MOMENTO LÍTERO CULTURAL - Entrevista com WHISNER FRAGA
WHISNER FRAGA

Mini biografia
Whisner Fraga é mineiro de Ituiutaba e tem 37 anos. É autor, entre outros, dos livros “A cidade devolvida”, 7Letras, 2005, “As espirais de outubro”, Nankin, 2007 e “Abismo poente”, Ficções, 2009.
ENTREVISTA

SELMO - Quais as suas outras atividades, além de escrever ?
WHISNER FRAGA - Sou professor da área de engenharia. Divido meu tempo entre a docência e a literatura: meio a meio. E se falo de literatura, implica muito mais em leitura do que em escrita.
SELMO - Como surgiu seu interesse literário ?
WHISNER FRAGA -Tinha nove anos quando ganhei o livro “Menino de Engenho”, do José Lins do Rego e a partir desta leitura decidi conhecer outros autores. Como não tinha um tutor que me indicasse as melhores obras, lia de tudo, de Agatha Christie a Machado de Assis. Com o tempo, fui criando meu próprio método de seleção. Não pensava em escrever nesta época, porque achava que a leitura era o suficiente para preencher minhas necessidades. Só que um dia acabamos pensando que existe uma história que queremos escrever do nosso jeito.
SELMO - Quantos e quais os seus livros publicados dentro e fora do País ?
WHISNER FRAGA - Só tenho livros publicados aqui no Brasil. São seis obras – quatro livros de contos, um de poesia e um romance. Lancei o sexto recentemente pela Editora Ficções – Abismo poente.
SELMO - Qual a atmosfera propícia aos seus impactos literários ?
WHISNER FRAGA - Se por atmosfera eu entendo o ambiente, preciso de muito silêncio e paz (e muitos livros e um computador nas redondezas). E isso encontro em meu escritório, onde trabalho ao menos quatro horas todos os dias, entre leituras e escritas.
SELMO - Quais os escritores que você admira ?
WHISNER FRAGA - Para ficar com poucos nomes e naqueles essenciais, admiro sobremaneira o Honoré de Balzac, o Marcel Proust e o Victor Hugo. Todos franceses, coincidentemente. Aqui no Brasil eu fico com a Clarice Lispector e com o Guimarães Rosa, sobretudo pela linguagem. Na poesia fico com João Cabral de Melo Neto e Fernando Pessoa.
SELMO - Qual mensagem de incentivo você daria para os novos poetas ?
WHISNER FRAGA - Não há muito o que incentivar, a poesia é uma carga que talvez egocentrismo nenhum consiga carregar, principalmente se a poesia não encontra eco na imprensa e na confraria. Concordo com o Nicholas Behr – ler muito, escrever mais e rasgar mais ainda. Acrescento a esta lista outro verbo: badalar. Mais importante do que ler, escrever e rasgar, é badalar. Formar a sua irmandade, a sua turminha que se auto divulgará, formando uma teia de mediocridade e benevolência para encantar todos os críticos literários formados nos botecos. Incentivo só para aqueles que encaram os versos como algo um pouco além e acima do desabafo: boa sorte!
POESIAS

Receita para calar o rugido dos dedos enterrados uns entre os outros
Amuletos de espora de galos no cabide das tendas
Um olho disfarçado no indócil anel da artesã
Uma borboleta a ciscar as bolsas das freguesas
O amargor das guarirobas que infeccionam a saliva da fome
As úlceras desabrochando nas larvas do doce de leite
Frangos humilhados com os apalpões dos clientes
As saias encrespadas nas corpulentas matronas
O frasco dos domingos exalando um aroma de melancolia e preguiça.
***
Receita para desordenar as estrias do delírio
O bom-gosto da vingança sob o gesso do desespero
A traição rastejando nas barras das sobrancelhas
As invisibilidades tardias
O vento desmascarado pela poeira
O colarinho malpassado do idealismo
A avenida Brasil empestada às cinco da manhã
Um tumor de buzinas arruinando o parto da luz
E a seiva da perda engravidando fatalidades.
***
Receita para tolerar a miséria do vôo
Contra o viço e o alvoroço resedá
A transição do peito engatilhado
Atenuar a voracidade do húmus
O hostil e inquieto rumor de precariedades
O disparo vermelho
O tambor com seus desgostos giratórios
E o projétil da vez
O pulso mortificado pelo arroio vacilante
Que já nem denuncia uma pista da vida
Como urubus camicases.

Mini biografia
Whisner Fraga é mineiro de Ituiutaba e tem 37 anos. É autor, entre outros, dos livros “A cidade devolvida”, 7Letras, 2005, “As espirais de outubro”, Nankin, 2007 e “Abismo poente”, Ficções, 2009.
ENTREVISTA

SELMO - Quais as suas outras atividades, além de escrever ?
WHISNER FRAGA - Sou professor da área de engenharia. Divido meu tempo entre a docência e a literatura: meio a meio. E se falo de literatura, implica muito mais em leitura do que em escrita.
SELMO - Como surgiu seu interesse literário ?
WHISNER FRAGA -Tinha nove anos quando ganhei o livro “Menino de Engenho”, do José Lins do Rego e a partir desta leitura decidi conhecer outros autores. Como não tinha um tutor que me indicasse as melhores obras, lia de tudo, de Agatha Christie a Machado de Assis. Com o tempo, fui criando meu próprio método de seleção. Não pensava em escrever nesta época, porque achava que a leitura era o suficiente para preencher minhas necessidades. Só que um dia acabamos pensando que existe uma história que queremos escrever do nosso jeito.
SELMO - Quantos e quais os seus livros publicados dentro e fora do País ?
WHISNER FRAGA - Só tenho livros publicados aqui no Brasil. São seis obras – quatro livros de contos, um de poesia e um romance. Lancei o sexto recentemente pela Editora Ficções – Abismo poente.
SELMO - Qual a atmosfera propícia aos seus impactos literários ?
WHISNER FRAGA - Se por atmosfera eu entendo o ambiente, preciso de muito silêncio e paz (e muitos livros e um computador nas redondezas). E isso encontro em meu escritório, onde trabalho ao menos quatro horas todos os dias, entre leituras e escritas.
SELMO - Quais os escritores que você admira ?
WHISNER FRAGA - Para ficar com poucos nomes e naqueles essenciais, admiro sobremaneira o Honoré de Balzac, o Marcel Proust e o Victor Hugo. Todos franceses, coincidentemente. Aqui no Brasil eu fico com a Clarice Lispector e com o Guimarães Rosa, sobretudo pela linguagem. Na poesia fico com João Cabral de Melo Neto e Fernando Pessoa.
SELMO - Qual mensagem de incentivo você daria para os novos poetas ?
WHISNER FRAGA - Não há muito o que incentivar, a poesia é uma carga que talvez egocentrismo nenhum consiga carregar, principalmente se a poesia não encontra eco na imprensa e na confraria. Concordo com o Nicholas Behr – ler muito, escrever mais e rasgar mais ainda. Acrescento a esta lista outro verbo: badalar. Mais importante do que ler, escrever e rasgar, é badalar. Formar a sua irmandade, a sua turminha que se auto divulgará, formando uma teia de mediocridade e benevolência para encantar todos os críticos literários formados nos botecos. Incentivo só para aqueles que encaram os versos como algo um pouco além e acima do desabafo: boa sorte!
POESIAS

Receita para calar o rugido dos dedos enterrados uns entre os outros
Amuletos de espora de galos no cabide das tendas
Um olho disfarçado no indócil anel da artesã
Uma borboleta a ciscar as bolsas das freguesas
O amargor das guarirobas que infeccionam a saliva da fome
As úlceras desabrochando nas larvas do doce de leite
Frangos humilhados com os apalpões dos clientes
As saias encrespadas nas corpulentas matronas
O frasco dos domingos exalando um aroma de melancolia e preguiça.
***
Receita para desordenar as estrias do delírio
O bom-gosto da vingança sob o gesso do desespero
A traição rastejando nas barras das sobrancelhas
As invisibilidades tardias
O vento desmascarado pela poeira
O colarinho malpassado do idealismo
A avenida Brasil empestada às cinco da manhã
Um tumor de buzinas arruinando o parto da luz
E a seiva da perda engravidando fatalidades.
***
Receita para tolerar a miséria do vôo
Contra o viço e o alvoroço resedá
A transição do peito engatilhado
Atenuar a voracidade do húmus
O hostil e inquieto rumor de precariedades
O disparo vermelho
O tambor com seus desgostos giratórios
E o projétil da vez
O pulso mortificado pelo arroio vacilante
Que já nem denuncia uma pista da vida
Como urubus camicases.

1 Comentários:
Whisner Fraga, gostei da sua entrevista.
Parabéns!
Por
Denise Moraes, Ã s 3:34 PM
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