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3.6.12

PATRICIA TENÓRIO - ENTREVISTA

BIOGRAFIA
Patricia Tenório em 2010
Nasci em Recife, Pernambuco, em 1969. Sou analista de Sistemas de Formação e entrei em contato com o mundo dos livros em 2002 quando abri a Livraria Domenico, livraria especializada em Artes.

Em 2005, lancei meu primeiro livro, O major – eterno é o espírito (Edição do Autor), que recebeu, no mesmo ano, menção honrosa em ficção no Prêmio Literário Cidade do Recife. Em 2006, lancei a fábula As joaninhas não mentem (Editora Calibán, Rio de Janeiro). Grãos (Editora Calibán, Rio de Janeiro), contos, poesias e crônicas, é lançado em setembro de 2007.
Em 2008, recebi o prêmio de Melhor Romance Estrangeiro da Accademia Internazionale Il Convívio, da Itália, com As joaninhas não mentem e o prêmio Dicéa Ferraz em Poesia e Conto da União Brasileira de Escritores do Rio de Janeiro com Grãos.

Lancei em 2009 A mulher pela metade (Editora Calibán, Rio de Janeiro), ficção.

Em 2010, lancei simultaneamente D´Agostinho (poesias a partir dos estudos de “Confissões”, de Santo Agostinho) e Diálogos (contos dialógicos). Adaptei três contos para o curta-metragem Diálogos, com direção de Patricia Tenório, produção e figurino, de Jorge Féo. Utilizei a técnica de comunicação entre diversas áreas artísticas (teatro – os atores, cinema e literatura, as locações que apontam como setas umas para as outras): "Olhos fechados", com Ísis Agra e Thiago França; "O domador de bolas de sabão", com Kleber Lourenço; "Prisão perpétua", com Hermínia Mendes, Renata Phaelante e Juan Guimarães. Em Janeiro de 2011, Diálogos vence a 4ª edição do Banquete de Curtas – Cine Banquete – Recife - PE.

Em maio de 2011 estréia no SESC – Palco Giratório a adaptação de As joaninhas não mentem para o teatro. Direção: Jorge Féo. Com Ísis Agra, Thiago França, Elilson Duarte, Jay Melo e Romero Brito. O espetáculo tem a sua primeira temporada no Teatro Joaquim Cardozo – UFPE, em junho de 2011.

Em 26 de janeiro de 2012, recebo o prêmio Vânia Souto Carvalho 2011, ficção, da Academia Pernambucana de Letras por Como se Ícaro falasse, e em 06 de março de 2012, a Menção Honrosa com o conto “O Grito” (participante da coletânea Quatorze, quatorze contos escritos em 2011) no Concurso Literário da UBE-Canoas, RS.

Participei, no Brasil e no exterior: Trimestrale di Poesia Arte e Cultura dell´Accademia Internazionale Il Convívio, Itália, 2008, 2010 e 2011; Antologia de poesia sobre música – Divina Música, organização Amadeu Baptista, Conservatório Regional de Música de Viseu – Portugal, 2010; L´Estracelle, Bulletin d´Information, Maison de la Poésie Nord – Pas de Calais – França, 2010; fui selecionada para a IV Antologia de poetas lusófonos, Leiria – Portugal, 2011; através do V Concurso Crônica e Literatura: prêmio Ferreira Gullar (MG – Brasil), fui selecionada para a publicação Emoção repentina, vol. III – Outono, no prelo, que foi lançada em fevereiro de 2012.

Traduzi para o português entrevista com Yves Bonnefoy (França), poemas de Isabelle Macor-Filarska e Denis Emorine (França); poemas de Marisa Provenzano, Francesco Piccione e Alfredo Tagliavia (Itália).

Mantenho o blog www.patriciatenorio.com.br onde dialogo com vários artistas de diversas áreas.

patriciatenorio@uol.com.br


ENTREVISTA
Patricia Tenório com os filhos, em 2004
SELMOVASCONCELLOS – Que é e o que faz PATRÍCIA TENÓRIO dentro e fora da literatura?

PATRICIA TENÓRIO - Descobri a Arte talvez um pouco tarde (31 anos). Mas animo-me a ver um Saramago, uma Adélia Prado, um Ferreira Gullar, quando em plena maturidade produziram muito e belíssimamente. Isto me anima, me incentiva a continuar. Costumo dizer que não irei me “aposentar” nunca do que faço, ou me “aposentarei” bem velhinha...
Não existe dentro e fora da literatura para mim. Escrevo os meus amores, as minhas perdas, a minha família, os meus filhos lindos e amados, minhas amizades, meus relacionamentos que foram, são e vêm. A literatura é intrínseca à minha vida, é o que me faz viver.

SELMO VASCONCELLOS - Quais as suas outras atividades, além de escrever?

PATRICIA TENÓRIO - Penso ter respondido a essa pergunta na questão anterior. Mas além de escrever também procuro estar perto de meus filhos, dar-lhes amor, conselhos, atenção – não é fácil educar hoje em dia, vamos tentando e errando a maioria das vezes.
E ver o mar, ouvir uma música que me toca, chorar diante de um filme grandioso, assistir a um espetáculo de teatro instigante, inteligente. Emocionante. Preciso e sou toda emoção.

SELMO VASCONCELLOS - Como surgiu seu interesse literário?

PATRICIA TENÓRIO - Em 2002, abri uma livraria em Recife chamada Domenico. Sempre gostei muito de ler e de livros e quando resolvi abrir um negócio só para mim, pensei: Por que não fazer o que mais gosto? Não é bem assim, pois o dia-a-dia de qualquer negócio lhe consome tanto que não dá tempo de ler, estudar, quase nada. Mas no período que tive a livraria aberta (de 2002-2004) tive contato com artistas de diversas áreas (literatura, artes plásticas, fotografia...) e fui me encantando, fui me apaixonando por esse universo das Artes, até que em 2004, quando fechei a livraria, mergulhei com força e com vontade e comecei a escrever.

SELMO VASCONCELLOS - Quantos e quais os seus livros publicados?

PATRICIA TENÓRIO - Tenho 06 livros publicados que são:

2005 – O major – eterno é o espírito (Biografia Romanceada, Edição do Autor);
2006 – As joaninhas não mentem (Romance, Editora Calibán);
2007 – Grãos (Contos, Crônicas e Poesias, Editora Calibán);
2009 – A mulher pela metade (Ficção, Editora Calibán);
2010 – D´Agostinho (Poesias, Editora Calibán e
Diálogos (Contos, Editora Calibán).

Estão no prelo Como se Ícaro falasse, Ficção e Quatorze, Contos.

SELMO VASCONCELLOS - Qual (is) o(s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s) capaz(es) de produzir poesia ?

PATRICIA TENÓRIO - Digo sempre que a poesia para mim vem na dor, na carne mais ferida e de maneira mais intensa. Sinto o conto suave, sinto dificuldade no romance – o romance é o mais difícil para mim. Mas a poesia vem naturalmente e de uma vez só, como um jato. Pouco mexo na poesia depois de escrita. Talvez para conservá-la como originalmente (e realmente) senti.

SELMO VASCONCELLOS - Quais os escritores que você admira?

PATRICIA TENÓRIO - São tantos... Temo esquecer algum... Mas escrevendo sem pensar muito: Rainer Maria Rilke, Clarice Lispector, Adélia Prado, Ferreira Gullar, Emily Dickinson, Edgard Allan Poe, Alberto Caeiro/Fernando Pessoa, Herman Hesse, Anna Akmátova, Stendhal, Dostoievsky, Vincent Van Gogh, Walt Whitman, Guimarães Rosa, Raduan Nassar, Mario Quintana, Merleau-Ponty, Nietzsche, Platão...

SELMO VASCONCELLOS - Qual mensagem de incentivo você daria para os novos poetas?

PATRICIA TENÓRIO -Escrevam muito. Estudem muito. Entregue a sua vida à Poesia: vai valer à pena! Não pensem em reconhecimento nem prêmios nem livros. Tudo isso é muito bom, é verdade, mas o mais importante é deixar, permitir que a Poesia lhe transforme numa pessoa melhor, mais ligada ao Amor, ao Universo, à Verdade, à essência de Ser Humano. E você verá que a Vida é mais bela, e suave, e plena de Luz e Cor...
Muito obrigada, Selmo Vasconcellos, por estar aqui e estar aí junto a seus leitores, podendo compartilhar um pouco do meu trabalho e apreendendo também com os outros poetas e artistas. Grande abraço!


POESIAS
Patricia Tenório, 2010
Nome

(Extraído de Grãos, Editora Calibán, 2007)

Eu queria prender teu nome
E guardar na profundidade de mim
Onde possa procurar teu sentido e descobrir
Porque não sais dos meus pensamentos
Encontrando um lugar tranqüilo
Para ali deixar anônimo
Eu pergunto e não respondes
Porque tu sabes, oh, meu querido
Tu sabes que não existe a verdade.


Outro Eu

(Extraído de A mulher pela metade, Editora Calibán, 2009)

Me dê sua mão, eu lhe dou a minha
Receba a luz da estrela guia
Que nos chama a um passeio celeste
E abre espaço aos nossos sonhos

Pudera na minha inocência inspirada
Nos seus olhos cobertos de cristal
Achar aquele pedaço de mim perdido
E me acolher nos seus braços longos

Então não mais de mim precisaria
Me abandonando neste rio morno
Passearia por suas chagas abertas
Seus pesos, suas levezas

Para lhe sentir por inteiro
E daquela mesma mão fazer a minha
Que escreve e sonha com um balão dourado
Percorrendo um mundo de outros tempos
Outras vidas
Outro
Eu


Pastor de estrelas

(Extraído de D´Agostinho, Editora Calibán, 2010)

Quando envelhecer
Despirei dos olhos sonhos novos
Vestirei luvas de aço nas mãos dadas
Cobrirei as rugas de insensatez

Fincarei os pés no chão
Não alcançarei estrelas
Nem asas de gaivotas

Então
O verão me vestirá
Com os últimos raios de sol


Eva

(Participante da IV Antologia de poetas lusófonos, Folheto Edições, Leiria – Portugal, 2011 e Emoção repentina, vol. III – Outono, Assis Editora - MG, 2012)

A carapaça me serviu de escudo
E cada gota do ser
Seria uma forma de
Saber
Beber
A água das grandes tempestades

Caiu a máscara
Vesti o luto
De alguém
Que lá atrás na história
Lá onde o vento soprou
Pela primeira hora da manhã
Acendeu o fogo
Brilhou os olhos
Chamuscou lampejo

Medo de não encontrar
Um dia
Um ano
Mil vidas
A quem tanto busco
Nos sonhos
Nos livros
Nos rostos
Dos meus semelhantes
Tão semelhantes a mim
Que um espelho
Partiu-se em dois

E eu nasci


Essenfelder

(Participante de Divina Música - Antologia de Poesia sobre Música, Organização Amadeu Baptista, Conservatório Regional de Música de Viseu – Portugal, 2010)

Sobre o piano
Carrego a taça
De algum amor antigo

Bemóis
Sustenidos
Tenidos no abraço
Derradeiro
Contínuo
Contíguo
Cantiga de ninar

E o sol
Amanhecendo a calda longa
O mogno embebido
Em notas de cristal

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