MOMENTO LÍTERO CULTURAL Nº 93.
NÚBIA N. MARQUES

NÚBIA N. MARQUES
NÚBIA NASCIMENTO MARQUES nasceu em Aracaju, a 21 de dezembro de 1927. Graduada em : Serviço Social, pela Escola de Serviço Social, em 1959. Mestra em Serviço Social, PUC-SP. Professora, romancista, folclorista e poeta. Primeira mulher a tomar posse na Academia Sergipana de Letras a 17 de março de 1978. Faleceu em Aracaju, a 26 de agosto de 1999.
Em 1978, liderou o Movimento Feminino pela Anistia.
Publicou: Um ponto e duas divergentes (poemas); João Ribeiro o poeta; Dimensão poética (poemas); Sinuosas em carne e osso (crônica); Baladas do inútil silêncio, em parceria com Gizelda Morais e Carmelita Fontes; Berço de angústia; Máquinas e lírios; Pesquisa de fatos folclóricos; Geometria do abandono; Contos e contistas sergipanos; O passo de Estefânia (romance); Participação em palavra de mulher; Verde outono (poemas); Dente na pele (contos); O sonho e a sina; Poemas transatlânticos. Caminhos e atalhos.
***
POESIAS
Poesias extraídas do livro “Caminhos & Atalhos”, gentilmente enviado pela Eneida de Azevedo Déda, filha da autora.
FÉ NO OFÍCIO
não sou poeta
do parecer do carimbo
da hora certa
do relógio de ponto
dos trâmites legais
dos acordos
dos acertos
das normas convivências
poeta oficial
poeta tem que ser
o passo avesso
o grito o protesto
o pulso o murro
o mote o traste
a palavra maldita
o desacerto na próxima tocaia
sou poeta que faço
do laço o traço
do cuspe o rastro
do passo o arregaço
do sobejo o farelo
do travo o trevo
do amargo viver
a cada instante
sou poeta
mais nada.
MATURAÇÃO
Tentei o pão
para traçar o destino
Tentei o beijo
para difundir o afeto
Tentei a espada
para a estratégia da luta :
é muito esforço
para tão pouca vida.
MÍSTICO
O ódio santo
a dor mística
morreram
em mim
Frágil e só
toco trêmula
o meu corpo.
UNIDADE
Toda criança morta
é meu filho morto
Toda mãe de família morta
é minha amiga de infância morta
Todos os velhos mortos
são meus avós mortos
A morte, a sinistra morte
é a unidade total.
Agradecimento pela matéria : Ilma Fontes, colaboradora Lítero Cultural em Aracaju, SE.
***
LARI FRANCESCHETTO

Poeta, radialista, ator e jornalista. Honrado colaborador Lítero Cultural em Veranópolis, RS, desde 13 de janeiro de 1995 ( Momento Lítero Cultural nº 194, hoje no nº 913 ). Premiadíssimo em dezenas de concursos literários a nível nacional e internacional. Brinda aos seus ferrenhos apreciadores com o livro ESPELHO DAS ÁGUAS – Poemas, à venda ( recomendável ) : Rua João Leivas de Carvalho, 98 – Veranópolis, RS – 90610-280.
TORMENTA
Negras ondas nos jogam
aos rochedos das horas,
de nós mesmos ficamos órfãos
longos dias, noites imensas.
Ah! Pobres presas.
As mãos sangram,
colhemos lições
na cinza das flores mortas.
Facas são trilhos
no universo de tantos caminhos,
amanhece.
As mesmas ondas vão embora,
o mar se acalma,
sobre(vivemos)
até outra tormenta.
Há fotos de pássaros mortos
por onde andamos,
donos de nada somos
nem de nós mesmos.
QUINTANARES
O pão para a fome
(a outra fome)
Nasceu de lua in(esperada),
da solidão nas esquinas,
de um felino na varanda.
Nasceu de lâmina cálida
como, sempre, foi acesa
no hotel Majestic, a madrugada.
Dessa matéria in(visível)
de silêncio que não cala
de sapato velho de criança,
de frágeis flores
entre sal e pedras,
de um copo d´água, às pressas,
na Selva, às seis da tarde
são teus filhos, sempre, aurora
no espelho das águas do Guaíba
e o pôr-do-sol, do mesmo rio,
o fogo das pa(lavras).
E se Alegrete é um trem
que ficou na curva da estrada
agora, somos, Quintana
que tomamos café com teus fantasmas.
Há um louva-a-deus
no parapeito da janela,
indisfarçavelmente verde.
É preciso ver
com os olhos da alma
e ter fome, sempre!
MEU MUNDO
O sol é óbvio,
guardo-o no bolso.
Tenho é luas
no corpo.
Todo dia, de mim,
partem barcos
e, nos confins de mim,
das coisas, a superfície
não me (con)vence.
Tenho é ruas,
que vão dar além,
é lá onde moro
meu jeito
meu consolo
longe do conceito
de certo ou errado.
Ofereço um sonho
que não podes entender
(sempre inacabado) ;
sinta-o, apenas.
A chama que me arde
mora além dos olhos
que tu tens.

NÚBIA N. MARQUES
NÚBIA NASCIMENTO MARQUES nasceu em Aracaju, a 21 de dezembro de 1927. Graduada em : Serviço Social, pela Escola de Serviço Social, em 1959. Mestra em Serviço Social, PUC-SP. Professora, romancista, folclorista e poeta. Primeira mulher a tomar posse na Academia Sergipana de Letras a 17 de março de 1978. Faleceu em Aracaju, a 26 de agosto de 1999.
Em 1978, liderou o Movimento Feminino pela Anistia.
Publicou: Um ponto e duas divergentes (poemas); João Ribeiro o poeta; Dimensão poética (poemas); Sinuosas em carne e osso (crônica); Baladas do inútil silêncio, em parceria com Gizelda Morais e Carmelita Fontes; Berço de angústia; Máquinas e lírios; Pesquisa de fatos folclóricos; Geometria do abandono; Contos e contistas sergipanos; O passo de Estefânia (romance); Participação em palavra de mulher; Verde outono (poemas); Dente na pele (contos); O sonho e a sina; Poemas transatlânticos. Caminhos e atalhos.
***
POESIAS
Poesias extraídas do livro “Caminhos & Atalhos”, gentilmente enviado pela Eneida de Azevedo Déda, filha da autora.
FÉ NO OFÍCIO
não sou poeta
do parecer do carimbo
da hora certa
do relógio de ponto
dos trâmites legais
dos acordos
dos acertos
das normas convivências
poeta oficial
poeta tem que ser
o passo avesso
o grito o protesto
o pulso o murro
o mote o traste
a palavra maldita
o desacerto na próxima tocaia
sou poeta que faço
do laço o traço
do cuspe o rastro
do passo o arregaço
do sobejo o farelo
do travo o trevo
do amargo viver
a cada instante
sou poeta
mais nada.
MATURAÇÃO
Tentei o pão
para traçar o destino
Tentei o beijo
para difundir o afeto
Tentei a espada
para a estratégia da luta :
é muito esforço
para tão pouca vida.
MÍSTICO
O ódio santo
a dor mística
morreram
em mim
Frágil e só
toco trêmula
o meu corpo.
UNIDADE
Toda criança morta
é meu filho morto
Toda mãe de família morta
é minha amiga de infância morta
Todos os velhos mortos
são meus avós mortos
A morte, a sinistra morte
é a unidade total.
Agradecimento pela matéria : Ilma Fontes, colaboradora Lítero Cultural em Aracaju, SE.
***
LARI FRANCESCHETTO

Poeta, radialista, ator e jornalista. Honrado colaborador Lítero Cultural em Veranópolis, RS, desde 13 de janeiro de 1995 ( Momento Lítero Cultural nº 194, hoje no nº 913 ). Premiadíssimo em dezenas de concursos literários a nível nacional e internacional. Brinda aos seus ferrenhos apreciadores com o livro ESPELHO DAS ÁGUAS – Poemas, à venda ( recomendável ) : Rua João Leivas de Carvalho, 98 – Veranópolis, RS – 90610-280.
TORMENTA
Negras ondas nos jogam
aos rochedos das horas,
de nós mesmos ficamos órfãos
longos dias, noites imensas.
Ah! Pobres presas.
As mãos sangram,
colhemos lições
na cinza das flores mortas.
Facas são trilhos
no universo de tantos caminhos,
amanhece.
As mesmas ondas vão embora,
o mar se acalma,
sobre(vivemos)
até outra tormenta.
Há fotos de pássaros mortos
por onde andamos,
donos de nada somos
nem de nós mesmos.
QUINTANARES
O pão para a fome
(a outra fome)
Nasceu de lua in(esperada),
da solidão nas esquinas,
de um felino na varanda.
Nasceu de lâmina cálida
como, sempre, foi acesa
no hotel Majestic, a madrugada.
Dessa matéria in(visível)
de silêncio que não cala
de sapato velho de criança,
de frágeis flores
entre sal e pedras,
de um copo d´água, às pressas,
na Selva, às seis da tarde
são teus filhos, sempre, aurora
no espelho das águas do Guaíba
e o pôr-do-sol, do mesmo rio,
o fogo das pa(lavras).
E se Alegrete é um trem
que ficou na curva da estrada
agora, somos, Quintana
que tomamos café com teus fantasmas.
Há um louva-a-deus
no parapeito da janela,
indisfarçavelmente verde.
É preciso ver
com os olhos da alma
e ter fome, sempre!
MEU MUNDO
O sol é óbvio,
guardo-o no bolso.
Tenho é luas
no corpo.
Todo dia, de mim,
partem barcos
e, nos confins de mim,
das coisas, a superfície
não me (con)vence.
Tenho é ruas,
que vão dar além,
é lá onde moro
meu jeito
meu consolo
longe do conceito
de certo ou errado.
Ofereço um sonho
que não podes entender
(sempre inacabado) ;
sinta-o, apenas.
A chama que me arde
mora além dos olhos
que tu tens.

1 Comentários:
O sol é óbvio,
guardo-o no bolso.
Tenho é luas
no corpo.
Todo dia, de mim,
partem barcos
e, nos confins de mim,
das coisas, a superfície
não me (con)vence.
Tomo teu sol tua lua
e sigo na tentativa de mostrar
que, dentro dos teus barcos, a visão dos cisnes são a coisa mais
linda da superfície...
eu amei tuas paisagens interiores... saltam aos meus olhos tuas belezas, parabéns por seres poeta.
Por
Carmen Regina Dias, Ã s 4:51 AM
Postar um comentário
<< Home