LARI FRANCESCHETTO - ENTREVISTA
BIOGRAFIA

Nasceu no início dos anos 60, no interior de Veranópolis, um dos municípios da Serra Gaúcha. Deste adolescente tem na Literatura e no Sport Clube Internacional suas duas grandes paixões. Teve seus primeiros escritos publicados na seção “Do Bric à Brac da Vida”, no jornal Correio do Povo, Porto Alegre, RS, no início dos anos 80, onde trabalhava Mário Quintana. Adepto de intenso intercambio cultural Brasil à fora, tem seus escritos publicados em dezenas de jornais alternativos e da impressa convencional, no país e no exterior.
Poeta e Escritor premiado nacionalmente em inúmeros concursos. É protagonista do filme documentário Espelho das Águas – Andanças de um Poeta e autor do livro solo Espelho das Águas.
ENTREVISTA

SELMO VASCONCELLOS - QUAIS AS SUAS OUTRAS ATIVIDADES, ALÉM DE ESCREVER?
LARI FRANCESCHETTO - Atuo em publicidade no jornal semanário O ESTAFETA e na rádio 96.1 FM, onde faço locução comercial, também. Faço divulgação de um projeto áudio visual junto a entidades, empresas e afins. Trata-se do filme documentário, longa metragem ESPELHO DAS AGUAS – ANDANÇAS DE UM POETA (Mak Vídeo, 87 min., 2009), que retrata minha vida e obra, desde a infância de menino pobre que vendia hortaliças numa vila, à beira de uma ferrovia, no fim dos anos 60, até minhas andanças humanas e artísticas atuais.
SELMO VASCONCELLOS - COMO SURGIU SEU INTERESSE LITERÁRIO?
LARI FRANCESCHETTO - Desde a adolescência, quando lia desesperadamente e comecei a escrever meus primeiros poemas, que datam do fim dos anos 70, inicio dos anos 80 do século passado. Apaixonei-me, então, por Literatura.
SELMO VASCONCELLOS - QUANTOS E QUAIS OS SEUS LIVROS PUBLICADOS?
LARI FRANCESCHETTO - Integro, aproximadamente, 80 coletâneas nacionais e internacionais, em prosa e verso, pois embora meu gênero preferencial seja Poesia, ouso pelo campo da Crônica e do Conto, também. Tenho um livro solo, ou seja, o de estréia, lançado em 2009 (ESPELHO DAS AGUAS, EST Edições, Porto Alegre, Poesia), que reúne meus escritos poéticos de mais ou menos 30 anos de oficio.
SELMO VASCONCELLOS - QUAL (IS) O (S) IMPACTO (S) QUE PROPICIA (M) ATMOSFERA (S) CAPAZ (ES) DE PRODUZIR POESIA?
LARI FRANCESCHETTO - A Poesia tem o poder de indicar caminhos, descortinar horizontes, constatar e denunciar os fatos, tornar o homem menos finito e o mundo melhor. Minha química no processo criativo destila as coisas que moram além da superfície de tudo, além dos olhos e mergulham na essência da alma humana.
Poesia é colocar o dedo na ferida, mesmo que doa... A vida sem Poesia, creio, nos tornaria vazios e sem sentido.
LARI FRANCESCHETTO - QUAIS OS ESCRITORES QUE VOCÊ ADMIRA?
LARI FRANCESCHETTO - Sou apaixonado pelo mundo ficcional da incomum, instigante, filosófica e intimista Clarice Lispector; pelo humor refinado e fina ironia do gaúcho Mario Quintana; pela poesia social de Pablo Neruda; pela universalidade de Drummond, de João Cabral de Mello Neto, Garcia Lorca, Manoel Bandeira e pelo mundo poético dos portugueses Fernando Pessoa e Florbela Espanca, dentre outros.
SELMO VASCONCELLOS - QUAL MENSAGEM DE INCENTIVO VOCÊ DARIA PARA OS NOVOS POETAS?
LARI FRANCESCHETTO - Acreditem na vida, nos seus sonhos e não esmoreçam diante das “pedras no caminho”. Leiam, leiam, leiam. Escrevam, escrevam, escrevam e estudem.
A vida é feita de procuras e de desafios. E a Poesia é uma eterna busca de nós mesmos. Mãos à obra!
POESIAS

CÃES DORMEM AO SOL
Cães dormem ao sol
na manhã de outono,
primatas tem sono
ao sol nos dias de sempre.
Do outro lado do pátio, os cães
não sabem de outros vira-latas,
viram-mundos, viram bichos,
viram-nadas enquanto
o calendário vira páginas
que não viram notícias.
Pobres vira-latas!
Perdão: Pobres homens
raivosamente humanos...
Os cães não sabem:
Os homens latem.
IMPORTÂNCIAS
Há importância
Num homem
Sem nome, com sede,
Com fome
Numa rua com nome?
Há importância
Na anônima fome
De Maria no tanque?
Nos olhos do menino
Sem brilho do vôo?
Não!
Há apenas um vácuo
Enchendo de asco
O pouco que somos.
PAISAGEM
Na calçada, Roberto, de terno,
pasta marrom, gel no cabelo.
Na calçada, Maria, morena,
guarda no ventre uma rosa.
Na calçada, Cintia, de minissaia,
oferece sua calma
ao operário com pressa.
Na calçada, Carlos, quinze marços,
vende pedaços de sonho.
Na calçada, Antônia, setenta anos,
reclama do outono.
Uma criança na calçada,
pés descalços, olha a lua.
É madrugada. É inverno.
O mundo continua
m i s e r a v e l m e n t e
belo.
QUINTANARES
O pão para a fome
(a outra fome)
nasceu de lua in(esperada),
da solidão nas esquinas,
de um felino na varanda.
Nasceu de lâmina cálida
como, sempre, foi acesa
no hotel Majestic, a madrugada.
Dessa matéria in(visível)
de silêncio que não cala
de sapato velho de criança,
de frágeis flores
entre sal e pedras,
de um copo d’água, às pressas,
na Selva, às seis da tarde
são teus filhos, sempre, aurora
no espelho das águas do Guaíba
e o pôr-do-sol, do mesmo rio,
o fogo das pa(lavras).
E se Alegrete é um trem
que ficou na curva da estrada
agora, somos nós, Quintana
que tomamos chá com teus fantasmas.
Há um louva-a-deus
no parapeito da janela,
indisfarsavelmente verde.
É preciso ver
com os olhos da alma
e ter fome sempre!
TRANSCENDÊNCIA
O mesmo beija-flor de ontem
visita a mesma árvore de ontem,
sua fome de pássaro
não é a mesma
hoje
mas continua fome.
As metáforas de hoje
são as mesmas de ontem
mas o poema nascido
agora
jamais é o mesmo
de qualquer hora:
É amanhã
para sempre.
Nasceu no início dos anos 60, no interior de Veranópolis, um dos municípios da Serra Gaúcha. Deste adolescente tem na Literatura e no Sport Clube Internacional suas duas grandes paixões. Teve seus primeiros escritos publicados na seção “Do Bric à Brac da Vida”, no jornal Correio do Povo, Porto Alegre, RS, no início dos anos 80, onde trabalhava Mário Quintana. Adepto de intenso intercambio cultural Brasil à fora, tem seus escritos publicados em dezenas de jornais alternativos e da impressa convencional, no país e no exterior.
Poeta e Escritor premiado nacionalmente em inúmeros concursos. É protagonista do filme documentário Espelho das Águas – Andanças de um Poeta e autor do livro solo Espelho das Águas.
ENTREVISTA

SELMO VASCONCELLOS - QUAIS AS SUAS OUTRAS ATIVIDADES, ALÉM DE ESCREVER?
LARI FRANCESCHETTO - Atuo em publicidade no jornal semanário O ESTAFETA e na rádio 96.1 FM, onde faço locução comercial, também. Faço divulgação de um projeto áudio visual junto a entidades, empresas e afins. Trata-se do filme documentário, longa metragem ESPELHO DAS AGUAS – ANDANÇAS DE UM POETA (Mak Vídeo, 87 min., 2009), que retrata minha vida e obra, desde a infância de menino pobre que vendia hortaliças numa vila, à beira de uma ferrovia, no fim dos anos 60, até minhas andanças humanas e artísticas atuais.
SELMO VASCONCELLOS - COMO SURGIU SEU INTERESSE LITERÁRIO?
LARI FRANCESCHETTO - Desde a adolescência, quando lia desesperadamente e comecei a escrever meus primeiros poemas, que datam do fim dos anos 70, inicio dos anos 80 do século passado. Apaixonei-me, então, por Literatura.
SELMO VASCONCELLOS - QUANTOS E QUAIS OS SEUS LIVROS PUBLICADOS?
LARI FRANCESCHETTO - Integro, aproximadamente, 80 coletâneas nacionais e internacionais, em prosa e verso, pois embora meu gênero preferencial seja Poesia, ouso pelo campo da Crônica e do Conto, também. Tenho um livro solo, ou seja, o de estréia, lançado em 2009 (ESPELHO DAS AGUAS, EST Edições, Porto Alegre, Poesia), que reúne meus escritos poéticos de mais ou menos 30 anos de oficio.
SELMO VASCONCELLOS - QUAL (IS) O (S) IMPACTO (S) QUE PROPICIA (M) ATMOSFERA (S) CAPAZ (ES) DE PRODUZIR POESIA?
LARI FRANCESCHETTO - A Poesia tem o poder de indicar caminhos, descortinar horizontes, constatar e denunciar os fatos, tornar o homem menos finito e o mundo melhor. Minha química no processo criativo destila as coisas que moram além da superfície de tudo, além dos olhos e mergulham na essência da alma humana.
Poesia é colocar o dedo na ferida, mesmo que doa... A vida sem Poesia, creio, nos tornaria vazios e sem sentido.
LARI FRANCESCHETTO - QUAIS OS ESCRITORES QUE VOCÊ ADMIRA?
LARI FRANCESCHETTO - Sou apaixonado pelo mundo ficcional da incomum, instigante, filosófica e intimista Clarice Lispector; pelo humor refinado e fina ironia do gaúcho Mario Quintana; pela poesia social de Pablo Neruda; pela universalidade de Drummond, de João Cabral de Mello Neto, Garcia Lorca, Manoel Bandeira e pelo mundo poético dos portugueses Fernando Pessoa e Florbela Espanca, dentre outros.
SELMO VASCONCELLOS - QUAL MENSAGEM DE INCENTIVO VOCÊ DARIA PARA OS NOVOS POETAS?
LARI FRANCESCHETTO - Acreditem na vida, nos seus sonhos e não esmoreçam diante das “pedras no caminho”. Leiam, leiam, leiam. Escrevam, escrevam, escrevam e estudem.
A vida é feita de procuras e de desafios. E a Poesia é uma eterna busca de nós mesmos. Mãos à obra!
POESIAS
CÃES DORMEM AO SOL
Cães dormem ao sol
na manhã de outono,
primatas tem sono
ao sol nos dias de sempre.
Do outro lado do pátio, os cães
não sabem de outros vira-latas,
viram-mundos, viram bichos,
viram-nadas enquanto
o calendário vira páginas
que não viram notícias.
Pobres vira-latas!
Perdão: Pobres homens
raivosamente humanos...
Os cães não sabem:
Os homens latem.
IMPORTÂNCIAS
Há importância
Num homem
Sem nome, com sede,
Com fome
Numa rua com nome?
Há importância
Na anônima fome
De Maria no tanque?
Nos olhos do menino
Sem brilho do vôo?
Não!
Há apenas um vácuo
Enchendo de asco
O pouco que somos.
PAISAGEM
Na calçada, Roberto, de terno,
pasta marrom, gel no cabelo.
Na calçada, Maria, morena,
guarda no ventre uma rosa.
Na calçada, Cintia, de minissaia,
oferece sua calma
ao operário com pressa.
Na calçada, Carlos, quinze marços,
vende pedaços de sonho.
Na calçada, Antônia, setenta anos,
reclama do outono.
Uma criança na calçada,
pés descalços, olha a lua.
É madrugada. É inverno.
O mundo continua
m i s e r a v e l m e n t e
belo.
QUINTANARES
O pão para a fome
(a outra fome)
nasceu de lua in(esperada),
da solidão nas esquinas,
de um felino na varanda.
Nasceu de lâmina cálida
como, sempre, foi acesa
no hotel Majestic, a madrugada.
Dessa matéria in(visível)
de silêncio que não cala
de sapato velho de criança,
de frágeis flores
entre sal e pedras,
de um copo d’água, às pressas,
na Selva, às seis da tarde
são teus filhos, sempre, aurora
no espelho das águas do Guaíba
e o pôr-do-sol, do mesmo rio,
o fogo das pa(lavras).
E se Alegrete é um trem
que ficou na curva da estrada
agora, somos nós, Quintana
que tomamos chá com teus fantasmas.
Há um louva-a-deus
no parapeito da janela,
indisfarsavelmente verde.
É preciso ver
com os olhos da alma
e ter fome sempre!
TRANSCENDÊNCIA
O mesmo beija-flor de ontem
visita a mesma árvore de ontem,
sua fome de pássaro
não é a mesma
hoje
mas continua fome.
As metáforas de hoje
são as mesmas de ontem
mas o poema nascido
agora
jamais é o mesmo
de qualquer hora:
É amanhã
para sempre.

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