MOMENTO LÍTERO CULTURAL Nº 67
JOSÉ INÁCIO VIEIRA DE MELOA CASA DOS MEUS QUARENTA ANOS
Para celebrar a chegada dos seus 40 anos, o poeta José Inácio Vieira de Melo traz ao público apreciador de poesia o cd A casa dos meus quarenta anos (Salvador: Aboio Livre Edições, 2008), que vai ser lançado no dia 13 de setembro, sábado, das 10 às 14 horas, na LDM Livraria Multicampi, na Rua Direita da Piedade, em Salvador.
A casa dos meus quarenta anos está composto de 40 poemas, dos quais 39 foram retirados de seus quatro livros publicados até o momento, o que configura uma antologia, e um inédito, que dá título ao trabalho. No cd, JIVM recita 20 poemas, os outros 20 ficaram por conta de cinco amigos seus: a cantora Carla Visi, o poeta Edmar Vieira, as atrizes e poetas Lita Passos e Rita Santana, e o poeta e ficcionista Carlos Barbosa, que assina, ao lado de JIVM, a direção. As fotos são de Ricardo Prado, concepção de capa de Marcos Siqueira e técnica de estúdio de Marcelo Seco, músico integrante da banda Lampirônicos. O lançamento vai contar com a presença dos cinco convidados do poeta, que farão o recital A casa dos meus quarenta anos.
Em resenha publicada na revista O Escritor, da União Brasileira de Escritores, São Paulo (SP), e republicada no suplemento Correio das Artes, João Pessoa (PB), o poeta Francisco Carvalho afirma "O poeta José Inácio Vieira de Melo é confessadamente um nômade. Não se enclausura em gabinetes à espera de que os poemas lhe caiam das nuvens, à maneira de bátegas que despencam do céu. Viaja pelo Brasil inteiro para dialogar com poetas de tendências as mais diversas, e nisso se emparelha com os menestréis dos tempos antigos, que recitavam poemas e canções nos palácios dos reis ou nas assembléias e praças públicas, onde filósofos de todas as tendências discutiam suas teorias sobre a origem do universo." e acrescenta: "Dono de memória privilegiada, JIVM recita poemas inteiros de autores de sua predileção, sem omitir palavras ou pausas rítmicas dos textos poéticos." E é esta face de José Inácio que é explorada em A casa dos meus quarenta anos, no qual recita poemas emblemáticos da sua trajetória, como Exercícios crísticos, Epitáfio para Guinevere e Registro da fala do silêncio.
José Inácio estreou na poesia em 2000, com o livro Códigos do silêncio, publicado pelo selo Letras da Bahia. Em 2002, foi a vez de Decifração de abismos, livro que despertou a atenção de críticos como Nelly Novaes Coelho, Fernando Py, Foed Castro Chamma e Maria da Conceição Paranhos.
Em seguida vieram A terceira romaria (2005) – Prêmio Capital Nacional de Literatura, do jornal O Capital, de Aracaju, Sergipe, e A infância do centauro (2007), livros estes que receberam uma intensa atenção da crítica especializada e foram motivo de várias resenhas no Brasil e em outros países. Em 2004, organizou Concerto lírico a quinze vozes – Uma coletânea de novos poetas da Bahia, livro que reúne 15 poetas e traça um panorama da nova poesia baiana.
José Inácio Vieira de Melo é jornalista, co-editor da revista de arte, crítica e literatura Iararana e colunista da revista Cronópios. Em 2005, coordenou, ao lado de Aleilton Fonseca e Carlos Ribeiro, o Porto da Poesia na VII Bienal do Livro da Bahia. Coordenou, entre 2004 e 2007, o projeto Poesia na Boca da Noite, em Salvador, do qual participaram poetas de todas as partes do Brasil.
Seus poemas têm sido publicados em vários jornais e sites do Brasil e do exterior e em revistas como Continente Multicultural (PE), Poesia Sempre (RJ), Acauã (PB/CE), Polichinello (PA), Iararana (BA), Literatura (CE), Correio das Artes (PB), Panorama da Palavra (RJ), O Escritor (SP) Rascunho (PR) e Autre Sud (França). Recentemente foi selecionado para integrar a coleção Roteiro da poesia brasileira, da editora Global, sendo um dos 45 poetas que comporão o volume correspondente à década de 2000.
A CASA DOS MEUS QUARENTA ANOS
Assim é a casa dos meus quarenta anos,
assombrada e sóbria como um bacurau.
Em seus largos cômodos,
habitam uma enorme solidão
e muitas vontades de vida.
É noite e estou em meu quarto
urdindo meus infinitos à eternidade.
Eu – apenas eu – eu.
Lá fora, uma sinfonia de questionamentos:
grilos, sapos, rãs na sua intermitente litania
enlouquecem meus fantasmas.
A minha casa, às três horas da madrugada,
tem os olhos bem abertos – esbugalhados sertões –
e os seus fantasmas, somatórios do eu,
vão se arrumando do jeito que podem.
Um, no quarto ao lado,
implora para que desatem o nó da forca.
Não suporta mais as folhas da algarobeira
chorando o seu destino.
No quarto do outro lado,
outro choraminga suas dores, suas pernas quebradas,
o sangue escorrendo para o nada
(esse espectro dói demais e a sua grande
novidade é saber que vai morrer).
No quarto derradeiro,
os morcegos dormem sossegadamente
e seu mundo não é de cabeça para baixo.
No quarto derradeiro da casa dos meus quarenta anos,
os morcegos adubam o terreno e aguardam a chegada
de mais um dia, de mais um ano.
E assim, no bater das asas do galo pedrês,
o choro do recém-nascido.
E de dia a casa dos meus quarenta anos
é cheia de janelas azuis abertas para o azul.
E uma multidão de ventos vem assobiar dentro dela,
vem renovar os ares, sacudir os quadros nas paredes,
jogar meus retratos pelo chão.
Ventos dadaístas
a remexer nos meus poemas, mudar seus versos,
rearrumar suas estrofes.
E o dia vai crescendo com uma claridade medonha,
e as telhas da minha casa abrem os olhos
e olham para o alto e se benzem e dizem amém
(cada telha da casa dos meus quarenta anos
é um olho aceso espiando dentro de suas cores).
E há momentos em que tudo que é bicho se cala
e a casa mais parece um cemitério.
A casa dos meus quarenta anos é caiada de branco
e tem janelas azuis abertas para o azul.
A casa dos meus quarenta anos – cemitério de ilusões.
***
NEUSA ZANIRATOCOMUNHÃO
Entra, meu pai! Entra na casa e no coração.
O café está fresquinho, pega aqui na minha mão
Vamos ver também as flores que se abriram
Neste meio de estação. Você conhece o caminho:
É lá onde se ouve melhor o canto dos passarinhos
Lá onde o sol nesta hora brinca de esconde-esconde
Entre nuvens coloridas demarcando o horizonte
Entra, pai, você conhece o caminho da casa e do coração
Bebe o café comigo e me dê a sua mão
Tem tanta coisa bonita pra eu contar pra você
Tem também coisas doídas que você deve saber
Mas você, que me deu a vida, e me conhece de cor,
Sabe que a vida é escola pra alma crescer melhor
E acompanha meus passos quando caminho só.
Me abraça, meu pai, e juntos vamos cantar
Todas as cores do mundo, pra espantar dissabores
Depois me conta uma história, quem sabe de fada,
Pois hoje me sinto criança um pouco só e cansada
Mas em seus braços, de novo, refeita em cores e tons,
Adormeço entre as estrelas, em paz com as emoções,
E agradeço, pai, a visita, o abraço, a paz e a vida.
(Neusa Zanirato / 17 de novembro de 2007)
***
CONVITE
Bento Gonçalves, RS, 12 de março de 2008.
Ilustre Poeta SANDRA DE ALMEIDA,
Ao cumprimentá-la cordialmente, tem este a finalidade de convidá-la oficialmente para representar a poesia do Estado de Rondônia no XVI CONGRESSO BRASILEIRO DE POESIA, XVI ENCONTRO LATINO-AMERICANO DE CASAS DE POETAS e XIII MOSTRA INTERNACIONAL DE POESIA VISUAL, a serem realizados nesta cidade de Bento Gonçalves, Estado do Rio Grande do Sul, Capital Brasileira da Uva e do Vinho e maior Pólo Moveleiro do País, entre 6 e 11 de outubro do corrente.
A Comissão organizadora colocará a sua disposição hospedagem em hotel de categoria e deslocamento entre o aeroporto de Porto Alegre e a cidade de Bento Gonçalves.
Na expectativa de contarmos com sua honrosa participação, subscrevemo-nos.
Atenciosamente
Ademir Antonio Bacca
Ilustríssimo Poeta
Sandra de Almeida
Cacoal / RO
***
SELMO VASCONCELLOS
www.rondoniaovivo.com > blogs de Rondônia > Selmo Vasconcellos > http://antologiamomentoliterocultural.blogspot.com/
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http://orebate-selmovasconcellos.blogspot.com - página Momento Lítero Cultural / jornal www.jornalorebate.com
***
www.diariolac.com.br > Colunista > Literatura > Amigos do Lítero Cultural ( Selmo Vasconcellos )
***
SELMO VASCONCELLOS ( administrador, poeta e escritor ), PORTO VELHO, RO.
Selmo é editor da página literária impressa e semanal intitulada LÍTERO CULTURAL no jornal Alto Madeira, Porto Velho ( RO ) há 17 anos ( primeira página em 15 de agosto de 1991 ). Possui cerca de 2600 colaboradores em todos os quadrantes do País e nos seguintes países: Bolívia, Venezuela, Chile, Argentina, Uruguai, Colômbia, Cuba, EUA, França, Itália, Alemanha, Espanha, Portugal, Noruega, Canadá, Rússia, México, Coréia do Sul, China, Japão, Grécia, Honduras, Bélgica, Áustria, Dinamarca, Índia, Malta, Algéria, Marrocos, Macedônia, Polônia, República Dominicana, Holanda, Guatemala, Paraguai e Inglaterra ( 36 países ).
Autor de 6 livros ( poesia e prosa ) publicados dentro e fora do país,
participação em várias antologias brasileiras e estrangeiras,
54 prêmios nacionais e internacionais
e livretos de poesias traduzidos em francês, inglês, italiano, alemão, espanhol, grego, japonês, polonês, chinês, macedônio, esperanto e russo
***
João Paulo das Virgens ( em 06-09-2008)
Meu caro Poeta José Valdir Pereira, relendo a mensagem de boas-vindas observei que coloquei a data de 05 de agosto quando na verdade é 05 de setembro, desculpe o erro.
Aproveito para perguntar ao nobre amigo se o Selmo Vasconcelos já é membro da Academia, pois acompanho de longe a luta do ilustre Poeta para divulgar a cultura do nosso Estado de Rondônia, principalmente no campo das letras.
Observo que tanto ele como vocês formam uma trincheira em defesa das artes e cultura do nosso povo e da nossa língua, sempre sem apoio dos órgãos responsáveis, tentando trazer luz para a escuridão das mentes irracionais que nos governa e tratam desta pasta, que fazem cara de mocho toda vez que é para investir neste campo.
Selmo tem mantido um caderno no Jornal Alto Madeira com a mesma força e dificuldade que o nobre amigo mantém este site tão importante para o nosso povo.
Sei que estou entrando em uma seara que não me pertence e nem sei como funciona, só estou é querendo me informar e de longe procurar entender e contribuir para a grandeza da nossa cultura.
Um abraço meu Poeta e desculpe a intromissão ou a falta de informação caso o Selmo já seja portador do tão honrado Fardão.
Vilhena, 06.09.08
João Paulo das Virgens.
***
Adaides Batista - Dadá ( em 09-09-2008)
O João Paulo, ex-vereador, policial aposentado e hoje advogado, lembrou muito bem do poeta Selmo Vasconcellos. Bota anos que ele batalha com sua página literária na imprensa rondoniense. Nós que sabemos como é difícil o ofício de jornalista em Porto Velho, pode-se imaginar o que passou e que passa o escritor Selmo Vasconcellos para manter até hoje a publicação da sua página.
Lamento nunca ter estreitado meu relacionamento com o Selmo, mas sempre acompanhei seu idealismo. Seu companheiro de batalha era meu amigo Bahia. Outro grande batalhador pela poesia em Rondônia.
Selmo Vasconcellos por ser uma pessoa humilde que nunca gostou de ostentação ainda não teve o devido reconhecimento de homem incentivador no nosso Estado da arte literária, que merece. Digo uma coisa de cadeira, nunca vi o Selmo com bajulação nos corredores dos órgãos públicos pedindo isso ou aquilo para sua sobrevivência ou para amealhar glórias. É uma pessoa que merece todo respeito mesmo.
***
MARIA ÂNGELA DE ARAÚJO FERREIRA
( Uma grande amiga desde 1972 )
Coisas inexplicáveis acontece
Fico a relembrar quando criança
que o escuro me aborrece
Vendo anoitecer, o medo aproxima
Sempre ao deitar a luz acesa acima
Gritos apavorados |||
acordam todos assustados...
Eu sufocada com a escuridão...
Hoje o medo persegue,
é a visão
pouca quase nada
mas preciso dela que segue
minha respiração.
***
SELMO VASCONCELLOS
Na solidão
até gota de torneira
é companheira.
++
Vou penetrar
na sua alma
e com calma
dizer de mansinho
que te amo.
++
Voltar ao passado
apenas para pequenas
correções pendentes.
++
DESTINO MAPEADO
Pensar em você
é pensar em voar.
***
NELSON MARZULLO TANGERINI
JOHN LENNON NO CÉU COM DIAMANTES
Roqueiro inveterado, meu amigo Adalberto (1) me convenceu a ir a um centro de mesa.
Juro que não entendi. Mas ele insistia no assunto.
- Eu explico. Li, na Folha Espírita, que um médium inglês recebeu o espírito de John Lennon.
Ele não sabia precisar a data do jornal e o nome do médium. Mas acreditava naquilo, no conteúdo daquela psicografia. E estava convencido de que o ex-Beatle continuava fazendo música no além.
- Ele enviou uma mensagem para Yoko. Disse que continuava fazendo música. E agradeceu a Elton John pela belíssima canção, Empty Garden, que o cantor dos grandes óculos compusera para ele.
- Mas você acha que ele está fazendo música do outro lado?...
- Sim, pois John está montando uma super banda.
- Super banda?
- Sim, uma super banda. Ele convidou Sid Vicious, baixo; Pete Ham, guitarra solo; Ian Stewart, teclados, e Keith Moon, bateria, para tocarem com ele.
- Mas você tem uma grande imaginação. Neste caso, como estariam Janis Joplin, Jimi Hendrix, Jim Morrison, Elvis, Mamma Cass, John Boham, Bill Halley, Karen Carpenter...?
- Estão todos produzindo. Janis não gostava dos Beatles. Ela está montando uma banda com Brian Jones, Jimi, Boham... Elvis e Bill também estão formando suas bandas...
Bem, eu já estava me sentindo um vovô, com toda aquela constelação desfiada por Adalberto. Mas eu me sentia orgulhoso e feliz. Foi uma época de contestação, uma época frutífera, e eu sobrevivi a tudo. Mas não estava disposto e nem interessado em assistir aos concertos dessas bandas...
- Mas... como você pode provar isto? – perguntei.
- Eu tenho intuição, bicho!
- Ah, vá lá!...
Venha comigo. Vamos a um centro espírita. Quero que você testemunhe isto. Vai ser um ti-ti-ti na imprensa. Tipo: Bomba, bomba...
Era bom mesmo que Ibrahim Sued estivesse aqui por baixo!
Tendo consideração com o amigo, fui com Adalberto ao centro espírita mais próximo. Ele vive no mundo da música... Talvez pudesse mesmo falar com os deuses.
A pedido de Adalberto, os médiuns se concentram...
E quem disse que a mensagem vinha?!
Todos insistiam. Não podíamos sair dali sem a tal mensagem. Não podia desapontar o amigo. E, se desse, eu pediria até um autógrafo.
Um dos componentes da mesa nos disse que as coisas não eram bem assim... Que não podíamos forçar a barra...
De repente, um rapaz, atendendo ao pedido de Adalberto, incorpora um espírito. Era inglês. Fiquei entusiasmado. É o ex-Beatle!, pensei. Mas... , para a nossa decepção, não, não era John. E deixou a seguinte psicografia:
- John Wiston Lennon e sua banda, Super Nova, estão excursionando por outras dimensões.
E assinou:
- Brian Epstein.(2)
(1)Adalberto Barboza – Autor de ENERGIA AZUL, de parceria com Nelson Tangerini.
(2)Brian Epstein – Ex-empresário dos Beatles.
n.tangerini@uol.com.br
***
NELI VIEIRA
Se eu fosse falar de beijo
falaria primeiro do olhar.
de olhos nos olhos
olhos na boca
boca seca
Se eu fosse falar de beijo
falaria também
das águas do corpo
no desejo
Se eu fosse falar de beijo
falaria das mãos
da pele
dos lábios
da língua
da saliva
Se eu fosse falar de beijo
falaria de emoção
de toque leveza
atrevimento
loucura paixão!
Se eu fosse falar de beijo
falaria de sabor
de você
em mim
Se eu fosse
falar de beijo
Não falava
beijava.
***
ROSE DE ARRUDA
Cuiabá, MT
MÁSCARAS SEMPRE
E na vitrine da vida,
vamos caminhando
uns com pressa,outros devagar
uns observando, outros simplesmente,
passando por cima...
e a garota-moça que passa também,
retoca seu olhar no bum-bum
pelos vidros dos carros...dos Bancos...
o menino-mestre chuta as latas-sobras
da farra no bar da avenida,
a mulher experimenta a surdez do marido
na conta da compra do dia,
a avó tricota uma meia 3/4
para a neta caminhar no inverno e,
todas pessoas são iguais,
continuam sempre iguais.
Há aqueles que mais enfeitam as coisas
transtornam pensares,
fazem-se ouvidos, emitem reviravoltas...
aqueles que pra Santo falta a coroa,
desses,alguém me socorra!...
Os que mentem por todos os buracos,
outros que escondem-se comodamente
sob a pele de cordeiro,
não deixam de ser tiros certeiros
de todo monte de carne-ossos e banha
que somos,aguardamos,amaciamos...
somos motores todos de uma só fábrica,
todos com o mesmo defeito e por fim
concluímos então,enfim, somos todos iguais...
quando conhecemos alguém hoje
nos iludimos com sua fala, expressão,
bondade,naturalidade,inteligência e tudo que nos toca é real e novo...
com o passar dos dias,
das horas terrenas
vamos adentrando no perfil da pessoa
então descobrimos automaticamente,
que essa mesma pessoa
já nos é velha,
com os mesmos tipos de astúcias,
argumentos,mentiras e falhas tão nossas...
e com todos tipos de artifícios,
brincadeiras,maus gostos e máscaras...
máscaras que a todo segundo
em nossa vida deixamos cair,
e tudo continua...mais uma,
menos uma decepção na experiência
não nos fará nenhum mal...
vira tudo rotina,
essa mesma rotina de sempre abençoada
que nos acompanha e nos ilumina
clareando as trevas das nossas
próprias e valiosas experiências...
***
PAOLA RHODEN
Paola Rhoden colecionou diplomas e certificados que lhe capacitaram a exercer os cargos de sobrevivência. Mas o verdadeiro aprendizado obteve no convívio entre pessoas das mais diversas culturas, as quais lhe ensinaram muito mais com suas experiências do que os bancos escolares lhe possam ter transmitido. Essa sabedoria obtida no dia a dia, ela coloca nas páginas que escreve.
Nascida no Estado do Paraná , Brasil, foi por necessidade do trabalho que morou em diversas cidades brasileiras. Essas caminhadas pela vida lhe proporcionaram a oportunidade de um aprendizado, que lhe valeu muito nas estórias e histórias que escreveu. Foi premiada em concursos literários, tendo alguns textos publicados em antologias. Editou dois livros.
Livros na Bienal :
*Caminhos sem volta
*Dezessete anos.
HOMEM NENHUM É MAIOR
(Crônica)
Ser um objeto dentro do mundo, manipulado pelas raças e pelos poderes terrenos, quer sejam eles de natureza física ou da mente, é deixar-se levar pelas massas, não aproveitar o que de melhor a vida tem a nos proporcionar e não deixar transparecer o brilho de nossa alma para o mundo que nos cerca.
Viver não é uma tarefa fácil, mas também não é impossível de se contatar o verdadeiro caminho para uma vida melhor.
Ser um homem e uma alma ao mesmo tempo, dá um pouco de trabalho, mas com algum esforço se consegue. E é claro, além de se conseguir viver melhor, também fazemos a vida dos que estão ao nosso lado ser mais agradável, quer seja de uma forma ou de outra.
Devemos sempre levar em consideração os que nos cercam, pois deles depende também a nossa felicidade. Se os próximos estão felizes, por conseqüência somos felizes também.
Olhamos ao nosso redor e veremos a todo o momento pessoas que dependem de nós. Nossa família em primeiro lugar, nossos amigos, as pessoas que por algum motivo pedem algo para si e que nós possamos dar, enfim, uma grande quantidade de seres depende de nossos atos todos os dias.
Isto faz com que sejamos bem mais importantes no contexto cotidiano, assim como todas as pessoas que nos servem de algum modo também o são.
Se pegarmos algumas das coisas que usufruímos diariamente, como roupas, calçados, comida, luz, água, telefone e tudo o mais, e analisarmos com calma quantas pessoas estão envolvidas no sistema para que obtenhamos o produto final em nossas mãos, ficaremos impressionados de a quanta gente devemos favores e dependemos para viver.
Que tal? Conseguimos saber o total dessa gente maravilhosa que nos serve sempre, e que sem elas nenhuma dessas utilidades poderia estar disponível em nosso dia a dia, ou para que pudéssemos trabalhar em nossos empregos tranquilamente?
Aí me pergunto: Será que agradecemos a Deus o suficiente, por essas pessoas existirem e nos servirem com tanto esmero?
Pensando nisso, vemos que não somos os únicos a dar a alguém alguma coisa, e sim que somos mais um.
Percebemos então, que o homem não está só e não pode viver só, num mundo onde todos somos uma única célula.
Em um mundo onde todos somos um.
***
EDVALDO ROSA
O que nos completa !
Bocas secas,
secos lábios,
desejos, inteiros,
inalcançados...
Vagos pensamentos...
Solidão e medo !
Meio homem,
meia alma !
Meio tudo, meio nada...
A parte do que nos falta,
insosso sabor de fruta,
escorrendo entre a boca, dentes e lábios...
Loucura !
A parte que nos falta, os outros,
é nosso espelho !
É onde nos vemos inteiros
Por vezes mais belos,
outras, melhores,
noutras, plenos !
Livro : Antologia Delicatta III , Poesia, Contos, Crônicas – Org. Luiza Beatriz Moreira.
***
POESIAS
JOZO T. BOSKOVSKI JON ( meu saudoso poetamigo na Macedônia, descansa em paz )
O Fogo queima
Até mesmo o mar.
Meu fogo se estende
Por toda a Humanidade !
EMANUEL MEDEIROS VIEIRACRONOS
O menino e o seu boné,
contemplo-o na tarde que se esvai,
ah, menino: inunda-me,
restaura-me neste sol, grama seca,
florzinhas retorcidas do Cerrado – belas.
Tempo-lápide
(sorridente coveiro),
bruxo,
acalenta meus mortos.
Havia sim um menino neste rosto.
Havia?
Resta-me caminhar em direção à noite:
e num dia, eu sei, ela não terminará,
menino – teu boné atingiu-me como flecha,
tempo-agonia,
redenção?,
e, então, acertarei minhas contas, menino.
(Brasília, setembro de 2008)
ASCENDINO LEITEANSIEDADE
João Pessoa / PB
Pensei que viesses esta noite : eu te esperei.
Tínhamos nos entendido, mas tão pouco !
Queria te beijar os pés, correr teu corpo,
como as serpentes nas ínvias cavernas
dos bosques e dos parques pelo mundo.
Pensei que vinhas. Não custava nada,
Era só galgar a pequena escada, um degrau,
logo me alcançar, pensativo e ansioso,
julgando que eras tu a cada estremecer do piso
Da casa soturna e mágica. Não eras tu;
era só meu enorme desejo de violar
teu pretenso mundo de pudor e timidez.
Agora, já não tendo mais o que sonhar,
vou me dissolver na noite desmedida.
Livro “Poesia ou Morte”
JOÃO PAULO DAS VIRGENS
MAGIA
M ulher, esposa, mãe e magia
I nfinita deusa da beleza e perfeição,
C oração e alma se fundindo no tempo, em
H oras de amor e sedução.
E tudo que passa correndo,
L evando a prosa e a emoção,
Y pslon letra que seu nome leva, transforma a vida, clareia o coração.
F onte inesgotável de ternura,
R egato pueril e de eterno louvor,
E sposa recatada, mãe adorada, filha concebida do amor.
I menso lago manso, onde a amizade é o encanto,
T odo apego é engano,
A penas a forma digna, de uma relação amiga,
S atisfaz o poeta, e a poesia espalhando calor..
Vilhena, 12 de setembro de 2008
NEIVA FERNANDES
Amigo eu trago guardado
sempre com muita afeição,
naquele lugar sagrado
que se chama coração.
GE FAZIO
Momentos de nós
Sopram os ventos uivando
O som da saudade de nós.
As folhas de outono caem
Secas ao chão...
Cumprem um novo ciclo
Da natureza...
Sou pele. Suor em gotas
Chorando a falta
De tuas mãos ávidas
Numa carícia incoerente
Da suavidade sob as rendas
E cetins...
Um toque de pétala na vidraça
Embaçada pelas respirações.
Acorda à realidade...
Doces momentos
De nós.
RO DAROS
Alma Louca De Quem Ama
Amor...
O que é de ti sem a loucura?
Que cintila
Rosas em outono
Cheiro de eternidade
Sonhada em versos
No mar música que canta
A cada onda uma canção
Nas madrugadas
Traduzida em poesia
Desvairada paixão
Alma louca de quem ama...
DORA ALVARENGA
À Magaly Grespan
vou lá na rua
ouvir o canto das estrelas
o luar de Magaly
os portões da primavera
conclamarei os ventos
fortes, desses que trazem
esperança, arrebatando a
alma, a vida, o sonho
e esperarei tranqüila
pela presença desta mulher
embalar os teus, os meus
sonhos, tal coração que zela.
EURÍDICE HESPANHOL
Pontal inverno
O pontal exibe sua névoa glacial
O mar em maré vazante,
Espuma champanhe de festa
A areia molhada
Abriga os pequenos
Pingos de garoa fina
Finda o dia
Devolvo versos ao ponto de origem...
Espalho nas ondas
Todas as perguntas sem respostas
Desato todos os destinos
Retorno ao começo de mim
Desfaço os nós,
Levanto velas ao vento
Embarco nuvens de seda
E agasalho o Recreio
Em minha alma:
Poesia...
Em homenagem ao Bairro do Recreio
KÁTIA CLAUDINO CAETANO PEREIRA
Busca
Hoje sou
Menina sem amor
Menina sem ninguém
Menina com medo
Menina com pesadelos
Vivendo acordada
Em busca
De sonhos não sonhados.
HELENA JORGE
" Na luz da vela
Meu gato se transforma.
É uma pantera "
MÍRIAN WARTTUSCH
DEPOIS DE SER MULHER
Ai, não visse o sol minha nudez pela manhã,
Eu acharia que somente a lua nos flagrou…
Te prendo ainda nos meus braços, com afã,
Não te recuso, e o último beijo então te dou…
Consumados todos os nossos desejos,
Assim deliciados todos os abraços,
Beijados todos os nossos mais ardentes beijos…
Fico encantada, enrodilhada nos teus braços!
E não te furtas a então me encher de mimos…
Para que eu não esqueça tudo que sentimos…
Mais me aconchegas, enquanto eu te acarinho,
Agora menina, faço dengue, e até beicinho…
É assim que tu me gostas, assim você me quer,
Depois de ser amante, depois de ser mulher…
ANNETH SANTOS
Hoje eu experimentei
uma solidão de alma
Deve ser inferno astral
deve ser normal
depois que eu "quarentei"
dei de ter e sentir
umas esquisitices
um sentido aguçado.
As coisas banais
são realmente banais
não rio de piada pouca
não confio em qualquer promessa
aprecio vinho,mas bebo pouco
me estresso menos.
Bobeou eu chuto o pau-da-barraca
Depois que eu passei dos quarenta
as situações foram mudando
devagarzinho,de leve
e quando me vi,dizia nãos
esperava menos das pessoas
me decepcionava menos
amava com mais segurança
falava menos e ouvia mais.
Passei a ter urgência de vida
a buscar o que era meu por direito
a valorizar silencios
a entender a diferença
entre estar só e ser só
vou ao ginecologista
faço mamografia
comparo as perdas
me dou presentes
escrevo poemas
me emociono facilmente
e não engulo choro
Me permito de forma inteira
por merecimento mesmo
recebo abraços e me derreto toda
se eu soubesse que era assim
Tinha "quarentado" antes.
MELL GLITTER
O DIA EM QUE A CORAGEM CHEGAR
No dia em que a coragem chegar,
vou inteira me declarar.
Te direi coisas de amor
sem mais nada ocultar!
Roubar-te-ei longo beijo,
sem tempo pra respiração.
Ao pé do ouvido direi
palavras de baixo calão.
Descerei do meu altar
e despirei o meu véu.
Verás meu pecado sagrado
e te sentirás no céu.
Sem sequer temer censura
teu corpo vou tatear.
Cada parte da sua pele
farei questão de beijar.
Não te darei mera chance
de mim poder se livrar.
Ficarás ,então, viciado,
enlouquecido por me amar.
Te tatuarei na pele
aonde mora o desejo.
E me terás nua e crua
rendida aos seus gracejos.
Mas agora o que me resta
é de sonhos suspirar,
torcendo pra que não tarde
esta coragem chegar!
JANE ROSSI
“Sonhei com o Mestre”
Diante de mim eu via uma imensa multidão
Era o Senhor passando nos ares em levitação
Multidão efervescente clamando uma oração
E eu ali paralisada estava em comunhão
E nosso Deus lá do alto emanava uma luz
E nosso olhar cintilava, admirando Jesus
Suas palavras de amor nos faziam chorar
Diante de tanta luz vi o povo se acalmar
Um por um, Deus foi tocando, suavizando a dor
No peito que habitava a ira ele trocou por amor
E aquele coração aflito, o pai curou e acalmou
O corpo em enfermidade, as algemas ele soltou
Levitando entre as nuvens ele desapareceu
Curou a enfermidade e o coração que sofreu
Disse palavras de amor e a alma fortaleceu...
***
CLÁUDIA BRINO
Editora da revista lítero-temática ‘cabeça ativa’, Ano I – nº 1, 2008.
Opala Flor
Sol negro de extensão cardíaca
lavra tua verve na pele acetinada do plenilúnio
e convença-o a amar-te !
Luz suprema da esfera
raiz fincada na terra
sobre a moldura sólida da vasta
imensidão de um girassol
Abra tua corola às moscas !
Gira teu leme para o norte das constelações
da Ursa Maior e Ursa Menor
Girassol da cálida manhã
queima com tua chama – labareda pétalas –
teu próprio destino traçado
na pequena asa de uma abelha
Para fechar a página
Ah ! O antigo açude !
E quando uma rã mergulha,
o marulho da água.
( Tradução do haiku de Basho : Poeta Guilherme de Almeida )
SEU COMENTÁRIO É MUITO IMPORTANTE, ABRAÇOS.

14 Comentários:
AMEI O SEU JORNAL, PARABÉNS E OBRIGADA POR PUBLICAR A MINHA TROVA.
NEIVA FERNANDES
Por
Neiva S Fernandes, Ã s 10:49 AM
Selmo,
Se alguém aqui se sente honrada, sou eu em estar em tão nobre espaço...
Obrigada amigo pela oportunidade que vem me dando em seu espaço, de colocar meu poema ao lado de outros tão belos...
De todo meu coração, meu amigo, muto obrigada!!!!
Com carinho
Rô
Por
Anônimo, Ã s 2:14 PM
Selmo,querido amigo de sempre e sempre presente!É uma honra estar em teu espaço de divulgação.Espero que um dia possamos estar em todos eventos juntos,colocando os papos em dia...e olhe q são muitos,né?
Grande beijo e sucesso sempre!
Por
Anônimo, Ã s 2:30 PM
Selmo,
Parabéns por mais esta edição do Momento Lítero Cultural. Cumprimentos também aos autores publicados, pelos brilhantes trabalhos.
Abraços especiais para Neusa Zanirato com quem comungo as lembranças do nosso pai, e Nelson Tangerini, que me fez 'viajar' com sua crônica encantadora.
Por
Anônimo, Ã s 2:35 PM
Muito obrigada, Selmo, por me colocar presente nesse espaço maravilhoso que é o seu blog. Obrigada, também, por ter escolhido esse poema, parte muito importante de uma história vivida.
Parabéns pelo seu trabalho incrível, é raro alguém entregar-se tão completamente à cultura e à divulgação dela.
Parabéns aos autores aqui publicados, maravilhosos!
Beijos e linda semana a você.
Por
Neusa Zanirato, Ã s 4:14 PM
Querido Selmo,
"Até a gota da torneira é companheira", onde há poesia, desculpe-me a rima, mas há companhia.
A edição deste MLT ficou linda, porque traz a poesia que faz bem a esta sua leitora e algumas mensagens endereçadas à você de apoio ao seu trabalho a favor da literatura.
Beijos.
Por
Madalena Barranco, Ã s 4:16 PM
Obrigado nobre Poeta por difundir nossas loucuras, nossos sonhos, nossos pensamentos.
Sua pagina Lítero Cultural é a expressão verdadeira da nossa cultura.
Um abraço e obrigado por me colocar ao lado de poetas tão importantes e brilhanates.
Um abraço.
João Paulo das Virgens
Por
joaodasvirgens, Ã s 7:22 PM
Muito honrada em ver um poema meu publicado neste jornal.
Que a poesia de todos nós possa encontrar muitos espaços como este para ser divulgada.
Parabéns ao poetamigo Selmo Vasconcelos por seu trabalho em benefício de nossa insana e maravilhosa lida poética!
Euridice Hespanhol
Por
Olhar feminino, Ã s 8:25 AM
Grande Selmo Vasconcellos, grato pela publicação do meu poema "A casa dos meus quarenta anos". O MLC está muito bom. Vc tem prestado um grande serviço para a literatura brasileira contemporânea, sobretudo para a poesia. Parabéns! Abraços.
JIVM
Por
JIVM, Ã s 6:33 AM
Fico muito grata em ter o poema Opala Flor publicado em seu blog.
Raro acontecimento para mim. Abraços Literários. Cláudia Brino
Por
Costelas Felinas, Ã s 7:40 AM
Selmo, querido, é uma honra compartilhar desse espaço, desse MOMENTO, com esse desfile de talentos e sensibilidades. Obrigada, bjss
Por
Nadia de Souza, Ã s 2:55 PM
Delíciosos momentos que nos extasiam ao abrir esta página
literária.
Suspiram nossas almas se abastecem
de luz os nossos corações.
Sempre que precisemos de alento e
paz, deveremos abrir esta página.
Honrada por fazer parte desta galeria.
Por
Mírian Warttusch, Ã s 6:30 PM
Parabéns,Selmo, pelo seu lindo trabalho de resgatar nomes esquecidos pela Mídia nacional como o Paulinho Tapajós e por dar oportunidade
aos poetas que nascem e aos que já estão nascidos!
Beijos!
Por
Anônimo, Ã s 1:47 PM
Amei o jornal.Minha mana Nadia,eu tenho "muito orgulho" de você!.Eu posso publicar uma poesia aqui?
beijos a todos!!
Lu.:)
Por
Anônimo, Ã s 4:34 PM
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