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23.8.07

MOMENTO LÍTERO CULTURAL Nº 28

MOMENTO LÍTERO CULTURAL Nº 28

1-ILDÁSIO TAVARES

1. IDENTIFICAÇÃO
1. – Ildásio Tavares
1.1 – Data de Nascimento: 25 de janeiro de 1940
1.2 – Nacionalidade: Brasileira

2. EDUCAÇÃO FORMAL
2.1 – Graduação
2.1.1 – Bacharel em Direito – Universidade Federal da Bahia – 1962.
2.1.2 – Licenciado em Letras – Universidade Federal da Bahia – 1969.

2.2 – Pós-graduação
2.2.1 – Curso Especial de Desenvolvimento Econômico – CEPAL / SUDENE – 1963.
2.2.2 – Master of Arts in English – Southem Illinois University – 1971
2.2.2 – Doutor em Literatura Portuguesa – Universidade Federal RJ – 1984.

2.3 – Pós-Pós-graduação
2.3.1 – Pós-doutoramento na Universidade de Lisboa, com bolsa do Instituto de Cultura e Língua Portuguesa, ICALP-1990.

3. ATIVIDADES DIDÁTICAS
3.1 – Professor Assistente de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira – Southem Illinos University – 1970/71.
3.2 – Professor Adjunto de Literatura Portuguesa – Universidade Federal da Bahia – desde 1975.
3.3 – Professor de Inglês e Literatura Americana – Instituto de Estudos Califórnia da Universidade Católica do Salvador – 1965/1975.
3.4 – Professor de Inglês e de Literatura Brasileira – Convênio Adams State College / Universidade Católica.

4. ATIVIDADES ARTÍSITCAS, LITERÁRIAS E CIENTÍFICAS
4.1 – Publicações Científicas
4.1.1 – Vinícius de Moraes – ensaio – Poetas do Modernismo – Instituto Nacional do Livro, Brasília, 1975.
4.1.2 – Vários artigos filosóficos, Revistas Ângulos e Afirmação – Salvador,1956/1960.
4.1.3 – Muitos artigos e resenhas literárias publicados em jornais e revistas de Salvador e do Rio e São Paulo, como o Jornal do Brasil e o Estado de São Paulo e em publicações científicas do exterior, em Portugal, Espanha, Estados Unidos e América Latina.
4.1.4 – Várias edições de livros com prefácios e introduções.
4.1.5 – Muitos artigos antropológicos sobre a Bahia e cultura negra do Brasil em jornais e revistas nacionais, montando a 117 títulos.
4.1.6 – A Arte de Traduzir – Livro de ensaios – Fundação da Casa de Jorge Amado, Salvador, 1994.
4.1.7 – Nossos Colonizadores Africanos – Ed. UFBA, Salvador, 1998
4.1.8 – Xangô – Pallas, Rio 2001.
4.1.9 – Candomblés na Bahia. Palmares, Salvador, 2001.

4.2. PUBLICAÇÕES CRIATIVAS
4.2.1 – Poemas nas Seguintes antologias
a) Moderna Poesia Bahiana – Tempo Brasileiro, 1967.
b) Seis Cantares de Amigo – Arpoador, Salvador, 1975.
c) Breve Romanceiro do Natal – Beneditina, Salvador, 1972.
d) Poetas da Bahia em Braile – Fundação Cultural do Estado da Bahia, 1976.
e) Poesia Moderna da Região do Cacau – Civilização Brasileira, 1977.
f) Doze Poetas Grapiúnas – Antares, Rio, 1979.
g) Sincretismo, a Poesia da Geração 60. - LYRA, Pedro (org) Topbooks, Rio de Janeiro, 1995.
h) Modernismo Brasileiro – Und die brasilianisches Lyrik der Gegenwart – Tradução e Seleção de Curt Meyer Clason – Ed Druckerhaus. Berlin – 1997.
i) A Poesia Baiana no Século XX - BRASIL, Assis (Org.) Imago/ FUNCEBE, 1999.
j) Literatura Portuguesa e Brasileira – Almino, João, SARAIVA, Arnaldo – Congresso Portugal – Brasil – ano 2000 - Porto.
k) Águas dos Trópicos - ALCÂNTARA, Beatriz, SARMENTO, Lourdes (orgs) SECULT / Ceará, Fortaleza, 2000.
l) A Paixão Premeditada – TAVARES, Simone Lopes Pontes (org.) Imago Editora. Rio 2000.
m) Poesia em Lisboa – 2001. Casa Fernando Pessoa, Lisboa.
n) Os Cem Melhores Poetas Brasileiros do Século – PINTO, José Nêumanne (sel.) Editora Geração São Paulo, 2001
o) Antologia della Poesia Brasileña. – Laiovento, Santiago de Compostela Espanha, 2001.
p) Viahje Puetichi – Antologia da Poesia Internacional, Ed. Albiana, Córsega, 2002
q) Fauna e Flora nos Trópicos - ALCÂNTARA, Beatriz, SARMENTO, Lourdes (org) SECULT / Fortaleza, 2002.

4.2.2 – Poemas em suplementos literários, jornais e revistas de Salvador e de circulação nacional, assim como poemas traduzidos e publicados na Bulgária, Estados Unidos, Tchecoslováquia, Argentina, Chile e Uruguai.
4.2.3 – Inúmeros poemas publicados em Portugal, Revista Colóquio, Diário Notícias de Lisboa, Revista Hífen, Anto, Saudade, etc. e na Espanha Revista Iberorromántica de Poesia Y Pensamento Poético – SERTA - 5 UNED, Madri, 2000.

4.2.4 – Os seguintes livros de poesia:
a) Somente um canto, Mensageiro da Fé, Salvador, 1968.
b) Imago, Porta de Livraria, Rio, 1972.
c) Ditado, Tempo Brasileiro, Rio 1974.
d) O Canto do Homem Cotidino, Tempo Brasileiro, Rio, 1977.
e) Tapete do Tempo, Tempo Brasileiro, Rio, 1980.
f) O Negro nosso de cada dia – Edições Palmares, Salvador, 1998.
g) Poemas Seletos – Fundação Casa de Jorge Amado, Salvador, 1996.
h) Livro de Salmos – Edições Palmares, Salvador, 1997.
i) Nove Sonetos da Inconfidência – Ed. Giordana, São Paulo, 1997.
j) Sonetos Portugueses – Pen Club, Lisboa, 1997.
k) Nove Sonetos da Inconfidência, 2a Ed. Lemos/Giordano SP
l) Odes Brasileiras – Imago, Rio, 1999.
m) Arenga – c/ Casimiro de Brito, Edição Palmares, Lisboa/ Salvador, 2000.
n) Poetas da Bahia – Século XVII ao XX – TAVARES, Ildásio (org), Imago, Rio 2001.

4.2.5 – Viagens de Gúliver – (Tradução) Jonathan Swift – Bloch, Rio, 1974.

4.2.6 – Contos nas seguintes antologias:
a) Doze Contistas da Bahia, Record, Rio, 1969.
b) Textos de autores baianos, GRD, Salvador, 1969.
c) Quatro estórias do Mercado Modelo, Grad, Salvador, 1970.
d) Dezoito Contistas da Bahia, Prefeitura do Salvador, 1970.
e) Moderno Conto da Região do Cacau – Antares, Rio, 1979.
f) Conto Baiano Contemporâneo – Empresa Gráfica da Bahia – 1996.
g) Ilhéus de poetas e prosadores, idem, 1998.

4.2.7 – Contos publicados em jornais revisas de Salvador e de circulação nacional.
4.2.8 – Livro de Contos e Novelas. O amor é um pássaro selvagem, Imago, Rio, 2000.
4.2.9 – Poemas traduzidos do inglês, espanhol, francês, italiano e latim assim como traduzidos do português para inglês e francês publicados em jornais, revistas de Salvador, de outros Estados e de circulação nacional e internacional.

4.2.10 – Colunas dos seguintes jornais:
a) Diário de Notícias – Salvador – 1972/1975.
b) Jornal da Cidade – Salvador – 1975/1976.
c) A Tarde – 1976.
d) Tribuna da Bahia – desde 1978.

4.2.11 – Os seguintes romances publicados:
a) Roda de Fogo, Codreci, Rio, 1980.
b) A Ninfa, Nórdica, Rio, 1993.
c) O Domador de Mulheres,Imago, Rio, 2003.

4.2.12 – Os seguintes espetáculos:
a) Sete Poemas Negros, Instituto Cultural Brasil – Alemanha, Salvador, 1976.
b) Medo, Teatro Gamboa, 1976.
c) Corte o cordão com os dentes, Adaptação de Moochildren, de Michael Weller – Teatro Santo Antônio da UFBA, 1976.
d) Caramuru, Teatro Castro Alves, Salvador, 1978.
e) Fernando Pessoa – Espetáculo de poesia – Gabinete Português de Leitura, Salvador, 1998.
f) Sete Cantos Negros. Teatro Cacilda Becker, Rio, 1982.
g) Quatro Mulheres em Pessoa – Teatro Santo Antônio UFBA,1988.
h) De Camões a Pessoa – Espetáculo de poesia. Teatro Santo Antônio, UFBA, 1988.
i) A Beleza Oculta do Lugar Comum – Teatro Laura Cesário Alvim, Rio, 1992.
j) Lídia de Oxum – Ópera negra, drama lírico (libreto), encenada no TCA, Teatro Municipal de SP e no Nacional de Brasília 1995, também encenada na Lagoa do Abaeté em 1996 com direção do autor.
k) Tragédia no Mar – Espetáculo de Arte Integrada comemorativo dos 150 anos de Castro Alves, Museu de Arte Moderna, 1997, Roteiro e Direção.
l) Fala Poeta – Apresentação de suas canções na MPB, roteiro e direção – Hotel Meridien, 1996.

4.3 – Os seguintes roteiros de filmes:
4.3.1 – Castro Alves em São Paulo, com Nelson Pereira dos Santos
4.3.2 – Sorriso Negro – com Gilmar Fraga
Observação: O autor teve participação como ator em vários filmes como Tenda dos Milagres de Nelson Pereira dos Santos e Capitãs de Areia de Hall Bartlett, e Darwin, BBC.

4.4 – A seguinte participação na música popular
4.4.1 – Letrista de música popular com alguns dos mais importantes compositores da MPB.
4.4.2 – Ganhador de alguns festivais nacionais e participante de vários.
4.4.3 – Pesquisador da música afro-brasileira de origem no Candomblé.
4.4.4 – Introdutor do ritmo ijexá (afoxé) na década de sessenta música Ossain.
4.4.5 – Prercursor da música de axé por suas músicas afro dos anos sessenta.
4.4.6 – Convidado para Áustria em 1991 para dirigir um “workshop” em música afro-brasileira, polirritmia e percussão, conjuntamente com Paul Simon, no Art Club Imst.

5 – ATIVIDADES PROFISSIONAIS
5.1 – Participação em muitos congressos, seminários, como conferencista e expositor na área Literatura Portuguesa e Brasileira, Música Popular e Cultura Negra.
5.2 – Criador de métodos e estratégias de ensino do Instituto Califórnia da Universidade Católica do Salvador, 1965/1975.
5.3 – Diretor de cursos do referido Instituto, mesmo período.
5.4 – Criador do livro texto Portuguese for English Students – Southem Illinois University, 1970.
5.5 – Criador e Presidente do Centro de Estudos Fernando Pessoa, 1986/91.
5.6 – Membro da Comissão Estadual dos 100 anos da Abolição.
5.7 – Coordenador do Encontro dos 100 anos da Abolição, Secretaria de Cultura do Estado da Bahia.
5.8 – Coordenador do Encontro de Escritores de Língua Portuguesa, com tema O Negro na Literatura de Língua Portuguesa, 1998 – Universidade Federal da Bahia/Secretaria de Cultura do Estado.
5.9 – Coordenador do Encontro dos 100 anos de Fernando Pessoa, 1988, Gabinete Português de Leitura, Salvador.
5.10 – Coordenador do Encontro dos 50 anos de Iniciação de Mãe Stella – As lalorixás do Axé Opó Afonjá, 1989 – Salvador.
5.11 – Coordenador do Encontro Socialismo do Futuro, Partido Popular Socialista, Salvador, 1991.
5.12 – Coordenador de Imprensa do Festin Bahia, festival internacional de música afro, Salvador, 1991.
5.13 – Coordenador do Simpósio dos 80 anos de Jorge Amado; Um Grapiúna no País do Carnaval, Universidade Federal da Bahia, 1992.
5.14 – Presidente da Associação de Estudos Portugueses, Hélio Simões (de 1996 s 1998).
5.15 – Coordenador da III Semana Internacional da Cultura Portuguesa UFBA – Gabinete Português de Leitura e ASS. Hélio Simões, 1996.
5.16 – Coordenador da IV Semana Internacional da Cultura Portuguesa UFBA – Gabinete – AEPHS: Secretaria de Cultura, 1997.
5.17 – Expositor no Congresso Portugal–Brasil Ano 2000.
5.18 – Representante do Brasil no Encontro Internacional de Poesia Poetry in Lisbon, Portugal, 2001.

6 – PRÊMIOS E TÍTULOS
6.1 – Ogan Omi L’arê na casa de Oxum, Axé Opô Afonjá, 1972.
6.2 – Obá Otun Arê na casa de Xangô, Axé Opô Afonjá, 1987.
6.3 – Prêmio Leonard Ross Klein de tradução, 1963 – Associação Cultural do Estado da Bahia, 1968.
6.4 – Prêmio Afrânio Peixoto de Ensaio – Secretaria de Educação e Cultura do Estado da Bahia, 1968.
6.5 – Prêmio Fernado Chinaglia de Poesia, 1978.
6.6 - Prêmio Poesia do Centenário, de Jorge de Lima, Secretaria de Cultura e Esportes do Estado de Alagoas, 1993.
6.7 – Cidadão da Cidade do Salvador – Câmara Municipal, 1989.
6.8 - Prêmio Ribeiro Couto, Obra Publicada, UBE, 1998.


2-ANTONIO DE OLIVEIRA GUTMAN

Antonio de Oliveira Gutman, médico-patologista, trabalho no INCa e participo de reuniões poéticas. Tenho 2 livros-solo publicados, CAMINHOS E ENCONTROS, e um terceiro com o TRIO LOS TRES
(com Reynaldo Sanchez e Fernando Sá), PAGANDO MICROS. Pertenço á ABRAMES(Academia Brasileira de Médicos Escritores) e á SOBRAMES-RJ(Sociedade Brasileira de Médicos Escritores-Capítulo Rio de Janeiro). Me identifico um pouco com Paulo Leminski, talvez pelo seu estilo conciso de trabalhar o poema.


DESPERDÍCIO
QUANTAS BOCAS OFERECIDAS
E NÃO BEIJADAS?
QUANTOS ABRAÇOS PEDIDOS
E NÃO DADOS?
QUANTOS AMIGOS FALECIDOS
E NÂO LEMBRADOS?
QUANTOS POEMAS ESCRITOS
E NÃO RECITADOS?



DEFINIÇÕES
BRAÇOS LEVES A ME CONDUZIR
MÃOS CHEIROSAS A ME ACARICIAR
OLHOS SINCEROS A ME ACOMPANHAR
ABRAÇO FORTE A ME PROTEGER
VOZ SUAVE A MA ACALMAR
LÁGRIMA AMIGA A ME CONSOLAR.



ARRANHOU A PELE,
A UNHA.
MARCOU A CARNE,
O DENTE.
ARREPIOU O CORPO,
A LÍNGUA.
CONGELOU A ALMA,
O BEIJO.
INAUGUROU A VIDA,
O SÊMEN.



O TIJOLO-A LETRA
A PAREDE-A PALAVRA
A CASA-O LIVRO
CASA ASSALTADA-LIVRO ROUBADO
CASA FECHADA-LIVRO NA ESTANTE
CASA VENDIDA-LIVRO MUDOU DE DONO
CASA DEMOLIDA-LIVRO CHEIO DE TRAÇAS
CASA ILUMINADA-NOITE DE AUTÓGRAFOS



BONITA GAROTA,
RAPAZ DE FINO TRATO,
AMBIENTE REQUINTADO.
CAI UMA GAROA,
CASAL APAIXONADO,
IDÉIA BOA,
MAS O POEMA É FRACO.



PRUDENTE-FALO, MAS CALO
TÍMIDO-CALO,ÁS VEZES FALO
RESFRIADO-SEU CAFALO
DESESPERADO-TEM UM CALO NO MEU FALO.



3-SERGIO GERÔNIMO


SÉRGIO GERÔNIMO ALVES DELGADO – Carioca. É Psicólogo, licenciado com pós-graduação em Psicossomática Contemporânea. Psicoterapeuta. Editor-chefe da OFICINA www.oficinaeditores.com.br. Ensaísta, contista, poeta. Publicou em poesia: PROFANAS & AFINS; OUTRAS PROFANAS; ENFIM AFINS (livro virtual); COXAS DE CETIM (2ª Edição); PANÍNSULA (2ª edição); BELABUN e CÓDIGO DE BARRAS – poesia. Coordenador dos eventos poéticos: TE ENCONTRO NA APPERJ e TODAS ELAS & ALGUNS DELES, no Rio de Janeiro/RJ. Fundador da APPERJ, atual presidente www.apperj.com.br – Associação Profissional de Poetas no Estado do Rio de Janeiro. Poemas traduzidos para o inglês, italiano e espanhol.


cadáver

Tiroteio tiroteio tiroteio tiroteio
tirateia tirateia tirateia tirateia
desse lado
cilada
emboscado
emboscada
tiro no tira tira no tiro
tirano tiro
de repente:
nada

tiroteio tiroteio tiroteio tiroteio

eram cinco para as cinco − ou quase
e o cadáver me olhava perplexo
cinco buracos em algo
que fora um corpo
eram cinco para as cinco − ou quase
antes do silêncio
do flapflap flapflap daquele helicóptero
dos morcegos o mais cego
eram cinco para as cinco − ou quase
e vespas vesgas sirenes
uivavam nas esquinas
babando justiça, babando justiça − babando
eram cinco para as cinco − ou quase
nos becos nas almas
nos medos nas gentes
nas úzis nos fuzis
eram cinco para as cinco − ou quase
crianças olhavam
homens olhavam
mulheres olhavam
urubus olhavam − ou quase
eram cinco para as cinco − ou quase
e a vergonha da impotência
com cinco buracos-cidadãos
não sei por quê
o cadáver me olhava perplexo
às cinco para as cinco − ou quase
eram cinco para as cinco − ou quase

tiroteio tiroteio tiroteio tiroteio


febre
(para Nilton Alves)

Os arcos da lapa
ardem de febre
é − ardem
junto a eles as moças-de-boa-família
ardem de febre
os bondes-de-teresa sobrevoando
ardem de febre
cães e postes dualidade inseparável
ardem de febre
as ratazanas que atazanam os hot-dogs
ardem de febre
(cebolas e pimentões também)
os holofotes imaginários desse palco
ardem de febre
é − ardem
a poesia espreita pelas esquinas
elas?
ardem de febre

e eu nesse semáforo quebrado
espero e espero o frio passar
é − espero...


código de barras

Nenhum tempo é suficiente
o facho de luz verde/vermelho
senvergonhamente lê espaços
escala linhas verticais
escaneia do topo ao sopé
horizontal lente
integra indistintamente números e letras
páginas e rótulos
é soberano
não existe leitura igual
nem sentimentos desprezíveis
sequer expressões do tipo
já conheço!
são únicos
demonstra surpresa no ato
quando desata os nós dos vocês
individualmente marca
registra a tatuagem − você
manifesta-se ao mundo por extensão
vértices vindo em algarismos
se zero ou um − binariamente não sei
xis, ípisilon ou zê de séries inimaginávies
em vademecuns perdidos talvez

mas você é código (inviolável)
afinal
ser código é até plausível
puras exclamações
barra é ser poeta


carioca

As antenas do sumaré
atentas
à direita o maciço da tijuca
à esquerda mr. corcovado
...da baía
janela aberta de uma barca
um rio calmo
dormindo...
a esperança de um primeiro
amanhecer à espera de uma paz
uma época de bailes fiscais
uma villegagnon sem ponte
fortes silenciados
e um ronronar de cantareira
assobio profundo ecoando
nas margens das cidades
araribóia confirma
daqui em meio ao mar
de lentas vagas
vago em minhas lentes
spotlights intermitentes
e entre um & outro foco
irradio que o rio é lindo
− cartão-postal de niterói −
praguejo sem muita fé
as antenas do sumaré
sorriem
o maciço da tijuca
escolta
mr. corcovado
traduz a legenda
e apesar de tudo
de tudo mesmo
tudo isso é um ‘rio de janeiro’!


nem tão santo assim

Fui batizado para não morrer pagão
e na pia batismal
pasmem!
meu primeiro banho desnudo
portanto nem tão santo assim
um pouco adão
dormi entre oratórios
guardei promessas em relicários
absorvi mandamentos
a la maria vai com as putas
em puras transgressões
portanto nem tão santa assim
deambulei por escusas esquinas
e casas de conveniências
em procissão sem profissão
professando rosários de contas negras
portanto nem tão santo assim
agora de frente à verdade
enfrento de joelhos absolvições
contrito e convertido
rezo humanidades
em romarias e peregrinações
sem fim
mas com um olho sim e outro não
afinal nem tão santo assim
ainda...



4-SERGIO F. LOSS FRANZIN

Sergio F. Loss Franzin (também nome literário) nasceu em Itaguaçu, ES, em 4 de dezembro de 1969. Passou sua infância e adolescência na zona rural, e, motivado por isso, em 1986, se formou Técnico em Agropecuária na Escola Agrotécnica Federal de Colatina/ES. Sua região, entretanto, não oferecia grandes oportunidades, razão pela qual apostou em Rondônia e emigrou para Jaru, em 1987. Pouco tempo depois, ingressou na educação por meio de um concurso público realizado pelo Governo do Estado, como Técnico em Agropecuária, mas somente concluiu o Magistério ao longo da carreira. Intensificou seus estudos na área e se formou no curso de Letras, pela UNIR, para depois concluir pós-graduação em Metodologia do Ensino de Língua Portuguesa e Literatura, pela Educa ― empresa vinculada à Celer Faculdades.
O autor possui nove obras publicadas:
Poesias: Escada para a consciência (1995); Frutos da reflexão (1995); URA (1996); Quando as rosas sangram (1997); Formas, fórmulas e substâncias (1999); Amor que cresce (2000);
Romances: Três chaves e muitas portas (2002); A Feirinha: onde o pecado era não pecar (2004);
Crônicas: Entre isto e aquilo (2006).
Já conquistou os seguintes prêmios:
1.º lugar no Concurso de Poesias da Prefeitura de Jaru, com o poema “Agonia” (1994);
2.º lugar no 1.º Concurso de Poesias do SINTERO ― Sindicato dos Trabalhadores de Rondônia, com o poema “Amar, verbo transativo” (2005);
1.º lugar, pela região Norte, no concurso Viagem Nestlé Pela Literatura, juntamente com 20 alunos do Ensino Médio da Escola Capitão Sílvio de Farias, de Jaru/RO, com o texto “A leitura dos múltiplos” (2004);
Semi-finalista no concurso Viagem Nestlé Pela Literatura, juntamente com 10 alunos da 8.ª série do Ensino Fundamental da Escola Capitão Sílvio de Farias, com o texto “Diálogo-viagem com sabor de conhecimento e inventividade” (2005);
Finalista no concurso Viagem Nestlé Pela Literatura, juntamente com 10 alunos da 8.ª série do Ensino Fundamental da Escola Graça Aranha, de Jaru/RO, com o texto “O quarto reino e a nova esfinge” ― o melhor texto da região Norte na categoria.

Informações sobre o concurso Viagem Nestlé Pela Literatura podem ser obtidas no site www.nestle.com.br/viagem.

No momento, o autor está produzindo contos e poemas, com planos de publicação no ano de 2008, mantendo a regularidade de um livro a cada dois anos, nestes últimos tempos. Ou autor ainda mantém um blog onde divulga conteúdos envolvendo língua portuguesa, atualidades literatura e outras formas de arte: http://sergioloss.blog.terra.com.br.

AMAR, VERBO TRANSATIVO


Felina Ferina Bichana Arcana
Eu a chamo...
Princesa Acesa Beleza Presteza
É a chama...
Macia Mexia Queria Poder
É a cama...
Desejos Gracejos Lampejos Beijar
É a trama...
Perfume Ciúme No lume Amar
É a alma...
Querendo Podendo Falando Fazendo
É o corpo...
Que pede, não cede! Cede, não cede!
Mentindo (só no ar)!

Poeta Ninfeta Estreita Enfeita
É o nexo...
Ardente Fervente Latente Inocente?!
É o sexo...
Fetiche Feitiço Feitio Fugidio
É o léxico...
Melindre Malandra Me ladra Melada
É o plexo...
Entrelaçados Entremeados Estremecidos Intumescidos
É o fluxo...
Orgásmico Orgânico Orgíaco Paroxístico
Tão rígido...
Que cede, não cede! Tem sede, tem s(é)de!
Movendo-se (por dentro) amar!

Faceira Fagueira Figura Marcar
É a cara...
Completa Repleta Repita Querer
É a tara...
Tão linda Não finda Tão fada Brilhar
É a rara...
Quisera Pudera Pusera Deixar
É a ara...
Pequei Provi Previ Provei
Tão úmida...
Embevecido Embebido Embriagado Ensandecido
Tão cálida...
Que trança, não trança! Avança, avença!
Pôr dentro (movendo-se) em par...


O QUARTO REINO E A NOVA ESFINGE

Quem viaja pela literatura sabe: o inexistente e o impossível são provisórios. A qualquer momento, as pedras podem cantar, a indiferença se tornar amor, o medo desaparecer da alma despreparada de príncipes inexperientes. Nas alegorias de um olho de vidro e 23 histórias costuradas por tantas outras, brincam-se palavras, seguem-se trilhas familiares para o encontro do inusitado. No aquém e no além do inavistável, passando por entre torres, terras e serras, pinçam-se os contos, colhidos nos campos, em covas de raposas, nos ângulos de rios cruzados, ao novo dizer:
A moça chega mistério,
Toda molhada de rio,
Salamandra ao tornozelo.
Falcão tira garça do ar
Para um rei ambicioso
E que nunca soube amar.
Um homem come uma fera;
Uma fera come um homem;
Homem e fera se consomem.
A realidade penetra na literatura, que penetra na realidade, num fluxo e refluxo que mantêm a arte um caminho do ilimitado. As textualidades entrelaçam fatos, mitos, medos, coragens; abrem leques de surpresas num universo de encantamento, iniciado para o sem-fim. Quem dá é a manhã, o meio-dia, a tarde, a noite. A linguagem figura o mundo em telas de letras, dispostas na amplitude da nave-pensamento. Daí que...
Em terra de bons leitores,
Quem tem mais literaturas
Vê com os olhos de águia.
Mineral, animal, vegetal e literário:
Amalgamando os três primeiros,
O quarto reino é o infinito.
Pelas entrepáginas dos intertextos,
Transdisciplinarizamos os contextos
Na pan-hegemonia do libertar.

A viagem literária colhe e semeia olhares. Os olhares mudam as pessoas, que mudam os olhares ― quase num palíndromo. Mesmo que sejam olhares de um olho só... E desde que sejam olhares vivos, dinâmicos... olhares caleidoscópicos que não são de vidro, que não perdem os eventos nos entreventos do vir-a-ser e estar-sendo: erguem-se as torres; trançam-se os cabelos; crescem os ciprestes; segue a nova esfinge, olhos de águia, frente e verso, avesso e inverso, versão e versar, ler, pensar e criar. Quanto melhor olha, mais descobre que viajar pela literatura faz bem.


O P DO PROFESSOR PROFICIENTE

O Professor professa, professa,
Professar é o seu mister,
Numa profissão de fé.

Prefere proferir proficiências,
Primando pela prática eficaz,
Promovendo primazias em suas primaveras.

Pronto para as premissas,
Promove debates prioritários,
Com o privilégio dos que estão em permanente
prontidão.

Seu P é maiúsculo, primoroso,
Político, pacifista, predeterminado,
Pelos princípios de promover a primazia dos cultos.

Seu P é, ainda, pluridimensional,
Pluralista sempre, plugado no mundo,
Pondo em pontos e contrapontos

Todas as letras do alfabeto,
Com que se escreve a história dos homens e do mundo,
Nos livros de uma nação com riquezas de A até Z.

Com predileção, enaltece seu P,
Podendo, pedindo, perguntando,
Produzindo roteiros em prol da prosperidade.

P de permanente exercício da profissão,
P nomes numa seqüência infinita,
Pronta para promover polivalências.

P de perfeito, imperfeito, pontual,
E não de prematuro ou provinciano,
De impróprio ou imprudente.

O P do Professor é prolífico e proficiente,
Polêmico, parte de um todo imprescindível,
Na premissa de poder provar prestezas.

P que se sobrepõe, que se superpõe,
Que se desloca prazerosamente sempre pronto,
Unindo pontos, palavras, pressupostos.

P que se engrandece publicamente,
Ao lado de tantas outras letras, prolíficas,
Promovendo eventos de promissão para os povos.


BELDADE

A bela idade não nasce no nascer.
Não a bela idade dos olhos sáficos.
Nasce no nascer a idade imprecisa
E a beleza diferente dos olhos vários,
Nos olhos tantos, nos olhos tontos,
Tonteados pelo materno, cor de leite,
Tanteados pelo eterno vício de opinar.

A bela idade sáfica,
E até a não sáfica
(Será possível?),
Não nasce no nascer placêntico,
Nem no conceito platônico ou socrático,
Nem no descrever pseudocrítico,
Por que o que vale mais,
Razão ou desrazão?


A bela idade conta

Um dois

Início

Meio

Frente e traz

E

Depois

A bela idade canta, conta,
Beldade sonora sem voz, com fala,
Fálica, idade bela, macia, encarnada,
Carnuda, descarnada, conforme o momento
Conforme a etiqueta, conforme a janela dos olhos,
Quadrada ou redonda, rendada,
Sem renda, enredada, num paraíso persistente.

A bela idade surge, sem idade,
Com idade, beldade que passa e repassa
Tanto mais, quanto mais beldade for.
A bela idade é uma coluna do meio
No meio da qual se embalam outras idades,
Nos conceitos das fases freudísticas ou não.
Paradisíacas sempre, físicas,
Orgânicas, hormônicas, harmônicas.

Mas a bela idade passa
com a beldade que passa

Um dois

Ainda


O
início

E o meio

Frente e traz

Até
quando?



A bela idade é uma beldade que passa?
Já passou e continua a passar.
Belidade em flor que desabrocha,
Belidade que murcha, botão distante.
Mas não menos
Bela idade
Para
Aqueles
Que nascem
No renascer
De
Si
E
Do
Outro,

Mesmo que despencados, despetalados,
Às janelas insensíveis, que olham, olham e não entendem.


AMOR ONOMATOPAICO

No dia em que conheci você, splash!
Mergulhei nas águas que viram mundo,
Seu mar... Chuá!
Revirei nas ondas de seus cabelos... shee-plaft!
Deslizei tão liso zzzuuuupt! em seus desejos
E sorvi o seu gosto sibilante na inversa: affff!

Quando me recompus zuuummm minha cabeça...
Rodopiando em muitos graus de intensidade,
O meu coração pam, pam, pam nas paredes do peito,
As veias puf, puf, puf, pulsando sangue + q sempre,
O pulso com seu modo surdo de pulsar...
E a alma com seu modo mudo de dizer: Huummm!

As idéias tic, tac, tic, tac, como um relógio,
Batendo sílabas sem formar palavras ploc, plec, crac.
Tive você um dia e parece que girei o muuuunnnnndoooo,
Com muitas glórias clap, clap, clap palmas para mim,
Com muita força tudo explodindo pou, pou, pou!
Com muita brasa tudo trepidando por dentro crec, crec, crec...

Vvvuuuuuuuu... um vento de descoberta passa...

Pssssss... no silêncio de mim mesmo, eu começo a compreender
Que as badaladas do sino bléim, bléim, bléim anunciam
A chegada de um eco de amor, um amor onomatopaico... aico...
Desses que quisera que crescesse, explodisse, derramasse... asse
... No som da alegoria dos sonhos, as retumbâncias... ânsias...
Do prazer: oh, humm — paf, paf, paf — ung, uh! aaaahhhh!!!



5-JEAN-PAUL MESTAS

Jean-Paul Mestas, nasceu em 1925 em Paris onde se formou em Engenharia. Poeta, Ensaísta, Crítico, Tradutor e Conferencista. Foi professor e História da Poesia Romena na Sorbonne, em Paris. Traduzido em 15 línguas, é autor de mais de sessenta livros. Membro da Galeria dos Amigos do Lítero Cultural / jornal Alto Madeira. Reside em Vichy, França.

Terra de Exílio

Recitar o silêncio
Ao menos tê-lo-ei feito
depois de um infernal exílio
como que para distanciar
um rosto incomodo
de idéias envergonhadas
e o rouxinol aflito
nos braços de uma árvore maldita.

( Livro : Através de uma nuvem )

Castelo Branco

O dia brilha nas palmas
com loureiros cor de rosa
e cabazes de laranjas.

Felizes as aves vivem
aqui uma história tranqüila
e liberta de queixume.

E Deus atravessa as ruas
sem ocultar o seu rosto.

( Livro : Dizer e Simplesmente )

Gólgota

Murmurou este nome
mudando a água das flores.

A tarde hesitava.
As crianças lançavam os seus balões
num quadrado de céu.

A luz teve de repente
uma cruel intuição

e o silêncio um arrependimento.

( Livro : Eterna Poeira )


6-ANDREA CRISTINA LOPES

Andrea Cristina Lopes, nasceu em Campo Mourão Paraná em 07 de outubro de
1973, professora de Português e Inglês, desde cedo encontrou na escrita seu
refúgio secreto.
Fã incondicional dos versos de Cecília Meireles e Fernando Pessoa, nunca
perde o encanto pelos escritos desses grandes mestres.
Além de poesias, escreve também contos, literatura infantil e crônicas.


Encontrei

No ávido dos teus olhos
a doçura que meu olhar sonhava
entreguei-me lua clara
no âmago do teu sorriso
mãos afáveis que douravam
de toques os meus cabelos

Abriguei segredo eterno
ao som das palavras esperadas
despertei, íntima, em minha alma
felicidade, jamais sonhada

Alcei vôo, conheci celeste
trajetória dócil,
ondas ornadas dos teus cabelos
me fiz branda de alegorias
e, revelei-me
sem medir conseqüências

Naveguei teus lábios
contornei tua pele
adentrei o mar
toda expressão era vida
em seu frágil delirar

dizias - quero o que existe em ti
mas quero também que queiras
o que de bom existe em mim e assim
desvendou-se me o doce mistério
enigma oculto pelos dias idos
dias idos e não vividos
querendo-te por toda vida

Quanto esperei por teus beijos
quanto almejei esse olhar
se hoje estou mais suave
devo a seus olhos esse sonhar
devo a suas mãos o descanso
mãos limpas que me tocam
na sublime intenção
de acalmar o meu corpo

Cerro tranqüila meus olhos
na convicção de que ao despertar
verei você, primeira efígie
e isso, eu sempre precisei

...........

Enquanto

Na noite a cumplicidade dos afetos
Obedece a uma escalada suprema
Pela rota das nebulosas
Estrelas hirtas são poemas

Na noite sob a penumbra
Amantes repousam serenos
Canteiros revigoram seus galhos
Tin tinam grilos amenos

Poetas presenciam estrelas
Pela noite onde se aquecem amores
Criptas sacras são tocadas
Umedece o orvalho, às flores

Nesse tempo irrestrito de silencio
Ao céu eleva-se uma prece
E ouve-se de estrelas a aresta
No brio da noite que adormece

............

Calmaria

Tenho sede, infinita sede
Tenho sede de te escutar
Indagar antigas histórias
cantigas do teu ninar

Saudades das mãos macias
Monções, desértica areia
Crepúsculo rosáceo abrindo
A tela da lua cheia.

..........

Alvorecer

É noite alta
Em meus ouvidos ouço estrelas atormentadas
Sentidos vagos não tentam dizer nada
Tudo é um ermo de cinza escuro e secular.

Ouço ruídos
Alegorias sutis e elevadas da noite
Que no silêncio retinem alto, açoites
E, taciturnos florescem os galhos

Que mansidão
A alvorada é um mar levemente acalmado,
O pensamento emudece acanhado
Em reverencia ao sol que adentra o dia.

Meus olhos, janela aberta,
Que sonolentos elevam além de mim
Da noite clara, exaurida, seu fim
Devagarzinho cedendo ao dia, a vida
E pássaros se acordam, eufóricos nos ninhos

Surge a aurora,
E eu fito a lua retraída se indo
Ao seu retiro,
Para outro lado do mar
Sumindo.
............

A madrugada


Há noites em que me entorpeço buscando a lua
E quando branca surge ela clareando-me o rosto
Anseio compreender, desvendar o seu gosto
Na madrugada fina, infinitamente linda e nua.

Ai! De estrelas que cintilam suaves
E sob o céu, as cadentes são aves
Noturnas que se ostentam em riscos
Talhando o céu com dourados rabiscos

A imensidão é som, é suspiro conciso
De um coração que enlevado te sente
Sob o céu negresco, tablado, dormente

Me silencio, me excedo celeste a admirar
E as estrelas que flamejam e faíscam contentes
Sobre mim são olhos bentos e sacros a abençoar.

.............

Enquanto a Noite Adormece

Enquanto dormem estrelas
A lua clarifica extrema
Uma face esbranquiçada
Onde arrasta-se um poema

É certo que precisa nascer
P´ra que ali mesmo não pereça
Precisa crepitar em chama acessa
Elucidado num tema

Enquanto a noite adormece
Tece, o poeta, vocábulos
Desemaranhando seus versos

Neles estão a candura
Neles a manha festiva
Neles final de tarde
Neles, a essência mais viva

Nos versos do poeta
Estrelas esmaecem fagueiras
Em seu brilho transitório
Antes da noite nova

http://www.recantodasletras.com.br/autor.php?id=482

1 Comentários:

  • Querido Selmo, mais uma vez lhe agradeço a lembrança deste seu singular espaço a favor da poesia. A marca de suas publicações é a qualidade - parabéns aos poetas! Desta vez, escolho "Enquanto a noite adormece" de Andrea Lopes - um idílio contemporâneo para o céu e suas estrelinhas, para estes tempos que sentem falta do romantismo. Beijos.

    Por Blogger Madalena Barranco, às 4:27 PM  

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