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4.4.11

LÍLIA APARECIDA PEREIRA DA SILVA

Psicóloga, Advogada, Escritora, Artista Plástica e Pianista

ENTREVISTA
Livro gentilmente enviado pela autora.
SELMO VASCONCELLOS - Quais as suas outras atividades, além de escrever ?

LÍLIA APARECIDA PEREIRA DA SILVA – Psicóloga, Advogada, Poeta, Ficcionista, Ensaísta, Tradutora, Teatróloga, Escritora para Crianças, Pintora, Desenhista, ( já dei 2 concertos de piano : São Paulo e Curitiba ). Tradutora em “500 Poesias Sem Fronteiras – ( 50 países traduzidos ) e no livro no prelo “Nono Livro de Traduções ).

SELMO VASCONCELLOS - Como surgiu seu interesse literário ?

LÍLIA APARECIDA PEREIRA DA SILVA – Quando escrevi, aos sete anos, um soneto, sem saber que era poesia ( metrificada ).

SELMO VASCONCELLOS - Quantos e quais os seus livros publicados ?

LÍLIA APARECIDA PEREIRA DA SILVA – Segue a lista de livros meus.

A Valsa dos Sentimentos, Poesia, 1941
Lenço Materno, Poesia, 1958
Pamela, Romance, 1ª e 2ª ed., 1958
Poemas à Luz do abajur, Poesia, 1959
Almas de Barro, Romance, 1959
Os Sete Véus nas Marés, Poesia, 1960
Reflexos, Poesia, 1960
Estrela Descalça, Prêmio DF. Do México e 1ª Bienal do Livro, São Paulo, Poesia, 1960
Vovó vai a Marte, Encenado por Fenízio Marchini no “Centro de Comércio e Indústria”, de Itapira, SP, Teatro, 1960
Serenata do Abismo, Poesia, 1960
Totens não deus, Poesia, 1964
Relógio de Raízes, Poesia, 1964
A Pantera, Romance, 1ª e 2ª ed., 1965
Monstros e Gênios, Contos, 1965
Altar das Cicatrizes, Poesia, 1966
Síntese Lírica, Pensamentos, 1967
Magia do Anoitecer, Pensamentos, 1ª e 2ª ed., 1967
Visita do Pássaro, Poesia, 1ª e 2ª ed, 1967
O Juiz Morto, Cine-teatro, 1ª a 4ª ed, 1968
Estórias para Sonhar Crianças, Infantil, 1968
Gênese-lô. Prêmio Pen-Club de São Paulo, Poesia, 1970
Adenda Literária para Júri, Direito, 1970
A Fada do Tocantins, Infantil, 1971
Festival de Desintegração, Poesia, 1971
Trigo de Estrelas em Campo de Abismo, Poesia, 1972

LIVROS EDITADOS NO EXTERIOR
The Panther, por Francês Cyrillo Tudisco, São Paulo, Versão “A Pantera”, 1966
Riflessi,, por Vincenzo Josia, Roma, Antologia Poética, 1968
Gênese-lô, por Renzo Mazzone, Itália, Reedição, 1970
Fleurs de Lília, por Claude Cotti, Paris, Antologia Poética, 1971
Altar de Las Cicatrices , por Vincenzo Josia, Barcelona, Antologia Poética, 1973
Credo Incroyable, por Claude Cotti, Paris, Antologia Poética
The Angel’s Surprise ( Vários idiomas ), São Paulo, Poesias, contos e discursos, 1998
“Largas Manos para Jean”, Jean Aristingueta, Tradução ( Venezuela ), 1974
Elegia aos Amados Suicidas, Poesia, 1974
Menino de Orvalho, Poesia, 1974
Moinho de Sonhos Infantis, Infantil, 1975
“Papiros de Alta Tensión” – Antonio Undurraga, Tradução ( Chile ), 1975
Um Judeu na Minha Cama, Cine-teatro, 1ª, 2ª e 3ª ed., 1976
Dialogo dos Pássaros Mortos, Romance, 1980
“Allá Finestra”, Edvige Pesce Gorini, Tradução ( Roma ), 1988
Perspectivas Perceptivas – Trechos para Treinar Sua Percepção, Psicologia, 1988
Salmo de Pétalas no Cristal do Abismo, Poesia, 1989
33 Anos de Poesia, Vol. I, 1991
33 Anos de Poesia, Vol. II, 1991
Simbiose, Autobiográfico, 1991
Trechos Mágicos, Poesia, 1992
Moinho de Cio, Contos, 1992
Percepções Distorcidas, Psicologia, 1993
Luar de Fadas, Infantil, 1993
Brincando o Jogo do Mundo, Infantil, 1993
Correspondência L.L., Epistolar, 1993
Elipses do Anjo, Poesia, 1993
61 Interpretações Junguianas de Sonhos, Psicologia, 1994
Mínimos Conceitos ( Poesias ) e Contos Abstratos, 1994
Breve Esboço Filosófico do Direito, Direito, 1ª e 2ª ed., 1994
Robô Célio na Floresta do Saci, Infantil, 1995
Fenômenos, Esotérico, 1996
Carnaval Brasil ( Carnival Sketches ), Desenhos, 1996
Impacto, Poesia, 1996
Diário da Borboleta, Infantil, 1996
Cartas à Minha Sombra, Crônicas, 1997
Álbum de Mim Nua, Poesia, 1997
Europeanas, Poesia, 1997
The Angel’s Surprise, Poesias Versadas em 8 idiomas, 1998
Prêmio Poesia e Desenho, Concurso, 1998
500 Poesias Sem Fronteiras Vol. 1, Traduções, 1998
500 Poesias Sem Traduções, Vol. 2, Traduções, 1999
500 Poesias Sem Fronteiras, Vol. 3, Traduções, 1999
500 Poesias Sem Fronteiras, Vol. 4, Traduções, 1999
500 Poesias Sem Fronteiras, Vol. 5, Traduções, 1999
Diário de Um Robô Lírico, Romance, 1999
Versos aos Meus Netos, 1999
Prêmios Poesia e Desenho, Concurso, 1999
Prêmios Poesia e Desenho, Concurso, 2000
Hai Kais aos Olhos de Olí, Poesia, 2000
Saia de Cigana entre Galáxias, Poesia, 2001
Prêmios Poesia e Desenho Lília A. Pereira da Silva, Concurso, 2001
Desenhos para Pedrinho, 385 Desenhos, 2001
Artistas de Itapira, Documentário, 2001
Desenho e Pintura, Autobiográfico, 2002
Prêmios Poesia e Desenho Lília A. Pereira da Silva, Concurso, 2002
Poesias para Lília, Poesia, 2002
Labirinto de Conflitos – vol 1, Psicologia, 2003
Labirinto de Conflitos – vol. 2, Psicologia, 2003
O Comércio nas Idades Antiga e Média – Breve Esboço, Direito, 2003
Prêmios Poesia e Desenho Lília A. Pereira da Silva, Concurso, 2003
Chuva de Gatos Verdes, Poesia, 2004
Prêmios Poesia e Desenho Lília A. Pereira da Silva, Concurso, 2004
Labirinto de Conflitos – vol 3, Psicologia, 2004
Diário na Suíça, Poesia, 2005
Treine sua Percepão em temas de Psicopatologia, Psicologia, 2005
Freud em meu Divã de Analista, Psicologia, 2005
Para Biografia, Documentário, 2007
Monólogos de Artes – São Paulo e Itapira, Documentário, 2009
Histórias do Espantalho Pescador, Infantil, 2010

Mais de duas centenas de livros e antologias, dentro e fora do Brasil, citando Lília Aparecida Pereira da Silva.

SELMO VASCONCELLOS - Qual (is) o(s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s) capaz(es) de produzir poesia ?

LÍLIA APARECIDA PEREIRA DA SILVA – A nostalgia da solidão, principalmente.

SELMO VASCONCELLOS - Quais os escritores que você admira ?

LÍLIA APARECIDA PEREIRA DA SILVA – São incontáveis, dependendo dos momentos em que os leio. Cito alguns : Shakespeare, a agudeza de todos os filósofos, Cecília Meireles ( com quem privei de cartas e visitas, bem como Clarice Lispector ), Drummond, Álvaro Alves de Faria, Celso Luís Marangoni, todos que traduzi nos 50 países que os descobri, etc. etc., bem como Manoel de Barros, grande poeta.

SELMO VASCONCELLOS - Qual mensagem de incentivo você daria para os novos escritores ?

LÍLIA APARECIDA PEREIRA DA SILVA – Viver a vida o mais intensamente possível, sem inibições fantasmagóricas e ou diminuidoras de personalidades.

POESIAS

VISÃO

Duas asas no chão:
de um anjo?
De lúcifer?
De um cão?

Se a chuva pisasse nelas,
não sangrariam, como meus sapatos.

Onde buscar remorso, se forem de um anjo?
Onde encontrar mais forças, sendo de um Lúcifer?
Onde mais espanto, se forem de um cão?

Do livro Altar das Cicatrizes, S. Paulo e todo traduzido em Barcelona por Vincenzo Josía. Também traduzido por Gaston-Henry Aufrère ( Bruxelas ); Claude Cotti, Paris e Román F. Lemes ( Uruguai).

A MÁSCARA

Os que bateram em minha máscara,
como se bate à porta,
foram sempre mãos de luvas.

Os que me beijaram a máscara,
sonhando beijar-me os lábios,
foram sempre marionetes.

Os que me pintaram a máscara
em tom mais triste que o cinza,
foram sombras dispensadas.

Os que me transpassaram a máscara
foram deuses,
nunca homens.

Do livro “Altar das Cicatrizes”

RETRATO PLURAL

Em todas cidades do mundo,
sofrimento é maior quando não se perdeu
coração em ninguém.

Em todas cidades do mundo,
há roupas estendidas nas paredes
e nudez dentro
das vidraças.

Em toda cidade do mundo,
em algum tempo,
manhãs já não estão cansadas
da procissão de gestos inacabados.

Em todas cidades do mundo há espaços, muros
e sapatos abandonados nas ruas,
tirando retratos do passado
e futuro,
e pombas que exibem asas
e não voam
- como outras – acima dos telhados.

Em todas cidades do mundo
há janelas sujas de trens
anuviando paisagem,
olhos azuis aleijados
lendo nome da estrela
e do lixo.

Em todas cidades do mundo há ciganos
que revivem esta saudade,
estalando
no meu céu da boca
o grito da vida.

( 15.07.88 - De Lisboa a Fátima, do livro “Europeanas”, SP, 1997, João Scortecci Editora ).

O ANJO

Que Anjo és que só me faltas?
Se ainda te sonho,
tens as asas
pétalas de cimento?

Que Anjo és, sem luz, sem nada,
se até a silhueta que tiveste,
a noite, surpreendendo, encolheu?

Celebro-te memória, no meu tempo,
Anjo,
agora que é cinzento o arco-íris
e a estrela reclinada indesejei.

Amadurece em mim o provisório
de teres sido nunca
o que sonhei.

São Paulo, 1993.( Do livro “Elipses do Anjo)

ODE À BRASÍLIA

Âncora
da frota do novo Cabral
plantando séculos
no coração
do triângulo-celeiro das Américas!

Da oca aos tetos de aço,
tu és Brasília!
Do Cruzeiro derramado
nas velas das capitanias
à cruz na terra pagã,
ès Brasília!
Da Ilha de Vera Cruz
ao rubro ibirapitanga,
ès Brasília!

Herdeira dos sons marciais
no campo de Lampadosa!
Dos laços rolando aos ventos
nos braços bramindo espadas
no cavalgar do Ipiranga!
Herdeira dos sons rimando
roucas senzalas abertas!...

Bornal de esmeraldas
desbravado!
Esteira semivirgem de colheitas!
Seja o sol o teu cacique
na tribo de nuvens soltas!...
Seja o instante um campônio
semeando-te o amanhã!

Concretos, brotem da terra!
Netunos chegam da costa
trazendo seiva à raça!
Soldados cantam os ecos,
estrelas descem do céu!...
Moema, a terra é de mel,
volta do esquife das ondas!
Anchieta! Escreve teus versos
de costas para o Atlântico!
Conta dos bosques, das águas,
das mãos que oram unidas,
erguendo os pombos da alma
no alvorecer de Brasília!
Salvador! Relembra o cetro
que foi cocar em tua fronte!
Andrada! Ouve tua voz
no pergaminho das luzes!
D. Bosco! Tocam os sinos
da cidade que sonhaste!
Dumont! Passeia no azul o outro pássaro
com o ramo de louro que guardavas
à fronte de trigo desta terra
em nossos olhos saciando a fome!
Acorda, Villa Lobos, tua batuta!
Sabiás de joelhos nos galhados,
entoam a sinfonia ouro-verde!

Brasília! Gibão de bravos!
Brasília! Hino de um marco!
Abre teus braços de fonte,
Eldorado do universo!
Abre teus braços de fonte,
tapuia civilizada
e lança a flecha do arco!

( Do livro “Relógio de Raízes ).

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