMA SEM RUMO
Desaparecido
Tira tapete,
Pés reagem!
Chão foge...
Rapto,
Terra longínqua!
Morre a míngua...
Ver água pelo ralo,
Noutros regalos.
Manjar de estalos
Inútil momento,
Procura estéril!
— É o deserto da sala!
AMEAÇA
Naquele instante,
Loucura vã,
Impropérios ditos,
Sentimento triste.
Empalidece, ameaça!
Crueldade humana...
Solta, às traças!
3-JOSÉ SOLHA
Arquiteto, engenheiro mecânico, estudou também filosofia como formação mas, sua paixão sempre foi o desenho, tanto técnico como o artístico. Fez parte do quadro associativo da Associação Paulista de Belas Artes, convivendo com os mais eminentes artistas de São Paulo, como os do Grupo Sta. Helena, como Mario Zanini, Rebolo, Volpi, Durval Pereira, Collete Pujol. Foi aluno de pintura de Dario Mecatti, com quem aprendeu a mais refinada técnica da pintura italiana. Trabalhou como desenhista na Shell do Brazil S/A e Gasbrás do Brasil e como analista de processos na Ford Motor Company onde se aposentou, para se dedicar profissionalmente à pintura durante 3 anos. Quando estudante em Bragança Paulista, participou do Teatro Bragantino de Comédia, foi fundador da Federação Estudantil Bragantina, do Legionários Futebol Clube e do CCBC, estudou inglês na Aliança Brasil Estados Unidos e japonês, por 3 anos, na Aliança Cultural Brasil Japão. Foi sempre um amante da leitura, principalmente da poesia.
B U S C A
Te procurei nas asas da gaivota
Quando o mar sereno convidava-nos ao banho,
E nessa busca, minha calma se esgota,
Dando lugar à esse sentimento estranho.
Tentei ouvir tua voz no som do vento,
Porém tão calmo era a brisa nesse dia,
E quanto mais ardente era meu intento,
Tanto maior se punha a calmaria.
No sol busquei a luz do teu olhar,
Como um sedento busca louco sua fonte,
Porém não pude muito tempo assim ficar,
E o sol tão lindo escondeu-se no horizonte.
Busquei-te então no brilho das estrelas,
Tão preso estava pelo teu encantamento,
E me lancei tão perto para vê-las,
Que me perdi no grande firmamento.
Depois, cansado nessa busca inglória,
De tanta pena e tanto sofrimento,
Fui te encontrar no fim da minha história,
Para acalmar meu triste desalento,
Como uma palma, meu laurel e glória,
No coração onde te pus; - Cá dentro.....
DESTE PEITO AMANTE
Menina linda
De olhar tão verde,
De falar macio
Que a mim encanta ...
De sorriso franco,
De piadas fortes,
Sei que és "de morte!".
Mas, te amo tanto !
Menina meiga
De Carinho pronto,
De beijar tão doce
E suspirar baixinho...
Menina gente,
Que mentir não sabe,
Nem que o mundo acabe
Quero estar presente;
Deste olhar tão verde
E teu falar macio,
Do carinho pronto
E do teu beijo quente...
Ai que bom menina
Se possível fosse
Suspirar contigo
Ao menos um instante !
Pra seguir avante
Meu caminho incerto,
Tendo a ti mais perto
DESTE PEITO AMANTE !
MEU GIGANTE
Sentado ao umbral da porta
Uma figura impoluta
Cuja presença conforta
Nosso viver, nossa luta...
Inda quando pequenino
Esse gigante incansável
Deu formas a meu destino
Sempre gentil e amável
Hoje, já velho, cansado
Sentado ao umbral da porta,
Lança um olhar ao passado
Saudoso das coisas mortas.
Me achego reconhecido
Pouso a cabeça em seu peito,
Como a dizer-lhe "Querido",
Tu fostes mais que perfeito.
Esse é um quadro importante
Que do meu peito não sai,
Lembra-me sempre "o gigante"
Que sempre fostes, PAPAI !.
ETERNO APAIXONADO
Quando as marcas do tempo
atingirem tua face,
quero estar contigo.......
Quando as rugas implacáveis
mudarem teu semblante,
quero estar contigo......
Mesmo se não forem tão negros os teus cabelos,
e a tua voz tão firme como outrora,
quero estar contigo o tempo inteiro,
quero estar contigo, como estou agora.
Se as tuas mãos não forem tão macias,
e se tua face perder esse rosado,
quero estar contigo, ainda mais um dia,
quero estar assim: juntinhos lado a lado.
Quando o corpo esbelto, escultural figura,
deixar seu formato num verão passado,
quero estar contigo com maior ternura,
quero estar contigo como tenho estado.
Quando forem flácidos teus lindos seios,
ou nenhum encanto teu tiver restado,
quero estar contigo sem qualquer receio,
de n'algum momento haver te abandonado.
E se a tua vida, um dia, a morte infame,
o aço frio do alfanje houver ceifado,
mais do que nunca eu estarei contigo,
igual a sempre, ETERNO APAIXONADO...
PONTO AÇÃO
Nos encontramos
em pontos reticentes
e numa vírgula
fiz a minha pausa.
Entre colchetes
mostrei-me ser carente
apostrofado defensor
da tua causa.
O teu olhar
foi ponto exclamativo
e meu espanto
em síntese grifado.
Entre dois pontos
o verde de teus olhos
a me fitar
num quê interrogativo.
Tornou-se agudo
o impasse do momento
pondo em parêntesis
o meu real motivo.
Senti-me preso
ao til dos teus encantos
e num parágrafo
mostrei-te o coração.
Mas fostes embora
como a graça da cedilha
nos separando
por um grande travessão.
Da estória que acima
lhes relato,
que parece um evento
casual,
Só ficou a lembrança
do retrato,
dum lacônico e cruel
PONTO FINAL.
4-NEYDE NORONHA
Nasci em Niterói, RJ de uma família luso-brasileira. Sempre fui muito inquieta, curiosa e insistente nas minhas buscas de informações sobre qualquer tipo de arte.
Formei-me professora do fundamental. Fiz diversos cursos de pintura com diversos pintores.
Desde 1978 comecei a fazer rascunhos de pensamentos, assim como a mostrar em exposições as minhas pinturas.
Na poesia até a pouco timidamente me apresentei, seguindo os dois caminhos.
Lembro-me que pela minha timidez fiz um book manual (um livreto artesanal).Guardei rascunhos e a partir do ano de 1996, editei alguns, que hoje estão entre outros poemas atualizados em sites de poesias e-books,em livro- A minha primeira participação em Virtualismo, entre outros poetas-E o site Letras & Artes, a primeira edição.
Hoje através do meu computador fiz diversos contatos na área das Artes e da Poesia.
Lancei como Owner o grupo sitiado no Yahoo : Redescobrir_Arte_Poesia, mais tarde Letras & Artes, onde passei a conhecer outro mundo, sempre acompanhada de escritores, poetas, artistas plásticos, que me incentivam até hoje a poetisar.
O que não sonhei, se realizou de uma forma contundente,imagino esta HP e desejo futuramente, peneirar alguns dos meus escritos e lançar um livro com a ilustração dos meus trabalhos artísticos.
"Sou assim, me conduzi ao caminho da liberdade de criar e de me expressar,não tenho preconceitos,me preocupo com limites,aos quais não ouso extrapolar.
Amo a Vida e a tudo o que ela sempre me ofereceu.
O que não tenho ou o que já tive e perdi guardo no coração,sempre desejando que venham mutantes nas minhas esperanças de renovação".
A Beleza do Momento
Vida, que te quero Viva
Onde tudo se faz
Se destaca
Perdemos ou ganhamos
De uma forma ou de outra
A beleza se ganha, nunca se perde
Segura e bonita
Tem seu nome próprio
Se veste de caridade
Se entrega de amor
Aquele que ama é belo
Quem se deixa amar
Brilha, em qualquer idade
Concorda com o esplêndido
Se conduz a imortalidade
A beleza não está apenas na estética
A autenticidade da alma
Impregna-se com seus adornos
Envolvida em luz
Serenidade e paz
Alegria, alegria
Flor com espinhos
Deixam marcas
Que se apagam
Quando o Sol
Desfaz o desencanto
Apagando a dor sentida
Num leve amanhecer
Primavera
Sensível
Colorindo pensamentos
Estação das flores
Que na relva se espalham
Contentando corações
Verão
Inverno
Lágrimas afogadas
Sorrisos de alento
Esperança
Divino
Natal de Cristo!
Alegria! Alegria!
Dedico ao meu querido amigo Rui Pais
Outono de 2005,Niterói/RJ Brasil
Certeza de Paz
Silencio para meditar
Fecho os olhos
Viajo nos meus sonhos
No paraíso e no amor
" Sinto alívio na dor"
Vejo luz
Que vem do infinito
E braços que me acolhem
Sinto frio...e o meu coração palpita
Aos poucos se acalma
Certeza de Paz!
Seduzida me transformo
E não fujo mais
Viajo nos seus sonhos
Porque são deles que vivo os meus.
5-SIMONE SANTANA
Terra Antropófaga
Escolhera aquela terra e aquelas sementes por pensá-las boas. A enxada empunhada, pronta para o primeiro golpe sobre sua umidade orvalhada. Fecundaria a terra agora. Forçá-la-ia a aceitar a semente a germinar em seu ventre, deformando sua superfície plana. Forçá-la-ia. Alimentar-se-ia, depois, no banquete antropofágico, de seus filhos, brotados da escuridão generosa. Ouviu um rugido vindo das entranhas que encetara penetrar. Rápido colou o ouvido em seu ventre. Ela reclamava os filhos naturais que ele lhe roubara, fecundados pelo vento. Sentira-os ardendo sobre sua face, secando a água de seus corpos frescos. As chamas lamberam e levaram tudo o que possuía de mais precioso. Queimada, seria violentada agora pelas mãos rudes, pela lâmina afiada. Nada queria dar. Sobre si sentia o cheiro da carne queimada acariciando o vento fresco. A chuva caíra depois da fumaça, refrescando seu corpo quente, ardido, seco. As cinzas transformaram-se em barro venenoso, a adentrar suas entranhas, intoxicando-a de tudo que lhe era mais caro. Trêmula, não podia mais controlar os enjôos de seu estômago doente. Suas entranhas se revolveram. Arreganhou a boca, engolindo o ouvido, as mãos rudes, a lâmina afiada. Ele, atônito, sentiu-a sugá-lo para dentro de si. O peso de seus braços envolvendo seu corpo. Continuou caindo. Levitava. Viu-se em pé. A enxada ali ao lado. O céu não era mais azul. Amarronzado, da cor da terra. “Muita terra”, constatou feliz, cavando-a. Retirou sementes do bolso e as lançou na cova, cobrindo-as delicadamente. Rapidamente elas brotaram. Satisfeito com o resultado, lançou mais sementes, cada vez mais. A cada semente que lançava, sentia-se a transformar em terra. Seus braços foram ficando cada vez mais pesados. Úmidos. Chegou um momento em que não conseguiu mais levantá-los. Deitado, observava as raízes germinando. Os olhos cada vez mais baços, azulados. Simplesmente estava. Suas costas sentindo o contato fresco da terra. Seu rosto perdera a expressão agoniada de antes. Estava satisfeito. Sentia-se leve. A terra o sentia dentro de si, alimentando suas entranhas. Suas feridas sararam. Uma penugem verde recobria a sua pele. Satisfeita, viu seus filhos brotarem, os bichos ornamentando os galhos fortes. Dentro, as raízes se aprofundavam na carne macia, nas proteínas do corpo azulado. Cumprira a sua sina, afinal. Alimentaria a terra, a terra alimentaria as raízes, as raízes alimentariam seus filhos, os filhos a terra. Ele se transformou em água, depois em suave barro, acalmando o ventre ensandecido. Ela se fechou serena. Antropofagicamente satisfeita.
6-DÉLIO PINHEIRO
Auto-retrato
Antes de mais nada sou caos. Mas também sou silêncio nas noites regadas à blues. Sou fotografia analógica, sou fusível, sou vinil e filmes em preto e branco. Sou história muito mais que geografia. Sou mil vezes literatura à qualquer tipo de arte. Portanto sou livros, muitos livros. Sou mais livros que cinema. Sou de fazer listas para tudo, menos para fazer compras. Sou vintage e sou saraus. Sou café forte, muito forte, quente e em boa companhia. Não sou água mineral com gás. Sou cheiro de mofo, sou revistas antigas e sou páginas amareladas. Sou fazer poesias nas madrugadas, sou acordar com cara de sono. Não sou dormir com nenhum barulho, que não seja o eco de meu sonhos. Sou finais de semana na roça, mas apenas finais de semana. Sou cachoeira muito mais que praia. Sou apenas o pseudônimo do que pretendo ser, e sou anônimo em minha relativa notoriedade. Sou velocidade. Sou informação. Não sou demonstrações de afeto, embora me farte deles. Sou um eterno aprendiz de violão, que está pousado num canto de meu quarto, como um mausoléu de melodias. Sou hiperatividade cerebral. Gostaria de ser trabalho voluntário. Gostaria de trabalhar menos. Sou começar a malhar, para depois me entregar à ociosidade. Sou viajar. De preferência sem rumo. Mas muito bem acompanhado. Sou Bach, manhãs de domingo, Goethe, Google, Kafka, cerveja gelada, jornais empilhados, papo cabeça, Chico Buarque, cinema europeu, rock, chiado de vinil, Jack Daniels, lojas de conveniência nas madrugadas. Sou as paisagens que vi, as pessoas de cuja companhia desfrutei. Não sou bate-bocas. Não sou cinto de segurança. Sou jornalismo e sou absolutamente apaixonado por essa profissão. Sou cobrir alguma guerra, embora torça para que elas não aconteçam. Sou Minas. Sou Cruzeiro. Sou Clube da Esquina. Sou jeans. Não sou discutir a vida alheia. Não sou horário de verão. Sou água quente no chuveiro em qualquer estação. Não sou fanatismo de qualquer espécie. Não sou protocolos. Não sou formalidades. Não sou inveja. Sou escrever. Sou ouvir. Não sou carne. Não sou carência de nenhuma espécie. Não sou saudade. Não sou fantasmas do passado. Não sou Carnaval.
Imagético
Gigantes, imaginários ou não
sopram os ventos de julho
encrespando as águas do rio
e arrepiando as crinas dos corcéis.
Corcéis, imaginários ou não
cavalgam rentes ao precipício
com sua ferraduras douradas
refugando apenas diante de Deus.
Deus, imaginário ou não
ri de tudo isso.
Ruas encantadas
Ouço os cascos do cavalo invisível
solapar o asfalto recém colocado
pelo prefeito ou o distante deputado
quando percebemos o que é imperceptível.
Já que cavalos encantados não tem mais,
foram soterrados pela eletricidade,
que deu vida às ruas da cidade
que vicejam atentas por demais.
Mas meu ouvido alcança o passado
e capta o exato instante
em que o cavaleiro cruza a rua.
Não o vejo, mas consigo imaginá-lo
jogando pedras nas lâmpadas de mercúrio
que apagaram o brilho da sua lua.
Conhaque barato
O conhaque barato desce amargo
através da garganta ressecada
enquanto as luzes bêbadas da madrugada
se apagam, uma a uma, à espera de um último trago.
Que parece expurgar as desgraças do mundo
soluçando aflito palavras de amor
encontrando no barman um estertor
que assiste ao triste monólogo do vagabundo.
Apenas mais uma dose e nada mais
depois o mesmo ônibus e a mesma vida
e a mesma cara de reprovação.
Que assoma na janela e na alma
e que era a mesma imagem distorcida
que ele já vira na garrafa, de antemão.
Portal do sem fim da alma
O azul inominável de seus olhos
azul quase céu de brigadeiro
que paira solene em mim
e se perde nos meus olhos vãos.
Que tem cor de não sei o quê
mas que passa a ter a cor que se queira
quando seus olhos de um azul-ilusão
pousam-se nos meus, eis o milagre!
Eu, um rosto na multidão
e você, no outdoor imenso sobre todos nós
velando-me no frio entardecer
enquanto vem a noite, que tem a cor de meus olhos vãos.
Nódoa
A saudade tem um lado bom
talvez um dia eu consiga encontrá-lo
em meio aos fragmentos e cacos
que você deixou para enfeitar meu lar.
Que ainda tem suas fotos nas paredes
e seu cheiro a impregná-lo
feito nódoa que não sai
nem com simpatias de avó.
7-ANA PAULA PEDRO
Ana Paula Pedro, 28 anos, paulista.
É atriz, psicóloga e poeta.
Formada pela USP, leciona expressão corporal e interpretação.
Têm em seu currículo espetáculos teatrais
como "Alice através do espelho" Armazém Cia de Teatro,
curtas metragens e alguns trabalhos em televisão.
Participa da Ponte de Versos desde seu primeiro dia e
em diversos eventos poéticos tais como
Segundas com Arte, Sábado de Poesia,
Quarta Capa e Terça ConVerso no Café.
Santa
Afundar sobre a quente névoa de tuas ruas
Soprar como vento em constante persistência das horas
Lambuzar-me em tuas densas águas agridoces
Escalar as falésias de tua incoerente geografia
Renascer como oásis de teus secretos redutos
Esquecer de vez o deserto que há em mim
Cobrir a memória com o tênue lençol de algodão
Um sítio para minha pequena
Um sítio florido
que seja perto
céu claro
sonhos são copa de árvore
raízes fincadas
sólidas
tardes da velhice
chá de pêssego
rede na varanda
cercado branco
viola caipira, flauta e violão
amanhece
cheiro de café
manteiga derretida no pão
geléias, amoras, damasco
cachorros, pássaros, gatos
tartaruga e peixes cintilantes
de repente até uma vaca
bezerro
ninguém gosta de ser só
xale sobre os ombros
lareira
memória
rugas, dragão, flores e furos
corpos que ainda se amam
dois pássaros azuis se aproximam
quartos alguns
é preciso ter família sempre perto
bons amigos já conhecem Sebastiana
sabem abrir a porteira
fumo na palha do milho
orquídeas do Itamar
é preciso ter fartura sobre a mesa
reivindico um pomar
vinho do porto se queres ser Hilda
papel e tinta
com que escrevo o amanhã.
Primeira Chuva no deserto
Fecho os olhos e imagino a primeira chuva no deserto.
Vejo-te sentado no estreito balcão, mudo,
olhos vidrados no trajeto de cada gota.
Fico ao teu lado observando esta imprevista chuva
e após alguns instantes
atiro-me nos úmidos braços celestiais;
deixo a chuva lavar minha alma e meu corpo,
entrego-me às surpresas do deserto,
refaço-me inteira.
Quando volto meu olhar para ti,
vejo que, assim como o deserto,
tu também estás a chover.
Lágrimas que parecem não ter fim.
Não me apiedo de ti,
o tempo por vezes parece demasiadamente curto,
a eternidade se encerra em um segundo,
a vida por vezes é urgente.
Precipito meus braços em tua direção.
Observo teu lento caminhar
e quando finalmente estás diante de mim,
dançamos ao som dos estalos
do encontro da água com a areia...
esfoliando nossas almas das dores da vida,
vimos um novo dia raiar,
dançando juntos
a música que nos habita.
8-MARISTELA TRINDADE
Maristela Trindade é taurina, carioca, moradora de Botafogo,
terapeuta e preparadora corporal, atriz, educadora artística, produtora,
diretora e autora teatral ... poetisa, sim senhor!
Rainha da gang de poetas Ratos Di Versos ...
essa senhora mátria, rotineiramente sai dos bueiros da cidade,
toda rima, roe e corroe, redentora, as desesperanças da ratoeira e
é salva pela poética da alma brasileira!
Que os deuses do asfalto protejam os passos da bailarina encantada
sob as poças de luz da cidade maravilhosa!
Pedrapalavra
Você escreve poemas
Por vezes escrevo pedras.
Elas pontiagudas me encontram
acústica.
Escrevo duro fazendo barulhos!
Dou minhas pedras as águas,
aos animais,
às possibilidades.
Escrevo e dou.
Provoco sons
com escrita dura.
Você escreve,
o outro inspira e eu
expiro pedraspalavras
Pego o soro como um bicho sedento,
coloco na narina e agüento.
Debocho do contínuo ....
pois, amanhã,
o que será?
Zombo dessa desordem orgânica
que me faz quase calcário em mutação.
Um pedaço de tonteira na beira do rio.
Rolo as pedras sem discernimento
do lugar para onde vamos.
Com pedras se pode brincar.
Já eu, por vezes.
escrevo pedras,
construo pedras
pedrapalavras
Danço mais
Minha mente inventa amor, meu corpo, não.
Nada de amor quero inventar sozinha,
como não quero um corpo magro,
ressentido sem carícias.
Prefiro o desmanche de tudo que provocas.
Ouço "vamos com calma", do mesmo que me acelera.
Confusa, lembro a mim que minha calma é plena de sentir,
beijar, acoplar, dormir...
mas é em mim.
No outro, é outro jogo.
Eu não sei dançar bem esse carteado de homem caloso.
Sou dança espontânea com pés descalços.
Você vem, eu danço também.
Você vai, eu danço mais.
Vermelho
O amor, mesmo o branco é vermelho.
Vermelho.
Eu digo que te amo e digo "não te quero".
Não quero seu amor nem quero o meu.
Eu muito menos "quero" do que amo.
Não quero sua gaiola na minha cabeça.
Tão pouco nossas cabeças em nenhuma gaiola.
O amor sendo mundano te penetra,
sem pertences, sem tridentes, me acerta.
Faz parte do "eu amo" e não do “eu quero”.
Eu muito menos "quero", do que amo.
O amor, mesmo o branco é vermelho.
Vermelho.
Te amo.
9-MAGALY GRESPAN
Magaly Grespan e pedagoga, pós graduada em Educação Especial.
É poeta e trabalha com Artes na sua área de atuação, a educação.
Vive na cidade de Três Lagoas, em Mato Grosso do Sul.
Tem trabalhos publicados em vários sites da Internet.
"Sou uma pessoa extremamente romântica e feliz,
vejo no poema uma companhia que me traz muitas alegrias,
nele posso pousar meu olhar, viver, afora o mundo, nele sonho,
tudo que já tive e o que ainda não tenho, acho que o poeta é isso,
um misto de alegrias e tristezas, alçando vôos através da imaginação e da palavra."
Meu Inteiro
Não dominaria meu pensamento teimoso
Na fração em que reparto meu inteiro
E sutilmente receio não ser essa
Mas a outra alma que tenho
Sem virtudes, povoada de inconfessáveis verdades
E no olhar confuso vejo uma criança estraga –prazeres
E eloqüente são os artifícios
De sempre fazer barulho
Quando tudo em mim é silêncio.
Farta de Ver
Desço sobre as montanhas
E nas ondas ouço os estrondos dos chicotes
Cortando as águas do mar
Farta de ver
As nuvens varrendo o céu levando ao longe o amor
E a felicidade feito pluma sobre as alturas
E desliza a alma plainando sobre o céu uma lágrima
Farta de saber
Que no mundo a vida foge
Na felicidade de outro mundo
Acolhe-me senhor
E de bom grado
Minha felicidade há de cochilar sozinha.
Sons de Violão
Agora,
Vendo o verde,
Ouvindo acordes de um violão,
Bem distante,
Por entre as campinas,
Enxergo a memória dos pássaros.
Esqueço a vida da cidade.
A anatomia do teu corpo.
E o mundo desaparece coalhado
Na esperança da última luz acesa.
E sai o verbo do coração,
Palavra torta feito redenção.
10-MARCO ARAÚJO
Marco Araújo é gaúcho e mora em Porto Alegre.
É poeta, cantor, compositor e violonista.
Trabalha com educação não formal.
É um artista em atividade.
Gosta de conviver com pessoas simples e inteligentes.
Quando lembrares de mim
Quando lembrares de mim
Procura no céu uma estrela
Na terra uma estrada amarela
No mar um destino de rio
Quando lembrares de mim
Entrega ao vento um desejo
Revela no tempo um segredo
E canta a canção do prazer
Quando lembrares de mim
Descobre no sol um caminho
No olhar um sinal de carinho
Na boca o sabor das manhãs
Quando lembrares de mim
Que seja por conta do dia
Que a vida se fez poesia
Um sonho que deus permitiu
soneto seco
Precipitando a madrugada
a chuva não chegou
Dava dó ver tanta gente
dando nó em pingo d'água
Depois do amanhecer
o tempo não mudou
Nem amor, nem alegria
nem tormenta ou calmaria
Pane seca, sol a pino
fritura, meio-dia
correria, banco, loteria
Fim da linha
ruptura, pinga, rapadura
e nem sinal de ventania
11-CANTINHO DOS ILUMINADOS E MUITO QUERIDOS POETAMIGOS
ANDERSON BRAGA HORTA
Brasília / DF
O AMOR
Não é o amor os relâmpagos,
as cataratas do poeta.
Amor é coisa mais intima
e mais discreta.
Nem é o amor as delícias
sem fel que pinta o poeta.
Amor é coisa mais áspera
e mais completa.
O amor é uma luta do eu
contra si mesmo
( Sendo o outro o vencedor.)
Amor é quando o Universo,
sem reduzir-se,
cabe no cálix da flor.
REYNALDO VALINHO ALVAREZ
RIO DE JANEIRO / RJ
LAMPIÕES CANSADOS
ah luzes coloridas dos anúncios
visões desencontradas e prenúncios
do que nunca viria ah movimento
sincopado ou mais rápido ou mais lento
das lâmpadas acesas nos painéis
como chamados doces ou cruéis.
quanto à rua do tio
o lavradio
não tinha luzes
doces ou cruéis
mas só honestos
lampiões cansados
amigos prestos
dos retardatários
olvidados
de todos os horários
NEUSA ZANIRATO
SÃO PAULO / SP
AMPLITUDE
(Meu olhar largo e profundo vasculha todo seu mundo)
Porque meu coração muitas vezes quer voar,
Mas os pés teimosamente se fincam na terra
Qual raízes centenárias:
Maculam o chão molhado
Pela última tempestade,
Deixando suas marcas impiedosas
Na lama sagrada.
Porque meus pés são a razão
Soterrada por lavas incandescentes.
Porque meus olhos são a contradição
De tudo que foi regrado,
De tudo que foi sagrado.
Porque meus olhos se vestiram
Em forma e cores de um coração,
Subiram além do horizonte,
-Limite da razão-
E se queimaram ao sol nascente
E ao sol poente.
E ao te encontrarem
Romperam a inutilidade das raízes
-Corajosamente-
E sobreviveram sem âncoras ou amarras.
E flutuaram no espaço
-Teimosamente-
Acompanhando os teus passos.
IVES GANDRA DA SILVA MARTINS
RIO DE JANEIRO / RJ
LANÇA CRAVADA
Lança cravada pelo peito aberto,
No silêncio da noite desmedida,
E o cavaleiro lancetado incerto
Cavalga a morte, cavalgando a vida.
Eu, procurando o meu próprio deserto,
Encontro o panorama da partida
E firo-me buscando o que anda perto
Do que anda atrás da senda conhecida.
Lança cravada pela carne nua
Em pleno profundor da alma silente,
Ferida nova, informe e diferente.
E eu desvendando o som que continua
Na chaga insone da distância interna,
Em busca de mim mesmo... em busca eterna.
MARISA ZANIRATO
ASSIS / SP
AMOR EM ÓRION
Tuas flechas, Arqueiro, sondam o céu.
Teu alvo sempre o mesmo: Aldebarã,
a mais formosa das fulvas estrelas.
Colecionador de astros e falenas,
não cobiças nenhuma.
Miras a Fulva apenas...
Aldebarã é sonho e sol,
filha do céu e da aurora,
brilho instigante para teu olhar de predador.
Há quanto tempo fixas o mesmo ponto, Arqueiro?
E a estrela, alvo sedutor, brinca de esconde, pisca...
Olha de frente a seta, ri
das mãos que entesam o arco
e, pulsante de desejo, desafia o Caçador:
- Atira, Sírius! diz a Ruiva em brilho terno.
Se me acertares, explodirei
amor e luz no céu;
mas se errares - juro por mim! -
o brilho de uma estrela inacessível
será sempre o teu inferno.
MÁRCIO CATUNDA
Lisboa / Portugal
DELEITAÇÕES
Bem-te-vis e bem-me-queres na janela,
Água lustral plantada nas mãos do vento.
Vitória-régia no ano 2000.
Deleitações na voz do tempo.
Água marinha nos portos da imensidão.
Estrela do mar na vegetação sideral.
As eras sempre são, nas transmutações.

7 Comentários:
Amigo,
Parabéns por mais uma edição perfeita deste blog.
Fiquei feliz em conhecer a poesia de Creusa Lima, José Solha, Neyde Noronha, Simone Santana,
Regina Lyra, Délio Pinheiro, Maristela Trindade,Ana Paula Pedro, José Solha, Neyde Noronha, Simone Santana, e reencontrar meus autores queridos: Reynaldo Valinho, Anderson Braga Horta, Yves Gandra, maninha Neusa Zanirato e Márcio Catunda. Obrigada pela gentileza de me incluir ao lado de autores tão bons!
Abraços!
Por
Anônimo, Ã s 4:30 PM
Caro Selmo, me sinto envaidecido ter sido incluido nesse seu belo Blog. Principalmente, depois de percorrer as publicações nele contidas, de grande beleza e sencibilidade. Obrigado pela deferência e pode contar conosco para divulga-lo. Abraços ....jsolha
Por
O SORRISO DO MEU NETO, Ã s 5:01 PM
Selmo querido,
fiquei feliz em ver postado poemas de minha grande amiga - irmã ,a Creusa.Vc é um cara ímpar e sabe valorizar as características literárias de cada um.É um prazer imenso tê-lo como amigo.
Grande bj na alma poética
Sandra
Por
Sandra Almeida, Ã s 5:39 PM
Selmo, obrigada por me incluir em seleção tão linda!!!
Por
Simone Santana, Ã s 8:24 AM
Ca´ro Selmo,
Obrigada, por incluir-me junto com autores tão bons.Parabenizo-o também por tão brilhante trabalho. Que bom que podemos contar com pessoa tão sensível como você, que sabe ler na alma daqueles que às vezes só se expressa com exatidão através da poesia. Abraços!
Por
Creusa Lima, Ã s 2:47 PM
PoetAmigo Selmo, como muita honra faço parte das estrelas que aqui estão presentes. Cada qual mail iluminada pela beleza das palavras. Você consegue reunir com a sensibilidade do sentir toda uma poesia. Parabens pelo trabalho belo. Grande beijo, Regina Lyra
Por
Anônimo, Ã s 8:04 PM
Salve, Selmo:
Você é incansável1 Parabéns por mais esta publicação. Sinto-me privilegiado por ser seu amigo. Em setembro, de 13 a 23, aguardo você na XIII Bienal Internacional do Livro/RJ. Faremos recitais / saraus todo dia às 18h, no estande 225 - APPERJ/OFICINA Ed., Rua "L", Pavilhão Azul, RioCentro, Barra da Tijuca. Seja bem-vindo. Parabéns pelo blog.
ABÇS
SG
Por
Sérgio Gerônimo, Ã s 6:48 AM
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