MOMENTO LÍTERO CULTURAL
Jornal MOMENTO LÍTERO CULTURAL

Dedicado ao saudoso escritor e amigo ALUYSIO MENDONÇA SAMPAIO
Tantas e tão ricas são as veredas da cultura brasileira, que desvendá-las e revelá-las, em busca do autêntico, é preciso. ( Aluysio Mendonça Sampaio )
( 1926 / 2008 )

1-LUIZ OTÁVIO OLIANI
Luiz Otávio Oliani é natural do Rio de Janeiro, graduado em Letras e Direito. Participou de diversas antologias e tem poemas publicados em jornais do País e do exterior. Com incursões no teatro e no jornalismo, freqüentou oficinas e atua no movimento literário da cidade carioca desde 1990, período em que obteve mais de 40 premiações. Publicou “Fora de órbita”, Editora da Palavra, poesia, 2007.
A POESIA DE LUIZ OTÁVIO OLIANI
oliani528@uol.com.br
http://www.almadepoeta.com/luizotaviooliani.htm
No Alma de Poeta, de Luiz Fernandes Prôa
http://www.blocosonline.com.br/literatura/poesia/obrasdigitais/saciedigpv/05/looliani01.php
Participação na Antologia Digital Saciedade dos Poetas Vivos nº05, Portal Blocos
http://www.panoramadapalavra.com.br/poeta_da_vez67.asp
Luiz Otávio Oliani no Poeta da Vez
http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/rio_de_janeiro/luiz_otavio.html
Luiz Otávio Oliani no Poesia dos Brasis, página cultural do escritor Antonio Miranda
RESGATE
como posso resgatar
o que não existe em mim?
ao beijar a solidão
eu me dispo por inteiro
da escória que é o homem
na inútil tentativa
de ser Deus por um minuto
TERRITÓRIO
“O que não sei fazer desmancho em frases”
Manoel de Barros
brota em mim o verbo
com suas pessoas
desconjugá-las não posso
em mim
a palavra
se faz morada
HERANÇA
não deixo bens
aos que ficam
de mim
restará a palavra
(antes cinzel)
agora verso
a burilar os homens
DESCOBERTA
nada detém a vida
esvai-se o tempo
o tempo em mim
caramujo do imo
guardo porta-retratos
aqueço a memória:
a infância me foi roubada
PARTILHA
a mão estendida
abençoa o trigo
à procura do ponto
ágeis dedos
manipulam a massa
do mundo
mas a vida só faz sentido
quando se reparte o pão
LABUTA
A João de Abreu Borges
em sua própria vida
o homem finca raízes
atravessa árvores
mata fungos
sem olhar para trás
e perceber: os frutos
não mera conseqüência
BOEMIA
hoje a lua é verso
de loucos, de putas
e de poetas
hoje a lua é verso
prazer bêbado
regaço
COTIDIANO
há vísceras
em todos os lugares
quem se indigna
diante de quem sangra?
In: Fora de órbita, Editora da Palavra, 2007.

2-LÚCIA FONSECA

O PARAÍSO ERA ANTES
Poemas e ilustrações, 52 p.
Editora da Palavra, Rio de Janeiro, RJ , 2007
Formada em História Natural, Lucia Fonseca trabalhou alguns anos em pesquisa com artigos publicados na área genética humana. Entre 1980 a 2000, atuou em administração de ciências, na Financiadora de Estudos e Projetos – FINEP. Começou a escrever regularmente no início da década de 70, publicando poemas em suplementos literários de alguns jornais.
Em 1980 aparece o primeiro livro, Invenções do Silêncio, pela Livraria José Olympio Editora. Nesse mesmo ano recebe o Prêmio Emílio Moura da Secretaria de Cultura do Estado de Minas Gerais, com Rede Fluvial, publicado em 83, também pela José Olympio.
Publicou outros livros em poesia, romance e memórias, participando ainda de antologias e livros de contos.
O Paraíso era antes é o seu oitavo trabalho e o primeiro em que aparece como ilustradora.
É casada, tem três filhos e três netos ( Rafael, Júlia e Bernardo ), a quem este livro é dedicado.
Livro gentilmente enviado pelo escritor e amigo Luiz Otávio Oliani ( Assessoria de Imprensa da Editora da Palavra )
Luz
Pela janela
o raio de sol.
Qual rede no alto suspensa,
um raio curvo de sol,
um berço de luz,
uma barca,
um ninho, uma nave.
O sol parado no meio do céu,
a tarde presa num canto da sala,
o raio oblíquo
colhendo na hora
plumas de poeira
e poças de luz
- luxo desse silêncio.
Açude.
Infância.
Paraíso.

3-ROSÂNGELA VIEIRA ROCHA
Artigo de MANOEL HYGINO DOS SANTOS
Jornal Hoje em Dia, de 21.10.2008.
Os passos da vida
Rosângela Vieira Rocha tem uma vida dedicada a escrever e a ensinar a escrever. Nascida em Inhapim, com quinze anos foi para Brasília. Formada em jornalismo pela Faculdade de Comunicação da UnB, é também bacharel em Direito pela Universidade Católica de Salvador e Mestre em Ciências da Comunicação pela Escola de Comunicação pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo.
Integrada ao Programa para Graduados Latino-americanos, fez curso de pós-graduação lato sensu pela Universidade de Navarra, em Pamplona, Espanha. Tem três livros publicados, vencedores de prestigiosos prêmios: ‘Véspera de lua‘, venceu o Prêmio Nacional de Literatura, Editora UFMG, em 1988, na categoria romance.
Em 2002, foi classificada entre as finalistas da 4ª Bienal Nestlé de Literatura Brasileira e recebeu Menção Especial no Prêmio Graciliano Ramos, da União Brasileira de Escritores, em 1990, com ‘Rio das Pedras‘. Este foi também primeiro colocado na categoria novela na Bolsa Brasília de Produção Literária, em 2001, da Secretaria de Cultura do Distrito Federal.
Comentei os livros de Rosângela, em outras oportunidades. Hoje, ela leciona Oficinas de Textos e de Narrativas no Departamento de Jornalismo da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília, tendo nesse ínterim publicado ‘Pupilas Ovais‘, pela LGE, 2005, e participado de várias antologias. Entre elas, ‘Todas as Gerações _ O conto brasiliense contemporâneo‘, coletânea organizada por Ronaldo Cagiano.
Depreende-se que Rosângela Vieira Rocha é, de fato, quem eu disse inicialmente. E incansável. Assim, envereda por novos caminhos, a que estaria indesviavelmente destinada por sua sensibilidade, com a literatura infantil. Com ilustrações de Neli Aquino, apareceu ‘A festa de Tati‘, lançado pela F. Franco, editora de Juiz de Fora.
Eis um trabalho, primoroso, que narra a ansiedade de Tatiana, para festejar seu décimo aniversário. E Tati, seu apelido, era uma criança muito especial. Adorava ver programa de dança na televisão e ouvir música, marcando o ritmo com a cabeça. Muito vaidosa, comprava pulseiras, brincos, colares e enfeites para os cabelos. Cuidava-se, e da aparência, inclusive quanto às cores do esmalte para unhas. Rosto fino, delicado, usava aparelho nos dentes. Olhava as formigas passeando no quintal de casa, sempre vigiada pela cadelinha Zuza.
Pois a menininha não era igual às outras da mesma idade. Quando Fabiana, Fabi, a irmãzinha nasceu, ela já tinha três anos. Ainda assim, não andava e nem ficava de pé sozinha. Engatinhava.
Um caso neuromotor. Além do mais, era magrinha, meio molenga, com os pés não firmando direito no chão. Falava com dificuldade e baixinho. As professoras se esforçavam para entender o que dizia.
Segurar os objetos era problemático. As mãos tremiam e ela não tinha força. À medida que crescia, não conseguia escrever com letra bonita. Não tinha ‘caligrafia‘, como dizia a professora.
As pessoas indagavam por ela, desejavam saber o que lhe acontecia, qual a causa de seus transtornos e dificuldades. Ela também se interessava, sentia-se _ vamos dizer _ discriminada.
Perguntou à mãe a respeito e ela lhe contou que, no dia do nascimento, a enfermeira levou para que a visse, e lhe desse o beijo primeiro. ‘Nunca tinha visto um bebê igual‘, revelou-lhe a mãe. Tati não se contentou:
Por que ? Eu era tão feia assim?
A mãe explicou: ‘Você era linda, miudinha, parecia uma figura de vidro, pintada à mão‘.
Resumindo, Rosângela Vieira Rocha estréia bem na literatura infantil com ‘A Festa de Tati‘. Tem um vasto e belo caminho a percorrer.

4-CLÁUDIO PORTELLA
www.revistabula.com
Roteiro do domingo de uma família verde e amarelo
Um dia sem nuvens no céu, sem risco de chuva. Há quanto não chove? Mas ele estava feliz por hoje não chover. Acordou às cinco da manhã. Hoje é domingo. Para que acordar tão cedo? Mas hoje é um dia especial, dia de Formula I. Ah, sim! Hoje sim, hoje tem Copa do Mundo, jogo do Brasil na TV. Escancarou a janela, sentiu o doce aroma do esgoto a céu aberto. Respirou fundo, olhou pra rede, a mulher ainda dormia:
- Acorda, mulher!
- Porra homê, me deixa!
- Acorda! Brasil, Brasil, acorda!
A mulher, cansada de passar roupa até tarde, não acordava. Resolve fazer um café. Na sala, rede pra tudo quanto é lado, passa por aqui, por acolá, chega à cozinha e é aquele mexe-mexe:
- Pam! Pam! Prac! Pam!
- Diabos, não tem pó!
Aquilo não o deixou desanimado. Bebe um copo d’água barrenta e sai mundo afora. Sete horas aquela confusão. Mijo de criança no meio da sala, choradeira, gritaria:
- Mãe, tô com fome!
- Não tem nada, menino!
- Mãe, tô com fome!
- Já disse que não tem nada, diabo ruim!
Meio-dia. Todo mundo já se roendo de fome, quando pinta na porta da casa aquele espigão de homem com um kilo de farinha e três rapaduras debaixo do braço. Lá pras tantas, todo mundo com a pança cheia de rapadura e farinha, é ligada a única coisa condigna daquela família, cujo pai tinha o maior orgulho. Uma televisão colorida, último modelo, controle remoto e tudo. A qual foi comprada em sete suaves prestações; como entrada usou seu fundo de garantia.
Todo mundo sentado no chão:
- Sai do meio, barriga de lama – grita o pai pro filho
menor.
“E rola a bola em Berlim...”.
Nesse domingo Felipe Massa ganhou na Formula I e a seleção brasileira ganhou de 5X0 da Alemanha. E nossa prezada família, o pai, o herói dessa crônica, sua esposa e seus nove filhos, dormiram sem jantar, adormeceram em suas redes saciados com as glórias do Brasil.

5-BRASIGÓIS FELÍCIO
Brasigóis Felício é escritor e jornalista. Nasceu em Aloândia, (Go) em 1950. Publicou 38 livros, entre obras de poesia, conto, crônica, romance e crítica literária. Presidiu a Ube-go (União Brasileira de Escritores, seção de Goiás) e ocupa a cadeira 25 da Academia Goiana de Letras. É membro do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás, sendo sócio-correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte. É detentor de dezenas de premiações literárias, em nível regional, nacional e internacional e integra antologias de contos e poesias publicadas no Brasil e em outros países.
A fortuna crítica sobre sua produção literária inclui estudos em universidades, jornais e revistas especializados do Brasil e do exterior. Pertence à geração literária que emergiu em Goiás a partir da década de 1970. A antologia No Barco dos dias – 30 anos de navegação poética reúne alguns dos poemas que marcaram sua produção poética do período. Seus poemas figuram em dezenas de blogs e sites dedicados à poesia e à literatura.
Hotel do tempo, livro de poemas lançado em 1982, pela Editora Civilização Brasileira, figura entre suas obras mais destacadas. Monólogos da angústia e Memória da solidão são duas de suas obras mais apreciadas, no gênero contos. Memória da solidão tem sido objeto de estudos no curso de Geografia da UFG (IESA). Brasigóis Felício é cronista de O Popular e publica textos na revista BULA: www.revistabula.com
Viver é devagar, coletânea de crônicas para o Vestibular da UFG, é também um de seus livros mais conhecidos, tendo um crescente número de leitores. Em 1983, durante o obscurantismo da ditadura militar, teve seu romance Diários de André censurado e apreendido por ordem do ex-Ministro da Justiça, Armando Falcão.
Bom dia! Encaminho à sua apreciação crônica publicada hoje (dia 24/10) em O Popular. Data em que Goiânia comemora mais um aniversário recebendo um presente imerecido: o título de cidade com maior desigualdade social em todo o mundo. Nada mais injusto, e até mesmo absurdo. Quantas favelas tem nossa cidade, em comparação com Brasília, Fortaleza, Brasília, São Paulo, e Rio de Janeiro? Sem falar em outras, da América Latina, da China, e da Ásia? Pensemos nisto.
Estranhos no crime
A morte é uma estranha senhora, que tem o dom de ser a indesejável das gentes. Mas está sempre à espreita, a ver se não perde de vista a sua próxima vítima. Muitas vezes se aproveita do estranhamento entre amantes, ou casais muito resolutos em levar na base de facadas e sopapos os tumultos demenciais que chamam de amor apaixonado. Nas guerras, os vencedores nunca são estrangeiros. Estrangeiros são sempre os que perderam.
Outras vezes se faz presente entre parentes tornados distantes – estrangeiros sob o mesmo teto, divididos por interesses, apegos, opiniões. Há casos de assassinato inocente – como no caso da mulher esquizofrênica que atirou no marido que chegava, julgando ser um ladrão das madrugadas. Não existe o mau destino determinado pelos astros. Nós é que o fazemos tolo, podendo fazê-lo sábio. O estar atentos, no reto agir, é tudo que se precisa para não perdermos a lucidez e o som do caminho.
No trânsito, por motivo de gestos obscenos automáticos e costumeiros, é onde muito acontece a morte entre estranhos. Pessoas que se matam por nonadas, por um arranhãozinho na lataria, uma lanterna quebrada – outros descarregam seus revólveres por conta de terem duvidado da honestidade de sua mãe ou mulher. Quantas solidões estranhas têm o poder morte e vida sobre as pessoas, por conta de estarem no piloto automático de suas reações mecânicas.
Outras vezes ocorre de a pessoa incorrer em desistência de Ser, por conta de permitir que roubem os sonhos que alimentam a sua alma. No dizer da psicóloga Ray Barros, assim o fazem por viver em função da promissória compulsoriamente assinada com a sociedade. É muita falsidade! Não precisamos honrar este tipo de compromisso mortal e mortífero. Podemos não perder a nossa alma por causa disto!”.
De fato, antes de matar pessoas que nem conhecemos, ou de ser mortos por estranhos, podemos “cair” ou subir “na real”, e compreender que somos mais que nossos pensamentos, nosso carro ou nossa casa, não sendo pertencidos por aquilo que provisoriamente nos pertence. Podemos adiar a hora de atravessar a tormenta, e não ser em nós um torvelinho criador de mau destino. Podemos não viver tão freneticamente a ponto de não poder sequer respirar!
Na vida há poucos acidentes inevitáveis. A maioria deles acontece por não estarmos lúcidos e presentes na trama cotidiana do viver. Assim, por ilucidez de Ser, nos perdemos de quem sonhos. Então, ao caminhar pela vida como cegos em um nevoeiro, fica difícil atravessar a tormenta, e não sermos estrangeiros em relação a nós mesmos.

6-CISSA DE OLIVEIRA
Regulamento para participação na Antologia
“A Espessura do Silêncio”
A Editora Nova Aldeia, através do seu Departamento de Antologias e Concursos Literários informa a abertura de inscrições para a antologia “A espessura do Silêncio” . O tema é leve mas nem por isto fútil. Assim, “solte o verbo” em prosa ou em versos e participe desta antologia projetada para ser de alto nível. Previsão de Lançamento: Fevereiro de 2009.
O que está incluído:
Cinco páginas por autor em texto único ou não, e mais uma nota biográfica resumida (5 linhas)
A revisão ortográfica dos textos
Diagramação
Criação da Capa
Registro na Biblioteca Nacional (ISBN), Registro na Câmara Brasileira do Livro (Ficha Catalográfica) e Depósito Legal junto à Biblioteca Nacional.
Direito a dez exemplares por autor, e a adquirir outros com desconto de 15%
Serviços não incluídos: Frete, Marcadores, Digitação, Leitura Crítica.
Especificações: Cada página compreende 33 linhas. Os textos deverão ser digitados na fonte Times new Roman, tamanho 12 e espaçamento 1,5.
Formato do livro: 14 x 20,7 cm, miolo em PB papel off-set 75 gramas e capa colorida.
Inscrições: Período: de 25 de outubro até 31 de dezembro
Pré-Requisitos:
1) Preencher a Ficha de Inscrição e envia-la com o texto e a mini-biografia para um dos e-mails: cissa.oliveira@gmail.com ou vasco.editora@gmail.com
Taxa de adesão: R$ 261,40 (podendo ser parcelado em duas vezes).
- O pagamento da primeira parcela deverá ser efetuado no ato de inscrição, sendo confirmada pela editora após o recebimento de cada parcela.
- O depósito deverá ser efetuado no Banco do Brasil: Ag. 3551-3 – Conta corrente: 8841-2. Enviar comprovante de pagamento para os e-mails citados acima ou para o endereço: Rua Amador Bueno, 225 – Bloco I – apto. 114 – Vila Industrial – Campinas-SP, CEP: 13.035-030.
FICHA DE INSCRIÇÃO
Nome do Autor: _______________________________________________________
Endereço: Rua/Avenida/Travessa: _______________________________________
_____________________________________________________________________
Bairro: ______________________________________________________________
Cidade: ___________________________
Estado: ___________________________
CEP: _____________________________
Telefone ( ) _____________________
E-mail: ___________________________
Título da Obra: _______________________________________________________
Forma de Pagamento: À vista ( )
Parcelado ( ) em duas vezes.
Editora Nova Aldeia: http://editoranovaaldeia.blogspot.com
Endereço: Rua Rabino Z.Zingerevitz, 44 – Imirim - CEP 02469-110 – São Paulo – SP
Contatos: Vasco dos Santos/Luiza Helena: Tel (11) 6239.5030 ou Cissa de Oliveira (19) 3272.9146

7-JOYCE CAVALCCANTE
MAGIA MILIONÁRIA
Não temos mar de sal, mas temos mar de gente
Em ondas, nas filas como serpente.
Pagando contas, como se pega onda.
São Paulo é diferente.
É um estado de espírito, um estilo de vida, de arte,
capital dos desejos é essa minha antiga cidade.
Praia de quatrocentos e cinqüenta anos
de sabores variados, sofisticados.
Trânsito atravessado, rima fácil, rotina difícil.
Semana esticada, lazer sem amigos, parque aos domingos.
Feira de antiguidades. Crimes, maldades. Sol de vez em quando. Exposições,
programas. Grátis o veranico dourado. Assaltos.
Bancos. À todos os do centro da cidade, rendo homenagem :
aos do dinheiro fruindo frouxo e aos do descanso.
Metrô que nunca vai aonde se quer. Melhor mesmo é ir a pé.
Passear pelo absurdo. Mandar notícias ao mundo sem daqui sair.
São Paulo é um achado. Entre mortos e feridas abertas,
o espaço se completa. A poeta que não sou, te abençoou.
Cidade. Rito iniciado por jesuítas. Fundados no meu coração.
Desde de antes quando tento conhecer tal panela de pressão.
Bailes, periferia, cães, leis. Vocês são partículas do tempo.
Magia milionária ao alcance de todas as imaginações.
Um vício. Uma associação sem fim. Um deserto de mim
que jamais sairá daqui. São Paulo é por aí.
*Joyce Cavalccante é uma atuante escritora do nosso tempo.
Autora de oito livros de ficção.
Participante de mais de uma dezena de antologias.
Filha de Fortaleza, Ceará e adotada por São Paulo,
cidade aonde vive em estado de permanente criação.
Mais : http://www.joyce cavalccante.com
8- POESIAS

JOÃO PAULO DAS VIRGENS
Uma homenagem que fiz para minha sobrinha Michele Carvalho Barboza, que atualmente mora em Portugal.
MEU JARDIM
Meu jardim não era assim,
eu o fiz, belo para mim;
Meu jardim não tem defeito,
em cada amanhecer, um jeito.
Perfumado de alecrim,
meu jardim não tem jasmim,
tem vocês a quem adoro,
e o vêem tão risonho e feliz.
Meu jardim não é assim,
Foram vocês que o fizeram,
Tão bonito para mim.
Meu jardim sem vocês,
Que o olham com olhos de beija-flor,
Seria um canto sem vasos,
um coração sem amor.
João Paulo das Virgens
Vilhena, 23.11.2008.
***

REGINA SANT’ANNA
Em Veritas Amadas
Naveguei nas calmas ondas de teus versos
lépidos em invisível beijo, suave brisa marinha
emergindo sentidos, em mim, submersos.
Aprisionei-me nas águas de teu mar interior
nem doce, nem salino, de encantado refino
onde sou rio serenado, em ti, querente viajor
no frescor de solene noite que me aninha
entre sons audíveis em perfeito afino
nos teus planos etéreos de homem-menino.
Sim, segui seu mar de ternos horizontes
e firmes nuvens de palavras desenhadas
em abraços saídos dos teus versos-fontes
encontrando-me em tempestades de quereres
De insubmissos desejos e prazeres
Que só os sabem as almas em veritas amadas.
***

MARISA VIEIRA
Tudo escrito
Messias deu sinal
corpo, alma e espírito
entoar cântico espiritual
transformar, eu acredito
tudo está escrito
muitos não querem ler
tudo já foi dito
cegos podem ver
mundo em desamor
homem busca fama
com as letras de alma
também escrevo lama
***

CIBELE CAMARGO
VIDA FÁCIL
Para conquistar uma posição
que não me fizesse sentir uma qualquer,
usaria lingerie de seda
para vender sorvete nas esquinas,
sem precisar ser mulher.
( Do Livro "Verdades e 1/2" )
***

BASILINA PEREIRA
ALMA DE POETA
Eu quis construir um sonho
sem limite nem medida,
feito a alma do poeta
no instante da despedida.
Tive a visão do universo
no espelho fluido do mar
onde as estrelas pintavam
as letras do verbo amar.
Embalei então meu verso
no silêncio de um casulo
fiz da partida um regresso,
tornei claro o que era escuro.
Depois pintei na retina
a essência de um poema
e a imagem de tão bela
pediu corpo e uma forma.
Enquanto o mar e o céu
saudavam o novo dia,
adornei meu sentimento
e assim nasceu a poesia.
***

RO LOPES
VIDA SEM SENTIDO
Uma vida de poucos amores
Uma vida de muitos temores
Uma vida de perdições
Cheia de ilusões
Uma vida de muitas buscas
Uma vida de muitos ideais
Uma vida de poucas conquistas
Uma vida de perdas e “ais”
Uma vida de infelicidade
Uma vida de tristeza sem paz
Uma vida sem vaidade
Onde a amargura não fica atrás
Uma vida de turbulência
Uma vida sem opção de querer
Uma vida de incerteza
Que nem há razão para viver
Vida... Sem sentido
É este o nome do filme
Deixou-me compadecida...
Chorei!
***

SONIA MARIA GRILLO ( BABY )
Idiossincrasia
estranha essa minha mania
de escrever para você todo dia,
querer saber das suas inúmeras vidas,
das suas chegadas e partidas
estranho esse querer desmedido,
esse sentir sem sentido,
esse pensamento insensato
essa fixação no abstrato
estranha essa incoerência
essa total abstinência
de outras sensações
de novas emoções
estranho que depois de tanto tempo
e com tanto contratempo
eu ainda pense em você
sem nem mesmo saber o porquê!
22.10.2008
Vitória-ES
***

SONIA DIAS FREITAS
AMAR SEM MEDIDA
Você surgiu em minha vida...
E veio minha transformação...
Um imensurável amor surgiu...
As duvidas eram tantas...
Cada dia... Cada minuto que passava sentia muito a sua falta...
Percebi então que eu já estava totalmente apaixonada...
Fiquei sem saber o que fazer...
Mas todo meu amor me encheu de coragem...
E declarei todo meu amor para você...
Você todo gentil e carinhoso me abraçou...
E com toda delicadeza me beijou...
Não conseguíamos mais parar de nos beijar...
Tudo estava tão perfeito... Não havia nada a dizer naquele momento...
Precisávamos apenas sentir aquele êxtase que surgia entre-nos...
Fiquei muito feliz de saber que também sentiu o mesmo que eu senti...
Como é bom te amar assim, e saber que sou amada também.
***

CLARA LONGHI
Caso Eloá
Ainda o machismo
Continua no caso ELOÁ
A cultura da sordidez
Onde a força masculina
Injustamente predomina
Ceifada após o martírio
Das cem horas de cativeiro
Rosa em botão aos quinze anos
Empenhada na aprovação
Quando estudava, surge o vilão
Insônia atroz passou
Soluçou, apanhou na solidão
Chorou lágrimas de sangue
Amarrada, insultada
A alma dilacerada
A fêmea, sempre a fêmea
Apaixona, envolve-se
Confia, angustia
Com sua doçura cristalina
Torna-se mulher
Deixa de ser menina
O amor ultrajante
Força decisões imprevistas
Não conquista, não fascina
Acredita que tem privilégio
Comete absurdo, o sacrilégio
Devemos refletir e educar de forma que cessem as agressões contra a mulher !
***

MARA ARAÚJO
Turbilhão ( Com um amor infinito!)
Ah Deus! Enlouqueço nos caminhos sem saber quem sou. Todos os meus momentos são feitos de inquietação e perguntas enlouquecidas. Sensações confessas, desconectas à parte, sem um fio, um único fio que me ligue a origem do que sou. Ah! Sombra maldita nessa hora de penúria que me enfrenta. Quero gritar e saber quem sou! Que barriga me pariu? Mãe assassina que matou todas as possibilidades de um colo, um olhar um afago, ao dar-me a luz. Me jogando em esquinas de valas negras e podres em encardidas manhãs sem sol! Perguntas infames de materno e paterno vil e covarde, em características que tenho de janelas e portas trancadas e a impossibilidade. A falta de substancia, de impressão. Sou uma massa de carne que acaba aqui, infecunda. Sem ontem nem amanha, limitado ao hoje, caminhando por sois luas e estrelas... nesse infinito céu
++
Silêncio
Atravesso a linha do olhar e entro! Libidinosa como uma enguia, escorregadia como um polvo, dando volta e viravoltas no teu cérebro. Atiço todo desejo, decifrando cada palavra que falam suas mãos às minhas. Não! Não precisa falar... Deixa suas mãos descobrirem os atalhos das minhas mãos, meus dedos, unhas nervosas e controladas. Seu desejo crescente por elas, seu olhar invadir minha boca num entra e sai crescente. Ah! Deixa... ate você descobrir que em estado de amor eu pisco mais os olhos. Ficam assim mais descontrolados, meio desordenados e denunciam a fome por ti. Sinto que me atravessa o desejo, libidinoso como um mar. Transparente como agua viva. Atiçando todos os nervos, os vasos sanguíneos. O corpo latejando luas de espera. Ah! Olhos meus, se comportem... Não! Não preciso falar... A nossa volta, o silencio grita!
++
Ilusão
Não... Não sou eu essa mulher quase perfeita que você sublima. Essa corsa imaginária, essa mulher despida de pudores e quase avassaladora. Quem dera eu ser assim... São sonhos e outras historias, alguma fantasia, pedaços de poesia, cores quentes e coisa e tal. Não, não sou essa loba devoradora que uiva, geme, anda e desanda risonha pulando estrelas brilhantes, entrando em arco- íris e desdobrando luas. Ah! Quem dera fosse, pra poder lhe satisfazer todas as gulas e apascentar essa fome, que arde desejos de espera por mim. Não! Não sou essa mulher com a força meio animal, virada e revirada em prazer, indomada e orgânica, faiscada de sol. Essa mulher orgásmica de hálito quente e sedutor. Quem dera eu fosse essa serpente enrodilhada cheia de guizos e presas, que induz que seduz que conduz só no olhar. Bicho que hipnotiza e entrega maças sem medo. Não! Não sou essa mulher, quem dera fosse assim... Ah! quem dera

Dedicado ao saudoso escritor e amigo ALUYSIO MENDONÇA SAMPAIO
Tantas e tão ricas são as veredas da cultura brasileira, que desvendá-las e revelá-las, em busca do autêntico, é preciso. ( Aluysio Mendonça Sampaio )
( 1926 / 2008 )

1-LUIZ OTÁVIO OLIANI
Luiz Otávio Oliani é natural do Rio de Janeiro, graduado em Letras e Direito. Participou de diversas antologias e tem poemas publicados em jornais do País e do exterior. Com incursões no teatro e no jornalismo, freqüentou oficinas e atua no movimento literário da cidade carioca desde 1990, período em que obteve mais de 40 premiações. Publicou “Fora de órbita”, Editora da Palavra, poesia, 2007.
A POESIA DE LUIZ OTÁVIO OLIANI
oliani528@uol.com.br
http://www.almadepoeta.com/luizotaviooliani.htm
No Alma de Poeta, de Luiz Fernandes Prôa
http://www.blocosonline.com.br/literatura/poesia/obrasdigitais/saciedigpv/05/looliani01.php
Participação na Antologia Digital Saciedade dos Poetas Vivos nº05, Portal Blocos
http://www.panoramadapalavra.com.br/poeta_da_vez67.asp
Luiz Otávio Oliani no Poeta da Vez
http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/rio_de_janeiro/luiz_otavio.html
Luiz Otávio Oliani no Poesia dos Brasis, página cultural do escritor Antonio Miranda
RESGATE
como posso resgatar
o que não existe em mim?
ao beijar a solidão
eu me dispo por inteiro
da escória que é o homem
na inútil tentativa
de ser Deus por um minuto
TERRITÓRIO
“O que não sei fazer desmancho em frases”
Manoel de Barros
brota em mim o verbo
com suas pessoas
desconjugá-las não posso
em mim
a palavra
se faz morada
HERANÇA
não deixo bens
aos que ficam
de mim
restará a palavra
(antes cinzel)
agora verso
a burilar os homens
DESCOBERTA
nada detém a vida
esvai-se o tempo
o tempo em mim
caramujo do imo
guardo porta-retratos
aqueço a memória:
a infância me foi roubada
PARTILHA
a mão estendida
abençoa o trigo
à procura do ponto
ágeis dedos
manipulam a massa
do mundo
mas a vida só faz sentido
quando se reparte o pão
LABUTA
A João de Abreu Borges
em sua própria vida
o homem finca raízes
atravessa árvores
mata fungos
sem olhar para trás
e perceber: os frutos
não mera conseqüência
BOEMIA
hoje a lua é verso
de loucos, de putas
e de poetas
hoje a lua é verso
prazer bêbado
regaço
COTIDIANO
há vísceras
em todos os lugares
quem se indigna
diante de quem sangra?
In: Fora de órbita, Editora da Palavra, 2007.
2-LÚCIA FONSECA

O PARAÍSO ERA ANTES
Poemas e ilustrações, 52 p.
Editora da Palavra, Rio de Janeiro, RJ , 2007
Formada em História Natural, Lucia Fonseca trabalhou alguns anos em pesquisa com artigos publicados na área genética humana. Entre 1980 a 2000, atuou em administração de ciências, na Financiadora de Estudos e Projetos – FINEP. Começou a escrever regularmente no início da década de 70, publicando poemas em suplementos literários de alguns jornais.
Em 1980 aparece o primeiro livro, Invenções do Silêncio, pela Livraria José Olympio Editora. Nesse mesmo ano recebe o Prêmio Emílio Moura da Secretaria de Cultura do Estado de Minas Gerais, com Rede Fluvial, publicado em 83, também pela José Olympio.
Publicou outros livros em poesia, romance e memórias, participando ainda de antologias e livros de contos.
O Paraíso era antes é o seu oitavo trabalho e o primeiro em que aparece como ilustradora.
É casada, tem três filhos e três netos ( Rafael, Júlia e Bernardo ), a quem este livro é dedicado.
Livro gentilmente enviado pelo escritor e amigo Luiz Otávio Oliani ( Assessoria de Imprensa da Editora da Palavra )
Luz
Pela janela
o raio de sol.
Qual rede no alto suspensa,
um raio curvo de sol,
um berço de luz,
uma barca,
um ninho, uma nave.
O sol parado no meio do céu,
a tarde presa num canto da sala,
o raio oblíquo
colhendo na hora
plumas de poeira
e poças de luz
- luxo desse silêncio.
Açude.
Infância.
Paraíso.
3-ROSÂNGELA VIEIRA ROCHA
Artigo de MANOEL HYGINO DOS SANTOS
Jornal Hoje em Dia, de 21.10.2008.
Os passos da vida
Rosângela Vieira Rocha tem uma vida dedicada a escrever e a ensinar a escrever. Nascida em Inhapim, com quinze anos foi para Brasília. Formada em jornalismo pela Faculdade de Comunicação da UnB, é também bacharel em Direito pela Universidade Católica de Salvador e Mestre em Ciências da Comunicação pela Escola de Comunicação pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo.
Integrada ao Programa para Graduados Latino-americanos, fez curso de pós-graduação lato sensu pela Universidade de Navarra, em Pamplona, Espanha. Tem três livros publicados, vencedores de prestigiosos prêmios: ‘Véspera de lua‘, venceu o Prêmio Nacional de Literatura, Editora UFMG, em 1988, na categoria romance.
Em 2002, foi classificada entre as finalistas da 4ª Bienal Nestlé de Literatura Brasileira e recebeu Menção Especial no Prêmio Graciliano Ramos, da União Brasileira de Escritores, em 1990, com ‘Rio das Pedras‘. Este foi também primeiro colocado na categoria novela na Bolsa Brasília de Produção Literária, em 2001, da Secretaria de Cultura do Distrito Federal.
Comentei os livros de Rosângela, em outras oportunidades. Hoje, ela leciona Oficinas de Textos e de Narrativas no Departamento de Jornalismo da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília, tendo nesse ínterim publicado ‘Pupilas Ovais‘, pela LGE, 2005, e participado de várias antologias. Entre elas, ‘Todas as Gerações _ O conto brasiliense contemporâneo‘, coletânea organizada por Ronaldo Cagiano.
Depreende-se que Rosângela Vieira Rocha é, de fato, quem eu disse inicialmente. E incansável. Assim, envereda por novos caminhos, a que estaria indesviavelmente destinada por sua sensibilidade, com a literatura infantil. Com ilustrações de Neli Aquino, apareceu ‘A festa de Tati‘, lançado pela F. Franco, editora de Juiz de Fora.
Eis um trabalho, primoroso, que narra a ansiedade de Tatiana, para festejar seu décimo aniversário. E Tati, seu apelido, era uma criança muito especial. Adorava ver programa de dança na televisão e ouvir música, marcando o ritmo com a cabeça. Muito vaidosa, comprava pulseiras, brincos, colares e enfeites para os cabelos. Cuidava-se, e da aparência, inclusive quanto às cores do esmalte para unhas. Rosto fino, delicado, usava aparelho nos dentes. Olhava as formigas passeando no quintal de casa, sempre vigiada pela cadelinha Zuza.
Pois a menininha não era igual às outras da mesma idade. Quando Fabiana, Fabi, a irmãzinha nasceu, ela já tinha três anos. Ainda assim, não andava e nem ficava de pé sozinha. Engatinhava.
Um caso neuromotor. Além do mais, era magrinha, meio molenga, com os pés não firmando direito no chão. Falava com dificuldade e baixinho. As professoras se esforçavam para entender o que dizia.
Segurar os objetos era problemático. As mãos tremiam e ela não tinha força. À medida que crescia, não conseguia escrever com letra bonita. Não tinha ‘caligrafia‘, como dizia a professora.
As pessoas indagavam por ela, desejavam saber o que lhe acontecia, qual a causa de seus transtornos e dificuldades. Ela também se interessava, sentia-se _ vamos dizer _ discriminada.
Perguntou à mãe a respeito e ela lhe contou que, no dia do nascimento, a enfermeira levou para que a visse, e lhe desse o beijo primeiro. ‘Nunca tinha visto um bebê igual‘, revelou-lhe a mãe. Tati não se contentou:
Por que ? Eu era tão feia assim?
A mãe explicou: ‘Você era linda, miudinha, parecia uma figura de vidro, pintada à mão‘.
Resumindo, Rosângela Vieira Rocha estréia bem na literatura infantil com ‘A Festa de Tati‘. Tem um vasto e belo caminho a percorrer.

4-CLÁUDIO PORTELLA
www.revistabula.com
Roteiro do domingo de uma família verde e amarelo
Um dia sem nuvens no céu, sem risco de chuva. Há quanto não chove? Mas ele estava feliz por hoje não chover. Acordou às cinco da manhã. Hoje é domingo. Para que acordar tão cedo? Mas hoje é um dia especial, dia de Formula I. Ah, sim! Hoje sim, hoje tem Copa do Mundo, jogo do Brasil na TV. Escancarou a janela, sentiu o doce aroma do esgoto a céu aberto. Respirou fundo, olhou pra rede, a mulher ainda dormia:
- Acorda, mulher!
- Porra homê, me deixa!
- Acorda! Brasil, Brasil, acorda!
A mulher, cansada de passar roupa até tarde, não acordava. Resolve fazer um café. Na sala, rede pra tudo quanto é lado, passa por aqui, por acolá, chega à cozinha e é aquele mexe-mexe:
- Pam! Pam! Prac! Pam!
- Diabos, não tem pó!
Aquilo não o deixou desanimado. Bebe um copo d’água barrenta e sai mundo afora. Sete horas aquela confusão. Mijo de criança no meio da sala, choradeira, gritaria:
- Mãe, tô com fome!
- Não tem nada, menino!
- Mãe, tô com fome!
- Já disse que não tem nada, diabo ruim!
Meio-dia. Todo mundo já se roendo de fome, quando pinta na porta da casa aquele espigão de homem com um kilo de farinha e três rapaduras debaixo do braço. Lá pras tantas, todo mundo com a pança cheia de rapadura e farinha, é ligada a única coisa condigna daquela família, cujo pai tinha o maior orgulho. Uma televisão colorida, último modelo, controle remoto e tudo. A qual foi comprada em sete suaves prestações; como entrada usou seu fundo de garantia.
Todo mundo sentado no chão:
- Sai do meio, barriga de lama – grita o pai pro filho
menor.
“E rola a bola em Berlim...”.
Nesse domingo Felipe Massa ganhou na Formula I e a seleção brasileira ganhou de 5X0 da Alemanha. E nossa prezada família, o pai, o herói dessa crônica, sua esposa e seus nove filhos, dormiram sem jantar, adormeceram em suas redes saciados com as glórias do Brasil.
5-BRASIGÓIS FELÍCIO
Brasigóis Felício é escritor e jornalista. Nasceu em Aloândia, (Go) em 1950. Publicou 38 livros, entre obras de poesia, conto, crônica, romance e crítica literária. Presidiu a Ube-go (União Brasileira de Escritores, seção de Goiás) e ocupa a cadeira 25 da Academia Goiana de Letras. É membro do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás, sendo sócio-correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte. É detentor de dezenas de premiações literárias, em nível regional, nacional e internacional e integra antologias de contos e poesias publicadas no Brasil e em outros países.
A fortuna crítica sobre sua produção literária inclui estudos em universidades, jornais e revistas especializados do Brasil e do exterior. Pertence à geração literária que emergiu em Goiás a partir da década de 1970. A antologia No Barco dos dias – 30 anos de navegação poética reúne alguns dos poemas que marcaram sua produção poética do período. Seus poemas figuram em dezenas de blogs e sites dedicados à poesia e à literatura.
Hotel do tempo, livro de poemas lançado em 1982, pela Editora Civilização Brasileira, figura entre suas obras mais destacadas. Monólogos da angústia e Memória da solidão são duas de suas obras mais apreciadas, no gênero contos. Memória da solidão tem sido objeto de estudos no curso de Geografia da UFG (IESA). Brasigóis Felício é cronista de O Popular e publica textos na revista BULA: www.revistabula.com
Viver é devagar, coletânea de crônicas para o Vestibular da UFG, é também um de seus livros mais conhecidos, tendo um crescente número de leitores. Em 1983, durante o obscurantismo da ditadura militar, teve seu romance Diários de André censurado e apreendido por ordem do ex-Ministro da Justiça, Armando Falcão.
Bom dia! Encaminho à sua apreciação crônica publicada hoje (dia 24/10) em O Popular. Data em que Goiânia comemora mais um aniversário recebendo um presente imerecido: o título de cidade com maior desigualdade social em todo o mundo. Nada mais injusto, e até mesmo absurdo. Quantas favelas tem nossa cidade, em comparação com Brasília, Fortaleza, Brasília, São Paulo, e Rio de Janeiro? Sem falar em outras, da América Latina, da China, e da Ásia? Pensemos nisto.
Estranhos no crime
A morte é uma estranha senhora, que tem o dom de ser a indesejável das gentes. Mas está sempre à espreita, a ver se não perde de vista a sua próxima vítima. Muitas vezes se aproveita do estranhamento entre amantes, ou casais muito resolutos em levar na base de facadas e sopapos os tumultos demenciais que chamam de amor apaixonado. Nas guerras, os vencedores nunca são estrangeiros. Estrangeiros são sempre os que perderam.
Outras vezes se faz presente entre parentes tornados distantes – estrangeiros sob o mesmo teto, divididos por interesses, apegos, opiniões. Há casos de assassinato inocente – como no caso da mulher esquizofrênica que atirou no marido que chegava, julgando ser um ladrão das madrugadas. Não existe o mau destino determinado pelos astros. Nós é que o fazemos tolo, podendo fazê-lo sábio. O estar atentos, no reto agir, é tudo que se precisa para não perdermos a lucidez e o som do caminho.
No trânsito, por motivo de gestos obscenos automáticos e costumeiros, é onde muito acontece a morte entre estranhos. Pessoas que se matam por nonadas, por um arranhãozinho na lataria, uma lanterna quebrada – outros descarregam seus revólveres por conta de terem duvidado da honestidade de sua mãe ou mulher. Quantas solidões estranhas têm o poder morte e vida sobre as pessoas, por conta de estarem no piloto automático de suas reações mecânicas.
Outras vezes ocorre de a pessoa incorrer em desistência de Ser, por conta de permitir que roubem os sonhos que alimentam a sua alma. No dizer da psicóloga Ray Barros, assim o fazem por viver em função da promissória compulsoriamente assinada com a sociedade. É muita falsidade! Não precisamos honrar este tipo de compromisso mortal e mortífero. Podemos não perder a nossa alma por causa disto!”.
De fato, antes de matar pessoas que nem conhecemos, ou de ser mortos por estranhos, podemos “cair” ou subir “na real”, e compreender que somos mais que nossos pensamentos, nosso carro ou nossa casa, não sendo pertencidos por aquilo que provisoriamente nos pertence. Podemos adiar a hora de atravessar a tormenta, e não ser em nós um torvelinho criador de mau destino. Podemos não viver tão freneticamente a ponto de não poder sequer respirar!
Na vida há poucos acidentes inevitáveis. A maioria deles acontece por não estarmos lúcidos e presentes na trama cotidiana do viver. Assim, por ilucidez de Ser, nos perdemos de quem sonhos. Então, ao caminhar pela vida como cegos em um nevoeiro, fica difícil atravessar a tormenta, e não sermos estrangeiros em relação a nós mesmos.

6-CISSA DE OLIVEIRA
Regulamento para participação na Antologia
“A Espessura do Silêncio”
A Editora Nova Aldeia, através do seu Departamento de Antologias e Concursos Literários informa a abertura de inscrições para a antologia “A espessura do Silêncio” . O tema é leve mas nem por isto fútil. Assim, “solte o verbo” em prosa ou em versos e participe desta antologia projetada para ser de alto nível. Previsão de Lançamento: Fevereiro de 2009.
O que está incluído:
Cinco páginas por autor em texto único ou não, e mais uma nota biográfica resumida (5 linhas)
A revisão ortográfica dos textos
Diagramação
Criação da Capa
Registro na Biblioteca Nacional (ISBN), Registro na Câmara Brasileira do Livro (Ficha Catalográfica) e Depósito Legal junto à Biblioteca Nacional.
Direito a dez exemplares por autor, e a adquirir outros com desconto de 15%
Serviços não incluídos: Frete, Marcadores, Digitação, Leitura Crítica.
Especificações: Cada página compreende 33 linhas. Os textos deverão ser digitados na fonte Times new Roman, tamanho 12 e espaçamento 1,5.
Formato do livro: 14 x 20,7 cm, miolo em PB papel off-set 75 gramas e capa colorida.
Inscrições: Período: de 25 de outubro até 31 de dezembro
Pré-Requisitos:
1) Preencher a Ficha de Inscrição e envia-la com o texto e a mini-biografia para um dos e-mails: cissa.oliveira@gmail.com ou vasco.editora@gmail.com
Taxa de adesão: R$ 261,40 (podendo ser parcelado em duas vezes).
- O pagamento da primeira parcela deverá ser efetuado no ato de inscrição, sendo confirmada pela editora após o recebimento de cada parcela.
- O depósito deverá ser efetuado no Banco do Brasil: Ag. 3551-3 – Conta corrente: 8841-2. Enviar comprovante de pagamento para os e-mails citados acima ou para o endereço: Rua Amador Bueno, 225 – Bloco I – apto. 114 – Vila Industrial – Campinas-SP, CEP: 13.035-030.
FICHA DE INSCRIÇÃO
Nome do Autor: _______________________________________________________
Endereço: Rua/Avenida/Travessa: _______________________________________
_____________________________________________________________________
Bairro: ______________________________________________________________
Cidade: ___________________________
Estado: ___________________________
CEP: _____________________________
Telefone ( ) _____________________
E-mail: ___________________________
Título da Obra: _______________________________________________________
Forma de Pagamento: À vista ( )
Parcelado ( ) em duas vezes.
Editora Nova Aldeia: http://editoranovaaldeia.blogspot.com
Endereço: Rua Rabino Z.Zingerevitz, 44 – Imirim - CEP 02469-110 – São Paulo – SP
Contatos: Vasco dos Santos/Luiza Helena: Tel (11) 6239.5030 ou Cissa de Oliveira (19) 3272.9146

7-JOYCE CAVALCCANTE
MAGIA MILIONÁRIA
Não temos mar de sal, mas temos mar de gente
Em ondas, nas filas como serpente.
Pagando contas, como se pega onda.
São Paulo é diferente.
É um estado de espírito, um estilo de vida, de arte,
capital dos desejos é essa minha antiga cidade.
Praia de quatrocentos e cinqüenta anos
de sabores variados, sofisticados.
Trânsito atravessado, rima fácil, rotina difícil.
Semana esticada, lazer sem amigos, parque aos domingos.
Feira de antiguidades. Crimes, maldades. Sol de vez em quando. Exposições,
programas. Grátis o veranico dourado. Assaltos.
Bancos. À todos os do centro da cidade, rendo homenagem :
aos do dinheiro fruindo frouxo e aos do descanso.
Metrô que nunca vai aonde se quer. Melhor mesmo é ir a pé.
Passear pelo absurdo. Mandar notícias ao mundo sem daqui sair.
São Paulo é um achado. Entre mortos e feridas abertas,
o espaço se completa. A poeta que não sou, te abençoou.
Cidade. Rito iniciado por jesuítas. Fundados no meu coração.
Desde de antes quando tento conhecer tal panela de pressão.
Bailes, periferia, cães, leis. Vocês são partículas do tempo.
Magia milionária ao alcance de todas as imaginações.
Um vício. Uma associação sem fim. Um deserto de mim
que jamais sairá daqui. São Paulo é por aí.
*Joyce Cavalccante é uma atuante escritora do nosso tempo.
Autora de oito livros de ficção.
Participante de mais de uma dezena de antologias.
Filha de Fortaleza, Ceará e adotada por São Paulo,
cidade aonde vive em estado de permanente criação.
Mais : http://www.joyce cavalccante.com
8- POESIAS

JOÃO PAULO DAS VIRGENS
Uma homenagem que fiz para minha sobrinha Michele Carvalho Barboza, que atualmente mora em Portugal.
MEU JARDIM
Meu jardim não era assim,
eu o fiz, belo para mim;
Meu jardim não tem defeito,
em cada amanhecer, um jeito.
Perfumado de alecrim,
meu jardim não tem jasmim,
tem vocês a quem adoro,
e o vêem tão risonho e feliz.
Meu jardim não é assim,
Foram vocês que o fizeram,
Tão bonito para mim.
Meu jardim sem vocês,
Que o olham com olhos de beija-flor,
Seria um canto sem vasos,
um coração sem amor.
João Paulo das Virgens
Vilhena, 23.11.2008.
***

REGINA SANT’ANNA
Em Veritas Amadas
Naveguei nas calmas ondas de teus versos
lépidos em invisível beijo, suave brisa marinha
emergindo sentidos, em mim, submersos.
Aprisionei-me nas águas de teu mar interior
nem doce, nem salino, de encantado refino
onde sou rio serenado, em ti, querente viajor
no frescor de solene noite que me aninha
entre sons audíveis em perfeito afino
nos teus planos etéreos de homem-menino.
Sim, segui seu mar de ternos horizontes
e firmes nuvens de palavras desenhadas
em abraços saídos dos teus versos-fontes
encontrando-me em tempestades de quereres
De insubmissos desejos e prazeres
Que só os sabem as almas em veritas amadas.
***

MARISA VIEIRA
Tudo escrito
Messias deu sinal
corpo, alma e espírito
entoar cântico espiritual
transformar, eu acredito
tudo está escrito
muitos não querem ler
tudo já foi dito
cegos podem ver
mundo em desamor
homem busca fama
com as letras de alma
também escrevo lama
***

CIBELE CAMARGO
VIDA FÁCIL
Para conquistar uma posição
que não me fizesse sentir uma qualquer,
usaria lingerie de seda
para vender sorvete nas esquinas,
sem precisar ser mulher.
( Do Livro "Verdades e 1/2" )
***

BASILINA PEREIRA
ALMA DE POETA
Eu quis construir um sonho
sem limite nem medida,
feito a alma do poeta
no instante da despedida.
Tive a visão do universo
no espelho fluido do mar
onde as estrelas pintavam
as letras do verbo amar.
Embalei então meu verso
no silêncio de um casulo
fiz da partida um regresso,
tornei claro o que era escuro.
Depois pintei na retina
a essência de um poema
e a imagem de tão bela
pediu corpo e uma forma.
Enquanto o mar e o céu
saudavam o novo dia,
adornei meu sentimento
e assim nasceu a poesia.
***

RO LOPES
VIDA SEM SENTIDO
Uma vida de poucos amores
Uma vida de muitos temores
Uma vida de perdições
Cheia de ilusões
Uma vida de muitas buscas
Uma vida de muitos ideais
Uma vida de poucas conquistas
Uma vida de perdas e “ais”
Uma vida de infelicidade
Uma vida de tristeza sem paz
Uma vida sem vaidade
Onde a amargura não fica atrás
Uma vida de turbulência
Uma vida sem opção de querer
Uma vida de incerteza
Que nem há razão para viver
Vida... Sem sentido
É este o nome do filme
Deixou-me compadecida...
Chorei!
***

SONIA MARIA GRILLO ( BABY )
Idiossincrasia
estranha essa minha mania
de escrever para você todo dia,
querer saber das suas inúmeras vidas,
das suas chegadas e partidas
estranho esse querer desmedido,
esse sentir sem sentido,
esse pensamento insensato
essa fixação no abstrato
estranha essa incoerência
essa total abstinência
de outras sensações
de novas emoções
estranho que depois de tanto tempo
e com tanto contratempo
eu ainda pense em você
sem nem mesmo saber o porquê!
22.10.2008
Vitória-ES
***

SONIA DIAS FREITAS
AMAR SEM MEDIDA
Você surgiu em minha vida...
E veio minha transformação...
Um imensurável amor surgiu...
As duvidas eram tantas...
Cada dia... Cada minuto que passava sentia muito a sua falta...
Percebi então que eu já estava totalmente apaixonada...
Fiquei sem saber o que fazer...
Mas todo meu amor me encheu de coragem...
E declarei todo meu amor para você...
Você todo gentil e carinhoso me abraçou...
E com toda delicadeza me beijou...
Não conseguíamos mais parar de nos beijar...
Tudo estava tão perfeito... Não havia nada a dizer naquele momento...
Precisávamos apenas sentir aquele êxtase que surgia entre-nos...
Fiquei muito feliz de saber que também sentiu o mesmo que eu senti...
Como é bom te amar assim, e saber que sou amada também.
***

CLARA LONGHI
Caso Eloá
Ainda o machismo
Continua no caso ELOÁ
A cultura da sordidez
Onde a força masculina
Injustamente predomina
Ceifada após o martírio
Das cem horas de cativeiro
Rosa em botão aos quinze anos
Empenhada na aprovação
Quando estudava, surge o vilão
Insônia atroz passou
Soluçou, apanhou na solidão
Chorou lágrimas de sangue
Amarrada, insultada
A alma dilacerada
A fêmea, sempre a fêmea
Apaixona, envolve-se
Confia, angustia
Com sua doçura cristalina
Torna-se mulher
Deixa de ser menina
O amor ultrajante
Força decisões imprevistas
Não conquista, não fascina
Acredita que tem privilégio
Comete absurdo, o sacrilégio
Devemos refletir e educar de forma que cessem as agressões contra a mulher !
***

MARA ARAÚJO
Turbilhão ( Com um amor infinito!)
Ah Deus! Enlouqueço nos caminhos sem saber quem sou. Todos os meus momentos são feitos de inquietação e perguntas enlouquecidas. Sensações confessas, desconectas à parte, sem um fio, um único fio que me ligue a origem do que sou. Ah! Sombra maldita nessa hora de penúria que me enfrenta. Quero gritar e saber quem sou! Que barriga me pariu? Mãe assassina que matou todas as possibilidades de um colo, um olhar um afago, ao dar-me a luz. Me jogando em esquinas de valas negras e podres em encardidas manhãs sem sol! Perguntas infames de materno e paterno vil e covarde, em características que tenho de janelas e portas trancadas e a impossibilidade. A falta de substancia, de impressão. Sou uma massa de carne que acaba aqui, infecunda. Sem ontem nem amanha, limitado ao hoje, caminhando por sois luas e estrelas... nesse infinito céu
++
Silêncio
Atravesso a linha do olhar e entro! Libidinosa como uma enguia, escorregadia como um polvo, dando volta e viravoltas no teu cérebro. Atiço todo desejo, decifrando cada palavra que falam suas mãos às minhas. Não! Não precisa falar... Deixa suas mãos descobrirem os atalhos das minhas mãos, meus dedos, unhas nervosas e controladas. Seu desejo crescente por elas, seu olhar invadir minha boca num entra e sai crescente. Ah! Deixa... ate você descobrir que em estado de amor eu pisco mais os olhos. Ficam assim mais descontrolados, meio desordenados e denunciam a fome por ti. Sinto que me atravessa o desejo, libidinoso como um mar. Transparente como agua viva. Atiçando todos os nervos, os vasos sanguíneos. O corpo latejando luas de espera. Ah! Olhos meus, se comportem... Não! Não preciso falar... A nossa volta, o silencio grita!
++
Ilusão
Não... Não sou eu essa mulher quase perfeita que você sublima. Essa corsa imaginária, essa mulher despida de pudores e quase avassaladora. Quem dera eu ser assim... São sonhos e outras historias, alguma fantasia, pedaços de poesia, cores quentes e coisa e tal. Não, não sou essa loba devoradora que uiva, geme, anda e desanda risonha pulando estrelas brilhantes, entrando em arco- íris e desdobrando luas. Ah! Quem dera fosse, pra poder lhe satisfazer todas as gulas e apascentar essa fome, que arde desejos de espera por mim. Não! Não sou essa mulher com a força meio animal, virada e revirada em prazer, indomada e orgânica, faiscada de sol. Essa mulher orgásmica de hálito quente e sedutor. Quem dera eu fosse essa serpente enrodilhada cheia de guizos e presas, que induz que seduz que conduz só no olhar. Bicho que hipnotiza e entrega maças sem medo. Não! Não sou essa mulher, quem dera fosse assim... Ah! quem dera

12 Comentários:
Obrigada Selmo pela oportunidade que voce esta me proporcionando.
Fico feliz de estar neste jornal (seu blog)de tão grande renome, onde tantos sonham estar.
Sinceramente estou sem palavras quão grande a felicidade que sinto no momento.
Voltarei depois para tecer mais comentários.
Mas aproveitando... tem poesias lindas... escolhas criteriosas...grandes nomes e grandes revelações.
Sua página esta linda.
Beijos perfumados em sua alma.
Rô
Por
Anônimo, Ã s 7:18 PM
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Por
Anônimo, Ã s 7:18 PM
Quero agradecer ao amigo Poeta Selmo Vasconcelos pelo carinho com que tem me tratado. Só alma nobre como a sua querido amigo para me prestar tão honrosa homenagem. Grato e espero que continue a galgar os vôos mais altos, que é onde devem estar às estrelas.
Vilhena, 26 de outubro de 2008.
João Paulo das Virgens
Por
joaodasvirgens, Ã s 5:53 AM
parabéns Rô por estar aqui..vc merece ser reconhecida..sua sensibilidade é imensa.. amo suas poesias..agradeço por vc estar entre meus amigos.. parabéns Selmo..por suas escolhas..lindas poesias.. ótimos autores..é um previlégio poder vir aqui.. beijos
Por
maria, Ã s 7:29 AM
Selmo, parabéns por seu Blog, muito agradecida pela publicação, recebo como uma honra essa homenagem!
Sucesso e sempre muita Poesia em sua vida!
Beijo já com a admiração da amiga,
Marisa Vieira
Por
Marisa Vieira, Ã s 8:46 AM
Mais uma vez tenho o prazer de acessar o Momento Lítero Cultural - um blog a serviço da literatura brasileira.
Parabéns Selmo, por mais esta edição.
Cumprimentos aos autores publicados, pela beleza e qualidade dos trabalhos desta página.
Abraços a todos.
Por
Anônimo, Ã s 12:18 PM
Este comentário foi removido pelo autor.
Por
Enemércio de Moura, Ã s 3:02 PM
_____Selmo, parabens por fazer desfilar aqui tao lindos poemas e talentosos poetas!.....
___cumprimentos especiais a Rô Lopes!....bjo amiga por sua sensibilidd!...
_abraço!...
Por
Enemércio de Moura, Ã s 3:05 PM
Caro Selmo Vasoncellos, tudo bem?
Quero convidá-lo a fazer parte dos colunistas do Portal www.jornalismopolitico.com que vai ao ar, em versão Beta, amanhã [29]. Caso o amigo tenha interesse em colaborar; suas matérias de qualquer assunto serão postadas diariamente.
Contando com sua colaboração,
Paulo Zildene
Jornalista
DRT-MTb: 1670
e-mail: paulozildene@jornalismopolitico.com
Por
kiu, Ã s 1:03 PM
Um desmaio de emoções, um simpósio
de delícias!
Esta página cultural é das mais significativas e belas, onde autores sensacionais nos trazem o prazer de degustarmos sem tédio os textos maravilhosos aqui publicados.
É um prazer enorme estar nesta galeria ao lado de tão expressivos
e ótimos autores, atendendo a um
convite irrecusável de Selmo, que
certamente tem uma visão ampla do
que o mundo atualmente exige de
nós, ou seja, buscarmos parcerias
para engrandecê-lo e dignificá-lo.
Parabéns e desejos de crescente sucesso para "O Rebate"
Mírian Warttusch
Por
Mírian Warttusch, Ã s 4:00 PM
grande Selmo...
gracias pela generosidade. Um grande abraço!
Por
Lau Siqueira, Ã s 5:28 PM
Selmo, quanta riqueza por aqui!
Parabéns a todos os Poetas, eu vou me "deliciando" aos poucos para não me embriagar de vez...se bem que overdose de poesia só pode gerar mais poesia né?rs
tá lindo o blog!
abraços poéticos
Marisa Vieira
Por
Marisa Vieira, Ã s 5:39 PM
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