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18.4.08

MOMENTO LÍTERO CULTURAL Nº 53

1-JOSÉ NÊUMANNE PINTO

A primeira música que Pedro de Oliveira Pinto, 5 anos, filho de Vladimir Pinto e Patrícia Amaral, neto de José Nêumanne, cantarolou foi “Brilho, brilha, estrelinha”. A estrelinha começou a brilhar de vez quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008, 9h32 PM, hora de Milão ( 17h34, hora de Brasília ). Ali nasceu STELLA MANNUCCI Pinto, filha de Clarice do Nascimento Pinto e Luca Mannucci, com 2K700g e 47 centímetros.
Nêumanne, embriagado de felicidade, comunica sua nova condição avoenga : é vóvô de PEDRO e STELLA.

Luz e paz para todos
José Nêumanne Pinto

STELLA

( Neta do amigo Zénêumanne )

Pula no sofá
Pula na cama

Pula pula pula

Os pais chamam atenção
O avô não.

O avô adula, adula, adula.

( Selmo Vasconcellos )


2-RONALDO WERNECK

Poeta e jornalista, crítico de artes e cronista, Ronaldo Werneck é mineiro de Cataguases. Co-editor/fundador de O Muro (1962), SLD (1968), Totem (1974) e Cataguarte (anos 80/90), jornais do movimento de renovação/experimentação literária de Cataguases. Nos anos 60, integrou o grupo do Poema Processo e foi um dos organizadores do Festival Audiovisual de Cataguases (música & poemas visuais) em suas duas versões (1969-1970). Morou por mais de trinta anos no Rio de Janeiro. De volta à sua terra em 1998, passa a assinar a coluna de crônicas “Há Controvérsias”, no jornal “Cataguases” e no jornal "Liberal", de Cabo Verde. Atualmente, é Diretor de Comunicação do CINEPORT- Festival de Cinema de Países de Língua Portuguesa. Editou cinco livros de poemas-solo, “Selva Selvaggia” (1976), “Pomba Poema” (1977), “minas em mim e o mar esse trem azul” (1999), “Ronaldo Werneck revisita Selvaggia” (2005) e “Noite Americana/Doris Day by Night” (2006). Em 2001, gravou em show ao vivo o cd “Dentro & Fora da Melodia – Que papo é esse, poeta?”. Em 1997, lançou “Cataguases é Cachoeira”, homenagem aos 100 anos do cineasta Humberto Mauro. Lança agora em 2008 novo livro poemas, “Minerar Nu Branco”, e um novo e longo ensaio sobre Humberto Mauro: “Kiryri Rendáua Toribóca Opé”. Está finalizando seu primeiro livro de crônicas, “Há Controversias – 1”, que será lançado em 2009.

Boi com Maracatu

Paraíba à beça: a fotógrafa, o boi, o poeta.
© Foto: G.G. Carsan

Pimpão e passadiço passo-que-passo por Paraíba-Pernambuco no compasso da folia 2008. Frevo esparso, mas muito maracatu no pedaço. O quartel-general da banda é em Cabedelo, nas proximidades de João Pessoa: Pousada de Ana Júlia, mãe de minha amiga, a fotógrafa paulista Lilia Tandaya. O mar em frente, verde-invadente: à tardinha, maré cheia, cadê a areia? O mar quase nos alcança na varanda. Êh verde-vida! Quer dizer, nos interlúdios. Na verdade, todo-tempo-todo trouxe muito (e, é claro, carnavalesco) trabalho. Pernas pro ar? Nem pensar, nem penso: só mesmo no poema do Ascenso. Lilia foi fotografar as manifestações de raiz em vários locais – e lá fomos nós nordeste aforadentro, eu de fiel escudeiro.
Em João Pessoa, na concentração do tradicional Bloco do Boi do Bessa, em casa do artista plástico Clóvis Júnior, ensaiamos apenas um esquenta-tamborins. Pelo menos pra mim: Lilia me diz que os blocos “pessoenses” (é isso mesmo? Acho que Ariano iria preferir “parahybanos”, com rima e tudo) já vinham se esquentando desde a semana anterior, e olhe que ainda era apenas sábado à tarde. O bloco sai à cata de resgatar os velhos cajueiros e os bois das ruas do Bairro do Bessa. O Boi do Bessa existe há 14 anos, o mesmo número dos belos estandartes do boi com chifres de caju, criados a cada Carnaval, e que remetem à “estética Clóvis Júnior”, fundador e folião primaz.
Na copa da casa do artista, enquanto a batucada come solta na varanda, não só encaramos como também até mesmo comemos um inacreditável prato de favas ao lado dele e de sua mãe, foliã contumaz. Batidas a rodo, até mesmo de caju. Ao me oferecerem um suco da mais pura fruta, falo sobre o “caju amigo” do Carlinhos Niemeyer. Mas ninguém sabia o que era. Também, pudera: como poderiam nossos alegres-à-beça foliões paraibanos saber do carioca Carlinhos e de sua fantástica receita de uma talagada de cachaça rebatida por um espremer do próprio caju, tudo direto na goela do bebum-doidão?
No domingo cedo, empreendemos a empreitada por um Pernambuco pré-profundo: verde mato, verde mundo. Em plena Zona da Mata, a deles: não havia alpendre a se debruçar sobre o canavial, mas a paisagem me levou a João Cabral. Um canavial visto de dentro, um canavial literalmente viajante (enquadrado da janela do carro), no primeiríssimo plano de um travelling nordestino. E muito, muito canavial e travellings depois, no rumo daquela “prumada”, como nos indicou um caboclo, finalmente adentramos Nazaré da Mata.
Vem dali o Maracatu, como do morro o samba. Havia na praça um palanque e brincantes de muitas cores por toda a cidade. Mas não sentamos praça, que Lilia já conhecia o fuzuê de outros carnavais. Direcionados por um negro redondo e sorridente, que assume o papel clownesco da “Catita” na folia do Maracatu Rural – tomamos o “prumo” da estrada que leva ao Engenho do Cumbe, berço do Maracatu da Cambinda Brasileira, que completava 90 anos de folguedos nesse Carnaval.
Estrada de chão afora fomos devagar-devagarinho quase tropeçando em brincantes do Maracatu durante todo o trajeto Nazaré da Mata-Engenho do Cumbe. Um fantástico contraste entre suas coloridíssimas fantasias e o cáqui da estrada, com o verde da mata pernambucana projetando-se num plano geral ao fundo do quadro-paisagem. Olha que falo como se olhasse pelo visor da câmera de Lilia, que foto-filmava enquanto dirigia. Melhor ver o resultado no vídeo “Cores & Ritmo do Maracatu Rural”, disponível em seu blog na internet: http://liliatandaya.blogspot.com/. Está tudo ali, captado com precisão e editado com ótimo ritmo, como que seguindo a “cantoria de uma nota só” do Maracatu Cambinda do Cumbe.
Na segunda de Carnaval, pequeno “refresco” na própria Cabedelo. Uma ida pra rever o Jurandyr do Sax tocar o Bolero de Ravel na praia do Jacaré. Já ou/vira e me emocionara com o “Bolero do Jacaré” no ano passado, quando cheguei mesmo a entrevistar o Jurandyr durante o Cineport da Paraíba. Sou “vendido” pelo Bolero (quase que também de uma nota só) e me emociono à-toa sempre que ouço. Assisti no Rio a algumas das apresentações do “Boléro-Béjart” nos anos 1970, com performances do argentino Jorge Donn, no Municipal e no Maracanãzinho. E de novo ele, com seu Donn fantástico, em pleno Trocadéro, Tour Eiffel ao fundo, na seqüência final do filme de Claude Lelouch. E ainda, em 2006, a uma inovadora montagem vista em Paris, no Opéra Bastille. Maurice Béjart ainda vivo, e em cena o solo eletrizante da bailarina Marie-Agnès Gillot, atual estrela do Ballet de l´Opéra de Paris.
Lembrei-me do “Boléro-Béjart” naquela tarde porque – tal a multidão afim e no afã do espetáculo – não conseguimos ver nem Jurandyr nem o pôr-do-sol ao som do seu Bolero. Mal ouvíamos seu sax, ao som da tapioca-maravilha que mastigávamos num barzinho ao lado. Eta Paraíba-pau-pereira! Um abraço pra ti, pequenina, que já-já voltamos Pernambuco adentro.


3- DOCA BRANDÃO

Josemar Francisco Brandao ( Doca Brandão), natural de Pernambuco – Recifense
Professor de História (UFPE), Pós-Graduado em História Regional, iniciou-se na literatura através do poeta ZIZO, junto com o qual fundam o Movimento de Poesia Marginal “Palco Aberto”, em l978. Essa proposta dava importância aos Hai- Kais, poemas curtos mas de alvo certeiro, revelando as mazelas sociais do Brasil, como neste Hai-Kai A Lavadeira :

A Lavadeira

Lava,
Enxágua,
Engoma,
Passa e dobra,
E quanto mais lava,
Mais embranquece a sua obra!

Tendo trabalhado em diversos Cursos Preparatórios para Vestibulares e também Cursos para As Escolas Militares, Doca Brandão como é conhecido, vem para Rondônia em 1998, tornando-se funcionário público. Desde cedo mostrou jeito para a Literatura de Cordel, realizando, aqui,. Cordéis de cunho Temático, como : A Lenda do Mapinguari, A Lenda do Boto, Rondon, O Grande Pacificador, O Tratado de Petrópolis, A Cidade Perdida de Paititi, Tereza de Benguela- A Rainha do Quariterê, História Regional para Concursos e Vestibulares, A Lei 10.639-A Educação nas Relações Étnico-Raciais, A Expedição Dequech-As Minas de Urucumacuan,O Forte Príncipe da Beira, Os Deputados Vergonhosos, História do Brasil para Vestibulares e Concursos, Porto Saudosa Porto e O Que Rondônia Tem Para O Turista Visitar.

SEMPRE FAZER

Fazer do riso,
Um todo amargo,
Fazer do largo
O mais estreito,
Fazer do sono
Um lindo sonho
E um medonho pesadelo...

Fazer do medo
A coragem
Fazer da morte
Eterna vida
Fazer do amor
Mais breve ainda
Do que nunca foi tão cedo...
***
Exílio da Canção da Volta ou( Que Tristeza Meu Deus )

Minha terra tinha uma madeira
Que se chamava pau-brasil
E quando os portugueses nos invadiram
Essa madeira sumiu...
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Mas nossa biodiversidade
É pirateada aos horrores...

Em cismar sozinho á noite
Eu fico sempre a chorar
Pois não vejo tanto as palmeiras
Nem escuto o sabiá cantar

Minha terra tem primores,
Que não tem outro lugar,
Tem chapadas e tem serras,
Tuiuiú e lobo-guará,
Tem prais e rios bonitos
Onde eu posso me banhar...

Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu veja acontecer,
As multinacionais expulsas
E o meu Brasil acordar,
Os políticos sendo honestos,
E o povo bem mais esperto,
Cantar como o sabiá!!
***
Mortalha de Uma Alma Esfarrapada

Eu faço parte
Da máscara de mim mesmo,
E quando bebo,
Me embriago na ressaca bêbada,
Escondida no meu porre surreal...

A vestimenta que me cobre,
É tecida num vermelho impune,
Numa mortalha ensangüentada de ciúme,
Escarrada na carniça da mentira
E vomitada na tijela da ilusão..

E quando sonho,
Volta em mim o pesadelo
Do meu corpo adormecido,
Dormido no berço do ofício,
Despertado na noite matinal
E acarinhado pelo vento vespertor...

E no meu sono,
Vejo seres derradeiros
Que pulam dos lençóis emaranhados,
Molhados de suores romanescos
Descobertos dos poemas sensuais...
***
Buscando

Versificar a dor
Que brota na sala
E num canto se cala
Por tanto prazer

É saber sapiência
De engolir sorrisos
É saber certeza
De tão só cantar...

É sentir que o tempo,
Rima a qualquer hora,
É saber demora
De metrificar.
***
FRENESI

O fato,
o foco,
a figura,
o furto fácil
a fagulha...

a face,
a farsa,
a frase feita,
da força funesta...

o feto,
o fruto,
forçado, vira foice,
onde no fim do fosso,
gera faíscas...


4-BELVEDERE BRUNO

Belvedere Bruno nasceu no dia 17 de outubro, em Niterói/RJ, onde reside.
Cedo despertou para as letras, fato que deve ao incentivo de seu pai, que
sempre presenteou os filhos com livros.
Atualmente, dedica-se às prosas, que é onde mais se identifica.
É colunista do Jornal Santa Rosa - Niterói e divulgadora cultural. Tem diversas publicações na mídia local e em outros estados. Prepara seu individual para o próximo ano.

http://www.belvederebruno.prosaeverso.net/
http://belvedere.bruno.zip.net/


Belvedere Bruno [Cônsul - Niterói - Z-Sul-RJ] Poetas del Mundo
Niterói - Brasil

1-Portas Abertas

Portas abertas...
A bem da verdade,
nunca uso trancas.

Quantas vezes
me abaixo, catando
mil e tantos cacos.

Não me despedaço!

Apenas proíbo
que tons ocres
decorem meus dias.

2-Fica

Peço que não vás.
Fica mais um pouquinho.
Como passarei os dias
sem ouvir teus risos e sem fitar
o verde- musgo de teus olhos?

Peço que não vás.
Há um chamado do mar, do sol,
das flores, (sobretudo das azaléias),
pedindo que fiques.

Por isso, não vás!
Dize-me que nada do que falam
é verdade,e que nunca houve
prenúncios de partidas...

3-A porta

A Antonio Pacheco dos Santos

A porta fechou. Inesperadamente.
Ficou um cheiro de jasmim,
e a lembrança suave das palavras
sempre tecidas em ternuras...
No porta-retrato, aquela alegria serena.
Tudo permanece
como num quadro de memória.
_ Só ele não está mais aqui._

4-Rosas & porta-retrato

rosas a murchar
sobre a mesinha
ao lado da
minha cama

pergunto
quantas luas
ainda ficarei
assim
tão-apenas
comigo

sempre frisei
que me amava
tanto
e tanto
que
seria eu
minha melhor
companhia

hoje sinto
que
por mais
que me ame
sua foto
neste
porta-retrato
parece
me dizer
que sempre
vivi
equivocada

5-Lágrimas e mar

ele não continha
as lágrimas...
percebera,
enfim,
que ela
nunca mais
retornaria.

arrumou as gavetas,
descartando
as coisas
inúteis.

junto ao sal
de seu momento,
lançou inúmeros
objetos ao mar.

era um mar
bravio,
perto de onde ela
sempre residira...

e o mar agradeceu
em forma de um bailado
de ondas.
era um som
forte , denso,
que arrepiava.

quanto a ela,
acredito
que esteja
em paz.


5-MADALENA BARRANCO

Madalena Barranco. Escreve prosa & poesia, temperadas com fantasia e está sempre em busca do legítimo gênero “histórias de fadas”, segundo a definição de J.R.R.Tolkien, que reza sobre a necessidade de sonhar para todas as pessoas de todas as idades. Publica em seu blog http://morango.blogsite.org

ANJO VIRTUAL

Com o teclado em silêncio e a tela de cristal líquido acesa, Marylinda Brasil posicionou a seta do mouse em um ícone que mais se parecia a uma estrelinha dourada, e deu um clique duplo com a suavidade própria de uma menina de dez anos. Seus cabelos negros e encaracolados contrastavam com a camisola branca de algodão e com sua delicada tez morena. A tela brilhou e Marylinda acionou o MSN (comunicador instantâneo), clicou na figura de um anjo e rapidamente juntou as mãozinhas em prece, para depois continuar teclando.

- Meu amigo especial, você que sempre me ouve teclar e apenas me responde com carinhas sorridentes (smiles), e parece me entender mais do que ninguém, diga-me, por favor, quem é você?

Do outro lado da internet alguém enviou-lhe pelo MSN uma carinha feliz, que daquela vez trazia asas por trás do sorriso. Marylinda exultou de alegria e confirmou o que ela já desconfiava... Devia ser um anjinho de verdade. Muitos de seus amigos e até os jornais diziam que os anjos já haviam desistido do mundo e que não adiantava mais procurá-los na realidade. A menina também ouvia da sociedade do início do século XXI, que o mundo, naquela ocasião, tinha uma nova chance de existir através da internet e que a nova realidade se chamava virtual, onde as pessoas mais otimistas estreitariam seus laços fraternos, encurtando as distâncias físicas e agindo conjuntamente a favor da humanidade.

- Será que os anjos se mudaram para a Web? Não importa, pois eu jamais desistirei de encontrá-los. E os demônios? Pensou a menina, apavorada. Naquilo, surgiu uma interferência no MSN e um contato não autorizado invadiu a tela de Marylinda mostrando uma carinha com chifres. A menina rapidamente deu-lhe uma teclada com o antivírus e tudo voltou ao normal. A seguir, no lugar da esperada carinha feliz de todos os dias, apareceu uma mensagem escrita:

- Querida menina Marylinda, a pessoa que sempre “conversa” com você pelo MSN é meu filho de cinco anos que ainda não sabe escrever, mas já aprendeu a enviar carinhas felizes pela internet... Ele gosta muito das carinhas que você também envia para ele junto com as mensagens escritas, que mais se parecem a histórias de fadas, e que eu leio para meu “anjo” antes de dormir e desconectar-me desse mundo novo que está despertando.

Madalena Barranco
Da série: Fantasia e Alegria
Registro na FBN/EDA


6- HUGO PONTES

Hugo Pontes é natural de Três Corações / MG, onde nasceu a 22 de julho de 1945. é formado em Letras / Língua Portuguesa e Língua Francesa e Respectivas Literaturas. Tem especialização em Literatura Brasileira. É professor de Língua Portuguesa, aposentado pelo Estado de Minas Gerais; professor de Redação na Universidade de Alfenas, Campus de Poços de Caldas; Supervisor Pedagógico da Prefeitura Municipal de Poços de Caldas.
É jornalista e colabora escrevendo para diversos jornais de várias cidades de Minas Gerais. Em Poços de Caldas colabora com o Jornal da Cidade, Jornal da Mantiqueira e Jornal de Poços.
Com relação às atividades literárias e de pesquisa histórica, apresenta em seu currículo uma extensa lista de atividades relacionadas com a poesia, o poema visual, o ensaio e a história. Tem 25 obras publicadas entre livros-solos e antologias. Sua obra literária mais representativa, e através da qual é reconhecido, está voltada para o Poema Visual.
Em 1997, publicou pela Editora Plurart’s “Defesa da Tese : Poemas sem Fronteiras” ; pela Editora Annablume, São Paulo, em 2001 “Poemas Visuais e Poesias”, livro este que, por sua importância, segundo os editores, foi reeditado sob o selo Dix, em 2007. Participou como convidado em mais de 500 exposições de Visuais quer no Brasil ou no exterior. O autor mantém a página ComunicARTE há dezessete anos no Jornal da Cidade, e o sítio www.poemavisual.com.br , há doze anos, para divulgação dos visuais de poetas brasileiros e do exterior.

Contato : hugopones@pocos-net.com.br

Livros gentilmente presenteados pelo autor :
*Poesia do Brasil , volume 5 , Proyecto Cultural Sur-Brasil, Bento Gonçalves, RS, 2007.
*Poemas Visuais e Poesias , 2ª Edição , Dix Editorial, São Paulo, SP, 2007.
*O Congado em Oliveira – Tributo a Leonídio João dos Santos , Sulminas, Poços de Caldas, MG, 203.
*Poesía de Brasil , Proyecto Cultural Sur Brasil, Volume 1 , Bento Gonçalves, RS , 2000.
*Guimarães Rosa, Uma Leitura Mística , Ensaio , Gráfica Sulminas , Poços de Caldas , MG , 1998.

1-Concerto

Da fábrica de ferro,
ferrolho.

No rosto do cego,
um olho.

Artigo de luxo,
repolho.

Vida :
Corte de navalha
em corda de violino.
***
2-Mordaça

O gesto acovarda e cala
na dança em ponta de faca.

O homem acorda e lança
Um gesto de mãos sem dedos.

A lança que fere a caça,
a nota que soa e cala

E muda ressoa imunda
em trilha de cão sem raça.
***
3-Velho Chico

O
Rio
São Francisco
não cabe
no corpo
da terra

não cabe
no corpo
de Minas

não cabe
no corpo
do homem

mas cabe
no coração.
***
4-Poetar

São alguns novos
poemas.

Arrancados do sofrimento
poemas

procurados no caos da vida
poemas.


7-EUNICE ARRUDA

Poeta, nasceu em Santa Rita do Passa Quatro (SP). Radicada na Capital, vem desenvolvendo atividades relacionadas à literatura  oficinas e leituras públicas de poesia  e dedicando-se especialmente à escritura de poemas.
Com treze livros publicados, entre eles: “É tempo de noite” , “O chão batido”, “Invenções do desespero”, “As pessoas, as palavras”, “Mudança de lua”, “Gabriel:”, “Risco”, “Há estações” (haicais), foi premiada no Concurso de Poesia Pablo Neruda, organizado pela Casa Latinoamericana, Buenos Aires, Argentina, e é presença em antologias no Brasil e no exterior. Por tais iniciativas, recebeu o prêmio de Mérito Cultural conferido pela União Brasileira de Escritores/RJ e em 2005, foi homenageada com o prêmio Mulheres do Mercado, concedido pela Casa de Cultura Santo Amaro – São Paulo/SP.
Tem poemas gravados no programa Momento do poeta – Instituto Moreira Sales (IMS) – SP, disponível na Rádio IMS: http://www.ims.com.br.

Contato: poetaeunicearruda@bol.com.br

1-ENGANOS

Uma
luz
me aproximo
é escuridão

Brilha
agora em ouro
o que ontem foi
pó e não


2-O POEMA

Ouço seu
som
bater de asas
inseto aflito

Mas ele me recusa
não se deixa ser
por mim escrito

Um dia leio este poema de outro poeta


3-UMA SUGESTÃO

Quem sabe indo a
Minas

Lembra

Há um céu farto de nuvens
na estrada levando a Minas
Um sonho se abrindo branco
algodão ao sol de Minas

Quem sabe indo a
Minas

Lembra

Há o embalo dos berços nas viagens

4-CONSEQÜÊNCIA

Em silêncio vimos o sofrimento

rio escuro
se alastrando
alagando a casa

Em silêncio respiramos

sob escombros
o peso
forçando os ombros

Metade do que éramos viveu


5-OBSERVANDO

Há uma hora
em que tudo
apodrece

Em que tudo recua e
respira com esforço
o rosto no muro

E os anjos
hesitam entre a
espada e a nuvem


6-CLANDESTINIDADE

Vivi na clandestinidade
anos

No escuro nos bares na periferia
anos a fio
escondida
envolvida
em fumaças
teorias
Na paixão. Na clandestinidade

Até que um dia me entregaram
à vida


7-OLHANDO

Não é o sim
não é o não
nem o talvez

A lua anda alta no céu


8- ELIANE ACCIOLY FONSECA

poeta e terapeuta.

No mestrado em psicologia clínica e no doutorado em comunicação e semiótica, traça cartografias entre os ofícios poético e terapêutico, práticas que, para ela, se fazem nos intervalos entre o sonho e a vigília, afetando e transformando inexoravelmente, quem assim as pratica.

Além da escrita e da prática clínica coordena projetos de oficinas de criação, no processo que vai da sensação à palavra. O objetivo dessas oficinas é levar os participantes, mais que aos bastidores da criação, ao corpo-de-sensação, estado de consciência do artista ao criar. Workshops apresentados em congressos e para diferentes grupos, desde 1994.

Durante o primeiro semestre de 2000 coordena a oficina "O que é Poesia?", junto a adolescentes da Associação Comunitária Monte Azul.

Livros publicados:

Histórias de Ventania
São Paulo, Massao Ohno, 1990

A palavra in-sensata:
Poesia e psicanálise
São Paulo, Escuta, 1993
(dissertação de mestrado)

Trapeiro de sonho
Belo Horizonte, Alternativa Mulheres Emergentes
1997, coleção Almanach de Minas

Terra e Tear. In - SETEVOZES – organizado em homenagem
aos 40 anos de poesia de Maria José Giglio.
São Paulo, Ed. do Escritor, 1998

Corpo-de-sonho
Arte e psicanálise
São Paulo, Annablume, 1999
(Tese de doutorado)

1-teatro

os personagens

apresentam-se

na flor da carne


2-arquiteta

cera modula a colméia,
cidadela animada:

operárias guerreiras
amas curandeiras sibilas, em mutirão,
estocam o mel entocam as larvas
guardam a rainha pastoreiam consortes

vibra o cortiço antros zunem
asas assanham alvéolos,
ásperos úberes


3-consortes

vestindo malhas de aço
espadas clavas e lanças
cercados por escudeiros
bandeirolas coloridas
chegam os cavaleiros

Batalha e Mortalha:
as moiras que os aguardam

brilham elmos amarelos
azuis verdes violetas
sob o vermelho cruel
de um céu que não os protege
nos jogos nupciais

cera nos ouvidos
heróis temerários
ignoram o destino
em lendas traçado


4-mistério gozoso

o consorte

habita
consome
fertiliza

a amada

a morada
o consome


5-silêncio


as faces
côncavas
de seu olho,

espelhos
negros micro-
firmamentos

piscinas de estrelas
e peixes abissais:
cegos videntes


6- segredos de lichia

para Olga Savary

a casca escarlate,
um tapa-sexo, finge
impedir a vulva se ofertar
ao beijo de língua, à mordida

entre a casca e a vulva
o hímen perfumado,
amanhecer de flor
e laranjeira, se antecipa
à boca ao ímpeto à gula

branca e útero,
vulva abraça semente
mulata e roliça

prenhez da terra


9- LUIZ ROBERTO JUDICE

Luiz Roberto Judice é natural de Poços de Caldas, MG, onde nasceu aos 10 / junho / 1946. Publicou seu primeiro livro de versos “Flores Murchas”, acolhido pela crítica literária como o “prenúncio de um grande poeta por vir”. É colaborador do Jornal da Cidade, para o qual escreve crônicas e poesias. É membro da Associação Sulmineira de Imprensa e da Academia Poços-caldense de Letras, ocupando a cadeira número 37.

Livros do autor enviado gentilmente pelo escritor Hugo Pontes :
*Flores Murchas , poesias , Sulminas, 1998.
*Lira de Quatro Cordas , Trovas e Quadras .
*Pérolas de Fogo , Sonetos .
*Ramalhete de Sonetos , 1995.
*Sinhazinha, A Dama do Charco , Romance , Sulminas , 2002.

Do livro “Flores Murchas” , páginas : 47 e 48.

À IMPRENSA

A luz é vida... A palavra
A arma que tens à mão,
Quando a verdade se choca
Co’o reboar do canhão.
És da tribuna outro Mário
Quando o povo pro Calvário
Segue o seu itinerário
Nos ferros da escravidão !

Verdade ! – pode a injustiça
Dos Catilinas – chacais –
Derrubar-te o verbo altivo,
Da Pátria seus ideais ?
A Imprensa ! – é eternidade !
Mãe que grita – Liberdade !
Povo que pede – a Verdade !
Deus que vibra muito mais !

Assim serás ! ... O discurso
Quebra a ira do fuzil,
A eloqüência mata a sede,
Traz Constant – o seu cantil !
Vibra a pena casta irmã !
Traz a luz – Chateaubriand !
Forja o porvir, o amanhã
Do glorioso Brasil !

Homem da Imprensa, a palavra
È a arma que tens à mão
Quando a verdade se choca
Co’o reboar do canhão !
Sê na eloqüência – Horácio !
Na retidão – Epitácio !
Para o Brasil – Bonifácio !
Da Liberdade – Dantão !

São Paulo, 8 /Outubro / 1968.

Prezados escritores , seus comentários e de amigos são importantes, abraços fraternos e literários

3 Comentários:

  • Querido Selmo, obrigada pela emoção de ter mais um conto meu publicado no Momento Lítero Cultural, que começou esta edição "pulando de alegria" com seu poema em homenagem à notícia do nascimento de Stella, netinha de José Nêumanne. Parabéns!!Belos textos, onde encantei-me com a crônica ao ritmo do Maracatu, do Ronaldo; com a poesia do Doca, que literalmente "lavou" o poema com metáforas criativas; com a arte de Belvedere, que abre as portas ao mesmo tempo em que pede que se ouça o chamado das azaléias; já, Hugo, joga bem com as palavras e faz poesia de pergunta & resposta, onde a poesia se "arranca" dos sentimentos; e a luz, com Eunice, brilha em cada verso e bate asas entre nuvens de anjos que hesitam... E o que dizer de Eliane, que à flor da carne poeta em seu objeto? Talvez: "piscinas de estrelas". E para terminar, Luiz Roberto faz poesia quando declama a própria imprensa, que divulga o dom da palavra. Adorei a edição inteira deste MLC! Abraços a todos.

    Por Blogger Madalena Barranco, às 9:28 AM  

  • Amigo Selmo:irmão de luta e deslumbramento: è com prazer que te reencontro,agora neste espaço virtual.Continuo com o meu blog de poesias e como vc,divulgando o que é bom. Um grande abraço..
    touché
    http://poetasdeguarulhoseoutrosversos.zip.net

    Por Anonymous Anônimo, às 5:12 PM  

  • Querido amigo Selmo
    Acompanho sua carreira literária com muita admiração como editor e escritor. Cada vez mais brilhante. Desejo parabenizá-lo e me alegro de minhas humildes publicaçõe s estar em seu maravilhoso espaço.
    Quero estar sempre em dia com seu trabalho maravilhoso.
    Um grande abraço e obrigada
    Vânia Moreira Diniz

    Por Blogger Vânia Moreira Diniz, às 7:40 AM  

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