MOMENTO LÍTERO CULTURAL Nº 55.
1-IVES GANDRA DA SILVA MARTINSVARIAÇÕES SOBRE A INVEJA E O PODER
Membro da Galeria do Amigos do Lítero Cultural, São Paulo, SP.
O poder é, em grande parte, alimentado pela inveja. Inveja é o vício pelo qual a pessoa que o tem – e quase todos os seres humanos o ostentam – sente-se infeliz com a felicidade alheia.
Se se perguntar a alguém, se é invejoso, sua primeira reação é afirmar que não é, mas a medida em que se auto-analisa, com sinceridade, verificará que, muitas vezes, sentiu-se infeliz por ver a felicidade alheia, que não conseguiu para si.
Entre os guerreiros árabes, na luta que travavam pelo poder, costumava-se dizer que a grande felicidade era morrer depois do inimigo.
Carl Schmitt, ao escrever que a política é a ciência que opõe o amigo ao inimigo, desventrou a realidade do poder, em que servir ao próximo é menos importante do que se servir dele e a vitória do inimigo dói mais, pelo êxito não ter sido seu.
Não apenas na política – a inveja, que leva a buscar sempre defeitos nos adversários para desmoralizá-los – mas em qualquer manifestação cultural, cientifica ou esportiva em que o poder esteja envolvido, esse vício é o senhor da festa.
Nos meios acadêmicos e universitários, a feira das vaidades leva sempre aquele que se considera superior a sofrer com a vitória de pessoas que não admira – ou que entende devesse ser sua – e tentar desvalorizá-la a todo custo. Conta-se que, certa vez, numa reunião de intelectuais, um deles fez a seguinte pergunta : “Quantos sábios estão nesta sala?”, tendo recebido a resposta de um deles : “Certamente, há um a menos do que você pensa!”.
No futebol – e também em outros esportes coletivos – quantas vezes se torce menos pela vitória do próprio time ou do melhor em campo, e mais pela derrota daquele que é o adversário mais constante do time do coração, qualquer que seja ele, mesmo que seja de outro país.
A maledicência é um dos frutos preferidos, principalmente na política. Quem busca o poder, lança suas sementes para conseguir a desmoralização do adversário que esteja nele investido no momento, ou que pretenda obtê-lo. Tudo é válido, inclusive a calúnia e outros procedimentos menos éticos, para que se consiga alijar o inimigo do posto que se deseja.
Não sem razão, em todos os períodos históricos e espaços geográficos, a luta política é mal cheirosa, regada abundantemente pela inveja. Esse vício não permite que se elogie o que o adversário faz de bom, pois isso enfraqueceria a possibilidade de se suplantá-lo na disputa. A inveja, por fim, leva o aspirante do poder político, universitário, acadêmico, esportista ou de qualquer outra natureza, a viver uma permanente insatisfação, seja quando o obtém, porque passa a ter que defendê-lo contra quem o almeja, seja quando vê frustrada sua ambição de consegui-lo, pela infelicidade de assistir ao êxito dos que estão usufruindo daquilo que poderia ser seu.
Na verdade, entre os sete vícios capitais, que atormentam o ser humano, a inveja é a raiz de muitos deles.
Lutar contra ela no foro íntimo, não é fácil, pois todos nós, em algumas circunstâncias, podemos também render-nos a seu império. É, porém, fundamental, visto que só se pode enfrentar a vida com serenidade, vivendo as vitórias e as decepções. É importante ter presente que, no curso de uma existência, nada valemos. O interregno de uma vida só valerá, se conseguirmos semear nossa passagem, por mais humilde que seja, auxiliando o próximo, alegrando-nos com suas vitórias, entristecendo-nos com suas derrotas.
É insensato nos darmos muito valor, neste imenso universo em que nada somos.
2- LUIZ OTÁVIO OLIANILuiz Otávio Oliani é natural do Rio de Janeiro, graduado em Letras e Direito. Participou de diversas antologias e tem poemas publicados em jornais do país e do exterior. Com incursões no teatro e no jornalismo, freqüentou oficinas e atua no movimento literário da cidade desde 1990, período em que obteve mais de 40 premiações. Publicou “Fora de órbita”, Editora da Palavra, poesia, 2007.
De
FORA DE ÓRBITA
RJ: Editora da Palavra, 2007.
1-RESGATE
como posso resgatar
o que não existe em mim?
ao beijar a solidão
eu me dispo por inteiro
da escória que é o homem
na inútil tentativa
de ser Deus por um minuto
2-HERANÇA
não deixo bens
aos que ficam
de mim
restará a palavra
(antes cinzel)
agora verso
a burilar os homens
3-EXPIAÇÃO
a Terra é a expiação
dos homens
no inconsciente
a culpa transita
em meio a fantasmas
a penitência alivia a dor
mas o passado condena
ninguém escapa da cruz
4-DESCOBERTA
nada detém a vida
esvai-se o tempo
o tempo em mim
caramujo do imo
guardo porta-retratos
aqueço a memória:
a infância me foi roubada
5-FATALIDADE
a vida pulsa em hiatos
e não sei pedir socorro
camaleão fora do ventre
transmudo a cor à revelia
mas a morte não é daltônica
6-PARTILHA
a mão estendida
abençoa o trigo
à procura do ponto
ágeis dedos
manipulam a massa
do mundo
mas a vida só faz sentido
quando se reparte o pão
3-GRAÇA GRAÚNA ( MARIA DAS GRAÇAS FERREIRA )Graça Graúna é o pseudônimo de Maria das Graças Ferreira. Escritora, potiguar de São José do Campestre (RN).
Verbete na Enciclopédia de Literatura Brasileira (org. Afrânio Coutinho), São Paulo: Global, 2001 e no Dicionário Crítico de Escritoras Brasileiras - 1711-2001 (org. Nelly Novaes Coelho), São Paulo: Escrituras, 2002.
Formada em Letras pela UFPE, a autora defendeu dissertação de Mestrado sobre mitos indígenas na literatura infantil brasileira, em 1991. No ano de 2003, defendeu tese de Doutorado sobre literatura indígena contemporânea no Brasil.
Professora adjunta em Literaturas de Língua Portuguesa e Cultura Brasileira na Universidade de Pernambuco - UPE - Campus Garanhuns, onde coordena o Núcleo de Estudos Comparados em Literaturas de Língua Portuguesa - NESC; o Projeto de Capacitação em Literatura e Direitos Humanos, junto ao MEC/SEACD/UPE e o Curso de Especialização para Professores Indígenas, da UPE em parceria com a Secretaria de Educação do Estado de Pernambuco.
Colaborou em jornais e revistas do Brasil e do exterior, entre eles: o Arte e Palavra (Sergipe), Suplemento Literário do Minas (BH) e o Jornal de Letras (Lisboa).
Graça Graúna vê em Rilke, Florbela, Oswald de Andrade, Bandeira, Joaquim Cardoso, Drummond e Garcia Lorca, entre outros, as maiores expressões poéticas do nosso tempo.
LINKS
Meu dia-a-dia: cruzando os mares da escrita
ggrauna.blogspot.com
Membro do Grupo de Literatura Indígena, sob a coordenação de Eliane Potiguara.
www.elianepotiguara.org.br/noticia52.html
No acervo virtual da poesia feminina contemporânea em Pernambuco.
www.interpoetica.com/graca_grauna.htm
Literatura e Direitos Humanos - projeto sob minha coordenação junto ao MEC-SECAD.
www.ead.upe.br/extensao/
Participação na Antologia Saciedade dos Poetas Vivos; um projeto idealizado por Leila Miccolis.
www.blocosonline.com.br/editora_blocos/2006/sacpoevidig/01poetpoes/antologiavirtual/capa.php
Blog dos estagiários do Curso de Capacitação em Literatura e Direitos Humanos na UPE.
www.dhffpg.blogspot.com/
Participação nos 20 anos de atuação da Revista Cigarra
kplus.cosmo.com.br/materia.asp?co=351&rv=Cigarra
1-COLHEITA
Num pedaço de terra
encabulada, mambembe
o caminho de volta
a colheita, o ritmo
o rio, a semente
Planta-se o inhame
e nove meses esperar
o parto da terra.
Planta-se o caldo
e docemente esperar
a cana da terra
Palavra: eis minha safra
de mão em mão
de boca em boca
uma porção Campestre,
Potiguar um ser.
2-NEM MAIS NEM MENOS
Um homem, uma mulher
são o que são:
palimpsestos
pássaros
deuses
mágicos
videntes
astro/estrela
de Altamira a Lascoux
Asteca/Pankararu
Fulni-ô/Xavante
Potiguar, quem sabe?
Íntimos irmãos da terra
salvaguardam o limo das pedras
o vôo dos peixes
e os sagrados rios navegáveis
3-O ZEN DA POESIA EM CONSTRUÇÃO*
O cosmo é poesia
a energia é poesia
e quando se misturam razão e coração
tudo depende do modo que a gente vê:
um monte de gente pequena
fazendo cata-ventos de papel
parece uma nova tribo: Íris, Caio, Davi
Rudá, Mariana, Ian e Mimin
e tudo depende
do jeito que a gente vê:
um caracol voando e uma rã pulando
de-va-ga-ro-sa-men-te
uma estrela do mar
e um cavalo no azul marinho
o cochilo do pássaro
e uma nuvem passando
a bailarina do circo
e um pônei dançando
uma casa na árvore
e um boizinho pastando;
um arco-íris no jardim
ou uma flor na janela
tudo pode ser poesia
depende do jeito de ver
o poder a mágica
que a palavra pode ter
*poema em construção, escrito inicialmente na manhã do dia 18 de janeiro de 2008, na praia de Piedade/PE.
4-CUMPLICIDADE
Agora e pela hora da minha agonia
louvo Trindade e Jorge de Lima
cantando,
catando as duras penas, só.
– De onde vem, Solano, esta agonia?
– Vem de longe, nega, muito longe!
De Afroamérica sonhada,
lá, donde crece la palma
plantada en versos de alma,
del hombre José Martí.
– De onde vem, Solano, esta agonia?
– De muito longe, nega.
Do comecinho das coisas;
de muito longe, minha nega, muito longe...
5-RETRATOS
Saúdo as minhas irmãs
de suor papel e tinta
fiandeiras
guardiãs,
ao tecer o embalo
da rede rubra ou lilás
no mar da palavra
escrita voraz.
Saúdo as minhas irmãs
de suor papel e tinta
fiandeiras
tecelãs
retratos do que sonhamos
retratos do que plantamos
no tempo em que nossa
voz era só silêncio.
4-ROSANA BANHAROLIJornalista. Sou rebento dos anos 60. Nasci sob a epifânia dos Reis Magos, na hora mágica –, meia-noite. Bênçãos confluídas:céu e inferno;sagrado e profano; auroras e raios.
Meu nome? – Rosana Banharoli (rosana_banharoli@hotmail.com)
1-NINHO
menção honrosa no Mapa Cultural de São Paulo 2007/2008
Nas barbas do frio,
percorri a noite.
Vi crianças soltas ,
no tempo, em estrados
de concreto aparente.
Ouvi gritos histéricos
e tambores, sussurros
e devaneios.
Insólita e só,
dancei Mozart e
declamei Hilda Hilst.
Desci às entranhas
e senti vida em galhos secos
e folhas soltas.
É inverno!
Julho/2007
2- Chuva Magnética
Do alto reino,
desce a serpente,
desenhando o
tempo de metal.
A chuva,- personificação
dos erros ,
de Kiko Zambianchi-,
sai dos sonhos e,
cobre com maçãs,
o suor dos homens.
Mastigadas, em noites
de fios de prata,tecem
ligamentos cognitivos,
nas teias do profano.
Em leis iniciáticas,
ritual em lavagens
dos velhos porões,
habilitados por evidências
torturas,
arrastam correntes
e libertam fantasmas.
Chuva,Chuva...
Ressuscita tatuagens,
vestidas de transgressão,
em novas manhãs.
Todos os caminhos,
desnudos.
3- Aplausos!
Aborígine em seu território Inca,
De espectrais delírios
A enlouquecer, ver e ser.
Sobrevivente das encruzilhadas,
De seus joelhos.
Xamã espacial e seus txnás –
Cantadores do cipó:
“É preciso estar atento e forte
não temos tempo de temer a morte..., “
balançam a floresta urbana,
da rua Jamaris, no Ibirapuera.
Miração ancestral,
De desejos inclassificáveis.
Viagem lúcida, mestiça,mística
De homens e almas,
Em Ney Matogrosso, em noites de abril.
Abril/2008
4-Eu, montanha
A ilusão me reveste em verdades.
Uso várias roupagens.
As águas profundas ,
em meu subterrâneo,
denunciam a ordem universal.
Viemos do mesmo éter.
Em meu ventre,
trago o magma do fogo sagrado e,
em meu peito o segredo de Gaia.
O tempo, em mim, não adormece.
Possuo todas as idades.
Guardo em meus escuros ,
todo o mistério dos mundos paralelos.
Mas não viole o selo e,
tampouco, meu santuário profano.
M eu sopro de mãe
que protege o cálice ,
será envenenado.
Gargarejo com os vômitos dos que me intrujam
e cuspo, por minha vagina,
o gozo dos aniquiladores da espécie.
Março/2008
Exercício após leitura do conto, O Túnel, de Máximo Gorgi – aula 2.
5- A DISPUTA
ELLBA
No auge de tempestuosa disputa
entre o corpo e a alma,
o baú, antes só visto através
da imagem refletida no espelho,
é finalmente aberto e
a luz começa a entrar.
A alma quer ser desvelada,
E o corpo hesita.
Junho/2007
5-DU CARMONADulcinéa Carmona, paulistana com muito orgulho, formada em Comunicação Social/Publicidade & Propaganda.Escreve desde os 15 anos de idade, mas tem seus escritos somente de 2005 em diante, iniciando suas publicações à partir de Abril/2007.
“Nasci na minha São Paulo, que amo de paixão.
Sou devota do amor desde então.
Não me considero poeta, apenas inspirada à externar minhas emoções da maneira mais espontânea.
Escrever pra mim é terápico”.
1-Além de mim
" Sou o estranho
Que tua voz canta
E me encanta.
Que vem de dentro
E fica pra amar...
Sou o segredo oculto
Pra muitos...
Sou o que sinto !
Sem mito.
Não sou o que vejo
No espelho.
Sou o desejo
De um beijo,
Na alma.
Sou o reflexo
Que me acompanho
Sem calma.
Sou a minha alma
Sem fim.
Sou o Amor Eterno
Que insiste.
Me acompanho
E sinto
Sem mito,
Sem fim.
Sou tua,
Sou minha
Alma
Além de mim.
Sem fim... "
Grupo Ecos da Poesia em homenagem
ao Dia Mundial da Poesia - 21/03/08
http://unesco.ecosdapoesia.net/2008/amar_ao_proximo7.htm
http://recantodasletras.uol.com.br/poesiasdeamor/831861
2-Estou aqui...
Estou aqui
De joelhos, trêmula,
Despida de mágoas
De títulos, sem didáticas.
Descalça, de boca serrada,
Ouvidos atentos,
Coração aberto.
Em mais uma Primavera.
Quero agradecer
Meu jardim Florido de Rosas,
Que exala essências de anos vividos
De todas as cores
E tantas outras a desabrochar...
Estou aqui
Vestida de sonhos, de vida!!
Querendo aquietar meu coração
Em mais um ano,
Para poder continuar...
E peço perdão,
Por não saber se tenho direito
Ao sol que carrego em meu peito
Que queima como fogo...
O fitar da lua,
O brilho das estrelas...
O encanto do mar.
O sopro do vento
Que me leva
A cada amanhecer...
Estou aqui, para pedir perdão
Por não conseguir orar
Sem mostrar a dor que sinto
Em meu peito...
Estou aqui, pelo meu egoísmo
De exalar o amor sem sentido,
Num mundo tão cruel
Ao qual vivo, longe daqui...
Estou aqui, para pedir Perdão!
Por faltar à humildade
E ter tudo que tento me despir
E me achar no direito
De estar aqui...
http://recantodasletras.uol.com.br/poesias/919942
3-Anjo Caído
" Grita o silêncio...
Ferindo a alma!
Asas caídas,
Traídas...
Som do delírio,
Anjos feridos...
Palavras ao vento,
Areias em brasa...
Olhos sem alma...
Universo em chama!
Flores no mar...
Alma que clama!
Mãos vazias...
Coração ferido,
Anjo caído...
Traído! "
http://recantodasletras.uol.com.br/poesias/893258
4-"Devaneio"
" Entre devaneios
Céu em chamas
Terra, marés e ondas
Entre Ansiedade
Sensibilidade, paixão
Imagens em explosão
Sem tradução, desconhecido
Medo maior por um sonho
Complexo? Desconexo
Delírio? Não!
Devaneio que vão e vêm
Loucos medos
Sem pensar, sem ter nem encontrar
Disfarçado... Complexo...
Agora sem medo, veloz
Silencio escravo da mente
Passado ido é presente
E futuro renovado
Agora sem culpa
É razão, compreensão...
Sem iludir a verdade
Que o presente traz
E o devaneio se desfaz ... "
http://recantodasletras.uol.com.br/poesias/725078
5-" Amor (do Poeta) "
" Sou o teu Amor, tua paixão, tua emoção:
Sou o reflexo da lua no mar... sou tua lua nova.
Sou o exagero do céu em noite de lua cheia
Sou tua estrela cadente, cumprindo teu desejo ardente
Sou a brisa do mar e trago tua inspiração
Amor cantado em versos, em forma de poesia...
Faço parte de toda tua arte,
Viro poesia e até uma canção...
Sou o Amor do Poeta exagerado
Intenso em versos e escritos com paixão
Sou a dor do amor sentido e entregue;
Dor desnuda que faz virar Amor numa canção.
E vivo da tua paixão... Sentindo tua emoção.
Sou tua inspiração, e viro poesia e até uma canção.
Sou o Amor do Poeta que fala com a alma
Entre palavras e versos, revelações...
Sou o Amor do Poeta,
E tua inspirada solidão... "
http://recantodasletras.uol.com.br/letras/694423
6-EFIGÊNIA COUTINHO ( MALLEMONT )Nascida em Petrópolis - RJ
Formada em Artes, se especializou em Tapeçaria de TEAR, buscando os seguimentos Indígenas e sua História Natural,tendo participado de várias exposições.
Em 1977 foi residir em Florianópolis SC, e há três anos mudou-se para Balneário Camboriú -SC - 1999 -
" Não sou poeta, apenas desenho sentimentos"
E.C.
A poesia surgiu em minha vida ainda nos sonhos de adolescente, quando menos esperava , lá estava eu com o papel e a caneta na mão, extravasando a minha emoção...Com o passar dos anos, acho que fui me perdendo, esquecendo de como era gostoso embarcar nesta viagem.
Não segui carreira ligada ao mundo das letras, e pouco conhecimento tenho de Literatura. Escolhi Artes como profissão, mesmo sem haver retorno financeiro, pois nada se compara aos tesouros da alma.
Este dom maravilhoso de escrever ficou hibernado durante muitos anos, e como na vida nada acontece por acaso, foi em um desses acasos, da paixão pela arte da poesia, que ressurgiu a poetisa. Percebi que existiam em mim sentimentos que extasiavam meu coração, mas a única forma de vivenciá-los era através de palavras. Meu estilo preferido é o lírico, onde escrevo sobre as inquietações do coração, mas também adoro o erotismo, estimula a minha libido.
O incentivo para continuar a escrever surgiu em Junho/1989, quando tive uma das minhas poesias, editada pelo grande poeta VALDEZ, para divulgar o meu trabalho em seu Site.
O reconhecimento e o carinho que recebi de algumas pessoas que me enviaram mensagens foi algo realmente muito gratificante e estimulante. Comecei a ver meus poemas espalhados pela internet em sites de poesias, e aos poucos nasceu o desejo de ter o meu próprio espaço. E assim ,aprendi Webdesigner com Geraldo Azevedo e sua esposa Isabel, a melhor Webdesigner que já conheci até hoje. E surgiu este site: dedicado a vocês,Poetas e amantes da poesia!
Neste espaço cultural, de forma transparente. posso abrir as janelas do meu coração e espalhar ao mundo meus sentimentos, sonhos e fantasias em forma de poemas. A poesia para mim, é um desafio da alma, às vezes apenas um sonho, ou simplesmente pura ilusão! Ela me leva para onde desejo estar, e as fronteiras são muito fáceis de ultrapassar... apenas palavras!
A vida tem sido muito generosa comigo, me deu uma família linda, amigos maravilhosos, reais e virtuais!! A experiência mais agradável que a poesia me proporcionou foi me redescobrir na alma!
Vou seguindo os caminhos que o meu coração ditar.
1-Espera
Horas de exaltação e de deslumbramento!
horas de sobressalto... e de êxtase inaudito!
Horas em que febril, o coração atento
sem revolta se entrega a apaixonado rito!...
Quando é funda a emoção, cada fibra estremece,
e, toda compungida, a alma mergulha exangue
num incerto cisma, numa doce prece,
que faz gemer a carne e murmurar o sangue!
Quem não sentiu jamais um instante brado
de vocação crescida dia a dia, de um coração
gêmeo no teu, capaz de afinidades intensas!
Agora, apenas tu me dás licença, de
consagrar-me a ti, ao teu devotamento sem
igual. E és meu sonho, meu terno Ideal!
Balneário Camboriú
2-Sonhos perdidos!
Fastidioso sonho, não me persiga,
Cale essa voz que leviana murmura.
Nem lei do amor, nem da ternura,
Ridícula idéia a querer me domar!
O peito cravado por teu cruel punhal
Os sonhos a que pede minha morte...
Dolorido, segue meu coração sem norte
Pela aventura que te seguia sem sorte.
Muitas vezes em seus gostos desviados
Oh ! alma, sem acordes, sem brandura,
Erguendo contra nós esta desventura.
Sonhos de esperanças concebemos.
Algum valor terão na eternidade?...
Restando só cinzas, os sonhos perdermos.
Balneário Camboriú
06.04.2008
3-POR AMOR...SEM FAVOR
Distrai meu coração sua alegria
Do sonho que embeleza à fantasia.
Em meu corpo, com formosura,
Orfeu renasce com sublime doçura.
Com amor, os sentimentos procura
É o candor que lavra dia e noite.
Dos pomposos sonhos duma sinfonia
Viver os vaticínios que amor cura!
Em teus olhos, descortinei doce abrigo,
Ao desafio reafirmo o meu sim,
Aconchegando teu amor por mim.
Triste de mim, abrir tua alma a dor
Ao livre coração que só ama...
O meu coração por ti se derrama!
Abril 2008
4-ANDARILHA
Meus olhos fitam teus olhos
Essa vontade de em ti existir
Êxtase para Amar sendo Amada...
Ao feitiço da magia e repetir!...
Para ti acenei gestos e sonhos
Os meus dias horas já são tuas
Sonhando-te venturoso com gosto
Os versos que oferto com afeto...
Andarilha até onde puder feliz seguirei
Este é meu gesto de exprimir-me
Para sermos apenas uma acepção.
O Amor clama e nele vou abicar
na constante exuberância...
Duma Andarilha que sabe Amar!
Balneário Camboriú
2007
5-CANTO DO AMOR
Cantarei em versos todo o amor
Na alquimia, ao céu e sons do mar...
Este amor que faz os sonhos altear
Na melodia do coração vem ninar...
Em teus afagos deixei suave candura,
Na melodia do ser, matizes do estar!
Ao sentir, tinha toda minha emoção,
Bem-fazendo, o silencio desta paixão!...
Assim, quando o divino fado recomeça,
Toda célere, me ponho ao teu alcance
Desejando entregar-me ao casto romance!
Os sons da razão em silente compasso,
O corpo esbraseado de desejos atravessa
Não há lonjura ou ensejo que me impeça.
Balneário Camboriú
12-04-2008
7-THEREZA CHRISTINA ROCQUE DA MOTTANa Íbis Libris você fala direto com os editores :
Thereza Christina Rocque da Motta nasceu em São Paulo em 1957. É poeta, editora e tradutora. Publicou Joio & trigo (1982), Areal (1995), Sabbath (1998), Alba (2001), Chiaroscuro (2002), Lilacs/Lilases (2003) e Rios (2003). Traduziu Thomas H. Cook (2001), Sue Monk Kidd (2006) , John Grogan (2006) , Edgar Allan Poe, Charles Dickens, Oscar Wilde, Anne Morrow Lindbergh, W. B. Yeats, John Keats, Shelley, Byron, Donne e Shakespeare (44 Sonetos escolhidos , 2007). Fundou a Ibis Libris em 2000.
therezaeditora@ibislibris.com.br
João José de Melo Franco (1956), poeta, publicitário, cineasta, tradutor e editor, é paulista de Barretos. Publicou Primeira Poesia (1979), Esse Louco Desejo (1980) e Amor-Perfeito (1984), Pequeno Dicionário de Termos Literários (1984) e Dicionário Biográfico Universal (1985). Em 2007, publicou O Mar de Ulisses e, em 2008, Diários de Amor Perdido . Traduziu Garcia Lorca, Antonio Machado, Apollinaire e Carmina Burana (poesia medieval em latim). É editor da Ibis Libris desde 2006.
joaoeditor@ibislibris.com.br
Íbis Libris Editora – Rua Almirante Alexandrino, 2746 A – Santa Teresa – Rio de Janeiro – RJ – 20241-263.
http://www.ibislibris.com.br
POESIA & LIVROS
A Ibis Libris surgiu como resultado da reunião de poetas que freqüentam as leituras de poesia no Rio de Janeiro e da necessidade de divulgar seus trabalhos editorialmente, dando-lhes um selo e estimulando-os a estar presentes em vários outros eventos.
Impulsionada pela vontade de trazer novos nomes, seja na poesia como na prosa, tem aberto caminho para que seus livros cheguem aos leitores e, estes, a uma nova geração de escritores brasileiros contemporâneos.
A partir de agosto de 2000, lançou livros de poesia, conto e romance, além de relatos autobiográficos, antologias poéticas, peças de teatro e estudos relacionados ao universo da cultura, reunindo mais de 200 autores reconhecidos e estreantes. Participa de Bienais no Rio e em São Paulo desde 2003, bem como de feiras de livros nacionais e internacionais, como a Primavera dos Livros, o Salão de Paris e a Feira de Frankfurt.
Lançamento :
Os momossexuais
Tavinho Paes
ISBN 978-85-89126-97-7
48 p. / R$ 15,00
Tavinho Paes reúne pela primeira vez em livro, em edição comercial, suas marchinhas carnavalescas. Pela própria definição no livro, Momossexuais são "grupos de pessoas que fazem sexo em ritmo de carnaval". Em seu tom sempre debochado, o autor sapeca o verbo para falar dos mais diferentes tipos humanos tão conhecidos da história nacional.

6 Comentários:
Selmo, mais uma vez venho te saudar pela seleção de poetas que tanto têm a nos dizer, cada qual a seu modo. Ressalto aqui a poesia intensa de Graça Graúna e a lírica de Efigênia Coutinho. Não posso deixar de dizer, entretanto, da beleza que encontrei nas palavras tão particulares e especiais de cada autor.
Parabéns a todos pelo belíssimo trabalho!
Com carinho,
Márcia Sanchez Luz
Por
Márcia Sanchez Luz, Ã s 6:32 PM
Este comentário foi removido pelo autor.
Por
Unknown, Ã s 4:51 PM
SELMO, a cada dia, novos poetas se
apresentam no seu espaço, provando
a grande importância do seu traba
lho incentivador.
Quero deixar meus parabéns aos poe
tas participantes e, também, um abraço a DÚ KARMONA que apresentou
belos poemas e enviou convite, di
vulgando o Momento Lítero Cultural
55.
Com carinho
CIDA LORO
*exlui o anterior pois havia pos-
tado com erro.
Por
Unknown, Ã s 5:06 PM
elmo
A cada linha que vc constrói nesta página, um poeta se ergue noite ou dia a dentro.
Agradecidos, ficamos a essa tomada fértil de lucidez e fúria que vc sustenta!!!
Ave poeta!! Ave poetassssss
Roseli Sousa
Por
Anônimo, Ã s 5:42 PM
Este comentário foi removido pelo autor.
Por
., Ã s 2:37 PM
Selmo aplausos para seu trabalho cultural, considero poetas de alma aquele que ajuda aos amigos divulgando os sonhos de cada um.
Todos tem uma biografia cheia de belas poesias.Muito obrigado pela sua ilustre amizade. Forte abraço!
Emanuel Carvalho
Por
., Ã s 2:43 PM
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