.

14.10.11

MARLA DE QUEIROZ - ENTREVISTA

ENTREVISTA

SELMO VASCONCELLOS - Quais as suas outras atividades, além de escrever ?

MARLA DE QUEIROZ - Sou jornalista. Trabalho como redatora freelancer, escrevo peças teatrais, letras de música,enfim, trabalho sempre com a escrita.

SELMO VASCONCELLOS - Como surgiu seu interesse literário ?

MARLA DE QUEIROZ - Não surgiu, nasci com ele.
É uma coisa inerente, está acoplado a mim como um membro do meu corpo.Leio desde que fui alfabetizada. Escrevo desde os 7 anos de idade, mas só comecei a publicar aos 24 anos.

SELMO VASCONCELLOS - Quantos e quais os seus livros publicados ?

MARLA DE QUEIROZ - Publiquei em dezembro de 2008 o livro “Flores de Dentro” de poesia (Editora Multifoco), e estou com o segundo de prosa poética em processo de revisão. Seu título provisório é “Quando as palavras se abraçam”.

SELMO VASCONCELLOS - Qual (is) o(s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s) capaz(es) de produzir poesia ?

MARLA DE QUEIROZ - Não sei exatamente. Por exemplo, vejo a repercussão do que escrevo e já perdi a dimensão disto. Com a internet, os textos viajam muito facilmente por todos os cantos do mundo. Mas percebo que os jovens têm tido cada vez mais interesse por poesia e prosa poética e que estão aderindo à escrita_ começam fazendo blogs que funcionam como diários e vão amadurecendo seus textos se aventurando em algo mais literário.

SELMO VASCONCELLOS - Quais os escritores que você admira ?

MARLA DE QUEIROZ - São muitos. O preferido é Guimarães Rosa. Mas amo Clarice Lispector, Manoel de Barros, Mia Couto, Ana Cristina César, Adélia Prado, Caio Fernando Abreu, Machado de Assis, Sartre, Albert Camus, Hilda Hilst, Bachelar.....

SELMO VASCONCELLOS - Qual mensagem de incentivo você daria para os novos poetas ?

MARLA DE QUEIROZ - Que não escrevam pensando em remuneração. Escrevam por generosidade e compartilhem porque, às vezes, um texto pode amparar outras pessoas. Os sentimentos são universais e muita gente busca salvação na literatura.

Marla de Queiroz
www.doidademarluquices.blogspot.com


POEMAS

BREVE SOPRO

E o amor que cabia num soneto,
só durou um haicai.


CONVITE

Deita tua voz em meus ouvidos ferindo a castidade que me faz dormir tão cedo.

Preciso das pontas dos teus dedos para que a insônia crave em mim as suas unhas
e eu te guarde, enluarado, entre os meus segredos.

Desenrola teu desejo sobre a minha pele nua para que a minha boca beba na tua,
esse hálito de flor.
E provoque uma súbita troca de posições
onde meus cachos pendam frouxos sobre o teu rubor.

(Para que eu me despeça da maldade do querer entardecido de ausências
deita tua fome em nossas pendências).

E deixa que o dia brote do horizonte como se fosse do mais íntimo da gente:
adormeceremos ensolarados e castos
feito um poente.


DOMINGOS

Domingos têm a brochura de um "Ulisses" de James Joyce:
são dias eternos, lentos, arrastados pelas suas mal-contadas horas.
Têm resquícios de amores passados, ensopando manhãs.
Têm arestas de indecisão ampliando seu quebra-cabeça incompletável
pra esticar as tardes.
Têm desejos de alguma novidade.
Têm contradições e desperdícios,
não têm conclusões, só indícios.
Domingos adiam suas noites pra causar impacto.
E quando nos acostumamos depois de ter andado entre sonhos,
entre livros, entre bares, entre tédios, entre ansiedades,
entretenimentos, entrelinhas,...
Domingo, tal qual o mar, anuncia sua ressaca:
uma segunda-feira vingará.


ABRAÇO REFEITO

Vem caminhar ao meu lado, amor.
Nesse tapete dourado
de folhas despencadas das amendoeiras.
Vamos tocar nas flores
suadas de orvalho e perfumadas pelo sol.
Vem caminhar ao meu lado
até que seja estendido
o varal de estrelas na cabeceira da noite
ou que possamos beber
desse trecho de chuva que amadurece ao relento,
na madrugada.
Vem caminhar ao meu lado, braço dado,
deixando esquecidas no vento
nossas palavras machucadas.
Vamos refazer a solidez
daquele início do capítulo
em que éramos tão lúdicos e líricos.

Eu escrevi uma narrativa de tanto amor,
por favor,
não rasure o nosso romance.


DIÂMETRO

Volta logo, meu amor!
Eu só escrevo por não saber o que fazer com as mãos
quando o nosso abraço termina.


LASCÍVIA

Eu não vi o seu rosto
_ ele estava mergulhado entre as minhas coxas_
Eu não beijei a sua boca
_ ela estava ocupada me beijando os lábios...

0 Comentários:

Postar um comentário

<< Home