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21.11.07

MOMENTO LÍTERO CULTURAL - Nº 38


1-MARISA ZANIRATO ( FOTO )

Marisa Zanirato formada em Filosofia pela Unesp/Campus de Assis-SP, onde reside até hoje.
Desde criança fez opção pela palavra e sabe usá-la com maestria em verso e prosa.
Seus poemas podem ser vistos no blog Espelhos (http://marisa.assis.blog.uol.com.br) e em vários outros espaços do mundo virtual.
Sua formação filosófica está presente em sua obra, aliada à sutil ironia, à crítica social e política, e mesmo às situações do quotidiano, onde o verso bem feito expressa sensibilidade poética e profundo conhecimento do ser humano e da vida.

Tem uma página literária semanal : http://orebate-zani-arte.blogspot.com/


SÚPLICAS

Pedi ao sol:
- Aqueça-me com seus tentáculos
de luz.
Disse-me o sol:
- Ainda levas em teu corpo
o calor de uma paixão...

Pedi à chuva:
- Molhe meu corpo que está sempre
sedento de paz.
Disse-me a chuva:
- Teus olhos guardam mais água
do que podes imaginar.

Pedi ao vento:
- Sopre-me as vozes que outrora cantavam
em meu coração.
Disse-me o vento:
-Tens dentro de ti lembranças que
podem te acalentar.

Pedi à noite:
- Envolva-me em seu manto tranqüilo
de escuridão.
Disse me a noite:
- Vem comigo (o dia pode
esperar).

--

CENA

Estou presa
pela chuva lenta,
monótona e cinzenta,
vendo o verde
crescer encharcado
e uma centopéia naufragada
lutando pela vida
dentro da poça d'água;
copas de árvores
e tufos de coqueiros
misturam-se com nuvens,
entrescondendo
uma antena parabólica
- virória-régia eletrônica -
circularidade patética
entre manchas informes.

--

EXPLICANDO

Não sei fazer poema.
Não consigo equacionar em formas lógicas
e estéticas
a emoção descompassada;
não sei ordenar em planos regulares
as palavras que fluem desordenadas
pelos cinco dedos
da minha mão direita.
Sei apenas perceber
a corrente contínua dos impulsos
sensoriais
que se derramam pelo meu corpo
- ciclos limites da física molecular.
Minha poesia é vida
repleta de atratores estranhos
cujas órbitas convergentes
são versos sem rimas
e rotas para o caos.
Não sei ser deus-poeta
criador de poemas.
Sou criação da poesia.

--

SOBRE PALHAÇOS E GIRASSÓIS

Há sempre um carnaval passado.
Lembrei-me hoje do palhaço
que brincou a noite toda por você.
Olhos nos olhos - girassóis obcecados
pela luz do outro olhar.
- Quem é você atrás da maquiagem?
- Quem é você?
Pergunta impertinente
que ainda me faço.
Quem sou de fato?
Tirei algum dia
a fantasia de palhaço
ou continuo na vida
maquiada,
carnavalizando sonhos,
brincando de emoções,
buscando um olhar
em outros olhos
e direções?...
Vida palhaça
às vezes prega peça:
faz-me chorar
quando a marchinha cessa
e a lembrança de uma carnaval passado
se manifesta
em corolas de girassóis.

--

CONTINUUM

Estranho amor aquele nosso:
partilhando a vida
sem jamais nos encontrarmos,
distanciando-nos
sem jamais nos separarmos...
e esta saudade esquisita
a me dizer
que minúsculas partículas
do teu ser
ainda navegam no oceano
do meu corpo.

--

PERGUNTAS

O que se esconde atrás
do seu jeito de menino:
um deus, um anjo, um fauno,
um sábio,
um monge?...
Quem esculpiu teu rosto
em pedra/argila, espuma ou brisa:
o riso, o encanto, o sol, a tempestade,
um dia sem luz,
a sede de viver?...
Que caminhos pisaram teus pés
na construção do teu ser:
o alto da montanha, o vale,
o abismo, a noite do deserto,
o pó da multidão?...
O que te abriu passagem
para a dimensão do meu espírito:
o vôo do pardal, um mago,
um sonho, o nada, o infinito,
uma lua cheia de abril?...
O que queres de mim
se tenho para dar
apenas os pés na areia,
as mãos entre as estrelas
e um coração insano?...

--

UMA PALAVRA

Eu te queria
aqui
presente e te dizer
uma palavra só;
uma palavra que conjugasse
todos os sentimentos,
toda a essência
do viver,
todo o meu ser;
eu queria te dizer
uma palavra única
que firmasse
como um selo
a ingenuidade perdida,
os sonhos que não se fizeram,
as experiências vividas;
eu queria te dizer
uma palavra só
que marcasse
a tua alma feito cicatriz
e que, ao ouvi-la,
um anjo chorasse comovido
e uma deusa
com um sorriso compassivo
abençoasse.



2-LUCIANNA OLIVEIRA

Lu Oliveira...é assim que a poetisa Lucianna Oliveira assina seus poemas desde os tempos de adolescente. Libriana, professora de Língua Portuguesa, mãe de duas meninas, esta baianinha vem chamando a atenção com seu jeitinho meigo, seu sotaque característico e suas poesias, ora delicadas, ora fortes,oras sensuais. Já esteve presente em duas edições do Congresso Brasileiro de Poesia, em Bento Gonçalves - RS, é Cônsul da Poetas Del Mundo na cidade de Ilhéus-Ba, e tem suas poesias publicadas em coletâneas e em sites literários, entre os quais o almadepoeta.com, a qual é uma fervorosa divulgadora.

TODOS OS POEMAS ESTÃO REGISTRADOS NA BIBLIOTECA NACIONAL SOB O REGISTRO 411889, no Livro 769, Folha 49


Tinha um verso no meio do caminho ( Releitura de Drummond)

Tinha um verso no meio do caminho
no meio do caminho tinha um verso
tinha um verso
no meio do caminho
e como poucos caminhos
tinha um verso no meio
quis pular,
não alcancei
quis voltar,
não suportei
e como tinha um verso
no meio do caminho
peguei-o
fitei-o
contemplei-o
Nunca esquecerei deste acontecimento
Tinha um verso
no meio do caminho
E nem tinha as vistas fatigadas
E nem tinha a vida lastimada...
E nem sabia o destino que me esperava...
Agora tem um verso em meu caminho
Caminhos retos ou sinuosos
Já não sei andar em outra direção....

***
Gravidez

E foi naquela noite enluarada
Que o gameta luz
Fecundou as letras...
Houve um trepidar de estrelas
No vasto céu de minha boca.
Aos poucos tudo silencia.
Faço uma descoberta.
Estou grávida!
Grávida de POESIA!

***
Surdez

Em meus castelos de areia
enterro minhas desventuras
minhas amarguras e devaneios
E cada grão de areia tocado
é banhado com as lágrimas
da decepção
AS estrelas cadentes
não iluminam meu rosto
E no meu coração
reina a escuridão
Um grito engasgado em meu peito
De que adianta?
A surdez do mundo me emudece.

***
Dor

Dor que lateja
em lascas de sangue
jorrando da face
que o espelho reflete
Navalha afiada
transfigura o rosto
que não reconheço
Antigo álbum
de fotografias
detalhes que nunca
existiram
um sinal, uma ruga
um olhar
que já se foi
Preso no reflexo
côncavo e convexo
não sou eu
Mas a dor é minha...

***

Memória

Quero ficar
na tua memória
assim tão quietamente
que me sintas apenas
como aquele velho sinal
em teu corpo
que já nem percebes
não olhas
mas está lá
marcando tua pele
tal tatuagem do amar.
Quero ficar
na tua memória
de maneira tão terna
tão forte
tão abrangente
tal aroma do café
que fazes toda manhã
e que inunda a tua casa
enchendo-te de forças.
Quero ficar
na tua memória
tão serena e mansa
tão imperceptível
que não consiga agitar
a quietude de teus sonhos...
Quero ficar
na tua memória..
Quero ficar
na tua pele...
Quero ficar
em ti
pra sempre...

***

Uma razão a mais

Por tuas palavras
sempre autênticas
Por tuas verdades
vorazmente idênticas
Por roubar-me um sorriso
sem me ferir
Por sonhar fantasias
sem te iludir
Pelas palavras agressivas
quando discorda
pelo humor singular
que em ti transborda
Pela delicadeza
com que me invades
Por nossa imensa suave
diferença de idade
Por traçar dias felizes
no chão da poesia
Por fazer de teus versos
soneto que acaricia
Por oferecer-me o mundo
num só momento
Por querer livrar-te
de qualquer sofrimento
é que meu verso
fez morada nos teus.



3-CARMEN MORENO

Carmen Moreno, escritora e professora carioca, recebeu 19 prêmios em diversos gêneros literários. Contista, romancista, poeta e dramaturga. Concluiu os cursos de Bacharelado em Artes Cênicas e Licenciatura em Educação Artística, ambos pela UNI-RIO.

PUBLICOU: O Primeiro Crime, (romance policial), inserido na coleção Elas São de Morte, ed. Rocco, 2003; Diário de Luas, (romance), finalista da 5ª Bienal Nestlé de Literatura Brasileira, ed. Rocco, 1995; Sutilezas do Grito, (contos), ed. Rocco, 1997; O Estranho, (contos), ed. Fivestar, 2006. Seu trabalho integra a coletânea de contos Mais 30 mulheres que estão fazendo a nova literatura brasileira, org. Luiz Ruffato, ed. Record, 2005. A Erosão de Eros (dramaturgia), ed. RioArte, 1996, recebeu Menção Honrosa no Concurso Literário Stanislaw Ponte Preta. O texto participou de ciclos de leituras em teatros da cidade do Rio de Janeiro, e foi encenado em 2004. De Cama e Cortes, ed. UERJ, 1993; Rubro, 1983 e Beijo de Cobra, 1985 (poesia), edições da Autora. Seus poemas integram várias coletâneas, entre elas a Antologia da Nova Poesia Brasileira, organizada por Olga Savary, ed. Hipocampo, 1992, e a revista Poesia Sempre (nº 21), ed. Biblioteca Nacional, 2006. Livros inéditos: A Formatura do Burro (infanto-juvenil), finalista do Prêmio Carioquinha de Literatura 2000, Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro; Língua de Mulher (poesia) e A vida que se vê – crescer pelo autoconhecimento.

PRINCIPAIS PREMIAÇÕES: Prêmio Casa da América Latina (Concurso de Contos Guimarães Rosa 2003), promovido pela Rádio França Internacional, Paris; Bolsa de Incentivo ao Escritor Brasileiro, categoria poesia, pelo livro Língua de Mulher, MINC/ Biblioteca Nacional, 1994; Prêmio de Desenvolvimento de Roteiros Cinematográficos de Longa-Metragem (1ª fase: Argumento), MINC/ Secretaria do Audiovisual, 2001 - o roteiro A Delicadeza das Facas é uma adaptação, realizada pela autora, do romance Diário de Luas, acima citado. O livro e a obra da escritora foram tema do mestrado de Lilian Gonçalves de Andrade: “Diário de Luas: um Künstlerroman no universo literário de Carmen Moreno”, sob orientação da Profª Drª Eliane T. A. Campello, da Fundação Universidade Federal do Rio Grande (FURG), RS, 2006.

POEMAS ENCENADOS nos espetáculos Amor Feminino Plural, protagonizado por Maria Pompeu e dirigido por Mônica Alvarenga (2002 – 2005) - Ambulâncias na Contramão; O Último Bolero, 1995 e Palavra de Ator, 1993 - dirigidos por Márcio Vianna.

A escritora participa, desde a década de 80, de recitais de poesia em inúmeros espaços culturais daPcidade do Rio de Janeiro, tais como: Poesia na Praia, Posto 9, Ipanema; Poesia no parque Lage; Arte Contemporânea na ABL; Fórum Poesia, UFRJ, Terça ConVerso no Café, Teatro Glaucio Gill, Jirau de Poesia, Bienal do Livro, entre outros.

LECIONA Artes Cênicas em escola da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro, onde também trabalha como Professora Regente da Sala de Leitura, desenvolvendo projetos culturais (1995-06). Lecionou Oficina do Humor (criação literária e outras expressões artísticas), na Universidade Estácio de Sá, curso de Propaganda e Marketing – Politécnico (1999-03); Lecionou Teatro e Criação Literária, para professores da Fundação Municipal de Educação de Niterói (1992-94); Trabalhou para o PROLER (Programa Nacional de Incentivo à Leitura), utilizando técnicas teatrais, MINC/ Biblioteca Nacional, 1995. Ministrou a oficina literária Ler o Ser, no XVI Imagem Meio e Reflexo, na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, pela Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro (2005). Participou como palestrante dos eventos: XIV Congresso Brasileiro de Poesia e XIV Encontro Latino-Americano de Casas de Poetas, Bento Gonçalves/ RS.

Referências à Autora:

Enciclopédia da Literatura Brasileira, Vol.II (Afrânio Coutinho J. Galante de Sousa), 2ª Ed., Coord.: Graça Coutinho e Rita Moutinho. MINC/ Biblioteca Nacional/ DNL. São Paulo, 2001.

Sites:

www.klickescritores.com.br
www.acd.ufrj.br/pacc
www.rocco.com.br
www.kuhner.com.br/catalogo/ (Catálogo Brasileiro de Dramaturgia)


CONTATOS:

E-mail: carmenmoreno@oi.com.br


AINDA

Dizer urgente do amor
Ao amante
Antes que se quebre
O tempo
E os ouvidos –
Dissolvidos na terra
Não apreciem mais
A carícia das sílabas

Antes que as mãos
Tímidas de dar
Cessem de vez
Os movimentos
E todos os gestos
Virem ossos

Dizer urgente ao amigo
O valor do vínculo
Que só o amigo costura
Só o amigo cozeduras
Cozimentos cerziduras
Que só o amigo estanca
Os sangramentos

Dizer urgente do amor
Sem resistências
Antes que a língua
De súbito se cale
E o amor –
Preso por reticências
Maledicências
Medos mágoas
Role pelos ralos

Antes que o amor
Quedado pela foice
Faça da palavra não dita
Eterno açoite


GRUTAS

A mulher que mora em mim
Tem tantos mundos
Que todos os homens sou eu
Sou eu todos os músculos
E a leveza que move as saias
Que ninguém de mim nada espere
Nem amarre em minha fronte
Qualquer nome
Pois que o susto
É o Deus que me consome

A mulher que mora em mim
Tem fálicas reentrâncias
E ao amor sempre se lança
Num suicídio insaciável
Cede à beleza como a um assalto
E busca sempre no Ser - o salto
Não lhe bastam seus contornos visíveis
As formas fixas que a natureza pariu
Sua alma abarca seres insondáveis
Bichos de pântanos e aves raras
Desertos férteis de gente
E há surpresas nos seus seios fartos
De mel e de sementes

A mulher que mora em mim
Ontem quis outra:
Também homem também bicho
Também rara
Dela quis mais que o beijo
– a dor incrustada
Mais que o corpo
– a história
Mais que o sexo
– o que de si mesma nem ela traduz
Sombra e luz
Mas o desejo não é pontual
Como as manhãs e os desastres
Nem sempre uníssono
Como o canto dos pássaros
Não retorna certeiro
Como um grito na caverna
E a mulher que eu quis ontem...
Não me quis
Sorte é que o desejo
Também muda de objeto e de cena
E a mulher que eu quis ontem
Hoje virou poema.



AMPARO

Meu pai e sua cela
Cotovelos cravados no mármore: vislumbrava o já visto.
Vistas revistando a vida como um inspetor insone.
Nos ombros, o norte o não e a culpa.
Meu pai: calvície e calvário.
Frases verticais: chicotes sobre minhas certezas.
Meu pai morava no desamparo.
Sorte que a casa amparava sorrisos nas frestas da cal -
Nas tréguas do caos.
E havia alegrias resistentes nos cantos dos quartos, nas rosas das janelas...
E havia o movimento dos irmãos,
E as mãos da mulher partindo pedaços de pão
Para não perdermos o caminho.
E havia a vida, avessa à loucura, sendo urdida para nós,
Por minha mãe.


A SUA PARTE

O mundo está em guerra
Qual a sua palavra bélica?
Onde o seu amor emperra?
A guerra começa na sua terra
Na casa do cotidiano
No quintal do seu pensamento
Insano
Depois vira fala
E cresce em ato mesquinho
E você atira sem bala
No inimigo seu vizinho
O mundo está em guerra
Qual o seu verbo que mata?
Qual o seu gesto que enterra?


CARÍCIA OU DESAMPARO

Pedra ou ponte entre nós,
a palavra costura, ou aparta-me do próximo.
No papel, deitada sobre a página,
deflagra-me o Universo.
O meu e o do outro.
No livro, a palavra não é ímpeto,
como no improviso da fala.
No livro, revisada, escolhida,
oferece-me apenas o perigo da beleza.
Que já é bárbaro!
O perigo de me impelir à ousada viagem de ver.
Ver-me, ver aquele que me escreve,
ver aqueles que são criados por quem me escreve.
O perigo de ver os mundos fervilhados nas folhas...
E não ser mais a mesma.
No livro, a palavra só ameaça
porque me convida a sair do lugar - a mover-me.
A palavra, estirada na página,
só pode me oferecer o risco do vôo.
E o risco de toda viagem,
por mar, terra ou verbo, é sempre o vôo.
Portanto, a palavra burilada do poeta,
a verve vertida em sílabas, do escritor,
é sempre bem-vinda, mesmo quando ameaça.
Sobretudo quando ameaça!
É brinquedo, mesmo quando bélica.
Plástica, mesmo quando revela a feiúra do mundo.
Salvadora, mesmo quando mata.
A palavra, pregada nas páginas dos livros,
em aparente imobilidade, está viva.

Contudo, proferida, às vezes agrupa-se tão ágil
que não há tempo de retocar-lhe o rosto.
E a verdade brota, abrupta.
E a mentira enfeita-se, convicta.
Quando proferida, sua ameaça tem natureza diversa
da que deleitamos no leito da página.
Falada, a palavra encorpa-se, cálida ou bélica.
E é carícia ou desamparo.
No entanto, uma vez expelida,
segue seu curso reto, irrevogável.
E atira, sem revólver, talha sem sangue...
mata sem vestígios.
Mas também tem o poder de socorrer,
com sua saliva salvadora,
qualquer um de nós que, na dor,
encontre alguém com o dom de usá-la como abraço.
Qualquer um de nós
que saiba valer-se de sua sonoridade
para adoçar a língua e salvar alguém.
Para salvar-se.

A palavra quando fala,
expulsa da boca um corpo invisível.
Quando fala, a palavra é carne, é gesto.
Mas quando cala, também é forma viva.
Disfarçada de silêncio, no fundo do pensamento,
às vezes grita seu medo de exprimir-se, parir-se.
Grita seus segredos, seu lixo orgânico e suas benfeitorias.
Viva, no caos do pensamento, a palavra inventa o futuro,
retoca o passado, e ensaia o presente - para vivê-lo.
Mas neste trajeto do falar ao ouvir,
pode gerar breu ou brilho,
conforme o berço preparado para acolhê-la.
Quem ouve é sempre co-autor do que é dito.
A tradução de quem ouve,
seu universo de significados e imagens,
sempre ajuda a escrever paz ou guerra.
No entanto, há de chegar o dia em que,
libertos de escrúpulos e medos,
domados pelo afeto,
usaremos bem mais a palavra como beijo.


4-ALTAIR DE OLIVEIRA

HERÓIS & DIAS AMENOS

Temos que a vida não dói.
- Viver é tudo que temos!
Ao menos somos os heróis
Da história que nos fazemos.
E, enquanto o tempo nos rói,
Tecemos planos de engenhos...
Vamos em busca de sonhos
Usando de asas e de remos.

Galgamos sobre o passado
Buscando os dias amenos
Tememos sobre o futuro
Que nem sabemos se temos
Jogamos os nossos melhores
Tentando ganhos pequenos
Treinamos poses de heróis
Da história que nós queremos!

Enfim, nós somos assim:
Restos de tudo que fomos
Mas sempre somos heróis
Da história que nos contamos
Nos cremos por maiorais
Que, ao certo, um dia seremos
Morremos sempre no fim...
- Fingimos que não sabemos!

In: O Lento Alento

****
Amanhã de Névoa

De muito minha que fostes
No pouco que me tivestes
Já sinto que te pertenço
E te peço, intenso, na prece!

Ficar aqui de sem você
Judia, esfria, entristece...
Já te lembrar, dá prazer!
Aquiesço que me aqueces.

Lembro o teu corpo despido
Quando meus braços te vestem
Parece que está florido...
- Eu juro que resplandeces!

Quem sabe um dia aconteça
Que esqueças que me esquecestes
E outra vez me apareças
Com manhas que me amanhecem!

In: O Lento Alento
****

PRÉ-TENDÊNCIA A BEM-OLHADO

Veja bem, se me olhares eu tomo forma
Pois teus olhos de luz, se me contornam,
(forma um lar o teu olhar que me contém...)
Me comportam, me alentam e me confortam
Ah, meu bem, vem me ver! Eu me conformo
E me contendo em ser o teu melhor bem!

In: O Lento Alento

****

NÓS OCULTOS

Além de ti e de mim ocorre o nós
e os nós pelos quais nós buscamos nos unir...

Nós que tentamos mostrar-nos um ser maior
Para, a todo custo, esconder que estamos sós.

In: O Lento Alento

****

MANANCIAL DE INSTANTES

Há tempos tento desvendar o tempo
que vai e vai, nem mais, nem menos lento
como quem sai dosado pelo vento
que flui eterno da explosão do centro.

Onipresente e sempre, o tempo incide
por todo o alcance do meu pensamento
às vezes penso até que ele decide
passar por nós só pra matar o tempo.

Por mais que eu finja ou fuja, atua o tempo
perpetuando-se a somar instantes,
vai devastando todos os meus momentos
e leva adiante todos os seus intentos.

Eu sinto o tempo vivo e, sinto muito
se não percebo o seu encantamento
mas sei que enquanto morro o tempo todo
o tempo escorre novo todo o tempo.

In: O Embebedário Diverso.

****
CANTIGA DO HERÓI RASGADO

Quis ter teu rosto num quadro
epois do estrago do drama
quis ler o rastro da chama
que um dia ardeu-te no esforço
de estar num meio adequado
pra mudar regras do jogo
mas vi somente o desgosto
do teu retrato irritado
por dor de todos os lados:
enfado, aborto de gozo...

Trouxeste traços de crenças
de buscas e desistências...
ou eram meras esperas,
ocultas por aparências,
das horas que se demoram
rodando a rude existência?

Colho do pouco que foste
forçando a história no corpo
colo teus tristes pedaços
olho os teus frutos tão poucos
e sofro certo embaraço
pois deste um morto tão moço!

Penso nos loucos que às vezes
atiram pérolas aos porcos
ou lutam contra moinhos
ou matam morte dos outros...
...os que querem com tanta força
e fazem até que desfazem-se
e morrem sempre sozinhos,
jazem inimigos do povo.

In: O Embebedário Diverso


5-JACKSON SALA

Livro GRÁVIDOS VIRGENS

Resumo do autor.

O livro Grávidos Virgens intensiona a idéia de uma gestação ou expectativa por algo que desejamos de verdade, do fundo dos nossos mais sinceros sentimentos.
“Virgens” porque este algo que desejamos, sentimos que jamais experimentamos anteriormente.
Apesar da afirmativa “somos todos virgens de paz”, no poema “Grávidos Virgens”, a citada paz na verdade não é o único foco do que se deseja.
Dissertando sobre temas distintos em cada poema, o conjunto da obra se associa na medida em que percebemos inúmeras coisas boas e más, referentes a própria natureza humana, o que acarreta a possibilidade de uma existência que, ao seu final, necessariamente impões um flash back, indicando os erros cometidos e levando a reflexão do que poderia ter sido feito diferente, para que a própria condição humana pudesse ser melhor sucedida do que realmente é.

“JACKSON SALA: A POESIA GRITADA”

Jackson Sala é um poeta corajoso. Num tempo poético em que a maioria escreve sobre o nada, num vazio filosófico-sociológico quase alienado, ele vai contra a corrente e se joga inteiro, sem hipocrisia, numa aventura literária sobre os meandros da alma humana. Sem hesitar, o poeta trafega sobre os nossos instintos mais recônditos e sórdidos, e desse pus constrói um texto-poético viril e de enorme significância.
Sala não quer inovar. É daqueles que se importam com o quê dizer, mais do que o como dizer. Mas sua linguagem poética está longe de ser inócua – é tão íntima e verdadeira que lhe assegura um lugar único entre os seus pares.
Se pudéssemos situar a sua literatura, diríamos que Jackson Sala recebeu ensinamentos do grande poeta grego Kaváfis, como podemos depreender do belo “Proliferação dos vermes”. Mas é de Augusto dos Anjos a influência que lhe percorre as veias. Em seus poemas, há um campo semântico recorrente que nos liga diretamente ao grande poeta do “EU”. Vejamos: espíritos, defuntos, carne, morte, almas, cadáveres, cemitérios, sepulcros, sepulturas, assassinos, vermes... Só isso, já faria de Sala um poeta a ser lido com interesse, devido à frieza temática atualmente em voga. Entretanto, o poeta nos oferece mais: poemas sociais sem panfletos; poemas existenciais sem filosofias de algibeira; poemas de amor sem derramamentos dramáticos e pueris.
Em “GRÁVIDOS VIRGENS”, lateja uma certa urgência, daí, os ritmos quebrados, as palavras aos borbotões, um tanto surrealistas, cuspidas – para usar um termo significativo para o poeta -, praticamente sem vírgulas, sem fôlego, numa respiração única, como se não quisesse dar tempo ao leitor de tirar os olhos de suas páginas. A palavra de Sala não deseja o sussurro, mas o grito. Seu poema brota do ignóbil, dos medos; não dos sonhos, mas dos pesadelos. Há nele uma espécie de “missão” humanística, a esperança da paz.
Caro leitor, a poesia de Jackson Sala – fora dos padrões comuns -, no mínimo, o deixará inquieto e pensativo. Desamparado. Mas não é isso o que desejamos quando falamos em boa Literatura?

TANUSSI CARDOSO
Poeta, Jornalista e Presidente do Sindicato dos Escritores do Estado do Rio de Janeiro – SEERJ

COMENTÁRIOS SOBRE GRÁVIDOS VIRGENS ( Orelha e Quarta Capa )

Jackson Sala é um poeta antenado com o Rio de Janeiro mais profundo. Um Rio de socos, pontapés, balas perdidas, mentiras carbonizadas. E também de beijos , ternuras , bombons , rosas vermelhas nos jardins . E da busca quotidiana do amor, em meio ao caos. Das pessoas batucando e jogando conversa fora nos botecos á beira do asfalto , descontração carioca em chinelos, bermudas e camisetas . Mesmo quando seu tema é a guerra , seu texto é sutil e elegante , sem baixarias.
Em seus versos de dicção inovadora e bastante pessoal, Grávidos Virgens revela Jackson Sala como um dos poetas mais representativos da nova poesia brasileira.

MANO MELO
Poeta, Ator, Jornalista e Roteirista

Jackson Sala,tem uma maneira linda e poética de relatar o cotidiano,fazendo vc refletir e ao mesmo tempo,se emocionar.

RICARDO FEGHALI
Cantor e Compositor – Tecladista do Grupo Roupa Nova

A poesia sopra onde quer, não escolhe seus cavalos por endereço, sobrenome ou classe social. Nasce onde menos se espera, onde é mais necessária. É o que nos prova Grávidos virgens, o novo livro de Jackson Sala, um tremendo cultivador da boa poesia que se faz hoje no Rio de Janeiro.

CLAUFE RODRIGUES
Poeta, Jornalista e Apresentador de Televisão

A poesia de Jackson Sala é contundente, afiada. Poema Preto, além da maestria, é o grito maior deste livro onde Jackson Sala, com “devílissima destreza”, nos arrebata, sem remorso. Grávidos Virgens se ofereceu aos meus sentidos na noite quente, sem vento, e me conquistou, definitivamente.

MÁRCIA LEITE
Poeta, Vice-presidente da Associação Profissional de Poetas do Estado do Rio de Janeiro

O “pandeiro” de Jackson quando chega na sala, faz dela salão... Salão de poesia em voz viva, verso livre e emoção. Ponha este novo livro na sua SALA e deixa que o JACKSON recebe seus convidados em casa.

TAVINHO PAES
Poeta, Compositor Musical e Jornalista

ALGUNS POEMAS DO LIVRO “GRÁVIDOS VIRGENS”, DE JACKSON SALA:



AMOR ABUNDANTE

Mais de sessenta milhões de filhos meus
assassinei com minha mão em tua homenagem,
mentalizando mãos de amor e beijos teus
inexistentes no teu peito de blindagem.

Concreto, aço e anafrodisia
me estancam e tudo o quanto te ofereço.
Teu coração com as palavras que dizia
me espancam muito mais do que mereço.

Se “nem Deus o Titanic naufraga”,
bailo firme por sobre o oceano
te afogando no melhor que em mim deflagra
mais que o mundo que te dou porque te amo.




CORAÇÃO CHACINADO

Por mais anabolizantes ou drogas injetadas
nas palavras esculpidas bruscamente
em direção a tua essência dilacerante,
jamais verá o que é força brutal,
comparada a cratera sepulcral
de arquitetura criminosa e indecente
que me cavaste em labareda visceral
no defuntado peito dependente.

Vaza-me o sangue contaminado
pelo íntimo contato com tu’alma,
após recentes golpes violentos
recebidos de presente no atentado.
Marcas cadavéricas espalhadas
identificam teus egos sensacionalistas,
delinqüentes linchadores com pancadas
sentimentalmente acefalistas.

Nua é a matéria bruta do teu espírito hostil cruel
ostentador sordidamente e vil do fel
da libidinosa chacina em meu coração plural,
moribundo esperançoso e crente
de que verá meu êxito moral, teu fim longe do céu
quando o teto lhe cair pesado e quente.



OUTRO CEP

Teu peito de ferro em brasas, pesado e feroz,
dilacerou de minh’alma a carne fina, quase pele, desnutrida,
infinitas e martirizantes vezes até destruí-la por completo.
E quando ferido ozônio era meu teto
enquanto eu parecia um trapo espírito a vagar,
encontro abrigo e mais que umbigo em outro lugar.



O CARA DOS 1000

Cica de Santos Dumont mineiramente façanhou,
individualizando-se ao Guiness imortal
porque 12 válidos gols vividos contemplou
em partida única oficial de futebol profissional.

Mas não antes do rei Arantes
o humilde bairro e elegante
que me dá Inspiração e Coragem,
Confiança, Brandura e Amizade,
em doces nomes de logradouros quando caminho
gerou ao mundo, como é pra todos os filhos, com carinho
a indivisível gigante genialidade de um baixinho.

Para bailar la bola
repousando-a no aconchego produtor
para os goleiros sentimentos de terror,
é necessário ser o dom que esnoba
e qual rede, a seus caminhos desenrola
atalhos certos transformadores de rito
a expectativa da explosão que vira grito.

O gol é a tradução de uma vida
privilegiadamente conduzida
pelo combustível generoso do maioral criador
que em seus extraordinários inexplicáveis não pára
e que quando ao recato o iluminou no universo
exclamou em poesia, prosa e verso:
“Esse, é o cara!”

O onze do tetra, é um.
Vil sorte de quem não viu!
Valioso na área por três.
No mundo, é o cara dos mil!

Poeta tem mania de usar chapéu:
retiro o meu em reconhecimento demonstrado
ao verdadeiro fenômeno do céu
nos campos de futebol manifestado.
Palavras são escassas descrevendo
mais de mil gols por multidões multiplicados,
ratificando o genuíno sentimento de alegria,
do ventre de Vila da Penha ao mundo convocado
dignificando amantes do futebol no meu, por tudo,
muito obrigado
Romário de Souza Faria.


MARYANNA

Minha singular admiração pelo que de mim prolifera
se traduz no que há de melhor possível
para esta dimensão além da atmosfera.
Minusculiza-se o universo
abrigando gigante sentimento
ainda maior e mais que imenso
de amor no qual está imerso.

Tento palavras,
não as encontro,
então as invento,
e as lapido encarcerando-as na liberdade
das infindas páginas de um livro
a prevalecer por toda a eternidade,
qual oração ou reza a quem se ama
como das profundezas e superfícies de mim eu amo
minha doce e linda bênção Maryanna.



6-HANNAR PAULLA DA SILVA

Hannar Paulla Alves da Silva, 33 anos, professora de geografia formada pela Uerj, lecionando na rede publica do Rio de Janeiro,realiza estudos sobre história ambiental no séc XIX,membro do movimento artístico itinerante e virtual www.acorjavirtual.blogspot.com
Portadora de fibromialgia e filiada ao SEPE/RJ (no qual também já foi idealizadora e apresentadora do Sarau cultural desta mesma entidade)
(O pseudônimo Lorien é uma homenagem á um personagem do livro ´´O silmarilion´´ de JRR Tolkien( Lorien é uma entidade pré angelical , responsável pela guarda do JARDIM dos sonhos ,que tem poder para dar descanso ,alento e inspiração aos peregrinos).
No dossiê de suas lembranças mais caras , guarda e sempre revive com muito carinho as memórias do tempo em que era levada pelo pai á biblioteca do SESC, no subúrbio de Madureira ( Rio de janeiro), onde se deu inicio a sua alfabetização sensorial e artística espontânea, visto que ninguém lhe cobrava resultados muito rigorosos sobre suas visitas
Misturam-se as estas lembranças de juventude uma inclinação e admiração pelos primeiros quadros de Van gogh ,Salvador Dahli e Monet que preenchiam seu imaginário e lhe serviam de inspiração assim também como as Composições de VIVALDI, HANDEL, TELEMAN , entre outros
Pode contar também com o incentivo de muitos de seus professores de redação e língua portuguesa , dos quais hoje alguns são seus colegas de trabalho, e lhe estimulavam em competições sobre criação de temas e frases.
Confessa que não era uma leitora muito disciplinada , no entanto demonstrava intensidade no que lhe apetecia ler
Dentre seus autores preferidos constam: Neruda , Carlos Nejar, Vina Schneider, Romulo Narducci, Shakspeare,Cecilia Meireles, Quintana ,Emily Diknson, Lorde Byron, dentre muitos outros.
Acredita que a poesia só pode existir de quanto mais se alimenta em si mesmo e nas emoções que dela absorve( contradições sociais, natureza e dilemas humanos), reproduzindo universos reais e paralelos, cheios de criatividade, sensibilidade , dor e contemplação.
já participou dos saraus Do Espaço Ciência Viva ( Tijuca, coordenado Pelo ator Eduardo Tornagui e O musico e também Poeta João de abreu Borges) e também das Edições mensais do evento ´´ Uma noite na Taverna realizadas no Sesc de São Gonçalo , coordenados pelos poetas Romulo Narducci e Rodrigo Santos.
Hannar Lorien , já foi premiada em festivais de poesia , do Sesc de Madureira ,do Shopping Nilópolis Square e Instituto Sepetiba.
Dirige bimestralmente com João de Abreu Borges e Santiago Midgard , as reuniões do clube Itinerante de leitura e artes afins , que ocorrem na Tijuca ou Santa Tereza. E agora está trabalhando na edição e publicação de sua primeira coletânea em conjunto com amigo e poeta Vina Schneider, conselheiro e cúmplice em muitas de suas composições.
Perché Exuvia?
Una vecchia pelle
que os insetos tem costume de deixar pra trás após cada ciclo de metamorfoses,
e por vezes,Inúmeras...
Estou Nômade Das coisas frias que me esquecem no seio dos acontecimentos
Das horas frias
que se esquecem no seio-ciclo dos eventos e pessoas,
Estou Nômade
Na troca de pelle que nos ausentam em cada um...
Até o novo Ciclo mostrar como vamos Des-Caminhar
Meu passo quer se aprumar
porém cúmplice das coisas boas que se podem colher ao longo do Dom e das cores que se derramam na jornada
Mas vai tecer caminhos bem mais meus do que até então,
longe das muralhas alheias que não se devem sustentar...
Hiatos e Metamorfoses

ainda que deguste a matéria prima de velhas lembranças,
Que são Ricas& Velhas pelles
Poemas,tesouros únicos, Da seiva que nos alimenta e se transforma nas viradas de estação,
Poemas em sentenças de heranças-palavras
Nos Descaminhos de uma lenda Pessoal.

A Seiva-poema Nos aquece em momentos de Estranheza e mutações no Clima.
Diz-se por ai,que durante o inverno,apesar de secas,as árvores interrompem seu ciclo,

Estão apenas grávidas, diante do aparente silêncio imagético das Flores
Nos Descaminhos de uma lenda Pessoal...

Exúvia Hannar.Lorien.


1 EXÚVIA

Vice -versa,vide-bula e vide-versos
trilhas que aprendi
Versos que passaram
Irresistíveis asas que nos guiam ao mistério

E agora
acontecemos um no outro
Fora o mundo á fora e dentro de nós

Teu olhar é quem doma suave meu ser
É teu olhar quem não me deixa escapar
Não, não irei roubar teus segredos
Quero ser parte deles
E ter você imerso em meu caminho- mistério

é o teu olhar por certo quem não me deixa escapar
seja longe ou perto

Eu andava por aí
Por fatos alheios
Embalada na maré-vertigem de idéias fixas
Trilhando equívocos inevitáveis
Enquanto o mundo se achava e se perdia
Brincando de roda ,fazendo bailar as contas de outros e tantos amores

E eu aqui
Em exúvia
a amar o teu olhar que não me deixa escapar!


2 Revoada

Dentro de mim há pássaros que cantam
Rubros
Criaturas da noite
Vinhos ácidos e peregrinos

Dentro de mim
Ventos reverberam
graves e comoventes
Ricos de imagens
Abelhas que ferroam minhas idéias
Amantes que se fundem
Nudez de essência publicada

Dentro de mim há pássaros que cantam
e partem a medida que os sonhos mudam de lugar
´pássaros que cantam e partem
Sem hora pra regressar.


3 Carrossel dos eixos

Deixas-te cumprir no amor
o que do amor valesse
Rasgando aos poucos a alma
a contradizer o senso comum
Fazendo cinzas dos limites impostos

Deixaste esvair do amor
Encanto e fogo
Em asas impensadas de gaivotas que lhe impulsionam

Sobre janelas claras e pardas muralhas
Via acontecer o mundo
Como cursos d’água que passam sem controle
ás margens de todos nós

Via o mundo acontecer
expondo diante de cada um
o sangue á fonte
Autofagia pra nascer de novo
Ciclo intempérie docemente em fúria
Carrossel acústico
que compunha
nossos eixos e lembranças.


4 Juízos no hangar do ontem

Carrasco
nas ciladas de si
Oculto no hangar do ontem
Oculto em 3 x 4
Minúsculo e ambíguo pra acolher consciência e juízos
Somado aos cães
Ausência de afago a lamber cínicas patas á sós
Entre prazeres fugazes
Olhar de gatos
Reflexo arredio na pisadura dos versos

No canto do hangar
uma antiga foto
Despertando anseios
a tinta fresca de sangue e cárcere memória
Escorre pelo assoalho gasto

Então
intrometida não se sabe de onde
A Brisa se insinua
perfumada em tontura
perfumada em erva-queimada

Contrasta ao carrasco seu semblante estático
Soma dos ecos
Casa de si abandonada

Carrasco e Brisa
dançam ao redor da sombra de suas sombras
Sem toques , beijo ou promessas
Exílio e torpor
á esperar sentenças no hangar do ontem.



5 O serenar da tempestade

Do encontro ao ponto
que coroa de mel e saudade
Desdéns
Do desejo que beijo

No ato
O Recado
Da hora que passa e acende no ser
O despertar das ondas que quero
E não vejo

Só ao porvir me dou conta
No silencio que alerta
O eco de tua voz
sobre o caldo de amor derramado
Que se despede
Assim como relâmpago
Um clarão que no céu
adormece queimando.


6 Menina do querer-Avesso

E por esta ciranda afrodisíaca de palavras
Pulsam sós meus nós e minha voz
em rima-faminta de tuas falas, fatos e falo...
Um canto de nudez e heresia
a correr em cores nestes açoites versos
solicitando tua companhia
Aguardando em vãs vigílias
Que te apiedes
E que em trato te despeças
A considerar que enquanto canto meu pranto Louco e arisco
Necessito beber
A rudeza crua de teus versos
Que outrora exorcizavam teus limites
Sobre o véu da poesia.......
Que não caia a qualquer modo
Túrgida e rubra noite
sobre
A mudez de tuas letras
Eis agora teu silencio como tua palma
Eis adiante tua ausência que nem fel a amargar
Tão secreta ilusão
Ressoa e portanto não se cala:
Neste arisco e louco pranto de intervalo
Que poderei jurar
Jamais!Que Jamais -Aceitarei!:
A mudez de tuas letras
Nesta ciranda afrodisíaca de signos
E por talvez
Póstumas- palavras em todo rosa-mel e fogo
que já destilei!

Poemas de EXúvia Hannar/poemistalorien/Melian Cordéus(pseudônimos)

sobre os poemas que concebe:

"Me parece que a maioria destes poemas nasceram como "preces"
preces que partilhamos... ao cair das notas,pois em nós as canções que se encaixam (sejam nossas ou de outrem) são transes visuais
cada nota corta um caminho de imagens
se quedam como tintas aos pincéis
e nossas cores inconscientes,sejam tristezas perenes ou alegrias diáfanas
assumem a forma de palavras e depois novas canções visuais que se desdobram
apresentando em cada um de nós a condição comunicante em que se alimentam nossos anseios
por amizade e identificação responsiva" por Exúvia Hannar.



7-Zanony Yberville

Meu nome é Zanony Yberville,
poeta desse lugar
sou da literatura
e da cultura popular
sou da ecologia
da natureza na mente
sou da magia
que existe no sol poente
gosto de bicho,de planta
de chuva de céu e mar
de gente que olha no olho
que abre as janelas da alma
e deixa você entrar
sou do planeta terra
porém não sou egoísta
quero crer que exista
vida em outro lugar
mas,se alguém me desafia
e agride o meio-ambiente
aí eu fico valente
e ninguém topa o meu revés, sou picadura de abelha italiana,
ponta de peixeira paraibana,
perfurando o maracá das cascavéis


RÁDIO PIRATA

Salve,salve
senhoras e senhores,
intelectuais,punks,anarquistas,poetas,menestréis,
homossexuais e vagabundos sem um reis...
filósofos ,índios, negros,judeus e mulheres...
humanóides...
Escancarem os ouvidos e sintonizem a nova ordem mundial,
é chegada a hora de botar a boca no trombone!!!
ao fungar meu nariz,
estão roubando o pais:
diretores,delegados,deputados,senadores,juizes,
impostores,traidores da nação.
Viva a liberdade de expressão meu irmão,
é a nossa vez e da galinha pedrez,
piratas são eles,nos não queremos o ouro...
Salve,salve
cidadão Brasileiro,assalariado,constrangido,manipulado,
laranja,convertido em otário...
Agora em sua cidade a ondas da rebeldia e criatividade.
Viva a liberdade de expressão meu irmão,
é a nossa vez e da galinha pedrez,
piratas são eles,nos não queremos o ouro!!!
&&&

O ABORTO

Venceu milhões,
na corrida uterina...
um gladiador nato,
esse menino,
ou essa menina?

mas,a sua chegada não foi planejada,
naquela casa,
nem naquelas vidas...
então,dessa vez sua sorte foi selada de fato..

uma dose de química,
e um chá de mato,
a mãe não chorou,
porem muito sangrou,
o pai ficou triste,
e a sua historia acabou...
&&&

DO MAR

Amo os olhos verdes da mata,
o luar do sertão,
a sedução do te olhar,
teu cheiro de brisa e mar,
tô sem destino,
sem fronteiras,
veleiro no mar,
feito menino sem barreiras,
veleiro no mar,
pela estrada da vida,
navegar.
&&&

NATUREZA

Queria ser uma frondosa macieira,
talvez jabuticabeira,
que sabe bananeira,
ou ainda laranjeira,
ou simplesmente trepadeira,
um gigantesco coqueiro,
mesmo sendo um limoeiro,
me sentiria feliz,
um rio que fosse ao mar,
as cataratas do Niágara,
a plenitude,
a realização,
uma mandrágora,
a iluminação um girassol,
anunciando o arrebol,
por sobre os prótons e néutrons.
&&&

DOCEVIBORA

Eu filho de marte,
descido a terra para provação,
vibrando na décima constelação,
de escorpião,
sem saber,
sem saber porque a matéria é energia,
e o espírito é indivisível,
o essencial é invisível para os olhos de quem vê,
sendo assim me entreguei,
mergulhei de cabeça em você,
minha docevibora,
ainda queima na boca o veneno da tua saliva.
&&&

LUA

Galopa na noite,
feito cometa errante,
bandoleira,
instigando malucos e caretas,
poetas e menestréis,
canta o teu canto de sereia,
matreira,
libera os anelos que nos trai,atrai,
e que nos põe a imaginar,
se seu dono,
seu amor,
seu par,
fantasiar cumplicidade,
desvendar a cidade,
e depois acordar,
no corredor das intrigas,
do vendaval passional.



8-NADIA DE SOUZA BARBOSA

Nascida no bairro de Santa Tereza no Rio de Janeiro, capital.
Professora, graduada em Sociologia e História.Pós-graduada em História da África e do Negro Brasileiro. Com vários projetos realizados na área da educação. Professora da rede pública Municipal e Estadual do Rio de Janeiro
Escritora de livros infanto-juvenis e poesias; com dois livros infanto-juvenis publicados e poesias publicadas em antologias.
Premiações:
Poesia na escola - SME – 2000
História do Brasil em Quadrinhos - SME - 2000
Poesia na escola - SME – 2003
Texto literário - Academia Brasileira de Letras e Folha Dirigida – 2004


DO VIAJANTE, NO TEMPO EM QUE SAIU EM
BUSCA DA COMPREENSÃO, DO DISCERNIMENTO E DO CONSOLO,
UMA MELODIA.

Álefe Venho da onda, venho do vento. Do vento, da onda, do tempo. Tempo que se debruça sobre as cidades.
Bete Pelos caminhos das lágrimas, pelas estradas silenciosas em busca de meus semelhantes.
Guímel Peregrino, ritualisticamente despojado, em meu bordão trago toda a esperança do mundo.
Dálete Apenas uma idéia, apenas uma visão. Uma nova visão, uma nova idéia, vários
mundos.
Hê O lugar, no qual habitamos: nós, outros seres, outras coisas, marcados pela profusão de sentimentos e idéias.
Vau O país, a terra, “as gentes” na memória das mãos.
Zaime Atravessando as esquinas do mundo, encruzilhadas do tempo, onde, comparecem todas as ausências.
Hete Percorrendo as linhas ao doce murmúrio das almas, mergulhado no oceano da imaginação.
Tete Errâncias e devaneios da viagem pelo vivido.
Iode Identificando-me além da sombra. Alma crispada de quem está em presença de um mistério.
Cafe Entre vogais e consoantes, o prazer musical das harmonias, o jogo de significados,
Lâmede Consonantais dissonantes, fonemas luminosos escrevo
Meme Buscando compreensão e discernimento, como uma emoção pré-histórica do aprendizado. .
Nune Qual poeta, perceber-se e a perceber, o mundo entre palavras significantes, significante caminho.
Sâmeque Trago nos meus cartões a evidência do real, recortando o cotidiano.
Aine Revela-me, os “eus” em palavras, o mundo: o eu que inventou a poesia; o eu que inventou a prosa do dia a dia
Pê Plantando a existência, para que em signos, brote no coração. Representação tornando-se o representado.
Tsadê Ver o mundo com os olhos do amor e da compreensão, é só do que o mundo precisa.
Cofe Buscando respostas as perguntas primitivas: Quem somos, de onde viemos,
para onde iremos?
Rexe Voar não só com os pássaros, voar com os que ousam sonhar, ousam alcançar o looping perfeito.
Chim Não mais afundar a cabeça entre os joelhos, pretextando proteção. Voar, voar como os anjos de Candinho e alcançar a fantasia.
Tau Vinde pois, compartilhai desta consciência do ser, vós os digeridos pelo tédio e os
ácidos do vazio, buscando entender o mundo e os outros seres. Vinde peregrinos, pois trago Boas Novas eternas para declarar, como boas notícias aos que moram na Terra.


MATEI A POESIA

Matei com chuva ácida dum pranto
O que restara de humanidade
Matei a poesia por engano
Um tanto de intuição
Na inútil paisagem de um pensamento
Sobreviveram dizeres, saberes, palavras
Que sem norte ou montes à vista
Morreram sem saber de outras sortes
Ainda restam palavras sombrias, sentidas
Rostos que não se enamoraram da poesia
E prosseguem sem a certeza de encontrar o tempo
Nas frases contidas
O tempo perdido
A viagem do desencontro
A despedida
Insisto na busca,permanentemente enlutada
Esquivo de vislumbres e alucinações
Mas é em vão fatigá-la
Porque logo se avista
Um sentimento perambulando no vazio
Solidão
Desejava no leito da terra
No verso pedregoso e frio
Enterrar o silêncio resignado
Das noites sem luas e nuas
O poema à revelia oprimido e febril
Fraturado por gritos
Fulminado
Pela ternura de um crepúsculo
Dum outono cativo dum sorriso
Dum inverno decepcionado
Nos acordes do tempo
No charque, no lodo
No espectro de folhagens
E no acúmulo de montes
O poema explode
Não pede, implora
Só quer concessão


PRA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DE AMOR

Nos bares/esquinas
Ao som de um Rock
Cerveja, fumaça, mistura com cheiro de urina
Batom banhado de esperma
No banco traseiro
Da moça tingida que ensaia um gesto
No cara/coroa que goza entrelinhas
Tu és meu único motivo. Sou louca
Mundo cão vagabundo
Cadelas no cio
Nos acordes: Do you love me?
A arte é desculpa
Subterfúgio do sabor da calabresa no ar
Todos famintos devoram o hálito da morte
Comamos e bebamos, porque amanhã morreremos!
Tu és meu único motivo. Sou louca
Risos histéricos, fingidos, declaram felicidade
Felina cidade sem luz de néon
Quando os bichos noturnos fazem a ronda
Caçam suas presas
Engolem insetos notívagos
E acreditam: feliz
Cercado de gente
Sorriso de máscara/estampa
Tu és meu único motivo
Não estás louco. És feliz
Feliz morte futura
Com licença
Porque não és nem frio, nem quente
Vou vomitar-te de mim.
Vou retirar-me para vomitar um pouco
Quem sabe eu volto amanhã
Vestida de noite
Pisando na lua
Esgotada de mel
Cheia de fel
Trazendo estas flores
Para depositá-las junto aos teus pés

Nos bares/esquinas...




Vou me calar diante do mundo
Não mais gritarei às feras perdidas
Não falarei ao vento
Nem correrei atrás desse som
Vou ficar muda diante do tempo
Para sempre
Costurar minha língua afiada
Vomitar todas as humanidades que me restam
Engolir Pandora
Imolar Prometeu
Caçar Diana
Queimar Cupido
No fogo deste inferno
(Hades)
E não mais ouvir, as canções que fizeste
Vou me calar diante do homem
Do contrário, rasgarei tua carne
Comerei teu fígado,
Beberei teu falso sangue translúcido
Farei teu escalpo
Na curva do rio onde jaz meu coração
Arrancarei teu bigode patife
Apagarei teu sorriso cretino
E meu grito mudo
A cada noite sem lua
Ouvirás no silêncio da madrugada
Vou me calar diante de mim
Quebrarei os espelhos da casa
Rasgarei todos os organdis
Cortarei os meus cachos, um por um
Não serei mais bailarina
Não escreverei mais uma linha
Só pra vingar-me de ti


Qual phenix, renascida das cinzas
Vou devorar-te por inteiro
Com o fogo da minha lascívia latente
Retiras as cinzas com o sopro do teu ser
Expondo todas as brasas de loucura
Embriaga-me em cio, ouvindo teus ais e queixumes
Tua lava fervente a escorrer
Inunda-me de prazer
E depois disso..., vou vomitar-te fingindo desprezo

Qual amazona, na lua cheia
Cavalgarei noite adentro
Até chegar a planície do teu ventre
Perdida na tua geografia
Onde dormitam secretos vulcões
E o amor fugido dos silêncios
- Não serei eu a possuída-
Vou extrair teu mel
Secar teu fel
Sucumbir-te

Qual onça pintada, vou lamber-te
Da cabeça aos pés
Sugar teu sexo, engolir teu gozo
Entre fúria, tempestade, tremores
No mar dos teus lençóis
Vou ficar a deriva nas tuas loucas posições
Agarrada aos teus pelos vergo-me ao teu vendaval

Qual uma tirana rainha louca
Envergonhando Messalina
Vou tragar-te noite e dia
E te trarei acorrentado aos meus pés
E para teres liberdade
Terás que pedir, implorar piedade
E eu, ofegante e cansada
Te amarei outra vez




Mantenha-te calado diante dos fracassos pessoais que batem à tua porta
Pois de perto ninguém é normal
A tua loucura foi não investir nos teus sonhos e deixar que sonhassem por ti
Somos todos caçadores de emoções...
Somos movidos por sentimentos, desejos, ideais utópicos de nossos ancestrais
Somos tatuados com a sujeira egocêntrica e extremamente humana dos seres que ocupam esse espaço
Em algum lugar do tempo também tatuamos alguém que se tornou credulamente sujo por apostas suas fichas em nós
Se for pra lamentar, cala-te. Se não, lavaremos todas as escadas do mundo com nossas decepções e expectativas que não se concretizaram
Mantenha sim, teu sorriso franco estampado no teu medo de menino
Arma contra os usurpadores da tua ingenuidade de índio
Transforme desencontros vocálicos e as mutações que ainda te restam em mais puro som
E aumente... que isso aí é Rock and Roll



9-SANDRA A. DE ALMEIDA

Sandra A. de Almeida, paranaense de Jandaia do Sul. Ativista de movimentos sociais nas décadas de 70 e 80.Atua na educação há 27 anos,sendo que 24 anos no Estado de Rondônia.Participou no ano de 2007 em 5 Antologias poéticas e Agenda Literária do Celeiro dos Escritores.Trabalhos publicados em diversos sites,entre eles:1:www.almadepoeta.com.br (Rio de Janeiro)
2:www.paralerepensar.com.br (Salvador)
3:www.poetasdelmundo.com.br
4:www.cronicascariocas.com (Rio de Janeiro)
5:www.recantodasletras.com.br
Publicações no Jornal O Rebate (Selmo Vasconcellos e http://orebate-zani-arte.blogspot.com/). Também Colunista do Jornal O Rebate (Macaé-RJ).A poesia faz parte de meu cotidiano,sou feliz escrevendo e desvendando os segredos de me harmonizar com as letras.

Eu e você

Sonhos amassados,
embrulhados no tempo,
cheiro de saudade!

Em ruelas esquecidas,
num verso que não fiz,
num canto secreto da alma!

Escondido no universo,
numa estrela confusa,
esquivando-se da vida.

Lá estávamos nós,
a nos espreitar,
a nos esperar!

***

Você

Vesti-me de poesia
Atrevimento em rimas
Querendo ancorar
Em teu porto.

Veio-me um desejo
Louco, e sem métrica.
Naveguei em todo
Seu universo.

Peguei-me num verso
Torto, cheio de excitação.
Escrevi você...
No azul do céu

Momentos nossos
Atrevimento meu
Amar um poeta
Na amplitude do universo!

*****

SOU...


Sou madrugada que chora,
revivendo momentos de nostalgia.
No vazio procurando...
Faço da penumbra um vigia

Sou chuva que, reanima vidas,
na aridez ,fecundas sementes.
Satisfaço corpos suados ,ardentes
com carícias alivio as feridas.

Sou mar ,nesse balanço...vai e vem
Nessas ondas serenas,tudo convém.
Faço-me deusa ...e fico nua!

Sou mulher!Talvez mundana,
Errante ,mutante e profana.
Amo, desabo,derrama e esparrama!

*****

Soneto ao Tempo

Se, sonhei fiz loucura, era tarde.
Esqueci do tempo sussurrando.
Envelheço com ele murmurando,
Infeliz, faz tudo sem alarde.

Se não sonhei, não soube viver.
Entregue ao tempo, pequei!
E tinha tantos sonhos pra viver,
Intimidei e no tempo escoei!

Lamentando, desatinada, esperarei,
Entre frases desesperadas
Como um clichê de cabaré.

No tempo me perco, nele me reencontro,
Vou compassada, para esse encontro.
Conciliando, todo mistérios desse tempo.

Meu espelho da verdade!


*****

Pedaços de mim

Sou amor...
sorriso e alma.
Num grito abafado
que nunca se acalma.

Sou sangue...
que sangra ansioso.
Nos versos ardentes,
desse amor!

Sou alma...
num passado teimoso.
Na trilha marcada,
na força eloqüente
...da poesia!

Sou o hoje...
luz da verdade
que o tempo mostrou.
Num prazeroso
...silêncio!

Sou o amanhã...
como o fiel da balança
...equilíbrio!

Visto o avesso de mim,
...vôo e estarei no ninho.
Única bagagem
...o amor!

****

Viaje no Poema

Busque no poema
que profundo persiste,
fazer a vida valer a pena.

Em letras pequenas,perfeito
ajeita e desenha feita melodia,
fazendo a vida ter algum efeito.

Busque no poema
um novo mundo,ele dará,
viaje leve como uma pena.

Ele pode ser triste,porém perfeito
cada letra sai do coração,
murmurando emoção.


Busque no poema paz,
certo que encontrará.
Só ... viaje no poema.

São letras que falam atentas
desafogando tantos dissabores,
revolvendo terríveis tormentas.

Viaje no poema!


10-JOSÉ ROBERTO SECHI

hoje
estou tão deserto
em meu
silêncio noturno
que eu
seria capaz
de fumar
uma cigarra



passos cegos

a
pressa
dos
pés
, na taquigrafia dos passos,
desconhece
a
poesia
da
estrada
.



isto lá
aquilo aqui
ex-isto

penso penso
logo desisto

penso
penso
logo diz isto
:
eu não existo



quero
sentir o que sente
um caroço de
azeitOna
entre
a sua língua
e
os seus dentes



votar causa impotência

antiga
mente
votar
era um ato
sexual :
após
carícias caligráficas
introduzir
o pênis da cédula
na vagina estreita
da urna

hoje
votar é
masturbação :
rápidas
carícias digitais
gozo eletrônico
teclejaculado
precoce
mente



11-MADALENA BARRANCO

ANJOS REJEITADOS

Nasceu! Nasceu! Gritou o pai emocionado, quando a enfermeira apareceu com um bebê embrulhado no colo. Todos pararam de falar. O pai foi pegá-lo no colo e pareceu-lhe que a enfermeira resistia com um sorriso apagado de quem tinha algo mais a dizer. Ao vê-lo, o pai balbuciou alguma coisa como: é um anjo... A família sorriu e concordou, mas o pai não sorria, apenas repetia: é um anjo.

Nisso, apareceu o médico apressado para pegar o bebê e anunciou que a cirurgia de retirada das asas seria uma experiência nova, pois até agora ninguém nascera com aquela anomalia. O bebê defendeu suas asas e saiu voando, mas, antes, pediu desculpas por nascer num mundo que ainda rejeitava anjos.

Registro na FBN/EDA.

10 Comentários:

  • Brilhante este número do MLC! Fiquei emocionada ao ver A Marisa Zanirato em destaque, com seus poemas perfeitos em forma e conteúdo!
    José Roberto Secchi foi uma grata surpresa conhecer: seus versos são de uma síntese lírica rara de se encontrar.
    Não terei espaço para comentar um a um todos os nomes consagrados que estão neste número, mas o conjunto está perfeito.
    Parabéns pelo trabalho e pelo bom gosto.

    Por Blogger Neusa Zanirato, às 4:19 PM  

  • Selmo,
    Parabéns por mais esta edição do blog. Fico bastante envaidecida e ligeiramente constrangida em figurar nesta página, ao lado de poetas legítimos. Sei que minha presença aqui se deve muito mais à sua generosidade que aos meus talentos literários.
    Obrigada pela oportunidade e cumprimentos aos autores que compartilham este espaço de divulgação literária.
    Abraços,
    Marisa.

    Por Anonymous Anônimo, às 6:58 AM  

  • Selmo,
    Que alegria participar deste número, compartilhando meus versos com outros poetas e leitores diversos. Parabéns pela edição, e obrigada pelo convite.

    Abraços,
    Carmen Moreno

    Por Blogger Carmen Moreno em Prosa e Verso, às 4:58 PM  

  • Selmo, obrigada pela oportunidade de participar de mais esta edição de sucesso de "O Rebate", com meu miniconto de um anjinho em meio a textos de autores maravilhosos, que eu quero ler, viajar pelas letras com a janela aberta para a literatura e comentar com carinho. Abraços.

    Por Blogger Madalena Barranco, às 6:57 PM  

  • Hoje eu voltei para ler mais e gostaria de dizer que adorei a poesia de Sandra de Almeida e seu "espelho da verdade"; da Marisa e sua poesia que dialoga com a Natureza e abre passagem para a fantasia e de todos os outros escritores e poetas! Abraços.

    Por Blogger Madalena Barranco, às 5:28 PM  

  • Selmo,
    Agradeço muito por meu nome estar incluido entre tantos trabalhos de elevado valor poético.
    Sua generosidade é responsável por mais esta alegria.
    Este seu empenho em prol da poesia sempre nos emociona e engrandece.
    Parabéns pelo seu trabalho!

    Por Blogger Olhar feminino, às 6:35 PM  

  • “quase meia-noite
    onde estava
    que não embarquei” Cláudia Gonçalves

    “…Se te dou beijos de sal
    É batismo, virei santa!” Euridice Hespanhol

    “…Escrevo.
    São tantos os sentimentos...” Soninha Porto

    “…caíste, mas eu venho sem tardança,
    iluminar o amor que vejo em ti" LUIZ ANTONIO CARDOSO

    “no torvelim das almas que em ciranda,
    ébrias, descendo, trêmulas, em bando,
    iam o adro da Torre demandando.” ANDERSON BRAGA HORTA

    Amigo Selmo
    Como poderia me sentir estando em sua página entre essas e outras delícias?
    Sem palavras, sou muito e sempre grata.
    Abraço imenso.

    Por Blogger Sônia C. Prazeres, às 7:43 AM  

  • Adorei essa estória do anjo! Magnífica! Essa moça tá no orkut? Parabéns pra Sandra!

    Por Blogger Betty Vidigal, às 8:29 AM  

  • Esse blog está muito legal.
    Adorei essas poesias.

    Tchauu
    Bjoss

    Por Blogger Jessica Moreno, às 7:33 AM  

  • Estar nas páginas do Selmo Vasconcellos é uma honra, amigo, poeta, ativista e parceiro de lutas poéticas e culturais, é uma felicidade ser tua amiga.
    Além disso estar aqui dividindo espaços com pessoas que fazem a diferença na poesia contemporãnea, amigas talentosas que tenho o prazer de conhecer pessoalmente, Cláudia Gonçalves e Sônia Prazeres, lindas! Sônia, agradeço estar citada no teu comentário, sucesso pra você e sigamos em busca de mais espaços para a poesia. Parab´pens selmo pelo teu incansável trabalho, beijos.

    Por Blogger Soninha Porto, às 11:33 AM  

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