ROSÁLIA MILSZTAJN - ENTREVISTA
Entrevista nº 041, atualizada.
BIOBIBLIOGRAFIA

Rosália Milsztajn é poeta carioca, médica, psicanalista e docente da Sociedade Psicanalítica do Rio de Janeiro. Especialização em Literatura Brasileira pela PUC Rio de Janeiro, 2005/2006.
Publicou cinco livros de poesias: No Azul (Imago, 1991), Itgadal –Memória dos Ausentes (Diadorim, 1997), Luminosidades (7 Letras, 2000) e Aqui dentro de mim (Aeroplano,2003). Com livro ganhou uma resenha no caderno Idéias do Jornal do Brasil em janeiro de 2004 pelo poeta e doutor em Letras André Gardel.O quinto livro é História dos seios ( 2010 ) Contos, pela editora 7 Letras, atualmente esgotado e a caminho da segunda edição. O sexto livro está pronto e ainda não publicado.
Idealizadora do evento de poesia Saber de Verso (com o debate da poesia e outras áreas do saber) na livraria Ponte de Tábuas, 1999, Rio de Janeiro.
Em 1999 venceu o Prêmio SESC de Poesia do Estado do Rio de Janeiro. Seus poemas foram publicados em antologias como Contos e Poemas do Brasil (1990), Por um poema de amor (1995), Oitenta poetas do Rio (1998), Poemas Cariocas (2000).
Em jornais e revistas como Poesia Sempre (Biblioteca Nacional), Jornal Vaia de Porto Alegre, RS, Poesia Viva, Rio Letras (RJ), Jalons (Nantes, França), Lítero-Cultural (RO), Jornais da internet: Agulha, Palavrarte, Blocos, Alma de Poeta, Usina de Palavras, Patife e outros e no blog: www.escolhasafectivas.blogspot.com .
Dados da autora:
Endereço eletrônico: rosaliam@ig.com.br
Blogs recomendados da autora : www.ahistoriadosseios.blogspot.com e www.rosaliamilsztajn.blogspot.com
ENTREVISTA

SELMO VASCONCELLOS - Quais as suas outras atividades além de escrever?
ROSÁLIA MILSZTAJN - Além de escrever tenho a minha clínica de psicanálise ( psicanalítica e psicoterápica ) que exerço desde 1980. Além de atender meus pacientes dou palestras e cursos nessas duas áreas de meu interesse: literatura e psicanálise.Tenho grupos de estudos onde trabalho temas como: a criação artística, poesia, arte e psicanálise. saraus de poesia
SELMO VASCONCELLOS - Como surgiu o seu interesse literário?
ROSÁLIA MILSZTAJN - Desde muito cedo gostava de escrever e lia na infância e adolescência contos de fadas, Monteiro Lobato e toda a leitura dita apropriada para a minha faixa etária.Ganhei concursos de escrita em escola primária e curso ginasial.Houve um período de mais ou menos 20 anos que não escrevi e até havia esquecido que escrevia. Me dedicava à medicina e à psicanálise que me tomavam todo o tempo. Até que numa madrugada de 1988 o chamado voltou e nunca mais parei.Enquanto não sentasse e escrevesse o verso musical que não saía de minha cabeça não conseguia dormir.
SELMO VASCONCELLOS - Quantos e quais seus livros publicados dentro e fora do país?
ROSÁLIA MILSZTAJN - Tenho seis livros escritos sendo que cinco deles publicados que são:
No Azul (1991);
Itgadal, memória dos ausentes ( 1996);
Luminosidades (1999);
Aqui dentro de mim ( 2004).
História dos seios ( 2010 ) pequenas histórias, pela editora 7 Letras e que está esgotado tendo muito sucesso e hoje à caminho da segunda edição.
Tenho participado de várias antologias no Brasil e alguns poemas traduzidos para o francês e espanhol.
SELMO VASCONCELLOS - Quais os impactos que propiciam atmosferas capazes de produzir literatura?
ROSÁLIA MILSZTAJN - Para uma escritora tudo é motivo de produção literária.Isto requer disciplina, treinamento. É como um ofício escrever todos os dias. Porém existem situações onde a "inspiração", desejo ou melhor ainda a necessidade se impõe, - na perda, em lutos, um novo amor, uma situação de abalo social ou uma transformação que pode ser a chegada da primavera, um amanhecer lindo, quer dizer , - o contato direto com o desconhecido que provoca no nosso ser o incremento de intensidades afetivas e emocionais.
SELMO VASCONCELLOS - Quais os escritores que você admira?
ROSÁLIA MILSZTAJN - Carlos Drummond de Andrade; Clarice Lispector; Sheakespeare; Walt Whitman; Rimbaud; Cecília Meireles.
SELMO VASCONCELLOS - Qual a mensagem de incentivo que você daria para os novos poetas?
ROSÁLIA MILSZTAJN - Não desista. Não copie ninguém.Reconheça seu estilo e sua identidade. Não tenha receio de nada do que sinta ou perceba mesmo que isto o leve a ficar sozinho.Estude e leia muita poesia.
POEMAS

para Pessoa
Diagnóstico: poeta
Sintoma: a poesia
Queixa principal: a dor de viver
Aparecimento da doença: quando não conseguiu fingir tão completamente
Antecedentes: experiência com os mortos-vivos dentro de si pela perda
precoce de entes queridos
Dinâmica: Hamlet, entre ser e não ser
Família: o mundo
Medicação: a criação
Efeitos colaterais: fingimento, solidão, irrealidade corporal
Exames laboratoriais: Raios-X dos heterônimos
Diagnóstico: Fernando Pessoa
Cura transitória: a finitude
Cura definitiva: a eternidade
Noite
Sinto a lua na pele
o ar frio penetrando as narinas
o cabelo úmido de sereno
céu de carne e osso
debruçando essa noite antiga em meu peito
Fui noite
antes de me ter claridade
fui gelada e penumbra
no umbigo do mundo
Fui estado de ser
ora vapor ora perfume
antes de alcançar num vôo
meus cabelos – o tempo
vagaroso cristal
meu corpo atual e sólido
hoje sou
esta noite antiga
Muito trabalho
Quero escrever tudo o que não escrevi, e preciso
Devolver ao mundo o que absorvi. E não dei nomes
Quero esculpir meu espírito cego envolto em véus
Reconstruí-lo sem desculpas, cristalino
Tal uma luz iluminando o negror do não escrito
Quero inserir letras nesse mísero caos
Quero decifrar os mistérios disformes
E tê-los como numa tela à minha frente
E flertar com todo o amor e seus apelos
E acariciar todas as peles e seus desejos
Quero acalentar os sonhos mais doces das noites
E inscrever-me no esplendor dos dias
Refletir o meu sentido e a minha essência
Para que nunca mais eu esqueça
Que eu vim a este mundo
Para ser feliz
Sei que não estou
Sei que não estou
e preciso voltar
ao planeta
ao meu corpo
à minha solidão
Não sei como
no fluxo fluí fulminante
contra meus alicerces
barco ébrio
me revolveram as ondas
o sal secou as marcas
e devolvido
talvez purificado
sobre minha pele
nascem rios esquecidos
artérias
arte
A prova
Não fales tanto
com o tempo
o eco reverbera
e fica insuportável
Cale-se enquanto
é tempo e por dentro
teça um instrumento
para a composição da melodia
A melodia quando pronta
alcança os justos e inocentes
e saberás quem anda ao teu lado
BIOBIBLIOGRAFIA

Rosália Milsztajn é poeta carioca, médica, psicanalista e docente da Sociedade Psicanalítica do Rio de Janeiro. Especialização em Literatura Brasileira pela PUC Rio de Janeiro, 2005/2006.
Publicou cinco livros de poesias: No Azul (Imago, 1991), Itgadal –Memória dos Ausentes (Diadorim, 1997), Luminosidades (7 Letras, 2000) e Aqui dentro de mim (Aeroplano,2003). Com livro ganhou uma resenha no caderno Idéias do Jornal do Brasil em janeiro de 2004 pelo poeta e doutor em Letras André Gardel.O quinto livro é História dos seios ( 2010 ) Contos, pela editora 7 Letras, atualmente esgotado e a caminho da segunda edição. O sexto livro está pronto e ainda não publicado.
Idealizadora do evento de poesia Saber de Verso (com o debate da poesia e outras áreas do saber) na livraria Ponte de Tábuas, 1999, Rio de Janeiro.
Em 1999 venceu o Prêmio SESC de Poesia do Estado do Rio de Janeiro. Seus poemas foram publicados em antologias como Contos e Poemas do Brasil (1990), Por um poema de amor (1995), Oitenta poetas do Rio (1998), Poemas Cariocas (2000).
Em jornais e revistas como Poesia Sempre (Biblioteca Nacional), Jornal Vaia de Porto Alegre, RS, Poesia Viva, Rio Letras (RJ), Jalons (Nantes, França), Lítero-Cultural (RO), Jornais da internet: Agulha, Palavrarte, Blocos, Alma de Poeta, Usina de Palavras, Patife e outros e no blog: www.escolhasafectivas.blogspot.com .
Dados da autora:
Endereço eletrônico: rosaliam@ig.com.br
Blogs recomendados da autora : www.ahistoriadosseios.blogspot.com e www.rosaliamilsztajn.blogspot.com
ENTREVISTA

SELMO VASCONCELLOS - Quais as suas outras atividades além de escrever?
ROSÁLIA MILSZTAJN - Além de escrever tenho a minha clínica de psicanálise ( psicanalítica e psicoterápica ) que exerço desde 1980. Além de atender meus pacientes dou palestras e cursos nessas duas áreas de meu interesse: literatura e psicanálise.Tenho grupos de estudos onde trabalho temas como: a criação artística, poesia, arte e psicanálise. saraus de poesia
SELMO VASCONCELLOS - Como surgiu o seu interesse literário?
ROSÁLIA MILSZTAJN - Desde muito cedo gostava de escrever e lia na infância e adolescência contos de fadas, Monteiro Lobato e toda a leitura dita apropriada para a minha faixa etária.Ganhei concursos de escrita em escola primária e curso ginasial.Houve um período de mais ou menos 20 anos que não escrevi e até havia esquecido que escrevia. Me dedicava à medicina e à psicanálise que me tomavam todo o tempo. Até que numa madrugada de 1988 o chamado voltou e nunca mais parei.Enquanto não sentasse e escrevesse o verso musical que não saía de minha cabeça não conseguia dormir.
SELMO VASCONCELLOS - Quantos e quais seus livros publicados dentro e fora do país?
ROSÁLIA MILSZTAJN - Tenho seis livros escritos sendo que cinco deles publicados que são:
No Azul (1991);
Itgadal, memória dos ausentes ( 1996);
Luminosidades (1999);
Aqui dentro de mim ( 2004).
História dos seios ( 2010 ) pequenas histórias, pela editora 7 Letras e que está esgotado tendo muito sucesso e hoje à caminho da segunda edição.
Tenho participado de várias antologias no Brasil e alguns poemas traduzidos para o francês e espanhol.
SELMO VASCONCELLOS - Quais os impactos que propiciam atmosferas capazes de produzir literatura?
ROSÁLIA MILSZTAJN - Para uma escritora tudo é motivo de produção literária.Isto requer disciplina, treinamento. É como um ofício escrever todos os dias. Porém existem situações onde a "inspiração", desejo ou melhor ainda a necessidade se impõe, - na perda, em lutos, um novo amor, uma situação de abalo social ou uma transformação que pode ser a chegada da primavera, um amanhecer lindo, quer dizer , - o contato direto com o desconhecido que provoca no nosso ser o incremento de intensidades afetivas e emocionais.
SELMO VASCONCELLOS - Quais os escritores que você admira?
ROSÁLIA MILSZTAJN - Carlos Drummond de Andrade; Clarice Lispector; Sheakespeare; Walt Whitman; Rimbaud; Cecília Meireles.
SELMO VASCONCELLOS - Qual a mensagem de incentivo que você daria para os novos poetas?
ROSÁLIA MILSZTAJN - Não desista. Não copie ninguém.Reconheça seu estilo e sua identidade. Não tenha receio de nada do que sinta ou perceba mesmo que isto o leve a ficar sozinho.Estude e leia muita poesia.
POEMAS
para Pessoa
Diagnóstico: poeta
Sintoma: a poesia
Queixa principal: a dor de viver
Aparecimento da doença: quando não conseguiu fingir tão completamente
Antecedentes: experiência com os mortos-vivos dentro de si pela perda
precoce de entes queridos
Dinâmica: Hamlet, entre ser e não ser
Família: o mundo
Medicação: a criação
Efeitos colaterais: fingimento, solidão, irrealidade corporal
Exames laboratoriais: Raios-X dos heterônimos
Diagnóstico: Fernando Pessoa
Cura transitória: a finitude
Cura definitiva: a eternidade
Noite
Sinto a lua na pele
o ar frio penetrando as narinas
o cabelo úmido de sereno
céu de carne e osso
debruçando essa noite antiga em meu peito
Fui noite
antes de me ter claridade
fui gelada e penumbra
no umbigo do mundo
Fui estado de ser
ora vapor ora perfume
antes de alcançar num vôo
meus cabelos – o tempo
vagaroso cristal
meu corpo atual e sólido
hoje sou
esta noite antiga
Muito trabalho
Quero escrever tudo o que não escrevi, e preciso
Devolver ao mundo o que absorvi. E não dei nomes
Quero esculpir meu espírito cego envolto em véus
Reconstruí-lo sem desculpas, cristalino
Tal uma luz iluminando o negror do não escrito
Quero inserir letras nesse mísero caos
Quero decifrar os mistérios disformes
E tê-los como numa tela à minha frente
E flertar com todo o amor e seus apelos
E acariciar todas as peles e seus desejos
Quero acalentar os sonhos mais doces das noites
E inscrever-me no esplendor dos dias
Refletir o meu sentido e a minha essência
Para que nunca mais eu esqueça
Que eu vim a este mundo
Para ser feliz
Sei que não estou
Sei que não estou
e preciso voltar
ao planeta
ao meu corpo
à minha solidão
Não sei como
no fluxo fluí fulminante
contra meus alicerces
barco ébrio
me revolveram as ondas
o sal secou as marcas
e devolvido
talvez purificado
sobre minha pele
nascem rios esquecidos
artérias
arte
A prova
Não fales tanto
com o tempo
o eco reverbera
e fica insuportável
Cale-se enquanto
é tempo e por dentro
teça um instrumento
para a composição da melodia
A melodia quando pronta
alcança os justos e inocentes
e saberás quem anda ao teu lado

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