MOMENTO LÍTERO CULTURAL - VII
MOMENTO LÍTERO CULTURAL - VII
Tenho recebidos várias cartas, jornais, revistas, emails, poemas, crônicas, pensamentos, contos, livros de colaboradores vários pontos do país e do exterior.
Agradeço sinceramente e informo a todos que os artigos serão publicados gradativamente.
Quanto aos elogios, críticas e sugestões isso é em minha concepção muito importante pois com certeza me conduzirá ao ponto de aprimoramento em relação à cultura.
Selmo Vasconcellos – Página impressa Lítero Cultural, jornal Alto Madeira / www.rondoniaovivo.com – Momento Lítero Cultural / www.jornalorebate.com.br – http://orebate-selmovasconcellos.blogspot.com
CONTATO : SELMO VASCONCELLOS – CAIXA POSTAL 1335 – PORTO VELHO – RO – 78900.970.
I-DÉLIO PINHEIRO
Mensagem para os novos jornalistas
Bom, chegamos até aqui. Como diz aquele ditado popular: "Entre mortos e feridos, todos se salvaram". Bem, nem todos. Alguns dos colegas ficaram pelo caminho ou tomaram outros caminhos. Mas os que aqui chegaram e estão vivendo esse momento tão intenso sabem o quanto foi difícil vencer cada etapa desse desafio. Bem, isso também é relativo, afinal a carga de sentimentos e de emoção de cada um é singular e precisa ser respeitada. Há aqui, por exemplo, aqueles que abriram mão do convívio da família, dos amigos e se mudaram para Montes Claros, essa cidade cheia de contrastes.
Outros, venceram as restrições orçamentárias e se apegaram a Deus e ao Fies para conseguirem vencer. Outros, passaram por provações ainda maiores, como perdas inestimáveis na família. Outros, chegaram a pensar seriamente em desistir. Sabe, deixar pra lá, trancar a matrícula e esperar uma hora mais apropriada para levar o sonho de ser jornalista adiante. Mas os que aqui estão hoje são, verdadeiramente, os obstinados, que não desanimaram com a aparente falta de perspectiva. Sim, vocês se lembram. Quando entramos na academia o papel do jornalista estava em discussão. A nossa entrada na faculdade coincidiu com a decisão de uma juíza gaúcha que acabou com a obrigatoriedade do diploma para o exercício do jornalismo. Isso foi a exatamente 4 anos e representou, para muitos, inclusive para mim, um dilema: "Mas porque eu estou fazendo esse curso afinal?".
Acredito que a resposta esteja dentro de cada um de nós, pois se persistimos, mesmo em face de problemas como esse, é porquê concordamos com o escritor colombiano Gabriel Garcia Marquez, Prêmio Nobel de literatura, quando ele diz que "o jornalismo é a melhor profissão do mundo". Porque acreditamos que é possível fazer fazer algo em prol da sociedade, porque acreditamos também que o mundo não teria chegado até aqui sem a ajuda dos jornalistas que nos precederam.
O jornalista Joel Silveira elegeu uma imagem, em meio a milhões, como a melhor definição do que foi o século passado.
Vocês se lembram da imagem de um estudante franzino, na China, tentando deter a fúria de tanques de guerra, armado apenas com sua coragem? A medida que a máquina de destruição avançava, ele também dava um passo a frente. Com destemor, com coragem. Se tivemos o privilégio de ver cenas como essa, é por que naquele momento havia ali um jornalista para registrá-la. Sim, nós temos uma missão muito especial.
Cabe a nós coletarmos as informações do mundo e repassarmos para a população, para que ela julgue, para que ela pense, para que ela vote. Por isso, buscamos a ética acima de todas as coisas. E mesmo que, às vezes, ela pareça utópica em meio a uma sociedade tão corrompida, precisamos nos manter alertas. "A ética deve acompanhar sempre o jornalista como o zumbido acompanha o besouro". Deve ser parte de nós. Por isso, nessa hora tão importante, é preciso reconhecer o trabalho de nossos professores nestes 4 anos. As provas, os trabalhos, a "Escola de Frankfurt", as "Teorias da Comunicação", as dependências, as provas de segunda chance. Cada um teve uma trajetória. Alguns mais tranqüilos, outros mais acidentados, mas todos cresceram, evoluíram e amadureceram com os ensinamentos que nos foram passados.
Quando olhamos pra trás, vemos nitidamente o quanto aprendemos. E é olhando mais pra trás ainda é que percebemos que não estaríamos aqui sem a nossa família, que nos deu apoio guarita, carinho e força de vontade. E foi pensando neles que, muitas vezes, atravessamos madrugadas estudando, nos dedicando a lapidar esse dom que trazemos conosco. Mas era sempre bom saber que tínhamos o nosso ninho, saber que tínhamos quem nos apoiasse mesmo quando estávamos errados, ou magoados com a vida, que é mãe, mas que, às vezes, é como aquelas madrastas de contos infantis, más e injustas.
E se a vida é assim, nada melhor do que ter fé, e temos certeza que aquele que nos deu o dom da comunicação também nos deu força para alcançarmos nosso objetivos.
Mas nada disso também seria possível sem o apoio dos colegas. Agora estaremos definitivamente no mercado de trabalho e muitas vezes ocuparemos postos que serão granjeados por outros colegas e estaremos à mercê da competência e da sorte, e cada um, evidentemente, vai buscar seu espaço. E que cada um saiba respeitar o colega de profissão e que se orgulhe daqueles que forem mais longe e que nunca abram mão das amizades que foram construídas nestes 4 anos. Amizades verdadeiras, verdadeiras parcerias para a vida. E vê o sorriso de contentamento do colega é o mesmo que vê o o nosso próprio sorriso, estampado, indelével, como um carimbo de nossa vitória.
Que hoje não não se economize abraços e carinhos, pois muitos aqui tomarão rumos que os levarão para muito longe e mesmo o corre corre da vida talvez nos impeça de nos vermos com a mesma freqüência familiar que nos vimos nos últimos tempos. Mas uma coisa precisa ficar registrada: o prazer do convívio nos anos de faculdade. Que possamos nos vê, mesmo que esporadicamente, e nos lembrarmos dos momentos incríveis que vivemos.
A nossa formatura acontece em um momento importantíssimo para história do jornalismo no nosso país. Pois depois de 4 anos, à aproximadamente dois meses, caiu a liminar da juíza gaúcha e o diploma, meus amigos, voltou a ser obrigatório para aqueles que tem a nobre missão de informar e de formar consciências, os jornalistas. Precisamos trabalhar, claro, para que nossa profissão seja cada vez mais respeitada e é fazendo nossa parte, com ética e competência, é que ajudaremos a fazer uma sociedade melhor para nossos filhos e netos. E que eles se orgulhem do que faremos, pois, a partir de agora somos jornalistas. Parabéns a todos nós.
Música do dia: We are the champions- Queen
Filme do dia: A primeira página
Citação do dia: "O jornalismo consiste basicamente em dizer 'Lord Jones morreu' para pessoas que nunca souberam que Lord Jones estava vivo"- Gilbert Keith Chesterton, escritor inglês.
II-IDALINA DE CARVALHO
Nasceu na madrugada de 30 de dezembro de 1960 em Cataguases, Minas Gerais. Trabalhou com produção e apresentação de programas de rádio, foi cronista de jornais, produziu teatro e lecionou Língua Portuguesa. Editou a Revista de Literatura e Arte Pensaminto e foi Coordenadora Municipal de Cultura de Cataguases na gestão 2001/2004, tendo deixado sua marca em todos os lugares por onde passou, através da valorização do potencial humano. Idalina criou e coordenou o projeto Cultura nos Bairros, que implantou bibliotecas em bairros e na zona rural da cidade. Organizou, enquanto coordenadora, o Encontro de Leitura da Arte, reunindo artes plásticas, fotografia, dança, teatro, cinema, literatura, folclore e música (um encontro do popular com o erudito) em eventos realizados sob uma lona armada na praça principal da cidade, onde se localizam alguns dos importantes tombamentos históricos modernistas de Cataguases. Publicou em 2001 o livro Quase Pecado – poesia e prosa. Coordena atualmente o setor de Cartas Literárias em Blocos online. Criou e dirige o VENCER - Instituto de valorização da ética na conduta e relacionamentos. A instituição promove a integração social através da leitura.
EM CARNE E VERBO
Noturnamente
suicida-me
arranca-me de mim.
Despida,
encolho-me
enxergo-me.
Amanhece-me
noturnamente,
ressucita-me
e me abro:
feminina-me
CAÇADA
A fêmea devora
a presa
com o olhar
voraz.
A fêmea ferve
o sangue
da presa
para atacar.
A fêmea penetra
o cerne do ser
que se rende
arde
queima
morre
e se refaz.
QUIETUDE
Grávidos nos olhos do poeta,
poemas jamais escritos
resistem suaves
em estado de semente.
Os olhos do poeta,
poema mudo
que o homem do mundo
ainda
não sabe ler.
III-LUÍS SÉRGIO DOS SANTOS
Luís Sérgio (Azevedo) dos Santos é médico, escritor e letrista de música popular.
Desde os anos setenta, colabora em jornais e revistas, publicando artigos, traduções de poemas, tendo sido co-fundador do Grupo Uni-Verso, entidade reconhecida como de utilidade pública, que publicou livros e promoveu diversos encontros entre intelectuais.
Aos 23 anos, foi diretor do Departamento de Difusão Científica e Cultural do diretório acadêmico de sua faculdade. No dia 18 de outubro de 1991, recebeu da Clínica Nossa Senhora das Vitórias, (São Gonçalo/ RJ), a homenagem de Médico do Ano.
Em literatura, publicou em 1976, pelo grupo Uni-Verso, Carta aberta, livro que foi solicitado à prefeitura de sua cidade (Campos-RJ) pelo consulado norte-americano para envio à Biblioteca do Congresso de Washington, quando tinha 26 anos. Recebeu o 2o. e o 3o. prêmio Fernando Chinaglia da União Brasileira de Escritores em 1977 e 1978 respectivamente pelos livros Alvo Vivo e Pele de Sombra. Em 1984, publicou Deus não joga dados, pela editora Civilização Brasileira, pelo qual recebeu o prêmio Itanhangá, da União Brasileira de Escritores.
Atuando como compositor de música popular, foi gravado pela primeira vez em disco em 1980, no LP Caso de Amor, da cantora Terezinha de Jesus, com a canção Dança, em parceria com Renato Alt, lançamento CBS. Atualmente participa do Clube dos Compositores do Brasil [ http://www.clubedoscompositores.com.br ] .
CARTA AO VIZINHO CHINÊS
Deve ser gêmea, senão a mesma,
é a de ontem, é igual e se disfarça
numa metade escurecida
a lua
que neste momento ronda
como eterna sentinela
a trazer fosca iluminação
sobre a caixa de fósforos,
sobre os palitos
que conhecerão em chamas - um sol.
(Existe o inverso sentido,
o sol iluminando a lua,
e a lua iluminando os pedaços de sol
guardados nos fósforos).
Deve ser sem dúvida a mesma,
a lua que amanhã olhará
um desconhecido
que neste momento mora na China
e faz uma vigília qualquer
sobre o arroz.
(Temos a mesma lua,
somos cúmplices destas iluminações).
Já chega a ser mais do que gêmea,
é exatamente a mesma,
quero simplificar
a lua que volta
amadurecida,
e não estou mais só apenas
olhando a lua,
e seria como se ela me olhasse
e de outras existências
ela, a lua, me permitisse conhecimentos.
Assim sendo
ó desconhecido chinês
não sei o teu exato tráfego
entre esta lua,
e há uma grave denúncia,
uma sonora, uma metamorfoseada denúncia
quando a lua
vem nos dizer que apenas passa
sempre por uma frágil rua
que chamam mundo,
uma única rua descalça
que é a mesma
que existe na Grande Muralha,
que é a mesma
por onde o carteiro
chega a minha porta.
A lua nos faz um só acontecimento.
Assim sendo,
ó já visto chinês,
peço que também
coloques a tua mão sobre a nossa lua.
Tenho olhado esta lua,
venho pensando nos grãos de arroz,
e no instante em que morreu
a tua última imperatriz
de pequenos pés.
Tenho pensado numa embarcação
cheia de muitos,
muitos
antepassados olhando a lua enquanto era uma noite
uma espessa noite,
até que todos eles reunidos
pudessem vir me trazer apenas dois olhos
para olhar esta lua.
Tenho visto tuas porcelanas,
tenho visto algo do azul
desbotando
e sendo devorado por dragões.
Sei,
deves gostar de pingue-pongue
e o mar, o mar
é uma grande mesa quando sobre as águas
passa a lua, - uma bolinha
sobre as águas
e que vai
e volta,
e que vai
e volta.
Estamos assim dentro de um jogo.
Por fim já vizinho,
conhecidíssimo
e amigo chinês -
o jogo é muito antigo.
Olhes a tua lua,
olhes a minha lua,
jogues para cá,
jogarei daqui a tua lua.
Fico aqui pensando em milenares dragões
que querem devorar
o mar,
o arroz,
e a nossa única lua.
IV-MARIA HELENA BANDEIRA
Mardeley, no verão
“Last night I dreamt that I went to Mardeley again"
Parece estranho lembrar do presente.
Os dias de verão não escorreram para nenhum lugar, permanecem. Cheiro de maresia, barcos que escapam em direção ao sonho, as fitas do chapéu embaraçadas por causa do vento e você me dizendo: linda. A água brilha no seu cabelo que cai na testa, eu sorrio e respondo: bobo. Havia, há, conchinhas brilhantes em Mardeley. Fazemos coleção perto da pedra grande, você esconde a mais bela. Troca por beijos, a rocha é quente, seu rosto também. Finjo estar zangada, arrumo os fios de onde caem pequenas bolhas de água. Passo os dedos de leve neles e Mardeley gira.
Tento uma oração, Deus me ajude, ele não ajuda. A noite escorre negra em Mardeley o mar bate nas pedras uma, duas, três, mil vezes. Então me viro na cama e peço um comprimido.
Finalmente! - alguém diz. A voz envolta numa bolha. Pego o copo sem tremer. Ao meu redor Jean Claude ri, esconde as conchas.
- Ela acordou?
- Mais ou menos. Pensa estar em Mardeley
- Mardeley? De onde tirou isto?
- Sei lá, coisa de maluco.
A areia fina escorre nos meus dedos. Está quente: você diz. Segura minha mão. Depois me beija. Sua boca tem gosto de sal. O mar brilha forte, fecho os olhos para não me afogar. Então você apanha as conchas todas e me entrega. O sol é forte demais em Mardeley, talvez eu esteja tonta.
A voz borbulha num oco pastoso:
- Margarida?
- Ela não atende assim. Marguerite?
Abro os olhos e encontro outros, severos, cruéis:
- Sabe onde está?
- Em Mardelay
- Não, no Sanatório Santa Isabel. Pare de fingir. Você não é louca. Não existe Mardeley
- Como tem certeza?
Jean Claude se aproxima por trás, fazendo sinal com o dedo sobre os lábios. A maresia está forte e eu resisto ao desejo de rir.
Os olhos cruéis se fecharam, corpo caiu sobre a areia quando a pedra atingiu a cabeça.
- Você não o matou, Jean?
- Não. Está só adormecido. Quantas conchas mereço?
- Dez - respondi sorrindo.
Seu cabelo molhado. e brilhante. Uma gota de suor escorreu por meus lábios.
Faz muito calor em Mardeley no verão.
V-ERNA Y ( ERNA ANTUNES )
Vários anos de experiência artística com pintura, escultura e tapeçaria.
Idealizadora e organizadora do 1°Festival de Inverno de Ouro Preto e Mariana em julho de 1965, foi o primeiro festival do Brasil.
Expositora internacional, acervos na Iugoslávia, Portugal, Japão, Austrália, Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido e Brasil.
Diplomada na escola de Belas artes de Viena, foi aluna de Ziskovic na Áustria, e organizou inúmeras mostras de arte por todo o Brasil.
Membro da Academia Brasileira de Belas Artes ( 1970 ), possui a Comenda de Ouro Pedro Américo.
Algumas instituições que possuem trabalhos da Artista:
Banco do Brasil, City Bank, Bank Kly Winter & CO, Banque Société Genérale, Grupo Safeco, Sheraton Hotel, Everest Rio Hotel, Coca-Cola, Rio Palace, J.C.A ( Japan Creator's Association)
Acervos:
Alemanha, China, Suíça, Portugal, Espanha, Equador, Reino da Jordânia,
Áustria, Austrália, Argentina, Canadá, Venezuela, U.S.A., França, África,
Inglaterra.
VI-SEMÍRAMIS COURSI
Historiadora e Professora de Literatura
Para que serve a História?
“Para quem não tem a alma pequena e vil. A experiência da História é de uma grandeza que nos aniquila.”
Henri-Irinée Marrou.
Sempre fui encantada por História. Desde criança surgia na minha cabeça mulheres usando pesados ferros de passar roupas literalmente de ferro, homens carecas construindo maravilhas como a Esfinge egípcia, cavaleiros solitários...
Por isso cursei História. Mas, desde o primeiro ano na faculdade uma perguntava não cansava de ecoar em minha cabeça: para que serve a História? Procurando em livros didáticos temos respostas clássicas: 1) A História serve para justificar visões de mundo. 2) Com a História entende-se o passado, compreende-se o presente e faz-se projeções para o futuro. 3) A História é uma das formas de reflexão social, pois nossa sociedade é auto-reflexiva. 4) A História serve para entender o desenvolvimento das sociedades e os valores da humanidade; com ela o historiador constrói e divulga conceitos e ideologias para promover uma melhora na vida das pessoas. Podemos notar que a História, para algumas pessoas, tem um valor pragmático para seu presente.
Definitivamente, para mim, a História não é uma bola de cristal de onde se vê erros e acertos e os copia ou exclui, até mesmo porque as condições materiais variam e a mentalidade humana as acompanha. Se a História fosse previsível, Marx, depois de tantos estudos sobre os sistemas escravista e feudal, não erraria quanto ao fim do capitalismo.
Se a História serve para reflexão? Serve claro, mas não em uma sociedade cada vez menos reflexiva, controlada pelos meios de comunicação, em uma sociedade que vive no consumismo desenfreado, na alienação e na massificação, que cai no apelo fácil de leituras superficiais e da propaganda. Se quisermos melhorias sociais, mais fácil do que estudar História e ficar atento aos acontecimentos do legislativo e do executivo, as subidas abruptas de salários e gastos miraculosos com viagens, por exemplo.
Estudar História para divulgar conceitos e ideologias? Muito me admira Lula dizer por aí que é o novo JK. Nosso atual presidente mostra mesmo que estudou história e viu que como ele, JK também fôra um garoto pobre e batalhador. Mas se Lula construiu 50 anos em 5? Só se ele se reeleger e tentar de novo, parece que dessa vez não adiantou muito ter estudado a história e divulgado antigas ideologias, ou melhor, usado delas. Há um grande perigo em utilizar a história para justificar ideologias, o de inventar o passado conforme nossas convicções e ainda por cima, ser tendencioso e distorcê-lo a seu bel-prazer.
Mas, então para que serve a história?
A História serve para compreender que existem mudanças, continuações, rupturas, evoluções, degradações. Serve para compreender que os valores da humanidade se modificam e serve, principalmente, para permitir ao homem que exerça a função que só ele pode exercer: a da contemplação. Já dizia Leonardo da Vinci, no século XVI, que a arte serve para que admiremos o belo. A História também serve para vermos a ação humana e sua magnitude, sua beleza e degradação. A História, ainda, é uma sabedoria e a sabedoria é algo tão abstrato que não combina com esse mundo de correria e praticidade.
VII-MÁRCIA MAIA
Pernambucana do Recife, Márcia Maia é médica. Teve seus poemas primeiramente publicados na Revista Poesia Sempre nº15, da Fundação Biblioteca Nacional, em novembro de 2001. Em 2002, seu livro Espelhos foi premiado no 3º Concurso Blocos de Poesia. Participou da Antologia Poetrix (2002), da Antologia Escritas (2004), do Livro da Tribo (2004 e 2005) , da antologia Poesia do Nascer (2005), editada em Lisboa, Portugal, e ainda da antologia Pernambuco, Terra da Poesia(2005). Publicou quatro livros: Espelhos(2003), um tolo desejo de azul (2003), Olhares/Miradas( 2004) e em queda livre (2005). Escreve ainda em revistas e sites da internet.
marciamaia@uol.com.br
http://www.tabuademares.blogger.com.br
http://www.mudancadeventos.blogger.com.br
eu te amo?
o que digo quando digo que te amo
de que amor falo ao falar de amor assim
se no fundo nem sei mesmo se te amo
e em te amando temo não amar-te assim
o que existe atrás de um simples eu te amo
que transforma num segundo tudo assim
de que lume é feito um fátuo eu te amo
que ora é fogo ora é geleira dito assim
faz-se efêmero o dizer-te eu te amo
desprovido de sentido quando assim
proclamando o tempo inteiro que te amo
banalizo o verbo amar se o digo assim
e entretida a repetir quanto eu te amo
já não sei se esse eu te amo ama-te assim
**********
quase-pirata
escoriação na conjuntiva tampão no olho
e o mundo visto em duas dimensões
(e pela metade)
o incômodo não move montanhas
nem as aniquila
(se bem que chateia)
antes prolonga interminavelmente a tarde
********
um tolo desejo de azul
um dia assim
azul em demasia
a contrastar com todos os tons
de cinza
que ontem
- apenas ontem -
impregnaram-me as retinas
(parece tão tolo tão pouco
ma a mim
ah a mim me bastaria)
********
do instante em que se esgarça a madrugada
e quando numa madrugada
de chuva e raul seixas
como esta
daqui eu me mandar
sumir
mudar de pele
despirei
de uma vez por todas
esta camisa-de-força
tecida em desaponto e solidão?
VIII-SELMO VASCONCELLOS
AMOR PREMATURO
O filho é nosso ?
Sim, toma.
O filho taí.
Sintoma.
Soma.
Ejaculação precoce
de uma desunião
que faz diferença.
Posse.
Sem remorso
Sem alarde
Sem alarme.
Ação sim
Aversão não.
Nada programado.
Sem discriminação
ou drama.
Apego veio para ficar
( fora criança imaginária )
sintoma no ventre
minúsculo corpo vivo
dá o ar de sua graça
sem culpa ou punição.
Pensa no custo
que virá gradativamente.
Defesa para tal a(feto)
O estímulo em demasia gorou.
O controle soma ?
Foi um engodo ?
Não.
A cura virá a curto prazo...
Deficiência virá
Privações voluntárias virão.
É a conseqüência ?
( sem depressão, neurose, estigma, frustração... ).
O Estado não tem culpa e nada fará.
Foi um engodo ?
Não.
Quisera outrora nem pensar
numa terapia para adoção.
Estou em extinção ???
E o passarinho está com sede
e a fuga é inevitável.
É a liberdade tão esperada,
não vigiada.
Basta de hibernação.
A impressão é a que fica,
a mascara cai,
sem mediador..
O filho é nosso !!!
IX-BATE-PAPO RELÂMPAGO SEM PESTANEJAR
SELMO VASCONCELLOS & MARISA ZANIRATO
Selmo:
Bom dia amiga, como estamos bem próximos de uma praia vamos levar nossa farofa de galinha e bronzeador de beterraba e curtir esse maravilhoso sol de domingo. Não esqueça a bóia de pneu de caminhão?
Marisa:
Bom dia amigo! A mudança de horário fez a farofa atrasar. Estou levando a bóia de pneu para remendar na borracharia. Vou aproveitar para mandar encher a bola de capotão pra gente poder bater uma bolinha na praia. Já já fico pronta.
Selmo:
Estou com vontade convidar meus vizinhos com seus inúmeros filhos menores , todos chupando caramelos e descendo pelas suas barrigas e as suas mãozinhas meladas passando pelo nosso corpo , que cena linda !!! Vou também levar o rádio de pilhas tamanho caixote e ouvir nossas belas músicas bregas. Vai ser bom demais !!! Leva a fifi também, tá ?
Marisa:
Que legal! As crianças vão adorar. Estou arrumando suco e batidinha em garrafas pet na caixa de isopor pra gente levar. E alguns sanduíches de mortadela também.
Selmo:
Não é mortadela e sim mortandela. Corrigindo, desculpe, rs.
Selmo:
Caipirinha só tomo quente e debaixo de um sol de 40º, comendo farofa com galinha bem gordurosa ou torresminho acompanhado com arroz grudento na panela de cabo e com o rádio bem alto. Quero ver todo mundo dentro d'água, aproveitando o máximo da água salgada, ficar bem salgado e pegar o ônibus pinga-pinga lotado de volta pra casa. Leva a Fifi, tá ? Eu levo o o cachorro Roque ( todos farofeiros de pariféria tem o seu Roque, por quê ? )
Marisa:
Demorei para responder porque não acho a Fifi. A vizinha disse que a carrocinha passou por aqui bem na horinha que ela tava mexendo nos sacos de lixo. Ela só não sabe dizer se pegaram ou não a minha cachorrinha, mas se pegaram vou fazer o maior barraco amanhã lá na prefeitura.
Selmo:
Dona Umberlinda, uma senhora viúva nos seus 83 anos, vizinha do,lado direito da minha casa, aquela que toma conta da vida alheia, também quer ir na praia no ônibus, até já lavou e pendurou o seu maiô no varal,estava com muita naftalina. Ela vai levar empadinhas de camarão. Já falei pra ela que o banheiro na praia é o própria mar.
Marisa:
Que bom que dona Umberlinda vai. Aí ela pode cuidar da Shirleslânia, a filha mais nova da minha vizinha. A menina fez uma birra tão grande que não teve remédio senão deixar que vá com a gente. Ela está com um pouco de diarréia, mas sem problemas, né?
Selmo:
Quanto a idosa Umberlinda, ela quer um banco de fusca e ficar sentadinha no calçadão e quanto a menina Shirleslânia, cuidaremos com banana comprida, se por acaso acontecer o imprevisto vai ser só na volta com o ônibus pinga-pinga lotado.
Marisa:
Olha, não deixa a menina nem ver a farofa gordurenta. É um perigo. E onde é que vamos achar um banco de fusca para a vizinha idosa? Ela com certeza vai querer o guarda sol só pra ela també, né? Conheço esse tipo.
Selmo:
O seu Max, sapateiro, morador de esquina e próximo a bodega do Isael, falou que o melhor horário para banhar na praia e ficar tranquilamente na areia é das 11 às 15 horas e que não faz mal nenhum se proteger com pasta de dente pelo corpo. Quanto a Humbelinda ela falou em top less. Vai ter porrada, me segura.
Marisa:
A minha amiga me deu uma dica melhor: passar óleo de cozinha com borra de café. É baratinho e dá uma cor legal.
Olha, se a sua amiga fizer top less eu saio da barraca, faço de conta que nem conheço ninguém, viu?
Selmo e Marisa : Baixou um temporal antes do previsto e a galera teve que deixar o passeio para um outro final de semana. Quanto aos quitutes e bebidas deliciaram na praça da cidade. São Pedro achou por bem prorrogar o passeio, sentia que não ia dar certo essa comitiva e bebitiva na praia.
X-MAXIMINIANO J. M. da SILVA
TUA EXPLICAÇÃO
Quem há de explicar, o que contigo acontece? Tu te espelhas em teu
mundo fechado, e me deixas trancado ao relento...
Quem há de entender? nem pensa em se olhar no reflexo vivo. Mas,
além de tudo, o que foi que fiz?
Sombras na noite, onde clareia a Lua. Pistas tuas!
Abra teu coração e me explique, o que ocorrera conosco naquele dia
nublado, em que eu estava a teu lado, e somente as tuas vestes se
opuseram ao repouso de minha sombra.
Ande; me entenda. Nem que seja na última lágrima que, não a sinto
tocar o chão, que também molhado, pelo fim da esperança.
Me explique, mas, me entenda quando eu tentar lhe transmitir o que
eu não procuro tentar entender.
+++
QUEM
Quem?
Será que alguém pode acabar, com tamanha solidão?
Preencher o intenso vazio, deste pobre coração?
Quero você.
Somente sua pessoa o fará.
Permita-me te encontrar...
Meu desejo me machuca violentamente;
E a ansiedade, Que me rodeia quando penso em nós?
Vou perdendo meu fôlego, de forma lenta. Mas há uma certeza, que meu
peito alimenta. A de que não vou desistir de tentar te conquistar.
Pareço conseguir.
Ainda pretendo sonhar, pois meu coração sabe que somente assim vou
realizar. Será que a fantasia é te amar, ou realidade?
Acho que estou entrando nos mistérios dessa coisa. Se tiver que me
acertar, que seja de cheio, que rasgue meu peito. Que seja um sentimento
perfeito.
Amor...
Amar;
Nos amando, amamos sonhar.
Quem?
... Você.
+++
SEM SAÍDA
Te vejo passar perto de mim,
Penso:
O que eu fiz pra você agir assim?
Me olha de lado
Finge que sou ninguém...
Você mudou tanto...
Todo meu sonho foi jogado no chão.
Fiquei sem juízo em plena multidão,
Será que não tem
Amor em seu coração
Perdi meu encanto.
Me dói a lembrança que eu tenho de ti,
Sempre que eu lembro não consigo sorri
Uma folha voando
Em vento de tempestade...
Sem direção.
Estou lançado distante,
Longe de você...
Por mais que eu tente
Eu não consigo esquecer.
Estou sem saída
Preso na solidão.
O que fazer da paixão?
++
Céus...
Teu lugar, meu projeto;
Onde quero estar contigo, amar-nos.
Como teus sentimentos, nele também, tais mistérios.
Véus...
Parte de teus semblantes;
fel no olhar triste em fogo,
Como erros e tinos, a ti, semelhantes.
Vidas...
Em mim presentes e atentas;
Rumo incerto, trilha nevoada,
Vista insignificante, ao olho cego do"pedra" pulsante;
Amo-te habitat, perdida e já encontrada, mais que nunca,
valorizada.
Tenho recebidos várias cartas, jornais, revistas, emails, poemas, crônicas, pensamentos, contos, livros de colaboradores vários pontos do país e do exterior.
Agradeço sinceramente e informo a todos que os artigos serão publicados gradativamente.
Quanto aos elogios, críticas e sugestões isso é em minha concepção muito importante pois com certeza me conduzirá ao ponto de aprimoramento em relação à cultura.
Selmo Vasconcellos – Página impressa Lítero Cultural, jornal Alto Madeira / www.rondoniaovivo.com – Momento Lítero Cultural / www.jornalorebate.com.br – http://orebate-selmovasconcellos.blogspot.com
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I-DÉLIO PINHEIRO
Mensagem para os novos jornalistas
Bom, chegamos até aqui. Como diz aquele ditado popular: "Entre mortos e feridos, todos se salvaram". Bem, nem todos. Alguns dos colegas ficaram pelo caminho ou tomaram outros caminhos. Mas os que aqui chegaram e estão vivendo esse momento tão intenso sabem o quanto foi difícil vencer cada etapa desse desafio. Bem, isso também é relativo, afinal a carga de sentimentos e de emoção de cada um é singular e precisa ser respeitada. Há aqui, por exemplo, aqueles que abriram mão do convívio da família, dos amigos e se mudaram para Montes Claros, essa cidade cheia de contrastes.
Outros, venceram as restrições orçamentárias e se apegaram a Deus e ao Fies para conseguirem vencer. Outros, passaram por provações ainda maiores, como perdas inestimáveis na família. Outros, chegaram a pensar seriamente em desistir. Sabe, deixar pra lá, trancar a matrícula e esperar uma hora mais apropriada para levar o sonho de ser jornalista adiante. Mas os que aqui estão hoje são, verdadeiramente, os obstinados, que não desanimaram com a aparente falta de perspectiva. Sim, vocês se lembram. Quando entramos na academia o papel do jornalista estava em discussão. A nossa entrada na faculdade coincidiu com a decisão de uma juíza gaúcha que acabou com a obrigatoriedade do diploma para o exercício do jornalismo. Isso foi a exatamente 4 anos e representou, para muitos, inclusive para mim, um dilema: "Mas porque eu estou fazendo esse curso afinal?".
Acredito que a resposta esteja dentro de cada um de nós, pois se persistimos, mesmo em face de problemas como esse, é porquê concordamos com o escritor colombiano Gabriel Garcia Marquez, Prêmio Nobel de literatura, quando ele diz que "o jornalismo é a melhor profissão do mundo". Porque acreditamos que é possível fazer fazer algo em prol da sociedade, porque acreditamos também que o mundo não teria chegado até aqui sem a ajuda dos jornalistas que nos precederam.
O jornalista Joel Silveira elegeu uma imagem, em meio a milhões, como a melhor definição do que foi o século passado.
Vocês se lembram da imagem de um estudante franzino, na China, tentando deter a fúria de tanques de guerra, armado apenas com sua coragem? A medida que a máquina de destruição avançava, ele também dava um passo a frente. Com destemor, com coragem. Se tivemos o privilégio de ver cenas como essa, é por que naquele momento havia ali um jornalista para registrá-la. Sim, nós temos uma missão muito especial.
Cabe a nós coletarmos as informações do mundo e repassarmos para a população, para que ela julgue, para que ela pense, para que ela vote. Por isso, buscamos a ética acima de todas as coisas. E mesmo que, às vezes, ela pareça utópica em meio a uma sociedade tão corrompida, precisamos nos manter alertas. "A ética deve acompanhar sempre o jornalista como o zumbido acompanha o besouro". Deve ser parte de nós. Por isso, nessa hora tão importante, é preciso reconhecer o trabalho de nossos professores nestes 4 anos. As provas, os trabalhos, a "Escola de Frankfurt", as "Teorias da Comunicação", as dependências, as provas de segunda chance. Cada um teve uma trajetória. Alguns mais tranqüilos, outros mais acidentados, mas todos cresceram, evoluíram e amadureceram com os ensinamentos que nos foram passados.
Quando olhamos pra trás, vemos nitidamente o quanto aprendemos. E é olhando mais pra trás ainda é que percebemos que não estaríamos aqui sem a nossa família, que nos deu apoio guarita, carinho e força de vontade. E foi pensando neles que, muitas vezes, atravessamos madrugadas estudando, nos dedicando a lapidar esse dom que trazemos conosco. Mas era sempre bom saber que tínhamos o nosso ninho, saber que tínhamos quem nos apoiasse mesmo quando estávamos errados, ou magoados com a vida, que é mãe, mas que, às vezes, é como aquelas madrastas de contos infantis, más e injustas.
E se a vida é assim, nada melhor do que ter fé, e temos certeza que aquele que nos deu o dom da comunicação também nos deu força para alcançarmos nosso objetivos.
Mas nada disso também seria possível sem o apoio dos colegas. Agora estaremos definitivamente no mercado de trabalho e muitas vezes ocuparemos postos que serão granjeados por outros colegas e estaremos à mercê da competência e da sorte, e cada um, evidentemente, vai buscar seu espaço. E que cada um saiba respeitar o colega de profissão e que se orgulhe daqueles que forem mais longe e que nunca abram mão das amizades que foram construídas nestes 4 anos. Amizades verdadeiras, verdadeiras parcerias para a vida. E vê o sorriso de contentamento do colega é o mesmo que vê o o nosso próprio sorriso, estampado, indelével, como um carimbo de nossa vitória.
Que hoje não não se economize abraços e carinhos, pois muitos aqui tomarão rumos que os levarão para muito longe e mesmo o corre corre da vida talvez nos impeça de nos vermos com a mesma freqüência familiar que nos vimos nos últimos tempos. Mas uma coisa precisa ficar registrada: o prazer do convívio nos anos de faculdade. Que possamos nos vê, mesmo que esporadicamente, e nos lembrarmos dos momentos incríveis que vivemos.
A nossa formatura acontece em um momento importantíssimo para história do jornalismo no nosso país. Pois depois de 4 anos, à aproximadamente dois meses, caiu a liminar da juíza gaúcha e o diploma, meus amigos, voltou a ser obrigatório para aqueles que tem a nobre missão de informar e de formar consciências, os jornalistas. Precisamos trabalhar, claro, para que nossa profissão seja cada vez mais respeitada e é fazendo nossa parte, com ética e competência, é que ajudaremos a fazer uma sociedade melhor para nossos filhos e netos. E que eles se orgulhem do que faremos, pois, a partir de agora somos jornalistas. Parabéns a todos nós.
Música do dia: We are the champions- Queen
Filme do dia: A primeira página
Citação do dia: "O jornalismo consiste basicamente em dizer 'Lord Jones morreu' para pessoas que nunca souberam que Lord Jones estava vivo"- Gilbert Keith Chesterton, escritor inglês.
II-IDALINA DE CARVALHO
Nasceu na madrugada de 30 de dezembro de 1960 em Cataguases, Minas Gerais. Trabalhou com produção e apresentação de programas de rádio, foi cronista de jornais, produziu teatro e lecionou Língua Portuguesa. Editou a Revista de Literatura e Arte Pensaminto e foi Coordenadora Municipal de Cultura de Cataguases na gestão 2001/2004, tendo deixado sua marca em todos os lugares por onde passou, através da valorização do potencial humano. Idalina criou e coordenou o projeto Cultura nos Bairros, que implantou bibliotecas em bairros e na zona rural da cidade. Organizou, enquanto coordenadora, o Encontro de Leitura da Arte, reunindo artes plásticas, fotografia, dança, teatro, cinema, literatura, folclore e música (um encontro do popular com o erudito) em eventos realizados sob uma lona armada na praça principal da cidade, onde se localizam alguns dos importantes tombamentos históricos modernistas de Cataguases. Publicou em 2001 o livro Quase Pecado – poesia e prosa. Coordena atualmente o setor de Cartas Literárias em Blocos online. Criou e dirige o VENCER - Instituto de valorização da ética na conduta e relacionamentos. A instituição promove a integração social através da leitura.
EM CARNE E VERBO
Noturnamente
suicida-me
arranca-me de mim.
Despida,
encolho-me
enxergo-me.
Amanhece-me
noturnamente,
ressucita-me
e me abro:
feminina-me
CAÇADA
A fêmea devora
a presa
com o olhar
voraz.
A fêmea ferve
o sangue
da presa
para atacar.
A fêmea penetra
o cerne do ser
que se rende
arde
queima
morre
e se refaz.
QUIETUDE
Grávidos nos olhos do poeta,
poemas jamais escritos
resistem suaves
em estado de semente.
Os olhos do poeta,
poema mudo
que o homem do mundo
ainda
não sabe ler.
III-LUÍS SÉRGIO DOS SANTOS
Luís Sérgio (Azevedo) dos Santos é médico, escritor e letrista de música popular.
Desde os anos setenta, colabora em jornais e revistas, publicando artigos, traduções de poemas, tendo sido co-fundador do Grupo Uni-Verso, entidade reconhecida como de utilidade pública, que publicou livros e promoveu diversos encontros entre intelectuais.
Aos 23 anos, foi diretor do Departamento de Difusão Científica e Cultural do diretório acadêmico de sua faculdade. No dia 18 de outubro de 1991, recebeu da Clínica Nossa Senhora das Vitórias, (São Gonçalo/ RJ), a homenagem de Médico do Ano.
Em literatura, publicou em 1976, pelo grupo Uni-Verso, Carta aberta, livro que foi solicitado à prefeitura de sua cidade (Campos-RJ) pelo consulado norte-americano para envio à Biblioteca do Congresso de Washington, quando tinha 26 anos. Recebeu o 2o. e o 3o. prêmio Fernando Chinaglia da União Brasileira de Escritores em 1977 e 1978 respectivamente pelos livros Alvo Vivo e Pele de Sombra. Em 1984, publicou Deus não joga dados, pela editora Civilização Brasileira, pelo qual recebeu o prêmio Itanhangá, da União Brasileira de Escritores.
Atuando como compositor de música popular, foi gravado pela primeira vez em disco em 1980, no LP Caso de Amor, da cantora Terezinha de Jesus, com a canção Dança, em parceria com Renato Alt, lançamento CBS. Atualmente participa do Clube dos Compositores do Brasil [ http://www.clubedoscompositores.com.br ] .
CARTA AO VIZINHO CHINÊS
Deve ser gêmea, senão a mesma,
é a de ontem, é igual e se disfarça
numa metade escurecida
a lua
que neste momento ronda
como eterna sentinela
a trazer fosca iluminação
sobre a caixa de fósforos,
sobre os palitos
que conhecerão em chamas - um sol.
(Existe o inverso sentido,
o sol iluminando a lua,
e a lua iluminando os pedaços de sol
guardados nos fósforos).
Deve ser sem dúvida a mesma,
a lua que amanhã olhará
um desconhecido
que neste momento mora na China
e faz uma vigília qualquer
sobre o arroz.
(Temos a mesma lua,
somos cúmplices destas iluminações).
Já chega a ser mais do que gêmea,
é exatamente a mesma,
quero simplificar
a lua que volta
amadurecida,
e não estou mais só apenas
olhando a lua,
e seria como se ela me olhasse
e de outras existências
ela, a lua, me permitisse conhecimentos.
Assim sendo
ó desconhecido chinês
não sei o teu exato tráfego
entre esta lua,
e há uma grave denúncia,
uma sonora, uma metamorfoseada denúncia
quando a lua
vem nos dizer que apenas passa
sempre por uma frágil rua
que chamam mundo,
uma única rua descalça
que é a mesma
que existe na Grande Muralha,
que é a mesma
por onde o carteiro
chega a minha porta.
A lua nos faz um só acontecimento.
Assim sendo,
ó já visto chinês,
peço que também
coloques a tua mão sobre a nossa lua.
Tenho olhado esta lua,
venho pensando nos grãos de arroz,
e no instante em que morreu
a tua última imperatriz
de pequenos pés.
Tenho pensado numa embarcação
cheia de muitos,
muitos
antepassados olhando a lua enquanto era uma noite
uma espessa noite,
até que todos eles reunidos
pudessem vir me trazer apenas dois olhos
para olhar esta lua.
Tenho visto tuas porcelanas,
tenho visto algo do azul
desbotando
e sendo devorado por dragões.
Sei,
deves gostar de pingue-pongue
e o mar, o mar
é uma grande mesa quando sobre as águas
passa a lua, - uma bolinha
sobre as águas
e que vai
e volta,
e que vai
e volta.
Estamos assim dentro de um jogo.
Por fim já vizinho,
conhecidíssimo
e amigo chinês -
o jogo é muito antigo.
Olhes a tua lua,
olhes a minha lua,
jogues para cá,
jogarei daqui a tua lua.
Fico aqui pensando em milenares dragões
que querem devorar
o mar,
o arroz,
e a nossa única lua.
IV-MARIA HELENA BANDEIRA
Mardeley, no verão
“Last night I dreamt that I went to Mardeley again"
Parece estranho lembrar do presente.
Os dias de verão não escorreram para nenhum lugar, permanecem. Cheiro de maresia, barcos que escapam em direção ao sonho, as fitas do chapéu embaraçadas por causa do vento e você me dizendo: linda. A água brilha no seu cabelo que cai na testa, eu sorrio e respondo: bobo. Havia, há, conchinhas brilhantes em Mardeley. Fazemos coleção perto da pedra grande, você esconde a mais bela. Troca por beijos, a rocha é quente, seu rosto também. Finjo estar zangada, arrumo os fios de onde caem pequenas bolhas de água. Passo os dedos de leve neles e Mardeley gira.
Tento uma oração, Deus me ajude, ele não ajuda. A noite escorre negra em Mardeley o mar bate nas pedras uma, duas, três, mil vezes. Então me viro na cama e peço um comprimido.
Finalmente! - alguém diz. A voz envolta numa bolha. Pego o copo sem tremer. Ao meu redor Jean Claude ri, esconde as conchas.
- Ela acordou?
- Mais ou menos. Pensa estar em Mardeley
- Mardeley? De onde tirou isto?
- Sei lá, coisa de maluco.
A areia fina escorre nos meus dedos. Está quente: você diz. Segura minha mão. Depois me beija. Sua boca tem gosto de sal. O mar brilha forte, fecho os olhos para não me afogar. Então você apanha as conchas todas e me entrega. O sol é forte demais em Mardeley, talvez eu esteja tonta.
A voz borbulha num oco pastoso:
- Margarida?
- Ela não atende assim. Marguerite?
Abro os olhos e encontro outros, severos, cruéis:
- Sabe onde está?
- Em Mardelay
- Não, no Sanatório Santa Isabel. Pare de fingir. Você não é louca. Não existe Mardeley
- Como tem certeza?
Jean Claude se aproxima por trás, fazendo sinal com o dedo sobre os lábios. A maresia está forte e eu resisto ao desejo de rir.
Os olhos cruéis se fecharam, corpo caiu sobre a areia quando a pedra atingiu a cabeça.
- Você não o matou, Jean?
- Não. Está só adormecido. Quantas conchas mereço?
- Dez - respondi sorrindo.
Seu cabelo molhado. e brilhante. Uma gota de suor escorreu por meus lábios.
Faz muito calor em Mardeley no verão.
V-ERNA Y ( ERNA ANTUNES )
Vários anos de experiência artística com pintura, escultura e tapeçaria.
Idealizadora e organizadora do 1°Festival de Inverno de Ouro Preto e Mariana em julho de 1965, foi o primeiro festival do Brasil.
Expositora internacional, acervos na Iugoslávia, Portugal, Japão, Austrália, Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido e Brasil.
Diplomada na escola de Belas artes de Viena, foi aluna de Ziskovic na Áustria, e organizou inúmeras mostras de arte por todo o Brasil.
Membro da Academia Brasileira de Belas Artes ( 1970 ), possui a Comenda de Ouro Pedro Américo.
Algumas instituições que possuem trabalhos da Artista:
Banco do Brasil, City Bank, Bank Kly Winter & CO, Banque Société Genérale, Grupo Safeco, Sheraton Hotel, Everest Rio Hotel, Coca-Cola, Rio Palace, J.C.A ( Japan Creator's Association)
Acervos:
Alemanha, China, Suíça, Portugal, Espanha, Equador, Reino da Jordânia,
Áustria, Austrália, Argentina, Canadá, Venezuela, U.S.A., França, África,
Inglaterra.
VI-SEMÍRAMIS COURSI
Historiadora e Professora de Literatura
Para que serve a História?
“Para quem não tem a alma pequena e vil. A experiência da História é de uma grandeza que nos aniquila.”
Henri-Irinée Marrou.
Sempre fui encantada por História. Desde criança surgia na minha cabeça mulheres usando pesados ferros de passar roupas literalmente de ferro, homens carecas construindo maravilhas como a Esfinge egípcia, cavaleiros solitários...
Por isso cursei História. Mas, desde o primeiro ano na faculdade uma perguntava não cansava de ecoar em minha cabeça: para que serve a História? Procurando em livros didáticos temos respostas clássicas: 1) A História serve para justificar visões de mundo. 2) Com a História entende-se o passado, compreende-se o presente e faz-se projeções para o futuro. 3) A História é uma das formas de reflexão social, pois nossa sociedade é auto-reflexiva. 4) A História serve para entender o desenvolvimento das sociedades e os valores da humanidade; com ela o historiador constrói e divulga conceitos e ideologias para promover uma melhora na vida das pessoas. Podemos notar que a História, para algumas pessoas, tem um valor pragmático para seu presente.
Definitivamente, para mim, a História não é uma bola de cristal de onde se vê erros e acertos e os copia ou exclui, até mesmo porque as condições materiais variam e a mentalidade humana as acompanha. Se a História fosse previsível, Marx, depois de tantos estudos sobre os sistemas escravista e feudal, não erraria quanto ao fim do capitalismo.
Se a História serve para reflexão? Serve claro, mas não em uma sociedade cada vez menos reflexiva, controlada pelos meios de comunicação, em uma sociedade que vive no consumismo desenfreado, na alienação e na massificação, que cai no apelo fácil de leituras superficiais e da propaganda. Se quisermos melhorias sociais, mais fácil do que estudar História e ficar atento aos acontecimentos do legislativo e do executivo, as subidas abruptas de salários e gastos miraculosos com viagens, por exemplo.
Estudar História para divulgar conceitos e ideologias? Muito me admira Lula dizer por aí que é o novo JK. Nosso atual presidente mostra mesmo que estudou história e viu que como ele, JK também fôra um garoto pobre e batalhador. Mas se Lula construiu 50 anos em 5? Só se ele se reeleger e tentar de novo, parece que dessa vez não adiantou muito ter estudado a história e divulgado antigas ideologias, ou melhor, usado delas. Há um grande perigo em utilizar a história para justificar ideologias, o de inventar o passado conforme nossas convicções e ainda por cima, ser tendencioso e distorcê-lo a seu bel-prazer.
Mas, então para que serve a história?
A História serve para compreender que existem mudanças, continuações, rupturas, evoluções, degradações. Serve para compreender que os valores da humanidade se modificam e serve, principalmente, para permitir ao homem que exerça a função que só ele pode exercer: a da contemplação. Já dizia Leonardo da Vinci, no século XVI, que a arte serve para que admiremos o belo. A História também serve para vermos a ação humana e sua magnitude, sua beleza e degradação. A História, ainda, é uma sabedoria e a sabedoria é algo tão abstrato que não combina com esse mundo de correria e praticidade.
VII-MÁRCIA MAIA
Pernambucana do Recife, Márcia Maia é médica. Teve seus poemas primeiramente publicados na Revista Poesia Sempre nº15, da Fundação Biblioteca Nacional, em novembro de 2001. Em 2002, seu livro Espelhos foi premiado no 3º Concurso Blocos de Poesia. Participou da Antologia Poetrix (2002), da Antologia Escritas (2004), do Livro da Tribo (2004 e 2005) , da antologia Poesia do Nascer (2005), editada em Lisboa, Portugal, e ainda da antologia Pernambuco, Terra da Poesia(2005). Publicou quatro livros: Espelhos(2003), um tolo desejo de azul (2003), Olhares/Miradas( 2004) e em queda livre (2005). Escreve ainda em revistas e sites da internet.
marciamaia@uol.com.br
http://www.tabuademares.blogger.com.br
http://www.mudancadeventos.blogger.com.br
eu te amo?
o que digo quando digo que te amo
de que amor falo ao falar de amor assim
se no fundo nem sei mesmo se te amo
e em te amando temo não amar-te assim
o que existe atrás de um simples eu te amo
que transforma num segundo tudo assim
de que lume é feito um fátuo eu te amo
que ora é fogo ora é geleira dito assim
faz-se efêmero o dizer-te eu te amo
desprovido de sentido quando assim
proclamando o tempo inteiro que te amo
banalizo o verbo amar se o digo assim
e entretida a repetir quanto eu te amo
já não sei se esse eu te amo ama-te assim
**********
quase-pirata
escoriação na conjuntiva tampão no olho
e o mundo visto em duas dimensões
(e pela metade)
o incômodo não move montanhas
nem as aniquila
(se bem que chateia)
antes prolonga interminavelmente a tarde
********
um tolo desejo de azul
um dia assim
azul em demasia
a contrastar com todos os tons
de cinza
que ontem
- apenas ontem -
impregnaram-me as retinas
(parece tão tolo tão pouco
ma a mim
ah a mim me bastaria)
********
do instante em que se esgarça a madrugada
e quando numa madrugada
de chuva e raul seixas
como esta
daqui eu me mandar
sumir
mudar de pele
despirei
de uma vez por todas
esta camisa-de-força
tecida em desaponto e solidão?
VIII-SELMO VASCONCELLOS
AMOR PREMATURO
O filho é nosso ?
Sim, toma.
O filho taí.
Sintoma.
Soma.
Ejaculação precoce
de uma desunião
que faz diferença.
Posse.
Sem remorso
Sem alarde
Sem alarme.
Ação sim
Aversão não.
Nada programado.
Sem discriminação
ou drama.
Apego veio para ficar
( fora criança imaginária )
sintoma no ventre
minúsculo corpo vivo
dá o ar de sua graça
sem culpa ou punição.
Pensa no custo
que virá gradativamente.
Defesa para tal a(feto)
O estímulo em demasia gorou.
O controle soma ?
Foi um engodo ?
Não.
A cura virá a curto prazo...
Deficiência virá
Privações voluntárias virão.
É a conseqüência ?
( sem depressão, neurose, estigma, frustração... ).
O Estado não tem culpa e nada fará.
Foi um engodo ?
Não.
Quisera outrora nem pensar
numa terapia para adoção.
Estou em extinção ???
E o passarinho está com sede
e a fuga é inevitável.
É a liberdade tão esperada,
não vigiada.
Basta de hibernação.
A impressão é a que fica,
a mascara cai,
sem mediador..
O filho é nosso !!!
IX-BATE-PAPO RELÂMPAGO SEM PESTANEJAR
SELMO VASCONCELLOS & MARISA ZANIRATO
Selmo:
Bom dia amiga, como estamos bem próximos de uma praia vamos levar nossa farofa de galinha e bronzeador de beterraba e curtir esse maravilhoso sol de domingo. Não esqueça a bóia de pneu de caminhão?
Marisa:
Bom dia amigo! A mudança de horário fez a farofa atrasar. Estou levando a bóia de pneu para remendar na borracharia. Vou aproveitar para mandar encher a bola de capotão pra gente poder bater uma bolinha na praia. Já já fico pronta.
Selmo:
Estou com vontade convidar meus vizinhos com seus inúmeros filhos menores , todos chupando caramelos e descendo pelas suas barrigas e as suas mãozinhas meladas passando pelo nosso corpo , que cena linda !!! Vou também levar o rádio de pilhas tamanho caixote e ouvir nossas belas músicas bregas. Vai ser bom demais !!! Leva a fifi também, tá ?
Marisa:
Que legal! As crianças vão adorar. Estou arrumando suco e batidinha em garrafas pet na caixa de isopor pra gente levar. E alguns sanduíches de mortadela também.
Selmo:
Não é mortadela e sim mortandela. Corrigindo, desculpe, rs.
Selmo:
Caipirinha só tomo quente e debaixo de um sol de 40º, comendo farofa com galinha bem gordurosa ou torresminho acompanhado com arroz grudento na panela de cabo e com o rádio bem alto. Quero ver todo mundo dentro d'água, aproveitando o máximo da água salgada, ficar bem salgado e pegar o ônibus pinga-pinga lotado de volta pra casa. Leva a Fifi, tá ? Eu levo o o cachorro Roque ( todos farofeiros de pariféria tem o seu Roque, por quê ? )
Marisa:
Demorei para responder porque não acho a Fifi. A vizinha disse que a carrocinha passou por aqui bem na horinha que ela tava mexendo nos sacos de lixo. Ela só não sabe dizer se pegaram ou não a minha cachorrinha, mas se pegaram vou fazer o maior barraco amanhã lá na prefeitura.
Selmo:
Dona Umberlinda, uma senhora viúva nos seus 83 anos, vizinha do,lado direito da minha casa, aquela que toma conta da vida alheia, também quer ir na praia no ônibus, até já lavou e pendurou o seu maiô no varal,estava com muita naftalina. Ela vai levar empadinhas de camarão. Já falei pra ela que o banheiro na praia é o própria mar.
Marisa:
Que bom que dona Umberlinda vai. Aí ela pode cuidar da Shirleslânia, a filha mais nova da minha vizinha. A menina fez uma birra tão grande que não teve remédio senão deixar que vá com a gente. Ela está com um pouco de diarréia, mas sem problemas, né?
Selmo:
Quanto a idosa Umberlinda, ela quer um banco de fusca e ficar sentadinha no calçadão e quanto a menina Shirleslânia, cuidaremos com banana comprida, se por acaso acontecer o imprevisto vai ser só na volta com o ônibus pinga-pinga lotado.
Marisa:
Olha, não deixa a menina nem ver a farofa gordurenta. É um perigo. E onde é que vamos achar um banco de fusca para a vizinha idosa? Ela com certeza vai querer o guarda sol só pra ela també, né? Conheço esse tipo.
Selmo:
O seu Max, sapateiro, morador de esquina e próximo a bodega do Isael, falou que o melhor horário para banhar na praia e ficar tranquilamente na areia é das 11 às 15 horas e que não faz mal nenhum se proteger com pasta de dente pelo corpo. Quanto a Humbelinda ela falou em top less. Vai ter porrada, me segura.
Marisa:
A minha amiga me deu uma dica melhor: passar óleo de cozinha com borra de café. É baratinho e dá uma cor legal.
Olha, se a sua amiga fizer top less eu saio da barraca, faço de conta que nem conheço ninguém, viu?
Selmo e Marisa : Baixou um temporal antes do previsto e a galera teve que deixar o passeio para um outro final de semana. Quanto aos quitutes e bebidas deliciaram na praça da cidade. São Pedro achou por bem prorrogar o passeio, sentia que não ia dar certo essa comitiva e bebitiva na praia.
X-MAXIMINIANO J. M. da SILVA
TUA EXPLICAÇÃO
Quem há de explicar, o que contigo acontece? Tu te espelhas em teu
mundo fechado, e me deixas trancado ao relento...
Quem há de entender? nem pensa em se olhar no reflexo vivo. Mas,
além de tudo, o que foi que fiz?
Sombras na noite, onde clareia a Lua. Pistas tuas!
Abra teu coração e me explique, o que ocorrera conosco naquele dia
nublado, em que eu estava a teu lado, e somente as tuas vestes se
opuseram ao repouso de minha sombra.
Ande; me entenda. Nem que seja na última lágrima que, não a sinto
tocar o chão, que também molhado, pelo fim da esperança.
Me explique, mas, me entenda quando eu tentar lhe transmitir o que
eu não procuro tentar entender.
+++
QUEM
Quem?
Será que alguém pode acabar, com tamanha solidão?
Preencher o intenso vazio, deste pobre coração?
Quero você.
Somente sua pessoa o fará.
Permita-me te encontrar...
Meu desejo me machuca violentamente;
E a ansiedade, Que me rodeia quando penso em nós?
Vou perdendo meu fôlego, de forma lenta. Mas há uma certeza, que meu
peito alimenta. A de que não vou desistir de tentar te conquistar.
Pareço conseguir.
Ainda pretendo sonhar, pois meu coração sabe que somente assim vou
realizar. Será que a fantasia é te amar, ou realidade?
Acho que estou entrando nos mistérios dessa coisa. Se tiver que me
acertar, que seja de cheio, que rasgue meu peito. Que seja um sentimento
perfeito.
Amor...
Amar;
Nos amando, amamos sonhar.
Quem?
... Você.
+++
SEM SAÍDA
Te vejo passar perto de mim,
Penso:
O que eu fiz pra você agir assim?
Me olha de lado
Finge que sou ninguém...
Você mudou tanto...
Todo meu sonho foi jogado no chão.
Fiquei sem juízo em plena multidão,
Será que não tem
Amor em seu coração
Perdi meu encanto.
Me dói a lembrança que eu tenho de ti,
Sempre que eu lembro não consigo sorri
Uma folha voando
Em vento de tempestade...
Sem direção.
Estou lançado distante,
Longe de você...
Por mais que eu tente
Eu não consigo esquecer.
Estou sem saída
Preso na solidão.
O que fazer da paixão?
++
Céus...
Teu lugar, meu projeto;
Onde quero estar contigo, amar-nos.
Como teus sentimentos, nele também, tais mistérios.
Véus...
Parte de teus semblantes;
fel no olhar triste em fogo,
Como erros e tinos, a ti, semelhantes.
Vidas...
Em mim presentes e atentas;
Rumo incerto, trilha nevoada,
Vista insignificante, ao olho cego do"pedra" pulsante;
Amo-te habitat, perdida e já encontrada, mais que nunca,
valorizada.

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