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11.7.08

MOMENTO LÍTERO CULTURAL Nº 62.

1-EDIVAL PERRINI

Edival Antonio Lessnau Perrini nasceu em Curitiba, PR, em outubro de 1948, onde cresceu e reside. Formado médico pela Universidade Federal do Paraná, especializou-se psiquiatra pela Associação Brasileira de Psiquiatria e psicanalista pela Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo. Criou e participa do Grupo Encontrovérsia, de estudo e crítica literária, desde 1980.

LIVROS PUBLICADOS:

ENTRE SEM BATER (1972), poemas e crônicas, Ed. Rosário/ Feira Intercolegial Estudantil do Livro, Curitiba, PR.
POEMAS DO AMOR PRESENTE (1980), poemas, Ed. Beija-Flor, Curitiba, Pr.
OLHOS DE QUITANDA (1986), poemas, Ed. do autor, Curitiba, PR.
POMAR DE ÁGUAS (1993), poemas, Ed. Kugler Artes Gráficas, Curitiba, PR.
ARMAZÉM DE ECOS E ACHADOS (2001), poemas, Ed. do autor, Curitiba, PR.
FANDANGO DO PARANÁ: OLHARES (2005), prosa sobre fotos de Carlos Roberto Zanello de Aguiar, Ed. Optagraf, Curitiba, PR.

ANTOLOGIAS:

SANGRA-CIO (1980), poemas, Ed. Grupo Sala 17, Curitiba, PR.
LUARA (1982), poemas, Ed. Imprensa Universitária da Universidade Católica do Paraná/ Grupo Encontrovérsia, Curitiba, PR.
LIMO A LEME NENHUM (1986), poemas, Ed. Educa/ Grupo Encontrovérsia, Curitiba, PR.
ANTOLOGIA DA NOVA POESIA BRASILEIRA (1992), poemas, Ed. Fundação Rio/ Rioarte e Cidade do Rio de Janeiro, organização de Olga Savary, Rio de Janeiro, RJ.
DIVERSO (1995), poemas e contos, Ed. Grupo Encontrovérsia/ 15 anos, Curitiba, PR.
VALORES, PRINCÍPIOS E MUITAS LEMBRANÇAS (1997), prosa, Ed. Associação de Ex-alunos do Colégio Medianeira, Curitiba, PR.
POESIA DE BRASIL (2000), poemas, Ed. Proyecto Cultural Sur/ Brasil, organização de Aricy Curvello, Bento Gonçalves, RS/ Havana, Cuba.
POESIA DO BRASIL (2002), poemas, Ed. Proyecto Cultural Sur/ Brasil, organização de Suely de Freitas Martí, Bento Gonçalves, RS/ Lisboa, Portugal.
TRAÇOS DO OFÍCIO (2004), poemas, Ed. Optagraf/ Grupo Encontrovérsia, Curitiba, PR.
POESIA DO BRASIL, vol. III (2006), poemas, Ed. Proyecto Cultural Sur/ Brasil, organização de Ademir Antonio Bacca, Bento Gonçalves, RS.
A MODERNIZAÇÃO DA MÚSICA PRIMITIVA, co-autor, org. Claudinho Brasil, Ed. Gramofone, Curitiba PR, 2007.

OUTROS:

“Programação Visual em Veículos de Poesia Alternativa” (1987), monografia de graduação sobre a obra poética de Edival Perrini apresentada aos Cursos de Desenho Industrial e Comunicação Visual do Setor de Ciências Humanas, Letras e Artes da Universidade Federal do Paraná (UFPR), por Vera Celusniak.
Projeto “Poesia nas Escolas Municipais e nos Muros da Cidade de Curitiba” (1986 e 1987), Fundação Cultural de Curitiba.
Exposição “Interpretação Gráfica de Poemas de Edival Perrini” (1988), por Vera Celusniak, Casa Gilda Belzak, Curitiba, PR.
Texto para “Programa de Teatro As Bruxas de Salém” (1990), direção de Marcelo Marchioro, Teatro Guaíra, Curitiba, PR.
Resenha de Édison José da Costa sobre “Pomar de Águas” (1994), Revista Letras, nº 43, Ed. UFPR.
Texto para “Programa de Teatro O Incrível Retorno do Cavalheiro Solitário” (1994/ 1997), direção de Hugo Mengarelli, Teatro Guaíra e Teatro do Paiol, Curitiba, PR.
Projeto “Telepoesia” (1995), Fundação Cultural de Curitiba/ Telepar.
Prefácio do livro “O Incrível Retorno do Cavalheiro Solitário” (1996), de Hugo Mengarelli, Ed. Imprensa Universitária da UFPR.
Jornada “Poesia na Poesia” (1997), com o Grupo Encontrovérsia, “Primeira Feira Interamericana do Livro”, Curitiba, PR.
Texto para “Programa de Teatro Killer Disney” (1997/ 1998), direção de Marcelo Marchioro, Teatro Guaíra, Curitiba, PR.
Projeto “Traços e Palavras” (1998), Caixa Econômica Federal do Paraná.
Verbete da “Enciclopédia de Literatura Brasileira” (2001), de Afrânio Coutinho e J. Galante de Souza, São Paulo, SP.
Prefácio do Livro “Fôlego” (2002), de Luiz Felipe Leprevost, Ed. do autor, Curitiba, PR.
Resenha de Édison José da Costa sobre “Armazém de Ecos e Achados” (2002), Revista Letras, nº 57, Ed. UFPR.
“Edival Perrini, poeta curitibano, um estudo” (2004), dissertação apresentada para a obtenção do grau de Mestre em Letras, setor de Ciências Humanas, Letras e artes da Universidade Federal do Paraná, por Lusiana Bengtsson.
Membro da comissão julgadora do Concurso Nacional e Categoria Paraná de Poesia “Helena Kolody”, 2005.
Projeto “Palavra de Poeta”, Feira do Poeta, Fundação Cultural de Curitiba, 2007.

e-mail: eperrini@onda.com.br
site: www.edivalperrini.com.br

CINCO POEMAS DE EDIVAL PERRINI

1)DOMICÍLIO

estar na hora exata
como o anzol e o peixe
e alguma brisa

depois
fugir das iscas
e fundar domicílio
num pensamento de mar

(Revista A Cigarra, vol. XXV, n° 42)

2)Sei-os bem
como sei em ti meus olhos:
cheios.

(Armazém de ecos e achados)

3)MAREANTE

A tesoura do olhar
corta
as amarras das tuas velas.

Soltos ao mar
eretos
teus peitos insinuam viagem

(Pomar de águas)

4)OBSESSÃO

A formiga dá as costas para o mar
e trabalha.

Resignada,
vê apenas a luz do dever.

Nada lhe diz a brisa,
nem os caminhos tortuosos do amor.

A formiga dá as costas para o mar
e trabalha:
voar não lhe faz nenhuma falta.

(Traços do ofício)

5)AMOR

Apesar de sua induração,
o ferro,
renitente e inflexível,
consente à umidade
o gozo escarlate da ferrugem.

(Armazém de ecos e achados)


2-ANA PAULA PEDRO

Ana Paula Pedro, 34 anos, é poeta, atriz, formada pelo Teatro Escola Célia Helena, (1993-1996), e psicóloga, formada pelo Instituto de Psicologia Universidade de São Paulo – IPUSP (1992-1996). Lança este ano seu primeiro livro Primeira Chuva no Deserto (Ibis Libris, 2008). Publicou poemas na Ponte de Versos: 4 anos – uma antologia carioca (Ibis Libris, 2004), e no Terça ConVerso no Café (Vidarte Urbana, 2002). Recebeu o prêmio “Poesia Simplesmente” do I Concurso do IV Festival Carioca de Poesia, em 2002. Tomou parte de diversos espetáculos teatrais como Kiss me Kate, direção de Albano Sargaço (1990), Terror e Misérias do Terceiro Reich, direção de Mônica Guimarães (1993), Descanse, Herbert, o Piquenique Pode Esperar, direção de Petrônio Nascimento (1994), O último carro, direção de Paulinho de Moraes (1995), Alice Através do Espelho, Armazém Companhia de Teatro, direção de Paulo de Moraes (1999-2001) e A Terceira Geração (Fassbinder), direção de Ole Erdmann (2004). Atuou e produziu o Projeto “Tudo é Teatro” ao lado da atriz Giulia Gam (2002-2006). Em televisão, cursou a Oficina de Atores da Rede Globo, 1997 e participou dos seguintes programas: “A Indomada”, 1997; “Torre de Babel”, 1998; “A Turma do Didi”, 2005; “Belíssima”, 2006; “Pé na Jaca”, 2007; “Minha nada mole vida”, 2007; “Faça sua História”, 2007; “Faça sua História”, 2008 e no videoclipe de Lulu Santos (“Aquilo”), direção de Gringo Cardia, 1999. No cinema, participou do longa-metragem Olga dirigido por Jayme Monjardim, 2003; dos curtas-metragens, Castanho dirigido por Eduardo Valente, 2002 e Âmago, por Ana Paula Nunes, 2001.

1-PRIMEIRA CHUVA NO DESERTO

Fecho os olhos e imagino contigo a primeira chuva no deserto. Vejo-te sentado no estreito balcão, mudo, olhos vidrados no trajeto de cada gota. Fico ao teu lado observando esta imprevista chuva e, após alguns instantes, atiro-me nos úmidos braços celestiais.... Deixo a chuva lavar minha alma e meu corpo, entrego-me às surpresas do deserto, refaço-me inteira. Quando volto meu olhar para ti, vejo que, assim como o deserto, tu também estás a chover. Lágrimas que parecem não ter fim. Não me apiedo de ti – o tempo, por vezes, parece demasiadamente curto. A eternidade se encerra em um segundo. A vida, por vezes, é urgente....
Precipito meus braços em tua direção. Observo teu lento caminhar e quando, finalmente, estás diante de mim, dançamos ao som dos estalos do encontro da água com a areia. Esfoliando nossas almas das dores da vida, vimos um novo dia raiar, dançando juntos, a música que nos habita....

2-PARIS
Para Ana Cristina Cesar

Palavras.
Mata virgem.
Mata a fome que tenho.
Paris, no outono, gosto de mostarda e bolacha de gergelim.
Cenário: Rive Gauche, Miles e Jeanne Moreau.
Tua roupa rosa – passei noite-inteira a teu lado: servidão.
Tenho o guidão da bicicleta em minhas mãos,
Tenho tempo, tantas dúvidas.
Moi, je suis la Dame aux Camélias.
Vous ne comprenez pas....
Espera sentada no café,
o cappuccino tem gosto de chá.
Sentada, escrevendo, calada.
Por que os sinos só badalam horas inteiras?
São tantas as horas.
Bico de passarinho.
Revoada na vila, miado de Bizet.
Diploma na estante de livros.
Não tenho pressa, preciso pensar.
Subserviência em meus canais.
Cheiro de crepe de Nutella.
Sensorial.
Boca aguada, aberta. Não falo.
Está bem, falo só uma vez.
Amor.
Amor.
Nem sempre cumpro o prometido.
Não encontro o cadafalso.
Não sou Beauvoir.
Não falo francês.
Acordei cedo. Pouco dormi.
Vou deixar para dormir, não vou.
Será que tarda? Espero.
Viver.
Espera sensorial.
Amor.
Falei.

3-ENQUANTO LEIO
Para Geraldo Carneiro

Enquanto leio
tuas vastas palavras caras
Enquanto careço
tuas natas palavras aptas
Enquanto não durmo
desperto serena e cálida
Enquanto naufrago
em teu mar cercado de ilhas
Enquanto feneço
tua voz de além ar
Enquanto respiro
teu tal total de amar
Enquanto permito
tua espera me avizinhar
Enquanto padeço
apeteço tua Odisséia
Enquanto eu, Ilíada
navego na contradição
Enquanto escrevo
esqueço de me deixar
Enquanto é por enquanto
já foi tarde
já foi tanto
Enquanto me engano
Enquanto me importo
de pronto pago o imposto
posto que o impostor
pode partir pr’outro porto
pode postar outra resposta
pondo o ponto na aposta
pronta, no aposto, posta
paga no suposto
da posteridade (plena)
de possibilidades

4-CONSONÂNCIAS

com sons e com ânsias
os deuses conspiram
a rosa e seu labor de relutância
o poeta no estreito-pouco
no centro de seu meio
fio
de sabor
inteiro

Faz sol
Fazem só
Fazendo, façamos
Uma vida inteira
Em uma noite só

5-POEMA
Para Camilla Amado

Tem dias em que acredito
no que vejo e sinto
Em outros, reflito
repito as aflições
Não estudei metafísica
desconheço filosofia
sinto mais do que penso
e sei o suficiente do que não sei
Penso em Deus
desenho sua face no ar
tão livre de formas que não o reconheço
mas ainda assim amanheço


3-GE FAZIO

Sou uma pessoa tranqüila, ponderada e ando de mãos dadas com a vida, com a tranqüilidade e com o bem querer. Libriana, indecisa em algumas situações, porém feliz... muito feliz!

Amante incondicional da verdade e da transparência... Sonhadora ao extremo... Às vezes é preciso que alguém fale comigo e puxe os meus pés até ao chão... Pois sou capaz de voar literalmente em meus devaneios... rs, principalmente quando começo a escrever um poema.

Sou Pedagoga, atuo como professora no curso de Pedagogia e como pedagoga em uma comunidade carente. Amo o meu trabalho e invisto muito nele... Trabalhar com pessoas é para mim uma terapia, pois a cada dia vou aprendendo um pouquinho mais sobre as belezas da vida e do ser humano...

Sou uma amante da arte em toda a sua expressão. Gosto do desenho e de pintura... Paralelo aos meus poemas já fiz alguns painéis de Arte Sacra para uma igreja, onde pintei painéis sobre a Vida de Cristo e destaco entre eles A Entrada Triunfal de Jesus em Jerusalém.

Considero-me como uma das filhas prediletas de Deus... Pelo dom, pela coragem e pela vontade de aprender sempre!
O maior presente que recebi até hoje foi: ACREDITAR na bondade, na harmonia e no amor.

Onde encontrar meus poemas :

Poemas em Gotas
http://poemasemgotas.blogspot.com/

Poetas Del Mundo
http://www.poetasdelmundo.com/verInfo_america.asp?ID=2851

Recanto das Letras
http://recantodasletras.uol.com.br/autor.php?id=3038

Pensando
http://pensar.blogspot.com/2007_08_01_archive.html

Flogão Ge Fazio
http://www.flogao.com.br/genifazio

Flog Vip Ge Fazio
http://www.flogvip.net/genifazio

Singelo Cute Page
http://www.singelocutepage.hpg.com.br/

Poetas Capixaba
http://www.poetas.capixabas.nom.br/Poetas/detail.asp?poeta=Geni%20Martins%20Fazio

Meu orkut
http://www.orkut.com.br/Profile.aspx?uid=5358376858254377831

1-Desata meus nós...

Abra minh’alma e leva-me por
onde andam teus pensamentos.
Olho através de teu olhar.
Vivo à beira da força que
magnetiza aquele olhar
maroto, lânguido e imbecilizado
pelo excesso da seretonina que
denuncia o grito numa mudez
pelo prazer
por querer.
viajam pensamentos remoendo e
triturando a carne que sente
a distância do amor fugaz,
arrebatando os laços
imaginários do abraço
sem fim, etéreo.
rasga a fina pele que embala
sentimentos que ferem, que aninham,
que faz doer...
que fazem rir e chorar....
desata-me e toma para ti o
que agora resta de mim.

2-Inusitado Amor

Cantaram o amor...
Mas não ouviram
O som de sua voz falando baixinho:
-Bom dia amor!
E aconcheguei mais um pouquinho...
Enquanto lá fora
Há uma sinfonia rítmica...
Do acordar de todos os pássaros...
Exaltaram a simplicidade...
e não imaginaram a riqueza em detalhes de
cada gota escorrendo por todo
corpo nas águas puras dos
banhados as margens do sinuoso rio...
Purificando o corpo,
lavando a alma.
Falaram no belo...
Mas não fitaram o nascer da aurora...
O amarelo dourando o dia, o azul
Cintilando o céu ao meio-dia
No toque das mãos e no olhar através.
Escreveram sobre uma alma-par...
E não sentiram a sutileza da energia fluindo,
Emergindo lentamente num olhar,
Nas sensações de um toque...
No cheiro da pele
no campo de luz em sincronia...
Vibrando e descortinando
em puro amor.
Aninho em seus braços mais um pouquinho
E penso: Ah! Poetas...
Nada sabem de nós.

3-Re-flexos

Sonhos dissipados pelo vento...
Olhares fixos no infinito
Vazio...
Coração!
Terra de ninguém...

Lábios fechados
sem murmúrios
de um amor
que jaz no
desencanto.

Mãos estiradas ao longo
do corpo...
Reflexos do último
Aceno...
Adeus.

Medito.
Não olho,
não penso...
Introspecto!
No vazio do infinito vejo um ponto de
luz....
Fixo o olhar e pouco a pouco renasce
em mim as sensações de paz..
Entro em sintonia com o
mestre interior...
Há uma força eclodindo...
Há uma luz...
Ali.
Haverá sempre uma
luz!

4-Era dia... Era noite...

Há um limiar entre o ser e estar
Em sintonia com o cerne do
Universo.
Surgimos do pó...
Lá fora a neblina fria suaviza
Os tons verdes das densas matas
Que contornam o leito do rio
Com suas águas mansas
Abrigando vidas...
Há um manto a sombra de árvores nativas
Envolvendo corpos que amam
Embalados pela sinfonia
Do cantar das rolas e dos
Canários da terra...
Era dia...
O entardecer vai despedindo lentamente...
Imperceptível a hora.
O tempo parou e lá fora
As estrelas vão se escondendo por entre as nuvens
Que derramam gotas brilhantes...
Cai a chuva ninando o sono do amor.
Negra noite chega trazendo a brisa fria
Que acorda e num abraço aconchega os amantes
Na pele quente... Aquecem e entrega-se ao sono
Profundo no limiar do ser e estar em
Êxtase de amor.
Lá fora... Há uma revoada dos
Pássaros cantando e saudando a chegada
De um novo dia...
De novos momentos de amor.

5-Ornamentos

Ornamento os medos
E pinto a dedo a leveza
do ser...
Ser-vida.
vida
imbuída de luz
que faz florescer
em pétalas logo ao alvorecer
em cada ponto do universo.
Reciclo as virtudes manchadas
com limbo do tempo
que há muito se foi
sem nada dizer.
Num sopro...
dou vida em seres
opacos, inertes...
transmuto em
energia cósmica...
Aproximo então
do equilíbrio.

6-Pecado?

Pecado é o ódio,
a falta de amor...
A mentira... O desamor.
Pecado é a exploração...
E usar de má fé.
Pecado é fingir.
O ser que não é.
Pecado é apropriar o que é alheio.
É falar só pela boca...
Articular palavras que
Não sai do coração...
Pecado é trancar a porta da alma.
É negar um aceno...
Uma mão...
Um ombro...
É agredir a natureza,
É discriminar...
Ser violento...
Pecado é não
ser.


4-IVY GOMIDE

UMA PEQUENA BIOGRAFIA

Ivy Gomide, como me descrever? A cada dia refaço-me no olhar vago de um luar, no rosto marcado de dores ou no tango que danço nas noites intensas. Sou mutante ou quem sabe uma nota dissonante. Já me disseram e aceito: Eu sou um poema sem medo de acontecer.

1-SUSSURA NO PÓLEN

E agora mulher!
o dia que chegou,
trazendo a pálida lua
como creme de maracujá.
Ah! Meu doce..
você me enche de orvalho
brilhando nas madrugadas.
Ah! Palavras..
vocês eternizam momentos...

Instantes dignos das estrelas
que moram
nas mãos dos poetas!

2-POEMA-TEXTO

Poema-texto,
implicante,
evasivo,
invisível,
vivo!

Que importam
peles se existem
pensamentos?
Que importam rostos
se temos o som do mar?
Que incessante canta,
chora e ri.

Que importam sombras
se em noites de lua,
ela vem e te fala?

3-ENTORPECE E NÃO TECE

Zonza
aspiro sol encardido
arrancado da fumegante cabeça
Ocaso de linhas
entorpecem e
não tecem.
Torto e vulnerável
enigma
queima lava acesa

RJ- dezembro – 2006

4-AZUL-TACTIL-ANIL

Desce negra como carvão
risca a página, o chão, grita
sou a noite
Destranco a porta de minh' alma
abro a fenda da loucura
Invado tempo da poesia sem rima
em letras desencontradas
nas notas desiludidas
nas costas de algum quarteto... ou
no grito rouco de Janis a dizer...
"cry my baby"
Indizível dor carcomida no tempo
cheiro que bate à porta de
esquálidos pensamentos
assopro ar
escorrido em desejos,
penetra boca
Azul-tactil-anil
quase posso tocá-lo
crio facetados momentos
inexistentes ao olhar paralelo da rua
vivos na batida íngreme
da desordem instalada
deito sofá na preguiça do som
a meu lado
dorme o jeito macio de tua existência
em dores, ar dores
amores.

5-AO ROÇAR DA HORA INFAME

O torpor da insanidade
come na mão de meus desejos
Grito e
ouço tua voz
ácida mente
em cada esquina
Vem
pele
roçar a hora infame
buscar meus dedos
macios e loucos
Vem
com olhar esquivo
afagar
o céu
de estrelas
esta noite
Vem
calar estampidos
de tiroteios
com rosas
cravando espinhos
doces
feito orvalho
escorrendo
azul
Dá-me o colo
macio
dos dedos
teus
Quero mordê-los

St/ 2007

ESTES POEMAS ESTÃO EM ALGUM DOS MEUS TRES LIVROS, MONTADOS CADA UM COM 50 OU 60 POEMAS.


5-JULIO POLIDORO

Júlio Polidoro nasceu em Juiz de Fora, MG, no dia 29 de julho de 1959. Tem quatro livros publicados e participa de inúmeras antologias. Um dos finalistas do Prêmio Cidade de Belo Horizonte de 1990, no qual Iacyr Anderson Freitas foi agraciado com o 1º lugar, Polidoro tem poemas traduzidos para o espanhol, o italiano, o flamenco e o francês.

1-QUANDO ENTÃO

A Rosely Afonso R. Diniz

Quanto então te tornas
o falante, a surdez te isola
do convívio. A boca
fica muda ao ouvido.
Saliva que resseca, feito cola.

O que antes ecoava, só ruído:
tambores de outrora, estampidos.
Relógio que corria hoje demora.

E a graça vige agora sob a sola
de um sapato velho, destruído.

A mão agride o ferro, na bigorna.
Martelo é uma ave, sem destino.
E tu, o noves-fora, o ungido,
espada que descarna o próprio umbigo.

2-SEM TÍTULO

A Guilherme Campagnacci Polidoro

brandura, sol da indolência,
estive em todos os castelos

o futuro é essa história
que não terei
a quem contar

3-NÃO DISSEMOS TUDO

vogar o silêncio
dizeres falas
expressão
perdida sempre

talagarça onde teço
faces anônimas

4-MORTE

A Iacyr Anderson Freitas

A morte e seu cortejo.

Galopa sobre mim
eu passo.

Num jardim qualquer,
o Homem
quer-se afastado deste cálice.

Que posso dizer?
Que não me movo de seu movimento?

Ao seu galope
respondo, chão cicatrizado.

5-AMOR-PERFEITO

me sou te sendo e tu me és
costura que se ata sem coser
me tens sem mim e eu sem te ter
possuo-te inteira ao revés

o amor eleva a onda das marés
evola-se da chama a esplender
torna-me cativo do teu ser
amante, faz-te escreva a meus pés


Júlio Polidoro (Do livro Outro sol, Nankin
Editorial, Funalfa edições 2004)


6-LASANA LUKATA

Lasana Lukata é poeta e escritor, cronista do Jornal Hoje - Diário da Baixada Fluminense. Integrante da antologia poética "Próximas Palavras", UERJ, organizada por Ferreira Gullar; autor do livro "o dono do outono", UFRJ, integrante da antologia 8 Poetas. Alguns prêmios literários. Escrever não é fácil, mas um buquê de pedras também murcha, também perde seus espinhos.

O AMOR ENCURTA OS DIAS

Que engane Labão,
que me engane o mundo inteiro
o amor encurta os dias
sete anos sete meses
sete meses sete dias
sete dias sete horas
sete horas sete minutos
o amor encurta os dias
que me importa mandem Léias
que me importa mandem Lias
que me casem com a Jurídica
Medicina Engenharia
o amor salta barreira
e põe carne nas caveiras
até chegar Raquel
até chegar poesia
o amor encurta o cérebro
de noite vejo Raquel
só Raquel vejo de dia
pode ser no campo de ovelhas
pode ser na ciclovia
com Raquel trabalharei sete
e quantos sete eu viver
sete anos de vacas gordas
sete anos de vacas magras
com Raquel trabalharei
Raquel Raquel Raquel
sem amor um dia são mil anos
mas o amor encurta os dias
E se a estrada é toda espinhos
O amor ensina voar
Raquel, Raquel, Raquel,
Meu justo salário que a inflação não corrói
Será que você me espera ?

Raquel

Quando cheguei

Raquel já tinha dado o orvalho
E seus lugares férteis a alguém
Mas com ternura
Raquel não me negou a amargura

GARRAS

Raquel não me esperou
Teve filho de outro homem
Se atirou no imediato
Tem agora um pé de jiló plantado na garganta
E uivo às estrelas
E a dor afia suas garras em mim
E mesmo singrado por abismos
Insisto em expandir minhas como um tigre

SANOPÁTICA

Raquel me diz que sou realmente doente
Mas sei que não é Raquel
É sua sanopatia que já começa a enrugar pelos seios
E não veio Raquel não veio para os doentes mas para os sãos
Raquel Raquel se esperar é doença
Você já sabe tudo
E quem sabe Raquel é vidente?
Quem sabe não viu errado?
Quem sabe não viu com os seus olhos olhos imediatos?
Professora também erra professora ensina errado ensina pela metade
Professora morre professora mata
O anjo feriu Jacó na coxa
Raquel só fere no coração
Realmente sou doente
Tenho um coração que manca
Por favor Raquel
me fira a outra perna
essa perna que ainda chuta
essa perna que ainda pisa através desse poema
Um homem com duas pernas mancas
é são desequilíbrio

SUICIDA PÓS-MODERNO

por sua causa Raquel
ele foi para a frente dos carros
mas eram carros de brinquedo
por sua causa
ele pulou da ponte Rio-Niterói
mas praticando bungee jump
por sua causa
ele ia tomar chumbinho
mas deu ao rato mesmo:
não se deve cobiçar as coisas alheias


7-EMANUEL

(ESCREVER)
POR QUE ESCREVEMOS?


Começamos escrevendo para viver e acabamos escrevendo para não morrer.
Para quem edifica palavras mal rompe a aurora, escrever é inadiável e urgente, mesmo que nada externamente nos obrigue a isso. Mas a necessidade interna é visceral, orgânica, chama e fogo, flecha, algo colado à pele.
Não conseguimos escapar desse apelo.
Escrevemos para perdurar, para vencer a poeira do tempo, para despistar a morte, para regar nossos fantasmas e (por que não?), para amar e se amado.
A literatura é o refúgio da sinceridade num mundo de pose.
“A literatura é um apelo de fogo, onde mora meu desespero, a minha inquietação e o meu paraíso”, escreveu alguém.
Eu sei: tento escrever um hino de amor à palavra.
Qual a maior viagem (interior) que podemos fazer, senão aquela que é um mergulho no livro, nesta criação de outros mundos, nessa peregrinação às áfricas interiores?
“Se o mundo dos objetos palpáveis e vida prática, não é mais real que o mundo das ficções, dos sonhos e dos labirintos, então pode ser que o autor de artifícios verbais tenha mais direito à condição de demiurgo que qualquer outro candidato”, escreveu Samuel Titan Jr., falando sobre Borges..

Hoje, a realidade chamada virtual fica sendo mais importante que o humano propriamente dito.
Uma personalidade não aparece porque é boa, mas é boa porque aparece.
Vivemos uma mudança de época e não uma época de mudanças.
Ou está inapelavelmente decretado que não há nada mais a fazer, que o destino já rabiscou todos os destinos?
Queremos um modelo de consumidores ou de cidadãos?
Aceita-se passivamente um mundo onde são as coisas que comandam e não os valores.
Queremos pessoas abúlicas, inertes, numa globalização onde impera a uniformidade e não a igualdade?

A literatura é um sonho do eterno. Sua morte tem sido decretada diariamente.
Mas por que ela continua tão viva?
Pois há dentro do homem uma sede de infinito que nenhum modelo meramente mercantil pode saciar.

*Escritor

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