TAMMY LUCIANO - ENTREVISTA
TAMMY LUCIANO

BIOGRAFIA
Tammy Luciano é atriz, jornalista e escritora. Começou sua trajetória cultural com 14 anos, quando descobriu o teatro e não parou mais. Por isso, você pode já ter visto Tammy na TV. Ela foi a empregada Ivonete da Novela Caminhos do Coração, por exemplo. Jamais pensou em ser autora de livros, apesar de escrever intensamente desde nova. Se surpreendeu com o destino, sendo escolhida pela mãe da modelo Fernanda Vogel, Myrian Vogel, para escrever a história de sua filha. Em 2005, Tammy lancou Novela de Poemas, com seus poemas. Em dezembro 2009, lancou Sou Toda Errada que anda sendo comentado e causando comentários dos leitores por ser um livro forte e intrigante. Atualmente além de lecionar teatro no Retiro dos Artistas, Tammy trabalha, conquistando novos leitores e prepara seu quarto livro.
ENTREVISTA

SELMO VASCONCELLOS - Quais as suas outras atividades, além de escrever ?
TAMMY LUCIANO - Eu sou atriz e jornalista de formação. Atualmente minha rotina tem sido escrever meu quarto livro, ensaiar com meu grupo de teatro no Retiro dos Artistas e divulgar meu terceiro livro Sou Toda Errada que nos surpreendeu com as vendas e está conquistando leitores muito queridos. Eu também me preocupo com meu site (www.tammyluciano.com.br) que me aproxima demais das pessoas. Então sempre atualizo o Blog, a agenda, as fotos dos eventos. Quem pensa que ser escritor é ter uma vida calma, está redondamente enganado. Eu tô com agenda cheia, com muitos eventos e nossa, agradeço demais essa chance de realizar meu trabalho, mas não é fácil. Esse ano vou ter a alegria de estar em Sampa para a Bienal 2010. É a Copa do Mundo do escritor e eu fui convocada. Tô muito feliz!
SELMO VASCONCELLOS - Como surgiu seu interesse literário ?
TAMMY LUCIANO - Eu acho que nunca tive noção exata desse caminho literário na minha vida, mas sempre amei escrever de uma maneira tão intensa que achava normal qualquer pessoa escrever. Nunca fui boa com números e aliás quem cuida do meu dinheiro não sou eu. Rs Quando notei que nem todo mundo gostava de escrever, comecei a me dar conta dessa possibilidade como algo profissional. Porque eu amo escrever, é vital para mim, é parte de quem sou. Mas acho que o interesse nasceu mesmo na adolescência, na necessidade de escrever meus pensamentos intensos, de uma fase em que temos tanto a refletir. E além de amar essa profissão, tenho tido a grata surpresa de conhecer muita gente querida, apaixonada por livros...
SELMO VASCONCELLOS - Quantos e quais os seus livros publicados dentro e fora do País ?
TAMMY LUCIANO - São três livros. Todos lançados no Brasil. Em 2003, lancei Fernanda Vogel na Passarela da Vida sobre uma modelo que faleceu em um acidente de helicóptero. Foi um trabalho cheio de detalhes, entrevistei 55 pessoas e depois me dediquei a formatar a história da melhor maneira possível. Não é fácil preparar uma biografia, os fatos precisam de precisão. Em 2005, lancei na Bienal do Rio meu segundo livro, Novela de Poemas, só com poesias. Achei que apenas minha família compraria o livro, mas de repente os leitores foram aparecendo. Esse livro hoje está esgotado. E agora em dezembro de 2009, lancei Sou Toda Errada para o público jovem-adulto. Tenho divulgado o livro e é maravilhoso o carinho das pessoas! A história gira em torno de uma garota muito confusa que não aceita quando seu namoro termina e passa a pensar e agir de maneira absurda, querendo o ex de volta da pior maneira.
SELMO VASCONCELLOS - Qual (is) o(s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s) capaz(es) de produzir poesia ?
TAMMY LUCIANO - A poesia vem sempre quando o pensamento está mais intenso. Quando estou muito feliz não sou boa para as poesias. Triste eu escrevo muita poesia. Mas eu não me cobro a produzir poemas, meu lado poeta não busca ser profissional. Meus romances sim tem um caráter de carreira, mas as poesias apareceram por acaso e jamais pensei que teria um livro de Poemas. Foi um projeto feito para a Bienal do Livro de 2005 e eu adorei descobrir como as pessoas gostam de livro de poesia. Hoje tenho a alegria de acompanhar meus poemas sendo citados por meninas em Blogs, Orkut... O Menina Boazinha Malvada por exemplo é adorado pelas leitoras.
SELMO VASCONCELLOS - Quais os escritores que você admira ?
TAMMY LUCIANO - Atualmente os que escrevem novelas. É uma rotina de escrita admirável de quem trabalha para a TV. E eles merecem nossos aplausos.
SELMO VASCONCELLOS - Qual mensagem de incentivo você daria para os novos poetas ?
TAMMY LUCIANO - Nosso país não é de muita leitura mas temos uma linda missão na nossa frente. Eu passei algum tempo sendo questionada por ter decidido virar escritora, mas jamais pensei em abandonar meu sonho. Minha família meu deu muito apoio, mas muita gente não entendia minhas escolhas profissionais. Hoje, vejo meus livros nas livrarias e percebo que quando estamos começando é difícil as pessoas entenderem que esse trabalho pode dar certo e você pode viver disso, se realizando como escritor, poeta... Então esse primeiro sim precisa ser seu, acreditando mais do que todo mundo, trabalhando arduamente para se realizar e ser feliz com a escrita.
Um enorme beijo para todos os leitores do site e obrigada Selmo pelo apoio ao meu
trabalho! Felicidade sempre!
POEMAS

Menina Boazinha malvada
de Tammy Luciano
10/06/2003
*Esse texto precisa ser lido com voz de criança, voz de menina boazinha, voz de menina boazinha malvada...
Eu não sou uma garotinha boa
Volta e meia cometo maldades
Penso besteira, faço errado
Depois prometo recuperar a verdade
Eu fiz uma coisa muito feia
Não me arrependi
Fiquei escondida, ninguém me viu
Depois fiz carinha de anjo e todo mundo acreditou
Meninas boazinhas malvadas são assim
Conquistam pelo sorriso
Você elogia minha carinha de alegre todo dia
E é com ela que eu devoro você
Eu pego cada pedacinho do seu corpinho
Faço se apaixonar por mim
Conquisto seu desejo
Faço pensar na gente, junto, um só
Mas no fundo, no fundo, sou uma menina boazinha
Uma menina boazinha malvada
Não me arrependo de ser assim
Quero ter histórias para contar
Dúzias de pessoas tristes
de Tammy Luciano
11/10/2003
Desligo o telefone, chove muito
Dirijo, o vidro embaça
O sol saiu sem avisar, me deprimo
Sou dúzias de pessoas tristes
Volto no passado, me vejo no portão
Estou sonhando com o amanhã
Portas fechadas, sorrisos falsos
Corro ao presente, medo
Não atendo o telefone, sou só aqui
Danço abraçada a mim
Me vejo no espelho, meia pessoa em mim
Escrevo, me vejo rascunho de pessoa
Saio de mim, vou ao futuro
Sou eu melhor do que agora
Sou eu como gostaria de ser
Sou eu, em dúzias por todos os lados, feliz
A Menina dos olhos sorriu
de Tammy Luciano
11/08/2003
Foi um olhar, seus olhos em mim
Mudando a rota tratada, combinada, acertada
Me olhou como se fosse a primeira vez
Como quisesse me descobrir de outra maneira
Você leu minhas letras, todas elas
Me conheceu primeiro em cada parágrafo
Eu nua, sua, na rua, sem rima
Nas letras sou pura, bela de alma, melhor
Repito mentalmente seu olhar
Seu jeito tímido de me desejar por um minuto
Nunca segundos duraram tantas horas
Olhei para baixo e agora odeio ter visto o chão
Me arrependi de não ter conseguido sustentar a cena
Eu queria dizer que me vi, menina dos olhos, refletida em você
E isso me assustou, demais, de verdade
Se isso vai acontecer de novo, não sei, mas foi bom
Dez dias
de Tammy Luciano
17 de julho de 2003
Dez dias. Fiquei hoje contando dez dias. Dez dias para a frente. Dez dias para trás, tentando descobrir quanto significa dez dias. Dez dias sem ver alguém. Dez dias sem comer sobremesa. Dez dias sem sair de casa. Dez dias sem escutar a voz. Dez dias sem passar um cheque. Dez dias esperando a luz. Dez dias sem aceitar um perdão. Dez dias sem sentir um perfume. Dez dias sem fé. Dez dias sentindo dor. Dez dias acostumando a viver. Dez dias mergulhando na água fria. Dez dias sem olhar no espelho. Dez dias admirando retratos.
Dez dias. Fiquei hoje contando dez dias. Dez dias embaixo. Dez dias em cima. Dez dias relembrando três anos atrás. Dez dias sem vontade de ler. Dez dias sem tomar banho. Dez dias encontrando as mesmas pessoas. Dez dias mastigando gengibre. Dez dias tentando encontrar respostas. Dez dias acordando duas da tarde. Dez dias dirigindo sem rumo. Dez dias aceitando convites. Dez dias dizendo não para todo mundo. Dez dias vomitando besteiras. Dez dias brincando de ser criança.
Dez dias. Fiquei hoje contando dez dias. Dez dias pesados. Dez dias leves. Dez dias escutando a mesma música. Dez dias olhando para a mesma direção. Dez dias tendo medo. Dez dias com o controle remoto nas mãos. Dez dias sem beber água. Dez dias de curiosidade. Dez dias aumentando as olheiras. Dez dias estudando sem parar. Dez dias desejando o fim da futilidade. Dez dias sem falar palavrão. Dez dias sem arrependimentos. Dez dias pensando em desistir de tudo.
Dez dias. Fiquei hoje contando dez dias. Dez dias junto. Dez dias separado. Dez dias sorrindo sozinha no espelho. Dez dias andando descalça pela rua. Dez dias atravessando avenidas. Dez dias respirando desejo. Dez dias reconhecendo um som. Dez dias de tristeza. Dez dias de felicidade. Dez dias de meditação. Dez dias pensando em Deus. Dez dias pedindo obrigada. Dez dias sem usar óculos escuros. Dez dias fugindo dos medíocres. Dez dias lamentando quem foi embora. Dez dias preferindo o silêncio. Dez dias de saudade.
Dez dias. Fiquei hoje contando dez dias. Dez dias de fracasso. Dez dias de sucesso. Dez dias querendo voltar o tempo. Dez dias xingando o tempo. Dez dias pedindo desculpa ao tempo. Dez dias maldizendo o tempo. Dez dias perguntando para o tempo até que ponto ele pode me ajudar. Dez dias escrevendo sem parar. Dez dias olhando as horas. Dez dias desejando passar dez dias. Dez dias contando dez dias.
Música 4
(* Esse poema fala de "Último Romance", música 4, do cd "Ventura" do grupo Los Hermanos)
de Tammy Luciano
21 de junho de 2003
Eu e você distantes geograficamente
Descobre pra gente uma maneira de ficar perto
Reinventa a química, a matemática, as leis da física
Assim quem sabe posso te encontrar
É que depois de ontem, eu quero
Não posso prometer nada, mas quero
Apenas um desejo estranho
Uma vontade de olhar frente a frente
Não existe regra para o querer
Uma palavra, uma frase, uma declaração
De repente a música 4 não para de tocar
E o refrão tem tudo a ver com a gente
E eu escuto a nossa música sete vezes, chamo você
Imagino sua voz, adoro sua melodia
Distância maldita, distância sedutora
Que não mostra declaradamente sua imagem
E eu vou dormir assustada com tudo
Sonho diferente, encontro você, sou sua de novo
Escuto a música 4 mais uma vez
E desejo mais uma vez ter você aqui, mesmo estando aí
Quase poema
de Tammy Luciano
09/junho/2003
Uma homenagem ao meu Quase Blog
Esse poema está sempre recebendo acréscimo de Quases que eu vou lembrando e incluindo. Ele será sempre um poema Quase terminado...
Quase nunca. Quase nada. Quase fui. Quase pessoa. Quase acerto. Quase perfeito. Quase justo. Quase tudo. Quase cheio. Quase azul. Quase limpo. Quase plano. Quase amigo. Quase lá. Quase presente. Quase transa. Quase morte. Quase feito. Quase amor. Quase carta. Quase delírio. Quase comigo. Quase avião. Quase primavera. Quase dentro. Quase bonito. Quase sorriso. Quase vendedor. Quase férias. Quase temporário. Quase nua. Quase lua. Quase gelado. Quase só. Quase mentira. Quase insuportável. Quase errado. Quase raiva. Quase coração. Quase importante. Quase brilho. Quase engraçado. Quase aquilo. Quase livre. Quase nome. Quase ilha. Quase lei. Quase música. Quase rei. Quase simpático. Quase traição. Quase pronto. Quase aqui. Quase ali. Quase encenado. Quase encerrado. Quase mundo. Quase eu. Quase você. Quase quase. Quase todo dia.
Não sei se gosto do quase, mas ele faz parte da minha vida.
Quase final, porque acabo aqui e começo em outro lugar.
Quase pela primeira vez.

BIOGRAFIA
Tammy Luciano é atriz, jornalista e escritora. Começou sua trajetória cultural com 14 anos, quando descobriu o teatro e não parou mais. Por isso, você pode já ter visto Tammy na TV. Ela foi a empregada Ivonete da Novela Caminhos do Coração, por exemplo. Jamais pensou em ser autora de livros, apesar de escrever intensamente desde nova. Se surpreendeu com o destino, sendo escolhida pela mãe da modelo Fernanda Vogel, Myrian Vogel, para escrever a história de sua filha. Em 2005, Tammy lancou Novela de Poemas, com seus poemas. Em dezembro 2009, lancou Sou Toda Errada que anda sendo comentado e causando comentários dos leitores por ser um livro forte e intrigante. Atualmente além de lecionar teatro no Retiro dos Artistas, Tammy trabalha, conquistando novos leitores e prepara seu quarto livro.
ENTREVISTA

SELMO VASCONCELLOS - Quais as suas outras atividades, além de escrever ?
TAMMY LUCIANO - Eu sou atriz e jornalista de formação. Atualmente minha rotina tem sido escrever meu quarto livro, ensaiar com meu grupo de teatro no Retiro dos Artistas e divulgar meu terceiro livro Sou Toda Errada que nos surpreendeu com as vendas e está conquistando leitores muito queridos. Eu também me preocupo com meu site (www.tammyluciano.com.br) que me aproxima demais das pessoas. Então sempre atualizo o Blog, a agenda, as fotos dos eventos. Quem pensa que ser escritor é ter uma vida calma, está redondamente enganado. Eu tô com agenda cheia, com muitos eventos e nossa, agradeço demais essa chance de realizar meu trabalho, mas não é fácil. Esse ano vou ter a alegria de estar em Sampa para a Bienal 2010. É a Copa do Mundo do escritor e eu fui convocada. Tô muito feliz!
SELMO VASCONCELLOS - Como surgiu seu interesse literário ?
TAMMY LUCIANO - Eu acho que nunca tive noção exata desse caminho literário na minha vida, mas sempre amei escrever de uma maneira tão intensa que achava normal qualquer pessoa escrever. Nunca fui boa com números e aliás quem cuida do meu dinheiro não sou eu. Rs Quando notei que nem todo mundo gostava de escrever, comecei a me dar conta dessa possibilidade como algo profissional. Porque eu amo escrever, é vital para mim, é parte de quem sou. Mas acho que o interesse nasceu mesmo na adolescência, na necessidade de escrever meus pensamentos intensos, de uma fase em que temos tanto a refletir. E além de amar essa profissão, tenho tido a grata surpresa de conhecer muita gente querida, apaixonada por livros...
SELMO VASCONCELLOS - Quantos e quais os seus livros publicados dentro e fora do País ?
TAMMY LUCIANO - São três livros. Todos lançados no Brasil. Em 2003, lancei Fernanda Vogel na Passarela da Vida sobre uma modelo que faleceu em um acidente de helicóptero. Foi um trabalho cheio de detalhes, entrevistei 55 pessoas e depois me dediquei a formatar a história da melhor maneira possível. Não é fácil preparar uma biografia, os fatos precisam de precisão. Em 2005, lancei na Bienal do Rio meu segundo livro, Novela de Poemas, só com poesias. Achei que apenas minha família compraria o livro, mas de repente os leitores foram aparecendo. Esse livro hoje está esgotado. E agora em dezembro de 2009, lancei Sou Toda Errada para o público jovem-adulto. Tenho divulgado o livro e é maravilhoso o carinho das pessoas! A história gira em torno de uma garota muito confusa que não aceita quando seu namoro termina e passa a pensar e agir de maneira absurda, querendo o ex de volta da pior maneira.
SELMO VASCONCELLOS - Qual (is) o(s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s) capaz(es) de produzir poesia ?
TAMMY LUCIANO - A poesia vem sempre quando o pensamento está mais intenso. Quando estou muito feliz não sou boa para as poesias. Triste eu escrevo muita poesia. Mas eu não me cobro a produzir poemas, meu lado poeta não busca ser profissional. Meus romances sim tem um caráter de carreira, mas as poesias apareceram por acaso e jamais pensei que teria um livro de Poemas. Foi um projeto feito para a Bienal do Livro de 2005 e eu adorei descobrir como as pessoas gostam de livro de poesia. Hoje tenho a alegria de acompanhar meus poemas sendo citados por meninas em Blogs, Orkut... O Menina Boazinha Malvada por exemplo é adorado pelas leitoras.
SELMO VASCONCELLOS - Quais os escritores que você admira ?
TAMMY LUCIANO - Atualmente os que escrevem novelas. É uma rotina de escrita admirável de quem trabalha para a TV. E eles merecem nossos aplausos.
SELMO VASCONCELLOS - Qual mensagem de incentivo você daria para os novos poetas ?
TAMMY LUCIANO - Nosso país não é de muita leitura mas temos uma linda missão na nossa frente. Eu passei algum tempo sendo questionada por ter decidido virar escritora, mas jamais pensei em abandonar meu sonho. Minha família meu deu muito apoio, mas muita gente não entendia minhas escolhas profissionais. Hoje, vejo meus livros nas livrarias e percebo que quando estamos começando é difícil as pessoas entenderem que esse trabalho pode dar certo e você pode viver disso, se realizando como escritor, poeta... Então esse primeiro sim precisa ser seu, acreditando mais do que todo mundo, trabalhando arduamente para se realizar e ser feliz com a escrita.
Um enorme beijo para todos os leitores do site e obrigada Selmo pelo apoio ao meu
trabalho! Felicidade sempre!
POEMAS

Menina Boazinha malvada
de Tammy Luciano
10/06/2003
*Esse texto precisa ser lido com voz de criança, voz de menina boazinha, voz de menina boazinha malvada...
Eu não sou uma garotinha boa
Volta e meia cometo maldades
Penso besteira, faço errado
Depois prometo recuperar a verdade
Eu fiz uma coisa muito feia
Não me arrependi
Fiquei escondida, ninguém me viu
Depois fiz carinha de anjo e todo mundo acreditou
Meninas boazinhas malvadas são assim
Conquistam pelo sorriso
Você elogia minha carinha de alegre todo dia
E é com ela que eu devoro você
Eu pego cada pedacinho do seu corpinho
Faço se apaixonar por mim
Conquisto seu desejo
Faço pensar na gente, junto, um só
Mas no fundo, no fundo, sou uma menina boazinha
Uma menina boazinha malvada
Não me arrependo de ser assim
Quero ter histórias para contar
Dúzias de pessoas tristes
de Tammy Luciano
11/10/2003
Desligo o telefone, chove muito
Dirijo, o vidro embaça
O sol saiu sem avisar, me deprimo
Sou dúzias de pessoas tristes
Volto no passado, me vejo no portão
Estou sonhando com o amanhã
Portas fechadas, sorrisos falsos
Corro ao presente, medo
Não atendo o telefone, sou só aqui
Danço abraçada a mim
Me vejo no espelho, meia pessoa em mim
Escrevo, me vejo rascunho de pessoa
Saio de mim, vou ao futuro
Sou eu melhor do que agora
Sou eu como gostaria de ser
Sou eu, em dúzias por todos os lados, feliz
A Menina dos olhos sorriu
de Tammy Luciano
11/08/2003
Foi um olhar, seus olhos em mim
Mudando a rota tratada, combinada, acertada
Me olhou como se fosse a primeira vez
Como quisesse me descobrir de outra maneira
Você leu minhas letras, todas elas
Me conheceu primeiro em cada parágrafo
Eu nua, sua, na rua, sem rima
Nas letras sou pura, bela de alma, melhor
Repito mentalmente seu olhar
Seu jeito tímido de me desejar por um minuto
Nunca segundos duraram tantas horas
Olhei para baixo e agora odeio ter visto o chão
Me arrependi de não ter conseguido sustentar a cena
Eu queria dizer que me vi, menina dos olhos, refletida em você
E isso me assustou, demais, de verdade
Se isso vai acontecer de novo, não sei, mas foi bom
Dez dias
de Tammy Luciano
17 de julho de 2003
Dez dias. Fiquei hoje contando dez dias. Dez dias para a frente. Dez dias para trás, tentando descobrir quanto significa dez dias. Dez dias sem ver alguém. Dez dias sem comer sobremesa. Dez dias sem sair de casa. Dez dias sem escutar a voz. Dez dias sem passar um cheque. Dez dias esperando a luz. Dez dias sem aceitar um perdão. Dez dias sem sentir um perfume. Dez dias sem fé. Dez dias sentindo dor. Dez dias acostumando a viver. Dez dias mergulhando na água fria. Dez dias sem olhar no espelho. Dez dias admirando retratos.
Dez dias. Fiquei hoje contando dez dias. Dez dias embaixo. Dez dias em cima. Dez dias relembrando três anos atrás. Dez dias sem vontade de ler. Dez dias sem tomar banho. Dez dias encontrando as mesmas pessoas. Dez dias mastigando gengibre. Dez dias tentando encontrar respostas. Dez dias acordando duas da tarde. Dez dias dirigindo sem rumo. Dez dias aceitando convites. Dez dias dizendo não para todo mundo. Dez dias vomitando besteiras. Dez dias brincando de ser criança.
Dez dias. Fiquei hoje contando dez dias. Dez dias pesados. Dez dias leves. Dez dias escutando a mesma música. Dez dias olhando para a mesma direção. Dez dias tendo medo. Dez dias com o controle remoto nas mãos. Dez dias sem beber água. Dez dias de curiosidade. Dez dias aumentando as olheiras. Dez dias estudando sem parar. Dez dias desejando o fim da futilidade. Dez dias sem falar palavrão. Dez dias sem arrependimentos. Dez dias pensando em desistir de tudo.
Dez dias. Fiquei hoje contando dez dias. Dez dias junto. Dez dias separado. Dez dias sorrindo sozinha no espelho. Dez dias andando descalça pela rua. Dez dias atravessando avenidas. Dez dias respirando desejo. Dez dias reconhecendo um som. Dez dias de tristeza. Dez dias de felicidade. Dez dias de meditação. Dez dias pensando em Deus. Dez dias pedindo obrigada. Dez dias sem usar óculos escuros. Dez dias fugindo dos medíocres. Dez dias lamentando quem foi embora. Dez dias preferindo o silêncio. Dez dias de saudade.
Dez dias. Fiquei hoje contando dez dias. Dez dias de fracasso. Dez dias de sucesso. Dez dias querendo voltar o tempo. Dez dias xingando o tempo. Dez dias pedindo desculpa ao tempo. Dez dias maldizendo o tempo. Dez dias perguntando para o tempo até que ponto ele pode me ajudar. Dez dias escrevendo sem parar. Dez dias olhando as horas. Dez dias desejando passar dez dias. Dez dias contando dez dias.
Música 4
(* Esse poema fala de "Último Romance", música 4, do cd "Ventura" do grupo Los Hermanos)
de Tammy Luciano
21 de junho de 2003
Eu e você distantes geograficamente
Descobre pra gente uma maneira de ficar perto
Reinventa a química, a matemática, as leis da física
Assim quem sabe posso te encontrar
É que depois de ontem, eu quero
Não posso prometer nada, mas quero
Apenas um desejo estranho
Uma vontade de olhar frente a frente
Não existe regra para o querer
Uma palavra, uma frase, uma declaração
De repente a música 4 não para de tocar
E o refrão tem tudo a ver com a gente
E eu escuto a nossa música sete vezes, chamo você
Imagino sua voz, adoro sua melodia
Distância maldita, distância sedutora
Que não mostra declaradamente sua imagem
E eu vou dormir assustada com tudo
Sonho diferente, encontro você, sou sua de novo
Escuto a música 4 mais uma vez
E desejo mais uma vez ter você aqui, mesmo estando aí
Quase poema
de Tammy Luciano
09/junho/2003
Uma homenagem ao meu Quase Blog
Esse poema está sempre recebendo acréscimo de Quases que eu vou lembrando e incluindo. Ele será sempre um poema Quase terminado...
Quase nunca. Quase nada. Quase fui. Quase pessoa. Quase acerto. Quase perfeito. Quase justo. Quase tudo. Quase cheio. Quase azul. Quase limpo. Quase plano. Quase amigo. Quase lá. Quase presente. Quase transa. Quase morte. Quase feito. Quase amor. Quase carta. Quase delírio. Quase comigo. Quase avião. Quase primavera. Quase dentro. Quase bonito. Quase sorriso. Quase vendedor. Quase férias. Quase temporário. Quase nua. Quase lua. Quase gelado. Quase só. Quase mentira. Quase insuportável. Quase errado. Quase raiva. Quase coração. Quase importante. Quase brilho. Quase engraçado. Quase aquilo. Quase livre. Quase nome. Quase ilha. Quase lei. Quase música. Quase rei. Quase simpático. Quase traição. Quase pronto. Quase aqui. Quase ali. Quase encenado. Quase encerrado. Quase mundo. Quase eu. Quase você. Quase quase. Quase todo dia.
Não sei se gosto do quase, mas ele faz parte da minha vida.
Quase final, porque acabo aqui e começo em outro lugar.
Quase pela primeira vez.

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