JAQUELINE SERÁVIA - ENTREVISTA
BIOGRAFIA
JAQUELINE SERÁVIA - Jaqueline nasceu Saraiva, e adotou Serávia em 2006. Mulher por destino e prazer, mãe por opção, escritora por filosofia, poeta por essência. Carioca, aquariana de 1966, nasceu às 16:30h, aos 16 dias de Fevereiro. Participou de algumas Oficinas de haicais com Jiddu Saldanha, a quem carinhosamente chama: mestre!. Tem participado como poeta convidada em eventos literários ligados à poesia, nas cidades de Barra de São João/RJ e Rio das Ostras/RJ, cidade que escolheu para viver e embalar suas crias. Trabalhou por alguns anos na área de saúde, para a prefeitura de Rio das Ostras – RJ. E é voluntária - socorrista da Cruz Vermelha Brasileira há mais de 25 anos. Autodidata, aceitou recentemente três novos desafios e vem trabalhando com consultoria para sites, web writer e jornalismo.
ENTREVISTA

SELMO VASCONCELLOS – Quais as suas outras atividades, além de escrever ?
JAQUELINE SERÁVIA - Primeiramente eu gostaria de te dizer, Selmo, o quanto estou feliz e encabulada com seu convite. Sou o que classificaram como: extrovertímida. Sou mais de escrever e participar nos bastidores, me sinto mais a vontade assim. Falar em público, sendo eu mesma, não é o meu forte. Mas, não teria como negar um pedido seu.
Ser mulher, mãe de duas adoráveis arteiras artistas, dona de casa, chefe de família, pesquisadora, fotógrafa amadora, curiosa nos assuntos que me fascinam... Juntei tudo isso e me formei em “Achologia“. Não fui eu que me diplomei. Tenho sido requisitada para dar “achisses“ na parte de designer de alguns sites, em trabalhos de criação de layouts de artes gráficas e criação e composição de personagens de humor. Me divirto muito, aprendo pra caramba e ainda recebo pra isso.
SELMO VASCONCELLOS - Como surgiu seu interesse literário ?
JAQUELINE SERÁVIA - Acho que desde quando ainda estava na barriga da minha mãe, desconfio que tinha algo pra ler lá, embora não me lembre. Se não foi isso, foi o coração dela pulsando que me soou como música e eu fui querendo ficar. Sai de lá obrigada! Minha mãe ficou internada 40 dias, até que finalmente (pra ela) alguém conseguiu me tirar de lá.
Lembro que minhas irmãs, sempre que podiam, liam ou contavam histórias pra mim. Fui alfabetizada por uma irmã minha, que dava aulas lá em casa, para algumas meninas com muito mais idade do que eu. Mas, eu sempre curiosa, adorava ficar lá prestando atenção. Ela aproveitou isso e quando percebemos, já estava eu alfabetizada. Daí não parei mais, lendo os livros que conseguia emprestado ou ganhava de presente de aniversário ou natal, bulas de remédios, rótulos de shampoos, revistas em quadrinhos dos filhos dos vizinhos... Escrevendo em qualquer pedaço de papel. Meus pais não tinham condições financeiras de nos comprar livros que não fossem os escolares.
Sempre adorei as aulas onde os professores mandavam a gente escrever redações, ou resumo de livros. E sei lá por quais motivos, eles elogiavam bastante e eu, ainda que desconfiada, fui acreditando. Nunca guardei nada. Hoje, se tivesse como, adoraria poder reler alguns dos textos que escrevi nessa época. Só por curiosidade. Escrever, pra mim, sempre foi algo muito natural. Então quando recebia um elogio eu achava estranho. Era como se dissessem “Você bebe água muito bem!“ ou “Gosto muito da maneira como você fecha os olhos pra dormir“ Como assim??? Eu não os entendia e eles também costumavam não entender que eu não entendia.
Só comecei a levar a sério e estudar a arte da escrita, quando me mudei pra Rio das Ostras, motivada por três amigos queridíssimos: Lindomar, Ariel e Magu. Mas, ainda assim eram amigos... continuei desconfiada.
Depois tive dois avais, em off, de “pesos pesados“ da nossa literatura contemporânea: Leila Miccolis e Susana Vargas.
Tomei coragem e participei de um concurso de poesia no Portal Literal concorrendo a uma das 10 vagas oferecidas para uma oficina poética on line com o Carlito Azevedo, fiquei em 6° lugar.
Aí as oportunidades foram aparecendo através do portal Blocos, onde tenho a honra de ter alguns de meus trabalhos publicados, no site A Garganta da Serpente e no Orkut. O Milbs me convidou pra assinar uma coluna no jornal O Rebate, Fui convidada, por quatro anos consecutivos, pelo Ademir Antônio Bacca a ir representar a cidade de Rio das Ostras no Congresso Brasileiro de Poesia. Mas, só consegui ir a um, por falta de patrocínio para as passagens aéreas. Chegaram algumas propostas para escrever como Ghost Writer, fiz algumas matérias e entrevistas que vão sair num novo jornal com sede em Barra de São João - RJ e tenho que conseguir dar conta de escrever a biografia de uma fantástica mulher suíça que rodou o mundo todo trabalhando ou simplesmente visitando, quase comprou um camelo, e escolheu um cantinho da Costa do Sol pra abrigar seus mais de 7 mil livros lidos e relidos, todos.
SELMO VASCONCELLOS - Quantos e quais os seus livros publicados ?
JAQUELINE SERÁVIA - Bem, solo não tenho nenhum, ainda não amadureci essa idéia em mim. Talvez mais pra frente... ou deixe para que minhas filhas decidam isso, depois que eu estiver do outro lado. Tenho 4 livros infantis prontos, 2 de poesias, 1 com contos e crônicas, 1 romance sendo escrito e 1 biografia encomendada.
Tenho poesias publicadas em duas antologias do Congresso Brasileiro de Poesia, Volumes 4 e 6, outras numa Antologia publicada no Chile e na Antologia Digital Saciedade dos Poetas Vivos. Vol. 09 no Portal Blocos. Sou membro de Poetas Del Mundo e mantenho um cantinho no Recanto das Letras.
SELMO VASCONCELLOS - Qual (is) o(s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s) capaz(es) de produzir suas poesias ?
JAQUELINE SERÁVIA :
Tudo! Ou nem.
O som da chuva ou do silêncio,
Uma imagem, uma luz, uma foto, um inseto
Um sorriso, uma conversa. (Des)encontro
Numa linha, uma frase. Reticências
Uma raiva, mágoa ou protesto.
Da exclamação o ponto, de afluência
Um Momento...
SELMO VASCONCELLOS - Quais os escritores que você admira ?
JAQUELINE SERÁVIA - Pronto... Voltei! (brincadeirinha)
Amo, amo, amo Fernando Pessoa e , ganhei até uma Tabacaria de presente, na comunidade Sonhos de Poeta da minha amiga, que também já foi por ti entrevistada, Goreti. Mas nem foi pelo meu amor ao Pessoa e sim, por eu estar sempre reclamando de não poder fumar lá nos tópicos.
Amo Machado de Assis descrevendo os olhares de Capitu, tanto e tanto, que nunca me preocupei em saber se ela traiu o casmurro do Bentinho ou não. Adoro uns textos que do Saramago, Chico Buarque, Arnaldo Antunes, Cora Coralina, Leon Uris, Fausta Pires, Celso Gutfreind, e... e...
Ah, dos amigos não vou citar nenhum... do jeito que minha memória é, sei que vou esquecer de citar algum(ns) e não quero por nada nesse mundo, nem nos outros, magoar sequer um.
SELMO VASCONCELLOS - Qual mensagem de incentivo você daria para os novos poetas ?
JAQUELINE SERÁVIA - Estudem! Conheçam as regras, mesmo que seja para evitá-las. Leiam bastante, escrevam, escrevam, escrevam. Quebrem a cabeça, aceitem as críticas construtivas e principalmente, divirtam-se!
POESIAS

O Tempo do meu silêncio
O tempo do meu silêncio está faminto
de madrugadas, sons e nostalgias
Há nele um fundo azul
opaco e oblíquo
Faminto me observa
reações, falas, gestos
os olhares, todos
o sorrir complexo
Seu dorso é convergente
encontra-se com o espelho
refletido aqui
a um palmo
Meu silêncio é dissonante
disperso e eloqüente
e seu tempo
faminto e irreverente.
Com o fio a fiar
Salva da morte por um fio
Ela agora vive a fiá
Fia de Don’Ana a fiadeira
fia os fios, tece com bilros suas teias
conforta como pode a fome impiedosa
c’os fios dependurados nos bicos de seus seios.
Em frente a minha casa
Ao abrir a porta
Invade-me os olhos a brisa marinha
A aura da cidade, os matizes
Entre caixas-d'água, telhados e cimento.
Conspiração mobiliária
Essa mesa não para quieta.
Enche-se de poeira,
permite que a aranha teça no canto uma teia.
Bagunça minhas coisas,
desfaz minha ordem,
embaralha meus papéis.
Eu,
brigo... grito... xingo... esperneio...
Enquanto que ela...
Solta de soslaio debochada gargalhada.
A descarada ainda acha que está certa.
So podia mesmo ser mesa de poeta
Para ser assim... tão abusada.
haicai
Tarde morena
Bebendo chá
Pensando em saquê.
JAQUELINE SERÁVIA - Jaqueline nasceu Saraiva, e adotou Serávia em 2006. Mulher por destino e prazer, mãe por opção, escritora por filosofia, poeta por essência. Carioca, aquariana de 1966, nasceu às 16:30h, aos 16 dias de Fevereiro. Participou de algumas Oficinas de haicais com Jiddu Saldanha, a quem carinhosamente chama: mestre!. Tem participado como poeta convidada em eventos literários ligados à poesia, nas cidades de Barra de São João/RJ e Rio das Ostras/RJ, cidade que escolheu para viver e embalar suas crias. Trabalhou por alguns anos na área de saúde, para a prefeitura de Rio das Ostras – RJ. E é voluntária - socorrista da Cruz Vermelha Brasileira há mais de 25 anos. Autodidata, aceitou recentemente três novos desafios e vem trabalhando com consultoria para sites, web writer e jornalismo.
ENTREVISTA

SELMO VASCONCELLOS – Quais as suas outras atividades, além de escrever ?
JAQUELINE SERÁVIA - Primeiramente eu gostaria de te dizer, Selmo, o quanto estou feliz e encabulada com seu convite. Sou o que classificaram como: extrovertímida. Sou mais de escrever e participar nos bastidores, me sinto mais a vontade assim. Falar em público, sendo eu mesma, não é o meu forte. Mas, não teria como negar um pedido seu.
Ser mulher, mãe de duas adoráveis arteiras artistas, dona de casa, chefe de família, pesquisadora, fotógrafa amadora, curiosa nos assuntos que me fascinam... Juntei tudo isso e me formei em “Achologia“. Não fui eu que me diplomei. Tenho sido requisitada para dar “achisses“ na parte de designer de alguns sites, em trabalhos de criação de layouts de artes gráficas e criação e composição de personagens de humor. Me divirto muito, aprendo pra caramba e ainda recebo pra isso.
SELMO VASCONCELLOS - Como surgiu seu interesse literário ?
JAQUELINE SERÁVIA - Acho que desde quando ainda estava na barriga da minha mãe, desconfio que tinha algo pra ler lá, embora não me lembre. Se não foi isso, foi o coração dela pulsando que me soou como música e eu fui querendo ficar. Sai de lá obrigada! Minha mãe ficou internada 40 dias, até que finalmente (pra ela) alguém conseguiu me tirar de lá.
Lembro que minhas irmãs, sempre que podiam, liam ou contavam histórias pra mim. Fui alfabetizada por uma irmã minha, que dava aulas lá em casa, para algumas meninas com muito mais idade do que eu. Mas, eu sempre curiosa, adorava ficar lá prestando atenção. Ela aproveitou isso e quando percebemos, já estava eu alfabetizada. Daí não parei mais, lendo os livros que conseguia emprestado ou ganhava de presente de aniversário ou natal, bulas de remédios, rótulos de shampoos, revistas em quadrinhos dos filhos dos vizinhos... Escrevendo em qualquer pedaço de papel. Meus pais não tinham condições financeiras de nos comprar livros que não fossem os escolares.
Sempre adorei as aulas onde os professores mandavam a gente escrever redações, ou resumo de livros. E sei lá por quais motivos, eles elogiavam bastante e eu, ainda que desconfiada, fui acreditando. Nunca guardei nada. Hoje, se tivesse como, adoraria poder reler alguns dos textos que escrevi nessa época. Só por curiosidade. Escrever, pra mim, sempre foi algo muito natural. Então quando recebia um elogio eu achava estranho. Era como se dissessem “Você bebe água muito bem!“ ou “Gosto muito da maneira como você fecha os olhos pra dormir“ Como assim??? Eu não os entendia e eles também costumavam não entender que eu não entendia.
Só comecei a levar a sério e estudar a arte da escrita, quando me mudei pra Rio das Ostras, motivada por três amigos queridíssimos: Lindomar, Ariel e Magu. Mas, ainda assim eram amigos... continuei desconfiada.
Depois tive dois avais, em off, de “pesos pesados“ da nossa literatura contemporânea: Leila Miccolis e Susana Vargas.
Tomei coragem e participei de um concurso de poesia no Portal Literal concorrendo a uma das 10 vagas oferecidas para uma oficina poética on line com o Carlito Azevedo, fiquei em 6° lugar.
Aí as oportunidades foram aparecendo através do portal Blocos, onde tenho a honra de ter alguns de meus trabalhos publicados, no site A Garganta da Serpente e no Orkut. O Milbs me convidou pra assinar uma coluna no jornal O Rebate, Fui convidada, por quatro anos consecutivos, pelo Ademir Antônio Bacca a ir representar a cidade de Rio das Ostras no Congresso Brasileiro de Poesia. Mas, só consegui ir a um, por falta de patrocínio para as passagens aéreas. Chegaram algumas propostas para escrever como Ghost Writer, fiz algumas matérias e entrevistas que vão sair num novo jornal com sede em Barra de São João - RJ e tenho que conseguir dar conta de escrever a biografia de uma fantástica mulher suíça que rodou o mundo todo trabalhando ou simplesmente visitando, quase comprou um camelo, e escolheu um cantinho da Costa do Sol pra abrigar seus mais de 7 mil livros lidos e relidos, todos.
SELMO VASCONCELLOS - Quantos e quais os seus livros publicados ?
JAQUELINE SERÁVIA - Bem, solo não tenho nenhum, ainda não amadureci essa idéia em mim. Talvez mais pra frente... ou deixe para que minhas filhas decidam isso, depois que eu estiver do outro lado. Tenho 4 livros infantis prontos, 2 de poesias, 1 com contos e crônicas, 1 romance sendo escrito e 1 biografia encomendada.
Tenho poesias publicadas em duas antologias do Congresso Brasileiro de Poesia, Volumes 4 e 6, outras numa Antologia publicada no Chile e na Antologia Digital Saciedade dos Poetas Vivos. Vol. 09 no Portal Blocos. Sou membro de Poetas Del Mundo e mantenho um cantinho no Recanto das Letras.
SELMO VASCONCELLOS - Qual (is) o(s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s) capaz(es) de produzir suas poesias ?
JAQUELINE SERÁVIA :
Tudo! Ou nem.
O som da chuva ou do silêncio,
Uma imagem, uma luz, uma foto, um inseto
Um sorriso, uma conversa. (Des)encontro
Numa linha, uma frase. Reticências
Uma raiva, mágoa ou protesto.
Da exclamação o ponto, de afluência
Um Momento...
SELMO VASCONCELLOS - Quais os escritores que você admira ?
JAQUELINE SERÁVIA - Pronto... Voltei! (brincadeirinha)
Amo, amo, amo Fernando Pessoa e , ganhei até uma Tabacaria de presente, na comunidade Sonhos de Poeta da minha amiga, que também já foi por ti entrevistada, Goreti. Mas nem foi pelo meu amor ao Pessoa e sim, por eu estar sempre reclamando de não poder fumar lá nos tópicos.
Amo Machado de Assis descrevendo os olhares de Capitu, tanto e tanto, que nunca me preocupei em saber se ela traiu o casmurro do Bentinho ou não. Adoro uns textos que do Saramago, Chico Buarque, Arnaldo Antunes, Cora Coralina, Leon Uris, Fausta Pires, Celso Gutfreind, e... e...
Ah, dos amigos não vou citar nenhum... do jeito que minha memória é, sei que vou esquecer de citar algum(ns) e não quero por nada nesse mundo, nem nos outros, magoar sequer um.
SELMO VASCONCELLOS - Qual mensagem de incentivo você daria para os novos poetas ?
JAQUELINE SERÁVIA - Estudem! Conheçam as regras, mesmo que seja para evitá-las. Leiam bastante, escrevam, escrevam, escrevam. Quebrem a cabeça, aceitem as críticas construtivas e principalmente, divirtam-se!
POESIAS

O Tempo do meu silêncio
O tempo do meu silêncio está faminto
de madrugadas, sons e nostalgias
Há nele um fundo azul
opaco e oblíquo
Faminto me observa
reações, falas, gestos
os olhares, todos
o sorrir complexo
Seu dorso é convergente
encontra-se com o espelho
refletido aqui
a um palmo
Meu silêncio é dissonante
disperso e eloqüente
e seu tempo
faminto e irreverente.
Com o fio a fiar
Salva da morte por um fio
Ela agora vive a fiá
Fia de Don’Ana a fiadeira
fia os fios, tece com bilros suas teias
conforta como pode a fome impiedosa
c’os fios dependurados nos bicos de seus seios.
Em frente a minha casa
Ao abrir a porta
Invade-me os olhos a brisa marinha
A aura da cidade, os matizes
Entre caixas-d'água, telhados e cimento.
Conspiração mobiliária
Essa mesa não para quieta.
Enche-se de poeira,
permite que a aranha teça no canto uma teia.
Bagunça minhas coisas,
desfaz minha ordem,
embaralha meus papéis.
Eu,
brigo... grito... xingo... esperneio...
Enquanto que ela...
Solta de soslaio debochada gargalhada.
A descarada ainda acha que está certa.
So podia mesmo ser mesa de poeta
Para ser assim... tão abusada.
haicai
Tarde morena
Bebendo chá
Pensando em saquê.

0 Comentários:
Postar um comentário
<< Home