JOSÉ ALOISE BAHIA - ENTREVISTA
JOSÉ ALOISE BAHIA
Foto : Maria Augusta Gentilini
PEQUENA BIOGRAFIA
José Aloise Bahia (Belo Horizonte/MG). Jornalista, escritor, pesquisador, ensaísta e colecionador de artes plásticas. Ex-repórter e editor do jornal Tribuna de Minas (Uberlândia, MG), ex-nadador (BTC, UTC e Mackenzie), ex-jogador de Xadrez (CXBH), ex-chefe do Departamento de Câmbio Flutuante do BEMGE (Banco do Estado de Minas gerais), etc. Estudou Economia (UFMG). Graduado em Comunicação Social e pós-graduado em Jornalismo Contemporâneo (UNI-BH). Autor de Pavios curtos (Belo Horizonte: Anomelivros, 2004). Participa das antologias O achamento de Portugal (Lisboa/Belo Horizonte: Fundação Camões/Anomelivros, 2005) e H2HORAS (São Paulo: Cronópios/Dulcinéia Catadora: 2010), dos livros Pequenos milagres e outras histórias (Belo Horizonte: Editoras Autêntica/PUC-Minas, 2007), Folhas verdes (Belo Horizonte: Edições A Tela e o Texto/FALE-UFMG, 2008) e Poemas que latem ao Coração! (São Paulo: editora Nova Alexandria, 2009). josealoise@gmail.com
ENTREVISTA
Foto : Maria Augusta Gentilini
SELMO VASCONCELLOS - Quais as suas outras atividades, além de escrever?
JOSÉ ALOISE BAHIA - Várias! Com a formação em economia e jornalismo, trabalho e retrabalho nas malhas da estética comunal, Net, artes plásticas, assessorias, consultorias, cursos e escritos diversos para jornais, revistas e internet. Mais o cotidiano, polvilhado de encontros lúdicos com pessoas, esbarrões e desencontros com a gente mesma, além de quadros, esculturas e imagens que não deixam de “queimar”, iluminando a memória.
SELMO VASCONCELLOS - Como surgiu seu interesse literário?
JOSÉ ALOISE BAHIA - Desde de muito cedo, tanto pela literatura, livros e artes plásticas (visuais). Todavia, só desengavetei os escritos mais velhos, após os 40 anos. Criei coragem e coloquei “a cara no mundo”...
SELMO VASCONCELLOS - Quantos e quais os seus livros publicados dentro e fora do País?
JOSÉ ALOISE BAHIA - Por incrível que pareça só tenho um livro de poesias publicado em papel. Minha participação literária está mais presente na internet, pelo menos por enquanto. Tenho participações em várias publicações coletivas e muita coisa guardada (muitas delas publicadas na internet), como dissertações, ensaios, reflexões, artigos, resenhas, entrevistas, poemas, poesia visual, videopoemas e outras experimentações no campo das artes plásticas e visuais. Acho que tudo tem mais ou menos uma hora adequada e amadurecimento para a publicação...
SELMO VASCONCELLOS - Qual (is) o(s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s) capaz(es) de produzir poesia?
JOSÉ ALOISE BAHIA - Ar rarefeito e/ou comprido pela necessidade, encantamento, espanto, perda, encontro, falta, inquietude, percepção, enfim, embates de várias naturezas, condições e acontecimentos para que a criação vital de articulações na expressão e linguagem aconteçam; sincronicidades; insights; como bom mineiro, necessito também de determinados diálogos e impactos com a tradição (sem ser regionalista e/ou tradicionalista), vivências, lembranças e o principal: a produção de sentidos. Uma estética que beira um problema vital, pois a poesia também é um problema para o ser-estar no mundo. Ela é um labirinto repleto de laços e/ou nós. Um espelho para atos de liberdade num precipício chamado eternidade. Sempre uso como recorrência as lúcidas palavras do falecido Sebastião Uchoa Leite: “Para que uma articulação funcione, não basta ser ´sensível´ é preciso atenção e percepção das formas, sejam visuais ou lingüísticas”. Nesta recorrência, creio que a poesia é uma metáfora de nós mesmo, um mistério infinito e a tentativa de transcendência: eis uma outra atmosfera que move os poetas...
SELMO VASCONCELLOS - Quais os escritores que você admira ?
JOSÉ ALOISE BAHIA - Muitos! Atualmente, (re)leio os poetas de cabeceira: Murilo Mendes, Paul Celan, Ana Hatherly, Herberto Helder, Maria Gabriela Llansol, Michel Deguy, Jorge Luis Borges, Manuel Bandeira, Hilda Hilst, Apollinaire, Fernando Pessoa, Orides Fontela, Robert Crelley, Florbela Espanca, Paulo Leminski, Carlos Drummond de Andrade, Ernesto Manuel de Melo e Castro, Manoel de Barros, Walt Whitman, Ferreira Gullar, Cecília Meireles, Giuseppe Ungaretti, Mario Faustino, João Cabral de Melo Neto, Henriqueta Lisboa, Jerome Rothenberg, Baudelaire, Roberto Piva e Sofia de Mello Breyner Andresen. Também Pedro Juan Gutiérrez, Xico Sá, Carlos Heitor Cony, Tostão, Contardo Calligaris e Sebastião Nunes (crônicas); Luiz Vilela, Murilo Rubião, Wander Piroli, Kafka e Sérgio Sant´Anna (contos); Paul Auster, José Saramago, Rubem Fonseca, Moacir Scliar, Marguerite Yourcenar, Gabriel Garcia Marquez, Guimarães Rosa, João Gilberto Noll, Machado de Assis e Ian McEwan (romance); Jean Baudrillard, Beatriz Sarlo, Arlindo Machado, Maria Ester Maciel, Umberto Eco, Silviano Santiago, Vera Lins, Ferreira Gullar e Susan Sontag (ensaios).
SELMO VASCONCELLOS - Qual mensagem de incentivo você daria para os novos poetas?
JOSÉ ALOISE BAHIA - Selmo, antes de terminar, quero agradecer pela entrevista. E te elogiar pelas suas composições literárias e o belíssimo trabalho que realiza na internet, tendo ao centro a literatura, autores e leitores. Pois bem, respondendo a pergunta: ir sempre em frente, em frente, em frente... Viver, trabalhar, compartilhar, desejar, inquietar-se, namorar, viajar, ler, estudar, refletir, experimentar e escrever, escrever, escrever... Depois das (re)elaborações finais, refletir mais um pouco na edição das composições literárias. Sem perder de vista os desejos, emoções e articulações na linguagem e jamais esquecer que do outro lado existe possíveis e prováveis leitores...
POEMAS
Foto : Maria Augusta Gentilini
IMAGEM FIXA
Vai
volta
vira
devora
IMAGEM FIXA.
Dissolver no silêncio uma lembrança.
Ungaretiana
Com água
eu senti
um deserto
de clamor
Ar de Primavera
a flor no jardim:
a rosa
quando brilha,
o ar
mergulha no céu:
o vento descobre
os passarinhos
Piano
Glass dedilha agudos
quarta capa crônica
páginas amassadas
jornal noturno
embala corpos
dízima policial
tempo seco
livro aberto
o coração do piano é azul
TV
Seria cinza, talvez, noite.
Julho, chegando: minto,
fotofobia.
21, 22, 23, 24, 25, 26, 27,
tua morada, casa do tempo.
Névoa, teus óculos band-aid.
O mistério retornar aos sonhos.
A TV imóvel sem pedágio, calcinha.
Te darei veneno ao sabor do dia.
Foto : Maria Augusta GentiliniPEQUENA BIOGRAFIA
José Aloise Bahia (Belo Horizonte/MG). Jornalista, escritor, pesquisador, ensaísta e colecionador de artes plásticas. Ex-repórter e editor do jornal Tribuna de Minas (Uberlândia, MG), ex-nadador (BTC, UTC e Mackenzie), ex-jogador de Xadrez (CXBH), ex-chefe do Departamento de Câmbio Flutuante do BEMGE (Banco do Estado de Minas gerais), etc. Estudou Economia (UFMG). Graduado em Comunicação Social e pós-graduado em Jornalismo Contemporâneo (UNI-BH). Autor de Pavios curtos (Belo Horizonte: Anomelivros, 2004). Participa das antologias O achamento de Portugal (Lisboa/Belo Horizonte: Fundação Camões/Anomelivros, 2005) e H2HORAS (São Paulo: Cronópios/Dulcinéia Catadora: 2010), dos livros Pequenos milagres e outras histórias (Belo Horizonte: Editoras Autêntica/PUC-Minas, 2007), Folhas verdes (Belo Horizonte: Edições A Tela e o Texto/FALE-UFMG, 2008) e Poemas que latem ao Coração! (São Paulo: editora Nova Alexandria, 2009). josealoise@gmail.com
ENTREVISTA
Foto : Maria Augusta GentiliniSELMO VASCONCELLOS - Quais as suas outras atividades, além de escrever?
JOSÉ ALOISE BAHIA - Várias! Com a formação em economia e jornalismo, trabalho e retrabalho nas malhas da estética comunal, Net, artes plásticas, assessorias, consultorias, cursos e escritos diversos para jornais, revistas e internet. Mais o cotidiano, polvilhado de encontros lúdicos com pessoas, esbarrões e desencontros com a gente mesma, além de quadros, esculturas e imagens que não deixam de “queimar”, iluminando a memória.
SELMO VASCONCELLOS - Como surgiu seu interesse literário?
JOSÉ ALOISE BAHIA - Desde de muito cedo, tanto pela literatura, livros e artes plásticas (visuais). Todavia, só desengavetei os escritos mais velhos, após os 40 anos. Criei coragem e coloquei “a cara no mundo”...
SELMO VASCONCELLOS - Quantos e quais os seus livros publicados dentro e fora do País?
JOSÉ ALOISE BAHIA - Por incrível que pareça só tenho um livro de poesias publicado em papel. Minha participação literária está mais presente na internet, pelo menos por enquanto. Tenho participações em várias publicações coletivas e muita coisa guardada (muitas delas publicadas na internet), como dissertações, ensaios, reflexões, artigos, resenhas, entrevistas, poemas, poesia visual, videopoemas e outras experimentações no campo das artes plásticas e visuais. Acho que tudo tem mais ou menos uma hora adequada e amadurecimento para a publicação...
SELMO VASCONCELLOS - Qual (is) o(s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s) capaz(es) de produzir poesia?
JOSÉ ALOISE BAHIA - Ar rarefeito e/ou comprido pela necessidade, encantamento, espanto, perda, encontro, falta, inquietude, percepção, enfim, embates de várias naturezas, condições e acontecimentos para que a criação vital de articulações na expressão e linguagem aconteçam; sincronicidades; insights; como bom mineiro, necessito também de determinados diálogos e impactos com a tradição (sem ser regionalista e/ou tradicionalista), vivências, lembranças e o principal: a produção de sentidos. Uma estética que beira um problema vital, pois a poesia também é um problema para o ser-estar no mundo. Ela é um labirinto repleto de laços e/ou nós. Um espelho para atos de liberdade num precipício chamado eternidade. Sempre uso como recorrência as lúcidas palavras do falecido Sebastião Uchoa Leite: “Para que uma articulação funcione, não basta ser ´sensível´ é preciso atenção e percepção das formas, sejam visuais ou lingüísticas”. Nesta recorrência, creio que a poesia é uma metáfora de nós mesmo, um mistério infinito e a tentativa de transcendência: eis uma outra atmosfera que move os poetas...
SELMO VASCONCELLOS - Quais os escritores que você admira ?
JOSÉ ALOISE BAHIA - Muitos! Atualmente, (re)leio os poetas de cabeceira: Murilo Mendes, Paul Celan, Ana Hatherly, Herberto Helder, Maria Gabriela Llansol, Michel Deguy, Jorge Luis Borges, Manuel Bandeira, Hilda Hilst, Apollinaire, Fernando Pessoa, Orides Fontela, Robert Crelley, Florbela Espanca, Paulo Leminski, Carlos Drummond de Andrade, Ernesto Manuel de Melo e Castro, Manoel de Barros, Walt Whitman, Ferreira Gullar, Cecília Meireles, Giuseppe Ungaretti, Mario Faustino, João Cabral de Melo Neto, Henriqueta Lisboa, Jerome Rothenberg, Baudelaire, Roberto Piva e Sofia de Mello Breyner Andresen. Também Pedro Juan Gutiérrez, Xico Sá, Carlos Heitor Cony, Tostão, Contardo Calligaris e Sebastião Nunes (crônicas); Luiz Vilela, Murilo Rubião, Wander Piroli, Kafka e Sérgio Sant´Anna (contos); Paul Auster, José Saramago, Rubem Fonseca, Moacir Scliar, Marguerite Yourcenar, Gabriel Garcia Marquez, Guimarães Rosa, João Gilberto Noll, Machado de Assis e Ian McEwan (romance); Jean Baudrillard, Beatriz Sarlo, Arlindo Machado, Maria Ester Maciel, Umberto Eco, Silviano Santiago, Vera Lins, Ferreira Gullar e Susan Sontag (ensaios).
SELMO VASCONCELLOS - Qual mensagem de incentivo você daria para os novos poetas?
JOSÉ ALOISE BAHIA - Selmo, antes de terminar, quero agradecer pela entrevista. E te elogiar pelas suas composições literárias e o belíssimo trabalho que realiza na internet, tendo ao centro a literatura, autores e leitores. Pois bem, respondendo a pergunta: ir sempre em frente, em frente, em frente... Viver, trabalhar, compartilhar, desejar, inquietar-se, namorar, viajar, ler, estudar, refletir, experimentar e escrever, escrever, escrever... Depois das (re)elaborações finais, refletir mais um pouco na edição das composições literárias. Sem perder de vista os desejos, emoções e articulações na linguagem e jamais esquecer que do outro lado existe possíveis e prováveis leitores...
POEMAS
Foto : Maria Augusta GentiliniIMAGEM FIXA
Vai
volta
vira
devora
IMAGEM FIXA.
Dissolver no silêncio uma lembrança.
Ungaretiana
Com água
eu senti
um deserto
de clamor
Ar de Primavera
a flor no jardim:
a rosa
quando brilha,
o ar
mergulha no céu:
o vento descobre
os passarinhos
Piano
Glass dedilha agudos
quarta capa crônica
páginas amassadas
jornal noturno
embala corpos
dízima policial
tempo seco
livro aberto
o coração do piano é azul
TV
Seria cinza, talvez, noite.
Julho, chegando: minto,
fotofobia.
21, 22, 23, 24, 25, 26, 27,
tua morada, casa do tempo.
Névoa, teus óculos band-aid.
O mistério retornar aos sonhos.
A TV imóvel sem pedágio, calcinha.
Te darei veneno ao sabor do dia.

5 Comentários:
Adorei a entrevista Selmo e José Aloise: está super leve e gostosa de ler e no entanto recheada de conteudos do culto entrevistado e sensivel entrevistador. Falar a verdade ela é uma fonte de referencias para quem quer começar ou continuar a ler. Abraços aos dois e parabéns!!!!
Por
Ana Lúcia, Ã s 11:44 AM
Parabéns, J. Aloise, pela essência exposta nessa entrevista! E parabéns ao Selmo pelo incessante trabalho em favor da Literatura Brasileira contemporânea!
Por
Luiz de Aquino, Ã s 7:51 AM
Gostei muito da entrevista e dos poemas do José Aloise Bahia. As sensibilidades do entrevistado e entrevistador demonstram que a literatura brasileira está viva na realidade e internet. Parabéns! Carlos Alberto Ferreira Leite, Belo Horizonte, MG.
Por
Anônimo, Ã s 6:25 PM
Linda história, querido amigo José Aloise! Adorei saber mais um pouco de você e reconheço que está de parabéns por todo o esforço bem equilibrado com o talento e conquistas!
Abraço carinhoso,
Tania
Por
Tania Montandon, Ã s 8:46 AM
Adorei a entrevista, riquíssima, como não poderia deixar de ser o encontro de um já reconhecido incentivador da literatura na internet, como o Selmo, com o multitalentoso amigo Aloise. Parabéns a ambos! PS Já anotei alguns nomes dos autores dos "livros de cabeceira" do entrevistado, que desconheço: Arlindo Machado, Herberto Helber, Orides Fontela, e outros. Aproveito para indicar alguns dos meus preferidos: Juan Rulfo, Ernesto Sábato, Gustavo Bernardo, Bruno Tolentino.
Abraços!
Por
Ana Guimarães, Ã s 12:17 PM
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