FABBIO CORTEZ - ENTREVISTA
BIOGRAFIA

Carioca com formação em Letras, Fabbio Cortez é poeta e escritor. Integra várias antologias, por exemplo a I Antologia de Poetas Lusófonos (Folheto Edições, 2008 – Portugal) e várias edições da Antologia virtual "Saciedade de Poetas Vivos", organizada por Leila Míccolis, em que constam como convidados Affonso Romano de Sant'Anna, o imortal Lêdo Ivo, Ferreira Gullar e o multimídia Arnaldo Antunes, entre outros.
Cortez até agora publicou quatro livros, dois de poesia e dois em prosa. É membro da APPERJ - Associação Profissional de Poetas no Estado do Rio de Janeiro, da UBE/RJ - União Brasileira de Escritores e acadêmico correspondente da AACLIP - Academia de Artes, Ciência e Letras da Ilha de Paquetá, lugar que ama e onde morou durante um tempo com a família.
Fabbio tem outras obras concluídas, aguardando o momento certo para publicação. Além disso, trabalha sempre em novos escritos em verso e prosa e seu material literário consta em várias revistas eletrônicas. É Casado com Valéria e tem dois filhos, Marianna e Fabbio Gabriel.
ENTREVISTA

SELMO VASCONCELLOS - Quais as suas outras atividades, além de escrever?
FABBIO CORTEZ - Sou revisor e copidesque de normas militares e analista da Gestão da Qualidade na Força Aérea e trabalho como consultor freelancer de escrita e leitura, além de ser membro do conselho editorial da editora Sapere.
SELMO VASCONCELLOS - Como surgiu seu interesse literário?
FABBIO CORTEZ – Não venho de família de leitores digamos... inveterados, mas sempre fui agarrado aos livros, desde criança. Acho que essas coisas vêm em sorteio, talvez seja espiritual. Não li como gostaria de tê-lo feito, haja vista justamente não ter tido orientação familiar nesse quesito (e isso me faz falta hoje ao criar), mas fui durante a vida tentando ler o máximo que pude. E não tem jeito: é da leitura que vem a vontade de escrever.
SELMO VASCONCELLOS - Quantos e quais os seus livros publicados?
FABBIO CORTEZ – “Público Cativo”, poesia, Oficina Editores, 2007; “Cada Dor que Anda na Rua – perVersos Urbanos”, poesia, Blocos, 2010 (eletrônico); “Saudade à Queima-Roupa”, contos, Outras Letras, 2011; e (no próximo dia 2 de junho de 2012 serão quatro): “O Mundo Perfeito – e outras ficções”, contos, Sapere, 2012.
SELMO VASCONCELLOS - Quais os impactos que propiciam atmosferas capazes de produzir poesia?
FABBIO CORTEZ – A Poesia simplesmente é. Está em tudo. Cabe ao poeta – a meu ver, e pelo que humildemente sinto – entrar nela pela ousadia, com todos os sentidos conhecidos e incógnitos, fundir-se a ela, até que o poema se faça por sua própria mágica. Depois você é imediatamente desamalgamado e o poema já nem é seu, o poeta defende sua autoria para marcar a deliciosa experiência que passou com a Poesia. Talvez possa parecer clichê, mas acredito mesmo que o poeta é a antena a captar da Poesia alguns de seus sinais.
SELMO VASCONCELLOS - Quais os escritores que você admira?
FABBIO CORTEZ – Para mim Machado é o mestre principal. Eça também é fantástico. Aí vem Azevedo, que marca forte ao menos com “O cortiço”. É tanta gente boa... Na poesia Pessoa, Neruda; atualmente Carpinejar, Glauco Mattoso, Terron, Tanussi Cardoso, entre outros.
SELMO VASCONCELLOS - Qual mensagem de incentivo você daria para os novos poetas?
FABBIO CORTEZ – Penso que todo mundo de certo modo é poeta, pois a vida está imersa na Poesia, que jaz além dos versos em si. A questão de escrever é que distingue talvez o poeta profissional dos outros viventes. Àqueles que desejam escrever poemas sugiro o seguinte: a Poesia tem de lhe dizer na alma: “Você é meu, e quero usá-lo como instrumento”. Aí você relaxa e viaja com ela.
POESIAS

O QUE POSSO DIZER DE CONCRETO
quem me dera ser o pedaço quebrado
dessas estátuas invisíveis
a caçar a dinastia na poeira do trânsito
ou o reboco descaído dos muros
com fantasmas rabiscados
pelos parachoques bêbados da cidade.
nem isso.
sou do edifício,
do meio-fio,
da esquina,
de tanta esquina
o suicídio,
o tropeço,
o vício,
o meretrício.
pois se nem a sombra dos heróis
que cavalgam inertes
me dão honras,
e deles herdo somente a queda,
contraio-me como pedra.
(In Cada Dor que Anda na Rua – PerVersos Urbanos, Blocos, Rio de Janeiro, 2010)
ILESO
a casa caiu
e eu estava dentro
da rua
ainda bem
a rua ruiu
e eu estava fora
de mim
ainda
(In Público Cativo, Oficina Editores, Rio de Janeiro, 2007)
SOU ENTÃO TEU COPO D´ÁGUA
venta tudo o que tens pra dizer
chove tudo o que tens pra chorar
mas depois chama o tempo bom
para de dizer
para de chorar
querida tempestade
(In Público Cativo, Oficina Editores, Rio de Janeiro, 2007)
CONCEBENDO UM REFLEXO
Embaralhamos tudo:
joelhos nos braços,
cotovelos nas pernas,
queixo como cóccix,
calcanhares como pontas dos dedos:
solidarizar minha vontade na tua.
Dou-te um beijo
e o acerto em cheio na cara do espelho.
Aí vem o atraso vermelho
e o pedaço:
um caco do meu aço nos teus ossos
a nos quebrar,
misturar,
renascer.
(In Saciedade dos Poetas Vivos digital, - vol. 10, Blocos, Rio de Janeiro, 2010)
ÉS MINHA LÂMPADA
À noite,
elétrico,
te acendo.
E me aqueces.
(In Poemas Aleatórios – opúsculo, edição do autor, Rio de Janeiro, 2010)
Carioca com formação em Letras, Fabbio Cortez é poeta e escritor. Integra várias antologias, por exemplo a I Antologia de Poetas Lusófonos (Folheto Edições, 2008 – Portugal) e várias edições da Antologia virtual "Saciedade de Poetas Vivos", organizada por Leila Míccolis, em que constam como convidados Affonso Romano de Sant'Anna, o imortal Lêdo Ivo, Ferreira Gullar e o multimídia Arnaldo Antunes, entre outros.
Cortez até agora publicou quatro livros, dois de poesia e dois em prosa. É membro da APPERJ - Associação Profissional de Poetas no Estado do Rio de Janeiro, da UBE/RJ - União Brasileira de Escritores e acadêmico correspondente da AACLIP - Academia de Artes, Ciência e Letras da Ilha de Paquetá, lugar que ama e onde morou durante um tempo com a família.
Fabbio tem outras obras concluídas, aguardando o momento certo para publicação. Além disso, trabalha sempre em novos escritos em verso e prosa e seu material literário consta em várias revistas eletrônicas. É Casado com Valéria e tem dois filhos, Marianna e Fabbio Gabriel.
ENTREVISTA
SELMO VASCONCELLOS - Quais as suas outras atividades, além de escrever?
FABBIO CORTEZ - Sou revisor e copidesque de normas militares e analista da Gestão da Qualidade na Força Aérea e trabalho como consultor freelancer de escrita e leitura, além de ser membro do conselho editorial da editora Sapere.
SELMO VASCONCELLOS - Como surgiu seu interesse literário?
FABBIO CORTEZ – Não venho de família de leitores digamos... inveterados, mas sempre fui agarrado aos livros, desde criança. Acho que essas coisas vêm em sorteio, talvez seja espiritual. Não li como gostaria de tê-lo feito, haja vista justamente não ter tido orientação familiar nesse quesito (e isso me faz falta hoje ao criar), mas fui durante a vida tentando ler o máximo que pude. E não tem jeito: é da leitura que vem a vontade de escrever.
SELMO VASCONCELLOS - Quantos e quais os seus livros publicados?
FABBIO CORTEZ – “Público Cativo”, poesia, Oficina Editores, 2007; “Cada Dor que Anda na Rua – perVersos Urbanos”, poesia, Blocos, 2010 (eletrônico); “Saudade à Queima-Roupa”, contos, Outras Letras, 2011; e (no próximo dia 2 de junho de 2012 serão quatro): “O Mundo Perfeito – e outras ficções”, contos, Sapere, 2012.
SELMO VASCONCELLOS - Quais os impactos que propiciam atmosferas capazes de produzir poesia?
FABBIO CORTEZ – A Poesia simplesmente é. Está em tudo. Cabe ao poeta – a meu ver, e pelo que humildemente sinto – entrar nela pela ousadia, com todos os sentidos conhecidos e incógnitos, fundir-se a ela, até que o poema se faça por sua própria mágica. Depois você é imediatamente desamalgamado e o poema já nem é seu, o poeta defende sua autoria para marcar a deliciosa experiência que passou com a Poesia. Talvez possa parecer clichê, mas acredito mesmo que o poeta é a antena a captar da Poesia alguns de seus sinais.
SELMO VASCONCELLOS - Quais os escritores que você admira?
FABBIO CORTEZ – Para mim Machado é o mestre principal. Eça também é fantástico. Aí vem Azevedo, que marca forte ao menos com “O cortiço”. É tanta gente boa... Na poesia Pessoa, Neruda; atualmente Carpinejar, Glauco Mattoso, Terron, Tanussi Cardoso, entre outros.
SELMO VASCONCELLOS - Qual mensagem de incentivo você daria para os novos poetas?
FABBIO CORTEZ – Penso que todo mundo de certo modo é poeta, pois a vida está imersa na Poesia, que jaz além dos versos em si. A questão de escrever é que distingue talvez o poeta profissional dos outros viventes. Àqueles que desejam escrever poemas sugiro o seguinte: a Poesia tem de lhe dizer na alma: “Você é meu, e quero usá-lo como instrumento”. Aí você relaxa e viaja com ela.
POESIAS
O QUE POSSO DIZER DE CONCRETO
quem me dera ser o pedaço quebrado
dessas estátuas invisíveis
a caçar a dinastia na poeira do trânsito
ou o reboco descaído dos muros
com fantasmas rabiscados
pelos parachoques bêbados da cidade.
nem isso.
sou do edifício,
do meio-fio,
da esquina,
de tanta esquina
o suicídio,
o tropeço,
o vício,
o meretrício.
pois se nem a sombra dos heróis
que cavalgam inertes
me dão honras,
e deles herdo somente a queda,
contraio-me como pedra.
(In Cada Dor que Anda na Rua – PerVersos Urbanos, Blocos, Rio de Janeiro, 2010)
ILESO
a casa caiu
e eu estava dentro
da rua
ainda bem
a rua ruiu
e eu estava fora
de mim
ainda
(In Público Cativo, Oficina Editores, Rio de Janeiro, 2007)
SOU ENTÃO TEU COPO D´ÁGUA
venta tudo o que tens pra dizer
chove tudo o que tens pra chorar
mas depois chama o tempo bom
para de dizer
para de chorar
querida tempestade
(In Público Cativo, Oficina Editores, Rio de Janeiro, 2007)
CONCEBENDO UM REFLEXO
Embaralhamos tudo:
joelhos nos braços,
cotovelos nas pernas,
queixo como cóccix,
calcanhares como pontas dos dedos:
solidarizar minha vontade na tua.
Dou-te um beijo
e o acerto em cheio na cara do espelho.
Aí vem o atraso vermelho
e o pedaço:
um caco do meu aço nos teus ossos
a nos quebrar,
misturar,
renascer.
(In Saciedade dos Poetas Vivos digital, - vol. 10, Blocos, Rio de Janeiro, 2010)
ÉS MINHA LÂMPADA
À noite,
elétrico,
te acendo.
E me aqueces.
(In Poemas Aleatórios – opúsculo, edição do autor, Rio de Janeiro, 2010)

2 Comentários:
É de fato grande satisfação para mim ser entrevistado pelo nobre Selmo Vasconcellos e ver-me em "O Rebate".
Abraço sincero a todos!
Fabbio Cortez
Por
Anônimo, Ã s 10:03 AM
PARABÉNS AMIGO!
ADOREI CONHECER VOCÊ E SUA LINDA FAMÍLIA.
ENTREVISTA SUPER AGRADÁVEL!
ABRAÇO.
CLÁUDIA VIDINHAS
Por
cvidinhas, Ã s 8:57 AM
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