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15.2.07

MOMENTO LÍTERO CULTURAL - V

MOMENTO LÍTERO CULTURAL - V

I-SELMO VASCONCELLOS
PARTICIPAÇÕES NAS ANTOLOGIAS BILINGÜES ( Francês / Português) :

-REFLEXOS DA POESIA CONTEMPORÂNEA DO BRASIL, PORTUGAL, ITÁLIA e FRANÇA.( bilíngüe Francês / Português ). Organizador JEAN-PAUL MESTAS, Nantes, FRANÇA . Ilustração de Christiane Mestas, Vichy, França - Universitária Editora, LISBOA, PORTUGAL – 2000.

-LIVRO DE OURO ( Antologia bilíngüe Francês / Português ) “UM MUNDO NO CORAÇÃO / UN MONDE AU COEUR” Autor : JEAN-PAUL MESTAS , VICHY , FRANÇA . Ilustração de Christiane Mestas, Vichy, França – Universitária Editora, LISBOA / PORTUGAL , 2001.87 POETAS PARTICIPANTES DE 57 PAÍSES ( 05 POETAS BRASILEIROS E APENAS o1 REPRESENTANDO RONDÔNIA – SELMO VASCONCELLOS ).

-POVOS E POEMAS / PEUPLES ET POÈMES – Uma antologia em língua francesa e portuguesa.100 PAÍSES e 201 POETAS, 630 páginas.
Realizado por JEAN-PAUL MESTAS, Vichy, FRANÇA . Ilustração de Christiane Mestas, Vichy, França, Universitária Editora, Lisboa, Portugal – 2003.

PARTICIPAÇÕES NAS REVISTAS FRANCESAS :

-JALONS nº 62 , Cahiers de Poesie, dirigés par: Jean-Paul Mestas e Christiane Mestas, Nantes, França-1998; nº 70, 2001; nº 72, 2002; nº 73, 2002; nº 79, 2004; nº 80, 2005; nº 83, 2005.-BRESIL 500 ANS – JALONS Cahier Particulier, Christiane et Jean-Paul Mestas, Nantes, France, Juín,2000.

COMENTÁRIOS DE LIVROS :

POESIA, bilíngüe ( português / francês )- tradução de Jean-Paul Mestas, Vichy, França, artesanal, independente, RO – 2002. Capa de Christiane Mestas, Vichy, França. Ilustrações de Pat Kovacs, Macaé, RJ, Brasil.

ANDRÉ PERAGALLO, VERNEVIL / FRANÇA
*Votre poèsie est celle d’un homme sensible amoureux de la vie, celle d’un grand humaniste.

DANUTA GALLI, BRIVE LA GAILLARDE / FRANÇA
*J’ai beaucoup aimé vos poèmes tels que “Rosangèle”, “Corples”, “Bois” et outres. ... J’apprécie votre écriture si sensible, émouvante et tellement poétique.

HENRI BERNIER, VARETZ / FRANÇA
*Et toutes mes felicitations pour votre poesia, où j’ai rencontré un poète et un homme.

FÉLIX ALVAREZ FERRERAS, SAINT-ÉSTEVE / FRANÇA
... en cuanto a usted mismo, le elogio por su magnífico librito ( Grande ) “POESIA / POESIE” que me há dedicado con su fotografia y su firma, pues como yo mismo, es usted director de “Alto Madeira” y su página cultural lo comprueba altamente. Sus poesías en portugués y francés son exelentes y se nota en ellas una alta cultura poética de un vate conocedor muy bien del arte del verso.

NADINE BOURGÉS, BOURDEAUX / FRANÇA
*J’aime les sonorites de vos poèmes, la langue portugaise.

SOLANGE PIOCHE, BRIVE / FRANÇA
*Vos poèmes empreints d’une trés grande sensibilté m’ont beaucoup touchée. J’ai aimé particulierement “Derrière la vitre”, “Je suis la mer, vous le sel” et surtout “A travers les grilles rouillées”.

ESCRITORES FRANCESES PARTICIPANTES DO LÍTERO CULTURAL

DANUTA GALLI, BRIVE LA GAILLARDE, FRANÇA
*Merci pour la publication de nos poèmes dans votre journal littéraire.

FÉLIX ALVAREZ FERRERAS, SAINT-ESTÉVE, FRANÇA
*Me satisfizo mucho su periódico “Alto Madeira” con su página “Lítero-Cultural”.

HENRI BERNIER, VARETZ, FRANÇA
*Tous me remerciements pour l’article que vous avec en la bonté de publics dans votre jounal.*Recever tous me remerciements pour lês délicate attentions que vous avez enes en faisant écho, dans votre journal de nos publications.
*Encore mille mercis. Et toutes mes felicitations pour votre poesia, ou j’ai recontré un poete et un homme.
*Bien cher Selmo, vous avez fait un heureux et des heureuses ! et ces dames ont été surprises et trés é mues. Moi acussi, trés é un, d’un tal cadeau. Merci.

JACQUES CANUT, AUCH, FRANÇA
*Prezado Selmo Vasconcellos, muito obrigado pelo Lítero Cultural, jornal Alto Madeira.

NADINE BOURGÉS, BORDEAUX, FRANÇA
*Merci d’avoir fait paraître nos poèmes dans votre journal.

PAUL COUGERT, BORDEAUX, FRANÇA
*Merci également pour votre amicale dédicace dont la dévolution sympathique me touche beaucoup.*Merci, de tout coeur, pour la coupure bien reçue du numéro du 22.10.2004 de “Lítero Cultural” où vous m’avez fait l’honneur d’une flatteuse insertion me concernant, et importante devrais-je dire, puisque même un poème et se traduction par Teresinka Pereira y sont joints.Je ne manquerai pas de faire photocopier cette page du journal, ne serait-ce que pour en envoyer un exemplaire à la charmante poétese me remettant une coupe sur la photo que vouz avez gentilment reproduite. Cela ne manquera pas de lasurprendre et de lui faire plaisir !Croyez, cher aimable Confrère, à mes seniments les plus cordialment dévoués.

SÍLVIA DE MENEZES LEROY, NANTES, FRANÇA
*Embora seja supérfluo elogiar uma coluna de jornal já premiada, devo dizer que gostei muito da concepção do Momento Lítero Cultural. É incrível o volume de informação que você consegue passar em uma só página.

COLABORADORES LÍTERO CULTURAL NA FRANÇA

-JEAN-PAUL MESTAS, Vichy.
-CHRISTIANE MESTAS, Vichy.
-JACQUES CANUT, Aunch.
-SÍLVIA MENEZES LEROY, Nantes.
-GEORGE L. HENDEL, Varetz.
-CHARLES ASTRUC, Paris.
-ARLETTE CHAMOURCEL, Merville.
-JEAN-LOUIS BERNARD, Grenoble.
-DOMINIQUE CHARPY, Erquy.
-FÉLIX ALVAREZ FERRERAS, Saint-Esteve.
-SOLANGE PIOCHE-VILLÉ, Brive.
-NADINE BOURGES, Brive.
-DANUTA GALLI, Brive.
-PASCALE COULOMBEIX, Brive
-ANDRÉ PERAGALLO, Vernevil.
-JEAN GRASSIN, Carnac.
-PAUL COURGET, Bordeaux.

JEAN-PAUL MESTAS

QUE PEDIR A DEUS ?

O pouco de amor que tínhamos
está caído na lama.
Os nossos filhos partiram
mas nós, mais divididos do que antes,
aguentamos a besta
e a fadiga nos vacina.

Assim, grudados sobre os nossos reveses,
resta-nos talvez dizer
uma velha confissão
cor de perdão e de tempestade.

NEUSA ZANIRATO

Tradução : JEAN-PAUL MESTAS, VICHY, FRANCE, JALONS Nº 86, 2006.

UN JOUR DE PAIX

Aujourd’hui je cherchais seulement un jour de paix.
Entendre une flûte douce à rebours
D’une sirène de police. Et davantage
Un sourire d’enfant encore une fois.

Aujourd’hui je cherchais un collier d’étoiles
Enjolivant la Terre de couleur et de lumière,
Nombreuses fleurs à toutes les fenêtres
Et que nul ne sache ce qu’est la guerre.

Aujourd’hui, seulement aujourd’hui, en finir avec la faim
Qui loge dans les yeux de la plus petite fillette
Au compte de la pauvreté qui consome.

Un jour en paix, Seigneur, puisse être approchée
L’urgence de cette pause de douleur
Au nom de l’amour nouveau venu .

II-DO CREPÚSCULO AO OUTRO DIA

JIDDU SALDANHA & HERBERT EMANUEL

Apresentação de Cristiane Grando
Prefácio de Carlos Nejar
Ilustrações Jiddu Saldanha
Poesia, 112 p.,T’AI Editora Digital, Rio de Janeiro / Macapá / 2005.

Jiddu K. Saldanha, nasceu na cidade de Curitiba – PR, em 03 de Janeiro de 1965. Começou sua atividade em poesia a partir de 1992 quando ajudava o poeta SAMARAL na produção do fanzine URBANA.
Em 2001, criou o evento Poesia na Quarta Capa, realizado com sucesso no Espaço Cultural Constituição, no centro histórico do Rio de Janeiro.
Os poemas de Jiddu estão circulando pelos seguintes meios :
-internet
-jornal RioLetras
-Coletâneas 1095 dias de Poesia ( 2003 ) e 1825 dias de Poesia ( 2004 ), do grupo Poesia Simplesmente, Cinco Poetas em Amostra Grátis, antologia organizada por Rodolfo Muanis e Pontes de Versos, Uma Antologia Carioca, da Editora Íbis Libris, 2004.
Jiddu é conhecido nacionalmente como mímico teatral, atividade que exerce desde 1988 e por pesquisar a história dos mímicos brasileiros. A mímica e a poesia estão visceralmente interligadas em sua atividade artística. Apresentou-se em alguns dos mais importantes eventos literários do país, tais como :
-Congresso Brasileiro de Poesia, em Bento Gonçalves – RS
-Bienal Internacional do Livro – RJ
-Jornada Literária de Passo Fundo – RS
-Feira do Livro de Porto Alegre – RS
-Bienal de Campos – RJ
-Encontro de Educação da PETROBRÁS – SP
-Semana das Artes de Cerquilho – SP
-Festa Literária de Paraty ( FLIP ) – RJ – Circuito Off
Sendo também artista plástico, Jiddu já participou de exposições no Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, tendo algumas de suas obras circulando em forma de calendário, cartões postais e pôsteres. Em 2001 lança o projeto de arte conceitual Mala da Fama, que foi adotada como objeto símbolo do grupo de artistas Demóticos, que tem como base a democracia nas artes e a inclusão cultural, do qual Jiddu participa como um dos articuladores.

Herbert Emanuel nasceu na cidade de Macapá, no Estado do Amapá, no dia 20 de Fevereiro de 1963. Mudou-se para Belém no final de 1976, ali residindo até 1989. a maior parte de sua formação escolar e literária deu-se nessa cidade. Formado em Filosofia pela UFPA, em 1987. Em 1989, ministrou as disciplinas Filosofia da Educação ! e !!, no antigo Núcleo da Universidade Federal do Pará, em Macapá.
Dez anos depois, lançou seu primeiro livro, intitulado Nada ou quase uma Arte, com apresentação do poeta gaúcho Carlos Nejar. Em 1998, lançou, em parceria com o artista plástico e mímico Jiddu Saldanha, Cartões Poéticos. Alguns poemas seus estão incluídos na Antologia Poética Poesia do Grão-Pará, 2001, com seleção e notas de Olga Savary.
Há mais de 10 anos vem atuando como consultor e palestrante, falando sobre temas relacionados à arte, à cultura, à educação, à ecologia, dentro e fora do Estado do Amapá. Possui artigos publicados em vários jornais do Estado sobre temas artísticos, literários, filosóficos e culturais. Atualmente, está preparando três livros de poemas, intitulados ISTO, RES e DEASSPEREZAS, e um livro de ensaio – Guarda-chuva Paradoxal.

Mostras de alguns Hai-cais do livro “do crepúsculo ao outro dia”

na bananeira
a aranha caranguejeira
descasca sua teia

família
nos sorrisos da mãe
o sorriso da filha

em macapá o paraná
semeia botos
cachoeiras gozam

num rasante
o gavião apanha o pássaro
harmonia da vida

lua nova
velhos amigos
até o vento conversa

um ranger de folhas
celebra a tarde
sinais de outono

já não há guitarras
apenas lanternas
cenas distantes

III-JOSÉ AILTON FERREIRA “BAHIA”

EM MEMÓRIA

( Almadina, BA - 9 de janeiro de 1951 – Porto Velho, RO – 21 de setembro de 2005 )

José Ailton Ferreira “Bahia” iniciou ainda na adolescência sua manifestação em poesia e prosa.

Baiano de Almadina ( então distrito de Ilhéus ) e tendo habitado outras paragens daquele Estado, dentre as quais Coaraci, Itapetininga, Macarani, Salvador, Ilhéus e Itabuna, desde agosto de 1983 viveu em Porto Velho, cidade que, segundo o mesmo, é uma das mais cosmopolitas e interessantes do Brasil.

Cursou o 1º e o 2º graus no Colégio Estadual de Itabuna, formado em Economia pela Universidade Estadual de santa Cruz UESC ( Ilhéus – Itabuna ) e com Especialização em Projetos de Pesquisas. Durante o seu período de faculdade participou de vários projetos de extensão universitária, dentre eles, o Projeto Rondon e Projeto Tosta Filho, com atuação na Bahia, Pernambuco, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Piauí e Alagoas.

Autor de 10 livros individuais e participação em 8 antologias nacionais.

Militou no jornalismo há quase duas décadas, como editor de cultura do jornal Alto Madeira ( Rondônia ), com as colunas Giro por Porto Velho e Re-criação. Foi co-editor por longas datas da página impressa Momento Lítero Cultural em parceria com Selmo Vasconcellos.

Livro SE O MUNDO NÃO ACABOU... CONSERTE-O !
Crônicas, Grupo Editorial Scortecci, São Paulo, SP, 2005
Infelizmente o nosso querido Bahia não tempo nem de folhear o tão esperado livro.

O TEMPO INIMIGO E AS MIRAGENS DA SOLIDÃO

Olhava mais uma vez a fotografia. Estava ali, tão bela ! Olhos vivazes, boca e batom cor de cereja e os negros cabelos ao vento daquele passado. Ao fundo, o mar. As ondas arrebentando-se de encontro aos rochedos.
Aquela foto sempre a deixava inquieta e mais perdida ainda em muitos pensamentos.
-Tempos de glória aquele em que as badalações não consideravam tempo nem lugar. Valia tudo na vida...
-E as passarelas ? O brilho era intenso tanto quanto a mais alfa das estrelas. Uma rainha que tinha aos pés, súditos desvairados, sonhando apenas com algumas frações de segundos de companhia ou um simples autógrafo frio.
-A fotografia. Simples imagem no papel retangular, causando-lhe agonia nunca dantes experimentada.
-O tempo, esse inimigo fatal ! Nos matando lenta e dolorosamente, como se fossemos seu mais ferrenho inimigo...
-E quem haveria de esquecer uma noite em que todos por mim subjugados como se fossem insetos nojentos, sem o merecido valor ?
E então, no meio desse labirinto de pensamentos, mirando o espelho : sua imagem pálida, contrastando com a vigorosa silhueta da fotografia. Olhos cansados, mãos tremulas, cabelos embranquecidos, face enrugada e as dores incessantes a torturar as articulações. Olhos lacrimejam e surge a oração predileta se misturando às travessuras da insônia.
E lembra uma antiga canção do folclore indígena ? Talvez ... Balbucia umas notas em meio ao cansaço. Única maneira para tentar dissuadir sua dor maior, a companheira de agora : a solidão.

IV-LIZ MATOS

Livro : Canto ao Amor
...Entre lágrimas e sorrisos

POESIA, 82 p.,Contexto & Arte, Editorial, Salvador, BA, 2006.

Este livro foi escrito, sobretudo, com e por prazer. Marinando, sem pressa alguma que ao fim chegasse, selecionei também imagens que “casassem” com os textos de forma que eles realmente felizes fossem por todo o sempre.
Que este prazer seja a essência da sua leitura. Não tente descobrir o que eu quis dizer com o jogo de palavras. Cada individuo resvala um mundo em si mesmo e nossos mundos, embora possam ter similitudes, jamais serão idênticos. Apenas leia-se. Sinta-se. Isto basta. Perdemos tempo demais tentando analisar, explicar e, na maioria das vezes, esquecemo-nos de vivenciar. O viver pode ser muito mais tênue e translúcido do que supomos.
Paz, amor e muita LUZ em seu caminhar !!!!!
Carinhosamente, Liz Matos

Fugaz

Traduzi meu amor em canto lírico
Em uníssono vozes d’alma entoaram
Estrofes calcinadas ecoavam
Mas tudo perdeu-se num lamento empírico.

Velando por dores acalentadas no tormento
Desvaneci buscando esperança na alvorada
Por quimera ilusórias clamava
Pois de ti quisera talvez um último momento.

Nada. Nem uma despedida fez-se merecimento.
Tantos devaneios no ar cavalgados
A se arrebentarem disformes no concreto chão
Revelando agora que tudo foi em vão.

V-JOÃO DE JESUS PAES LOUREIRO

Poeta, Professor e Pesquisador da Universidade Federal do Pará. Prêmio nacional de poesia com a obra “Altar em Chamas”. Obras no Brasil, França, Alemanha, Japão, EEUU, Portugal, Itália, Colômbia. Mestrado em Teoria Literária e Semiótica/PUC-Campinas/SP. Doutoramento, realizado na Sorbonne, Paris/França. Tese: “Cultura Amazônica - Uma poética do imaginário”. Nasceu em Abaetetuba, Pará, Brasil.

MANGUEIRAS DE BELÉM

Ai! Cidade das Mangueiras!
Quem te vê e não te ama?
O rio se curva e te oferta
um branco buquê de espuma.
A noite deita nos becos
e a cuia da lua derrama.

Ai! Cidade das Mangueiras!
Quem te vê e não te ama?
Ruas de anjos com asas
de verde beleza arcana.
Ai! Mangueiras da Cidade,
que o sol esculpiu na sombra,
por vós o poeta implora,
por vós a poesia clama...
Ai! Cidade das Mangueiras!
Quem te vê e não te ama?

Por que vagam na cidade
assassinos de mangueiras,
matando-as por querer
ou matando de encomenda,
matando à sombra da lei,
essa lei sem lei, sem lenda?
Essa triste lei da morte
que tem na morte sua vida.
Não deixem que passe impune
esse crime, essa desdita.
Fotografem, multipliquem
vosso “não” pela internet,
pelos blogs, no youtube,
nos orkuts, nos e-mails,
nas asas dos passarinhos
que estão perdendo seus ninhos,
no peito dos que se amam,
nos muros e nos caminhos...

Quem pode lavar a mão
olhando esse arvorecídio?
Que frutos hão de brotar
nos galhos da solidão?
Que é feito do coração
desses que sem piedade
arrancam pela raiz
as raízes seculares
da alma desta cidade?

Ai! Mangueiras de Belém!
Anjos de verde folhagem,
que fazem sombra com as asas
mas são em poste enforcadas.
Verdes berlindas de mangas
no Círio de cada dia.
Campanários de andorinhas
nos corais da ave-maria.

Ai! Cidade das Mangueiras!
Quem te vê e não te ama?
Tua leve melancolia
presa em gaiolas de chuva.
Teu dia, garanhão de auroras
tua noite sempre viúva...
Belém, donzela das águas,
no rio do verso encantada.
Oh! Barca de verdes velas,
no Ver-o-Peso aportada.

VI-PATRÍCIA SOTELLO

Para Júlia, minha ‘menina-formiga’ predileta.

Sou uma ‘menina-formiga’ muito esperta, pelo menos é isso que minha mãe sempre diz, porque eu adoro comer doces, desde balas até bolo de chocolate, passando por sorvete e pudim. Mas, na verdade, eu raramente como essas coisas.
Eu moro em um apartamento, na cidade do Rio de Janeiro, com meus pais e meus dois irmãos mais velhos. Da janela do meu quarto dá para ver um monte de coisas e meu passatempo preferido é ficar de lá olhando tudo o que acontece.
Da minha janela, eu vejo umas árvores teimosas que se mantêm vivas em meio a um mundo de concreto. Elas fazem parte do meu pequeno bosque particular. De lá, eu vejo as borboletas amarelas, azuis, laranjas, brancas e multicores que passeiam entre aquelas mesmas árvores. Eu vejo, ainda, essa vegetação mudar de cor, as folhas das árvores caírem após amarelarem para, então, surgirem outras verdejantes em seu lugar.
Da minha janela, eu vejo os bem-te-vis se cumprimentando e as rolinhas em pleno romance. Ah!... Na frente da minha janela o beija-flor vem pousar no ar! E como a minha janela se enche de poesia quando ele assim o faz! De lá, eu consigo ouvir a sinfonia das cigarras, anunciando mais um dia de sol. Eu consigo, ainda, ouvir o cantar estridente do bando de maritacas que passam alvoroçadas.
Da minha janela, eu veria o Cristo Redentor. Minha mãe disse que se isso acontecesse, eu seria uma privilegiada. Mas, um hospital me impede de vê-lo. Então, de lá, da minha janela, eu vejo as janelas do hospital e observo suas luzes acesas à noite.
Eu vejo, ainda, enfermeiras vestidas de branco, usando suas toucas verdes, num misto de cuidado e apreensão.
Da minha janela, eu não posso ver os pacientes, mas posso imaginá-los porque são todos crianças iguais a mim. Minha mãe disse que eu sou uma privilegiada por não precisar estar internada lá. Dessa vez ela conseguiu me confundir... Primeiro, diz que eu não sou uma privilegiada e depois diz que sou!
Um dia, minha mãe me levou àquele hospital para fazer exame de sangue. Porque eu tenho uma doença chamada Diabetes. É que eu tenho um monte de ‘diabinhos’ me fazendo cócegas sem parar. Isso foi meu pai quem falou, mas eu sei que não é nada disso, pois ele queria me fazer rir para esquecer o tal exame.
O hospital é muito grande e eu até poderia me perder lá dentro. Por isso eu me comportei muito bem, ficando quieta e sempre perto da minha mãe. Enquanto eu aguardava a minha vez, e como meu passatempo preferido é ficar olhando tudo o que acontece, aproveitei para olhar pela janela. E descobri que da janela do hospital dá para ver um monte de coisas.
Da janela do hospital, eu vi a mesma flora e fauna que eu vejo sempre. Mas, eu fiquei surpresa mesmo foi quando eu pude ver A MINHA JANELA!! De lá, eu vi também as outras janelas do meu apartamento e toda a minha vida passou pela minha cabeça igualzinho àquela apresentação em Power Point, que meu pai fez no computador para o trabalho dele. Eu consegui, ainda, perceber que eu não preciso ver o Cristo Redentor de lá de casa, pois Ele já faz parte da minha família. Na verdade, somos eu, meu pai, minha mãe, meus irmãos e Ele dividindo o mesmo teto.
Se eu sou privilegiada ou não, isso eu não sei. A verdade é que eu sou muito feliz por viver nesta “cidade barulhenta e poluída”, meu pai é quem diz isso, porque nenhuma outra criança no mundo tem a família que eu tenho, tampouco podem usufruir todas as belezas da natureza que eu posso. Em plena cidade grande! Tudo isso só lá, da minha janela.
Depois disso, ficou fácil fazer o exame. Eu nem percebi a agulha entrando na minha veia e acabei ganhando um pirulito, que só pude provar depois que o médico viu o resultado e disse que estava tudo bem, que a Diabetes estava controlada, porque eu estava sendo uma ‘menina-formiga’ obediente...
Será que minha mãe foi dizer a ele como me chamava?
(Rio de Janeiro, 19 de maio de 2005)

VII-SONINHA FERRARESI PORTO

DOSE TRIPLA

SEM CENSURA

Eu sem censura
engulo teus ais
levo-te à loucura
sob à luz dos castiçais

condenados ao lírico
à ausência infinita
ondulamos oníricos,
no arder da chama que agita

hálitos frescos
sabores de menta
em beijos novelescos
sob a luz da lua birrenta

na alvura do quarto
em lençóis suaves
entregues ao desejo farto,
escondidos na alma sem chaves

gestos atrevidos
encaixes perfeitos
completamente esquecidos
a espantar a madrugada sem jeito
+++
T A T U A G E N S

guardo no corpo
tatuagens de amor
desenhadas na pele
que desabrocha em flor

carrego nomes em traços
e estrelas
que caminham
pela nuca

movem-se perfeitas
tribais sinuosas
símbolos orientais
de amor e felicidade

nada machuca
sinais
marcas tortuosas
todos os meus ais

+++
você como sinfonia...

vens como sinfonia aos meus ouvidos
partituras que me arrebatam
pentagramas delicados, tênues
notas que se espalham no ar
claves que invadem meu ser
no tom certo para o meu viver
quero apenas te inspirar
entre sons e o silêncio...
num Breve ou semibreve tempo...
és hoje representações
palavras, poesias, letras
que atravessam meus olhos
caminham pelo meu corpo
e sentam-se acomodadas em minh'alma...

VIII-ROBERTO PEREIRA MIGUEL

TEOLOGIA DA IMAGEM – Eternidade e FINITUDE
Liberdade humana, Antropologia teológica, 168 páginas, Scortecci Editora, São Paulo, SP, 2006.

O livro Teologia da Imagem – Eternidade e Finitude ( Scortecci Editora ) de Roberto Pereira Miguel é mais do que um tratado de Teologia. É, sobretudo, um trabalho que se preocupa em demonstrar o verdadeiro conceito de “ser humano”.
Por meio de um texto claro e sem rodeios, Roberto Pereira Miguel relata a impactante experiência do seu encontro com Deus, que serviu para modificar os rumos de sua vida.
Atacado por uma doença – a bulimia – que o dominou por quase quatro anos, o autor reflete a respeito de uma das questões que mais inquietam os seres humanos : a liberdade.
Por meio desta reflexão, empreendida em diálogo com alguns dos maiores pensadores da história do cristianismo, propõe em seu trabalho desvendar o conceito bíblico do homem livre à imagem e semelhança de Deus.
Valendo-se da filosofia, da história da arte e do conceito de “indústria cultural”, inaugurado pelo filosofo Theodor W. Adorno, o autor analisa também alguns aspectos da sociedade contemporânea que contribuem para a alienação do ser humano em relação a Deus e em relação a si mesmo, a qual se manifesta na construção de indivíduos vazios e carentes de significação em uma sociedade que acaba por esgotar a sua verdade na aparência.
Nesta obra, Roberto Pereira aproxima o leigo do texto sagrado, mas também dialoga com o teólogo experimentado.
Numa narrativa que relembra as histórias e as lutas solitárias de homens de Deus que foram atormentados pelo sentimento de culpa, em virtude de seus próprios pecados, Roberto Pereira Miguel conduz os leitores em uma história verídica de fé, de amor e de esperança, sempre tendo o Evangelho de Jesus Cristo como seu próprio guia.

Roberto Pereira Miguel nasceu em Santo André, São Paulo. É Pastor Protestante desde o ano 2000 e Teólogo formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. É também formado em odontologia pela Universidade de Santo Amaro – SP.

2 Comentários:

  • Selmo,
    Mais uma página esplêndida do blog! Desta vez senti vontade de ler o livro Teologia da Imagem do Roberto Miguel Pereira. Parece-me uma abordagem bastante interessante da relação criatura/Criador.
    Abraços, amigo! Cumprimentos a todos autores que constam nesta página!
    Marisa

    Por Anonymous Anônimo, às 3:19 PM  

  • que currículo heim amigo! O autor é dos grandes mesmo!Parabéns pelo teu trabalho! rstás sempre atento à arte da poesia e a literatura, beleza!

    Por Anonymous Anônimo, às 12:24 AM  

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