MOMENTO LÍTERO CULTURAL
MARCELO MOURÃO

Marcelo Mourão é professor, poeta, letrista e romancista. Nasceu na cidade do Rio de Janeiro em 1973. Logo aos 4 anos de idade, começa a demonstrar uma grande paixão pela leitura. Acaba por surpreender os pais com tamanha inclinação ao mundo das letras. Chegava a pedir para os parentes que lessem para ele historinhas em quadrinhos e fábulas de La Fontaine e Monteiro Lobato, dentre outras. Começa ao mesmo tempo também a desenvolver um gosto profundo por música. Nessa época escuta muita MPB e Roberto Carlos. Quando chega aos treze anos, em 1986, descobre o Rock Brasil, que a bem da verdade já havia começado a ser sucesso desde 1982. Fica extremamente influenciado pelos conjuntos de então, mas de forma mais profunda pelo Legião Urbana. Sente vontade de ter sua própria banda, coisa que vem a concretizar aos 15 anos, com sua primeiro grupo chamado "Rebeldes do Engenho", cujo nome fazia referência ao bairro (Engenho de Dentro) onde moravam os integrantes, inclusive Mourão. A banda termina em 1989.
Em 1991, participa como vocalista e letrista do conjunto Atos de Loucura. Começa a levar a sério o rock, porém justamente quando tal estilo musical encontrava-se em sua fase de esgotamento estético e mercadológico no Brasil. Investe em letras de cunho social e político, influenciado por Renato Russo e Cazuza.
A banda termina em 1993. Marcelo que já escrevia poesia desde 1989, resolve cair fundo na produção poética, dando origem a uma nova faceta: o poeta/escritor.
Em 1993, cursa História na UFRJ. Continua produzindo poesia sem parar.
Em 2007, começa a se lançar na vida artístitca integrando o movimento artístico e poético carioca, perfilando-se a nomes como Cairo Trindade, Luiz Fernando Prôa, Eduardo Tornaghi, Karla Sabah, Tavinho Paes, Elisa Lucinda, Pedro Bial e muitos outros. É nesse ano de 2007 também que escreve seu primeiro romance: "Quem disse que o amor pode acabar?", dois meses depois de perder seu pai vítima de câncer. . No ano de 2009 está previsto, como comemoração por seus 20 anos de poesia, o lançamento de seu primeiro livro de poemas.
Gosta de definir-se sempre se utilizando dos versos do poeta Célio Expedito, seu amigo, morto tragicamente de acidente automobilístico aos 17 anos :" Eu não cansarei de me abrigar nos sonhos, correr pra tempestade e abraçar a fantasia"
Elo (Marcelo Mourão)
teu sangue
me alerta e ensina
o valor que tua alma
tem hoje pra minha
teu sangue, minha vida
nossa rota, tua sina
tudo é um só corpo
um só nome
um só rumo
meta, plano, fome
teu sangue
me aceita e me aquece
e a partir de então
somos carne da mesma espécie.
APARIÇÃO (Marcelo Mourão)
ela veio num sonho
bater em minha porta
e fez questão de repetir:
“- eu não estou morta!”
palavras eram ondas
indo e vindo em mim
“- acham que eu morri,
então porque estou aqui?”
senti sua alma perto
fiquei feliz
exultante por revê-la
depois de tanto tempo
e isso me marcou
feito cicatriz
na vida vão-se as folhas
mas fica a raiz.
JAULA
guardados
fechados
trancados
a cinco ou sete chaves
dentro de casa
muro portas grades
blindados
vidro e portas
lacrados
a três sete mil chaves
pedindo a Deus
que aqui ou lá fora
ele sempre nos guarde.
SÉRGIO GERÔNIMO

CURRÍCULO REDUZIDO
Sérgio Gerônimo Alves Delgado – Carioca. Editor-chefe da OFICINA www.oficinaeditores.com.br. Ensaísta, contista, poeta, produtor cultural. Publicou em poesia: “Profanas & afins”; “Outras profanas”; “Coxas de cetim”; “PANínsula”; “Belabun” e “Código de barras”. Co-fundador da APPERJ, atual presidente www.apperj.com.br, Diretor da União Brasileira de Escritores, membro do PEN Clube do Brasil e do Sindicato do Escritores/RJ. Premiado no Festival de Poesia Falada de Campos dos Goytacazes/RJ.
Achados & Perdidos
(em campos de estrelas)
Em santiago de compostela...
caminhos achados
e na catedral de silenciosos pés aventureiros
murmuram estrangeiros dedos em romaria
na pilastra porto seguro plantam as mãos
raízes incrustadas apêndices ao santo
lá plantei sentenças
frases desconexas repletas de convenções
sentindo nos degraus violadas interrogações
caminhos perdidos
e nas esquinas de incensos
ouvidos anunciam mantras em flauta
nos corredores vigilantes aromas pulsam respostas
vadias vielas observam o gosto sacro do gozo
lá plantei vontades
intenções convexas conversei exclamações
explodi meus vitrais em oratórios de paredes
nem sim nem não
nem anjo nem demônio
achados e perdidos
apenas caminhos
caminhos que caminham
caminham... em campos de estrelas
Do livro PANínsula, 2002, Oficina Editores.
nem tão santo assim
Fui batizado para não morrer pagão
e na pia batismal
pasmem!
meu primeiro banho desnudo
portanto nem tão santo assim
um pouco adão
dormi entre oratórios
guardei promessas em relicários
absorvi mandamentos
a la maria vai com as putas
em puras transgressões
portanto nem tão santa assim
deambulei por escusas esquinas
e casas de conveniências
em procissão sem profissão
professando rosários de contas negras
portanto nem tão santo assim
agora de frente à verdade
enfrento de joelhos absolvições
contrito e convertido
rezo humanidades
em romarias e peregrinações
sem fim
mas com um olho sim e outro não
afinal nem tão santo assim
ainda...
Coxas de Cetim
sugo tua nuca seca
subo nas tuas ancas santas
sumo nas tuas coxas
desarrumo todas as colchas
de cetim
mas, de certo, só o deserto
da cama
e a escama saída
da minha marota manobra
que se amarrota na mesma
rota-peixe
e sinta...
e deixe...
o sulco na tua nuca
que desarruma tuas ancas luciferanas
não mais secas as colchas
sumo, uma vez mais, nas tuas coxas
de cetim
Do livro COXAS DE CETIM, 2000, Oficina Editores.
SIRLEI L PASSOLONGO

Na verdade sou professora de História, Sociologia e Filosofia, amo meu trabalho e meus alunos. Moro em Cianorte, interior do Paraná... Tenho 04 filhos, Marcos, Igor, Vinícius e Mateus. Não há o que dizer do amor que sinto por eles... São tudo em minha vida.
Escrevo o que sinto, não sigo teorias literárias, por que não gosto delas, pois já tenho que segui-las na História e Sociologia, assim, gosto da poesia livre, sem preocupações com estilo, rima ou métrica. Pra mim, o que vale num poema é a emoção que passa ao ler... O resto é o resto.
Escrevo apenas por amor, ainda não publiquei nenhum livro, pois sou péssima vendedora... Tenho poesias publicadas em diversos sites e blogs, mas minha grande paixão continua sendo o Orkut...
Confissão do Tempo
Eu sou o vento andante
que soa na folha da palmeira.
O flamejo do agora e o antes
que pontilha a vida inteira...
Sou o mesmo fio que vaza a agulha
e borda o vestido
da noiva sonhadora
e o negro véu da viúva.
Sou o olheiro da casa das saúvas...
Os calos dos pés que amassam as uvas.
Sou a fria grade das masmorras.
Vejo filha se tornar mãe
e embalo o balanço das gangorras.
Sou o solo enrugado do agreste.
O sal da lágrima do sertanejo,
da emoção que troveja em seus olhos
quando no céu surge o primeiro lampejo.
Sou o espelho do antes, o agora e o depois.
O vento passou. A saúva mudou,
a uva fermentou...
A chuva não veio,
o sertanejo inda chora.
A viúva, novamente
se apaixonou
e a noiva engravidou.
Mas, quando cheguei
tornei em realidade,
em dura verdade
o que se sonhou.
Direitos Reservados a Autora
***
Pode ser que um dia...
Pode ser que um dia...
A gente não se fale mais.
Que os ventos do destino
Nos leve para caminhos diferentes
E então, a gente sentirá saudades
das coisas que falamos... Das vezes
que rimos ou até nos chateamos...
Mas a gente guardará para sempre
em nossas lembranças
todos que, de algum modo,
se fizeram presentes em nossa vida.
E em nosso coração permanecerão guardados
como uma tatuagem que o tempo não apaga...
E isso só acontece com pessoas que amam a vida
Porque para ser inesquecível, antes de tudo
É preciso amar aqueles que nos rodeiam...
Porque pode ser que um dia
A gente não se fale mais...
Mas saibam que em meu coração
Levarei cada um de vocês.
***
Aprendi...
Aprendi com os anos
Que as dores
Não deixam saudade
E a saudade existe
pra nos fazer reviver
Momentos de alegria.
Aprendi que o amor
Não se vai com os anos
Que almas gêmeas
Existem
E nem tudo é mero
Engano...
Aprendi que sonhar
É o fio que tece a vida
Feito um casulo
Que se abre
Pra recomeçar
Todos os dias.
Direitos Reservados a Autora
THIERS R

Thiers R > Professor de literatura, participa dos sites:
http://www.overmundo.com.br/perfis/thiers
http://www.foconospoetas.com.br
http://portalliteral.com.br/perfis/thiers-r
Escreve regularmente em seu próprio blog.
Apesar de possuir 4 livros de poesias registradas nos direitos autorais da FBN, ainda não publicou, o que fará pela primeira vez em 2009. Ele nos diz:
‘..No espaço entre as artérias corre o poema pulsando sensações; roça a pele, arranha o pensamento, escorre a garganta, risca dedos inquietos. Tomado pelo desejo não sou mais eu; sou uma letra a rabiscar olhares.’
DO 1º LIVRO
Quadro carmim
Quando olhei o lábio
pensei na fissura do
sangue coalhado
torneando quadro carmim
borrando a língua
resvalando cabelos
desarrumando tempo
caía a chuva in Bangladesh
pensei: - Por que lábios entrecortados
n’argola prendem meu pensamento?
maldita seleção de imagens
tornam obscuro meu caminhar
tortuoso tateio
sangro a palma da mão
o vidro...sangue pisado!
procuro olhos d’ boca
encontro a negritude dum
céu orvalhada mente devasso
encontro rebelde
aproxima-se a mão do vento
enternece castanha forma
im piedoso perfuma meus dedos
estou perdido
nesta paixão reticente
du momento inadaptado
***
DO 2º LIVRO
MEDO
Na frágil linha do arco íris
transita meu medo
como chocolate meio amargo
como fruta cristalizada
como giz que arranha
tenho medo de teu rancor
de teu olhar duro e pontiagudo
que atravessa punhais
sem fachos de luz
na frágil linha
me apunhá-lo
me risco
me exponho
porque sou
uma verdade incerta
porque sou
um poeta
que pisa brasa rastejante
em busca de delírios
inveja seca e mofada
senta e ri em meu sofá.
***
DO 3º LIVRO
Flores suadas do instante
como música
senti tuas mãos
em agreste toque
a penetrar a alma do estômago
traduzindo sons
sem luvas
sem luas
sem chegadas
no corpo de meu olhar
instalou-se o sopro
desta noite louca
impura
e transgressora
fertilizada no perfume
que me arrastou
dizia: ‘-não posso,
não posso...’
mas os passos de gazela
mordiam –me
desintegrei liricamente
incendiei integralmente
letras de um desejo
que riscavam a rosa
quase espinhos
quase pálida
quase sonho
oscilava a madrugada insone
de nossas bocas em transe hipnótico
suei flores
abri portas
em lago
desestabilizei
couraças de medo
no teu corpo
mordi a boca louca
do sim
FERNANDA GUIMARÃES

Apresentação
por J.B. Xavier
Vez por outra surge, nas letras nacionais, um autor que estabelece um novo patamar na forma e uso do idioma. Agora é a vez de Fernanda Guimarães. Ela surgiu em meio à explosão da internet, que democratizou o acesso à cultura e ao entretenimento, juntamente com muitos outros nomes que evoluíram através - ou por causa - dessa democratização. Não obstante, Fernanda Guimarães não foi eclipsada pela magnitude dessa explosão, nem cedeu à tentação de concessões à escrita medíocre, da qual muitos autores menos talentosos lançaram mão para se manterem à tona. Não! Fernanda permaneceu fiel ao seu estilo lírico, de extremo refinamento e sensibilidade. A palavra flui fácil de sua pena, transbordante de eufemismos, de imagens fortes, quase tridimensionais, porém que exprimem a catarse que lhe purifica a alma em cada verso cuidadosamente esculpido.
É impossível apenas ler a poesia de Fernanda Guimarães, e quem apenas a isto se restringe, perde o melhor da essência desta artista que veio reposicionar o lirismo contemporâneo do idioma português. Entretanto, quem se dispuser a degustar demoradamente seus versos, com o vagar necessário para que o espírito acompanhe o ritmo das descobertas, adentrará a um universo onde o amor brota de todas as frestas da alma; deliciar-se-á com as descobertas idiomáticas que tanta força, graça e beleza fornecem às suas composições poéticas.
Estamos diante de um desses raros instantes em que surge uma poetisa que nasceu para ser grande. Folgo pelo destino ter me concedido a graça de ser seu contemporâneo, e, de alguma forma ter acompanhado sua jornada em direção ao sucesso!
Sonhando-me em teu Olhar
Debruça-se o teu olhar
Acalentando saudades
Nesta noite em que te abraças
Ao reflexo da tua solidão
Abriga-te a incerteza
De poder ver-te em meus olhos
Voltas-te ao céu repetidas vezes
Passos dispersados ao vento
Mãos descrentes e súplices
Supondo-me ausente
Pairas entre lembranças
Enquanto todas as estrelas
Despem-te da penumbra do teu rosto
Talvez busques a razão nítida de tudo
Quando me abres a porta do sonho
E todos os teus gestos confessam
A tua espera e este amor
Que me pronunciam em teu corpo
Reclamando-te a minha posse
À tua volta, o mar azul bramindo
Sobre as vagas, o teu pensamento
E a aparente recusa do meu tempo
Que pensas não te pertencer
Não há longe, onde me imaginas
Se é em teu peito que repouso
É nele onde me deito
Lânguida e esquecida de mim
É teu coração que alicia meus silêncios
Deixando pulsar em ti
A caligrafia dos meus segredos e sonhos
***
Apenas Sou Tua
No voltear da caneta
As mãos trêmulas
Abraçam palavras e desejos
Há sempre no olhar
O suspiro que se contém
A ausência absoluta
Contando aos meus silêncios
A mesma história
Que te chama de minha saudade
São inúteis os dias
Distraídos em meus olhares
A vida, espetáculo perdido
Se não me sei debruçada
Nos braços do teu pensamento
Convocada pelos lábios da tua saudade
Na palma das minhas mãos
Deslizam letras e anseios
Ocultando-me em labirintos de afetos
Não há o impossível, nem a tua falta
Quando nua de segredos
Deixo-me afagar pela poesia
Que me declama por ti
E envolve-me numa vertigem lenta
Em meio a memória da ternura
O universo do meu corpo
Suspira letras de desejo
Pronunciando apenas que sou tua
***
Por Sempre te Amar
Por vezes, distraio-me
E teu nome toma-me, vem à tona
É quando repleta de ternuras
Repouso a solidão das minhas mãos
Em letras que conspiram saudades
Que fazer desta inquietude do sentir
Que aporta sempre em teus horizontes
Quando teus olhos sequer sabem de mim?
Meu coração comete atos que já não ouso
Parece dado aos desatinos e desvarios
Não me alcança o tempo do esquecer-te
Em ti descobre-se o meu sonho pelo mundo
Dispensando os ponteiros da razão.
No sopro das minhas lembranças
Chamo-te infinito, outra vezes eternidade.

Marcelo Mourão é professor, poeta, letrista e romancista. Nasceu na cidade do Rio de Janeiro em 1973. Logo aos 4 anos de idade, começa a demonstrar uma grande paixão pela leitura. Acaba por surpreender os pais com tamanha inclinação ao mundo das letras. Chegava a pedir para os parentes que lessem para ele historinhas em quadrinhos e fábulas de La Fontaine e Monteiro Lobato, dentre outras. Começa ao mesmo tempo também a desenvolver um gosto profundo por música. Nessa época escuta muita MPB e Roberto Carlos. Quando chega aos treze anos, em 1986, descobre o Rock Brasil, que a bem da verdade já havia começado a ser sucesso desde 1982. Fica extremamente influenciado pelos conjuntos de então, mas de forma mais profunda pelo Legião Urbana. Sente vontade de ter sua própria banda, coisa que vem a concretizar aos 15 anos, com sua primeiro grupo chamado "Rebeldes do Engenho", cujo nome fazia referência ao bairro (Engenho de Dentro) onde moravam os integrantes, inclusive Mourão. A banda termina em 1989.
Em 1991, participa como vocalista e letrista do conjunto Atos de Loucura. Começa a levar a sério o rock, porém justamente quando tal estilo musical encontrava-se em sua fase de esgotamento estético e mercadológico no Brasil. Investe em letras de cunho social e político, influenciado por Renato Russo e Cazuza.
A banda termina em 1993. Marcelo que já escrevia poesia desde 1989, resolve cair fundo na produção poética, dando origem a uma nova faceta: o poeta/escritor.
Em 1993, cursa História na UFRJ. Continua produzindo poesia sem parar.
Em 2007, começa a se lançar na vida artístitca integrando o movimento artístico e poético carioca, perfilando-se a nomes como Cairo Trindade, Luiz Fernando Prôa, Eduardo Tornaghi, Karla Sabah, Tavinho Paes, Elisa Lucinda, Pedro Bial e muitos outros. É nesse ano de 2007 também que escreve seu primeiro romance: "Quem disse que o amor pode acabar?", dois meses depois de perder seu pai vítima de câncer. . No ano de 2009 está previsto, como comemoração por seus 20 anos de poesia, o lançamento de seu primeiro livro de poemas.
Gosta de definir-se sempre se utilizando dos versos do poeta Célio Expedito, seu amigo, morto tragicamente de acidente automobilístico aos 17 anos :" Eu não cansarei de me abrigar nos sonhos, correr pra tempestade e abraçar a fantasia"
Elo (Marcelo Mourão)
teu sangue
me alerta e ensina
o valor que tua alma
tem hoje pra minha
teu sangue, minha vida
nossa rota, tua sina
tudo é um só corpo
um só nome
um só rumo
meta, plano, fome
teu sangue
me aceita e me aquece
e a partir de então
somos carne da mesma espécie.
APARIÇÃO (Marcelo Mourão)
ela veio num sonho
bater em minha porta
e fez questão de repetir:
“- eu não estou morta!”
palavras eram ondas
indo e vindo em mim
“- acham que eu morri,
então porque estou aqui?”
senti sua alma perto
fiquei feliz
exultante por revê-la
depois de tanto tempo
e isso me marcou
feito cicatriz
na vida vão-se as folhas
mas fica a raiz.
JAULA
guardados
fechados
trancados
a cinco ou sete chaves
dentro de casa
muro portas grades
blindados
vidro e portas
lacrados
a três sete mil chaves
pedindo a Deus
que aqui ou lá fora
ele sempre nos guarde.
SÉRGIO GERÔNIMO

CURRÍCULO REDUZIDO
Sérgio Gerônimo Alves Delgado – Carioca. Editor-chefe da OFICINA www.oficinaeditores.com.br. Ensaísta, contista, poeta, produtor cultural. Publicou em poesia: “Profanas & afins”; “Outras profanas”; “Coxas de cetim”; “PANínsula”; “Belabun” e “Código de barras”. Co-fundador da APPERJ, atual presidente www.apperj.com.br, Diretor da União Brasileira de Escritores, membro do PEN Clube do Brasil e do Sindicato do Escritores/RJ. Premiado no Festival de Poesia Falada de Campos dos Goytacazes/RJ.
Achados & Perdidos
(em campos de estrelas)
Em santiago de compostela...
caminhos achados
e na catedral de silenciosos pés aventureiros
murmuram estrangeiros dedos em romaria
na pilastra porto seguro plantam as mãos
raízes incrustadas apêndices ao santo
lá plantei sentenças
frases desconexas repletas de convenções
sentindo nos degraus violadas interrogações
caminhos perdidos
e nas esquinas de incensos
ouvidos anunciam mantras em flauta
nos corredores vigilantes aromas pulsam respostas
vadias vielas observam o gosto sacro do gozo
lá plantei vontades
intenções convexas conversei exclamações
explodi meus vitrais em oratórios de paredes
nem sim nem não
nem anjo nem demônio
achados e perdidos
apenas caminhos
caminhos que caminham
caminham... em campos de estrelas
Do livro PANínsula, 2002, Oficina Editores.
nem tão santo assim
Fui batizado para não morrer pagão
e na pia batismal
pasmem!
meu primeiro banho desnudo
portanto nem tão santo assim
um pouco adão
dormi entre oratórios
guardei promessas em relicários
absorvi mandamentos
a la maria vai com as putas
em puras transgressões
portanto nem tão santa assim
deambulei por escusas esquinas
e casas de conveniências
em procissão sem profissão
professando rosários de contas negras
portanto nem tão santo assim
agora de frente à verdade
enfrento de joelhos absolvições
contrito e convertido
rezo humanidades
em romarias e peregrinações
sem fim
mas com um olho sim e outro não
afinal nem tão santo assim
ainda...
Coxas de Cetim
sugo tua nuca seca
subo nas tuas ancas santas
sumo nas tuas coxas
desarrumo todas as colchas
de cetim
mas, de certo, só o deserto
da cama
e a escama saída
da minha marota manobra
que se amarrota na mesma
rota-peixe
e sinta...
e deixe...
o sulco na tua nuca
que desarruma tuas ancas luciferanas
não mais secas as colchas
sumo, uma vez mais, nas tuas coxas
de cetim
Do livro COXAS DE CETIM, 2000, Oficina Editores.
SIRLEI L PASSOLONGO

Na verdade sou professora de História, Sociologia e Filosofia, amo meu trabalho e meus alunos. Moro em Cianorte, interior do Paraná... Tenho 04 filhos, Marcos, Igor, Vinícius e Mateus. Não há o que dizer do amor que sinto por eles... São tudo em minha vida.
Escrevo o que sinto, não sigo teorias literárias, por que não gosto delas, pois já tenho que segui-las na História e Sociologia, assim, gosto da poesia livre, sem preocupações com estilo, rima ou métrica. Pra mim, o que vale num poema é a emoção que passa ao ler... O resto é o resto.
Escrevo apenas por amor, ainda não publiquei nenhum livro, pois sou péssima vendedora... Tenho poesias publicadas em diversos sites e blogs, mas minha grande paixão continua sendo o Orkut...
Confissão do Tempo
Eu sou o vento andante
que soa na folha da palmeira.
O flamejo do agora e o antes
que pontilha a vida inteira...
Sou o mesmo fio que vaza a agulha
e borda o vestido
da noiva sonhadora
e o negro véu da viúva.
Sou o olheiro da casa das saúvas...
Os calos dos pés que amassam as uvas.
Sou a fria grade das masmorras.
Vejo filha se tornar mãe
e embalo o balanço das gangorras.
Sou o solo enrugado do agreste.
O sal da lágrima do sertanejo,
da emoção que troveja em seus olhos
quando no céu surge o primeiro lampejo.
Sou o espelho do antes, o agora e o depois.
O vento passou. A saúva mudou,
a uva fermentou...
A chuva não veio,
o sertanejo inda chora.
A viúva, novamente
se apaixonou
e a noiva engravidou.
Mas, quando cheguei
tornei em realidade,
em dura verdade
o que se sonhou.
Direitos Reservados a Autora
***
Pode ser que um dia...
Pode ser que um dia...
A gente não se fale mais.
Que os ventos do destino
Nos leve para caminhos diferentes
E então, a gente sentirá saudades
das coisas que falamos... Das vezes
que rimos ou até nos chateamos...
Mas a gente guardará para sempre
em nossas lembranças
todos que, de algum modo,
se fizeram presentes em nossa vida.
E em nosso coração permanecerão guardados
como uma tatuagem que o tempo não apaga...
E isso só acontece com pessoas que amam a vida
Porque para ser inesquecível, antes de tudo
É preciso amar aqueles que nos rodeiam...
Porque pode ser que um dia
A gente não se fale mais...
Mas saibam que em meu coração
Levarei cada um de vocês.
***
Aprendi...
Aprendi com os anos
Que as dores
Não deixam saudade
E a saudade existe
pra nos fazer reviver
Momentos de alegria.
Aprendi que o amor
Não se vai com os anos
Que almas gêmeas
Existem
E nem tudo é mero
Engano...
Aprendi que sonhar
É o fio que tece a vida
Feito um casulo
Que se abre
Pra recomeçar
Todos os dias.
Direitos Reservados a Autora
THIERS R

Thiers R > Professor de literatura, participa dos sites:
http://www.overmundo.com.br/perfis/thiers
http://www.foconospoetas.com.br
http://portalliteral.com.br/perfis/thiers-r
Escreve regularmente em seu próprio blog.
Apesar de possuir 4 livros de poesias registradas nos direitos autorais da FBN, ainda não publicou, o que fará pela primeira vez em 2009. Ele nos diz:
‘..No espaço entre as artérias corre o poema pulsando sensações; roça a pele, arranha o pensamento, escorre a garganta, risca dedos inquietos. Tomado pelo desejo não sou mais eu; sou uma letra a rabiscar olhares.’
DO 1º LIVRO
Quadro carmim
Quando olhei o lábio
pensei na fissura do
sangue coalhado
torneando quadro carmim
borrando a língua
resvalando cabelos
desarrumando tempo
caía a chuva in Bangladesh
pensei: - Por que lábios entrecortados
n’argola prendem meu pensamento?
maldita seleção de imagens
tornam obscuro meu caminhar
tortuoso tateio
sangro a palma da mão
o vidro...sangue pisado!
procuro olhos d’ boca
encontro a negritude dum
céu orvalhada mente devasso
encontro rebelde
aproxima-se a mão do vento
enternece castanha forma
im piedoso perfuma meus dedos
estou perdido
nesta paixão reticente
du momento inadaptado
***
DO 2º LIVRO
MEDO
Na frágil linha do arco íris
transita meu medo
como chocolate meio amargo
como fruta cristalizada
como giz que arranha
tenho medo de teu rancor
de teu olhar duro e pontiagudo
que atravessa punhais
sem fachos de luz
na frágil linha
me apunhá-lo
me risco
me exponho
porque sou
uma verdade incerta
porque sou
um poeta
que pisa brasa rastejante
em busca de delírios
inveja seca e mofada
senta e ri em meu sofá.
***
DO 3º LIVRO
Flores suadas do instante
como música
senti tuas mãos
em agreste toque
a penetrar a alma do estômago
traduzindo sons
sem luvas
sem luas
sem chegadas
no corpo de meu olhar
instalou-se o sopro
desta noite louca
impura
e transgressora
fertilizada no perfume
que me arrastou
dizia: ‘-não posso,
não posso...’
mas os passos de gazela
mordiam –me
desintegrei liricamente
incendiei integralmente
letras de um desejo
que riscavam a rosa
quase espinhos
quase pálida
quase sonho
oscilava a madrugada insone
de nossas bocas em transe hipnótico
suei flores
abri portas
em lago
desestabilizei
couraças de medo
no teu corpo
mordi a boca louca
do sim
FERNANDA GUIMARÃES

Apresentação
por J.B. Xavier
Vez por outra surge, nas letras nacionais, um autor que estabelece um novo patamar na forma e uso do idioma. Agora é a vez de Fernanda Guimarães. Ela surgiu em meio à explosão da internet, que democratizou o acesso à cultura e ao entretenimento, juntamente com muitos outros nomes que evoluíram através - ou por causa - dessa democratização. Não obstante, Fernanda Guimarães não foi eclipsada pela magnitude dessa explosão, nem cedeu à tentação de concessões à escrita medíocre, da qual muitos autores menos talentosos lançaram mão para se manterem à tona. Não! Fernanda permaneceu fiel ao seu estilo lírico, de extremo refinamento e sensibilidade. A palavra flui fácil de sua pena, transbordante de eufemismos, de imagens fortes, quase tridimensionais, porém que exprimem a catarse que lhe purifica a alma em cada verso cuidadosamente esculpido.
É impossível apenas ler a poesia de Fernanda Guimarães, e quem apenas a isto se restringe, perde o melhor da essência desta artista que veio reposicionar o lirismo contemporâneo do idioma português. Entretanto, quem se dispuser a degustar demoradamente seus versos, com o vagar necessário para que o espírito acompanhe o ritmo das descobertas, adentrará a um universo onde o amor brota de todas as frestas da alma; deliciar-se-á com as descobertas idiomáticas que tanta força, graça e beleza fornecem às suas composições poéticas.
Estamos diante de um desses raros instantes em que surge uma poetisa que nasceu para ser grande. Folgo pelo destino ter me concedido a graça de ser seu contemporâneo, e, de alguma forma ter acompanhado sua jornada em direção ao sucesso!
Sonhando-me em teu Olhar
Debruça-se o teu olhar
Acalentando saudades
Nesta noite em que te abraças
Ao reflexo da tua solidão
Abriga-te a incerteza
De poder ver-te em meus olhos
Voltas-te ao céu repetidas vezes
Passos dispersados ao vento
Mãos descrentes e súplices
Supondo-me ausente
Pairas entre lembranças
Enquanto todas as estrelas
Despem-te da penumbra do teu rosto
Talvez busques a razão nítida de tudo
Quando me abres a porta do sonho
E todos os teus gestos confessam
A tua espera e este amor
Que me pronunciam em teu corpo
Reclamando-te a minha posse
À tua volta, o mar azul bramindo
Sobre as vagas, o teu pensamento
E a aparente recusa do meu tempo
Que pensas não te pertencer
Não há longe, onde me imaginas
Se é em teu peito que repouso
É nele onde me deito
Lânguida e esquecida de mim
É teu coração que alicia meus silêncios
Deixando pulsar em ti
A caligrafia dos meus segredos e sonhos
***
Apenas Sou Tua
No voltear da caneta
As mãos trêmulas
Abraçam palavras e desejos
Há sempre no olhar
O suspiro que se contém
A ausência absoluta
Contando aos meus silêncios
A mesma história
Que te chama de minha saudade
São inúteis os dias
Distraídos em meus olhares
A vida, espetáculo perdido
Se não me sei debruçada
Nos braços do teu pensamento
Convocada pelos lábios da tua saudade
Na palma das minhas mãos
Deslizam letras e anseios
Ocultando-me em labirintos de afetos
Não há o impossível, nem a tua falta
Quando nua de segredos
Deixo-me afagar pela poesia
Que me declama por ti
E envolve-me numa vertigem lenta
Em meio a memória da ternura
O universo do meu corpo
Suspira letras de desejo
Pronunciando apenas que sou tua
***
Por Sempre te Amar
Por vezes, distraio-me
E teu nome toma-me, vem à tona
É quando repleta de ternuras
Repouso a solidão das minhas mãos
Em letras que conspiram saudades
Que fazer desta inquietude do sentir
Que aporta sempre em teus horizontes
Quando teus olhos sequer sabem de mim?
Meu coração comete atos que já não ouso
Parece dado aos desatinos e desvarios
Não me alcança o tempo do esquecer-te
Em ti descobre-se o meu sonho pelo mundo
Dispensando os ponteiros da razão.
No sopro das minhas lembranças
Chamo-te infinito, outra vezes eternidade.

1 Comentários:
Querido Selmo, é sempre um
prazer estar com você. Fico muito
feliz!
Obrigada pelo presente!
bj na alma!
Dú Karmona
Por
Dú, Ã s 3:24 PM
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