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18.3.12

MOZART CARVALHO - ENTREVISTA

ENTREVISTA

SELMO VASCONCELLOS - Quais as suas outras atividades, além de escrever?

MOZART CARVALHO - Creio que dediquei minha vida à Educação. Sou professor de Língua Portuguesa e Literatura, especialista em Latim, e em Línguística aplicada à Língua Portuguesa. Professor de Língua Inglesa e Literaturas Americana e Inglesa, atuante também. Amo a leitura, uma habilidade que não consigo abandonar. Viabilizo projetos que permitam uma maior interação educacional.

SELMO VASCONCELLOS - Como surgiu seu interesse literário?

MOZART CARVALHO - Bem, nada surge do acaso. A inclinação pela literatura é porque sei que livros mudam e reconfiguram a percepção da vida. Faz-nos redescobrir o mundo, ter um olhar mais generoso com o próximo e, principalmente, entender que só construímos uma sociedade justa se decifrarmos a complexidade do universo humano. Não devemos cair na obviedade e monotonia existencial. A literatura é libertadora.

SELMO VASCONCELLOS - Quantos e quais os seus livros publicados?

MOZART CARVALHO - O Cervo e o Lago é o meu primeiro livro. Mas já participei de algumas antologias como Les Poètes Brésiliens à Paris – 2011 – Organisé par Eliane Mariath – Ed Yvelinedition – France. Artigos publicados na REVISTA PLURAL sobre variedades linguísticas – Comunicou. Valeu! E a mais recente publicação foi na Agenda Poética Equinócio com o poema Equador. Participei do livro “Engenho Urbano”, organizado pelo poeta e escritor Marcio Catunda, que faz uma celebração à “urbe sedutora” – Rio de Janeiro. E acabo de lançar o meu segundo livro de fábulas – A Raposa e a Cegonha. Um livro voltado para o público infantojuvenil, pela editora Oficina Editores.

SELMO VASCONCELLOS - Qual (is) o(s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s) capaz(es) de produzir poesia ?

MOZART CARVALHO - A vida. Viver é produzir linguagens e a poesia é o caminho para expressão. Como nos diz a poeta Sophia Breyner: “Na clara paisagem essencial e pobre / Viverei segundo a lei da liberdade / Segundo a lei da exacta eternidade.”

SELMO VASCONCELLOS - Quais os escritores que você admira?

MOZART CARVALHO - Em uma recente viagem a Portugal, logicamente, visitando as livrarias lusitanas conheci escritores fabulosos como Valter Hugo Mãe, contudo, não abandono os autores Sophia de Mello Breyner Andersen, Miguel Tavares, Mario Quintana, Machado de Assis, Nilton Bonder, com sua obra incrível – A Alma Imoral. Umberto Eco, Mona Dorf, Sérgio Gerônimo, com seu épico PANínsula, Maria Teresa Horta e outros que seduzem o mundo literário.

SELMO VASCONCELLOS - Qual mensagem de incentivo você daria para os novos poetas ?

MOZART CARVALHO - Parafraseando o americano, psicanalista - Alexander Lowen: estar cheio de vida é respirar profundamente, mover-se livremente e sentir com intensidade a poesia, então, viva!

Vice-presidente da APPERJ
www.apperj.com.br
www.revistaapperj.blogspot.com
www.mozartproducaotextual.blogspot.com


POESIAS

Copacabana

ah... em algum lugar
deixei uma palavra
sinuosamente
Copacabana
provocando descobertas
nas noites incertas
clandestinos

ah... em algum lugar
nas vielas estreitas do passado
estamos nós
em nós
Copacabana
somos hoje
iluminados e porteiros

ah... Copacabana
nas areias dos descaminhos
despertados e errantes
andarilhos de seus desafinados
nas notas da bossa
na calçada botas
a realeza
sua alteza: princesinha do mar


Cravo

tenho em mim
um gesto voraz
uma raiva contida
que luta e espera
no hall das verdades

o meu segredo
estende-se à dor
que não consigo
superar e libertar

o sorriso contrito
é flor, é cravo
meu sangue arado
em terras de ninguém

a queda é fruto
cativo do inesperado
um punhal silenciado
a resolver no meu peito
o alvo de tudo que travo.


Olissipo

Não quero enterrar-me
Numa cadeira vazia
Num canto da sala
Ou nas esquinas das vias

Não quero navegar nas enseadas do Tejo
Sem sentir o batel vaguear
O mar bravio desfalecer
Nas ondas brandas do paço

Não quero afogar-me nas letras
No último sopro das palavras
Quero lembranças da Lisboa de hoje
Que voa com o tempo
Do Castelo de São Jorge
Sem templo
Do Jerônimo, Vasco e Camões
O imponente Pombal de luz
O tal déspota esclarecido
Decidido, bradou por toda Lusitânia

Quero o amor dos gentios
Devorando os pastéis aportados em Belém
E as barrigas de deliciosas freiras beatificadas
Derretendo sobre as línguas

Quero enterrar-me nas poltronas
Dos livros e recitar
Minha língua, minha pátria
Minha vida


Representações

no ponto...

o passado
aborta o presente
tudo é indeciso e intenso
os faróis
as ruas denunciam
nos grafites quebrados
das lápides de escritores
abordam amarguras
raciais contínuas
entre nós,

nós...
vivemos os riscos
aprisionados
aviltados por absurdos políticos
desafinados pela corrupção...
intolerantes
a beira do abismo

o presente
é a arte
à margem:
a vontade de interpretar
medos e receios
na ponta do lápis
quebrado
representações
de um poeta insano
...
aí! “perdi o ônibus!”


Psiu!

Meu silêncio caminha na calçada
Desequilibrando as pernas
Embriagado de verdades
Berra, xinga
Ao som de Amy Winehouse
Pinta e borda
Trapos e farrapos
Meu silêncio costura as ruas
As vielas e bueiros
De cada dia

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