MOMENTO LÍTERO CULTURAL
FLÁVIA SAVARY RECEBE DOIS IMPORTANTES PRÊMIOS DE LITERATURA

Em meio às comemorações do centenário de Machado de Assis, mais uma efeméride abrilhanta a Casa de Machado, por excelência — a Academia Brasileira de Letras.
Na tarde de 31 de outubro, no Teatro R. Magalhães Jr., localizado no prédio da Academia Brasileira de Letras, aconteceu a solenidade de entrega dos prêmios dos vencedores do Concurso Literário promovido pela UBE.
A UBE, União Brasileira de Escritores, por sua vez, celebra uma data igualmente especial: seu Jubileu de Ouro.
Foi em meio a tantas festividades que a autora FLÁVIA SAVARY recebeu, de uma só vez, dois importantes prêmios de literatura.
Ao contrário dos anos anteriores, quando a UBE premiava textos inéditos, a fim de marcar a passagem de seus cinqüenta anos de existência, a entidade decidiu premiar apenas livros editados.
Entre o vasto material recebido de todas as partes do Brasil, FLÁVIA SAVARY conquistou o primeiro lugar para livro de contos, o Prêmio José J. Veiga, com sua obra Histórias de fogo.
Já na categoria romance, a autora obteve o segundo lugar no Prêmio Marques Rebelo, com o livro As escolhas de Rafael.
Presentes à festa, além de várias celebridades, o presidente da Academia, Cícero Sandroni, que presidiu a mesa de premiação, o acadêmico Carlos Nejar, as escritoras Maria Lúcia Amaral, Luciana Savaget, Denise Emmer, o músico Billy Blanco, a cantora e compositora Luli e muitos outros.
Amigos de diversas esferas culturais trouxeram seu carinhoso abraço à autora. Entre eles, a astróloga Marta Pires Ferreira, a editora Agueda Guijarro e a divulgadora
Albenice Palmejane, da Editora Salesiana de São Paulo, que editou os livros premiados.
FLÁVIA SAVARY também recebeu os parabéns da querida amiga e secretária-geral da UBE, Stella Leonardos, de seu presidente, Edir Meirelles, e demais membros da entidade.

Partilharam, ainda, da alegria da autora, sua mãe Olga Savary, figura de renome no panorama das letras nacionais, além de diversos intelectuais presentes à cerimônia.

As novas premiações vêm somar-se às mais de 70 já recebidas por Flávia Savary. A autora acumula láureas em praticamente todos os gêneros literários, desde teatro e poesia até crônica e literatura infanto-juvenil, sua especialidade. Como, aliás, é do conhecimento das escolas de todo o país que adotam seus livros, com enorme sucesso.
Paz e Bem,
Flávia Savary
PARA MAIS INFORMAÇÕES, VISITE O SITE: www.flaviasavary.com
RICARDO SANT’ANNA REIS

Manifesto sobre os porquês em poesia
a Gilberto Mendonça Teles
Indago-me, sem proveito, uma pergunta ancestral:
Se alem do consolo da fala mais amiga
Na emoção construída, para que se dar a este eito?
Brincar com as palavras, com as formas livres
E prende-las num ramalhete precioso...
Para que se fazer poema?
Se é para a paz mundial? Não. Nada feito.
Nem Brecht ao impelir no peito, ao avesso
Os tambores espartaquistas na noite do sol vermelho
E nem os Canhões de Navarone se calaram
Por sobre a terra, por causa de um único verso.
Um verso, unzinho que seja, jamais matou qualquer fome;
E deu de beber ao doente. Uma palavra bem dita
Nunca evitou que um poeta dormisse sozinho
Na solidão de ser homem.
Para o coração da mulher atual
Cheia de preceitos e de certezas
Vai mais certo a conquista
Com um gole de cerveja.
Se viver no vai da lira, não me dará camisa
À poesia eu indago:
Para que me terá serventia?
São perguntas que não rematam
Desde as eras primeviais.
São perguntas que não pretendem
Obter respostas, alem do mais.
O que pode ser poesia? Um pranto
Um riso, um canto, um deboche
Para aliviar a tensão?
Continuo a perguntar
Agora aos poetas funcionários
Cronológicos, tautológicos
Que sentenciam o que pode ou não
(inda que lhes falte preparo).
É que eles dizem saber de tudo
Até da morte de arte poética
Inda que eu a ausculte tão viva
Como fora uma contaminação.
É que vejo levantar das tumbas
Empoeirados, os poetas, estes sim Eternos, Sousândrade, Ana Cristina, Cruz e Souza
Mallarmé, Schmidt, Leminski, Dante Milano
Bilac, Castro Alves, Gregório, Cecília...
Quem desplanta Camões
Em sua quadra decassílaba?
O que Valery, Rimbaud, Pessoa, Wittman
E outros luminares ensinaram
Brota constante no peito
Como hortaliças verdes
Plantadas em quadras míticas.
Já aprendemos tudo sobre o amor
Sobre os deuses e os demônios;
Sobre os desejos do corpo, tratados, enfim.
Sobre os céus, aprendemos
Só o que o mar, como espelho, nos ensinou.
De fato, não há verdades que nos possam relatar
Os que pontificam sem vergonha, cheios de veleidades
Neste mundo de egos tortos. Como prever limites
Ao constante deambular em busca de algum lirismo?
Porque ainda falamos de beijos lúbricos
De semem e seu alto teor? Porque ainda falamos da lua
Após o Apolo 11? Porque ainda Arco-Íris
Depois que Isaac Newton decompôs o prisma solar?
O próprio desejo, ele mesmo
É um ensejo natural.
Cabe senti-lo, mais nada;
Igualmente, na cultura ocidental
Reprimi-lo um pouco, talvez
Seja o de mais condizente.
Senão, seremos todos velhos.
Não há novidade no front!
(mesmo os muito moços)
E seremos decadentes
Sem senso do burlesco
A pular cabriolas na beira da fria praia
Ao sol que se põe e à lua que raia.
E é pouco. Tudo cabe, de tudo no mundo louco.
Num só instante; tudo muda, mas, ficando
Tudo sempre tudo igual na dialética da poesia
Como no eterno retorno nietzschiano.
De tudo no mundo alguém já disse e falou
Num dizer de verso e prosa.
Não sei o que é, de fato, e se terei a verdade
Um dia, mas, querer no poema destilar
A mesma beleza da rosa
Beira a vã insanidade.
Como falou o mestre Caeiro
As flores e os rios não sorriem
Senão para fazer sentir aos homens
A existência real de flores e de rios.
Querer mais da poesia é pecar contra a castidade
É forçar a chuva cair na cidade, que há muito
Só via estiagem. Ser poeta é amar da maneira certa Dilacerada e reta, sem pragmatismo.
A poesia não necessita de entourage
De didatismo, de manifestações de apreço
(vide Bandeira), de dinheirinho suado.
Não é profissão, é condenação.
A poesia não tem ciúme, nem sexualidade exposta.
Não dá bandeira. Está acima dos homens
E das nuvens; esta abaixo do solo e dos eflúvios
Muito alem de só querer estar
Em meio às pernas de musas
FERNANDA TOSTA TRAJANO BORGES

Livro “PERDENDO O PUDOR”
Poesia, Grupo Editorial Scortecci, São Paulo, SP, 2008.
Vidraça
O desejo é pior que qualquer beijo não dado;
Estilhaça o peito;
Destrói o pecado;
Quebra toda e cada fibra;
Resistência se esvai.
Queria tanto só mais cinco minutos ao seu lado;
A cada encontro;
Em cada toque;
Inebriada em seu cheiro;
No abraço enrolado e tão apertado que me funde a você.
É um paraíso tão louco;
Um inferno gelado;
A toda palavra não dita;
A cada calor desejado;
Um verdadeiro martírio, qualquer que seja sua ausência.
Sinto-me em uma musica de Tim Maia;
“Precisando respirar;
Todo ar que te rodeia;
E na pele quero ter;
O mesmo sol que te bronzeia”.
Preciso e desejo tocá-lo todo o tempo;
Vê-lo sorrindo;
Desejando-me;
Um osculo pedindo;
É sempre voltar em um sonho lindo.
Não dá pra viver;
Um sentimento sem sentido;
Sem me acobertar de toda emoção;
Sempre que estou contigo;
Sem me deixar abrasar pelos laços do Amor.
Você é o fogo;
Que me atiça toda e qualquer Paixão;
Transforma a mais ínfima faísca;
Em brasa incandescente;
Ferve meu sangue, entorpece-me a mente.
Você já é uma parte de mim;
Parte essa que não conheço totalmente;
Na qual às vezes não me reconheço;
Aquela que me deixa imprudente;
Inconseqüente.
Não sei nem mesmo quem eu seria;
Ou como eu seria sem você;
Se melhor, ou pior;
Diferente de agora;
Contrária de ontem.
Você está tão cravado em meu peito;
Tão grudado em minha alma;
Que cada vez que tento fugir;
Só acabo mais próxima de você;
Enredada por este sentimento tão puro que me consome.
Nem mesmo um alicate arrancaria a estaca;
A flecha que o Cupido fincou em mim;
Guardou em mim;
Um gosto que teima em não me deixar;
E faz o coração cada vez mais se incendiar.
Perdê-lo de vista;
Tornei-me incapaz;
Tamanha é a dor que sua ausência traz;
Pois este intenso e tão verdadeiro Amor;
É só o que pode me curar, e trazer a eterna paz.
I CONCURSO NACIONAL DE POESIA CABEÇA ATIVA
Âmbito e aplicação:
Cabeça Ativa – Projetos & Eventos Culturais promove o I Concurso Nacional de Poesia, com o objetivo de contribuir para a formação cognitiva e o desenvolvimento da sensibilidade do ser humano.
O concurso encontra-se aberto a todos os autores interessados.
Apresentação do trabalho:
Tema: Música
O poema apresentado não precisa ser inédito
A poesia deverá ter um limite de 25 (vinte e cinco) versos..
O trabalho deverá ter título. Este deverá constar no alto da página, em letras maiúsculas e, na linha abaixo o pseudônimo do autor.
Envio do material:
O trabalho deverá ser impresso em 03 (três) vias (folha tamanho A4, fonte Arial, espaço simples, tamanho 12) e enviado em envelope grande e, em anexo, um envelope menor lacrado, contendo: nome completo, pseudônimo, título do trabalho, endereço completo, telefone e e-mail.
O candidato deverá enviar o trabalho para:
Cabeça Ativa – Projetos & Eventos Culturais
Caixa Postal 156 – Centro – São Vicente – São Paulo – SP
CEP 11.310-971
Inscrição:
Não será cobrada nenhuma taxa.
O prazo de inscrição terminará dia 28 de outubro de 2008 (data de postagem)
Premiação:
Os 16 (dezesseis) melhores trabalhos serão publicados em uma edição especial da revista lítero-temática Cabeça Ativa e cada classificado receberá um exemplar da mesma.
Maiores informações: cacbvv@gmail.com ou pelo blog http://cacbvv.blogspot.com
Disposições gerais:
É vetada a participação a todos os envolvidos no processo de julgamento do Concurso.
As decisões da comissão Julgadora são soberanas, não cabendo nenhum tipo de recurso.
A inscrição no presente concurso implica na aceitação plena deste regulamento.
ALTERNATIVO NAVEGANDO NAS POESIAS
IMPRESSO CULTURAL
CRIADO EM SETEMBRO l987
ANO XVI - Nº 121 – NOVEMBRO - 2008
Reproduza tirando xerox.
Agostinho Rodrigues

Caixa Postal 114566 - Ag. Campos/RJ
CEP 28.001 – 970
Navegando nas Poesias – 21 anos de existência, de cunho gratuito, voltado para a educação e cultura, sem qualquer responsabilidade pelas matérias publicadas pelos respectivos autores.
O editor
TROVAS
Eu canto e choro. E no pranto
me lembro do teu amor.
Se atenderes ao meu canto
eu louvarei ao Senhor!
AGOSTINHO RODRIGUES/RJ
@
Xeroquei a sua imagem
e guardei na minha mente;
sempre na minha abordagem
é você que está presente.
NEIVA S. FERNANDES
Campos dos Goytacazes/RJ.
@
Cai a tarde mansamente
e, em beijos de luz, desmaia...
as nuvens, roçando o poente,
são como espumas na praia.
HUMBERTO DEL MAESTRO -Vitória /ES
@
Feliz por ter descoberto,
Eu passo adiante a lição:
Em cada bom livro aberto,
Há um mestre de plantão.
FERNANDO VASCONCELOS - Ponta Grossa/PR
@
Francisco de Assis, padrinho,
merecedor de louvores.
Tem lá no céu, um cantinho
reservado aos Trovadores.
ELZA MEIRELLES CHOLA - Mogi das Cruzes/SP
@
Quisera que a minha vida
fosse eterna primavera:
cada dia, a flor colhida
no canteiro da quimera.
HENNY KROPH - Cantagalo/RJ.
@
Os lábios que foram meus,
de novo eu os beijo aflitos,
Olho a grandeza dos céus,
sonho abraçar o Infinito!
ABEL B. PEREIRA - Florianópolis/SC
@
Vivo em constante conflito,
entre o delírio e a razão
- meu sonho alcança o infinito...
meus pés... tropeçam no chão.
ELISABETH SOUZA CRUZ - Nova Friburgo/RJ
@
POESIAS
ENEMÉRCIO MOURA
NATUREZA FESTIVA
Vento em forma de brisa... Natureza festiva
Cantos melodiosos se confundem
Pássaros alegres riscam o ar
Com suas asas ágeis
No azul escuro do céu
Nuvens alvas como algodão
Chuva caindo,
É o cio na terra
Vermelho intenso... Momento propício
O sol se recolhe nas montanhas
Pra que a terra receba em suas entranhas
O princípio que faz brotar o pão
A chuva suscitando a fertilidade
Mãos sagradas nas covas depositam o germe
Que vinga, ao seu beijo.
A brindar o nascimento!
O sol virá depois
Como a um pai protetor
Másculo... A fecundar
Fazendo no solo a semente brotar
O orvalho brilha nas pétalas.
O coração do homem propaga a vida
Esta bela adormecida.
E com coragem prossegue... Em festiva paz
ANITA COSTA PRADO

FOME FATAL
( Em memória de Maria Rita Costa Mendes )
O doutor lhe disse :
- A senhora está subnutrida,
Anêmica, enfraquecida;
Precisa se alimentar.
Ela respondeu :
- Então o senhor me diga,
Onde posso achar comida;
Minha dispensa está falida,
Não tenho o que mastigar.
Na seca, a vida é sede, é fome;
Minha energia se consome;
Está difícil agüentar.
Minha visão está ficando turva, embaçada,
A jejuar sou obrigada;
Essa fome ainda vai me matar.
... e matou.
BRITA BRASIL

VASTIDÃO
To azeda
amarga
acida
e árida
To sem sal
sem doce
com caimbra
com sede
To mato
sem cão
sem trilha
sem mapa
to na selva
to pedra
to seca
vazia
Ainda bem q estar não é ser.
HÉLIO COSTA

ELEITOR DO LIXO
Homem desempregado
é homem-fome
é homem-bicho
é cata-lixo
na lixeira
do político
enganador
que esqueceu
que ele
é eleitor.

Em meio às comemorações do centenário de Machado de Assis, mais uma efeméride abrilhanta a Casa de Machado, por excelência — a Academia Brasileira de Letras.
Na tarde de 31 de outubro, no Teatro R. Magalhães Jr., localizado no prédio da Academia Brasileira de Letras, aconteceu a solenidade de entrega dos prêmios dos vencedores do Concurso Literário promovido pela UBE.
A UBE, União Brasileira de Escritores, por sua vez, celebra uma data igualmente especial: seu Jubileu de Ouro.
Foi em meio a tantas festividades que a autora FLÁVIA SAVARY recebeu, de uma só vez, dois importantes prêmios de literatura.
Ao contrário dos anos anteriores, quando a UBE premiava textos inéditos, a fim de marcar a passagem de seus cinqüenta anos de existência, a entidade decidiu premiar apenas livros editados.
Entre o vasto material recebido de todas as partes do Brasil, FLÁVIA SAVARY conquistou o primeiro lugar para livro de contos, o Prêmio José J. Veiga, com sua obra Histórias de fogo.
Já na categoria romance, a autora obteve o segundo lugar no Prêmio Marques Rebelo, com o livro As escolhas de Rafael.
Presentes à festa, além de várias celebridades, o presidente da Academia, Cícero Sandroni, que presidiu a mesa de premiação, o acadêmico Carlos Nejar, as escritoras Maria Lúcia Amaral, Luciana Savaget, Denise Emmer, o músico Billy Blanco, a cantora e compositora Luli e muitos outros.
Amigos de diversas esferas culturais trouxeram seu carinhoso abraço à autora. Entre eles, a astróloga Marta Pires Ferreira, a editora Agueda Guijarro e a divulgadora
Albenice Palmejane, da Editora Salesiana de São Paulo, que editou os livros premiados.
FLÁVIA SAVARY também recebeu os parabéns da querida amiga e secretária-geral da UBE, Stella Leonardos, de seu presidente, Edir Meirelles, e demais membros da entidade.

Partilharam, ainda, da alegria da autora, sua mãe Olga Savary, figura de renome no panorama das letras nacionais, além de diversos intelectuais presentes à cerimônia.

As novas premiações vêm somar-se às mais de 70 já recebidas por Flávia Savary. A autora acumula láureas em praticamente todos os gêneros literários, desde teatro e poesia até crônica e literatura infanto-juvenil, sua especialidade. Como, aliás, é do conhecimento das escolas de todo o país que adotam seus livros, com enorme sucesso.
Paz e Bem,
Flávia Savary
PARA MAIS INFORMAÇÕES, VISITE O SITE: www.flaviasavary.com
RICARDO SANT’ANNA REIS

Manifesto sobre os porquês em poesia
a Gilberto Mendonça Teles
Indago-me, sem proveito, uma pergunta ancestral:
Se alem do consolo da fala mais amiga
Na emoção construída, para que se dar a este eito?
Brincar com as palavras, com as formas livres
E prende-las num ramalhete precioso...
Para que se fazer poema?
Se é para a paz mundial? Não. Nada feito.
Nem Brecht ao impelir no peito, ao avesso
Os tambores espartaquistas na noite do sol vermelho
E nem os Canhões de Navarone se calaram
Por sobre a terra, por causa de um único verso.
Um verso, unzinho que seja, jamais matou qualquer fome;
E deu de beber ao doente. Uma palavra bem dita
Nunca evitou que um poeta dormisse sozinho
Na solidão de ser homem.
Para o coração da mulher atual
Cheia de preceitos e de certezas
Vai mais certo a conquista
Com um gole de cerveja.
Se viver no vai da lira, não me dará camisa
À poesia eu indago:
Para que me terá serventia?
São perguntas que não rematam
Desde as eras primeviais.
São perguntas que não pretendem
Obter respostas, alem do mais.
O que pode ser poesia? Um pranto
Um riso, um canto, um deboche
Para aliviar a tensão?
Continuo a perguntar
Agora aos poetas funcionários
Cronológicos, tautológicos
Que sentenciam o que pode ou não
(inda que lhes falte preparo).
É que eles dizem saber de tudo
Até da morte de arte poética
Inda que eu a ausculte tão viva
Como fora uma contaminação.
É que vejo levantar das tumbas
Empoeirados, os poetas, estes sim Eternos, Sousândrade, Ana Cristina, Cruz e Souza
Mallarmé, Schmidt, Leminski, Dante Milano
Bilac, Castro Alves, Gregório, Cecília...
Quem desplanta Camões
Em sua quadra decassílaba?
O que Valery, Rimbaud, Pessoa, Wittman
E outros luminares ensinaram
Brota constante no peito
Como hortaliças verdes
Plantadas em quadras míticas.
Já aprendemos tudo sobre o amor
Sobre os deuses e os demônios;
Sobre os desejos do corpo, tratados, enfim.
Sobre os céus, aprendemos
Só o que o mar, como espelho, nos ensinou.
De fato, não há verdades que nos possam relatar
Os que pontificam sem vergonha, cheios de veleidades
Neste mundo de egos tortos. Como prever limites
Ao constante deambular em busca de algum lirismo?
Porque ainda falamos de beijos lúbricos
De semem e seu alto teor? Porque ainda falamos da lua
Após o Apolo 11? Porque ainda Arco-Íris
Depois que Isaac Newton decompôs o prisma solar?
O próprio desejo, ele mesmo
É um ensejo natural.
Cabe senti-lo, mais nada;
Igualmente, na cultura ocidental
Reprimi-lo um pouco, talvez
Seja o de mais condizente.
Senão, seremos todos velhos.
Não há novidade no front!
(mesmo os muito moços)
E seremos decadentes
Sem senso do burlesco
A pular cabriolas na beira da fria praia
Ao sol que se põe e à lua que raia.
E é pouco. Tudo cabe, de tudo no mundo louco.
Num só instante; tudo muda, mas, ficando
Tudo sempre tudo igual na dialética da poesia
Como no eterno retorno nietzschiano.
De tudo no mundo alguém já disse e falou
Num dizer de verso e prosa.
Não sei o que é, de fato, e se terei a verdade
Um dia, mas, querer no poema destilar
A mesma beleza da rosa
Beira a vã insanidade.
Como falou o mestre Caeiro
As flores e os rios não sorriem
Senão para fazer sentir aos homens
A existência real de flores e de rios.
Querer mais da poesia é pecar contra a castidade
É forçar a chuva cair na cidade, que há muito
Só via estiagem. Ser poeta é amar da maneira certa Dilacerada e reta, sem pragmatismo.
A poesia não necessita de entourage
De didatismo, de manifestações de apreço
(vide Bandeira), de dinheirinho suado.
Não é profissão, é condenação.
A poesia não tem ciúme, nem sexualidade exposta.
Não dá bandeira. Está acima dos homens
E das nuvens; esta abaixo do solo e dos eflúvios
Muito alem de só querer estar
Em meio às pernas de musas
FERNANDA TOSTA TRAJANO BORGES

Livro “PERDENDO O PUDOR”
Poesia, Grupo Editorial Scortecci, São Paulo, SP, 2008.
Vidraça
O desejo é pior que qualquer beijo não dado;
Estilhaça o peito;
Destrói o pecado;
Quebra toda e cada fibra;
Resistência se esvai.
Queria tanto só mais cinco minutos ao seu lado;
A cada encontro;
Em cada toque;
Inebriada em seu cheiro;
No abraço enrolado e tão apertado que me funde a você.
É um paraíso tão louco;
Um inferno gelado;
A toda palavra não dita;
A cada calor desejado;
Um verdadeiro martírio, qualquer que seja sua ausência.
Sinto-me em uma musica de Tim Maia;
“Precisando respirar;
Todo ar que te rodeia;
E na pele quero ter;
O mesmo sol que te bronzeia”.
Preciso e desejo tocá-lo todo o tempo;
Vê-lo sorrindo;
Desejando-me;
Um osculo pedindo;
É sempre voltar em um sonho lindo.
Não dá pra viver;
Um sentimento sem sentido;
Sem me acobertar de toda emoção;
Sempre que estou contigo;
Sem me deixar abrasar pelos laços do Amor.
Você é o fogo;
Que me atiça toda e qualquer Paixão;
Transforma a mais ínfima faísca;
Em brasa incandescente;
Ferve meu sangue, entorpece-me a mente.
Você já é uma parte de mim;
Parte essa que não conheço totalmente;
Na qual às vezes não me reconheço;
Aquela que me deixa imprudente;
Inconseqüente.
Não sei nem mesmo quem eu seria;
Ou como eu seria sem você;
Se melhor, ou pior;
Diferente de agora;
Contrária de ontem.
Você está tão cravado em meu peito;
Tão grudado em minha alma;
Que cada vez que tento fugir;
Só acabo mais próxima de você;
Enredada por este sentimento tão puro que me consome.
Nem mesmo um alicate arrancaria a estaca;
A flecha que o Cupido fincou em mim;
Guardou em mim;
Um gosto que teima em não me deixar;
E faz o coração cada vez mais se incendiar.
Perdê-lo de vista;
Tornei-me incapaz;
Tamanha é a dor que sua ausência traz;
Pois este intenso e tão verdadeiro Amor;
É só o que pode me curar, e trazer a eterna paz.
I CONCURSO NACIONAL DE POESIA CABEÇA ATIVA
Âmbito e aplicação:
Cabeça Ativa – Projetos & Eventos Culturais promove o I Concurso Nacional de Poesia, com o objetivo de contribuir para a formação cognitiva e o desenvolvimento da sensibilidade do ser humano.
O concurso encontra-se aberto a todos os autores interessados.
Apresentação do trabalho:
Tema: Música
O poema apresentado não precisa ser inédito
A poesia deverá ter um limite de 25 (vinte e cinco) versos..
O trabalho deverá ter título. Este deverá constar no alto da página, em letras maiúsculas e, na linha abaixo o pseudônimo do autor.
Envio do material:
O trabalho deverá ser impresso em 03 (três) vias (folha tamanho A4, fonte Arial, espaço simples, tamanho 12) e enviado em envelope grande e, em anexo, um envelope menor lacrado, contendo: nome completo, pseudônimo, título do trabalho, endereço completo, telefone e e-mail.
O candidato deverá enviar o trabalho para:
Cabeça Ativa – Projetos & Eventos Culturais
Caixa Postal 156 – Centro – São Vicente – São Paulo – SP
CEP 11.310-971
Inscrição:
Não será cobrada nenhuma taxa.
O prazo de inscrição terminará dia 28 de outubro de 2008 (data de postagem)
Premiação:
Os 16 (dezesseis) melhores trabalhos serão publicados em uma edição especial da revista lítero-temática Cabeça Ativa e cada classificado receberá um exemplar da mesma.
Maiores informações: cacbvv@gmail.com ou pelo blog http://cacbvv.blogspot.com
Disposições gerais:
É vetada a participação a todos os envolvidos no processo de julgamento do Concurso.
As decisões da comissão Julgadora são soberanas, não cabendo nenhum tipo de recurso.
A inscrição no presente concurso implica na aceitação plena deste regulamento.
ALTERNATIVO NAVEGANDO NAS POESIAS
IMPRESSO CULTURAL
CRIADO EM SETEMBRO l987
ANO XVI - Nº 121 – NOVEMBRO - 2008
Reproduza tirando xerox.
Agostinho Rodrigues

Caixa Postal 114566 - Ag. Campos/RJ
CEP 28.001 – 970
Navegando nas Poesias – 21 anos de existência, de cunho gratuito, voltado para a educação e cultura, sem qualquer responsabilidade pelas matérias publicadas pelos respectivos autores.
O editor
TROVAS
Eu canto e choro. E no pranto
me lembro do teu amor.
Se atenderes ao meu canto
eu louvarei ao Senhor!
AGOSTINHO RODRIGUES/RJ
@
Xeroquei a sua imagem
e guardei na minha mente;
sempre na minha abordagem
é você que está presente.
NEIVA S. FERNANDES
Campos dos Goytacazes/RJ.
@
Cai a tarde mansamente
e, em beijos de luz, desmaia...
as nuvens, roçando o poente,
são como espumas na praia.
HUMBERTO DEL MAESTRO -Vitória /ES
@
Feliz por ter descoberto,
Eu passo adiante a lição:
Em cada bom livro aberto,
Há um mestre de plantão.
FERNANDO VASCONCELOS - Ponta Grossa/PR
@
Francisco de Assis, padrinho,
merecedor de louvores.
Tem lá no céu, um cantinho
reservado aos Trovadores.
ELZA MEIRELLES CHOLA - Mogi das Cruzes/SP
@
Quisera que a minha vida
fosse eterna primavera:
cada dia, a flor colhida
no canteiro da quimera.
HENNY KROPH - Cantagalo/RJ.
@
Os lábios que foram meus,
de novo eu os beijo aflitos,
Olho a grandeza dos céus,
sonho abraçar o Infinito!
ABEL B. PEREIRA - Florianópolis/SC
@
Vivo em constante conflito,
entre o delírio e a razão
- meu sonho alcança o infinito...
meus pés... tropeçam no chão.
ELISABETH SOUZA CRUZ - Nova Friburgo/RJ
@
POESIAS
ENEMÉRCIO MOURA
NATUREZA FESTIVA
Vento em forma de brisa... Natureza festiva
Cantos melodiosos se confundem
Pássaros alegres riscam o ar
Com suas asas ágeis
No azul escuro do céu
Nuvens alvas como algodão
Chuva caindo,
É o cio na terra
Vermelho intenso... Momento propício
O sol se recolhe nas montanhas
Pra que a terra receba em suas entranhas
O princípio que faz brotar o pão
A chuva suscitando a fertilidade
Mãos sagradas nas covas depositam o germe
Que vinga, ao seu beijo.
A brindar o nascimento!
O sol virá depois
Como a um pai protetor
Másculo... A fecundar
Fazendo no solo a semente brotar
O orvalho brilha nas pétalas.
O coração do homem propaga a vida
Esta bela adormecida.
E com coragem prossegue... Em festiva paz
ANITA COSTA PRADO

FOME FATAL
( Em memória de Maria Rita Costa Mendes )
O doutor lhe disse :
- A senhora está subnutrida,
Anêmica, enfraquecida;
Precisa se alimentar.
Ela respondeu :
- Então o senhor me diga,
Onde posso achar comida;
Minha dispensa está falida,
Não tenho o que mastigar.
Na seca, a vida é sede, é fome;
Minha energia se consome;
Está difícil agüentar.
Minha visão está ficando turva, embaçada,
A jejuar sou obrigada;
Essa fome ainda vai me matar.
... e matou.
BRITA BRASIL

VASTIDÃO
To azeda
amarga
acida
e árida
To sem sal
sem doce
com caimbra
com sede
To mato
sem cão
sem trilha
sem mapa
to na selva
to pedra
to seca
vazia
Ainda bem q estar não é ser.
HÉLIO COSTA

ELEITOR DO LIXO
Homem desempregado
é homem-fome
é homem-bicho
é cata-lixo
na lixeira
do político
enganador
que esqueceu
que ele
é eleitor.

6 Comentários:
Selmo, voce realmente é um descobridor de talentos. Aquele poeta que sabe apreciar a arte nos outros e fiquei imensamente feliz de vir aqui e ver lindos escritores, poetas e grandes amigos como voce.
Parabéns por ter descoberto o Enemércio de Moura, poeta sensível que transmite a alma da poesia em forma de verso.
Beijos Selmo...
Por
Anônimo, Ã s 4:35 PM
________Selmo...grato por aqui estar.....muito feliz mesmo.....
_____
grande abraço.... parabens pelo seu trabalho....e sua sensibilidd nos proporcionanado momentos felizes como estes .
_abraço....
Por
Enemércio de Moura, Ã s 4:54 PM
Este comentário foi removido pelo autor.
Por
Enemércio de Moura, Ã s 4:54 PM
Muito interessante o fato de existir alguém que tenha a força de procurar, descobrir e divulgar talentos, especialmente nessa área cultural(poesia), tem realmente a sensibilidade na alma. Parabéns Selmo! Quero parabenizar meu amigo poeta Hélio Costa por sua poesia postada aqui. O eleitor,meu caro Hélio, é tido como insignificante depois de votar,e o político finge amnésia, esquece... Pura realidade brasileira, infelizmente. Parabéns Hélio! Elisângela Régia, Brasileira - Piauí.
Por
Anônimo, Ã s 5:00 PM
PARABENS ,THIERS...
Amo teus escritos!
"sem fachos de luz
na frágil linha
me apunhá-lo
me risco
me exponho
porque sou
uma verdade incerta
porque sou
um poeta..."
Fraternuras , mio caro
Lia Maia
Por
Anônimo, Ã s 8:31 AM
"sem fachos de luz
na frágil linha
me apunhá-lo
me risco
me exponho
porque sou
uma verdade incerta
porque sou
um poeta ..."!!!
Parabens amigo_poeta SELMO,
é maravilhoso teu empemho em publicar os escritos dos poetas,
és um descobridor da arte de escrever.
Abraço grande,
Lia Maia
Por
Anônimo, Ã s 8:35 AM
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